Perambulando pelo Sri Lanka, a caminho de Galle

Todo mundo que eu havia consultado, havia me falado que não muito o que se ver em Colombo, que é apenas uma cidade grande sem muitas atrações. Há vários sítios históricos no Sri Lanka e um santuário onde supostamente há guardado um dente do Buda, mas na verdade eu queria mesmo era ficar na praia. Acabei decidindo ficar na cidade história de Galle.

Galle foi durante alguns bons anos o principal porto dos holandeses, que inclusive levantaram um forte na cidade. Desci no aeroporto internacional de Colombo e peguei um Uber que me levou até a estação de ônibus de Kaduwela. Lá havia um “Luxury Bus” que basicamente fazia um trajeto até o forte de Galle. O ônibus não tinha nada de luxuoso, mas o fato de possuir ar-condicionado, poltronas acolchoadas e fazer o trajeto em pouco mais de uma hora já o fazia um luxo comparado com os outros paus-de-arara que você podia escolher que custava um quinto do preço, mas demoravam entre três e quatro horas além de que você era transportado COMO galinhas e COM galinhas. Detalhe, no “Luxury Bus” paguei 20 reais. Os paus-de-arara eram 5 reais. Pense em quanto intrépido você é e tome sua decisão. Eu já passei dessa idade =) Continuar lendo “Perambulando pelo Sri Lanka, a caminho de Galle”

Sri Lanka – Sobre o país. O que tem por lá?!?!?

Dando prosseguimento ao giro pelo sul asiático, meu próximo país foi o Sri Lanka.

O Sri Lanka é um destino pouco conhecido pelos brasileiros (na verdade, grande parte das pessoas que eu falava não sabia nem em que continente ficava, ainda mais apontar o país no mapa), mas tem a sua joia em si. Apesar de ser uma pequena ilha do lado da Índia no Oceano Índico, tem passeio para todos os gostos. Lá tem montanhas, praias de água cristalina, mergulho, história (com vários sítios Patrimônios da Humanidade) e, principalmente, é um destino barato!

CURIOSIDADES SOBRE O SRI LANKA

Apesar de ser uma pequena ilha do tamanho da Lituânia, lá andou pegando fogo nas últimas décadas. Existe uma minoria Tamil que vive na parte Nordeste e Leste da ilha e não curte muito a ideia de ser massacrada e morta regularmente pela maioria cingalesa, então eles meio que iniciaram uma guerra civil que foi terminar não tem nem dez anos.

Nos últimos séculos, o Sri Lanka sofreu invasões e foi colônia de portugueses, holandeses e ingleses. A maioria de sua população é budista, apesar de eles possuírem uma pequena elite de cristãos, herança do tempo em que eram colônia de países europeus. Assim como diversos países da região, a sua religião é determinada na sua certidão de nascimento e até há alguns poucos anos atrás, apenas budistas tinham direito a acesso a universidades públicas.

Assim como diversos países da região, tráfico de drogas dão pena de morte, apesar de ser um país budista e não um país muçulmano.

COMO CHEGAR AO SRI LANKA E VISTO

A forma mais simples para se chegar ao Sri Lanka do Brasil é voando para a Índia e de lá pegar um dos inúmeros voos diretos para a sua capital, Colombo. Também é possível viajar para lá por meio de voos diretos da Tailândia, Malásia ou Cingapura, porém são destinos bem mais longes.

O visto é relativente simples de se conseguir. Ele é todo eletrônico (https://www.eta.gov.lk/slvisa/visainfo/center.jsp?locale=en_US) e barato, custa 35 dólares. O grande problema era que era necessário preencher um formulário que depois se apagava quando meu cartão de crédito era recusado. Depois de testar três cartões diferentes e refazer esse mesmo formulário umas dez vezes, acabou que desisti e acabei indo para a Embaixada do Sri Lanka em Brasília para pedir ajuda. Paguei o valor em dinheiro que teoricamente deveria pagar com meu cartão de crédito e eles basicamente fizeram o preenchimento do formulário que eu fiz, pagaram a taxa e depois de três dias mandaram todos os papéis no meu e-mail. Galera da Embaixada era super gente boa e solícita, o que não costuma ser muito comum nas Embaixadas que já fui.

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Que pôr-do-sol…
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Muralhas que cercam a cidade histórica de Galle
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Crianças sempre em brincadeiras sadias
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Como essa por exemplo…

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Turismo nas Maldivas – Mergulhando por lá

As Maldivas são conhecidas no mundo inteiro pelos seus mergulhos com cilindro. Eu fiz e não me arrependo. Vi tubarões, tartarugas e peixes, peixes por todos os lados. Porém, o momento mais bonito, sem sombra de dúvidas, foi quando um verdadeiro cardume de arraias jamanta começaram a danças por cima das nossas cabeças. Em Los Roques, eu tinha visto uma POST LOS ROQUES, porém por segundos (foi o suficiente para desestabilizar e desorganizar todo nosso grupo de mergulhadores). Porém, nas Maldivas, elas ficaram por nossas cabeças por quase uma hora. A qualidade de visão da água era ruim, porém, ela atraiu as jamantas devido ao tanto de comida suspensa na água. Foi muito legal!

No final, todo mundo me pergunta. Vale a pena viajar às Maldivas? Cara, se você estiver ali pela região e pesquisar um resort com um preço bem justo, acho que vale a pena. Mas você sair do Brasil, pegar dezenas de horas de voo só para ir para lá e ainda gastar toda a grana que você tem guardado da vida por três dias de all inclusive, acho que não vale a pena. Se estiver procurando hoteis all inclusive e destinos de lua-de-mel sugiro muito mais ir a Fernando de Noronha ou ilhas caribenhas (Cuba, com certeza, a mais legal). Você vai gastar metade do que iria gastar nas Maldivas e acredito se divertir bem mais do que em uma bolha de um all inclusive. Se tiver procurando lugares para mergulho, em Maldivas foi bom, mas o Mar Vermelho no Egito e Fernando de Noronha achei bem melhores.20170919_094104

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O problema de espaço na capital das Maldivas é tão sério que ÚNICO cemitério da cidade é no MEIO do CENTRO

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Como chegar as Maldivas e Visto para as Maldivas – E não é que deu problema para entrar?

Acredito que a forma mais simples de chegar às Maldivas do Brasil seja por meio de promoções de companhias aéreas com escala na Etiópia (que conforme já falei, tem um aeroporto que é uma ZONA). Se não tiver paciência de esperar uma promoção, a outra forma mais simples é conseguindo um voo para Tailândia, Índia, Cingapura ou Malásia e de lá saem diversos voos para as Maldivas, nem que você faça uma pequena conexão no Sri Lanka.

O visto para as Maldivas é mamão com açúcar. Brasileiros (e acredito que grande parte das nacionalidades) não precisam de visto, é só chegar no aeroporto com passaporte na mão que é só alegria. Bem, depende. A não ser que você chegue nas Maldivas como eu cheguei. Sozinho, sem reserva para ficar em algum resort e com uma bela cara de fi duma égua. Continuar lendo “Como chegar as Maldivas e Visto para as Maldivas – E não é que deu problema para entrar?”

Turismo em Malé, capital das Maldivas

Diria que 99% dos turistas que viajam às Maldivas só passam em Malé devido ao aeroporto. Na verdade, grande parte deles nem isso, já que geralmente os resorts já mandam um iate buscar os hóspedes na ilha do aeroporto e depois te deixam de volta, ou seja, ninguém nem passa por Malé.

Tudo bem, já viajei por diversos países-arquipélagos que viviam do turismo. Porém, Malé foi a primeira capital, de um país turístico, que não é turística de FORMA ALGUMA. Mano, tudo bem, você não espera que a capital tenha diversas atrações, mas Malé não tem atração ALGUMA a não ser atravessar pela primeira vez uma ponta a outra uma cidade de 100.000 habitantes (dá um caminhadinha de 2km) e capital de um país. Nem em Andorra era tão simples assim.

Desci na cidade, fui lá dar uma banda, atravessei e depois pensei “Bom, agora é só encontrar uma agência de turismo e marcar uns passeios nas ilhas mais próximas”. QUEM DISSE que eu encontrava? Mano, simplesmente parece que não existe agência de turismo ALGUMA na cidade inteira. Essa atravessada de uma ponta a outra da ilha fiz e refiz umas vinte vezes e nada de eu achar uma agência. Imaginava que eu ia sair na rua e ia ter um bando de gente gritando para eu comprar coisas, querendo me colocar dentro das lojas delas (o que sempre acontece em cidades turísticas). Mas quem disse? Naaaadda! As agências de turismo que eu achava eram só para comprar passagens aéreas e pacotes de viagem para fora das Maldivas (ou seja, para os locais viajarem) e nenhuma para marcar um passeio de barco que fosse. Acabou que o São Google me ajudou e eu conseguir achar uma agência onde marquei um mergulho para o outro dia (nessa agência inclusive conheci uma austríaca que falava português. Ela morou 8 anos no Rio de Janeiro quando foi casada com um brasileiro). A agência era Maldives Dive Shop e sugiro a qualquer brasileiro perdido que passe por lá, os caras são muito gente boa e também marcam passeios sem cilindro de oxigênio.

COMO É A VIDA NAS MALDIVAS? COMO VIVEM AS PESSOAS QUE MORAM LÁ?

Primeira coisa a se entender. As Maldivas são um país muçulmano e isso é bem claro na vida da população. Virtualmente quase todas as mulheres que andavam nas ruas usavam o véu cobrindo a cabeça. Se você chega ao aeroporto com bebidas alcoólicas na mochila (compradas em um free shop no caminho, por exemplo), eles retiram a sua cana, guardam em um compartimento do aeroporto (mesmo se você for aos resorts) e te entregam quando você vai embora. Porém, nos resorts você bebe até morrer que não tem problema, principalmente os all inclusive. Em Malé não é possível encontrar bebida alcóolica que não as contrabandeadas, a não ser em um hotel específico que fica na ilha do aeroporto. Conversando com os locais sobre drogas, eles me disseram que você encontra facilmente. Se você for pego traficando, leva prisão perpétua, porém não tem pena de morte. Fiquei curioso. Como em um lugar diminuto como aquele, impossível de se esconder, é possível alguém traficar drogas sem conhecimento da polícia? Segundo os locais, os traficantes têm acordos com o Governo. Se um gringo é pego usando alguma droga, ele só é expulso do país, mas se for um local, a coisa pode ficar bem mais séria. Se você for pego com bebida alcoólica, leva só 24 horas de cana.

Assim, existe esse cerco todo sobre álcool para os locais. Beber é feio, mas fumar é tudo bem. Então, cara, em Malé parece que tem uma névoa do tanto que os caras fumam o DIA INTEIRO. Sério, fumam mais que caipora!

O povo lá parece viver no veneno. Conforme já disse, o país vive sob uma ditadura miserável que tolhe os direitos individuais, pilha o Estado e censura a imprensa.  Para se ter uma ideia, eu estava em um restaurante comendo em uma área de “não-fumantes”. É óbvio que eu estava quase sozinho, pois todo mundo comia na zona de fumantes, já que, como disse, os maldivos fumam mais que uma caipora.

Daí entram quatro caras no restaurante, em uma mesa do lado da minha e começam fumar. Mas, assim, como não querem nada. Chamei o garçom e perguntei se, assim, né, eles poderiam pedir para os caras serem um pouco menos FILHOS DA PUTA e pararem de fumar em uma zona de não-fumantes. O garçom, um indiano, veio todo sem jeito me pedir desculpas dizendo que não poderia fazer nada, já que eles “eram do governo” e podiam fazer o que queriam. Mesmo que o gerente do restaurante fosse pedir que eles parassem de fumar, eles iriam ignorar e ainda poderia sobrar para o indiano, que poderia ser deportado. Só me restou ir para uma mesa afastada.

Porém, ainda assim a vida lá parece ser melhor do que outros países da região, haja vista que por todo canto havia imigrantes do Sri Lanka, Índia, Paquistão, Indonésia… trabalhando em restaurantes e inclusive havia uma fila no aeroporto separada só para quem viajava de visto de trabalho! Primeira vez que vi isso em um aeroporto!

E O TSUNAMI, COMO FOI?

Por último, me restou uma curiosidade. E como ficou as Maldivas durante o tsunami? Se houve países que quase foram destruídos, como ficou uma ilhota com altura máxima de um metro acima do mar? Os locais me explicaram que não houve ondas gigantescas como em outros países, o máximo que ocorreu foi que o nível do mar subiu absurdamente de uma hora para outra, coisa de cinco metros. Inundou a cidade inteira e momentos depois já esvaziou novamente. A sorte foi que isso ocorreu durante a manhã, quando todos já estavam fora de casa, de forma que houve pouquíssimas mortes devido ao tsunami.

PAIXÃO PELO FUTEBOL NAS MALDIVAS

Por último, uma das coisas que mais impressionou nas Maldivas é o tanto que eles são apaixonados por futebol (além do “cardume” de arraias jamantas e tubarões que passou por cima da minha cabeça quando eu mergulhava, mas isso é para outro post). Explico. Maldivas está cercada por países que são simplesmente apaixonados por críquete, como Índia, Paquistão, Bangladesh e Sri Lanka e que não dão a mínima para o futebol. Pense que Índia e Paquistão, juntos, tem mais de 1,5 bilhão de pessoas e eu não lembro de ver um dos dois na Copa do Mundo. Como grande parte dos imigrantes vem desses países, imaginava que eles também seriam apaixonados por críquete. Mas que nada! Andando pela ilha, você só vê pessoas jogando futebol, um ou outro por ali jogando vôlei. São quadras e quadras de futebol por todos os cantos. Fiquei surpreso com o quanto eles gostam da gente e o quanto você vê bandeiras do Brasil pintadas pelas ruas de Malé.

Maldivas são ilhas isoladas não só geograficamente, como também culturalmente.20170920_185708

Como é possível ver na foto acima, eles inclusive têm uma imagem de um jogador de futebol impressa em notas de dinheiro. Nem o Brasil ou a Argentina nunca foram tão longe em sua paixão futebolística.20170919_09373220170919_09462020170921_102036

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Criançada se preparando para aprender a nadar em uma piscina criada no meio do mar. É óbvio que em Malé não há espaço para se fazer piscinas

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Parte rica da cidade

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As pessoas meio que vivem umas por cima das outras

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Maldivas – Como Viajar para lá

As Ilhas Maldivas são conhecidas como um destino para lua-de-mel entre casais. Começaram a ficar agora mais populares no Brasil depois que algumas companhias aéreas começaram a fazer promoções para lá. Como eu iria ficar uma semana pela região antes de chegar a Índia e vi que tinha um voo bacana saindo de Bangladesh, pensei que não seria uma má ideia eu dar um pulo por lá e conhecer melhor o país.

Comecei a pesquisar um pouco sobre o lugar e fui descobrindo algumas coisas bem interessantes. As Maldivas são um país islâmico e vítimas de um governo extremamente opressor. A sua capital, Malé, concentra 100.000 pessoas em um exíguo espaço de 4 km²! Como o espaço mais alto da ilha fica a um metro acima do nível do mar, o país é um forte candidato a, literalmente, sumir do mapa num futuro próximo caso o nível dos oceanos continue aumentando.

Sobre as Maldivas – o que tem por lá?

As Maldivas foram ocupadas por povos semelhantes aos que ocuparam a Índia. Viraram um entreposto comercial e devido a presença constante de mercadores árabes nas ilhas, se tornaram um país muçulmano. Pela Constituição do país, todo habitante das Maldivas, ao nascer, também é da religião muçulmana, portanto o conceito de religião e nação se confundem por lá.

O país nunca foi conquistado ou colônia de ninguém, apesar de receber forte influência dos países que por lá passaram. Eles gostam de falar que isso ocorreu porque o povo maldivo sempre foi muito habilidoso nas negociações com as nações mais poderosas. Porém, de fato, o custo de ocupar um país como as Maldivas, com uma concentração populacional imensa, conforme já disse, não parecia compensar, haja vista que a ilha virtualmente não tem nenhum recurso natural, nem terras agricultáveis e possuem portos ruins para atracar navios grandes. Basicamente, não se tem muito o que se ganhar com elas.

Conforme falei, Malé, a capital, é uma loucura. São só motinhas passando de qualquer jeito pelas vielas, quase te atropelando com, obviamente, ninguém usando capacete. Carro por lá, acho que só tem táxi, que eu não vejo muita utilidade, já que, conforme falei, a ilha em sua maior extensão tem 2km de uma ponta a outra. Possui uma extrema concentração populacional e as pessoas de lá moram meio que umas por cima das outras. Literalmente. Não lembro de ter visto uma casa sequer na ilha, ao passo que vi várias construções que pareciam que um dia foram casas e hoje viraram edifícios. Mas aquelas feitas por pedreiro, uma por cima da outra feita de qualquer jeito. Assim é a cidade inteira. Devido a virtualmente não haver mais espaços nas ilhas, eles começaram a levantar ilhas artificiais para poder desafogar um pouco a ilha principal de Malé. Em uma ilha foi, inclusive, feito um aeroporto, tal qual em Hong Kong.

Em Malé há lixo espalhado pelas ruas, porém quando você pensa o tanto de gente por metro quadrado, nem parece ser um grande problema assim. Esperava encontrar montanhas de entulho, o que acabou não ocorrendo. Também não vi sequer um mendigo na rua esmolando. Perguntei para os locais porque e eles me disseram que o governo tem um efetivo programa social contra pessoas mais pobres. Se encontram alguém esmolando na rua, é cadeia. Nada como políticas públicas efetivas.

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Motos correndo pela cidade

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Ilha artificial criada para desafogar a pressão populacional em Malé

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Pessoas esperando barcos no pequeno porto, principal forma de transporte nas Maldivas
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Passeando por Daca, capital de Bangladesh

Em tudo que eu lia sobre Bangladesh era consenso que a principal atração turística era uma só: O lugar não ser turístico. Pela surpresa das pessoas nas ruas, você tem a sensação de ser o único turista em uma cidade do tamanho de São Paulo. Cara, é tão engraçado, que até o rapaz da imigração ficou encucado querendo saber o que diabos eu tinha ido fazer em Daca. Por mais que eu falasse que tinha ido a turismo, ele não acreditava.

Agora imagina uma população da cidade de São Paulo só que empilhada em uma cidade sem metrô e sem nenhuma avenida de três pistas? Pois então, o lugar é um caos, muito pior que São Paulo ou Teerã (a cidade com pior trânsito que eu já vira até o momento). Para piorar, todo mundo dirige com a mão na buzina.

Cheguei ao aeroporto, e, seguindo orientação, fui pegar um Uber. Mas quem disse que eu conseguia? No Uber aparecia a placa do rapaz bonitinha, AC135643. Porém, em Bangladesh, o alfabeto é diferente. Inclusive os números. Então, mano, era simplesmente impossível saber qual carro eu deveria entrar. O negócio foi ficar em pé com o celular na mão e ficar observando os carros que iam chegando. Depois de uma meia hora, e três Ubers cancelados depois, consegui pegar um Uber. Isso porque, veja você, uns taxistas ficaram querendo entender o que eu tava fazendo e, quando viram que eu tava tentando pegar um Uber, eles me ajudaram. Os caras são tão amigáveis no país que até os taxistas te ajudam a pegar Uber, dá para acreditar?

Passeei por alguns pontos turísticos de Daca, visitei um palácio lá que até era importante para a história deles, mas nada demais. A única parte legal mesmo foi descobrir uma Igreja Cristã Armênia no meio de Daca. Era da comunidade armênia que existia em Bangladesh, hoje quase inexistente, já que grande parte dessa galera foi embora do país. Porém, tinha um cemitério com algumas tumbas do começo dos anos 1800. Muito legal.

Lá pela área da igreja morava um cara que veio bater um papo comigo, gente boa demais. Foi o único bengali que eu consegui entender perfeitamente o inglês, já que todos os outros se enrolavam todo para falar inglês. Na hora que eu fui assinar o livro de visitas, uma surpresa, havia a assinatura de uma brasileira, e, ainda por cima, de Brasília. Depois ele foi me explicar que ela que trabalhava na Embaixada Brasileira em Daca.

Ainda passei por um palácio que havia sido importante para eles, partes importantes de acordos e celebrações de Bangladesh haviam sido assinadas por lá. A única questão era que o lugar ainda estava caindo aos pedaços. A noite ainda comi uma parada bacana. Um tal de um frango piri-piri, nome de uma cidade do Piauí e que, depois fui ver, tem origem na culinária portuguesa.

Depois é só se preparar para visitar a capital, Dacca, cidade com o maior número de riquixás (carrocinhas puxadas por bicicletas) no planeta. De longe o seu principal meio de transporte

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Olha o tanto de riquixá…

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Brasileiros já passaram por aqui…

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Cemitério armênio

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Sobre Bangladesh, a ex-Índia muçulmana.

Cara, é complicado a gente ouvir falar de Bangladesh no Brasil. Diga aí, o que vem a sua cabeça quando alguém fala Bangladesh? Nada, né? A única coisa que eu lembro de Bangladesh é uma música que chama Bangladesh e que tocou bastante lá em São Luís quando eu era criança.

Além disso, me vem a cabeça Muhammad Yunus.  Esse cara é um banqueiro de Bangladesh que ganhou um Nobel da Paz. Sim, um banqueiro, a raça mais odiada de todo o mundo. Mas por que então deram um Nobel para o cara? Então, porque o banco dele era especializado em microcrédito. Isso meio que revolucionou Bangladesh. Mas assim, quando se fala em microcrédito, é micro mesmo. Começou quando ele emprestou do bolso dele 27 dólares. Para uma pessoa? Não, para 42 MULHERES (ou seja, 62 centavos por mulher), que conseguiram iniciar um negócio com essa graninha e ainda pagaram a ele depois. Com juros. A questão é que em zonas muitos pobres, por mais baixo que possa ser você emprestar uma quantia, isso pode ser o suficiente para que a pessoa possa deslanchar alguma coisa. Tem até um site na internet onde você pode emprestar pequenas quantias em dólares para pessoas do mundo inteiro: https://www.kiva.org/. Vi gente lá na Libéria que pedia, sei lá, 10 dólares para comprar sabão e começar a poder lavar roupas para fazer um dinheiro. A taxa de inadimplência é baixíssima. Vale a pena dar uma olhada no site https://www.kiva.org/

Mas Bangladesh é mais que isso. Começa que o é o país com maior densidade populacional do mundo (bem, tem umas cidades-estados e arquipélagos que tem maior densidade, mas nenhuma delas chega sequer a um milhão de pessoas). Pensa que Bangladesh tem quase a população do Brasil em um território de METADE do tamanho do Maranhão.

Durante sua história ele foi meio que ligado a Índia, inclusive era parte do India Raj, a imensa colônia que a Inglaterra fez na Índia. Com a independência da Índia, os muçulmanos ficaram com medo de ficar vivendo em um país de maioria hindu, então convencionou-se criar um país independente onde os muçulmanos seriam maioria. Como as maiorias muçulmanas eram nos dois extremos, acabou-se por criar uma Índia imensa no meio e dois países muçulmanos nas pontas.

A questão é que a única coisa que ligava os bengalis aos paquistaneses era a religião, de resto eles não eram nada parecidos. Mais ou menos como comparar portugueses com russos. O Urdu, língua oficial do Paquistão, era a língua oficial do novo país e, obviamente, o povo de Bangladesh não gostou nada disso. O país já iniciou mal das pernas e, como o Paquistão detinha o poder, sugava recursos da parte Leste, onde hoje é Bangladesh, que já era uma região ferrada. Com essa sugada, então, se ferrava mais ainda.

Não demorou alguns anos e a parte Leste começou a lutar pela independência separando o país em Paquistão e Bangladesh. Como Índia e Paquistão sempre estiveram em pé de guerra, a Índia começou a apoiar a independência de Bangladesh.

Apesar de depois da independência da Inglaterra o pau não ter quebrado em Bangladesh como quebrou entre Índia e Paquistão, a coisa ficou feia quando Bangladesh quis ficar independente do Paquistão. O Paquistão bombardeou civis com Napalm, destruiu universidades matando estudantes e intelectuais. Lideranças políticas bengalis começaram a ser presas e fuziladas pelos paquistaneses. Teve um general paquistanês que ficou famoso por sair pelas cidades e vilas mandando que os homens tirassem a roupa. Se fossem circuncisados, portanto muçulmanos, eram interrogados, se não fossem, portanto hindus, eram mortos no ato. Mais de 10 milhões de pessoas fugiram para campos de refugiados na Índia durante a guerra de independência.

No final, depois da independência ficou um país destruído, pobre e miserável. Pelo menos sem um outro país para parasitar as suas reservas.IMG_4471IMG_4474IMG_4484

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Bandeira do Brasil pintada, lá atrás, no meio das ruas de Bangladesh

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A caminho de Bangladesh, viajando pela Ethiopian Airlines de São Paulo a Délhi

Como a Ethiopian Airlines estava com uma passagem com um bom preço para Delhi, acabei comprando por eles. Não sugiro que você faça nem para o seu pior inimigo. Ok, o avião dos caras é bem confortável e a tripulação é bem solícita. O problema é que você faz uma escala em Lomé, no Togo, em que você fica uma hora e meia mofando dentro do avião, e depois ainda faz uma conexão na Etiópia, o que aí sim, é complicado.

O aeroporto de Addis Abeba é um INFERNO! Não só pelo calor (que faz o lugar quase ser um inferno literalmente), mas porque o aeroporto é uma casa da Mãe Joana. É tudo zoneado e sujo. Porém, PORÉM, a pérola é eles acharem que, bem, entendo que eles já passaram por checagem de máquinas de raio-X umas duas vezes, mas, por que não fazer de novo?

Até aí tudo bem, o problema é que o aeroporto está querendo ser um novo hub da África, competindo com a África do Sul e o Egito, então é APINHADO de gente. E só há DUAS MÁQUINAS DE RAIO-X. Mano, quando você desce do avião, você vê uma fila que não acredita do tanto de gente afunilando para poder passar nessa MALDITA máquina de raio-X. Daí fica todo mundo lá em pé e vez ou outra passa um carinha gritando “DUBAI”. Aí todo mundo que vai para Dubai fura a fila. Dali a outro passa outro que grita “NAIRÓBI” aí todo mundo que vai para Nairóbi fura a fila. Como toda hora passa alguém gritando um voo para furar fila, o aeroporto fica parecendo uma feira.

Fiquei uma hora em pé, já que ninguém andava porque toda hora um grupo tinha que furar fila para poder pegar o voo, até a hora que gritaram “DELHI” e lá fui eu furar a fila também. Acaba que aquilo não é uma fila, é simplesmente uma zona de espera, só que em pé. Se você for e fila estiver imensa, sugiro pegar um chopp e ficar no bar tomando uma e de olho no rapaizinho que sai gritando o nome dos voos. Quando ele chamar o seu, você vira o copo de chopp e segue para furar a fila. Foi o que uns brasileiros que conheci no avião (malandros, já tinha feito conexão nesse aeroporto) fizeram e ainda passaram me dando tchauzinho enquanto furaram a minha frente, já que meu voo era depois dos deles.

Pelo menos o aeroporto tem WI-FI, mas, cargas d´água não sei por quê, o whatsapp parece que é bloqueado na Etiópia, ou pelo menos no aeroporto.

Então, chefe, se tiver viajando para Ásia ou tenha qualquer outra escolha, evite viajar de Ethiopian Airlines, as outras opções nunca são tão mais caras, mas compensam cada centavo a mais.

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Você se toca que está em uma empresa africana de aviação quando o vídeo de instrução de segurança possui negros. Foi a primeira vez que vi isso, na maioria são pessoas brancas de olhos azuis
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Fila interminável no aeroporto

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Bangladesh, como tudo começou!

Como estava indo para uma viagem à Índia, comecei a analisar a região e ver quais países ainda não tinha visitado. Fui checando o mapa e vi que, fazendo umas conexões malucas, não seria tão difícil viajar à Bangladesh, Maldivas e Sri Lanka. Depois, já na Índia, ainda daria para cruzar a pé o Paquistão. Pensei, por que não? Estava começando a minha viagem para Bangladesh.IMG_4596IMG_4602

COMO VIAJAR A BANGLADESH E COMO CONSEGUIR O VISTO

Obviamente não existem passagens promocionais do Brasil para Bangladesh, menos ainda voos que vão para lá. Acaba que a forma mais simples de chegar ao país é pegando uma passagem promocional para Índia, Tailândia, Malásia ou Cingapura (sempre tem, é só acompanhar no site do Melhores Destinos) e depois pegar um voo pra Bangladesh. Eu peguei um voo de Délhi.IMG_4605

O visto para lá é simples. Como existe uma embaixada de Bangladesh aqui no Brasil, foi só ir lá e levar meu passaporte, a passagem Délhi – Dacca e Dacca – Maldivas, uma reserva de hotel que fiz pelo site do booking.com (imprimi a reserva e depois cancelei) e pagar uns 40 reais. Em três dias o visto estava pronto. Super tranquilo. Ainda assim, quando cheguei à Dacca, tinha um guichê para poder tirar visto no aeroporto mesmo, mas tinha uma fila IMENSA esperando, então sugiro, se possível, fazer tudo pelo Brasil mesmo.IMG_4599

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Exemplo de transporte público em Bangladesh

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Criançada na escola

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