E o dia amanhece na Eslovênia

No dia “pós balada”, pela manhã, era chegada a hora de fazer o mais difícil: Levantar da cama! Caraca, doido, é sério, é muito difícil você tentar levantar da cama quando se está na Eslovênia. O clima é MUIITOO gostoso, aquele friozinho saboroso que dá vontade de ficar o dia inteiro debaixo das cobertas (fico imaginando como deve ser ainda mais difícil levantar quando se tem uma loira eslovena ao lado).

Chegamos da balada quase cinco horas da manhã. Quando cheguei em casa pra dormir, achei que teria sossego pra poder ficar na cama até umas cinco da tarde. Ledo engano. Quando foi no outro dia, nove da madrugada, o telefone fixo da casa começou a chiar sem parar. Enfiei o travesseiro entre as orelhas e fiquei esperando que a Tanja uma hora atendesse o telefone. Ela não foi atender. Depois de um tempo que eu fui me lembrar que ela havia me dito que sairia cedo pro trabalho no outro dia e eu ficaria sozinho em casa. Bem, achei que era melhor deixar ele tocando porque, mesmo que eu atendesse, eu não falava esloveno. E o telefone tocou até cair a ligação. Depois tocou novamente. E depois novamente. E depois novamente. Comecei a ficar preocupado se alguma coisa tinha dado errado e resolvi levantar pra ver o que era. Quando atendi, surpresa, a ligação era pra mim:

– Claudio?

– Urghehaekhaehgaha (rosnei de sono)… Sim?

– Oie! Somos as meninas que ontem fomos para a balada contigo. A Tanja falou que era pra te pegar no outro dia pela manhã pra podermos fazer uma coisa que sempre fazemos após uma noite de balada como aquela.

A minha mente poluída pensou em algo bem legal, mas deixa pra lá…

– Ir pro hospital?

– Não, vamos fazer uma caminhada e subir um dos morros mais altos ao redor de Ljubljana. Dá pra ter uma vista fenomenal da cidade lá de cima.

Nossa, olha só que idéia genial. O que se fazer quando você não consegue ficar em pé de tão cansando? Isso, subir um morro pra ver a vista lá de cima. E depois? Ah, depois descer o morro. Pombas, baixa uma foto na Internet e pronto, cara, não precisa ir lá em cima pra ver a cidade, alguém já fez isso pra você… Eu fiquei pensando: – Será se eu tou sonhando? É isso mesmo que eu tou ouvindo? Tradiçãozinha sem-vergonha tem esses bichos, rapaz. Olha só, você sai pra balada, volta mais doido que o Robocop na chuva e no outro dia o que eles propõe? Subir um morro pra poder ver a cidade lá de cima. Gente do céu, isso sim é ser hardcore… Ainda bem que eles não tinham essas idéias no Nepal…

– Gente, vocês beberam de mais ontem ou o que? Vocês tão é ficando loucas é? Deixa eu dormir, pelamordedeus? Eu não tenho mais idade pra ficar fazendo essas pirações não, amiga! Lá no Brasil a galera costuma pirar de várias maneiras, nenhuma que seja subindo morros depois de uma balada destruição.

– Cláudio, você não me entendeu. Você NÃO TEM ESCOLHA, nós não estamos pedindo que você vá com a gente. Nós estamos DIZENDO que você vai. Ou você vai ou vamos ficar ligando até a hora que você resolver descer. E vem logo que a gente tá com pressa.

Como eu vi que não tinha muita escolha, acabei entrando naquela loucura junto com elas. Fui ao monte.

SUBINDO O EVEREST ESLOVENO

Cara, vou te dizer, não foi um Everest, mas pareceu viu? Mermão, como foi engraçado subir aquela parada. Pra começar que fomos eu, uma amiga da Tanja, a “cigana” e a sua “filha” fruto do relacionamento entre um sérvio e uma cigana.

Chegamos lá e começamos a subir a trilha. Pô, o lugar era realmente muito bonito, um perfeito local para se dar uma volta quando a noite passada foi bem dormida (longe de ser meu caso). As folhas das árvores estavam num misto de verde e avermelhado, de um outono que estava para começar.  Engraçado que a gente ia seguindo a trilha e a cachorrinha também ia junto com a gente, andando pra todo lado, fazendo maior bagunça e tentando brincar com todo tipo de bichinho que aparecia por lá.

Depois de mais ou menos uma hora de intensa caminhada nos deparamos com uma cena inusitada. Cara, DO NADA, apareceu um burrico caminhando pela trilha sem NINGUÉM segurando ele ou algo assim. Eu achei bem engraçado e aproveitei até pra bater uma foto com ele.

Além desse burrico tinhas umas ovelhas também, que eu, pra fazer graça, comecei a sair correndo atrás delas pra saber qual seria a reação delas.

Mas o mais engraçado de tudo, sem sombra de dúvidas, foi quando a cachorrinha achou de invocar com esse burro que apareceu do nada. Rapaz, ela ficou latindo no ouvido do bicho até a hora que ele perdeu a paciência e saiu correndo atrás dela. Foi uma das cenas mais surreais que eu já vi, um burro correndo atrás de um cachorro e o cachorro desesperado tentando fugir…

Subimos, batemos algumas fotos e depois eu voltei pra casa.

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Dá só uma olhada na neblina que a gente teve que enfrentar na volta para casa

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Embaixada brasileira

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SISTEMA EDUCACIONAL EFICIENTE

Chegamos já pelo começo da tarde. Tanja já havia voltado do trabalho e me esperava em casa pra podermos dar uma volta. Ela me levou em um castelo que havia lá em Ljubljana. Depois de um tempo dando uma volta, paramos numa doceria pra poder comer alguma coisa. Qual não foi a minha surpresa ao descobrir que essa doceria era em frente à nossa minúscula embaixada na Eslovênia.

Enquanto estávamos comendo e conversando por um tempo, um mendigo veio se aproximando pra falar com a gente. Ele chegou e começou a falar alguma coisa em esloveno pra mim, provavelmente pedindo dinheiro e eu só falei o de sempre: “Sorry, I just speak English”. Pensa que ele se fez de rogado? Nadaaaa… Ele só virou pra mim e começou a falar: “Sorry, sir, but I just wanna know…”. Cara, cê acredita nisso? O mendigo simplesmente apertou a tecla SAP e começou a falar inglês comigo. Nessa hora eu fiquei tão sem graça que pra mim não restou outra opção senão dar uns trocados pro bicho. Pô, cara!! Que país maluco é esse que até mendigo sabe falar inglês? Hahaehahe

Só sei que conversando com ela, acabei mudando os meus planos. Inicialmente os meus planos eram de visitar Ljubljana, seguir para Viena e de Viena pegar um trem ou alguma coisa que fosse pra poder descer para Itália. Ela me convenceu que seria muito melhor sair da Eslovênia direto para Itália, pois era bem mais barato e perto fazer isso. Foi o que eu acabei fazendo. Só liguei pra companhia aérea, remarquei a passagem de avião pra Viena pra uma semana depois e segui direto para a Itália.

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Perambulando por Ljubljana – Eslovênia

Cara, como já disse, não ocorreu nada de muito diferente nessa semana que passei em Ljubljana, pois estava lá tentando ao máximo recuperar as energias que tinha perdido. Eu basicamente só saía de casa pra ir no supermercado, comprar alguma coisa pra comer e voltar. A única coisa que merece destaque foi que depois de uns três dias que havia chegado, a Tanja me falou que iria rolar uma aula experimental de capoeira e perguntou se eu não queria ir. Pô, depois de jogar capoeira na Síria e em Mumbai, já era a hora de tentar a sorte na Eslovênia, né? A probabilidade de encontrar mulheres loiras, lindas, de olhos claros e pagando pau pra brasileiros seria bem alta numa aula de capoeira na Europa Oriental, ou não? “Topo, topo, por que não? Vamo cair pra dentro…”

Fomos eu e ela pra aula de capoeira e, como previsto, foi tudo o que eu estava esperando. Rapaz, imagina o Éden? Pois aquilo era um pouquinho melhor… Mermão, mas SÓ TINHA MULHER no lugar. De homem só tinha eu e mais um outro cara por lá. Era aquele plantel de mulheres lindas e loiras doidas pra saber um pouco mais daquilo que parecia ser algo tão exótico para elas. Eu, claro, coloquei o meu agasalho do Brasil nas costas e já caí pra dentro. Escolhi uma moreninha dos olhos azuis como parceira de treino e fiquei tentando trocar uma idéia com ela. No final, foi tudo como eu estava esperando, excetuando o quesito “meninas pagando pau pra brasileiro”. Tentei de toda maneira conversar com uma, com outra, com outra, com outra… E no final acabei chupando dedo… Acho que eu fui tão afoito que eu nem consegui achar nada. Eu parecia mais criança em loja de doce, não sabendo pra onde ir. Acho que se eu fosse um negão que realmente tivesse uma cara de capoeirista, não essa cara de pangaré velho que eu tenho, eu talvez conseguisse alguma coisa… Ainda tentei trocar uma idéia com a instrutora, sem querer nada demais, só curiosidade pra saber se ela falava português ou se tinha morado no Brasil, mas a mina foi mó estranha. Foi falando comigo, assim, já querendo ir embora. Depois que algumas pessoas foram me falar que ela tinha brigado com o único instrutor de capoeira brasileiro da cidade, que foi mestre dela, porque ela ia abrir uma escola de capoeira e parece que ia levar aluno dele. Boto fé que ela ficou preocupada de eu ser amigo dele, só pode ter sido isso pra mina ter sido tão esquizofrênica ao falar comigo.

BALADA AÍ VAMOS NÓS

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Olha como a caipirinha é bem feita na Eslovênia, rapaz…

Bem, depois de mais ou menos uns cinco dias em Ljubljana dormindo mais que uma pedra, eu já tava começando a ficar com vontade de fazer algo. Graças a Deus o fim de semana vinha chegando e, bem, acho que não preciso explicar mais nada, né? Tanja me convidou pra poder sair com umas amigas dela pra uma balada já que estávamos em plena sexta feira à noite. Acho que não seria de todo mal fazer isso, né? Nos arrumamos e descemos pra algo como um “esquenta” que ia rolar na casa de uma das amigas dela. Quando chegamos, como não podia deixar de ser, SÓ TINHA MULHER. Rapaz, isso parecia ser uma constante naquele país. Todo lugar que eu ia parecia SÓ TER MULHER. Eu ficava pensando como é que eles faziam pra poder se reproduzir por lá. Se era algo parecido com a lenda das amazonas ou algo assim… A dona da casa era uma menina MUITO gente boa e que dizia ser descendente de ciganos, talvez por isso era a única “não-loira” da casa, tinha só cabelos castanhos (A Tanja estava com os cabelos castanhos, mas porque ela pintou). Ela dizia que era cigana e que tinha uma filha do tempo do relacionamento que ela teve com um sérvio (destaque pro fato de que ele não era esloveno, ele era sérvio. Já falei, aquele país SÓ TINHA MULHER!), chegando até a ser casada com ele. Perguntei onde estava a filha dela e ela disse que ia chamar. Ela assobiou, pisou duas vezes no assoalho e gritou um nome eslavo lá que eu não lembro. Fiquei pensando: – Rapaz, nesse país esse povo é todo doido. Eles chamam o filho como quem chamam um cachorro!! Depois de um tempo apareceu a “filha” dela. Na verdade era realmente uma cachorra, eheheh. Uma cocker spaniel preta. Quando a cachorra veio chegando ela me falou: – Esse é o filho que dá de uma mistura entre uma cigana e um sérvio. Sai uma cocker spaniel dessa… Huhaeuhaeuheaea. Depois de ser apresentado à dona da casa, passei por aquele corredor polonês… digo… corredor esloveno e fui sendo apresentado a todas. Até que uma veio pra mim e perguntou: – Tu és brasileiro? Opa, essa aí já vai ser a primeira a ser degolada – pensei – Sou sim, por quê? – Ah, faz um favor pra gente? Faz umas caipirinhas? Lá na cozinha tem um balde de limão, um outro de gelo e uma cachaça. Fica lá fazendo? Er… hum… bem… não teve como negar. – Ta, deixa eu ir lá. E lá foi o idiota do “brasileiro” para os fundos do apartamento enquanto todas aquelas eslavas se embriagavam na sala. E assim acabou a minha noite no esquenta. Fazendo caipirinha atrás de caipirinha. Virei mão-de-obra escrava. Há ônus e bônus em ser brasileiro. Dessa vez eu fiquei com o ônus.

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O idiota na cozinha fazendo caipirinha

Descemos depois para a balada e posso dizer que foi bem da hora. Logicamente, pros mais afoitos, não vou dizer se peguei alguém ou não, não faz parte da política do blog. Mas enfim, me diverti bastante. A noite na Eslovênia é realmente bem legal. No outro dia de manhã também houve um passeio, mas isso é assunto pro próximo post.214a7-sdc11825 (1)6a72a-sdc118324c337-sdc11815

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Chegando à Eslovênia

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Postando de um Pub
Cara, a Eslovênia foi engraçada, viu? Foi a primeira vez desde quando eu comecei a viajar que eu senti o cansaço. A Eslovênia foi meio que o meu “turning point” e o momento em que eu realmente comecei a ficar de saco cheio de viajar e com vontade de voltar pra casa. Já estávamos em outubro e eram rodados dez meses desde a saída do Brasil. O cansaço já se fazia latente nos meus couros. Pra complicar mais ainda a situação a minha viagem pelo Oriente Médio havia sido MUITO cansativa, como vocês puderam ver no post anterior.

Trocando em miúdos. Cheguei na Eslovênia SÓ O BAGAÇO!! Tudo o que eu mais queria quando cheguei por lá era uma cama confortável e um lugar pra dormir e foi o que eu acabei conseguindo.

Enfim, antes de sair da Turquia, mais uma vez, me preparei todo pra poder passar pela imigração. Passagem de volta, dinheiro na conta, lugar onde eu ia ficar etc. Mais uma vez fui numa tensão sem fim pra poder passar na fila de imigração. Cara, pode parecer besteira, mas fila de imigração SEMPRE dá um frio sinistro na barriga. Lembrei de como foi minha passada na Áustria e pensei, se lá não deu tudo errado, boto fé que vai ser aqui que meu azar vai dar as caras e terei problemas. Como não tinha o que fazer no avião, fui treinando as respostas das possíveis perguntas que me seriam feitas quando estivesse frente a frente com meu inquisitor, digo, com o oficial de imigração. Chegando na Eslovênia, aquela rotina que eu já estava acostumado, europeus de um lado, a ralé de outro. Peguei a fila da ralé.

Fiquei lá esperando até a hora que o oficial me chamou. Ele olhou dentro dos meus olhos com aquele olhar que só oficial de imigração sabe fazer, aquele olhar de “eu sei que você veio se prostituir na Europa” e me perguntou: ONDE VOCÊ ESTÁ INDO?

Nessa hora eu comecei a pensar: “Será se ele ta fazendo uma pegadinha comigo??”. Sério, porque, tipo, eu passando esse guichê só terei uma escolha pra onde ir. Para a saída do aeroporto, ou não? Tipo, será se atrás desse guichê tem tipo um tobogã onde a gente pula e cai dentro de outro país da Europa? Inglaterra, sei lá? Por que, real, eu passando esse cara eu vou pra onde? Maranhão? Juro que eu pensei em perguntar o que ele queria dizer com isso, mas só me limitei a falar “Eslovênia?”. Ele só puxou meu passaporte, disse “bem-vindo” e deixou eu passar… Passei pelo guichê, saí direto na saída do aeroporto e, PIMBA, estava livre!! Até hoje eu fico pensando o que diabos ele queria dizer com “ONDE VOCÊ ESTÁ INDO?”. Será se ele estava era testando se eu realmente sabia onde estava? Acho que até hoje ele espera alguém dizer “Espanha” pra ele responder “país errado, favor voltar para o avião, a sua parada é a próxima” que nem motorista de ônibus faz quando a gente erra a rodoviária… Pensei até em voltar lá, dar uma bisca na cabeça dele e dizer: TOU NA EUROPA, FI DUMA ÉGUA!! AGORA EU NÃO VOLTO MAIS!!, mas achei que talvez seria uma péssima idéia.

Assim que sentei no aeroporto e liguei pra minha host ir me buscar, comecei a notar algo que seria a característica principal da Eslovênia. O país parece que é feito de Lego, cara! Tudo é pequenino lá e bem arrumadinho. O aeroporto é MINÚSCULO e a praça de alimentação, sem brincadeira, deve ser do tamanho do meu apartamento aqui em Brasília. Tinha só um café e uma lojinha de lanches. Real, até a rodoviária de Bacabal parecia ser maior. Depois fiquei pensando, quem diabos viaja pra Eslovênia além de um maranhense perdido que nem eu? Liguei pra Tanja e fiquei esperando ela ir me buscar.

COUCH EM LJUBLJANA

Cara, acabou ocorrendo algo muito interessando na Eslovênia. Pela primeira e única vez em toda minha viagem, meio que ocorreu um “intercâmbio” de couchs. Ao contrário dos outros couchs, não acabei achando a Tanja na louca, como todos os outros, pedindo pra trinta pessoas e esperando uma me falar que eu poderia ficar em sua casa. Na verdade a Tanja JÁ HAVIA sido hospedada na minha casa aqui em Brasília. Bem pra ser mais exato, ela havia sido hospedada na minha ex-casa de Brasília. Enquanto eu estava viajando, ela e uma amiga estava viajando pelo Brasil e acabaram ficando no apartamento que eu morava. Os meus antigos colegas de apartamento me falaram e me passaram o endereço dela e quando cheguei na Eslovênia, ela meio que pra retribuir também me hospedou em sua casa. Uma mão lava a outra…

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Tanja e meus ex-companheiros de casa
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Eu e Tanja

A Tanja foi uma pessoa super agradável, me disponibilizou prontamente a sua casa, me deu a chave e disse que eu poderia entrar e sair a hora que quisesse, mas nem precisava. Cara, a primeira coisa que eu fiz foi falar “muito obrigado” e, CATAPLOFT, caí na cama. Eram sete horas da manhã e ela estava indo trabalhar, por isso me deixou dormir. Acordei só as sete da noite com ela voltando para casa. Ficamos conversando um pouco, preparei algo pra comermos e quando deu onze horas da noite, fomos dormir. Acordei só no outro dia quase duas da tarde. Isso mesmo, em 24 horas dormi quase as 24 horas inteiras. Quando digo que estava cansado da Turquia, cara, não era a toa não. Aquela viagem simplesmente me matou.

Além disso, de todo esse desgaste físico que os países árabes me proporcionaram, a Eslovênia parecia também não contribuir para que eu ficasse acordado. Cara, tava um clima muito agradável por lá. Sabe aquele friozinho gostoso? Ainda mais depois de ter pego uns 40 graus na Síria? Pois era assim mesmo que tava lá. Todo dia eu acordava umas dez, saía pra dar uma volta e era aquele friozinho gostoso no pescoço. Cara, teve dia que eu saí quase meio dia de casa e ainda tinha neblina, dá pra acreditar? Aí não tinha jeito, volta pra casa e continua dormindo.

Só sei que essa semana pra mim foi quase que baixando filme o dia inteiro, escrevendo blog, fazendo planos e, claro, dormindo MUITO!! Mermão, essa Eslovênia foi bem legal…

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Eslovênia

Cara, a Eslovênia foi meio que um “acidente de percurso” na minha viagem. Nunca tive desejo em conhecer esse lugar e nunca havia lido nada de interessante sobre. Como eu fui para lá? Bem, quando eu estava desenhando, ainda no Brasil, como seria minha viagem de volta ao mundo, chegou uma hora que tudo havia se fechado: O traçado dava uma volta por cima do Atlântico e uma por cima do Pacífico, eu iria viajar 23800 milhas (portanto 200 milhas a menos que o limite de 24000) e estava passando por quatro continentes. Basicamente tudo da maneira que eu havia planejado. O único problema que ocorria comigo é que eu estava com 14 paradas, quando o máximo permitido eram 15. Pô, tinha dado um trabalho GIGANTESCO fazer um traçado respeitando o limite de 24000 milhas e que passasse pelos lugares que eu queria, eu REALMENTE não iria mudar tuuudoooo de novo só por causa de uma parada a mais. Ia dar MUITO trabalho fazer isso. Mas acontece que quando eu estava desenhando o trajeto, eu vi que seria possível sair de Istambul e pousar numa cidade de nome impronunciável: Ljubljana (leia Lubliana)! Eu lá sabia onde diabos ficava e que diabos era essa cidade, rapaz? Eu NUNCA havia ouvido falar dessa cidade, tampouco que ela poderia ser capital de algum país europeu. Acabou que depois de consultar o São Google descobri que ela era a capital de um pequeno país europeu chamado Eslovênia, fruto da esfacelada Iugoslávia. Resolvi colocá-la na calculadora de milhas da Staralliance e qual não foi a minha surpresa que, ao invés de fazer Istambul-Viena, eu poderia fazer Istambul- Ljubljana-Viena, ou seja, adicionar a última parada que faltava sem estourar o limite de milhas. Não era uma cidade que eu nutria QUALQUER interesse, mas no final acabou que era a pedra final do meu quebra-cabeça das quinze paradas ao redor do mundo e, além disso, seria uma ótima chance para visitar um país que um dia pertenceu a esfacelada Iugoslávia…

Bem, antes de começar a falar um pouco da Eslovênia e a explicar o que é esse pequeno país incrustado bem na Europa Central, cabe explicar o que foi a Iugoslávia, o berço da Eslovênia.

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Antiga Iugoslávia

Até 1991, quando acabou a Iugoslávia, a Eslovênia nunca tinha sido um país independente. Os eslovenos sempre pertenceram a um ou outro império da Europa. No começo eles fizeram parte do Império Romano e depois foram passando pra diversos impérios diferentes. Até que, depois da Segunda Guerra, foi criada a Iugoslávia, uma colcha de retalhos de vários grupos étnicos, religiões, povos, times de futebol… diferentes em um só país atendendo a interesses geopolíticos da União Soviética, que tentou manter o país sob sua influência na cortina de ferro, embora não tenha conseguido. Logicamente isso estava fadado a dar merda, mas inacreditavelmente durante décadas, o país e a região onde se situava, os Bálcãs (conhecido como o “barril de pólvora europeu”. Lembrem-se que o estopim que deflagrou a Primeira Guerra Mundial ocorreu lá com o assassinato de Franz Ferdinando) viveu em paz. Isso porque o país foi governado sob a mão-de-ferro de um ditador chamado Josip Broz Tito, ou apenas Tito, como era mais conhecido. Uma piada que circulava naquele tempo e sintetizava o governo de Tito era: “Seis repúblicas, cinco etnias, quatro línguas, três religiões, dois alfabetos e um partido”94bab-sdc11897.jpg

Por mais que ninguém acreditasse que fosse possível, Tito conseguiu impor uma relativa estabilidade na região através de um governo que aliava uma boa habilidade em governar com uma repressão violenta a manifestações nacionalistas dos diversos povos que por lá viviam. Tito, como todo bom comunista, impôs uma forte censura na imprensa, instalou o terror e coisas assim.

Logicamente, quando ele morreu, as coisas começaram a ficar mais feias. Brigas internas de sucessão e ressurgimentos de antigos anseios nacionalistas, que antes eram esmagados por Tito, foram gradativamente enfraquecendo o poder central da Iugoslávia. Até que veio o estopim para a deflagração da Guerra Civil, que muitos sabiam que estava para ocorrer. Com o fim da União Soviética em 1991, diversos países da antiga Iugoslávia começaram a clamar por independência. A Sérvia, que sempre foi o país que mais se beneficiou da Iugoslávia, logicamente não queria perder a sua boca e com os seus planos de estabelecer a “Grande Sérvia” começou a invadir países vizinhos. Antigos ressentimentos religiosos entre os países (na região que antes fora Iugoslávia, há países católicos, cristãos-ortodoxos e muçulmanos) também contribuíram para que o pau comesse de vez. E o resto da história vocês já devem saber. Pau comendo, guerra, massacres, genocídio e o maior conflito em solo europeu desde a Segunda Guerra Mundial. Hoje a antiga região da Iugoslávia abriga Sérvia, Croácia, Kosovo, Montenegro, Bósnia e Herzergovina, Eslovênia e Macedônia. Apesar de hoje esses países serem independentes, ainda existem algumas pequenas vilas de uma ou outra etnia em determinado território. Chega a ser engraçado como elas se comportam. Duas croatas que chegaram a ser hospedadas aqui em casa me contaram que na Croácia ainda é possível achar vilas onde TODO MUNDO é muçulmano ou TODO MUNDO é católico ou TODO MUNDO é cristão-ortodoxo e apesar de elas serem distantes uma das outras por alguns poucos quilômetros e possuírem apenas centenas ou até dezenas de pessoas, SE ODEIAM entre elas…

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Ljubljana pela manhã

A Eslovênia sempre foi uma das repúblicas mais desenvolvidas. Tem um alto índice de desenvolvimento humano e é a única entre as repúblicas que conseguiu os pré-requisitos para utilizar o Euro como moeda corrente. Possui uma população de aproximadamente oito milhões de pessoas (um pouco menos que o Distrito Federal) uma área mais ou menos do tamanho de Alagoas. Enfim, fiquei o post todo falando sobre a Iugoslávia, porque é bem mais interessante e não há muito do que se falar da Eslovênia, ehhehehe.

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Ljubljana pela noite

 

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Provável itinerário por agora

Algumas pessoas já haviam me perguntado antes e me pedido pra postar meu itinerário. Vou aproveitar pra fazer isso agora. Posto abaixo o provável itinerário que tentarei seguir até o momento de voltar para o Brasil. Digo provável porque planos sempre podem mudar 🙂
Se algum amigo do blog estiver por essas cidades e quiser marcar da gente tomar uma cerveja ou algo do tipo, comenta aqui ou manda um scrap no meu orkut (o link do meu orkut tá em cima à esquerda) que a gente vê o que pode fazer. Se liga no itinerário:

9-out 12-out Eslovênia
12-out 20-out Norte da Itália (Roma, Veneza, Florença)
20-out 21-out Eslovênia
21-out 23-out Viena
23-out 26-out Brastilava
26-out 29-out Budapeste
29-out 3-nov Berlim ou Varsóvia
3-nov 4-nov Viena
4-nov 19-nov Egito/Israel/Jordânia (Cairo, talvez uma praia no Egito, Jerusalém, Tel Aviv, Petra…)
19-nov 22-nov Zurique (checando a viabilidade de passar em Genebra)
22-nov 26-nov Barcelona
26-nov 3-dez Varsóvia (preciso voltar lá pra pegar minhas coisas. Não é por causa das loiras não! :P)
4-dez 11-dez Portugal (Lisboa e Coimbra)
11-dez Brasília

Vou indo aí
Abraços Maranhenses

Obs: Me encontro na Eslovênia. Estou escrevendo um brief sobre a Índia.

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Foto no apartamento que me encontro hospedado na Eslovênia
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