O ano em que o Maranhão virou o Zimbábue…

Eu não sei como a galera anda informada acerca de como anda o vale-tudo em que se transformou o cenário eleitoral aqui no Maranhão. Há alguns posts atrás eu havia publicado a minha opinião sobre o processo de cassação do governador Jackson Lago, posicionamento em que vocês podem ler pressionando aqui.

Pois bem, de lá pra cá muita coisa já rolou. Chegamos ao cúmulo da Justiça Eleitoral cassar o diploma do prefeito eleito de Santa Luzia e a população, enfurecida e revoltada, destruir e queimar o fórum da cidade, destruindo mais de 7000 processos. Pra melhorar ainda mais a situação, o nosso governador, “Libertador do Maranhão”, apoiou o ato de selvageria dizendo que isso foi uma verdadeira “manifestação popular”.

Fiquei profundamente revoltado com isso e achei uma grande falta de vergonha o que o povo havia feito, pois, afinal, confiava inocentemente na Justiça. Confiava que um poder constituído por funcionários públicos que passaram por um processo de seleção dificílimo (pô cara, uma prova de juiz é algo punk!) e com um salariozinho inicial besta de quase 23.000 reais não seria tão facilmente corruptível. Ledo engano. Se ligue na noticia que hoje me deparei no Jornal Pequeno:

Desembargador denuncia comércio de decisões no Tribunal de Justiça

“Bayma Araujo defende ação urgente da Corregedoria para apurar conduta imprópria de juízes

‘Nessas eleições teve juízes vendendo decisões, isso é público e notório’, disse o desembargador

O desembargador Antônio Fernando Bayma Araujo reafirmou ontem ao Jornal Pequeno a íntegra do que declarou em entrevista, na quarta-feira, a um blogueiro do Sistema Mirante. Na entrevista – que não foi difundida pelos blogs, TV e jornal do Sistema (só saiu na rádio AM) –, Bayma Araújo se disse “envergonhado” e afirmou que “nessas eleições teve juízes vendendo decisões, isso é público e notório”.”

Reportagem completa e surpreendente em: http://www.jornalpequeno.com.br/2009/1/9/Pagina95050.htm

Pra quem não sabe, Bayma é desembargador e já foi presidente do Tribunal de Justiça aqui do Maranhão, portanto não é alguém a ser ignorado, não é um peixinho pequeno. Seria cômico (algo digno de uma comédia pastelão) um procurador mandando um juiz devolver a propina que ele havia recebido, pena que isso tenha acontecido aqui no Maranhão.

Agora sim chegamos ao fundo do poço. Sarney com medo de perder o seu posto de “dono declarado” do Estado parte para o vale-tudo através de uma rede de intrigas e subornos e a oposição responde utilizando a população como massa de manobra enfurecida para queimar fóruns e propagar o terror. O homem de bem que acha que essa PORRA desse país ainda tem solução fica no meio do fogo cruzado sem ter em quem poder confiar, pois cada dia mais parece que no Estado “todos são iguais”.

Isso tudo nos demonstra que cada dia mais o Maranhão caminha para uma situação parecida com a de Robert Mugabe e seu Zimbábue…

P.s: Já dizia o Cazuza “Grande pátria desimportante, em nenhum instante eu vou te trair. Não, não vou te trair!”

2 comentários em “O ano em que o Maranhão virou o Zimbábue…

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