Festa da Democracia, uma breve descrição das eleições americanas.

Cara, esse país aqui tá pegando fogo! No jornal não se fala outra coisa senão as primárias para eleições norte americanas e também se os Estados Unidos vão entrar ou não em recessão!

Eu até hoje não consegui entender direito como diabos funciona essa eleição americana pra presidente. Eu fico pensando, se eu, que tenho alguns anos de estudos, fiquei quase uma hora na internet pra poder tentar entender como funciona e não entendi, imagina como fica um americano médio que não sabe nem apontar aonde fica os EUA no mapa. Eleição americana é que nem o sistema de cálculo de média na UnB, foi feito pra ninguém entender mesmo. Eu só sei que no final é tanta complicação que o candidato menos votado pode até sair vencedor (Bush ganhou a primeira eleição assim, inclusive).

Mas pois é, se vocês acham que essa troca de farpas entre Serra e Aécio, com uma pitada de “Palpitando Henrique Cardoso”, tá ficando séria e ainda vai dar muito pano pras mangas, vocês precisam é ver como é aqui nos EUA. O EUA é um país basicamente bipartidário. Digo “basicamente” porque não existe uma lei que diga que necessariamente o país não deve ter mais do que dois partidos e há alguns partidos menores (Ralph Nader saiu candidato a presidente pelo partido Verde). O país é bipartidário “de fato”. Os seus dois maiores partidos são os Democratas e os Republicanos. Os Democratas (não confundir com o PFL aqui do Brasil, pelamordedeus!!) são mais voltados para a esquerda liberal e para maior controle do estado com políticas socialistas. Já os Republicanos possuem entre as suas figuras mais conhecidas Lúcifer, Hitler e, claro, George Bush. Não precisa dizer que é o partido mais conservador e o que mais defende os valores da “Grande América”, né?

Mas se a eleição vai ser só em 4 de Novembro, porque cargas d’água tá todo mundo falando sobre isso?

Como já expliquei, ao contrário do Brasil, aonde o pluripartidarismo domina e podemos ter candidatos fortes de 3 ou 4 coligações diferentes, aqui nos EUA só dois partidos são realmente levados a sério. Se no Brasil pluripartidário, já dá uma briga danada pra escolher quem vai ser o candidato a presidente de um partido (Dilma Rousseff X Jaques Wagner e Aécio X Serra só pra citar os que estão na moda agora), imagina em um país com quase o dobro da população e bipartidário? As primárias aqui são bem piores! Antes mesmo do início das eleições de fato, nas primárias (não me peçam pra explicar como funciona as primárias também), o pau come solto entre os pré-candidatos pra ver quem vai ser “O” escolhido. É tanta porrada trocada entre eles que chega até mesmo a ser mais emocionantes que as eleições em si.

Devido ao fato dos Republicanos hoje estarem numa fria (não precisa explicar, né? Bush), os Democratas estão recebendo mais os holofotes. Os Republicanos já levaram uma surra tal qual “vaca quando entra em horta” dos Democratas nas eleições legislativas, logo é muito provável, ceteris paribus, eles perderem as eleições pra presidência também. Mas gente, “Deus é Pai, não é padrasto”, né? Não é possível que a gente vai ter que aguentar mais quatro anos de um Republicano! Apesar da torcida, o McCain, até agora o candidato republicano mais forte, mostra que pode surpreender. Pra falar a verdade ele mostra que pode é ganhar!! Segundo algumas pesquisas feitas recentemente, num embate direto, ele saíria na frente ou de Obama, ou de Hillary. Como já frisei, eleição americana é que nem UnB, que nem aquela matéria que você pega no departamento de história, tem certeza que vai tirar um SS (menção mais alta da UnB) e na reta final o professor surpreende e te dá um MM (nota média).

As duas maiores estrelas do Partido Democrata são hoje Hillary Clinton e Obama. Como todos já sabem, os dois são provenientes de minorias, ela, mulher, ele, negro. Hillary Cliton é a ex-primeira dama e tem nada mais, nada mesmo, do que uma pessoa do calibre de Bill Clinton como cabo eleitoral. Apesar de ter bombardeado Kosovo (desculpa, eu não resisti ao trocadilho) e de outras atrocidades, Cliton ainda goza de uma grande popularidade, já que durante o seu governo os EUA tiveram um surto de crescimento econômico absurdo (os bichos chegavam a crescer “um PIB do Brasil” por ano). Hillary possui grande popularidade entre os latinos e, claro, entre as mulheres também. Devido a todos esses fatores, Hillary até a uns tempos atrás era apontada como favorita para ser a candidata Democrata.

Maaaaaaaaasssss, eis que do nada apareceu ele, o terror que voa na noite, um jovem senador democrata, Obama.

Enquanto a imprensa inteira dava atenção a Hillary, Obama veio que nem gato comendo feijão quente, mordendo pelas beiradas. Foi daqui, foi dali e, de repente, Obama começou a atormentar Hillary. Primeiro que o bicho já fez o que muitos achavam improvável, deu um sacode em Hillary nas primárias do estado de Iowa (Hillary ficou em terceira, perdeu até pro outro democrata que desistiu agora). Apesar de Hillary estar conseguindo reverter esta derrota nos outros estados, deu pra perceber que ela sentiu a força do cruzado de esquerda de Obama e ficou meio atordoada. Até Bill Cliton começou a atacar Obama depois disso.

Obama possui muita força entre o eleitorado negro estadunidense que está votando massivamente e aparece como nova peça no xadrez. Além disso, recebeu esses dias um surpreendente apoio da filha de Keneddy que escreveu uma nota para o jornal apoiando o jovem senador negro. Obama tenta se diferenciar de Hillary utilizando a guerra do Iraque como munição para ataque, já que, apesar de Hillary dizer que é contra a guerra, votou a favor dela e Obama votou contra.

Apesar de todos os apesares, eu ainda tou torcendo pela Hillary, li um artigo num jornal brasileiro e depois confirmei na internet, que Obama, apesar de ter nascido no Havaí, é senador pelo estado de Illinois, um importante estado agrícola americano. E daí? E daí que eu acabei compartilhando com a visão do autor que defende que se hoje já está complicado negociar diminuição de subsídios e barreiras tarifárias agrícolas, em Doha, com “Mister Petrol Bush” (que foi levado a Casa Branca principalmente para fazer valer os interesses de setores petroleiros) imagina a porrada que vai ser com um senador proveniente de um estado agrícola, apoiado por agricultores e, além de tudo, um tanto quanto inexperiente no contexto internacional (o que o deixa mais sugestível ao lobby)? Fica aí a dúvida se a rodada da OMC em Doha vai um dia terminar em um acordo. Não sei até que ponto isso vai realmente influenciar, mas por via das dúvidas, é Cliton na cabeça!

Agora é só esperar a próxima terça, mais conhecida como Super-Terça em que mais de 20 estados estadunidenses irão realizar primárias. É esperar e ver quem vai nessa.

Um comentário em “Festa da Democracia, uma breve descrição das eleições americanas.

  1. Adorei a aula de “Eleições Americanas”Ainda não tinha parado pra ler, como ex estudante de Rel, sou uma negação no interesse político do cenário internacional.Beijo

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