Saindo da Guiana Inglesa e pelejando para chegar em Belém

Depois de sair da Guiana, a Surinam Airways, acho que de tanto eu reclamar dela, resolveu nos preparar uma surpresa. Como ela é uma empresa que faz questão de não cumprir horário, fez algo que eu nunca vi acontecer em um voo. Como todo mundo já estava no aeroporto, o voo acabou saindo… mais cedo! Uma hora mais cedo para ser mais exato! Valeu Surinam Airways! Se isso não significasse exatamente nada para mim! Depois da Guiana eu ainda tinha escala no Suriname e na Guiana Francesa. Descemos uma hora mais cedo no Suriname! Yes!!! Porém, só havia um detalhe! Com esse adiantamento do voo, descobri a única coisa em que a Guiana foi melhor que o Suriname. No aeroporto da Guiana havia internet grátis. No aeroporto do Suriname, não! Uma hora a menos de internet. É isso aí, até quando a Surinam Airways tenta ajudar, ela me arrebenta!
Tudo bem, Surinam Airways, o que vale é querer ajudar!
Já de volta ao Brasil, uma fila gigantesca na imigração. Pior que pela primeira vez gostei de uma fila grande. Era interessante ficar ouvindo as histórias que os garimpeiros iam comentando entre si, empolgados na volta para casa. Um falava que tinha recebido um carimbo vermelho do Suriname (o que o impedia de voltar ao país por alguns anos), o outro falava que voltava cheio de dinheiro, o outro que tinha gastado tudo com bebidas e mulheres (de longe o que melhor investiu o dinheiro), fora as diversas histórias de amigos que tinham sumido e ninguém sabia por onde estavam na mata. Vida loca!
Na fila vi um cara cabisbaixo, com o olhar perdido no piso do aeroporto. Fui conversar com ele porque caras assim sempre rendem boas histórias. Tinha um passaporte diplomático à mão. Não entendi se ele era diplomata ou não, mas sei que trabalhava auxiliando os brasileiros na Guiana Francesa. Conversou comigo meio baixinho como era um inferno a vida dele. Cara, imagina ter que lidar com esses bandos de garimpeiros tudo na ilegalidade? O coitado vai lá, estuda para concurso, é aprovado, chega no Itamaraty cheio de esperança, acha que vai ser lotado em Paris ou Londres e jogam o pobre coitado lá no meio da selva amazônica para cuidar de garimpeiro. Ê fase! O trabalho dele basicamente se resumia a visita à prisão, ao hospital e ao necrotério. A vida infernal dos garimpeiros tornava, por tabela, a vida dele também infernal. 
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Uma Guiana francesa diferente – Visão dos garimpeiros brasileiros

P.S: As imagens não são minhas. Foram todas tiradas da internet
Não cheguei a visitar a Guiana Francesa devido a questão do tempo e também porque lá precisamos de visto para entrar. Sim, não precisamos de visto para entrar na França, porém, para a Guiana Francesa, sim. Doido, né? Isso é devido ao grande fluxo de garimpeiros brasileiros que se aventuram na Guiana Francesa e que a França tenta evitar de todo jeito.
Porém, conversando com os garimpeiros que nas guianas, aprendi bastante sobre a Guiana Francesa, pelo menos sobre os garimpos. Todos os garimpeiros que conversei eram unânimes em falar que o pior garimpo é o da Guiana Francesa. Por mais que eu esperasse o contrário (bem, a França é um país um pouquinho mais organizado que as Guianas), o “Garimpo da França” era absurdamente mais perigoso que os garimpos do Suriname e da Guiana Inglesa. Nos garimpos da França todo mundo anda armado e, segundo as próprias palavras dos garimpeiros, o seu documento é uma escopeta. Os garimpos brasileiros na França são ilegais e, onde não há Estado, não há lei. Todas as pendengas são resolvidas na base da bala.

Conheci um cara que trabalhava como músico de garimpo. Ele me disse que era de um dos bairros mais violentos de Belém, mas que ainda assim se assustou com o que viu nos garimpos franceses. O bando de armas que as pessoas carregavam foi a visão mais próxima que ele viu de um filme de faroeste. Disse-me que quem anda “desarmado” por lá anda pelo menos com uma pistola no bolso. Apesar de tudo, diz que rola um respeito entre os garimpeiros e eles não saem se matando assim gratuitamente, até porque, bem, em um lugar que todo mundo anda armado, talvez seja melhor manter a calma.

Ele me disse que uma vez estava tocando em um garimpo e caiu na besteira de tocar uma música do rei da sofrência. Sim, ele começou a tocar Pablo. Rapaz, diz que é só tocar Pablo que os cabas ficam doidos. Diz que ele tava lá de boa, moendo o teclado quando só escutou uma rajada que de tão alta ele se assustou e caiu por cima do teclado. Quando foi ver o que estava acontecendo, era um cara empolgado dando tiro para cima com uma escopeta. O que a sofrência não faz.

 O pagamento por todo tipo de serviço, como o de músico, é feito, lógico, em ouro, não em dinheiro. Mas como eles fazem, metem o ouro no bolso e voltam ao Brasil? Eu também fiquei com essa dúvida. Não, não dá para fazer isso. Andar com ouro no bolso é muito arriscado, ainda mais no meio do mato e na ilegalidade. Alguém pode querer te matar para ficar com seu ouro ou a polícia ou alfândega do Brasil ou das Guianas vão te questionar o que você vai fazer com isso e, como nada é declarado, obviamente, será confiscado. Nesses lugares de garimpo ou tem várias casas que simplesmente compram ouro ou casas em que você faz o depósito em ouro e eles remetem o valor para uma conta no Brasil, obviamente tirando a comissão deles. Cara, tudo já é engrenado para o garimpo, por isso que tem tantos brasileiros pelas Guianas fazendo isso.
Diz que esses garimpos ilegais na França dão uma grana danada para todo mundo, mas tem que extrair tudo o mais rápido possível, pois dá um mês, dois meses, chega a polícia francesa, dá o flagrante e leva todo mundo preso além de tacar fogo em tudo que for possível, das cabanas ao maquinário. A polícia taca fogo, os caras perdem tudo, são mandados de volta ao Brasil só para dar o tempo de comprar novamente um novo maquinário e se embrenhar na selva francesa novamente com máquina e tudo para um novo garimpo. E aí fica esse eterno jogo de gato e rato. Por isso que precisamos de visto para viajar a Guiana Francesa como se isso, obviamente, fizesse alguma diferença a quem sai se embrenhando no mato.
Engraçado que conversando com Raimundo, o maranhense que conheci no aeroporto da Guiana Inglesa, fiquei surpreso quando ele me disse que já tinha ido a Guiana Francesa:
–          Mas como tu conseguiste entrar lá, Raimundo? Lá precisa de visto!
–          Ah, eu dei um jeito.
Hoje fico pensando o quão idiota foi pergunta isso para ele. Cara, os bichos conseguem atravessar o rio e entrar ilegalmente na Guiana Francesa com TONELADAS de equipamentos e maquinários. Dragas do tamanho de carretas. Imagina como deve ser difícil só atravessar o esquálido do Raimundo.
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Na Guiana Inglesa, um maranhense bem esperto e eu

Quando estava saindo da Guiana Inglesa, ainda no aeroporto, conheci um brasileiro. Depois de um tempo conversando fui descobrir que o cidadão era maranhense. Chamava-se Raimundo, estava na Guiana fazia seis meses e foi trabalhar no garimpo. Antes trabalhava como barrageiro, que é como chamam a galera que trabalha na construção de barragens. É um serviço interessante e meio itinerante onde ele disse que dava para tirar uma grana legal. Como queria conhecer outros países (bem, a Guiana Inglesa é outro país, não?), aproveitou que tinha uma tia no Oiapoque, cidade no topo do Amapá, e resolveu se aventurar nas guianas. Passou seis meses no garimpo e tinha juntado quase 25.000 reais em seis meses trabalhando lá, já descontando as despesas com alimentação, hospedagem e passagens. Nada mal, não?
Ele começou a me falar como era o garimpo na Guiana Inglesa. Disse que era de boa, que lá quase não morria ninguém assassinado no garimpo (ênfase no “quase ninguém”), era só não ter boca grande e não sair falando quanto o garimpo que você trabalhava tava dando de lucro. Foi outro também que me disse que hoje no garimpo ninguém mais faz nada a mão, é tudo mecanizado!
Cara, ele era tão humilde que nem escrever direito sabia, praticamente desenhava o nome e me pediu diversas vezes para preencher o cartão de imigração dele, já que escrevia muito devagar. Na hora que nos chamaram para fazer a imigração, eu meio que me distanciei dele, pois, bem, ele tava meio enrolado. 
Catedral anglicana de São George. Uma das mais altas igrejas de madeira do mundo.
Interior da Catedral
Senti-me um pouco mal de deixar um brasileiro a própria sorte, mas aeroporto é assim. Não poderia ficar do lado dele o tempo todo pois, afinal, cara, ele não tinha preenchido no formulário de imigração o endereço em que havia ficado em Georgetown, o endereço que iria ficar em Belém, ele só poderia ficar três meses no Suriname e estava há seis, tinha trabalhado mesmo só tendo visto de turismo e para piorar, bem, ele era garimpeiro. Era um cara legal, mas garimpeiro tende a se envolver em enrolada. 
Parlamento Guiano
Interior de uma igreja católica em Georgetown

Trocando em miúdos, ia dar problema. Por mais que quisesse ajudá-lo, se desse algum problema e me vissem do lado dele, até eu explicar que havíamos nos conhecido há algumas horas no aeroporto e que não estávamos juntos… Bem, poderia ser o suficiente para eu perder o voo e ter que pagar pela remarcação de todas escalas seguintes.

Falei para ele ir na frente e fui para o outro guichê. No meu guichê o cara me bombardeou de perguntas, onde eu tinha ficado, o que havia feito na Guiana, o que fazia no Brasil, assim, como se alguém que passa dois dias na Guiana vai para lá para garimpar. Tudo sendo perguntado em inglês e eu pensando “rapaz, se a coisa tá ruim assim para mim que tou com tudo certo, imagina para Raimundo que nem escrever o nome dele sabe direito”. Sei que depois do batalhão de perguntas, quando vejo, tá Raimundo lá frente, todo sorridente, já tinha passado até o Raio-X.
Fui, lógico, perguntar para ele como ele tinha resolvido, já que, beleza, ele podia até ter tido sorte de não arrumarem problema com ele, mas ao menos o visto expirado eles iam fazer alguma pergunta e ele não falava inglês. Ele não se fez de rogado e me respondeu:
– Claudio, foi simples, eu coloquei 1000 dólares guianenses (cerca de 10 reais) dentro do meu passaporte. O cara folheou, folheou, folheou, quando viu a nota, só sorriu e me mandou seguir.
Raimundo não era fluente no inglês, mas sabia a única língua que importava.
Banco Central da Guiana
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A Guiana Inglesa, Jonestown e Jim Jones

A Guiana será para sempre lembrada por um acontecimento infeliz: Jonestown.

Tudo começou quando Jim Jones (leia mais sobre ele na Wikipedia), um conhecido líder de uma seita estadunidense, conseguiu uma gleba de terra próxima a fronteira com a Venezuela e resolveu fundar a sua própria comunidade, chamada Jonestown, no meio da floresta guiana. Centenas de americanos pertencentes a sua seita mudaram para a comunidade.
Tudo parecia caminhar normalmente até que começaram a surgir denúncias de abusos com os residentes que, supostamente, não poderiam sair livremente de Jonestown e voltar aos Estados Unidos.
Um congressista americano, Leo Ryan, recebeu autorização do governo americano para visitar o local e viajou ao local com alguns repórteres da NBC. Quando chegou foi calorosamente recebido. Tudo parecia bem e Ryan inclusive elogiou a comunidade.
Porém, com o passar dos dias, grupos de pessoas procuravam Ryan com a intenção de desertar. Jim Jones até chegou a liberar a sua saída, não sem antes acusa-los de traidores. Isso criou um clima de tensão no local.
Após uma agressão a faca sofrida por Ryan, ele pensou que talvez fosse bom ir embora dali e adiantou a sua saída de Jonestown. Quando estava se preparando para pegar seu avião, guardas responsáveis pela segurança de Jones mataram Ryan (até hoje o único congressista estadunidense a ser morto no exercício da função) e os repórteres da NBC.
Assim que soube da morte de Ryan, Jones colocou em prática o seu plano de suicídio em massa. Ele inclusive já teria ensaiado em suas “noites brancas” ritual onde todo mundo era obrigado a tomar um líquido, porém sem veneno. Aquela seria a última “noite branca”.
Todos foram induzidos a beber sucos de uva com cianeto com as crianças recebendo diretamente na boca ou por meio seringas. Quem tentava fugir era abatido a tiros.
Cinco minutos depois, 918 corpos jaziam no solo da Guiana marcando o nome do país para sempre a esta tragédia.
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Guiana Inglesa, como é a vida? Como vivem os brasileiros que moram lá?

Das três guianas, o único país que efetivamente ficou com o nome de Guiana foi a antiga Guiana Inglesa.

Se o Suriname foi tudo o que eu não imaginava, a Guiana Inglesa terminou por ser tudo o que eu imaginava. Ou pior. Não há nada que deixe um surinamês mais feliz do que comentar como o Suriname parece um país ano-luz na frente da Guiana Inglesa e não há nada que deixe um guiano mais chateado do que comentar como o Suriname parece um país ano-luz à frente da Guiana.

A Guiana Inglesa é a mais pobre das três guianas e, de longe, a mais caótica. Quando comentava no Suriname que iria viajar a Guiana as pessoas me perguntavam “vai lá para ser morto?”. Georgetown é uma cidade entregue ao caos onde parece que não há nenhuma presença de Estado. Comércio, favela, vala de esgoto, plantação de cana, cabras passeando pelas ruas, tudo misturado em meio ao ambiente urbano. O trânsito é maluco e não há uma rua da cidade onde não há uma vala de esgoto passando. Assim, eu sei que no Brasil tem muitas ruas assim, mas o que eu estou falando é que na avenida principal, da principal cidade da Guiana, tem uma vala de esgoto margeando a pista. Seria mais ou menos como termos isso na Avenida Paulista. Em defesa dos guianos pode-se dizer que a cidade de Georgetown foi construída abaixo do nível do mar e essas valas são para drenar a cidade por meio de uma bomba que está na cidade desde a época dos ingleses.

Como diria um amigo meu, a gente acha que entende de pobreza porque vive no Brasil, porque vemos pobreza e tal, mas cara, quando você chega na Guiana você aprende que a lição número 1 do lugar é que tudo sempre pode piorar. A aparente ausência de estado, o “salve-se quem puder” no meio das ruas, tudo isso pode até ter em uma cidade de fronteira do Brasil ou em cidades do interior mais pobres, mas na Guiana Inglesa é na capital do país, em Georgetown.
Depois do Camboja, a Guiana foi o único lugar onde pude ver alguém na rua cobrando para você utilizar uma balança e ver seu peso. Clique aqui para ver a foto no Camboja
Como curiosidade, a Guiana é o único país da comunidade dos países de língua inglesa na América do Sul. O termo Guiana vem de dialetos indígenas locais e significa “terra de muitas águas”, devido ao grande números de rios. A sua economia é dependente da exportação de produtos primários, principalmente minérios, o grande responsável pelo afluxo de brasileiros. Ao que me parece, a única coisa que faria valer uma viagem para o país seriam as impressionantes Cataratas de Kaieteur para ler mais sobre elas clique aqui), pois Georgetown é caos.
Estátua de Gandhi em um parque de Georgetown
Georgetown é uma cidade litorânea, porém a praia foi o de mais sujo e horripilante que pude presenciar e não vi ninguém corajoso o bastante para pular na água enquanto estive andando na orla.
Inicialmente estava planejando ficar em um hotel indicado pelo Lonely Planet. Quando comecei a checar, vi que o hotelzinho era sujo e caro o que me fez seguir uma sugestão de hotel que um couchsurfer me indicou onde ficar. Chama-se Juliens guesthouse. Era nova, perto do bairro onde ficavam os brasileiros e em um bairro relativamente seguro. No final, o hotelzinho era até bom, tirando o fato que ele literalmente balançava quando passava um caminhão do lado.
Tentei dar uma volta, sair do hotel a noite, porém caminhei por Georgetown procurando por um suposto bar brasileiro a noite e posso dizer que foi uma das experiências mais assustadoras da minha vida. Acabou que fiquei a noite encastelado no hotel que serviu quase como um bunker.

E OS BRASILEIROS NA GUIANA – COMO ELES VIVEM?

Enquanto no Suriname a pergunta padrão era “você é de Belém?” na Guiana a pergunta quando eu falava que era brasileiro era “você é garimpeiro?”. No início eu imaginei que os garimpeiros brasileiros eram visto com maus olhos pelos guianos, por supostamente roubar empregos deles ou algo assim, porém pude perceber que há uma certa convivência pacífica.  Um dos motivos é devido a forma como é feito o garimpo hoje em dia. Quando se fala em garimpo, eu imaginava aquela galera peneirando na beira do rio esperando que dali vai sair algum ouro. Pelo que pude perceber, o garimpo hoje está longe disso e é algo extremamente mecanizado. E grande parte dessa mecanização na Guiana é devido aos brasileiros que tem mais capital que os guianos para isso. Lógico que isso não deve ser sempre a regra, também deve haver muitos brasileiros pobres disputando vagas com Guianenses.

Em Georgetown há diversos empreendimentos ou de brasileiros ou para brasileiros, em vários deles todo mundo só falava português. Fui em um restaurante brasileiro recomendado pelo livro-guia, que na verdade era pior que aquelas churrascarias de posto de gasolina do interior do Maranhão, tentei bater papo com o dono do restaurante. Ele era paranaense . Como esse cara veio se tocar lá do Sul para a Guiana não tive tempo de conversar já que ele não me deu papo e era todo desconfiado. O máximo que consegui de informação com ele foi um bar onde facilmente eu iria encontrar brasileiros, ele me indicou um que era até do lado de onde eu estava hospedado. Fui em um dia a noite só para descobrir que o lugar era um prostíbulo. Bem, em viagens prostíbulos sempre são os melhores lugares para ser preso, ferido ou morto, então voltei para o hotel.

Continuar lendo “Guiana Inglesa, como é a vida? Como vivem os brasileiros que moram lá?”

Como chegar à Guiana Inglesa

DESLOCAMENTO

 
Por incrível que pareça, a Guiana é mais fácil de acessar que o Suriname. Ela tem conexão por terra com o Brasil. Você pode pegar um voo para Boa Vista, de Boa Vista dá para pegar um taxa até Bonfim e de lá atravessar por uma balsa para a cidade de Lethem, na Guiana. 
Anúncio de viagens a Lethem em direção a fronteira do Brasil. Georgetown

De Lethem é possível seguir para Georgetown, capital da Guiana, por pequenas aeronaves que saem diariamente e não precisa (ou não tem como) marcar com antecedência, basta chegar lá e pegar. Ou então você pode encarar uma viagem por terra (e a palavra é encarar mesmo) onde leva entre 10 a 16 horas dependendo de que estação do ano você está. Paga-se por volta de 150 reais por um trecho.

Outra forma é por meio de voo com a Surinam Airlines. Dá para sair de Belém, com escala em Caiena e Paramaribo. Lembrando, mais uma vez, que não é possível comprar passagem pela internet da Surinam Airlines se a sua origem não for Paramaribo. Se você sai de Paramaribo para algum lugar, tudo bem, mas se viaja, por exemplo, de Belém para Paramaribo tem que comprar com agências de turismo.
Por terra também é possível alcançar o Suriname, porém não a Venezuela. A Guiana apesar de ser um país pequeno tem problemas territoriais tanto com o Suriname quanto com a Venezuela que clama por quase metade das terras da já pequena Guiana. Devido ao esfriamento das relações dos dois países em relação a isso, não há fronteira por terra entre Venezuela e Guiana.
Embaixada brasileira em Georgetown

E O VISTO? COMO FAZ?

Brasileiros não necessitam de visto para ir a Guiana
Na verdade, o único problema que acabei tendo mesmo na Guiana foi na Imigração. Pode parecer estranho, mas a Guiana foi um dos lugares mais chatos na imigração até hoje. Conseguiu ser pior do que a de Trindade e Tobago (ver nesse link). Quando foi minha vez, o funcionário da imigração começou a me bombardear de pergunta, queria saber para onde eu ia, onde eu ia ficar, o que eu fazia no Brasil… Enfim, o cara começou a praticamente me interrogar. Só a título de curiosidade, tirando algumas poucas pequenas ilhas, eu nunca havia pousado em um aeroporto onde não houvesse esteira de bagagem. Até pousar na CAPITAL da Guiana. Eu ficava pensando se o cara realmente imaginava que eu poderia pensar em me perder pela Guiana enquanto observava as malas chegando em um carrinho com um cara puxando na mão e as jogando no chão. Pensava se ele me interrogava sério mesmo ou só de zueira. Mal sabia eu que isso seria o menor dos problemas em Georgetown.
Bairro brasileiro em Georgetown. Repare nas placas escritas em português

Aqui é o lugar para quem gosta de bife “assebolado”
Pode não ter muita coisa em Georgetown, mas uma Igreja Universal não poderia faltar. Fui lá conversar com o pessoal e perguntar se os cultos eram em inglês e eles me disseram que às vezes era em inglês, para os guianos, e as vezes era em português, para os brasileiros. Quando fui embora, agradeci a gentileza e falei “Obrigado por me responder as perguntas, fiquei curioso porque essa é uma igreja do Brasil” ao passo que fui corrigido “Não, não é uma igreja do Brasil, é a NOSSA Igreja!”. E viva Edir Macedo!
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Continuar lendo “Como chegar à Guiana Inglesa”

Uptade da Guiana Inglesa – 2

Prezados,
Haja o que houver, não venham a Georgetown, capital da Guiana. Esse lugar é um inferno!
Sério.
De nada.
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Uptade da Guiana Inglesa…

Apesar de estar escrevendo ainda sobre o Suriname, estou na Guiana nesse exato momento.
E venho aqui fazer um post rapidinho só descrevendo como foi minha chegada aqui.
Se o Suriname foi tudo o que eu não imaginava que seria, a Guiana sim foi tudo o que eu esperava. Na verdade até pior! Cara, aqui tudo é caótico, sujo e bagunçado. Sério, a diferença da Guiana para o Suriname é gritante! Antes a experiência de maior bagunça que já tinha visto na América do Sul tinha sido Ciudad del Este, no Paraguai, mas Georgetown é bem pior! É esgoto a céu aberto correndo pela cidade inteira, mendigos para todo lado, buzina de carro a todo momento… Até para tirar a câmera da mochila e bater foto eu fico com receio!
Na foto abaixo, uma imagem de uma rua cheio de comércios brasileiros. Aqui é engraçado como parece que dá para você se virar só falando português!
Tou pressentindo que amanhã teremos várias presepadas a caminho!
P.s: O blog teve o dobro de visitas da semana passada para cá. O mais engraçado foi depois descobrir porque. Com a execução do Brasileiro na Indonésia, as buscas por “Indonésia” e “Bali” bombaram na internet, refletindo no número de acessos do blog.
P.s 2: Estou mudando tanto de país e de fuso horário que hoje tive que recorrer ao Google para saber o horário na Guiana =)
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