Novo golpe militar no Brasil e Nelson Ned

Alguns parecem nutrir um certo temor com essa marcha de São Paulo. Inicialmente pedia-se o impeachment da Dilma, depois se misturaram com quem pedia recontagem dos votos e no final o que deu mais Ibope mesmo foi para a galera que estava pedindo a volta da Ditadura Militar e o fim da democracia.
Segundo estimativas foram 2.000 pessoas. Isso me fez lembrar o comentário de um jornalista sobre a preocupação despertada pela notícia de que havia 20 “círculos bolivarianos” no Brasil para discutir os ideais que inspiram Hugo Chávez. Se isso não seria uma ameaça para a democracia. Ele respondeu que “Na população brasileira deve haver mais gente militando no fã-clube do Nélson Ned’’. Acho que esse para mim é o resumo do quanto temos que nos preocupar com 2000 malucos gritando coisas desconexas em uma cidade com dezenas de milhões de habitantes.
Pessoas assim sempre existiram, porém, hoje, com o advento da internet qualquer coisa bizarra pode virar um viral. E, cá entre nós, esse povo é engraçado. Se liga no vídeo abaixo de alguns que chegaram a ir em um quartel no Ceará para pedir diretamente aos militares um golpe:
Apesar de ter muita gente que enche a boca para falar que não pertence a nenhum partido político, sindicato, entidades representativas ou associações para opinar ou se manifestar, nenhuma mudança social acontece de verdade se for sem eles. E basta um olhar mais atento para a manifestação para perceber que não houve qualquer apoio de instituições coletivas. Para usar como exemplo de comparação, a Marcha da Família com Deus pela Liberdade de 1964, que foi um fator importante para o golpe militar, contou com centenas de milhares de pessoas e apoio de setores do clero (como o próprio nome já deixa claro), do empresariado, setores políticos etc. Já em São Paulo as principais lideranças acabaram sendo mesmo o decrépito do Lobão e o filho do Bolsonaro, que, lógico, subiu no trio elétrico armado caso o golpe fosse começar dali.
O que mais me surpreendeu foi ver um partido como o PSDB, um partido com história, um dos poucos partidos que efetivamente é um partido e não uma agremiação de interesses, parecendo surfar na onda. Isso no final desencadeou o ridículo questionamento no TSE, que até mesmo setores de dentro do PSDB reconheceram que foi uma burrada. Ainda bem que houve a constatação do tiro no pé que era ter apoio desses lunáticos e até o próprio Geraldo Alckmin foi a público condená-los. Hoje, Aécio, em seu primeiro discurso pós-derrota, reconheceu a vitória da Dilma e criticou os grupos que pediam a volta ao governo militar e o impeachment, se desvinculando dos nossos amigos maluquinhos. Pode parecer pouco, mas é sempre bom lembrar que o PT nunca se desvinculou de seus mensaleiros e ainda os trata como heróis.
Por último, um golpe militar não se faz assim do nada. Não é algo onde se acontece uma eleição, o candidato de direita perde e um general olha para o outro e diz “Pô, não estamos fazendo nada aqui, vamos ali derrubar o presidente?”. Basta lembrar que o golpe de 64 durante anos foi algo esperando para se acontecer. Desde a renúncia de Jango em 1961 e toda a negociação para posse do seu vice, João Goulart, que o clima no país estava caminhando para isso. Além disso, era época de Guerra Fria, com uma Revolução ocorrida no quintal dos Estados Unidos em 1959 em Cuba e tudo o que os Estados Unidos menos queriam eram sequer passarem por um risco parecido na América do Sul. Vários países Sul-Americanos inclusive viraram ditaduras durante essa época.

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