A caminho de Bangladesh, viajando pela Ethiopian Airlines de São Paulo a Délhi

Como a Ethiopian Airlines estava com uma passagem com um bom preço para Delhi, acabei comprando por eles. Não sugiro que você faça nem para o seu pior inimigo. Ok, o avião dos caras é bem confortável e a tripulação é bem solícita. O problema é que você faz uma escala em Lomé, no Togo, em que você fica uma hora e meia mofando dentro do avião, e depois ainda faz uma conexão na Etiópia, o que aí sim, é complicado.

O aeroporto de Addis Abeba é um INFERNO! Não só pelo calor (que faz o lugar quase ser um inferno literalmente), mas porque o aeroporto é uma casa da Mãe Joana. É tudo zoneado e sujo. Porém, PORÉM, a pérola é eles acharem que, bem, entendo que eles já passaram por checagem de máquinas de raio-X umas duas vezes, mas, por que não fazer de novo?

Até aí tudo bem, o problema é que o aeroporto está querendo ser um novo hub da África, competindo com a África do Sul e o Egito, então é APINHADO de gente. E só há DUAS MÁQUINAS DE RAIO-X. Mano, quando você desce do avião, você vê uma fila que não acredita do tanto de gente afunilando para poder passar nessa MALDITA máquina de raio-X. Daí fica todo mundo lá em pé e vez ou outra passa um carinha gritando “DUBAI”. Aí todo mundo que vai para Dubai fura a fila. Dali a outro passa outro que grita “NAIRÓBI” aí todo mundo que vai para Nairóbi fura a fila. Como toda hora passa alguém gritando um voo para furar fila, o aeroporto fica parecendo uma feira.

Fiquei uma hora em pé, já que ninguém andava porque toda hora um grupo tinha que furar fila para poder pegar o voo, até a hora que gritaram “DELHI” e lá fui eu furar a fila também. Acaba que aquilo não é uma fila, é simplesmente uma zona de espera, só que em pé. Se você for e fila estiver imensa, sugiro pegar um chopp e ficar no bar tomando uma e de olho no rapaizinho que sai gritando o nome dos voos. Quando ele chamar o seu, você vira o copo de chopp e segue para furar a fila. Foi o que uns brasileiros que conheci no avião (malandros, já tinha feito conexão nesse aeroporto) fizeram e ainda passaram me dando tchauzinho enquanto furaram a minha frente, já que meu voo era depois dos deles.

Pelo menos o aeroporto tem WI-FI, mas, cargas d´água não sei por quê, o whatsapp parece que é bloqueado na Etiópia, ou pelo menos no aeroporto.

Então, chefe, se tiver viajando para Ásia ou tenha qualquer outra escolha, evite viajar de Ethiopian Airlines, as outras opções nunca são tão mais caras, mas compensam cada centavo a mais.

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Você se toca que está em uma empresa africana de aviação quando o vídeo de instrução de segurança possui negros. Foi a primeira vez que vi isso, na maioria são pessoas brancas de olhos azuis
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Fila interminável no aeroporto

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Bangladesh, como tudo começou!

Como estava indo para uma viagem à Índia, comecei a analisar a região e ver quais países ainda não tinha visitado. Fui checando o mapa e vi que, fazendo umas conexões malucas, não seria tão difícil viajar à Bangladesh, Maldivas e Sri Lanka. Depois, já na Índia, ainda daria para cruzar a pé o Paquistão. Pensei, por que não? Estava começando a minha viagem para Bangladesh.IMG_4596IMG_4602

COMO VIAJAR A BANGLADESH E COMO CONSEGUIR O VISTO

Obviamente não existem passagens promocionais do Brasil para Bangladesh, menos ainda voos que vão para lá. Acaba que a forma mais simples de chegar ao país é pegando uma passagem promocional para Índia, Tailândia, Malásia ou Cingapura (sempre tem, é só acompanhar no site do Melhores Destinos) e depois pegar um voo pra Bangladesh. Eu peguei um voo de Délhi.IMG_4605

O visto para lá é simples. Como existe uma embaixada de Bangladesh aqui no Brasil, foi só ir lá e levar meu passaporte, a passagem Délhi – Dacca e Dacca – Maldivas, uma reserva de hotel que fiz pelo site do booking.com (imprimi a reserva e depois cancelei) e pagar uns 40 reais. Em três dias o visto estava pronto. Super tranquilo. Ainda assim, quando cheguei à Dacca, tinha um guichê para poder tirar visto no aeroporto mesmo, mas tinha uma fila IMENSA esperando, então sugiro, se possível, fazer tudo pelo Brasil mesmo.IMG_4599

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Exemplo de transporte público em Bangladesh

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Criançada na escola

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Dez curiosidades que aprendi viajando por Bangladesh (a 7ª e a 10ª são as minhas preferidas)

1 – Bangladesh é o país com maior densidade populacional do mundo. Imagine amontoar quase a população do Brasil inteiro em um espaço de metade do tamanho do Maranhão.
2 – Como é Daca, capital de Bangladesh? Imagina uma cidade com a população de São Paulo, só que sem uma única avenida de 3 pistas, sem metrô e com todo mundo dirigindo loucamente. Com 40º do lado de fora. Imaginou? Pois então, é ainda pior do que isso presencialmente;
3 – Todos os Uber em que andei eram automáticos. Imagino que isso deva ser um pré-requisito, já que eles andam com uma mão no volante e a outra ENFIADA na buzina. Não teria como ter uma terceira para passar a marcha;
4 – Eles tem a maior população de riquixás (ou charretes) a pedal do mundo. São onipresentes e aparentemente o principal meio de transporte no caótico trânsito;
5 – Toda vez que você precisa atravessar a rua passa um filme da sua vida em frente a seus olhos. Passar de uma calçada a outra (quando há calçada) uma experiência de vida ou morte. Quase fui atropelado 3 vezes (em 2 delas por charretes desembestadas);
6 – Nas ruas só se vêem homens andando, sempre com pressa, em todos os sentidos, aparentemente sem destino algum. A maioria das poucas mulheres na rua ficam esmolando com os filhos. É bem triste;
7 – Imagine descer de uma espaçonave com uma melancia como chapéu. Era como me sentia caminhando por Daca. As pessoas paravam o que estavam fazendo e ficavam me encarando como se eu fosse um bicho de outro planeta. Arregalavam os olhos e me observavam de boca aberta. Chega eu conseguia ver a pupila delas me seguindo. Algumas sorriam e acenavam. As poucas que sabiam falar algum inglês me atravessavam e começavam a conversar comigo. Uma vez chamei um Uber e, sem perceber, estava em frente a uma universidade. Rapaz, para que? Me cercaram! Parecia que a universidade INTEIRA tinha PARADO para ir lá falar comigo;
8 – Na imigração, tanto na ida quanto na volta, os oficiais ficaram curiosos para saber porque diabos eu estava a turismo para lá. Acabou que a principal atração turística de Daca foi a sensação de ser o único turista em uma cidade com uma população de mais de 10 milhões de pessoas.
9 – Apesar do críquete ser o esporte nacional, várias bengalis gostavam bastante de futebol. Fiquei surpreso ao conversar com um que me disse que às vezes acordava de madrugada para ver jogo do Santos (sim, o cara era fã do Santos!). Todos eles me falavam que na Copa do Mundo houve uma cisão no país entre os fãs do Brasil e os fãs da Argentina. Teve um que me disse a seleção inteira do Brasil de 2002 e 2014!
10 – Muitos países por onde viajei tinham população amigável. Acaba que Bangladesh, por ser um país com poucos turistas, as pessoas são mais do que amigáveis. Elas são amorosas. Todas com quem conversei eram muito gentis e muito curiosas sobre o Brasil. E, obviamente, todo mundo vinha me dizer que torceu para o Brasil na Copa. Na hora do “vamo ver”, não encontrei nenhum fã da Argentina =)

Originalmente postado em www.instagram.com/omundonumamochila

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