Mergulho e cenotes – México

O México tem um dos mais famosos pontos de mergulho no mundo: a Ilha de Cozumel. Costumava ser só uma ilha de pescadores, mas depois que Jacques Costeau visitou a ilha e fez um documentário sobre os seus recifes, ela virou um ponto de mergulho mundial. O mergulho é efetivamente bem bonito, apesar de eu não ter visto tanto peixe como em Arraial do Cabo e Los Roques. Na verdade, o snorkel que fiz em Akumal foi mais legal (caraca, vi quatro arraias e nove tartarugas!!!), mas a transparência da água em Cozumel impressiona.
Apenas uma dica que eu dou. Se você está indo a Cozumel, não pegue, DE FORMA ALGUMA, nenhum snorkel tour. Cara, eu sei que snorkel tour não é aquela maravilha, mas em Cozumel foi o mais próximo de inferno que eu pude presenciar na minha vida. É gente para todo lado, eles te deixam quase nada no lugar para snorkel e você quase não consegue ver os peixes, já que o barco e o bando de tias gordas os espanta.
Porém, existe outro tipo de mergulho no México que eu não conhecia e que eu sugiro a todo e qualquer ser humano ir, ainda que só snorkel: os Cenotes.

 

Coco Bongo em Cancún. Umas das melhores baladas do mundo
Acredita que no banheiro do albergue tinha uma banheira?
O mergulho dentro deles é mais ou menos como mergulhando dentro de uma caverna, porém  é interessante porque em vários momentos há infiltração de água salgada que quando se mistura com a água doce faz um efeito  na água, mais ou menos como se tudo ficasse embaçado do nada, além de que a água é muito limpa!
Mas o que mais me encantou no cenote, foi um mergulho que fizemos em um lugar chamado Angelita. Sabe o encontro do Rio Negro com Solimões? Onde você vê a água de dois rios bem separadas? Pois é, nessa caverna há um desses, porém a quarenta metros de profundidade. Nas fotos fica parecendo o chão, mas na verdade aquilo é uma nuvem dentro d´água. O instrutor falou para gente que iríamos descer todos juntos, ia ficar um pouco escuro, mas depois iríamos nos encontrar lá embaixo, pois a nuvem só tinha dois metros e abaixo dela era tudo límpido. Quando entrei na nuvem, foi aquele breu! Não consegui ver ninguém e comecei a ficar desesperado. Parecia que eu só descia e nada acontecia. Só quando chequei a minha profundidade, que vi que estava nadando na mesma altura sempre, tamanha a minha confusão e a falta de um referencial. Fiquei parado, fui descendo e quando vi tava todo mundo lá embaixo. Nunca tive tanto medo para descer dois metros.
Cenote
Entrada dos Cenotes

 

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Museu da tortura da Cidade do México

(No museu não era permitido tirar fotos, portanto todas as imagens que aqui estão eu tirei na internet, fora, claro, as fotos que nada tem a ver com tortura)

Trança de Palha

Entre os vários museus que havia na Cidade do México, um me chamou a atenção em particular e resolvi dar uma passada lá antes de pegar o meu voo, o Museu da Tortura. Foi muito interessante ver até que ponto a criatividade humana poderia ir para infligir dor e sofrimento nas pessoas.

O Museu iniciava citando como era o“julgamento” da Inquisição, que era, por si só, parte do show. A pessoa chegava ao julgamento já considerada culpada, a única função do inquisitor era extrair informações que corroborassem a acusação. Podia extrair confissões a base de tortura ou de falsas promessas de concessão de graças ou perdão.

O que me impressionou foi que várias daquelas torturas não infligiam dor alguma, eram apenas adereços que eram colocados nas pessoas para humilhá-las perante toda a comunidade. Se hoje uma menina de interior fica “falada” se sai pegando muita gente, imagina isso quinhentos anos atrás. Um dos adereços era uma trança de palha que era colocada nas cabeças raspadas de meninas solteiras que ficavam grávidas. Elas eram obrigadas a vesti-las e ficarem sentadas na frente das igrejas aos domingos, momento de maior movimento possível no povoado.

Segundo o Museu, houve uma mudança na concepção de como infligir a tortura. Antes a tortura era dolorosa e bem explícita. Ocorria em praças públicas ou obrigava pessoas a usarem estacas, objetos pontiagudos e afiados ao redor de suas cabeças durante dias, infligindo, assim, medo e terror e servindo como um exemplo para que todos vissem. Basta lembrar que Jesus teve que usar uma coroa feita de espinhos e carregar a sua cruz enquanto era chicoteado. Hoje o conceito de tortura é algo mais implícito, com uma grande preocupação em não deixar marcas. Pode até ficar uma marca ou outra, mas nada que se compare a Idade Média onde a intenção era justamente essa. Isso deve-se a um amadurecimento da sociedade humana, que hoje condena a tortura e portanto não é interesse de nenhum regime ser associado a isso. Por mais assassino que um ditador possa ser, ele nunca irá admitir que em seu regime a tortura seja política de estado, mas sim obra de alguns poucos psicopatas. Os militares brasileiros, por exemplo, não reconhecem que houve tortura durante o seu regime, por mais impressionante que isso possa ser, apenas dizemque isso ocorria em uma outra delegacia, tal qual os dias atuais.Outro instrumento que muitos julgam como de tortura e, segundo o museu, não era, é o cinto de castidade. Segundos o museu, esta história de que os maridos colocavam cintos de castidade nas mulheres quando iam viajar por longos períodos não passa de balela. Um cinto desses usado por meses, sem retirar para limpá-lo ou algo assim, facilmente levaria a infecção e morte da mulher. Na verdade, o cinto era utilizado como uma forma de proteção das mulheres contra o estupro. Geralmente elas vestiam voluntariamente quando viajavam sozinhas, quando seus maridos viajavam e elas ficavam em casa sem nenhum homem ou quando havia aquartelamento de soldados em seu povoado. O fato de ser voluntário, de forma alguma retira o caráter da violência contra a mulher, na verdade o enfatiza, dado que as mulheres se violentavam a si mesmas, se autotorturavam, para não serem estupradas. Segundo o museu, o uso do cinto chegou até próximo dos dias atuais, pois há relatos de senhoras sicilianas e espanholas ainda vivas hoje que chegaram a utilizá-lo.

Vista do quarto de hotel que fiquei um dia inteiro escrevendo e descansando da pauleira da viagem

Outras torturas me chamaram a atenção pelo caráter demorado que levavam a morte, como ferver os pés da vítima, serrá-la de ponta cabeça (de forma que a oxigenação continuasse irrigando a cabeça durante um bom tempo) ou simplesmente colocar a vítima em uma jaula deixando-a morrer de fome e apodrecer no meio da praça da cidade. Isso tudo pode parecer algo meio cruel, mas não consigo imaginar um cara como o Bolsonaro condenando atitudes como essas.

Venezuelanos protestando no meio de uma praça da Cidade do México
Cozumel

Nerdolândia no meio da Cidade do México
O cara tem que ter um estômago de gladiador para enfrentar uma butica dessas


Galera treinando bateria de escola de samba no meio da praça de Cozumel

Mas para mim o mais legal do museu, mesmo, foi que você fica lá, lendo sobre sangue, sofrimento, tortura, destino dos infelizes e atrás fica tocando um canto gregoriano na maior calma do mundo, parecendo até que você tá dentro de uma igreja. Vontade maior de associar tortura a uma instituição, é impossível.

Por último, o museu também falava de alguém que é meio esquecido quando se fala em tortura: o carrasco ou o torturador, que na Idade Média eram quase a mesma coisa. Tal profissão logicamente era muito mal-vista e muitas vezes desempenhada por etnias “inferiores” (como os ciganos na Turquia) ou era algo como um trabalho passado de pai para filho. Achei interessante o relato de  que quando um desses carrascos foi questionado por Napoleão III se ele não se sentia mal em desempenhar tão desprezível profissão ele respondeu que apenas executava as leis que os governantes elaboraram. Então, os políticos, sim, eram os principais carrascos.

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Como é a cultura do Chaves no México?

Há duas coisas que eu tenho certeza que vem a cabeça de qualquer pessoa quando se pensa em México. Uma são os povos pré-colombianos (astecas, maias, olmecas…) e outro é o Chaves.

É impossível não associar ao México a imagem de Chaves ou Chapolin.

Alguém lembra do episódio que o Chaves pede dinheiro para  Cruz vermelha? Impossível não lembrar do Chaves quando vi esse cara no metrô trabalhando com isso..
Isso lembra algum episódio

Na verdade, os mexicanos que pude conversar, ficaram surpresos em saber que até hoje Chaves passa no Brasil em horários bons, como sete da noite ou cinco da tarde e batendo programas com investimentos muito maiores. Se pudesse traçar um parâmetro, poderia dizer que Chaves no México é como nossas novelas no Brasil. Apesar de fazer um sucesso GIGANTE fora, no país de origem é algo visto como brega ou até mesmo vulgar. Você pode até gostar, mas não é algo que vais sair falando orgulhoso para os seus amigos, por exemplo.

Quando disse então que queria ir a Acapulco por causa do Chaves, aí que eles não entenderam mesmo. Na verdade fiquei até um pouco chateado com a situação, pois achava que todo mundo ia ficar empolgado que nem eu quando falava de Chaves. Mas enfim, bola para frente. Se Acapulco se revelara inviável por causa do tempo gasto, o túmulo do Seu Madruga, eu faria de tudo para ir.

E com vocês, a escultura mais estranha do México

Pesquisando na internet vi que Ramón Baldez estava enterrado em um lugar chamado “Mausoleu del Angels” e eu iria fazer DE TUDO para poder ir lá visitá-lo. Depois que eu fui ver que o lugar era quase que do outro lado da cidade, mas eu ia nem que fosse em outro estado.

Universidade da Cidade do México

Peguei um metrô até a última estação, desci dentro de uma universidade pública e de lá estava disposto a encarar uma caminhada de meia hora até o cemitério. Depois de caminhar uns dez minutos, fui descobrir que estava indo no caminho contrario. Nossa, aí veio aquela sensação de descarregar um caminhão de tijolo no lugar errado. Me lembrou a pedalada de Cuba (Pedalada Cuba). Como já eram rodados cinco da tarde, eu fiquei com medo do lugar fechar e resolvi pegar um táxi que me custou incríveis 5 reais para me levar até a porta do cemitério. Sim, meia hora da minha vida estava valendo 5 reais. Desci cinco e meia e descobri que o lugar fechava as seis.

De resto, é só conferir a postagem emocionada que deixei no meu facebook no dia em que visitei o Mausoléu:

“Hoje foi um dia extremamente feliz.
É difícil não pecar pelo clichê, pieguice ou sentimentalismo barato de facebook, mas é impossível descrever a emoção. Hoje voltei a ser a criança no Maranhão assistindo aos mesmos episódios e rindo das mesmas piadas de sempre, mas que sempre pareciam tão engraçadas.
Chaves é aquela felicidade simples, inocente, sem estereótipos baratos ou piadas apelativas. É aquela terça a tarde que você acabou de chegar do Colégio e descobriu que ainda tem um resto de Guaraná Jesus na geladeira, aquela nota de dois reais achada no bolso da bermuda quando vc é criança e que dá para comprar tanta coisa, aquela peça de lego que vc acha debaixo da cama e pensava que tinha perdido…
Um programa barato, simples, com quase nenhum cenário, pouquíssimos atores, mas que faz ainda tanto sucesso mesmo competindo com enlatados americanos, que sempre se repetem com seu sarcasmo sem graça e sua propaganda excessiva.
Como Don Ramón pode ter morrido em 1988, quando eu tinha quatro anos, e ainda assim me parecer alguém tão próximo…
Quem se importa se tive que pegar uma hora de metrô lotado, me perder no caminho, pegar um táxi e depois sofrer a mesma saga na volta apenas para uma foto? Hoje pude me sentir pertinho do senhor de calças surradas que, apesar de todas as intempéries, sempre arrumava uma forma de cuidar do menino que praticamente morava dentro de um barril. Hoje pude chorar baixinho, sem me envergonhar, do lado do túmulo, ao me sentir tão perto de quem tanto me marcou e nesses trinta anos me fez rir tantas vezes. Hoje estive tão longe de casa, mas tão perto do mito.
Viva Seu Madruga! Viva Dona Clotilde! Viva Chespirito! Que Chaves passe por mais vinte, trinta anos na TV! Que eu possa rir junto com meus filhos e netos!
Que maias, astecas ou Cancun! Passeio no México mesmo é visitar os túmulos de Seu Madruga e Dona Clotilde, tão pertinhos um do outro no Mausóleu del Angels.
Viva a cultura latina!

P.s: Engraçado ver as bandeirinhas do Brasil e as homenagens que outros brasileiros deixaram nos túmulos. Engraçado como Chaves faz sucesso no Brasil. Juro que da próxima vez colo um adesivo do SBT…”

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Lucha Livre no México

Todo mundo fala que para você ir ao México, você necessita ver uma noite de Lucha Livre Mexicana. Apesar do nome, a Lucha Livre não tem nada de luta, na verdade é um teatro desempenhado por atores onde eles simulam um combate. Por ser algo ensaiada e até certo ponto “bobo”, todos nós pensávamos que aquilo era algo meio turístico, que só gringos iam ver e coisas assim. Quem disse?!?!?

Rapaz, que parada impressionante! Mas, assim, é só você enfiar a cara dentro da arena que você sente a paulada e vê que isso não tem nada de turístico. Você entra, parece arena de futebol! É galera gritando, apertando buzina, torcendo, aquele barulho infernal! Existem os lutadores do bem, que se vestem com cores claras e os atores do mal, geralmente de preto. Cara, é MUITO legal! Eles literalmente voam, são arremessados uns pelos outros, às vezes para fora do ringue, dão piruetas nesses arremessos e vez ou outra caem no meio da plateia. Teve um cara que estava sentado na primeira fila que o óculos dele até voou na hora que um lutador caiu voando em cima dele! Não é permitido ficar de pé, mas tem umas horas que os caras arremessam algum lutador que é impossível a galera não levantar e gritar. Assim, é bobo, é teatral, mas bicho, é muito legal! Nossa, no começo você fica até com vergonha, mas depois eu já tava no clima, a galera te contagia e você acaba saindo literalmente rouco de tanto gritar!

Os vídeos não estão muito bons porque não era permitido entrar com a câmera lá. Tive que filmar e bater foto com meu celular… Vale para escutar o barulho da papagaiada da galera atrás
Teve uma briga de mulher, que tinha uma gordona que era MUITO legal! Ela pulava em cima das outras lutadoras, rolava em cima dela e a galera ia a LOUCURA!! Todo mundo gritava “Gorda!!! Gorda!!! Gorda!!!”, “Pula em cima dela!!!”. Nossa, quando ela pulava a arena só faltava vir abaixo! Ela ainda ficava cantando o juiz e mandando beijinho para ele! Ela fazia um trio com uma loira e uma morena, que, sem brincadeira, essa morena deve ter sido da equipe de ginástica olímpica do colégio! Rapaz, como aquela mulher era flexível e como era acrobata! Teve um gordinho depois também que também era a mesma coisa! Ele quicava nos lutadores e a galera levava a arena abaixo!!!!!!!
O Gordo dando o seu show!

Lutador, momentos antes de enfiar o dedo na cerveja da menina. Sim, ele tem uma cauda…
O resto são uns fortões gigantescos, que são até legais, mas não se comparam com os gordões! Momento de destaque só para um dos caras do mal que chegou em uma mina da primeira fila e pediu para ela cheirar o suvaco dele! Ele não fez nada, ele pegou e se vingou, pegou o celular dela, esfregou no suvaco dele, depois enfiou o dedo dele no suvaco, enfiou o dedo na cerveja dela e começou a mexer. A cara da mina foi IMPAGÁVEL. A galera, lógico, não perduou. Começou a gritar em coro “Bebe, bebe, bebe!!!!”.
Na hora da saída é aquela outra confusão. Os caras são CELEBRIDADES!!!! Sério, eles não conseguem sair! Fica todo mundo gritando em coro o nome deles, se estapeando para poder conseguir uma foto com os bichos. Pais desesperados, com crianças mascaradas no colo, tentando de toda forma fazê-los segurá-las e para uma foto! E é mulher, é velho, é criança, é todo mundo se estapeando para conseguir uma foto. Só para vocês terem uma ideia, eu até tentei bater uma foto, mas não consegui, preferi ficar batendo foto da confusão do lado de fora!

Depois, lendo mais um pouco, vi que essa Lucha Livre existe há DÉCADAS! Quando você vê uma banquinha de máscaras, várias delas, fica procurando uma e procurando a mais bonita. Chega o vendedor e vai falando o nome de qual lutador usa cada diferente estilo e cor de máscara. Essa máscara é a do o Diamante Azul, essa do Último Guerreiro, essa do Terror Asteca!!!

Cara, se for a Cidade do México, VÁ! Lucha Livre e ao Túmulo do Seu Madruga, foram, de longe as coisas que eu mais gostei de ir ao México!

Gorda!!! Gorda!!! Gorda!!!!
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Couchs e hospedagens onde fiquei no México

Muita gente ainda acha estranho quando digo que vou viajar e ficar em um couch. “Você já ganha um salário, porque diabos ainda continua usando Couchsurfing?”. Bem, por motivos como os  couchs que pude ficar na Cidade do México e em Cancún.
A peixeira do figura
Quando foi agora ela resolveu retribuir o couch e fez questão de me hospedar na sua casa na Cidade do México. Aceitei sem pestanejar. O problema foi só depois quando eu descobri que ela morava com um namorado que não era couchsurfer e que não falava inglês, o que me deixou preocupado de ele, sei lá, não gostar muito da ideia e ainda por cima ficar emburrado comigo já que não poderíamos conversar direito, já que eu ainda estou aprendendo espanhol. Minha preocupação só aumentou mais quando eu cheguei no apartamento e vi que o figura tinha uma mistura de facão com espada (ou peixeira, como a gente diz no Maranhão. Faca para cortar peixe e cabra safado!) na porta da frente de casa.
Na Cidade do México já foi uma experiência por si só super agradável. Fiquei na casa da Cecília, uma mexicana que eu hospedei com mais uma amiga em 2010 e que foi muito legal hospedá-la. Na verdade, ela chegou em um momento em que eu estava trocando um concurso por outro, portanto eu tive folga e pudemos viajar para Pirenópolis juntos, o que fez nossa experiência ser mais legal ainda.
Cara, mas assim que começamos a conversar, minhas preocupações se esvaíram. Caraca, o cara era gente boa demais. Começa que a primeira noite que eu cheguei na casa de Cecília&Nair eu estava super cansado, porque meu voo havia sido durante a madrugada e eu havia dormido bem pouco. Voltei para casa imaginando que iria descansar. Quem disse? Nair me falou que não havia homem que dormia naquela casa sem beber tequila com ele. Como um bicho mais parecia um ogro gigante, eu achei que era melhor obedecer.
Só os copinhos. Cada um era uma tequila diferente
Nos outros dias saímos juntos para comer e sempre era um lugar da hora, uma comida da hora, uma experiência super interessante e uma briga para eles deixarem eu pagar a conta.E puxa tequila daqui, puxa tequila dali, começou um verdadeiro buffet de tequila. Só que, como você já deve imaginar, tequila não é como cerveja que você vai bebendo de boa. Depois de uma meia hora, já tava eu lá, mais louco que o Batman. Me lembrou até os apuros que passei com mexicanos e tequila em Santa Bárbara anos atrás.
Acabou que tive mais contato com Nair do que com Cecília, que falava português e eu já conhecia, mas que estava sempre trabalhando. O Nair era uma figura em si. Trabalhava como advogado de movimentos sociais e era um verdadeiro Che Guevara de sombreiro. Teve um dia que eu fiquei quase umas duas horas conversando com ele sobre a história do México e aprendendo bastante sobre a história dos astecas. Grande parte do que foi escrito aqui, foi baseado no que pude conversar com ele.
Eu e Nair
A outra experiência legal foi na casa em Cancún, na casa de Santiago e Célia. Santiago, instrutor de mergulho e mexicano, Célia, estudante de psicologia e espanhola. Os dois moravam em um casa que mais parecia uma mansão, em um condomínio fechado super bonitinho no centro de Cancún. Na verdade, parecia aqueles hotéis com uma piscina no centro, couch cinco estrelas. Santiago era um cara muito legal e depois de algum tempo parecia que éramos amigos há anos. Todo dia de manhã ele preparava um café para nós dois, tou dizendo que o lugar mais parecia um hotel. Outro que também não queria que eu pagasse por nada, tive que comprar as coisas na marra no mercado e ir levando para casa para não ficar imaginando explorando o cara. Saímos para uma festa do couchsurfing onde voltou todo mundo torto.Eles também me levaram para comer uns tacos em um lugar que, rapaz, como os caras gostavam de pimenta! No outro dia, acorda com o estômago doendo de tanta pimenta. Nair depois foi me explicar que essa vontade de morrer depois de comer pimenta que você tem ao acordar é a chamada “Vingança de Montezuma” contra os estrangeiros! Tá certo que eu não sou espanhol nem nada, mas Montezuma quis se vingar de mim do mesmo jeito…
Casa de Santiago
Essa foto eu bati do lado de fora da casa de Santiago, dentro do condomínio. Mostrava crianças brincando de forma bem inocente e produtiva. Faltou só colocar fogo na menina amarrada…

Enfim, os dois couchs foram experiências agradabilíssimas e um dos motivos que ainda que eu tenha todo dinheiro do mundo, eu nunca vou deixar de ficar em couch para ficar em um hotel sozinho. Longa vida ao Couchsurfing!

Também tive que ficar em albergue. No caso esse foi em Playa del Carmen
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Um pouco sobre a cultura dos povos mexicanos

Apesar de haver vários povos indígenas quando Cortéz chegou no México, a cultura deles meio que se originou de um tronco comum, motivo que eu vou descrever só os pontos que eu achei mais interessantes, sem descrever se é maia, astecas, olmeca etc.

Versão mexicana do Touro de Wall Street

 

Atribuía-se uma boa colheita ao sacrifício deste capitão que voltava a terra para fertilizá-la. Não entendi direito porque, mas eles só ofereciam o crânio, o coração e o fêmur como oferenda aos deuses, o resto do corpo era incinerado.

“Cenote”, poço natural onde os restos mortais eram oferecidos como oferenda. Neste poço foram encontrados dezenas de crânios e pedaços de fêmur

 

Entre um dos motivos que eram realizadas guerras era para captura de prisioneiros para posterior sacrifício.

Outro ponto que achei interessante foi como eles acreditavam que ocorriam as chuvas. Tudo era gerenciado por um deus chamado Tlaloc, que morava em uma casa com quatro quartos. Em cada quarto, eles tinha um vaso guardando um determinado tipo de água: a água boa para fertilidade e colheitas, a água escassa das secas, a água abundante das enchentes e a água gélida das geadas. Ele comandava o movimento das nuvens e, segundo as suas instruções, assistentes derramavam a água escolhida em uma determinada região. O trovão era o barulho dos vasos se espatifando ao chão. Portanto, Tlaloc era um dos deuses que mais recebiam oferendas, pois eles queriam apenas que ele derramasse a água boa.

Outro ponto interessante era que, como todos nós éramos pequenas peças montadas de deuses, o uso de recursos da natureza deveriam ser utilizados com parcimônia, pois todos os animais possuíam equivalentes humanos. A nobreza, os sacerdotes, por exemplo, eram equivalentes dos jaguares e se transformavam neles quando estavam dormindo.

Acho que o principal ponto é e sempre vai ser o sacrifício humano. Por que eles faziam isso? Bem, eles acreditavam que estávamos em um quinto ciclo da vida que fora iniciado com um sacrifício dos deuses. Dos raios do quinto sol nasceram todos os minerais e serem vivos que temos na terra. Portanto, as armas, as pedras, os animais, os seres humanos, todos nós somos partes de deuses. Comemos da terra e a terra nos come, formando um clico de vida e morte. O sacrifício nada mais era que uma forma de honrar os deuses, devolver parte de sua energia como uma forma de humildade e retribuir o seu sacrifício. Acreditava-se que se o sacrifício fosse parado, o sol deixaria de se nascer e o quinto ciclo seria finalizado. Era algo tão importante que quem era sacrificado quando finalizado o jogo de futebol maia, era o capitão do time vencedor e não do time perdedor.

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Sobre os astecas e maias – México

Os mexicanos se orgulham muito do seu passado.

A bandeira do México traz no meio uma imagem de uma águia comendo uma serpente em cima de um cacto. Diz a lenda que os astecas vagavam pelo México e havia uma profecia que dizia que os astecas deveriam erguer a sua cidade em um lugar onde fosse visto isso, uma águia comendo uma serpente em cima de um cacto. Diz a lenda que eles acharam esta imagem e ergueram a capital do seu império, Tenochtitlán neste local.

Lenda ou não, Tenochtitlán possuía uma população de 200 a 300 mil pessoas no seu auge e sua, digamos região metropolitana, tinha uma concentração populacional de quase 1,5 milhão, o que a fazia uma das maiores concentrações populacionais de todo o mundo àquela época. Tenochtitlán parecia-se com Veneza, com seus canais e aspecto vibrante da cidade.

Quando os espanhóis chegaram a cidade, os astecas estavam no seu auge. Dominavam toda a região, inclusive os povos indígenas vizinhos de quem cobravam impostos extorsivos mais ou menos como em um regime de servidão. Quando os espanhóis chegaram estava plantada a semente que levaria a destruição do império asteca. Já se tornou meio cliché se perguntar como 300, 500 espanhóis conseguiram derrotar um império com milhões de pessoas (se pudéssemos criar um paralelo, seria mais ou menos como um povoado do Maranhão tomando de assalto a cidade de São Paulo e escravizando todos os seus moradores). Como em dois anos, uma cultura de 3000 anos foi transformada em cinzas.

São várias as razões que defende-se para isso ter ocorrido, no final o motivo acaba sendo um acumulado de todas elas.

Existia uma lenda entre os astecas que um dia o Deus serpente desceria a terra sob a forma de um homem branco e com pelos na cara (índios não tem barba) acompanhado de seus filhos e semelhantes. Defende-se que essa lenda se originou devido a visita dos vikings algumas centenas de anos atrás ao continente americano e ao fato dos índios terem se impressionado com a barba e a brancura da pele dos nórdicos. Quando Montezuma ouviu falar que torres flutuantes chegaram a praia com bestas que cuspiam fogo pela boca (os tiros de mosquetes dos espanhóis), não teve dúvida que esse momento tenha chegado. Para quem acha que isso é baboseira, Montezuma chegou a convidar Cortéz para ser hóspede em Tenochtitlán, onde ele permaneceu por meses. Houve uma rebelião no litoral e levaram a cabeça de um capitão espanhol para tentar fazer Montezuma acreditar que os espanhóis eram humanos e não deuses, ainda assim ele não se convenceu. Só depois de uma rebelião em Tenochtitlán, em que Montezuma foi morto, não se sabe pela população ou pelos espanhóis, que os astecas começaram a reagir contra a dominação espanhola.

A partir daí entraram as principais armas espanholas. Primeiro que os espanhóis eram bem mais desenvolvidos tecnologicamente, tinham conhecimento do aço, pólvora e uma poderosa marinha perfeita para bombardear cidades com bolas de canhão, enquanto os astecas tinham tacapes de madeira com pedras de obsidiana (uma pedra vulcânica extremamente afiada). Além disso, os espanhóis espalharam doenças que hoje são banais, mas que naquela época dizimaram 90% da população indígena como sarampo, gripe, catapora e, principalmente, varíola. Com uma população doente, é mais fácil você atacar. Porém, a principal arma de Cortéz foi a política, que ele sabia manejar muito bem. Os espanhóis passaram centenas de anos para reunificar os seus territórios que estavam sob domínio árabe e a diplomacia foi uma de suas principais armas para isso. Depois foi só usá-la contra os astecas.

Aproveitando-se do ódio que os povos indígenas dominados tinham dos astecas, Cortéz conseguiu montar um exército de mais de 100 mil indígenas para tentar tomar Tenochtitlán. Esses indígenas não eram só números, eles conheciam o terreno, as estratégias utilizadas pelos astecas, suas linhas de suprimento e como eles guerreavam. Isso se tornou uma imensa vantagem para Cortéz. Ainda assim, a cidade resistiu bravamente por sete meses, um dos mais prolongados cercos da história, ainda que estivesse devastada pela peste e pela convulsão social a que foi acometida.

Depois da queda de Tenochtitlán, o inferno na terra foi dado aos astecas. A tripulação de Cortéz não era composta de cientistas ou liberais, mas sim da pior corja possível existente na Espanha e prisões foram esvaziadas para compor a sua tripulação (quem mais iria se arriscar em uma viagem mar adentro que matava a maioria dos seus tripulantes?). Então, o único interesse de tais espanhóis era enriquecer da forma mais rápida e “barata” possível, ou seja, por meio do trabalho exaustivo e até a morte dos indígenas dominados. Quando a Espanha se jogou no mar com as caravelas de Colombo, o que eles pretendiam fazer era achar um caminho até as Índias por meio de volta ao mundo, já que Portugal já dominava o caminho contornando o continente africano. Depois de perceberem que eles não haviam chegados às lendárias índias e de que perceber que ir as índias por meio de volta ao mundo era extremamente caro (Fernão de Magalhães foi um dos poucos que fez isso naquela época sob um custo altíssimo, inclusive de sua vida), os espanhóis se decepcionaram e invejaram os portugueses. Começaram a pensar em outra “utilidade” para o continente americano. Quando ouviram falar de contos de cidades feitas de prata e ouro no continente americano, os seus olhos brilharam e eles viram que era hora de ganhar dinheiro. Irônico q depois de alguns anos a Espanha ficou podre de rica com a exploração da América Central e Portugal teve que ir explorar o Brasil pois viu-se que o comércio com as Índias não era tão rentável assim.

Mas se um pressuposto básico da diplomacia, é que você possa conversar, como os espanhóis se comunicavam com os indígenas? Algum dos componentes da tripulação de Colombo, não regressaram para a Espanha (para que diabos você vai pegar o inferno de outra viagem?) e ficaram em terras indígenas, compondo famílias e se misturando a cultura local aprendendo, lógico, a língua. Eles serviram de guias aos espanhóis. Mas a principal tradutora de Cortéz durante a sua dominação do México foi uma indígena chamada Malinche, que falava duas das principais línguas indígenas da região, depois aprendeu espanhol e se casou com Cortéz. Os mexicanos tem um ódio tão grande dessa mulher que o termo “Malinchista” se tornou sinônimo de traidor, o Judas mexicano (sim, eu vi os caras xingando “malinchistas” enquanto a gente via futebol na TV).

Depois da dominação houve a conversão. Índios que se convertiam ao catolicismo tinham um tratamento menos infernal (não que deixassem de ser explorados até a morte) pelos espanhóis. Dessa forma, hoje o México é um dos principais países católicos do mundo. Isso não quer dizer que a Igreja Católica desempenhou um papel social na América Latina, pelo contrário, também explorou os indígenas baseada no seu próprio interesse. A única exceção ficou por conta de alguns franciscanos que durante anos denunciaram os maus-tratos e a exploração indígena. Como os indígenas eram analfabetos, as igrejas eram decoradas com artes trabalhadas e figuras gigantes de santos católicos para que fosse mais fácil a sua conversão, motivo de toda a decoração das igrejas que pude visitar no México.

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México – Que viagem louca

Há algum tempo o México já constava entre os países que eu gostaria de visitar. História é de longe o tema que mais me atrai a viajar para um lugar e o México, lar de grande parte das civilizações das Américas, seria uma escolha natural.

Aproveitei que uma amiga do tempo da universidade iria se casar na Cidade do México e peguei duas semanas para poder viajar.

A cidade do México tem varias atrações por si só. Apesar de ser uma cidade gigantesca, com um trânsito caótico e uma poluição catastrófica, tem seus encantos devido a ser o local onde se encontrava Tenochtitlan, a capital do Império Asteca e próximo de Teotihuacan, uma outra cidade pré-colombiana.

Vi um lugar falando que o centro histórico já afundou quase 10 metros e inclusive algumas igrejas hoje tem escadas para você pode descer. A cidade tem museu de tudo que você imaginar, da imprensa a tortura, dos astecas aos Correios e dá para ficar meses aquí se você resolve visitar museu por museu. Inclusive há o museu das ruínas do antigo Templo Maior, principal templo asteca, local onde os astecas teriam visto a imagem da águia comendo a cobra e cujo museu tem informação demais, acho que nunca gastei tanto tempo em um museu como naquele.

Ruínas do Templo Mayor

Algo interessante é que como a cidade foi construída em cima de onde antes era um lago, com um solo poroso e cujos lençóis freáticos são cada día mais usados para abastecer de agua uma cidade de milhões de habitantes, a cidade está, literalmente, indo para o buraco. Sim, o solo da cidade nâo foi feito para aguentar o peso das contrucoes gigantescas que os espanhóis construíram em cima dos templos astecas e é visível ver como varias igrejas hoje tem torres e colunas tortas.

Catedral da Cidade do México inclinada. Não há nenhum efeito de photoshop na foto. Ela é inclinada assim mesmo devido a porosidade do terreno

No Palácio do Governo há os famosos murais de Diego Rivera, onde ele pintou a história dos astecas desde antes da invasão espanhola, até o seu martírio. O Palácio foi construído exatamente onde se situava o palácio de Montezuma, assim como a impressionante Catedral que foi construída em cima do mais importante templo asteca (inclusive utilizando das pedras do templo) e a praça central do México que foi construída onde era a praça central de Teotican.Próximo a cidade do México há a antiga cidade de Teotihuacan (não confundir com Tenochtitlan), um dos vários povos avançados que povoou a região onde agora é a Cidade do México. Esta cidade chegou a ter no seu auge quase 125 mil pessoas. O auge do Império foi quase 1000 anos antes dos astecas, mas o seu legado ficou até os dias atuais, pois vários dos seus deuses como a serpente Quetzalcóalt e Tláloc, deus da chuva e da água, que vou explicar posteriormente, ainda eram cultuados pelos astecas quando os espanhóis chegaram. A elite asteca chegava a fazer procissões para as pirâmides da cidade, pois acreditavam que este havia sido o local onde os deuses haviam se sacrificado para o nascimento do sol e da vida como um todo. Tais pirâmides, são a terceira maior já construídas pelo homem, perdendo apenas para a de Queóps no Egito e para um outra pirâmide da região que hoje é apenas uma colina. Importante lembrar que tal pirâmide foi construída com três milhões de toneladas de pedra sem o uso de ferramentas de metal, rodas ou animais de carga, foi tudo no braço! Ah sim, a pirâmide tem 248 degraus com a altura de uns 30 cm cada um, o que faz ser uma subidinha deveras chata para ser realizada. 

O casamento foi legal porque pude reencontrar vários amigos do tempo de faculdade, o que acabou por não me deixar ficar sozinho grande parte do tempo.
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