Perambulando por Roma

Cara, perambular por Roma é uma parada muito complicada. A cidade tem muita história, tem muitas atrações e muitas ruínas pelos seus cantos. Pra eu falar de tudo o que eu vi quando estava por lá, necessitaria de um blog só pra escrever sobre ela, isso porque teve muita coisa que eu via e não tinha muita idéia do que era. Cara, eu passei uma semana na cidade e não deu pra ver tudo. Uma semana! Mas não foi aquela semana que eu passava quando tava em Delhi não. Aquela semana que a gente saía pra tomar uma cerveja a noite, eu acordava onze da manhã, saía meio dia e voltava as quatro. Foi uma semana puxada, acordando categoricamente às oito da manhã, voltando as seis da tarde e ainda assim não deu pra ir a todos lugares que eu havia planejado. Só pra vocês terem uma idéia, o Museu do Vaticano tem tantas, mas TANTAS esculturas e quadros, que certa vez eu li na Internet um cara dizendo que se você gastasse oito segundos pra ver cada peça demoraria cerca de dois anos pra ver tudo. Cara, é um museu que tem quase a idade da Igreja Católica e que reúne o acervo que vários papas diferentes foram adquirindo, ou roubando, pelos séculos.

Dentro do Museu

Outra coisa interessante que podemos falar é que Roma foi uma das poucas cidades na Europa que eu achei parecida, E MUITO, com as nossas grandes cidades aqui do Brasil. Mas particularmente com São Paulo. Cara, Roma é MUITO suja! É lixo pra tudo que é lado! Outra coisa, parece ser uma cidade muito pobre. Toda esquina tem gente pedindo esmola ou africanos vendendo quinquilharias. Roma foi a ÚNICA (e quando digo única, é literalmente) cidade da Europa inteira que tive a oportunidade de ver pessoas nos sinais limpando vidros de carros e pedindo algo em troca. Uma cena bem comum em nosso país e que infelizmente não deu pra eu tirar fotos…Pra não escrever um post de vinte páginas sobre os pontos turísticos que eu vou citar aqui, vou apenas citar o nome e quem não souber do que eu estou falando, clica no link que vai levar direto pra um link da Wikipedia explicando tudo.

Roma era tão engraçado que até chegar em casa era uma epopeia sem tamanho. Rapaz, mas o bairro em que eu estava hospedado, todas as ruas pareciam as mesmas, não tinha muita diferença. Aí era uma treta só pra poder chegar em casa. Depois de dois dias eu notei um curioso objeto que ficava escorado no parapeito de uma grade que era só virar à esquerda assim que visse o objeto que eu estava em casa. O que era? Uma estátua romana? Uma escultura do Papa? Não, uma meia suja que continuou jogada lá durante TODA A SEMANA que fiquei por Roma! Impressionante!

O caminho de volta pra casa era assim: Vire à direita no castelo gigantesco e impressionante.

E á esquerda na meia suja. Ainda bem que em uma semana ninguém pegou essa meia suja para lavar, senão eu tava ferrado

Bem, mas vamos começar falando sobre a perambulada por Roma.

Em frente ao Panteão

Pra começar, lógico, fui no Museu do Vaticano. Porque, entre outros motivos, o passeio no Museu do Vaticano terminava na Capela Sistina, onde seria possível ver os famosos afrescos de Michelangelo. A entrada era um pouquinho salgada, uns 17 euros, mas valia cada centavo.

Perseu e Medusa

Laocoonte e seus filhos. Episódio dramático da Guerra de Tróia.

Tirei fotos de algumas esculturas que eu ainda lembrava o que era do tempo que estudei Artes Plásticas no Colégio, e gastei meu dia inteiro por lá.

Cara, eu sei o nome dessa escultura, mas eu achei ela muito massa. A apelidei de “Pegaram!”. Achei muito engraçada a cara do cavalinho com a língua de fora. Hehehe

Escola de Atenas, umas das mais famosas pinturas de Rafael

Museu do Vaticano é assim. É tanta escultura pelos cantos, que qualquer bustozinho de 1000 anos vira apoio pros braços.

 

No final, claro, havia o mais importante: o teto da Capela Sistina. Uma coisa que me deixou um pouco impressionado foi que antes de você entrar na capela, há dezenas de avisos colados nas paredes avisando: “Não tire fotos dentro da Capela Sistina!”, “Não é permitido tirar fotos dentro da Capela Sistina”. Eu até fiquei chateado por isso, mas enfim, eu achava que tinha que respeitar. Rapaz, ledo engano. Foi só eu entrar lá que eu vi o mundarél de flashs saindo lá de dentro. Flash!, Flash!, Flash!. Rapaz, era TODO mundo tirando fotos do teto da capela. Ah porra, quando eu vi que a parada era bagunçada mesmo também comecei a tirar fotos também. Ninguém é de ferro.

Tinham umas pessoas que estavam meio que disfarçando que batiam fotos, mas eu já não tava muito preocupado! Tava descarado mesmo!

Pietá, escultura na Basílica de São Pedro, próxima à Capela Sistina.

 Depois de uns dez minutos me esbaldando, veio só uma mãozona na minha máquina. POU! Quando eu já me preparava pra poder sair na porrada, eu só vi aquela voz: NÃO É PERMITIDO TIRAR FOTOS!! Era um segurança da capela! Sim, eles existiam!! Levei até um susto. Depois fiquei pensando que vida miserável deve ser aquela de ter que ficar controlando aquela horda de turistas enfurecidos todos os dias. Pombas, não quer que neguinho tire fotos lá dentro, eu tenho uma ótima idéia. Tirou fotos? Multa: 1000 euros! Queria ver quem ia bater fotos lá dentro. Além disso ia dar pra tirar uma grana massa com essa história.

Essa foi a hora que eu levei a mãozada do segurança da capela. Olha a cara de espanto do tiozão vendo aquilo.

No outro dia ainda visitei a Fontana di Trevi. Como dizia a tradição joguei uma moeda na fonte e fiz um desejo. A fonte era até bonitinha, mas o que mais me impressionou não foi a fonte em si, mas a GIGANTESCA horda de turistas fazendo o mesmo. Rapaz, mas era gente, GENTE DEMAIS!

Êêê Tiozão, vai lá!! Joga a moedinha!

Outra coisa, também havia vários turistas brasileiros por lá. Fiquei um pouco impressionado com isso. Mas depois que eu fui lembrar: Roma faz parte do “mainstream” das viagens que os brasileiros fazem pra “conhecer a Europa”. Talvez em Paris e Londres fosse o mesmo. Só pra lembrar, a maioria dos lugares que viajei era bem complicado achar brasileiros por onde passava, ainda mais com uma guia segurando a bandeirinha. Além de Roma só vi grupos assim quando visitei Israel, mas isso eu conto depois.

Visitei também o Coliseu. Cara, o Coliseu é muito engraçado. Primeiro que pra entrar, parece uma fila do Playcenter. É gente, GENTE na fila esperando a sua vez. Segundo que eu estava esperando (e eu tinha certeza que a maioria de vocês também) que o piso do Coliseu fosse uma parada maciça. Um piso mesmo. Mas não, cara! Quando você chega lá, dá até pra se tomar um susto. Se liga como é.

Cara, pelo que eu entendi lendo pela Internet, isso acontecia porque o chão do Coliseu durante as apresentações era quase que uma produção do James Cameron, tamanho o número de efeitos especiais que surgiam de lá. Por aqueles corredores poderiam surgir tigres, animais, bestas-feras, alçapões, o caramba, pra poder influenciar na luta dos gladiadores. Ter que se preocupar com o fato de que o outro cara com a espada está afim de te fazer em pedacinhos acho que não era suficiente pros romanos. Eles tinham que colocar algumas coisinhas a mais pros gladiadores não ficarem entediados com aquele duelozinho mixuruca.

O chão era recoberto com madeiras e jogado areia por cima pra poder corrigir as imperfeições. Tem uma cena do filme O Gladiador, que eu não sei se vocês lembram, que é quando eles colocam quatro tigres pra poder delimitar o espaço que eles podem lutar. A cena que eu falo está mais ou menos no minuto 1:38 do vídeo abaixo.

Depois de lá, pude visitar o lugar onde Mussolini costumava fazer os seus famosos discursos para o povo italiano.

Cara, olha a visão do povo que o cara tinha!! Diz aí!! Dá até vontade de ser um ditador saguinário só pra fazer discursos daí de cima, ou não?

Visto de outro ângulo

Teve também a Embaixada Brasileira em Roma que entre os seus momentos mais tristes abrigou Itamar Franco como embaixador.

O local onde Giordano Bruno foi queimado por, entre outras heresias, propôr que o universo era infinito e que havia outros sistemas solares espalhados pelo universo. Olha só que idiotice que ele falou! Claro que ninguém acredita nessas coisas hoje em dia. Achei foi pouco ele ter sido assassinado.

Outro lugar interessante que visitei, foi o lugar onde Júlio César foi assassinado. O nome do lugar? Claro, não podia ser outro. Largo Argentina! A história é feita pelos homens, mas no final sempre acaba sendo justa. O “Largo Argentina”, situa-se no antigo Teatro de Pompeu, onde Júlio César foi assassinado nas suas escadas.

Cara, mas uma coisa que me chamou a atenção mesmo, além do nome mais do que justo, foi a “gataiada” que tinha por lá. Rapaz, mas era gato pra todo lado, depois que eu fui descobrir que lá também funcionava meio que um “abrigo pra gatos” abandonados que existem pela cidade. Sim, como já falei, Roma parece uma cidade de um país subdesenvolvido como o Brasil, eles também tem esses tipo de problemas. Mas com a diferença que lá os gatos ficam abrigados em Largos milenares!

Itália e Vaticano

Cara, do trecho mais badalado por todos que vão fazer uma viagem pra Europa (França, Inglaterra, Itália, Portugal, Espanha, Holanda e Alemanha), a Itália era o único país que eu realmente fazia questão de viajar. A Alemanha eu nem estava planejando ir, acabei indo por acidente quando consegui uma carona pra Munique quando estava em Praga. Espanha e Portugal eu só fui mesmo porque já estava no trajeto que eu havia desenhado. Mas a Itália não! A Itália desde o começo estava nos meus planos de viagem e, além de Polônia, República Tcheca, Grécia (que infelizmente não deu pra eu ir) e Hungria, era um dos únicos países europeus que eu REALMENTE sonhava em ir desde que ainda fazia trajetos numa calculadora de milhas aqui no Brasil.Por quê? Bem, cara, porque o Império Romano e a Grécia Antiga são os pilares de toda a civilização e pensamento do Ocidente. Basta lembrar do Direito Romano (de onde se origina o nosso Direito); a influência de Sócrates, Platão, Aristóteles, Pitágoras, Arquimedes na filosofia ocidental e também na matemática; a democracia, que não existiria sem Clístenes e Sólon; a base da Igreja Apostólica Romana entre outros. Roma e Atenas são cidades que respiram história por todas as suas esquinas e becos. Infelizmente, como já falei, não deu pra ir à Grécia, mas felizmente pude visitar Roma, “a cidade eterna”, Veneza (que faz parte do imaginário de qualquer pessoa) e ainda deu pra dar uma passadinha marota em Florença.
Uma curiosidade que acabou ocorrendo comigo na Itália e que não ocorreu em nenhum outro país europeu enquanto viajava. A Itália foi o único país da Europa que pediram meu passaporte pra poder atravessar uma fronteira que teoricamente não existia (já que atravessava da Eslovênia que também faz parte da União Européia). Deixe eu explicar melhor. Pra quem não sabe, viajar dentro da União Européia é como viajar dentro do próprio Brasil. Mais ou menos, guardada as devidas proporções, como viajar do Maranhão pro Piauí. Não há posto de imigração, controle de fronteira, visto, nada disso! Você apenas vai viajando e, PIMBA, quando vê tá lá a placa dizendo “bem vindo” ao outro país. Todas as fronteiras que eu cruzei; Polônia-República Tcheca, República Tcheca-Alemanha; foram assim. A única que eu tive um certo tipo de problema foi quando eu viajava da Eslovênia pra Itália. Pô, peguei o trem noturno! Oito horas de viagem! O que eu pensei? Claro! Vou dormindo a viagem inteira. Quem disse? Deu umas três horas da manhã acordo com um cara me chacoalhando no trem. Quando eu já ia abrindo a boca pra xingar o figura que eu fui perceber que era um policial italiano. Ele começou a falar em italiano comigo, mas deu pra entender que ele pedia meu passaporte. Deu vontade de mandar ele cuidar da vida dele, já que ele não poderia fazer aquilo, mas acabei dando meu passaporte e perguntando o que estava acontecendo. Ele nem se deu ao trabalho de me responder. Apenas checou meu passaporte e me devolveu. Safado! Só pra ferrar meu sono.
Além de toda a sua história milenar, também queria viajar a Roma porque, sempre bom lembrar, lá há o menor país hoje em extensão: o Vaticano. Roma é quase uma figurinha premiada! Uma visita a Roma vale dois pontos no álbum de figurinhas da viagem! Dá pra visitar dois países (Itália e Vaticano) em um só dia, olha só!
Caso vocês estejam perdidos e não tenham se tocado, a sede da Igreja Católica é um país soberano. Como isso pôde acontecer? Bem, todos sabemos que a Igreja Católica sempre foi (e ainda é) uma das maiores instituições detentoras de terras do planeta. Durante vários anos, as terras próximas de Roma e a própria cidade foram governadas pelo Papa, que se comportava como um verdadeiro soberano destas terras. Isso durou até o século XIX, século da unificação da Itália. Durante o processo de unificação do território que hoje corresponde ao país, as tropas italianas foram conquistando e anexando as terras papais até o momento em que conseguiram entrar triunfantes em Roma e tomar controle da cidade. Como compensação pelas terras perdidas, os italianos ofereceram a área que hoje é o Vaticano para o estabelecimento de um país para a Igreja. O Papa logicamente não aceitou e se trancafiou no seu palácio alegando que estava sendo feito refém pelo poder laico. Essa confusão durou um bom tempo até que, vendo que não conseguiria muita coisa, o Papa resolveu aceitar os termos, assinando o tratado de Latrão com Benito Mussolini, e assim foi criado o menor país do mundo. Apesar de reconhecido por diversas nações como um país soberano, o Vaticano não possui direito de voto nas Nações Unidas. Motivo? A oposição dos países não-católicos que não o reconhecem como um país, mas apenas como a sede administrativa da Igreja Católica.
Trocando em miúdos, o Vaticano possui uma área de 0,44 quilômetros quadrados e uma população de 800 pessoas. Possui a menor taxa de natalidade do mundo (sacou a piada? Há há? Há há?). A Itália, por outro lado, possui uma população de 60 milhões de habitantes e uma das maiores economias do mundo, com destaque para os setores automobilístico (Ferrari, Fiat…), moda (Armani, Benneton…) e turismo (a Itália é hoje o quinto país mais visitado do mundo). Uma coisa engraçada da Itália é o grande contraste que existe lá dentro. Se vocês acham que o Nordeste brasileiro é muito diferente de São Paulo, é porque nunca ouviram falar do Norte e do Sul da Itália. O Norte da Itália é altamente industrializado, sede de suas maiores empresas e muito, mas MUITO rico. Já o sul, bem, o sul da Itália nada mais é do que um grande brasilzão. Pobre pra todo lado, essencialmente agrário e com muito, mas MUITOS problemas de máfia e corrupção (no ranking da ONG Transparência Internacional a Itália aparece como um dos países mais corruptos do mundo, apenas 10 posições acima do Brasil). Bom lembrar que todos os filmes de mafiosos são de famílias italianas, principalmente sicilianas e calabresas.
Cara, eu poderia ficar o tempo inteiro falando da Itália e do Vaticano e de suas diversas atrações, mas vou ficando por aqui. Quando eu começar a falar de cada cidade que visitei por esses locais vou falando com mais detalhes, acho que assim fica melhor.