Foto: enquanto uns se divertem, outros buscam sobreviver

Compartilho aqui uma foto que achei belíssima postada no “Conexão Brasília-Maranhão“, um blog bem interessante do amigo Rogério Veiga. A foto foi tirada durante o carnaval de Recife (que foi bem legal, diga-se de passagem ;P). Segue o post:

Recife, Pernambuco, Brasil. Domingo, 6 de março de 2011. Início da noite.

A multidão se deleitava com a irreverência e a criatividade do Quanta Ladeira, uma das maiores atrações do carnaval local.

Solitário e discretíssimo, um senhor recolhia latinhas de cerveja e refrigerante. Na capital pernambucana, um quilo de latinhas (74 delas) rende em torno de três reais aos catadores.

Ninguém o notava.

Próximo ao palco, se deteve por alguns instantes e olhou para a turma que comandava a folia.

Não esboçou sorriso ou qualquer expressão que o identificasse com o público, em êxtase, ao seu redor.

Talvez tenha parado para descansar a coluna.

Dez segundos. Fôlego recuperado, seguiu em frente.

Como o próprio carnaval.

Clique para ampliar

Foto: Rogério Tomaz Jr. / Edição: Alexandre Xixa

4 comentários em “Foto: enquanto uns se divertem, outros buscam sobreviver

  1. Velho, de boa, quem vê uma imagem desta e não sente absolutamente nada de diferente no coração não pode ser humano.

    Não vou julgar este senhor, pois não sei de sua história. Sei lá se ele foi um jovem totalmente inconsequente, que nunca avaliava suas ações, se disperdiçou 1000 e umas oportunidades de ter uma vida melhor… ou mesmo se é mais um dessa massa que sequer chegou a ter uma chance na vida.

    Só sei que há algo de MUITO errado numa sociedade onde alguns se esbaldam e vivem na maior opulência (seja com $$ próprio ou dos contibuintes) e muitos batalham (sim, batalham) para por comida na mesa, quando muito.

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  2. Por outra ótica a sociedade está correta e errado é quem acredita no igualitarismo ou solidariedade universal ou coisa do tipo. (Quem era louco em o Alienista?)

    Não é para tanto conformismo e acomodação, mas também nem para tanto coletisvismo a ponto de negar o indivíduo sob o pretexto de afirmar “todos os indivíduos”, por exemplo, que “ninguém se divirta enquanto houver miséria no mundo”.

    Ironicamente esse radicalismo igualitário é o pensamento particular de uma parcela, que ainda bem não são os únicos a tutelar com o dinheiro do contribuinte por oferecer mais oportunidades ao senhor da foto, mas sem garantir que ele vai realmente mudar de situação e se estragar toda a festa de quem não se importa.

    Afinal, num ambiente democrático de multiplicidade de visões de mundo, só quem tem esse jogo de cintura na arte política do convencimento consegue de fato mudar algo. Muito mais que 20 milhões de fotinhas dessas (tal qual a quantidade de gente como ele), que mesmo com o foco centralizado, para muita gente não tem ninguém aparecendo (E quem pode JULGAR quem é louco afinal?).

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