Acordando na Eslováquia

No outro dia pela manhã era a hora de fazer o mais difícil. Levantar do sofá! Mermão, aquela noite tinha sido complicada. Eu não acordei sozinho. Como estava dormindo na sala, acordei com um cochicho na mesa do que parecia ser algumas pessoas tomando café. Fui levantando, me espreguiçando e do nada me deparo com uma cena, no mínimo, inusitada. O gato estava deitado em cima dos pães que as meninas haviam comprado pra poder tomar café? Não. Havia pessoas totalmente diferentes na mesa da sala conversando? Também não! Era o gato que tava falando com um papagaio? Também não! Um canguru? O que era então? Cara, nada mais, nada menos que as duas eslovacas tomando café da manhã na mesa da sala DE CALCINHA E SUTIÃ! Sim! Dá pra acreditar? Isso mesmo que você leu! As minas estavam no meio da sala, comigo dormindo no sofá quase que ao lado delas, tomando café da manhã apenas com suas, digamos, peças íntimas.
Eu na hora tomei foi um susto (não de medo, mas de surpresa, antes que alguns engraçadinhos já comecem a desconfiar da minha masculinidade. Ah, mas vai! Não são todos os dias que você acorda com o cochicho de duas eslovacas só de calcinha e sutiã no meio da sala!) e já fui ficando de costas e pedindo desculpas por ter as pego num momento, digamos, assim, “tão íntimo” (o que eu achei que elas estavam fazendo antes de ir para aquela mesa? Isso fica com a imaginação de vocês…). Elas me olharam com uma cara de “cê é doido ou algo assim?”. Eu não entendi. Parecia, parecia que pra elas… Parecia que pra elas não tinha problema ALGUM em eu estar ali conversando com elas vestindo apenas peças íntimas.

Eu acordando em Bratislava
Segue o diálogo:
– Uai, desculpa! Desculpa, foi mal! Não sabia que vocês estavam só de calcinha e sutiã.
– Desculpa por que, cara pálida? Qual é o problema? Você nunca viu uma mulher de calcinha e sutiã antes?
– Bem, ver, ver, eu já vi. Mas confesso que só depois de algum tempo de intimidade…
– Uai, mas qual o problema em nós estarmos assim? Você é do Brasil, não?
– Sim, por quê? – perguntei já achando que elas iam perguntar se aqui todo mundo anda pelado na tribo ou algo assim…
– Então, nas praias lá no Brasil as mulheres andam de biquínis pra cima e pra baixo, não? Inclusive bem, mas BEM menores do que a nossa roupa. Por um acaso você fica também se escondendo quando elas estão trajadas desse jeito? Fechando o olho pra não ver e pedindo desculpas?
– Não, até porque isso levaria várias pessoas a acharem que eu jogo no time rosa.
– Então, qual é o problema de falar com a gente assim? Larga de frescura e vem sentar na mesa aqui com a gente pra tomar café.
Cara, ela desmontou totalmente os meus argumentos. Realmente, vocês já pararam pra pensar? Qual a grande diferença entre andar de biquíni e andar de calcinha em sutiã? As calcinhas aqui no Brasil costumam ser bem maiores que os biquínis, não? Por que diabos a gente tem todo esse problema com peças íntimas? Pra galera do Leste Europeu, parece que isso não é um problema muito grande. Isso inclusive me lembra de um dia que eu hospedei um tiozão da Polônia lá em casa. O bicho era um polonês velhão, parecia o Karl Marx e era gente boa demais. Ele ficou uns cinco dias lá em casa. Na primeira noite do cara, na hora que ele foi dormir, ele foi arrumando a cama dele, pegando o travesseiro e… e? E TIRANDO A ROUPA e ficando SÓ DE CUECA pra ir dormir. Isso no meio da minha sala e comigo falando com ele. Eu fiquei um tempo olhando pra ele com um cara de “que porra é essa” e ele sem entender. Segue o diálogo:
– Algum problema, Cláudio?
– Er… Cara, será se você não se importaria de dormir de bermuda?
– Uai, mas qual o problema de ficar só de cueca?
– Hum… É que… Sabe? A gente ta com a namorada de um dos caras na nossa casa. Mulher sabe?
– E?
– E, pombas, ele pode não gostar, cara! Será se você poderia botar essa maldita bermuda?
Acabou que ele se vestiu e foi dormir de bermuda. Juro que na hora lembrei de mim na casa das duas eslovacas. E isso não foi a primeira vez não. Outro dia ficou um casal de poloneses lá em casa e foi a mesma coisa. Eu tendo que pedir pros dois não dormirem desse jeito na sala porque o pessoal de casa podia não gostar. Esse povo da Europa Oriental…

Enfim, voltando a nossa história. Elas foram lá e perguntaram se eu queria tomar café com elas. Pra ser educado, fui lá, sentei e comecei a conversar com elas TENTANDO ABSTRAIR que existiam duas eslovacas de calcinha na minha frente. Fiquei pensando: – “Cara, calma, não há nada demais acontecendo!! Pense que nos desenhos animados, quando alguém está nervoso, eles sempre dão a dica de imaginar que todo mundo está pelado. Pode ser que dê certo…”. Tentei fazer isso, mas depois de uns dois minutos, er… digamos, diria que não ajudou nem um pouco… O jeito foi pedir licença e inventar pra elas que ia tomar um banho…

E AINDA TEM MAIS…

Saindo do banho, voltei pra sala e elas continuam em peças íntimas. Rapaz, mas elas não queriam contribuir mesmo… Pensei: – “Pelo menos elas saíram da mesa. Vou comer uma coisa aqui e fingir que nada de errado está acontecendo…”. Pois é, claro que não deu certo, mas pelo menos as coisas se acalmaram. Depois de uns dez minutos comendo, a amiga da Suzana foi lá e me falou: – “Cláudio, a Suzana falou que leu no seu profile do couchsurfing que você faz massagens. Será se você poderia fazer uma massagem pra mim?”. É O QUE, HOMI?!?!? WTF?? PQP!! Eu falei pronto. Eu tou muito largo mesmo. Só pode ta de brincadeira. Quer dizer que só ficar me tentando com aquelas peças de roupas, digamos, “impróprias”, não era o suficiente? Agora ela queria era massagem? Como diria o Batoré: “Ah, para ôw!”.
Tentei falar que não fazia, que era engano, tentei pedir piedade, alegar que era contra a Convenção de Genebra, mas não teve jeito. Tive que ir lá fazer a massagem na mulher já que ela insistia.
“Uau, medo de fazer massagem em uma eslovaca, Maranhão?”. Não, amigo, claro que não! O problema é que ela não veio com essa pra cima de mim como quem diz “Vamos comer uma pizza e depois transar? O que, você não gosta de pizza?”. Não, não foi nem um pouco isso. A mina tinha namorado, andava com aliança no dedo e tudo. Ela tava pedindo uma parada de boa mesmo. Assim, tipo quando você pede pra algum amigo massagear as suas costas quando você está todo arrebentado. Pra ela era algo super de boa. Pra mim é que não era. Mas de boa, vamos lá.
Ela deitou no sofá e eu fiquei lá, fazendo uma massagem nela de boa. Sem nada demais. Não, ela não vestiu a roupa. Tou lá, na medida do possível tentando ser agradável.
De repente, não mais que de repente, esta mulher começa a gemer. Sim, a GEMER! Eu parei. Olhei. Pensei. Perguntei pra ela: – Tá tudo bem, minha filha? – aquela pergunta, quando na verdade eu tava meio que querendo dizer mesmo era: “Ow, filha, na boa, você quer é transar é? Se for fala logo!”. Ela me falou que tava de boa, que quando alguém massageava ela, ela reagia daquela maneira, mas sem nenhum contexto erótico nem nada. Era só porque ela gostava… Ta bom… Vamos lá, vamos continuar…

Continuei lá massageando e a mulher não parava! E continuava com aqueles gemidos a la Anna Kournikova. E aí? Fazer o que parceiro? Uma eslovaca, de calcinha e sutiã, sendo massageada e gemendo? Claro, isso mesmo que você pensou. Falei: – Quer saber? Não faço mais, vou trocar de roupa e sair!! E cuidei de ir me arrumar…

Essa Eslováquia só me causa problemas…
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6 comentários em “Acordando na Eslováquia

  1. “(…) Pense que nos desenhos animados, quando alguém está nervoso, eles sempre dão a dica de imaginar que todo mundo está pelado. Pode ser que dê certo…'. Tentei fazer isso, mas depois de uns dois minutos, er… digamos, diria que não ajudou nem um pouco… O jeito foi pedir licença e inventar pra elas que ia tomar um banho…”

    Sei… banho. Maranhense negando fogo para tudo o que era européia, tava numa seca desgraçada (o canguru não ligara mais desde então), se depara com duas eslovacas semi-nuas e começa a imaginá-las peladas. Detalhe que tinha acabado de acordar, e é de conhecimento popular que muitas vezes nós homens acordamos em “estado de continência”.

    Sei o que você foi fazer nesse “banho” Sr. Claudiomar. Deve ter deixado o colega de viagem em carne viva.

    Isso mais o episódio da mina tendo orgasmos com a tua poderosa massagem deve ter garantido suas noites solitárias pelo resto da viagem, só rebocando a parede dos banheiros alheios.

    hehehehe

    Só tu mesmo…

    Abraços

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  2. E a gente que achava que a veia da piriguetagem era exclusiva do sangue brasileiro… fomos desbancados! :/

    De boa, Claudio, as minas te sacanearam de propósito. Pode até ser costume delas, mas forçaram a barra, porque mesmo a pessoa mais demente sabe qdo tem visitas de outro país em casa. Falaí, se o namorado da mina estivesse lá vc acha mesmo que de boa ela falaria com vc e te pediria massagem de sutien e calcinha?

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  3. Maranhão… to axando que tavam fazendo isso meio que de propósito só pra ver tua reação…
    Fico com uma dó de você por ter passado por isso…
    hehehehhe

    Abraço!

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