Barcelona – é tão legal assim?

Depois de passar pelo medo de ser mais um brasileiro barrado na fronteira da Espanha, tudo mais ficou de boa. Segui para o lugar indicado e fui para o couch. Meu host chamava-se Daniel e era um catalão (catalão, não espanhol, como ele gostava de dizer).
Eu e Daniel

Pra quem não entende o porquê de ele tanto enfatizar isso, deixe-me explicar. Há algum tempo atrás, a Catalunha foi um reino independente, mas posteriormente foi unificada (ou tomada, como eles mesmos gostam de dizer) pelo reino de Castela (daí vem o nome “Castelhano” que alguns se referem ao espanhol) formando-se assim a Espanha Contemporânea. Os bascos também entraram nessa e viraram Espanha, só que aí é outra história. Apesar dessa “unificação”, vários catalães sempre tiveram problemas com esse “rebaixamento” de Estado independente para província da Espanha. Esse ressentimento atingiu o seu auge durante a ditadura de Franco (1939-1975) quando a Catalunha perdeu sua autonomia e sofreu pesada repressão cultural e lingüística do regime (falar Catalão chegou inclusive a ser proibido). Hoje a Catalunha é uma comunidade autônoma da Espanha, sendo reconhecida como uma “nacionalidade”, e desfruta de uma maior autonomia, com Constituição própria e, claro, língua oficial. Só como última curiosidade, como a Catalunha não tem seleção oficial, a “seleção” deles é o time do Barcelona que possui como maior rival o Real Madrid, que, como o próprio nome já diz, é o principal time de Madrid e por tabela da Espanha (ou Castela). Não raro é comum você ver em jogos entre o Real Madrid e Barcelona alguns espanhóis vaiando o hino espanhol. Na verdade, não são espanhóis, são catalães =)

Dois monumentos dedicados a Catalunha. Acima, a chama que nunca é apagada pra simbolizar o nacionalismo catalão e abaixo flores para os que lutaram pela Catalunha.
Apesar de toda a expectativa que eu vinha nutrindo por Barcelona, acabou que nem foi tão legal quanto eu estava esperando. Sim, Barcelona é uma cidade bem interessante, mas acabou que eu acho que não tive muita sorte. As baladas que eu fui foram um tanto quanto meia-bocas e as pessoas que conheci, tirando o meu host, não foram lá tão interessantes. Foi legal andar pelas ruas medievais de Barcelona, ver as transformações e como foi bom pra cidade ter sediado os jogos olímpicos de 1992.
Sagrada Família, obra prima de Gaudi, um dos mais famosos catalães. Abaixo outra construção de Gaudi
Barcelona é uma cidade de praia, portanto tava meio chata quando cheguei, no inverno. Uma das paradas engraçadas foi que eu ADORO Burger´s King. Quando saí daqui de Brasília, aqui não tinha, tampouco em São Luís. Como sabia que aquela seria a minha penúltima semana viajando, resolvi que Barcelona seria o lugar que eu comeria Burger´s King “até dizer chega”! Era pra comer até enjoar! Comer o suficiente pra não sentir saudade! Comecei a “jantar” lá todos os dias da semana! Mas comi sanduíche que não agüentava mais! Comia, comia e comia. Quando voltei de Barcelona, eu fui descobrir que tinham aberto um Burger´s King em Brasília e eu tinha entupido minhas veias pra nada.
La Rambla, um dos principais pontos turísticos de Barcelona. E, como todo lugar turístico, vários artistas de rua

Outra coisa que rolou e foi bem engraçada foi que andamos a cidade inteira a procura de um prédio que teoricamente mudava de cor quando estava a noite. Andamos, sem brincadeira, umas duas horas (não pegamos um ônibus porque cada esquina achávamos que estávamos pra chegar) e quando chegamos lá descobrimos que tínhamos ido ver o prédio no ÚNICO dia da semana em quem eles não ligavam as luzes. Felicidade extrema.
O famoso prédio iluminado e visto de dentro da Sagrada Família

Fomos também em uma exposição bem interessante. Artistas catalães, cansados de ver pessoas serem tratadas como índices tiveram uma ideia no mínimo inusitada. Resolveram pegar diversas estatísticas e personificá-las. De que maneira? Pra cada ser humano de uma estatística havia um grão de arroz. Logo, 2 milhões de africanos morrem de AIDS por ano? Eles separam 2 milhões de grãos de arroz e fazem uma pilha pra você poder ter uma ideia. Existem 214 milhões de pessoas subnutridas na Índia? 214 milhões de grãos de arroz pra poder exemplificar. Cara e isso é impressionante, viu? Quando falamos de números assim, ao léu, realmente não te transmite o que é esse número em seres humanos. Era realmente IMPRESSIONANTE ver algumas montanhas de grãos de arroz do lado de algumas estatísticas que eu até tinha noção de quanto era numericamente, mas não tinha noção do que era se fosse pra contar…

PARA VARIAR, PROBLEMAS NO AEROPORTO

Inicialmente eu até pensava em ficar mais tempo na Espanha. De Barcelona eu tava planejando viajar para outras cidades na Espanha como Madrid, Bilbao ou Ibiza. Ocorre que, como falei há alguns posts atrás, a crise de 2008 estourou bem no meio da minha viagem e eu vi o meu dinheiro (que estava em reais) praticamente virar pó com as super valorizações do dólar e do euro. Devido a isso, tive que ir adiantando a minha viagem e acabou que eu tive os meus planos de viajar pela Espanha frustrados.

Placas em Catalão, língua oficial de Barcelona e de toda Catalunha
Marquei a minha passagem pra Lisboa, Portugal, mais cedo e fui para o aeroporto pra poder voar. Lá ia rolar o Encontro Europeu do Couchsurfing, o LIU (Lisbon Invites You). Caraca, tava radiante pra poder chegar logo em Lisboa e rever uma galera que havia conhecido em Praga. Cheguei serelepe e saltitante ao aeroporto e quando fui pra passar a minha bagagem, a surpresa! Meu nome não constava na lista de passageiros. Perguntei pra mulher como isso era possível e ela falou que era isso mesmo. Meu nome não tava lá e por isso eu não poderia voar. Mas pombas, eu havia reservado a minha passagem ligando no Brasil! Ela me mandou num guichê e o cara começou a me atender.
Vasos preguiçosos em Barcelona
Cara, sério, parecia cena de filme. O bicho tinha uma cara de ser meio maluco e falou que ia resolver o meu problema. Fiii, quando vi a cara do sujeito me deu foi medo do que ele ia fazer. E o cabra falava que não tinha como resolver e que tava difícil. E soltava gargalhada. Ele virava e falava: – Ih, cara, vai dar pra eu resolver não!!! HAHAHAHAHA – e começava a rir descontroladamente! Eu comecei foi a achar que ele tava era de brincadeira com minha cara! Nada! Ele era meio pirado mesmo. No final acabou que ele conseguiu mesmo resolver meu problema e entrei no avião em direção a Lisboa!
Sempre tem a foto com 51!!!
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Chegando a Barcelona – Pânico na imigração!

Bem, alguns posts atrás já escrevi contando como foram minhas experiências entrando na Europa. Cara, pode parecer besteira, mas toda vez que você vai entrar na Europa, é sempre aquela tensão. Vem sempre aquela história mal-explicada dos pesquisadores brasileiros que foram barrados na Espanha e deu maior chabu e crise diplomática. Você sempre fica naquela, “pô, os caras, pesquisadores, iam fazer uma viagem curtíssima pra Portugal, tinham convite do evento no bolso. Brasileiros são os mais barrados na Espanha…” e coisas assim. Não adianta querer falar que não, sempre dá aquele gela quando você está pra atravessar a fronteira.
Tranquilo, todas as outras vezes que eu havia passado tinham sido de boa, sempre tava com todos os documentos, sempre tinha a passagem de saída com a data marcada no bolso, enfim, não havia como eles encresparem comigo, afinal, tava com toda documentação certa comigo. Era só ficar de boa e responder as perguntas. E assim foi, aquele tranqüilidade pra passar a fronteira na Áustria (link do post aqui), mais de boa ainda pra passar na Eslovênia(link do post aqui), Suíça tiveram algumas perguntas (link do post aqui). Tudo certo. Não havia com que preocupar.
Só quando estava no avião voando de Zurique para Barcelona, na maior tranqüilidade, que eu fui lembrar. “Êpa! Mas peraí! A Suíça… A Suíça não FAZ PARTE da União Européia. A Suíça não faz parte do acordo de livre tráfego de pessoas na Europa. Isso quer dizer que… que… CARACA, eu vou passar por UMA FRONTEIRA EUROPÉIA e não me preparei em NADA! E pior, vou passar pela mais famosa moedora de carne imigrante brasileira, a temida ESPANHA! EMBRIÃO da crise dos imigrantes!”. Calma! Não era preciso pânico! Era só lembrar o que eu tinha comigo na minha bagagem de mão!
Vamos lá! “Don´t be Panic”, já dizia o Guia do Mochileiro das Galáxias! Era só lembrar o que eu tinha e apresentar lá na hora. Nem ia dar nada, pô! Era só uma semana e meia na Europa mesmo! Vamos lá! Passagem de volta pro Brasil? Er… Não tinha. Seguro saúde? Vencido! Comprovante de renda? O que? Dinheiro no bolso? Uns 20 euros! Carta convite? Servia o endereço do meu couch impresso? Tava arrumado? Não parecia um imigrante ilegal? Bem, eu tava de cabelo grande, barba, bermuda e camisa. Se você olhasse pra mim jurava que o Manu Chao tinha se inspirado em minha pessoa pra poder compor a música “Clandestino”!
Cara, eu tava realmente ferrado! Eu não tinha PORRA NENHUMA que pudesse me ajudar caso o cara do posto de imigração quisesse encrespar comigo! Mas NADA mesmo! Sequer a passagem de volta comigo! E tava atravessando o posto de fronteira que TODO MUNDO falava que era pra ter o maior cuidado possível, PIOR, por Barcelona, que junto com Madrid são os dois piores pesadelos de brasileiros! Cara, eu tava realmente encrencado. Enfim, agora não tinha mais jeito. As poucas coisas que eu poderia demonstrar que só ia a turismo a Barcelona estavam na minha mala dentro do avião e eu não teria acesso. O negócio agora era, no melhor estilo Marta Suplicy, relaxar e gozar.
O avião pousou! Tensão! Me senti como um boi entrando no lugar do abate! Passou o primeiro, passou o segundo, passou o terceiro. Minha vez. Comecei a já imaginar eles me levando pra salinha, me descendo o cacete e depois me mandando de volta pra casa. Eles quebrando meus ossos só por diversão. Cheguei, olhei para o guardinha ele pra mim e começou a falar:
– Buenas tardes, amigo! O que quieres aka en Barcelona? (ou qualquer coisa parecida em Espanhol, que eu não sei falar!)
Olhei pra ele. Pombas! Não sei falar espanhol! NUNCA que eu conseguiria levar uma entrevista em outra língua que não fosse inglês ou português. Entrevista de fronteira é coisa séria! Imagina o cara te pergunta uma coisa, tu respondes achando que estais falando algo e estais dizendo outra coisa totalmente diferente? Não tive dúvida, comecei a falar em inglês!
– Então, amigo, eu sou brasileiro, como podes ver no meu passaporte. Consigo até entender espanhol e tenho certeza que se eu falasse em português claro e devagar, você compreenderia também. Mas sabe o que é? Eu prefiro falar em inglês, pois tenho medo de eu entender algo errado ou você entender algo de errado comigo e isso dar problema. Portanto, se possível, gostaria que a entrevista fosse em Português.
E ele? O que respondeu? Sabe aquela carinha de “não tou entendendo porra nenhuma”? Mas foi essa mesma que ele fez pra mim! Ficou me olhando pra mim com aquela cara de sonso e tentando me entender. Ele olhou pro cara do lado, falou em espanhol com ele. Falou algo em espanhol pra mim, carimbou meu passaporte e me mandou seguir. Nada mais! Sim, isso mesmo que você entendeu! O cara NÃO FALAVA INGLÊS! Sim, o guarda do posto de imigração não falava inglês e, portanto, não fez entrevista nenhuma comigo! Só me mandou seguir! Eu juro que não entendi nada quando isso ocorreu! Achei que ele tinha mandando eu seguir, que eu seria dirigido a uma salinha, lá ia ter alguém que falava inglês e aí sim eu seria entrevistado! Nada! Quando eu menos me espanto, já tava no meio do saguão do aeroporto caminhando livre como um passarinho! Até saí de dentro do saguão e fui pra área pra pegar táxi, só pra confirmar que não tava na área internacional! Cara, você consegue compreender o grau disso? Bicho, em todo minha viagem não teve aeroporto ALGUM que o responsável não falava inglês, fosse o Nepal, fosse a Turquia. Agora na Espanha, no Aeroporto Internacional de Barcelona, um dos mais movimentados da Europa, o cabra não sabia falar inglês! Imagina se eu fosse fazer besteira? Ele não ia neeemmm desconfiar! Os únicos lugares que me deparei com guardinhas que só falavam a língua local foram em países árabes e ainda assim quando atravessava por terra, NUNCA em aeroportos!
Ronaldo fazendo propaganda de… cabelo? Qual é a próxima? Ronaldinho Gaúcho fazendo propaganda de pasta de dente?
Sim, mas era isso mesmo! Eu tava na Espanha, atravessando a fronteira sem passagem, sem dinheiro, sem reserva de hotel, sem seguro-saúde, sem PORRA nenhuma, demonstrando que todo esse terrorismo que a imprensa sempre fez com passagem de fronteira na Europa é uma grande babaquice!
Antes de ir pegar meu busão para o meu couch, ainda tive que discutir com a menininha do câmbio do aeroporto que não queria trocar minhas cédulas de moeda da Eslováquia. A menina teimava porque teimava que a Eslováquia era Euro e, portanto, ela não podia aceitar e tentando explicar pra topeira que na Eslováquia ainda não era Euro, ela tava confundindo era com Eslovênia! Hahahah… Acabou que a única dor-de-cabeça que tive no aeroporto de Barcelona foi só aturar essas duas topeiras de guichê: a mina do câmbio e o imbecil do posto de controle.
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