O Levante do Gueto de Varsóvia e o Levante de Varsóvia

Nada de muito novo ocorreu depois que voltei, pela terceira vez, para Varsóvia. Reencontro com os velhos amigos, mais algumas idas ao café do Toni e algumas andanças pela cidade.
Acabei indo também ao fantástico museu do Levante de Varsóvia, um dos mais bem equipados e
interessantes museus que pude comparecer em toda a minha viagem. Tema que escreverei neste post porque acho que é uma história que nunca deve ser esquecida.
O que foi o Levante de Varsóvia? Bem, durante a Segunda Guerra Mundial, a Polônia acabou sendo atacada pelos dois lados e foi esmagada pelas duas maiores potências militares da época: A União Soviética e a Alemanha Nazista. É daí que vem a expressão “corredor polonês” que consiste em uma pessoa indefesa ter que sair correndo entre duas filas, recebendo ataque dos dois lados e levando porrada pra todo lado. Os poloneses na Segunda Guerra Mundial meio que se sentiram assim durante a invasão dos dois maiores exércitos assassinos da história, os nazistas e os stalinistas. O final já era esperado, em menos de três semanas o mundo estupefato assistia ao desaparecimento de um dos maiores países da Europa. Eu falo assim a galera parece que não se liga direito do que é você tomar um país do tamanho de São Paulo em apenas três semanas, mas só a título de comparação, os EUA levaram quase seis meses pra expulsar as tropas de Saddam Hussein do Kuwait durante a guerra do Golfo. Isso porque eles tinham uma coalização de 29 países (entre eles Inglaterra, França…) por detrás. SEIS MESES pra tomar de volta um país que se duvidar é menor do que o Estado de Alagoas.
Após esse verdadeiro massacre sofrido pelas tropas polonesas, os nazistas amontoaram judeus poloneses em guetos. Amontoar é mesmo o nome certo, já que quase 400.000 judeus poloneses foram transferidos pra um bairro da cidade de Varsóvia para morrerem lentamente de fome, frio e doenças. Mais uma vez, só para ilustrar, 30% da população foi transferida pra menos de 2,4% do território da cidade de Varsóvia. A ração a que cada judeu tinha direito dentro do gueto supria menos de 200 kcal diárias o que é menos do que 10% do necessário para o corpo humano se manter vivo. Para evitar fugas, os alemães ergueram verdadeiras muralhas ao redor do gueto, colocaram arame farpado e ostensiva vigilância o que tornava quase impossível escapar do gueto.
Desesperados, os judeus iam morrendo lentamente, mas sem nunca a população do gueto diminuir de forma drástica, já que judeus de todas as partes da Europa eram trazidos para o gueto o que sempre o tornava super-lotado. Depois de algum tempo morrendo como moscas eles perceberam que não teriam chances e que mais cedo ou mais tarde a morte seria o fim de todas as pessoas que estavam dentro daquele inferno. Então, já que iriam morrer mesmo eles pensaram: – Bem, até que não seria uma má ideia se ao invés de morrermos de fome, nós levássemos uns alemães com a gente. E dessa maneira, armados de tudo que eles poderiam carregar os judeus decidiram sair no pau no melhor estilo “o que é um peido pra quem já tá cagado? Bem, o resultado vocês podem imaginar o que foi, né? Imagine você armado com escorredor de macarrão, panela de barro e umas colheres de madeira lutando contra soldados com coletes a prova de bala e armas automáticas? O fim não deveria ser outro. Do lado dos alemães eles perderam menos de 50 soldados contra mais de 50.000 judeus que foram mortos ou transferidos pra campos de concentração. Bem, se você olhar pelo lado dos números, parece que não adiantou de nada, mas deixando a frieza da matemática de lado, imagine o simbolismo que o levante teve para os poloneses e para os judeus que pelo menos morreram lutando. Além disso, houve a tremenda dor de cabeça para os alemães de ter que retirar tropas do front para poder conter a revolta e, o mais importante, o aumento da moral dos poloneses e dos judeus em geral após isso.
Após a revolta do Gueto de Varsóvia, foi a vez dos poloneses realizarem um ainda mais brutal. Sabendo que o fim da guerra estava próximo e que as tropas russas estavam a alguns quilômetros das possessões da cidade, a resistência polonesa se empolgou e viu que aquela era a hora para poder dar o troco nos alemães. Mal-armados, mas com a moral elevada e esperando contar com o apoio do Exército Vermelho, os poloneses saíram metendo bala nos alemães que, apesar de bem armados, já se encontravam com a moral abalada.
Os alemães viram o inferno nascer do dia para a noite. Sem entender o que estava acontecendo e acostumados com a calmaria de apenas patrulhar uma cidade dominada e longe do front de guerra, os alemães se viram no meio de uma cilada. Homens, mulheres, velhos surgiam de todos os lados e de todos os buracos armados com submetralhadoras, granadas e o que mais haviam conseguido contrabandear. Os poloneses metiam bala do jeito que dava nos alemães como quem diziam: – Tá ruim agora? Espera só os nossos amigos soviéticos chegarem pra vocês verem o que é o pau comendo. E assim foi durante alguns dias enquanto cada vez mais as tropas soviéticas se aproximavam da cidade.
Até que a meros 10 quilômetros de Varsóvia, o Exército Vermelho simplesmente parou! Parou de marchar e ficou assistindo a desesperada revolta polonesa. Ninguém entendeu nada. Eles simplesmente pararam e não avançaram mais nenhum passo. Os poloneses se desesperaram. Percebendo que os soviéticos pareciam que não interviriam no levante, os alemães saíram da defensiva e desceram o cacete nos poloneses que não puderam fazer nada a não ser continuar sua desesperada guerrilha urbana contra os alemães. Como Direitos Humanos não eram lá a maior preocupação de Hitler, de Berlim veio a ordem de demolir cada centímetro de Varsóvia. Casa por casa, engenheiros alemães iam demolindo e tacando fogo com lança-chamas. Nos planos de Hitler, Varsóvia deveria simplesmente desaparecer, ornando-se apenas um entreposto militar ou, quem sabe, um lago. Estima-se que 85% da cidade viraram escombros, com especial atenção à destruição de monumentos históricos e de grande simbolismo para os poloneses, como tumbas de grandes heróis nacionais, o Parlamento Polonês, sua Biblioteca Nacional, seu Museu Nacional entre outros. Em 1945 não havia sequer uma ponte ainda de pé. Água corrente e eletricidade? Claro que não. Viver na cidade em 1945 era como viver em uma vila medieval na Alta Idade Média.
Depois que os alemães esmagaram a revolta e transformaram a cidade inteira em pó, o Exército Vermelho enfim marchou sobre Varsóvia e massacrou os alemães “libertando” assim a cidade. Só após alguns anos que se obteve conhecimento que a ordem para as tropas pararem de marchar e esperarem o fim do levante para só assim lutarem contra os alemães partiu diretamente de Stálin. Por quê? Bem, se o Exército Vermelho cooperasse com a revolta, eles teriam apenas um papel de coadjuvantes, algo como o papel que os americanos reservam aos franceses na sua luta da independência quando se não fossem pelos franceses, os EUA nunca teriam vencido a guerra contra os ingleses. Além de terem o papel de coadjuvantes, os poloneses sairiam mais fortes e dificilmente aceitariam ser um reles estado-satélite dos russos como foram de 1945 a 1991. Mesmo que os soviéticos quisessem impor um governo fantoche na Polônia eles teriam que enfrentar uma tropa polonesa bem armada e de moral elevada, esmagá-los e só assim colocar o fantoche que quisessem para governar a Polônia. Foi muito mais fácil deixar os alemães fazerem esse “serviço”. Fechou certinho: Os alemães mataram tudo o que havia de um remanescente exército polaco, os poloneses mataram uma pancada de alemães e pros russos sobrou só o serviço mais fácil que foi o de lutar contra os alemães que restaram e ainda saíram pagando de “libertadores” da Polônia.
Bem, o final todo mundo já conhece. A Polônia ao invés de conquistar a sua tão sonhada liberdade, amargou durante mais de cinquenta anos um dos mais sanguinários regimes da história da humanidade, que foi o comunismo russo. Tanto é que se você perguntar pra qualquer polonês há quantos anos faz que a Polônia é independente, ele vai responder:
– Há 18 anos. Estamos independentes desde 1991.

Contos poloneses finais…


Além da visita ao museu do Levante de Varsóvia, houve apenas mais um fato engraçado que eu acho que merece destaque.
Na Polônia, assim como diversos países da Europa, o sistema de ônibus funciona com validação de tíquete. É aquele negócio, você compra o tíquete, entra no busão e de alguma maneira você passa ele no leitor. No tíquete é impresso a hora que você entrou e você tem direito a mais duas horas de viagem.
Maquininha de validação

Se você não valida seu tíquete, corre o risco de ser PEGO e sofrer alguns percalços como aqui aqui e aqui. Bem, no começo, quando cheguei em Varsóvia, eu andava sem tíquete mesmo. Tava nem aí. Mas depois das duas experiências, República Tcheca e Lituânia, comecei a ficar mais preocupado e mais cauteloso: Comprava tíquete, mas não validava. Qualquer coisa, se alguém me pegasse, eu faria a pior cara de bobo que eu conseguisse, falaria que estava com o tíquete e que não entendia porque alguém estava me cobrando por ele. Bem, isso não funcionou em nenhuma das três outras situações pensadas, mas não custava nada tentar novamente, hehehe. Enfim, me informei antes e descobri que se eu não tivesse tíquete quando fosse pego, eu não poderia ser preso e não teria como eles me fazerem pagar, haja vista que precisava de um número lá que só tem quem mora na Polônia. Além disso, ao contrário de todos os países que já havia sido multado, todas as informações de como validar o tíquete se encontravam em polonês, não havia nada escrito em inglês, portanto eu poderia tentar argumentar isso pra me livrar. Apesar de tudo, eu ainda ficava com medo. Eu só pegava ônibus pra realizar rotas curtas (quando tava com preguiça de andar) e quandoe ia pegar rotas maiores, eu realmente comprava e validava o tíquete, ainda que de estudante. E foi indo assim por várias semanas.
Até que… Bem até que teve aquele dia que eu pensei: “Ah, quer saber, a rota é grande, mas eu não vou validar esse tíquete. Tou sem grana e em quase quatro semanas aqui na Polônia nunca nenhum fiscal me parou dentro do busão”. Pois é, é nesses momentos que a porca torce o rabo. Já tava feliz lá dentro do busão, indo me encontrar com uma galera quando um careca subiu. O cara trajava roupas normais e uma jaqueta. Ele veio, parou do lado de um cara atrás de mim, abriu a jaqueta e mostrou que era “do rapa”. Chega eu vi o crachá saindo de dentro da jaqueta. CORRAM PRAS MONTANHAS!!! Me desesperei: Eita diabo, o que é que eu vou fazer? Beleza, ele não teria como me cobrar, mas o meu nome ele ia anotar e de qualquer maneira eu ia ficar com o nome lá e, sei lá, acho que isso poderia me dar algum tipo de problema. Tentei disfarçadamente ir para a porta e descer na próxima parada. Deu certo, ele não viu eu indo pra porta. O problema era descer, já que estávamos numa das avenidas mais movimentadas de Varsóvia e as paradas de ônibus eram praticamente inexistentes. Pensei em pular pela janela, mas a 80 km/h isso não parece ser a melhor ideia.
Enfim, fiquei lá parado esperando desesperadamente o ônibus parar. Lógico que não deu certo e o carrasco me cutucou pelas costas e começou a pedir meu tíquete. Bem, hora de fazer o mesmo teatrinho de sempre. Cara de bobo, “não sei o que o senhor está falando” e aqui está meu tíquete. O cara me olhou com uma cara do tipo “Ôpa, pesquei um peixe grande”. Apontou a porta do busão e falou que era pra eu descer.
Descemos e ele começou a falar alguma coisa em polaco pra mim. Comecei a falar em inglês e o figura fez uma cara de quem não entendeu nada. Ele não falava inglês. Bingo! Começou a gesticular a falar tíquete, tíquete, tíquete! Mostrei pra ele o meu tíquete e fiz cara de quem não tava entendendo nada. Ele apontava no meu tíquete a parte que teoricamente deveria estar escrito que eu deveria ter validado. Eu ficava falando pra: Tá aqui meu tíquete, olha só, ele tá aqui. Ele começou a ficar desesperado e teve a brilhante idéia de ligar para um amigo pelo celular dele pra colocá-lo pra falar comigo. Ele tentou, tentou, mas nada de conseguir falar com esse cara. Ele me olhou por uns cinco minutos sem saber o que fazer. Me olhou. E só virou de costa E FOI EMBORA!!

Exemplo de uma fiscal do tíquete. Repare que ela traja roupas normais e uma jaqueta. A jaqueta é pra esconder o crachá.

AAAAAHHH!! Depois de três multas, enfim eu conseguira vencer o sistema! AAHHH!! Não fui multado!!! Peguei outro busão, logicamente sem tíquete e fui encontrar a galera. Depois desse problema que eu tive, comecei a ficar ainda mais cauteloso. Adotei uma estratégia que era praticamente impossível de sofrer problemas. Entrava no busão e comprava um tíquete da mão do motorista. Não validava e me sentava. Caso um fiscal aparecesse, eu irai argumentar que havia comprado o tíquete e que não sei porque estava errado. Caso ele não acreditasse, eu pediria que perguntasse ao motorista pra confirmar. Guardava o tíquete no bolso e o próximo busão eu validava o tíquete do busão passado. Dessa maneira, fazia duas viagens com apenas um tíquete, não era de graça, mas como eu usava um tíquete pra estudante por DUAS VEZES saía por um quarto do preço de uma passagem normal. Enfim, saí apenas mais algumas vezes com a galera e dias depois fui ao aeroporto pra poder pegar meu avião em direção a Istambul na Turquia!!

O Levante do Gueto de Varsóvia e o Levante de Varsóvia – Polônia

Nada de muito novo ocorreu depois que voltei, pela terceira vez, para Varsóvia. Reencontro com os velhos amigos, mais algumas idas ao café do Toni e algumas andanças pela cidade.
Acabei indo também ao fantástico museu do Levante de Varsóvia, um dos mais bem equipados e interessantes museus que pude comparecer em toda a minha viagem. Tema que escreverei neste post porque acho que é uma história que nunca deve ser esquecida.

O que foi o Levante de Varsóvia? Bem, durante a Segunda Guerra Mundial, a Polônia acabou sendo atacada pelos dois lados e foi esmagada pelas duas maiores potências militares da época: A União Soviética e a Alemanha Nazista. É daí que vem a expressão “corredor polonês” que consiste em uma pessoa indefesa ter que sair correndo entre duas filas, recebendo ataque dos dois lados e levando porrada pra todo lado. Os poloneses na Segunda Guerra Mundial meio que se sentiram assim durante a invasão dos dois maiores exércitos assassinos da história, os nazistas e os stalinistas. O final já era esperado, em menos de três semanas o mundo estupefato assistia ao desaparecimento de um dos maiores países da Europa. Eu falo assim a galera parece que não se liga direito do que é você tomar um país do tamanho de São Paulo em apenas três semanas, mas só a título de comparação, os EUA levaram quase seis meses pra expulsar as tropas de Saddam Hussein do Kuwait durante a guerra do Golfo. Isso porque eles tinham uma coalização de 29 países (entre eles Inglaterra, França…) por detrás. SEIS MESES pra tomar de volta um país que se duvidar é menor do que o Estado de Alagoas.

Após esse verdadeiro massacre sofrido pelas tropas polonesas, os nazistas amontoaram judeus poloneses em guetos. Amontoar é mesmo o nome certo, já que quase 400.000 judeus poloneses foram transferidos pra um bairro da cidade de Varsóvia para morrerem lentamente de fome, frio e doenças. Mais uma vez, só para ilustrar, 30% da população foi transferida pra menos de 2,4% do território da cidade de Varsóvia. A ração a que cada judeu tinha direito dentro do gueto supria menos de 200 kcal diárias o que é menos do que 10% do necessário para o corpo humano se manter vivo. Para evitar fugas, os alemães ergueram verdadeiras muralhas ao redor do gueto, colocaram arame farpado e ostensiva vigilância o que tornava quase impossível escapar do gueto.

Judeus tentando escapar do gueto
Desesperados, os judeus iam morrendo lentamente, mas sem nunca a população do gueto diminuir de forma drástica, já que judeus de todas as partes da Europa eram trazidos para o gueto o que sempre o tornava super-lotado.

Depois de algum tempo morrendo como moscas eles perceberam que não teriam chances e que mais cedo ou mais tarde a morte seria o fim de todas as pessoas que estavam dentro daquele inferno. Então, já que iriam morrer mesmo eles pensaram: – Bem, até que não seria uma má ideia se ao invés de morrermos de fome, nós levássemos uns alemães com a gente. E dessa maneira, armados de tudo que eles poderiam carregar os judeus decidiram sair no pau no melhor estilo “o que é um peido pra quem já tá cagado? Bem, o resultado vocês podem imaginar o que foi, né? Imagine você armado com escorredor de macarrão, panela de barro e umas colheres de madeira lutando contra soldados com coletes a prova de bala e armas automáticas? O fim não deveria ser outro. Do lado dos alemães eles perderam menos de 50 soldados contra mais de 50.000 judeus que foram mortos ou transferidos pra campos de concentração. Bem, se você olhar pelo lado dos números, parece que não adiantou de nada, mas deixando a frieza da matemática de lado, imagine o simbolismo que o levante teve para os poloneses e para os judeus que pelo menos morreram lutando. Além disso, houve a tremenda dor de cabeça para os alemães de ter que retirar tropas do front para poder conter a revolta e, o mais importante, o aumento da moral dos poloneses e dos judeus em geral após isso.

Castelo Real Polonês. Foi totalmente destruído após a Segunda Guerra Mundial e levou mais de vinte anos para ser reconstruído
Após a revolta do Gueto de Varsóvia, foi a vez dos poloneses realizarem um ainda mais brutal. Sabendo que o fim da guerra estava próximo e que as tropas russas estavam a alguns quilômetros das possessões da cidade, a resistência polonesa se empolgou e viu que aquela era a hora para poder dar o troco nos alemães. Mal-armados, mas com a moral elevada e esperando contar com o apoio do Exército Vermelho, os poloneses saíram metendo bala nos alemães que, apesar de bem armados, já se encontravam com a moral abalada.
Interior do museu
Os alemães viram o inferno nascer do dia para a noite. Sem entender o que estava acontecendo e acostumados com a calmaria de apenas patrulhar uma cidade dominada e longe do front de guerra, os alemães se viram no meio de uma cilada. Homens, mulheres, velhos surgiam de todos os lados e de todos os buracos armados com submetralhadoras, granadas e o que mais haviam conseguido contrabandear. Os poloneses metiam bala do jeito que dava nos alemães como quem diziam: – Tá ruim agora? Espera só os nossos amigos soviéticos chegarem pra vocês verem o que é o pau comendo. E assim foi durante alguns dias enquanto cada vez mais as tropas soviéticas se aproximavam da cidade.
Placas com nomes de pessoas mortas durante o Levante
Até que a meros 10 quilômetros de Varsóvia, o Exército Vermelho simplesmente parou! Parou de marchar e ficou assistindo a desesperada revolta polonesa. Ninguém entendeu nada. Eles simplesmente pararam e não avançaram mais nenhum passo. Os poloneses se desesperaram. Percebendo que os soviéticos pareciam que não interviriam no levante, os alemães saíram da defensiva e desceram o cacete nos poloneses que não puderam fazer nada a não ser continuar sua desesperada guerrilha urbana contra os alemães. Como Direitos Humanos não eram lá a maior preocupação de Hitler, de Berlim veio a ordem de demolir cada centímetro de Varsóvia. Casa por casa, engenheiros alemães iam demolindo e tacando fogo com lança-chamas. Nos planos de Hitler, Varsóvia deveria simplesmente desaparecer, ornando-se apenas um entreposto militar ou, quem sabe, um lago.
Esta imagem aqui não tem nada a ver com a história não. Só coloquei uma foto dos Lençóis
Maranhenses pra galera relaxar um pouco e sair desse tema de “Guerra, guerra, guerra” 🙂
Estima-se que 85% da cidade viraram escombros, com especial atenção à destruição de monumentos históricos e de grande simbolismo para os poloneses, como tumbas de grandes heróis nacionais, o Parlamento Polonês, sua Biblioteca Nacional, seu Museu Nacional entre outros. Em 1945 não havia sequer uma ponte ainda de pé. Água corrente e eletricidade? Claro que não. Viver na cidade em 1945 era como viver em uma vila medieval na Alta Idade Média.
Depois que os alemães esmagaram a revolta e transformaram a cidade inteira em pó, o Exército Vermelho enfim marchou sobre Varsóvia e massacrou os alemães “libertando” assim a cidade. Só após alguns anos que se obteve conhecimento que a ordem para as tropas pararem de marchar e esperarem o fim do levante para só assim lutarem contra os alemães partiu diretamente de Stálin. Por quê? Bem, se o Exército Vermelho cooperasse com a revolta, eles teriam apenas um papel de coadjuvantes, algo como o papel que os americanos reservam aos franceses na sua luta da independência quando se não fossem pelos franceses, os EUA nunca teriam vencido a guerra contra os ingleses. Além de terem o papel de coadjuvantes, os poloneses sairiam mais fortes e dificilmente aceitariam ser um reles estado-satélite dos russos como foram de 1945 a 1991. Mesmo que os soviéticos quisessem impor um governo fantoche na Polônia eles teriam que enfrentar uma tropa polonesa bem armada e de moral elevada, esmagá-los e só assim colocar o fantoche que quisessem para governar a Polônia. Foi muito mais fácil deixar os alemães fazerem esse “serviço”. Fechou certinho: Os alemães mataram tudo o que havia de um remanescente exército polaco, os poloneses mataram uma pancada de alemães e pros russos sobrou só o serviço mais fácil que foi o de lutar contra os alemães que restaram e ainda saíram pagando de “libertadores” da Polônia.
Relógio que Stálin deu “de presente” para os poloneses após “libertar” os poloneses. Ele seria algo como uma “Estátua da Liberdade russa”. Logicamente é um dos monumentos mais odiados pelos poloneses em geral.
Bem, o final todo mundo já conhece. A Polônia ao invés de conquistar a sua tão sonhada liberdade, amargou durante mais de cinquenta anos um dos mais sanguinários regimes da história da humanidade, que foi o comunismo russo. Tanto é que se você perguntar pra qualquer polonês há quantos anos faz que a Polônia é independente, ele vai responder:
– Há 18 anos. Estamos independentes desde 1991.
Figura pintada numa das paredes do museu
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Wroclaw



Wroclaw é a terceira maior cidade da Polônia e possui uma arquitetura e um clima singulares.

Como expliquei, fomos visitá-la porque estávamos a caminho da República Tcheca onde ocorreria o encontro do Couchsurfing.org e que estávamos doidos pra ir. Fomos hospedados por Tomasz, um polonês que estudava marketing na universidade local (Wroclaw é uma cidade com grande número de universidades).

Tomasz, nosso host em Wroclaw. Ele lembra um amigo nosso do Havaí, não?

O interessante acerca de Wroclaw é que ela detém uma história peculiar, bem ao estilo “cidade da Europa Central” com todo aquele “samba do criolo doido” que são aquelas cidades que ora pertencem a um país, ora a outro. A cidade já pertenceu aos arcaicos estados tchecos, austríacos, alemães (inclusive há grande número de pessoas provenientes da etnia germânica na cidade) e hoje, finalmente, ela faz parte da Polônia.

A cidade foi incorporada depois do impressionante “deslocamento de território” que a Polônia experimentou após a Segunda Guerra Mundial. Sim, cara, não tou brincando não! A Polônia foi MOVIDA após o fim da Segunda Guerra. Eu nunca tinha visto isso na história! Já vi países se formarem, serem extintos, se fundirem ou deixarem de existir, agora, um país se MOVER, foi a primeira vez que eu vi na vida. Pessoas mudam de casa, mas países é um pouquinho mais difícil…

Isso ocorreu porque após a guerra a Rússia anexou grande parte da região oriental da Polônia pra si e a Polônia, como não é besta, anexou parte da região oriental da Alemanha se “deslocando” alguns quilômetros pra direita assim como pode ser visto nas figuras abaixo.

Polônia antes da guerra.

Polônia após a guerra.

Territórios perdidos e conquistados pela Polônia após a guerra só pra vocês compararem. As áreas cinzas a Polônia perdeu da Rússia e as rosas os poloneses pegaram da Alemanha.

Wroclaw entrou nessa “movimentação”. Ela fazia parte da Alemanha e inclusive foi o berço de um dos maiores heróis alemães, Manfred von Richthofen, o lendário “Barão Vermelho” (favor não confundir com a lendária brasileira “Suzane von Richthofen”, que matava também, mas que, mais pragmática, matava com barras de ferros bem mais baratas e que exigiam bem menos perícia) e também de outro famoso alemão ganhador do prêmio Nobel de Física, Max Born.

Push me… and then just touch me… so i can get my… satisfaction

Não há muito do que eu falar acerca da minha estada em Wroclaw. Chegamos eu e Gosia pela tarde, nos encontramos com Tomasz, demos uma volta pela cidade e voltamos pra casa.

Tomasz e Gosia assim que chegamos à cidade

Em casa eu apenas preparei um macarrão, tomamos umas cervejas e fomos dormir. No outro dia acordamos cedo e fomos pedir carona em direção à Praga.

O único fato que merece destaque é que em todas as viagens que fiz com Gosia, Wroclaw foi o único lugar em que conseguimos dormir em uma cama de casal. Por todos os outros lugares dormimos apenas em sofás, colchões no chão, em cima de toalhas, no carpete etc. Pra falar a verdade, foi a primeira vez em que eu dormi em uma cama propriamente dita desde a minha hospedagem na casa de Avinash na Índia.

“Where is the Polish girl”? Onde está a Polonesa?

Já tinha até me esquecido como é que era dormir que nem gente. Vou te dizer que até achei estranho. Após um mês dormindo no chão, quando você dorme em cima de uma cama a mais ou menos 30 cm de altura parece até que você tá é flutuando…


Ah, zoa não, todo mundo tem uma foto dessas, fala aí!

Após a Letônia, era chegada a hora de voltar para Polônia…

Obs: Galera, desculpem pelo texto sem acentos, mas tou postando da biblioteca aqui da UnB e o pc ta sem, nao sei por que!! Mermao, voces nao imaginam a batalha que ta sendo pra poder postar. A internet ainda e’ lenta que so tartaruga. Desculpem pelas poucas fotos, mas a situacao aqui ta brava!

Juntei meus trapos, peguei o meu busao e mais uma vez estava de volta a terras polonesas. Nao digo que voltava para casa que estava porque foi um baile danado pra poder conseguir entrar no apartamento novamente. Cheguei na Polônia por volta de nove da manha, horario que minha host ja havia saído para o trabalho. Resultado? Claudiomar o dia inteiro do lado de fora de casa com uma chuva miserável ainda pra poder ajudar.

Enfim, pelo menos estava de volta a Polonia e sem saber o que me esperava em menos de um semana…

Pe na estrada novamente…

Situacao recorrente comigo na Polonia

Uma noite depois de eu ter voltado a Varsovia, ocorreu um encontro do couchsurfing. Uma galera compareceu e foi bem da hora. Gosia estava la e quando me viu ja foi me contando as novidades. Iria ocorrer, em uma semana, o encontro continental do Couchsurfing.org em Praga, capital da Republica Tcheca. Mais de trezentas pessoas de todos os lugares do planeta ja estavam confirmadas para esse encontro e, logicamente, nao iriamos ficar de fora.

A melhor parte nao era o encontro em si, mas sim como iriamos. Ganha um doce quem pensou que a gente ia chegar la de carona. Segue o dialogo:

  • Mas Gosia, como e’ que a gente vai, algum plano?

  • Uai, ja tenho tudo planejado. Vamos eu, voce, o Toni e a namorada dele. O Toni ta querendo ir no carro dele, mas eu estou o pressionando para que possamos ir de carona! Viajar de carro e’ muito chato!

Mermao, quando eu dizia que essa mina era doida de pedra, voces nao tinham nocao, ne? Brother, nao e’ que iriamos apenas de carona, mas a mina tava PRESSIONANDO um cara que queria ir de carro a deixar o carro em casa e ir de carona com a gente!! Mas enfim, a ideia de ter um indiano com um turbante na cabeca, pedindo carona no meio de uma auto-estrada era algo que me atraia. Imagina a presepada?

O plano era dividir em duas duplas: Eu e Gosia X Toni e sua namorada…

  • Cara, voce nao e’ muito certa mesmo, ne? Po, o cara quer ir de carro e voce nao deixa? Enfim, quantos km da daqui ate Praga?

  • Uns 600 km…

  • Ah, entao e’ perto, ne?

  • Perto, ce ta louco?? Voce sabe o que sao 600 km?? 600 km ja e’ outro pais!!! Outro pais!!! Isso porque a Polonia e’ um dos maiores paises da Europa!

  • Uai, de onde eu venho e’ so outro estado. E mesmo assim quando voce cruza a fronteira dos dois, ganha como um brinde um passeio por Teresina. E’ por essas e outras que longe pra mim comeca com 1200 km, que era a distancia que dava entre a minha casa e a casa do meu avo na Paraiba… Isso porque o meu estado e’ apenas o sexto maior do Brasil…

No final acabou que o Toni desistiu de ir, ficando so eu e Gosia para enfrentarmos 600 km de estrada e, ainda por cima, pedindo carona! Combinamos certinho e menos de uma semana depois marcamos de, mais uma vez, nos encontrarmos na saida da cidade para poder seguirmos caminho, mais uma vez mais uma louca semana estava apenas por comecar. “Vida louca, vida, vida breve, ja que eu nao posso te levar, quero que voce me leve…”

O plano

Wroclaw, Polonia

Acabamos nao chegando a um consenso, eu e Gosia, se 600 km era perto ou longe, mas uma coisa foi consensual, 600 km e’ uma distancia um tanto quanto grande para poder fazer em apenas um dia de carona. Como nao estavamos desesperados pra chegar e queriamos apenas curtir a viagem, Gosia resolveu repartir a viagem em duas. Iriamos parar numa cidade no meio do caminho: Wroclaw (pronuncia-se Vrotisuavi. Bem parecido com a escrita, ne? Pois e! Demorou uma semana pra eu poder conseguir falar o nome certo, juro!), terceira maior cidade da Polonia e centro de uma das maiores universidades. Dormiriamos la na casa de um couchsurfer que ela ja havia arrumado pra poder hospedar a gente e, no dia seguinte, seguiriamos caminho para Praga. Plano perfeito, pois seguiriamos de carona, nao precisariamos sair numa jornada exaustiva, conheceriamos uns couchsurfers novos e, de quebra, eu ainda conheceria uma outra cidade polonesa, a quarta ja no repertorio!

Wroclaw, Polonia

Quatro dias depois, como combinado, mochilas nas costas, encontro na estacao de trem e pe na estrada em direcao a uma viagem que eu nao sabia quantas surpresas me aguardavam…

Pelas quebradas da Polônia

Antes de começar a escrever acerca da minha viagem posterior à Lituânia, decidi que seria importante escrever sobre alguns figuras que conheci pela Polônia e que marcaram a minha passada por Varsóvia. Além dos já citados Mário e Gosia, acho que tem duas pessoas que preciso escrever sobre.

Reinaldo

Reinaldo foi um brasileiro do Couchsurfing.org que conheci pouco depois de ter chegado a Varsóvia. Ele é oficial de chancelaria, trabalhava na embaixada brasileira na Polônia e foi lotado em Varsóvia assim que eu cheguei por lá.

Antes de eu viajar, nos cruzamos algumas vezes aqui por Brasília em encontros do Couchsurfing.org, mas não chegamos a ser amigos como fomos pela Polônia. O bicho era o meu companheiro inseparável de presepadas, saídas e pau pra toda obra! O que eu achava mais engraçado no figura era que com que ele não tinha meia-hora, era dar um toque no celular dele, chamar pra ir pra um lugar que na mesma hora o cara tava lá, nem perguntava quem ia ou algo do tipo.

Me salvou de várias, como as diversas vezes em que a Karol me trancou do lado de fora da casa e eu ia acabar dormindo no apartamento dele. Ou então quando deixei algumas coisas na Polônia pra buscar depois e não tive como voltar. Acabou que o Reinaldo trouxe algumas das minhas mochilas, mas essa história eu vou contar detalhadamente quando estiver escrevendo sobre a Espanha!

Reinaldo também foi responsável por eu não desaprender a falar português, haja vista que foi o primeiro brother que fiz depois que saí dos Estados Unidos…

Toni Walia

Outro grande, mas GRANDE figura que conheci pela Polônia chamava-se Toni Walia! Toni Walia tinha cara de indiano, nasceu Cingapura, mas parecia mais um sheik do Oriente Médio. Era um Sikh, religião que vou explicar um pouco mais posteriormente quando voltar a escrever sobre o Norte da Índia. Como o próprio estereótipo dos Sikhs já pregava, o cara era gente boa DEMAIS!!

O conheci quando ainda viajava pela Índia em um encontro do Couchsurfing.org em Deli quando nos reunimos para almoçar. Ficamos amigos e combinamos de nos encontrar em Varsóvia quando eu disse que ia viajar para lá posteriormente.

Ao chegar a Varsóvia, descobri que o cara era um dos mais importantes militantes do Couchsurfing.org em caráter mundial e também o segundo maior colaborador do Hospitality Club (o primeiro programa de intercâmbio de hospedagens do mundo que depois foi copiado pelo Couchsurfing.org). Ele tinha um restaurante indiano onde por várias vezes nos encontrávamos antes de sair para as baladas na Polônia.



Galera no restaurante de Toni Walia antes de ir para balada…



Era engraçado demais sair com aquele cara. Imagina aquela cena, você tá numa balada, cercado de polacas fogosas por todos os cantos e, de repente, surge um cara barbudo, com cara de indiano e com um turbante IMENSO na cabeça! Parece até que saído de um filme iraniano ou coisa parecida. Era muito engraçado como ele contrastava com as outras pessoas! Além de tudo ele não bebia nada! Ia pra balada e só tomava suco de laranja.

Toni Walia e Gosia



Das várias histórias que ele contava, uma das que eu mais ri foi quando ele contou a história de uma referência negativa que uma menina deixara para um cara que ela hospedara alguns dias atrás.

Tecla PAUSE

Pra quem não tá muito ligado o que são referências do Couchsurfing.org, elas são um dos pilares do programa e também um dos mais importantes aliados na segurança do site. Como funciona? Eu fico hospedado na sua casa, quando vou embora, deixo uma referência pra você: Fulano foi gente boa, me hospedou na casa dele, é um cara gente boa e blá blá blá. Fulano que me hospedou também deixa uma pra mim: Claudiomar é um cara legal, ficou aqui na minha casa, não fez nada de errado e blá blá blá… Mais ou menos no esquema daquele site da internet “Mercado Livre”. Quanto mais referências você tem, mais você é confiável e mais fácil é para conseguir ser hospedado.

Tecla PLAY

Ele falou que tava dando uma passeada pelos perfis da galera de Varsóvia quando se deparou com uma referência negativa no perfil de uma menina. Como referências negativas são difíceis de ocorrer, ele resolveu dar uma parada pra ler. Quando ele viu a referência que a menina deixou pro cara, ele quase não acreditou. Diz ele que a referência dizia assim:

He is a good guy. I got him in the airport and we came to my home. We made sex. I’m leaving him a negative reference because he woke me up to early!

Traduzindo: – Ele é um cara legal. Eu o busquei no aeroporto e viemos para minha casa. Nós transamos. Eu estou deixando uma referência negativa apenas porque ele me acordou muito cedo!!!

Toni Walia, Kirin Bhala (outro Sikh gente boa demais), Reinaldo e mais alguns amigos na balada em Varsóvia…



Mermão!! Diga aí!! Eu ri demais quando ouvi essa história!! É ter noção demais das coisas, né? A mina não só deixa no perfil dela que ela transou com o cara como ainda por cima deixou uma referência negativa por que o cara:

1 – Envenenou o cachorro dela?

2 – Pegou o namorado dela?

3 – Urinou o sanitário inteiro quando ia ao banheiro?

4 – Esquartejou seus familiares?

5 – Não baixou a tampa do vaso quando usou o banheiro (nossa, essa é a mais grave de todas, diga aí, meninas?)

Não, que nada, tudo isso são banalidades. O que pega mesmo é criar um ódio MORTAL de um cara porque ele comete a audácia de ACORDÁ-LA MUITO CEDO. Engraçado demais… Isso claro, com TODAS as pessoas do Couchsurfing.org tendo acesso e podendo ler. Noção é para os fracos.

Se na minha primeira semana eu não sabia como a minha noite ia começar, só sabia como ela ia terminar, nas outras foi o contrário: Não sabíamos como a nossa noite ia terminar, mas sabíamos que ela iria começar com toda a galera do Couchsurfing.org se encontrando no restaurante do Toni Walia e depois caindo pra esbórnia.



Geral em outro dia no restaurante do Toni antes de ir pra balada…



Bons tempos…

E tudo continuará pior


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Eu, Mário e algumas das polonesas que estavam com a gente…
Só sei que depois dessa nossa primeira balada, já eram rodados quatro horas da manhã na fria Varsóvia e nós sem a mínima vontade de ir para casa. Começamos a andar pra cima e pra baixo procurando algum outro local onde pudéssemos ir. Procuramos, procuramos e nada de conseguirmos achar algum lugar que estivesse aberto. Depois de muito refletirmos sobre o único lugar que a uma hora daquelas nos “acolheria” alguém veio com uma ideia fenomenal:
– Rapaz, eu sei de um lugar que uma hora dessas tá aberto. Eu só não sei se as meninas vão se sentir muito a vontade…
Hum… lugar… final de balada… aberto numa quarta-feira de madrugada… Que lugar seria? Um shopping? Um barzinho mais underground? Uma balada que ficava até mais tarde? Não, não eram nenhum daqueles. Aquilo parecia que não iria acabar tão bem… Enfim, depois de alguns minutos tentando descobrir o local onde queriam nos levar, resolvi perguntar pro figura pra ter certeza que, por mais que eu temesse, fosse o que eu estava pensando.
Uma bandeira brasileira jazia no topo de uma das baladas que fomos…

Sim, era mesmo o que eu e você estávamos pensando! Um local, como dizia um amigo meu, “repleto de mulher e cerveja”. Ou, pra ficar melhor, uma música dos Velhas Virgens:
“A noite é boa é sexta-feira
Mas hoje eu não vou dançar
Não vou atrás das dondoquinhas, tão bonitinhas, mas frescas de mais
Muito contato e pouco papo, eu to afim de muita ação.
Eu quero beijos,beijos de corpo
Eu tenho grana bebida e tesão
Nós tamos indo pra zona
Nós tamos no maior porre
Antes do dia clarear esta cidade vai pegar fogo!”


Sim, era isso mesmo! Pro mais íntimos, um inferninho. De início eu não empolguei muito com a ideia não. Não por que eu não goste de polacas fogosas ou algo assim, mas sim porque não sou muito fã deste tipo de ambiente e a experiência, digamos, desagradável, da Tailândia ainda estava na minha cabeça…(link da história aqui)
Mas enfim, depois de um tempo vendo que não tínhamos uma ideia melhor, essa seria a menos pior. Faltava só a gente convencer as meninas. Logicamente eu não faria esse servicinho sujo. Eu fiquei até imaginando a situação, eu chegando pra mina assim do nada e falando pra ela:
– Então, achamos um lugar massa pra irmos. O único problema é que lá a maioria das garçonetes costumam, digamos, ficar sem as roupas…
Er… Não, definitivamente não era pra mim. Acabamos, por consenso, delegando tal tarefa para o Mário, que, dentre outros motivos, parecia ser o mais sem-vergonha de todos nós. O figura aceitou de prontidão e até se empolgou! Partiu para o ataque como quem sente cheiro de gol!!
As meninas tavam sentadas no carro enquanto a gente conversava isso tudo. Depois de delegarmos a função para o Mário, o figura só foi lá, mandou um papo de dez minutos e voltou. E blá blá blá daqui, blá blá blá de lá e a gente só observando ele tentando convencer as polacas. Cara, eu te juro que eu não sei o que aconteceu, só sei que, não é que deu certo, deu MUITO certo!! Cara, as minas ficaram empolgadas DEMAIS. Ixi, mas elas ficaram logo foi loucas pra ir pra parada!! Eu juro que eu não sei o que esse cara falou pra elas, mas as minas ficaram mais na pilha de ir à parada do que a gente!! Eu fiquei até espantado com o poder de persuasão do menino!! Crise nuclear na Coréia do Norte que nada!! Manda o Mário pra lá que ele resolve!! Eu hein…
Entramos num carro e perguntamos onde poderíamos achar um lugar daqueles. ELAS falaram que conheciam um local e que iam nos levar lá (quando eu disse que as minas piraram, eu falava sério). Chegamos ao local e realmente era o que procurávamos. Uma entrada discreta, coberta por um toldo e com algumas luzes vermelhas iluminando… Começamos a conversar com o segurança, em inglês, quanto era pra gente poder entrar. O cara falou que o preço do ambiente era 40 dólares por cabeça. Éguas! Caro demais! Segue o diálogo:
– Quarenta conto, cara?? Isso tá muito caro!!
– Desculpe, mas é o preço…
– Tá, é quarenta pra homem e quanto é o preço pra mulher?
– Ãhn? Como assim o preço pra mulher??
– Sim, mulher é metade do preço, né?
– O que o quer dizer com isso, senhor?
– Peraí…
Chamamos as minas e elas vieram do carro e começaram a falar em polonês com o segurança! Hahaha, tinha que ver a cara do segurança se perguntando algo do tipo: Diaboéisso? Enfim, elas ficaram lá barganhando e a gente só esperando ver o que saía. Cara, vocês tão pensando o mesmo que eu? Hehehehe. Sério, eu não sei o que o mexicano falou pras polonesas, mas o cara deve ter lubridiado e atiçando a curiosidade delas muito bem, porque, caraca, ele não só convenceu as minas, como ainda por cima elas foram BARGANHAR pra gente!!! Hahahaa…
Só sei que depois de uns vinte minutos, o local já tava fechando e nada do figura querer deixar a gente entrar. Ele ainda baixou o preço pra dez dólares pras minas e vinte pra gente, mas, cá entre nós, eu não ia pagar cinqüenta reais pra entrar num lugar desses, né brother? Na Tailândia eu paguei 15 dólares e ainda vi Ping-Pong (link da história aqui)!
Cheguei em casa seis horas da manhã, isso numa quarta feira. Quando foi no outro dia, mesma loucura, mesmo fim de noite, mesma barganha… Fomos indo nessa até o domingo quando o cara foi embora. Loucura demais…
Esses foram os meus primeiros dias (ou noites) em Vasórvia. Eu não sabia como eles começavam, mas sabia como eles iam terminar: – Polonesas barganhando pra entrarmos em diversos “conventos” por Vasórvia…

Bombardeio polaco!

Assim que cheguei a Varsóvia depois da viagem com Gosia, voltei para casa para poder tomar banho, trocar de roupa etc. e tentar descansar um pouco.

Missão impossível!

No caminho de casa, parei numa lan house pra acessar internet e ver o que estava acontecendo de bom em Varsóvia e para poder me interar do que poderia ocorrer pela noite. Ninguém parecia que ia sair.

Tudo bem que era uma noite de terça-feira, mas isso não é motivo pra desperdiçar uma noite de terça-feira em casa. Numa esperança vã de que algo pudesse ocorrer, deixei o meu telefone na comunidade do Couchsurfing de Varsóvia e disse que se caso alguém quisesse sair que era só me dar um toque.

Voltei para casa já sem esperanças alguma de que algo de bom fosse ocorrer e me conformando com meu destino de definhar sozinho em casa, numa terça a noite sozinha e melancólica em Varsóvia. Nem Casseta & Planeta passava na televisão de lá às terças-feiras, acredita? Quando estava no banho, meu celular recebeu uma mensagem. Fui checar pra ver quem era e qual não foi a minha surpresa ao perceber que era alguém me chamando pra sair. O figura se identificava como Mário (que Mário? Os menos cautelosos perguntariam) e dizia que procurava alguém pela noite de Varsóvia para poder pirar! Senha perfeita para me fazer sair correndo de casa e me tocar na noite! Já diria o Silvio Santos: “Certa Resposta”.

Liguei para um brasileiro que havia conhecido por lá e fomos.

Assim que chegamos, procuramos pelo Mário e já encontramos o cara amaciando um polaquinha. “Cabra safado” – pensei! O bicho era figura demais, nos falou que ia ficar umas três noites em Varsóvia e ficamos logo amigos. Depois de algum tempo conversando com ele, descobrimos que aquela mina que ele tava arroxando nada mais era que a pessoa que o hospedava em Varsóvia e que eles haviam se conhecido a menos de duas horas. Viva a Polônia e a integração “Latinos-Leste Europeu”.

A balada era tão louca que só pra vocês terem uma ideia do que eu tou falando, deu só uns dez minutos que estávamos na balada e uma mina veio APAVORANDO pra cima do outro brasileiro!!! Literalmente jogou o cara na parede e começou a abusar do pobre menino indefeso!! Sem falar nada!! Sem perguntar nada!! Assim, quase como um estupro! A diferença é que era um estupro levado a cabo por uma polaca fogosa! O menino levou uns cinco segundos pra realmente entender o que estava acontecendo e quase ficou gritando socorro!! Depois se acostumou com a ideia e acho que acabou gostando. O único problema era que a mina, apesar de olhos azuis e cabelos castanhos, devia pesar uns 90 quilos. Mas enfim, importante é a pontuação!

Enquanto essa mina arroxava o cara e o Mário a sua host, eu, sem ter muito o que fazer, fui pegar uma cerveja e meio que me “ambientar” na balada (pô, brother, eu não tava acostumado com essas coisas. Tudo isso tinha acontecido em menos de quinze minutos!). O brasileiro depois de um tempo, despachou a mamute lá e ficamos conversando por um momento. Do nada uma outra mina parou e ficou nos encarando. Eu, sem entender nada fiquei observando. Ela olhou, olhou, depois de uns dois minutos veio falando em portunhol com a gente: “Ei, vocês são brasileiros? Eu adoro o Brasil, viajei a América do Sul inteira e pá pá pá…”, resumindo, pagando um pau absurdo pra gente!! Eita, vumbora! Enquanto ela conversava com a gente, veio uma amiga dela mais bonitinha ainda e começou a conversar. Puxei a mina pra dançar (só um detalhe, a balada tocava salsa. Se eu sei dançar salsa? Ah, brother! Aprendi pela estrada… Papagaio que anda com pato ou aprende a nadar ou morre afogado) e quando parecia que tudo ia dar certo, o celular da amiga dela tocou e elas disseram que tinham que ir embora… Mermão, e toda essa epopéia tinha acontecido em menos de quarenta e cinco minutos!! A primeira balada que saía a noite na Polônia e tudo acontecia assim, meio que atropeladamente.

Estou escrevendo isso pra vocês não é pra ficar tirando onda ou algo parecido, mas só pra ambientá-los um pouco mais nessa loucura que foram esses dias em que fiquei em Varsóvia e dar a entender por que gostei tanto desse país encravado no meio da Europa. Esse início só não foi melhor do meu começo na Austrália. Outras baladas como essa ocorreram, mas não vou entrar em muitos detalhes sobre elas, até porque acho que ficaria muito maçante.

Mas Claudio? Você postou toda essa história pra contar de umas minas que atacaram vocês em Varsóvia? – você deve estar se perguntando

Claro que não, amigo!! Não acabou ainda, depois de sair da balada que foi a melhor parte… Mas isso é assunto pro próximo post…

A batalha final!

Gente, esse post aqui é a continuação do post “Tira Teima” que postei abaixo. Se você não leu o post “Tira Teima” antes, leia e só após isso venhar ler esse post aqui, pois senão este post ficará totalmente sem sentido, já que é o final do post “Tira Teima”.
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E a história continua…
Galera, antes de comentar como foi que a história acabou vou postar outro acontecimento deveras engraçado e que eu acabei esquecendo de colocar no post passado.
Assim que saímos da cachoeira, como falei no post passado, seguimos em direção as Três Irmãs, as formações rochosas mais famosas da Blue Mountains. Fomos seguindo a trilha que levava até ao elevador que subia às Três Irmãs. Ao chegarmos à zona do elevador, a grande surpresa. Encontramos uma placa de informação que explicava como funcionava o elevador que nos levaria. A placa dizia que daquele local até o elevador seriam mais ou menos 15 minutos de caminhada e o último subiria exatamente às 16h50min. Como já eram rodados 16h46min da tarde, não nos restou outra alternativa a não ser subir 900 DEGRAUS a pé!
Beleza, pra gente tudo era festa!! Tirando o fato, claro, que eu tinha uma mochila com uns 10 quilos nas costas! Enfim, fomos subindo, subindo, subindo! Quando achávamos que havíamos chegado ao final da parada nos deparamos com uma singela placa onde estava escrito “half way” (metade do caminho). Como não dava mais pra desistir (não precisa explicar por que, né parceiro?), resolvemos continuar subindo, pelo menos a vista compensou.
No final, vocês já sabem como ocorreu, fomos para as Três Irmãs, batemos algumas fotos e seguimos para a barraca.
 
Maranhense Copérnico
 
Era chegada a hora, cara!! O pau ia comer!! A cobra ia fumar!! O bicho ia pegar!! Ou dá ou desce!! Era chegada a hora que todos estavam esperando!! Era chegada a hora do tira-teima!!
Voltamos para o camping, tomamos nossas cervejas sentados na grama e olhando pras estrelas. Eu a coloquei no colo e comecei a acariciar o seu cabelo enquanto a mostrava as estrelas:
– Tá vendo aquelas estrelas ali? Ali é o Cruzeiro do Sul! A constelação símbolo do nosso país!
– Nossa, que legal!
– Aquela outra ali? Tá vendo?? Aquelas são as “Três Marias”, uma constelação que só aparece no hemisfério sul e que dizem ser uma homenagem aos três reis-magos que presentearam Cristo quando ele nasceu na manjedoura.
– Nossa, Claudio, você é tão inteligente! Conta mais das constelações pra mim, por favor!!
– Mais?? Er.. Hum… Peraí… Ta vendo aquela lá atrás?? Mas lá atrás mesmo?? Lá no final?? Tá vendo que aquilo parece um rabo de escorpião? Então, aquela ali é a constelação de Escorpião.
– Onde? Não tou conseguindo ver…
– Ali, lá atrás!! Olha!!
– Ainda não tou conseguindo enxergar.
– Esquece. Olha aquela outra ali! Lá atrás!! Tá vendo como parece um arco e uma flecha? Então, aquela é a de Sagitário! Olha ali, como parece o pé do centauro.
– Onde?? Nossa, tou vendo!! É mesmo!! Nossa Claudio, mas você é tão inteligente!!
– Jura que você consegue ver mesmo!?!?! Er… Quer dizer… A gente aprende muitas coisas no Brasil!
– Nossa, um dia quero ir lá visitá-los. Conta mais constelações pra mim então…
– Então, aquela ali é…
E assim foi indo, eu criando aquele clima e mostrando as constelações pra ela. Eu tenho certeza que até agora você deve estar se perguntando: – “Nossa, mas como um cara que estudou Relações Internacionais pode saber tanto de Astrologia? Será se ele além de ser muito bonito é um cara deveras inteligente? Eu não ficaria surpreso, já que ele é maranhense e os maranhenses são fodas…”
O que uma parte da galera já deve ter sacado é: Eu não sei BULHUFAS de estrelas, constelações ou algo do tipo. Eu só tava era “dando um agá” na mina e querendo manter um climinha pra depois carregar pra dentro da barraca. Fica a dica pros brothers aí que leem o blog. Quer catar uma mina? Aponte pra qualquer lugar no céu e diga qualquer constelação que vier à cabeça. É só lembrar dos Cavaleiros do Zodíaco… Pode ter certeza que vai criar um clima massa e você ainda sai ganhando uns pontos…
Ainda bem que eu não apliquei essa na Taíze, porque senão… Já viu… Ela ia ler aqui e ver que tudo não passou de uma armação… Hahahah
 
Hora do abate
 
Depois de “amaciar” a presa, resolvi a chamarela pra dentro da barraca. A chamei pra dentro da barraca e fomos nos arrumando pra dormir. Nessa hora começou a chuviscar um pouquinho e a fazer um friozinho muito bom pra ficar abraçadinho. Cara, muito louco!! A gente lá dentro e aquele clima perfeito pra tudo rolar! Só nós dois, só a nossa barraca no camping inteiro e aquele barulhinho de chuvisco caindo no teto da barraca!! PERFEITO!!
Ela se deitou ao meu lado e eu comecei a fazer cafuné naqueles cabelos loiros angelicais dela. Comecei a conversar:
– Como se fala em inglês isso aqui que eu tou fazendo no seu cabelo (o inglês dela era bem melhor que o meu e eu geralmente perguntava coisas assim pra ela)?
– Pô, não sei. Não lembro ao certo…
– Ah só… E como é em polonês?
– Ah, em polonês a gente fala “guarscard” (não sei como se escreve, mas a pronúncia era assim).
– E você, Karol… Gosta de “guarscard”?
– Nossa, mas eu adoro!! Ainda mais depois de tanto tempo sem ter ninguém pra poder fazer isso pra mim!!!
PPPPPÉÉÉÉÉÉIIINNNN!! Ãhn?? Sabe aquela hora que você trava?? Aquela hora que aparece a telinha azul do Windows? Foi como eu fiquei!! Ãhn?? Faz tempo que não recebe!! Como assim?? Era a hora certa!! A mina deu a deixa!! Ah é?? Pois agora você vai ver!! “Meu nome é Ronaldão, sou garanhão, vim do Maranhão, caiu na minha boléia não tem perdão!!”. Vou dar uma de Mestre Bimba e vou com Capoeira e tudo pra cima da menina!! “Go GO fight now!!.
E aí?? O que rolou?? O que você acha?? Catei?? Cangurus no cio entraram e me estupraram insaciavelmente? Aborígenes traçaram o maranhensezinho?? A mina era lésbica?? Faltou camisinha?? (Todos esses finais foram sugeridos por pessoas há uns dias atrás).
Não, infelizmente (ou felizmente tratando-se do canguru) a mina simplesmente virou pra mim e perguntou:
– O que diabos você pensa que está fazendo??
– Eu?? Er.. Hum… Ahh… Veja bem… Eu estava era… Era… Rapaz… É que… É que… Sabe como são as coisas… Então…
– Seja lá o que for, vire pro seu lado da barraca que eu estou virado para o meu.
– Er… Hum… Tem certeza?
– Sim, por um acaso você tá pirando?? Tá ficando louco é?? Você não é meu amigo??
– Er.. sabe… Então.. É que… Sabe como é… É que a globalização, o aquecimento global, a gripe aviária e… Sabe como é…
– FODA-SE!! Vira pro seu lado e não me enche o saco!!!
:o(((((((((((((
Sim… Simples assim, brother!! A mina simplesmente me relaxou nas toras e me mandou sentar num balde de gelo! Simples como um balde de água fria em cima do pobre maranhense.
O que eu fiz depois?? Rapaz, depois que a mulher começou a rosnar, eu pensei que o melhor a se fazer era ir pro meu cantinho e ficar quieto. Quem sabe se ela não tinha um gás paralisante por lá…
 
E o dia amanhece
 
Quando amanheceu, eu acordei mais murcho que alface no fundo da geladeira. Triste que só um botafoguense depois do tri-campeonato do Flamengo. Mas enfim, não havia o que ser feito…
Depois que levantei, tomei meu banho e fui escovar meus dentes. Karol veio conversar comigo algo que eu nunca esqueci e que me ajudou bastante nas minhas viagens posteriores pela Europa. Ela já tinha tido o mesmo problema com outro brasileiro que era conheceu pela Austrália. O cara era brother nosso, não tinha onde dormir e ela convidou o cara pra dormir com ela. Na hora que o cara chegou à casa dela, ele perguntou onde iria dormir. Ela falou que ele ia dormir na cama de casal junto com ela. O que o cara pensou na hora?? Hora claro, o mesmo que eu, brother!! Deu uma de Mestre Bimba e caiu com Capoeira e tudo pra cima dela!! Só que, ao contrário de mim, ele foi, er, assim, “apalpando mais calorosamente”. A mina bem que tentou titubear como foi comigo, mas segundo ela o cara foi bem mais, digamos, “insistente”. Ela só faltou ter que enfiar a mão na cara dele e no final o figura acabou tendo que dormir no carpete da casa dela.
Por que ela conversava aquilo comigo? Na verdade eu vi que ela meio que queria pedir desculpa por não ter deixado BEM CLARO que ela não tinha outra intenção a não ser apenas viajar junto comigo, já que me achava um cara muito legal, gente boa e inteligente (inclusive ela foi deixando isso bem claro o tempo todo durante a viagem, como já deixei claro no post, mas como eu tava com “maldade no olhar” eu achava que ela tava me dando era mole) e nada mais. Até porque ela tava com um casinho meio sério em Sydney que eu não sabia. Ela sabia que para gente do Brasil o fato de você chamar alguém, que não seja muito próximo e do sexo oposto, pra dormir no mesmo local que você, na mesma cama, significa que você está dando um mole absurdo para outra pessoa e por isso ela devia ter me avisado.
Eu expliquei o meu lado pra ela e confirmei que realmente pra um homem isso ocorre freqüentemente e pedi desculpas por ter confundido as coisas. Depois ficamos super de boa e nem ficou um clima ruim entre a gente. Continuamos sendo amigos próximos e ela até chegou a me visitar em Brasília. Conheceu a Taíze, ficou amiga pacas dela e dormiu lá em casa quase uma semana sem rolar nada. Depois voltei a casa dela na Polônia, conheci o seu namorado e fiquei o mês inteiro na casa da mina.
Pingo nos “is”
Hoje damos risada dessa história, ela toda vez fica tirando onda com o fato de eu ter engatado no pescoço dela.
Mas então, por que então eu contei essas duas histórias das polonesas?? Pra dizer que eu não pego ninguém ou algo do tipo??
Uai, escrevi pra deixar a galera mais a par de como é a cultura dos caras. Como as minas lá são liberais pra caramba!! Ao mesmo tempo em que você pode pegar uma guria na balada e no mesmo dia levar pra dormir na sua casa (dessa vez com a maldade no olhar), você pode receber um convite pra dormir na mesma cama da mina e não rolar nada. Coloquei a história da Gosia e emendei a história da Karol logo depois, duas polonesas que eu dormi junto numa mesma barraca, de propósito pra deixar a galera na pilha! Utilizei até algumas palavras chulas, apesar de em momento algum ter o intuito de denegrir ambas até por que elas são pessoas por quem nutro muito carinho. Se utilizei tais palavras, o fiz pra criar uma expectativa, curiosidade, um suspense e deixar a galera mais curiosa. Quase uma licença poética. Criei uma grande expectativa, deixei vocês curiosos acerca de como seria o grande finale pra depois soltar um final totalmente diferente, apesar de muito provável (pô, gente, pra virar história de blog tem que dar errado como já deixei claro várias vezes…). Aquela foto em que aparecem eu e a Karol deitados dentro da barraca. As fotos em que eu parecia com a maior cara de satisfação do mundo, foram na realidade tiradas pela manhã, assim que estávamos a desmontar a barraca!! Pode ser difícil de acreditar, mas realmente nada rolou… Hahaha. Se algo tivesse rolado, eu não iria negar, só não postaria no blog 🙂
A Karol até me vacinou!! Como alguém comentou em alguns posts atrás, é visível a diferença das fotos que tirei quando viajei a Blue Mountains e quando viajei de carona com a Gosia. No momento que a Gosia sentou do meu lado, conversou comigo uns 10 minutos e depois já me chamou pra viajar junto, aceitou depois ficarmos na mesma barraca, eu já nem fui com muita esperança de rolar nada, até por que Deus não dá asas a cobra, eu não fui um menino tão bom assim no ano anterior pra ganhar um presente desses e eu tinha a história da Karol na minha memória. No final nem rolou nada entre eu e Gosia, só tomamos nossas cervejas, conversamos e dormimos pra no outro dia voltar de carona pra Varsóvia. Essa é a mais triste verdade 😦
Eu sei que até vai vir algumas minas falando “Ah, mas você é ridículo” “Ah, mas você se aproveitou da amizade da mina” “Ah, você é um idiota mesmo!! Só você pra achar que a mina ia trepar com você por causa de nada! Meninas só trepam quando estão apaixonadas pelo seu príncipe encantado” “Só você mesmo pra ter esse tipo de pensamento por uma mulher, olhar a mulher apenas como um mero pedaço de carne! Você é muito infantil, moleque!!”. Pra essas meninas que vão falar assim comigo, meus pêsames, vocês vivem em um mundo muito de fantasia e são as que mais quebram a cara e mais se arrastam por um cara que finge ser um príncipe encantado quando na verdade está interessado apenas nas suas vaginas. Esses tipos de meninas são as maiores candidatas a virarem mulher de malandro…
Eu preferi ser sincero e dizer o que realmente se passou na minha cabeça e o que se passaria na cabeça de 95% dos meus amigos homens (os outros 4% são homossexuais e os outros 1% capados) e, sei lá, só deixar claro o que se passa na cabeça de um homem. Pras que vão me censurar por isso, eu só digo uma coisa: Acessem este site que ele tem a realidade de vida que vocês procuram…
Por último… Só vocês mesmo pra acharem que eu iria postar uma história do tipo “Nossa, mas eu peguei a mina assim, dei nela desse jeito! Coloquei assim e pá pá pá…” pra afirmar minha masculinidade. Gente, vocês tem que lembrar que esse meu blog tem que ter algumas omissões. Primeiro porque meu pai e minha mãe leem isso aqui, logo as experiências mais loucas, as festas mais destruidoras tem que vir com um nível de loucura um pouco abaixo (imagina eu escrever algo do tipo: “No final da festa, um cara tentou pegar uma mina de um brother. A gente saiu na porrada com ele e acabamos tendo que dormir, na delegacia, na jaula por uma noite”. NUNCA eu vou escrever algo assim, né?). A outra é por que a Taíze e, principalmente, algumas das suas “amigas” (o que no final acaba sendo é muito engraçado quando a parte de comentários se transforma num barraco louco) leem isso aqui também, logo eu tenho que preservar um pouco minha namorada, né?? Eu não vou zoar em um local onde centenas de pessoas estão lendo… Eu tenho que preservá-la…
Infelizmente, essa é a triste verdade! Se porventura eu encontrar algum leitor do blog, como vem ocorrendo algumas vezes, aí a gente pode sentar, tomar umas cervejas e eu contar histórias que não podem ser postadas no blog… Hehehehe
Abração, galera!! E foi engraçado o barraco todo!! Fazia tempo que os posts não passavam dos vinte comentários!
P.s: Thiagones, eu vi seu comentário viu, seu safado?? “ele se fudeu no final, eu sei que ele se fudeu no final… seja lá o que aconteça ele se fudeu no final…!Hahahaha… Ri muito, mlk!!

Tira-Teima 2 e programa do Ratinho…

Galera, quem é leitor mais antigo do blog vai saber do que eu tou falando…

A parada é a seguinte, quem tiver com tempo aí, da só uma olhada na sessão de comentários do blog do post passado (clique aqui). Tá maior baixaria por lá. A nossa amiga “Big Sister” que até um tempo atrás estava sumida, resolveu aparecer e comentou por lá. Tá mais parecendo é o programa do Ratinho esse blog.

Pra galera que ficou curiosa e não sabe como a história termina e também pra colocar mais lenha na fogueira, vão mais algumas fotos da nossa viagem à Blue Mountains.

Amanhã posto um vídeo


Abraços maranhenses