Trindade e Tobago – Pedalando pela ilha de Trindade

No primeiro dia em Tobago resolvi seguir o conselho que haviam me dado e aluguei uma bicicleta para dar a volta por toda extensão da ilha. Quando descobri que teria que pedalar quase uns 150 km para fazer todo o trajeto, lembrei que não tenho mais 15 anos e resolvi pedalar “só” 40 quilômetros, visitando algumas cidades da ilha e cortando ela de leste a oeste. 
Quando fui alugar a bicicleta não gostei nenhum um pouco do preço, 13 dólares por dia (saudades de Bali onde uma moto era cinco dólares o dia. Confira aqui). Porém quando eu subi na bicicleta vi que ela valia cada centavo. Cara, era uma mountain bike de última linha! Sério, deu vontade de ficar o dia inteiro pedalando só para ficar pedalando nela.

Forget UN, soccer will save the world!

Saí pedalando para a maior cidade de Tobago, Scarborough a metrópole da ilha com seus incríveis 25 mil habitantes. Quando saí de Scarborough e segui para cruzar a ilha de leste a oeste que fui ver no que havia me metido. Sabe aquelas coisas que são bem mais legais de contar do que de fazer? Daquelas que você só viu que fez besteira quando está na metade do caminho? Pois então, foi essa pedalada! Cara, atravessar a ilha foi um dos piores caminhos que já enfrentei pedalando! O caminho era todo de morro! O problema quando não se pedala não é subir ou descer, é subir e descer toda hora!!! E o meio da ilha parecia Belo Horizonte! Isso sem falar que o mapa que eu tinha não ajudava em nada, não havia sinalização nas ruas, a rodovia principal serpenteava a todo momento e toda hora eu me perdia.

Os poucos seres humanos que eu encontrava na rua primeiro me olhavam com aquela cara de “o que diabos esse gringo tá fazendo aqui no meio do nada de bicicleta?” e quando iam tentar me ajudar falavam com aquele sotaque incompreensível! Bicho, um perrengue!

Jardim Botânico em Scarborough, capital de Tobago

Quando enfim cruzei a ilha, achava que ia ter a minha recompensa, pois no mapa parecia que a estrada no caminho de volta seguia margeando o mar e ai ser aquela brisa e aquele paisagem. Que ledo engano! Bicho, os caras tiveram a manha de fazer a estrada a uns 100 metros do mar, o suficiente para você não ver nada e sair fritando no sol escaldante de Tobago! Rapaz, até agora não sei como eu não travei e saí tendo convulsão que nem o Ronaldo na final da Copa de 98!

Achei que o visual da pedalada ao redor da ilha iria ser assim

 

Mas na verdade, acabou sendo assim

Tobago é paraíso
           
Cara, a todo tempo eu escutava isso, Tobago é paraíso! Tudo que eu perguntava em Tobago o pessoal falava isso:
   – Cara, posso ir nadar na praia e deixar minha mochila na areia sem ninguém tomando conta?
    – Amigo, Tobago é paraíso, mas não quer dizer que isso não vai acontecer, alguém vai pegar sua mochila!
     – Senhor, onde fica o banco mais próximo?
    – Você vira a direita, segue em frente e lembre-se, Tobago é paraíso!
Tobago é paraíso? Cara, não vou dizer que Tobago é uma Cubatão, mas está longe de ser como Fiji, Los Roques ou Cuba, esse paraíso todo que falavam. Lá é bonito, mas não achei nada que valesse sair do Brasil para poder ir para lá. Na verdade, só vale a pena mesmo para quem mora em Trindade. Não sei se é porque metade do tempo ficou nublado ou se o fato da areia ser mais escura deixa a impressão que o mar é menos azul, mas eu confesso que esperava muito mais.
Ainda houve o mergulho que eu fiz, que me custou os olhos da cara e também não teve nada demais. Não valeu o investimento. O snorkelling também super sem graça, quase não vi peixe e quase não havia corais coloridos. Se sugiro ir a Tobago? Cara, na América Central há outros países bem mais convidativos. Vá a Trindade e Tobago só se for caminho para outras ilha da América Central.

Meu agradecimento em duas rodas ao Conjunto Nacional

Hoje tive que resolver uns problemas no setor bancário norte e, aproveitando que estava do lado, fui almoçar no Shopping Conjunto Nacional.
Entrei com minha bicicleta no estacionamento do shopping, achei um bicicletário para amarrar a minha bike e quando estava prendendo ela um dos seguranças do shopping veio em minha direção com um tíquete na mão.
Já comecei a ferver de raiva imaginando que eles iriam cometer o cúmulo de cobrar para eu amarrar a minha bicicleta dentro do estacionamento, já fui pensando em não pagar e amarrar a bike no meio da praça de alimentação só de raiva.
Qual não foi a minha surpresa que, Romário (lembro até agora o nome do fiscal, nome de craque), perguntou meu nome, anotou no tíquete, me entregou e falou que aquilo era cortesia do shopping para com os bikeiros. Que depois que eu amarrasse a minha bicicleta com minha corrente, ele iria passar uma segunda corrente por cima e a minha bicicleta só sairia de lá se eu entregasse meu tíquete a ele, que eu guardasse para a minha própria segurança.
Quando fui sair, não deu outra, ele pegou o tíquete, desacorrentou a minha bike, parou os carros e me ajudou sair do estacionamento. Muito legal!
Tíquete da minha bicicleta!
Em uma cidade que cada dia mais parece que baba sangue quando vê alguém de bike na rua, que olha a bike como uma mira para passar com o carro por cima, que não entende que um gordo em cima de uma bike significa um carro a menos no engarrafamento e uma vaga a mais para estacionar o seu carro, que surta de raiva quando vê a gente pedalando a 25 km/h em uma via de 40 km/h, em uma cidade como essa, uma pequeneza dessas de um shopping faz a gente se sentir menos lixo e lembrar que subir em uma bicicleta não me faz menos humano…
Todo mundo acha bonitinho salvar os pandinhas. Porém não só não quer largar o carro de mão como ainda quer ferrar com a vida de quem resolve deixar o carro em casa (ainda que ande bicicleta por preocupação com taxas de colesterol como eu =P)