Perambulando por Istambul, parte 2.

A história da Mesquita Azul (ou Mesquita do Sultão Ahmet, sultão que patrocinou sua construção) tem uma história peculiar e engraçada. Como já contei pra vocês, em 1453 os turcos-otomanos tomaram Constantinopla e decidiram manter a Sofia de pé, adicionando apenas as minaretes para transformá-la numa mesquita (ainda que sempre fora permitido aos cristãos realizarem suas preces lá dentro). Mais ou menos duzentos anos depois, em 1606, um sultão turco, Ahmet, estava sentando na varanda do seu palácio à beira do tédio, sem ter o que fazer e pensou: – Rapaz, essa tal de Santa Sofia até que é bonitinha mesmo. Mas, pensando bem, ela não é obra dos irmãos otomanos. Ela, apesar de hoje ser nossa, foi construída pelos bizantinos e possui influência da arquitetura bizantina. Quer saber? Vou fazer uma outra bem maior, bem mais imponente e bem mais bonita para demonstrar que os otomanos podem construir uma mesquita bem melhor que esses bizantinos aí. Tá certo que vamos ter quase 1000 anos de tecnologia a mais, mas quem precisa saber disso?

Esse gato ficava o dia inteiro sentado nessa posição, em frente à Mesquita Azul. Todo mundo que entrava na mesquita ia lá e passava a mão na cabeça dele. Era engraçado
Bem, tá certo que não foi 100% desse jeito, mas diria que foi 90%, já que realmente houve esse desejo do sultão de construir algo maior e mais suntuoso que a catedral bizantina. E, ah sim, ele construiu ela em frente à Igreja de Santa Sofia. Sim, amigo, uma em frente a outra. Dois mundo, duas civilizações e dois estilos arquitetônicos frente a frente, simplesmente sensacional.

A Hagia Sofia na esquerda com a Mesquita Azul a poucos metros de distância. Destaque abaixo para os navios cruzando o estreito de Bósforo
Santa Sofia ao fundo
A mesquita na parte de dentro também é suntuosa. Diversos vitrais e mosaicos estão espalhados dentro. Não há imagens, afinal, os muçulmanos não as cultuam (basta lembrar daquela confusão das charges na Dinamarca que tacaram fogo no mundo muçulmano). O melhor de tudo é que a entrada é franca, não precisa pagar nada, basta apenas não ir durante os momentos de prece islâmica.
Interior da Mesquita Azul
Depois da Mesquita Azul, visitei as cisternas da Basílica, uma construção bizantina realizada ainda sobre o reinado de Constantino, o mesmo que falei há alguns posts atrás e que quase retomou todos os territórios do antigo Império Romano. As cisternas foram construídas no século VI, possuem 9.800 metros quadrados e são sustentadas por 28 colunas bizantinas.

Os turistas tem a tradição de jogar moedas nas cisternas para realizar os seus desejos. Peixes também podem ser encontrados por lá.

Depois das cisternas, segui para um típico bazar turco. Milhares de turcos tentavam nos enfiar dentro das suas lojinhas a qualquer preço. Rolou até uma coisa engraçada comigo. Tinha uma camisa que eu tava muito a fim de comprar e parei pra falar com um vendedor turco quanto era. Segue o diálogo:

– Amigo, amigo! Venha aqui comprar umas coisas na minha lojinha.
– Cara, quanto custa aquela camisa ali?
– Qual? Aquela com a bandeira da Turquia?
– Sim! Quanto custa.
– Quer pagar quanto? (E as Casas Bahia faziam história…)
– Não sei…
– Olha só, ela é de qualidade, bom tecido…
– Você, REALMENTE, quer saber quanto eu QUERO pagar?
– Sim, quanto?

– Uai, eu QUERO pagar sete dólares (a camisa valia pelo menos uns 20 dólares)
– Sete?
– Sim, você perguntou quanto eu quero pagar, não quanto eu acho que ela vale. Eu pago sete dólares.
– ORA SEU X%^*(@. ENFIA ESSES SETE DÓLARES NO SEU #$(#$(*#&*@). SAI DAQUI ANTES QUE EU TE ENCHA DE PORRADA.
E continuou me xingando em turco enquanto eu ia embora. Fique pensando se na Turquia tratar bem os clientes é coisa de viadinho…
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5 comentários em “Perambulando por Istambul, parte 2.

  1. Cara, tenho horror a barganha, a ficar lá horas falando e rebatendo preços, gosto é de ver logo o produto etiquetado num preço justo!

    Isso foi o que mais amei no Canadá, lá o preço era um só pra todos. Agora um cara me puxar pelo braço pra entrar na lojinha, ficar perguntando quanto quero pagar, ficar querendo discutir o preço… nossa, é pedir pra eu ir embora.

    Mas enfim, adorei o post!
    Agora deixa eu te perguntar Claudio, sempre tive um pé atrás com a Turquia porque tenho a impressão que lá os caras são meio doentes por mulher. Eu até tenho um amigo turco que é gente boa e não me olha como se fosse um pedaço de carne, mas já ouvi tantas histórias de umas minas horrorosas que foram pra Istambul (via couchsurfing) e só caras respondiam os tópicos pra sair, caiam matando em cima, convidando pra passear no carrão deles, pra se hospedar na casa deles…etc. Confirma?

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  2. Os turcos são meio tarados mesmo, o que, nada mais, seria um reflexo da suposta brutalidade dos ditos. Um país de pedreiros?

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