Tirando a foto perfeita no Salar de Uyuni na Bolívia

Porque bater uma foto nem sempre parece tão fácil quanto parece…
O guia não sabia que estava me filmando, daí saiu esta pérola deste vídeo. Pô, achei engraçado eu lá pulando que nem um besta sem saber que ele não tava batendo foto de coisa alguma…
Prestar atenção também na musiquinha irritante atrás. Sim, a gente foi ouvindo ela por três dias.
A mesma música.
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Vista de Copacabana da Horca Del Ilca, Bolívia

Depois de uma caminhada de quase uma hora morro acima, a quase 4.000 metros de altura, cheguei ao Observatório dos Incas que todos falavam que valia muito a pena visitar. Quando cheguei, era só uma pedra em cima da outra. Pelo menos a vista de Copacabana e do Lago Titicaca valia o esforço. Prestar atenção a respiração ofegante…
O observatório era utilizado pelos astrônomos incas para observar as estrelas e determinar o início do ano-novo inca, que ocorria após o solstício de primavera, 20 de março, ao contrário do nosso que comemoramos em 1º de janeiro.
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De Isla del Sol, Bolívia, a Arequipa no Peru

Segui para Isla del Sol, ilha sagrada para os Incas e onde é possível encontrar alguns santuários. Ela é povoada por quéchuas e aymarás que se dedicam basicamente ao pastoreio (tem burro para todo lado lá) e também ao turismo. Na ilha existem muitos sítios arqueológicos. Estudos e a tradição oral sugerem que civilização Inca teve origem na ilha quando Manco Capac emergiu das águas do Titicaca para guiar os Incas em sua grande civilização.
A ilha tem uma trilha onde é possível caminhar do norte até o sul e que leva entre três e quatro horas para poder ser completada. Quem tiver coragem para fazer uma trilha dessas a 4.000m de altura, boa sorte, não é muito a minha praia.
Cheguei a ilha e a primeira coisa que eu vi foi um paredão IMENSO, com uma escadaria IMENSA que levava até o topo da ilha onde havia as vilas e alguma coisa para se ver. Quem tá na chuva é para se molhar, quem tá na Bolívia é para se ferrar. Mochila nas costas e vamos lá para cima. Até foi legal dar umas voltas, mas como eu já tava extremamente cansado devido a subida à Horca del Inca, só bati umas fotos e logo desci. Tem gente que fica por lá e dorme na Isla del Sol, mas deve ser legal fazer isso acompanhado. Sozinho achei meio sem graça e voltei logo.
Adorei esse burrinho pastando a la Alpes Suíços
Montanhas geladas ao fundo, do outro lado da ilha
Local perfeito para se fazer um jantar
Se eu pudesse sugerir algo a quem está indo hoje a Copacabana seria pegar o passeio de barco que eles oferecem. Ele passa pela Isla del Sol, Isla del Luna e umas ilhas flutuantes. É o dia inteiro e nem é tão caro.
Depois de Isla del Sol, voltei a Copacabana e fui pegar meu ônibus para Arequipa no Peru. Já escaldado da mulher que tinha me enrolado em La Paz, fui um dia antes em uma agência de turismo e perguntei qual era o ônibus que iria me levar à Arequipa. A mulher me apontou um ônibus todo bonitão na foto e me falou “é esse”. É parceiro, mas como sou esperto, fui um dia antes e falei “me aponta aí qual é o ônibus que eu vou viajar amanhã”. A mulher foi lá e me apontou o mesmo ônibus da foto. Além disso, vi um cara que tinha acabado de comprar uma passagem com eles indo entrar no busão. Pensei “agora eu tou bem”. Rapaz, no outro dia na volta de Isla del Sol, quando eu vou para agência para perguntar onde eu pegava meu ônibus, a mulher me falou “pega aquela vanzinha ali que vão te levar no teu ônibus”. Comecei a achar estranho:
 – Mas não era o mesmo ônibus de ontem
– Sim, mas ele vai estar esperando lá na fronteira
É lógico que fui feito de besta novamente. O ônibus que ela havia me mostrado ia para La Paz e não para Arequipa. Lógico que era um pau-de-arara. Enfim, no final fiquei aliviado de sair da Bolívia. De Copacabana fui com uma van até a fronteira. Atravessei a pé. Peguei o ônibus que me esperava do outro lado. Segui para Puno no Peru. Desci na rodoviária de Puno, esperei três horas e depois peguei o outro busão para Arequipa. Acho que foram umas oito horas de viagem a noite. Mais uma noite dormindo em busão. Infelizmente não seria a última.
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Contos de um mochileiro pelos Andes Bolivianos – A truta dos trutas

Cheguei a Copacabana na Bolívia e esqueci do pequeno detalhe que talvez fosse uma boa saber que horas saíam os barcos para a Ilha do Sol, umas das que existem no Lago Titicaca. Corro daqui, corro de lá, fiquei que nem um louco para poder conseguir um pacote que compensasse, além de uma passagem de ônibus para Arequipa no Peru ainda no fim daquele dia. Quando resolvi tudo, já era rodado quase uma e dez da tarde, eu não havia comido nada o dia inteiro e estava morrendo de fome. O barco para a Ilha do Sol saíria à uma e meia e seria uma hora e meia de viagem, iria chegar lá as três da tarde. Teria que me contentar com um salgado ou um pacote de bolacha, já que não daria para ir em um restaurante pedir um prato e comer algo decente.

Escuto alguém chamando meu nome. Quando olho, no segundo andar de um dos restaurantes mais caros de Copacana, de frente para o lago, estavam os irmãos Ortiga, dois caras que eu havia conhecido em Uyuni e saindo para tomar uma em La Paz. Chegando à mesa, tavam eles dois se banqueteando com uma truta andina, o prato mais típico de Copacabana que eu ainda não tinha experimentado. O cheiro delicioso do prato deles se espalhava pelo restaurante e torturava meu pobre estômago vazio:
– Come com a gente aí, Maranhão.
– Não, cara, valeu, acabei de comer, estou cheio – dizia eu que não havia comido nada o dia inteiro, mas estava sem graça de dar umas bicadas em um prato que eles pagaram certamente uma fortuna e não me deixariam pagar.
– Come aí, rapaz, deixa de frescura.
– Nada, cara, muito obrigado, mas realmente comi bastante – insistia eu bem sem-graça.
Depois de algum tempo, devido a insistência gente boa deles e para não ficar chato, até dei umas bicadas no filé de peixe na minha frente. Desci, comprei uma empanada e acabou que nem deu tempo de eu pedir uma porção dessa truta andina para mim.
Alguns dias depois os encontro novamente:
– E aí, cara! Como foi o passeio da Ilha do Sol? Curtiram bastante?
– Maranhão, você nem sabe! Depois que a gente comeu aquela truta, passamos mal, viu¿ Mas, assim, passamos tão mal que tivemos alucinações. Acordávamos a noite vendo coisas e nem sabendo onde estávamos. Nossa, acho que nunca peguei uma intoxicação alimentar tão forte na minha vida como aquela do dia dessa truta!
Quem precisa de chá do Santo Daime, quando se tem truta andina.
Dessa eu escapei…
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Viajando por Copacabana na Bolívia

Assim que cheguei a Copacabana subiu um tiozinho no nosso ônibus e nos disse que estava havendo uma “promoção” em parceira com a empresa TransTiticaca. Todo mundo que havia chegado em Copacabana com aquela empresa teria direito a ficar em um quarto do hotel dele por 20 reais, mas só se descesse do busão naquele hora e fechasse com ele dentro do busão. Eu, macaco velho, saquei logo que era golpe, resolvi ficar na minha e depois que descesse do ônibus iria sair batendo nos hotéis até achar um que me apetecesse. Desci, bati em um, 40 reais, outro 50 reais, outro 70… Pensei que não iria ser nada mal se fosse no hotel do nosso amigo do ônibus e desse uma conferida no quarto dele. Cara, o bicho realmente queria 20 reais por uma suíte com chuveiro quente e café da manhã! Detalhe, o hotel chamava-se “El Mirador” (grave esse nome, sugiro demais ficar lá) e todos os quartos foram construídos só de um lado do edifício para assim terem vista pro Lago Titicaca. Fui lá imaginando que seria golpe, mas não, o chuveiro era quente e o quarto limpo. Fiquei procurando as câmeras para ver se era pegadinha, mas não, era de verdade mesmo. Enquanto fiquei pensando em fechar com ele, outro casal entrou na frente e acabou pegando o quarto que era para eu ficar. Acabou que tive que esperar até as 15h para poder pegar um outro quarto que ficava no sexto andar. SEM ELEVADOR!!!  Tive que colocar as mochilas no lombo e sair subindo sozinho!
A Wi-Fi, como todos os hotéis que fiquei na Bolívia, só pegava quando todo mundo tava dormindo e ninguém usando e no café da manhã só havia pão, manteiga e… folha de coca (?!?!?!), mas por vinte reais tava bom que tava danado.
Como o hotel era bom e confortável, acabou que aconteceu o de sempre quando estou em um hotel bom, passei o dia inteiro dormindo.
No outro dia pela manhã fui subir uma montanha lá para bater umas fotos de toda Copacabana. Chamava-se Horca Del Ilca, local onde os astrônomos incas iam para poder observar as estrelas. Achei que ia chegar lá em cima e ter um bando de informação, construções… Nada, é só uma pedra em cima da outra.
Todo esforço para ver essa maravilha aqui
E cara, vou te dizer, se subir morro já é algo difícil, imagina subir um morro estando a 4.000m de altitude? É terrível, o coração dispara, você respira o ar não vem. Realmente achei que ia passar mal, pois, para piorar, fui correndo porque ainda queria ir a Isla del Sol no mesmo dia.
Titicaca ao pôr-do-sol

Um pequeno passo para um homem pequeno mas um grande passo para um maranhense
Janela do quarto de 20 reais
Só depois de subir o morro que fui pegar informações sobre como seguir para a Isla del Sol, uma ilha no meio do Lago Titica e motivo pelo qual eu havia viajado a Copacabana. Achava que, como todo mundo viaja a Copacabana para ir a esta ilha, a ilha era um lugar do lado da cidade, que tinha barco saindo de dez em dez minutos e que levaria uns 20 minutos do trajeto. Nada, a ilha ficava a UMA HORA E MEIA de barco e só saíam dois barcos por dia, um pela manhã, outra pela tarde. Perdi o barco da manhã, acabei indo no da tarde que ficava só uma hora por lá. Mas enfim, era o que tinha.
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Chegando a Copacabana – Bolívia

O nome Copacabana é um vocábulo indígena boliviano proveniente da união de duas palavras: copa e caguana e que quer dizer lugar luminoso, resplandecente.
Depois de La Paz segui para Copacabana, cidade situada à beira do Lago Titicaca. Quando ainda estava no Bacoo Hostel, comprei o busão de La Paz para Copacabana. O ônibus sai pela manhã ou pela tarde e leva cinco horas para poder fazer o trajeto. Na hora que fui ao balcão do albergue para comprar, o busão na foto era lindo, espaçoso, com ar-condicionado e confortável. Fui lá e paguei acreditando que, bem, no albergue eles não iriam ter coragem de me roubar.

Nunca subestime a Bolívia.

O ônibus quando chegou era uma lata velha, mas como eu só queria chegar a Copacabana acabei indo nele.

Como é a história de Nossa Senhora de Copacabana? Francisco Tito Yupanqui, um nativo, supostamente descendente direto dos Reis Incas, de forte fé cristã, esculpiu uma imagem de Nossa Senhora, mãe de Jesus. No início ela ficou tosca, foi até jogada fora, mas posteriormente foi melhorada e, depois de muita insistência de Tito que recebeu várias negativas antes disso, foi posta no altar principal da Basílica recebendo o nome de Nossa Senhora de Copacabana. A perseverança, insistência, humildade e tenacidade de Yupanqui para atingir o seu objetivo de fé tem hoje o simbolismo de representar todo o povo Boliviano e suas qualidades, por isso que a minúscula cidade recebe peregrinações de Bolivianos de todo o país para sua Basílica. Eles inclusive levam os seus carros novos, recém adquiridos e com enfeites comemorativos, para serem benzidos em frente a Basílica. 
Estátua de Francisco Tito Yupanqui na porta da Basílica segurando a sua escultura
Esse aí vai precisar de muita bênção para esse carro pegar sempre.. Sim, é uma Brasília
Tenho certeza que você está se perguntando o mesmo que eu. Ué? Copacabana também na Bolívia? Sim, na verdade há Copacabana também no Brasil, haja vista que a praia mais famosa do Brasil tem seu nome devido a Copacabana boliviana. Comerciantes peruanos e bolivianos trouxeram uma cópia da imagem para o Rio de Janeiro e construíram uma capela em sua homenagem na rocha que separa a Praia de Copacabana da Praia de Ipanema, dando origem ao nome da praia mais famosa do Brasil. América Latina e suas histórias.

O caminho de Copacabana para La Paz é simplesmente belíssimo! Você vai margeando o lago Titicaca em uma visão privilegiada. 
Caminho para Copacabana
Quando chega o momento de atravessar o Titicaca de balsa, chegamos e somos saudados por uma estátua de Manco Capac, primeiro rei inca, que vou explicar a história posteriormente.

Manco Capac saudando o Titicaca
Apesar da maioria das pessoas irem a Copacabana devido ao Titicaca, o que eu mais gostei mesmo foi da Basílica que tem na cidade. Como eu expliquei, ela é um dos lugares mais importantes para todos bolivianos, sejam crentes ou não. Uma curiosidade é que além da capela principal, foi construída também uma capela aberta para cerimônias ao ar livre. Tais cerimônias eram costume dos indígenas locais e assim ficou mais fácil a assimilação das ideias cristãs.

Capela aberta


Procissão em Copacabana

City tour por La Paz – As Cholitas

Porém, nada é mais Bolívia do que as Cholitas.
As Cholitas são facilmente identificáveis pelas ruas bolivianas e estão virtualmente por toda a parte. Inicialmente eram das zonas rurais bolivianas, em suas maioria Quéchuas ou Aimarás, que migravam para La Paz a procura de uma vida melhor. Eram discriminadas e até impedidas de entrar em certos lugares, porém, devido a muita determinação e trabalho, hoje as Cholitas são parte fundamental da economia boliviana.
Como são as Cholitas? 
Bem, uma coisa que você vai facilmente perceber é o traje característico delas. Elas sempre estão de saias longas e grossas e um xale por cima de suas costas. Isso ocorre porque elas acordam bem cedo, quando está se fazendo muito frio, para poder trabalhar e usam os chales para se esquentar.
Seus cabelos são longos, porém sempre em tranças, para facilitar o trabalho.
Cholita com suas tranças
Elas geralmente tem um formato meio arredondado. Sim, as Cholitas são bem atarracadas. Isso é devido ao padrão de beleza Aimará. Enquanto para a gente uma mulher bonita é uma mulher esguia, para os indígenas das montanhas as mulheres atarracadas são bem mais atraentes. Isso ocorre porque elas precisam ser fortes para poder trabalhar e caminhar pelas montanhas. Quanto mais forte for uma mulher, mais forte será a prole que ela irá gerar. Para os Aimarás e Quechuas, “Strong and big is beautiful” (forte e grande é linda!). Inclusive a parte considerada mais atraente de uma Cholita são as suas canelas (enquanto para a gente é a… er… bunda?). Segundo o guia, uma Cholita pode estar seis meses grávida, carregando um saco de batata em cada braço, um bebê nas costas e ainda assim pode caminhar mais rápido e por mais tempo nas montanhas do que qualquer um de nós.
Porém nada, absolutamente nada, chama mais a atenção nas Cholitas do que o que elas tem na cabeça. Cara, é muito engraçado você ver aquela mulher toda agasalhada, com roupas coloridas, joias e na cabeça ter uma… CARTOLA MASCULINA. E MINÚSCULA! Sim, elas tem uma cartola minúscula, que não entra na cabeça,  amarrada entre as orelhas! Cara, como é engraçado ver aquilo na cabeça delas, parece a todo tempo que vai cair de tão pequena que é essa cartola. Segundo o guia isso aconteceu porque durante a construção de uma estrada de ferro os ingleses encomendaram milhares de cartolas a uma empresa italiana. Porém, houve um erro, as cartolas vieram bem menores do que o encomendado e lógico que não serviu na cabeça dos gringos. Eles tentaram dar um jeito e vender para os bolivianos. Porém, os bolivianos, apesar de pequenos, tem cabeças muito grandes e as cartolas também não serviram. Alguém vai saber porque cargas d´água, mas as Cholitas simplesmente adoraram as cartolas e as adotaram como vestimenta obrigatória! E isso tem mais de cem anos! As cartolas são tão importantes para as Cholitas que elas tem um código para usá-las. 
Se a cartola é colocada no meio da cabeça, a Cholita é casada. Se é colocada ao lado da cabeça, quer dizer que a Cholita é solteira e você pode ir lá tentar a sorte. Agora, prepare-se. Ser casado com uma Cholita implica em ter vários filhos, pelo menos uns sete, pois Cholitas gostam de famílias grandes. Então, nem pense que você vai passar o domingo vendo futebol. Vai passar o domingo “trabalhando”.
Uma coisa interessante e que você não vê muito facilmente em La paz: Supermercados. Sim! Segundo o guia, é porque tudo o que você queira comprar em La Paz é possível comprar nas mãos da Cholitas. Quando você quer comprar algo, não vai ao supermercado, mas sim aos mercados que existem por toda cidade.
Ele levou a gente para um mercado a céu aberto onde pudemos ver as “Caseras”, que são como são conhecidas as Cholitas que trabalham naquele mercado. No mercado inclusive vende-se muita folha de coca.
Mercado de rua com várias Cholitas
Nesse mercado, você estabelece um laço meio maternal com elas que inclusive te chamam de “Caserito”. Se algum dia estiver triste ou precisando de alguém para te escutar, pode só chegar do lado que ela vai escutar tudo o que você tem para falar com muita atenção e te dar vários conselhos. Porém, se prepare para que toda a feira saiba no outro dia, já que elas conversam sobre tudo entre elas. Disse-nos que depois que você compra um produto em uma determinada “Casera” você estabelece uma relação permanente e nunca mais pode comprar em outra, mais ou menos como a máfia das tias das Casas Particulares em Cuba (leia essa história aqui). Ela pode até te ver comprando em outra, uma banana por exemplo, porém se no outro dia você chegar e pedir alguma coisa à sua Casera, ela não vai te atender e vai te falar para você comprar na sua “nova Casera”. Explicou também que não costuma se barganhar naquele mercado aberto, pois sabe-se que fazendo isso está se roubando do pequeno lucro delas.
Porém, você pode pedir uma “Iapa”, que é como o nosso famoso “Chorinho”. Você compra dez bananas, daí vai lá e pede uma banana a mais de Iapa e a sua Casera fará o possível para atender ao seu Caserito.
Disse o guia também que várias delas são riquíssimas, inclusive são donas de imóveis e lojas, mas que todos os dias, faça chuva ou faça sol, estarão ali, na feira, esperando seus Caseritos para comprar mais uma penca de bananas ou apenas um ombro para ganhar um pouco de afeto.
América Latina e suas histórias peculiares…

City tour por La Paz – A singular e inacreditável Prisão de São Pedro

Infelizmente não me recordo o nome da empresa que fez um dos tours mais engraçados e interessantes que posso me recordar sobre uma cidade. Era alguma coisa como “agência vermelha” e eles tem como ponto de partida a Praça São Pedro as onze da manhã e o outro acho que as duas da tarde.
Os caras pegaram a gente e levaram para conhecer vários lugares bem legais.
Na Bolívia com a camisa da Bolívia Querida do Maranhão, o Sampaio Corrêa

Tava caminhando pelo centro de La Paz e do nada me deparo com essas cena. Vários caras fantasiados de zebra andando pelo centro de La Paz. Alguém me explica isso?
Logo do lado da praça de São Pedro tem um prédio gigantesco onde os guias já começam perguntando para a gente o que achamos que é lá. Um prédio da prefeitura? Um mercado? Não, cara, é simplesmente uma prisão. No meio do centro de La Paz!
Daí é só falar a palavra “prisão” que todo mundo já começou a ficar com medo. Porém, essa prisão tem um quê de diferente. Para começo de conversa, ela abriga 1.500 presos e tem apenas 14 guardas para guardá-la. Sim, um policiamento que não serve nem para guardar um batizado de uma criança, guarda uma prisão gigantesca. Como é possível isso?
Cara, é muito louco! Funciona porque a prisão é simplesmente autogestionada pelo presos. Ela funciona como uma mini-cidade dentro de La Paz onde a polícia fica do lado de fora para evitar que os presos fujam e só entra em questão de última necessidade. Lá é muito doido.
Achei até uma reportagem de um colunista da Veja comentando sobre o “sucesso” do modelo de gestão da prisão, se quiser conferir, clique aqui.
Primeiro que você tem que pagar pela cela que você vai ocupar. Sim, isso mesmo, pagar pelo espaço onde vai ficar preso!!!! Se tiver grana para desembolsar 1.500 dólares por mês pode ter a sua própria suíte com TV de plasma, cama de casal e todos os mimos que só o dinheiro pode comprar. Se for pobre, paga 20 reais por mês e mora em um cubículo com mais seis caras. Sim, você deve estar se perguntando o mesmo que eu. “E se o cara for lascado e não tiver dinheiro algum?”. Assim, é meio o que acaba acontecendo, né? Você está preso, logo não pode trabalhar, logo não tem dinheiro. Ah, isso é tranquilo, se resolve fácil. Você tem que trabalhar… Na prisão!! Sim!! Como uma em cidade quando você chega e não tem dinheiro, passa-se as suas primeiras noites dormindo nos corredores mais ou menos como um sem-teto. Depois de um tempo você consegue um emprego trabalhando como vendedor nos mercados que tem lá dentro ou limpando as celas alheias ou como cabeleireiro ou como carpinteiro ou com o que mais houver de trabalho por lá. Você tem que se virar.
Achei um artigo bem legal, apesar de ser da Veja, onde um cara comenta inclusive o “sucesso” do modelo

E não é só isso! Na prisão também moram as famílias dos detentos. Sim, mulheres e crianças também moram na prisão. Porém, com liberdade para entrar e sair quando quiserem. Os pais dizem que acham melhor elas ficarem lá do que soltas pelas ruas de La Paz.

Crianças na Prisão de San Pedro. Imagem da Wikipedia

Para fechar com chave de ouro, antigamente havia até um tour por dentro da prisão. Igual o tour pela cidade que eu peguei, havia um tour pelo Presídio de São Pedro. Você ia em um horário predeterminado, pagava uma certa quantia que era dividida entre o guia, suborno para os guardas e uma quantia para algo como a “prefeitura” da cadeia (cujos líderes são eleitos democraticamente). Um preso era responsável por guiar os intrépidos turistas pelas dependências da prisão. O tour era tão comum que era sugerido até mesmo em guias de viagem como o Lonely Planet (o guia de viagem que uso para viajar e um dos mais populares do mundo) que sugeria que antes de ir ao tour você comprasse bombom para dar as crianças e cigarros para dar aos presos. Porém com o tempo esse tour foi proibido. Por quê?

Fotos da prisão que achei pela internet já que hoje em dia os tours não são mais permitidos
Gente, não esqueçamos que estamos falando de uma prisão. Segundo o guia, o tour foi proibido depois que turistas começaram a ser assaltados e estupradas dentro da prisão. Eu acho que isso é conversa, a prisão é muito bem autogestionada para ter esse tipo de coisa. O que eu li na internet foi que os presos produzem a sua própria droga com as matérias-primas que são trazidas por mulheres e crianças e, uma coisa é você fazer algo para vender para fora, outra coisa é para consumo próprio. Então, os presos produzem drogas lá das mais puras possíveis. Era tão descarado que no fim do tour era oferecido aos turistas. Logo a fama da prisão começou a crescer devido mais a pureza das drogas do que pela bizarrice que era, vejamos, fazer um tour para conhecer uma prisão por dentro sem guardas. O lugar começou a se tornar uma peregrinação de drogados e, bem, o governo boliviano pensou que talvez fosse uma boa ideia acabar com isso. O guia da gente falou que até hoje fica um cara perambulando pela praça São Pedro oferecendo tour pela prisão, mas que isso é um golpe e que não se deve aceitar sob pena de ser esfaqueado ou roubado lá dentro.
América Latina e suas histórias bizarras.
Vídeo que fizeram quando ainda era permitido realizar os tours lá dentro

Infelizmente não me recordo o nome da empresa que fez um dos tours mais engraçados e interessantes que posso me recordar sobre uma cidade. Era alguma coisa como “agência vermelha” e eles tem como ponto de partida a Praça São Pedro as onze da manhã e o outro acho que as duas da tarde.

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Viajando por La Paz

Pombos aqui fazem sucesso

Quando ainda estava no Brasil, a minha maior preocupação era de como eu iria sobreviver a La Paz. Tudo o que eu sabia sobre a cidade era que ela era a capital da Bolívia e a mais alta capital de um país no mundo, com seus 3.741 metros de altitude (oitava cidade com mais de 100.000 habitantes mais alta no planeta). A título de curiosidade, Brasília fica a 1.200 metros e a cidade mais alta do Brasil, Campos do Jordão, a 1.620m. Ficava preocupado se iria passar mal, se iria perder dias de viagem hospitalizado quando chegasse a La Paz e coisas do tipo. Porém, depois que você sobrevive ao passeio do Salar de Uyuni, você começa a ficar arrogante em relação a altitude:
– Lá faz frio
– Quanto?
– Zero graus
– Pffffffff… No Salar de Uyuni peguei -10 ºC.
– Lá é alto.
– Alto quanto?
– 3.700 metros de altitude
– Pfffff… No Salar de Uyuni passei dias a mais de 5.000 metros e dormi a 4.300m.
E pior que foi isso mesmo. Quando cheguei a La Paz não senti mal algum e inclusive fiquei quase uma hora caminhando pelas ladeiras da cidade, subindo e descendo escadas procurando um lugar para ficar e sem sentir cansaço excessivo algum. É impressionante como o corpo se adapta em menos de uma semana.
Bandeira de La Paz
Um dos pubs mais legais que já fui. Centro de La Paz
Banheiro grátis. Uma raridade na Bolívia

Assim que cheguei a La Paz, a primeira coisa que eu fiz, foi pegar todas as minhas roupas e mandar para a lavanderia. Fiz isso porque era muito barato. Porém, a principal razão é que passar vários dias no deserto (sempre colocando várias roupas uma por cima das outras devido ao frio, areia para todo lado voando e entrando nos bolsos…) te deixam com uma sensação de estar sujo o tempo inteiro com as roupas todas empoeiradas.
Botei as roupas para lavar e fiquei ali, todo pimpão, só com a roupa do corpo. Depois que as minhas roupas já estavam na lavanderia que fui me tocar que só estava de boa porque era quase meio dia. Rapaz… de noite começou a fazer frio… foi baixando a temperatura, baixando, baixando, chegou a fazer oito graus e eu de bermuda e camisa. Tive que ficar embaixo do edredom do albergue até a hora das minhas roupas voltarem.
Agora, o que eu mais gostei e o que mais me impressionou em La Paz é como vida noturna do lugar é da hora. Cara, a noite de La Paz é muito legal, principalmente nos albergues. Os dois mais legais são o Wild Rover (o Wild Rover inclusive tem em Cusco e Arequipa. Se você fica em dois lugares, Cusco e Arequipa, por exemplo, ganha um drink grátis, se fica em três, no terceiro ganha uma camisa) e o Loki Hostel. Você chega no albergue, não paga nada para entrar e lá dentro é gente do mundo inteiro e brasileiro para todo lado. Realmente é muito legal e vale visitar La Paz só por causa da vida noturna.
Teve uma noite que foi engraçada. Eu tava saindo de um das baladas no albergue, já pela madrugada e meio bêbado. Perguntei ao segurança se era de boa caminhar por La Paz naquele horário a caminho do meu albergue e ele me perguntou “Rapaz, tu algum dia já viu tanto policial junto em algum lugar?”. Depois que eu fui lembrar que La Paz tava meio que sitiada por causa dos protestos dos mineiros que, não contentes em terem explodidos a Prefeitura de Potosí com suas bananas de dinamite, agora ameaçavam explodir o Palácio Presidencial. Black Block no Brasil é fichinha comparado com nossos amigos.
Caveirão
O guia lá explicando para a gente e direto passando carros e mais carros com soldados
Polícia para todo lado
Caveirão em frente ao Palácio Presidencial em La Paz
Outra coisa legal é que La Paz também tem aquele teleférico que há no Rio de Janeiro e em Caracas (descrevi oteleférico de Caracas nesse post aqui). A visão do teleférico é muito legal, dá para ver o vale em que Caracas fica. O teleférico parece cortar a cidade inteira. É um passeio de umas duas horas que vale a pena. Além desse passeio, também peguei um outro, que era um city tour pela cidade, que descrevo no próximo post.
Vista do teleférico

Quando você está no teleférico dá para ver uns prédios legais como esse.

Crônicas de um mochileiro pelos Andes Bolivianos

Às vezes eu fico pensando como a vida pode ser engraçada. Em Brasília, no ônibus, a caminho do aeroporto para começar a minha viagem, subiu um cara para vender algumas coisinhas no coletivo. Como ele era ex-usuário de drogas, parei para escutar. Ele começou falando que não estava nem aí se quase ninguém no ônibus ia se importar no que ele tinha a dizer, dissera que já fora morador de rua e ser ignorado nada mais fora do que sua realidade durante muitos anos. Porém, se uma pessoa ao menos escutasse o que ele tinha a dizer, já valeria a pena. Falou que tinha uma vida normal e estável trabalhando com tecnologia até começar a usar drogas e tudo ir pelo ralo. Quando achava que sua vida estava fadada, membros de uma igreja evangélica o acolheram nas ruas e o levaram a um tratamento numa clínica de reabilitação. Fazia alguns anos que não usava mais drogas e agora retribuía arrecadando recursos para a congregação para que outros pudessem ter uma oportunidade como a dele.Depois iniciou um belo discurso sobre a mensagem de Cristo e da Bíblia sobre amar o próximo, sobre perseverança, sobre nunca desistir de ajudar um outro ser humano ainda que ele esteja em uma situação de extrema vulnerabilidade. Tudo isso, lógico, com poucas pessoas prestando atenção.Aquilo me fez pensar o que aconteceria se ele fosse outro extremo. Se tivesse subido no ônibus com uma bíblia na mão babando sangue e propondo o extermínio de homossexuais ou que todos estávamos fadados ao inferno por alguma bobagem qualquer, se ele fosse basicamente um filhote do Feliciano se não daríamos muito mais atenção para o que ele estava falando. Como nos importamos quando alguns idiotas utilizam a religião para falar as suas asneiras e quase não damos moral quando um cristão, um islâmico, um judeu… falam sobre a mensagem que suas crenças têm a passar sobre amor ao próximo, perseverança, acolhimento, perdão, sobre a batalha diária para ser cada dia uma pessoa melhor, que é a real mensagem que suas religiões apresentam.Bem, porque eu tou falando tudo isso? Comprei o que ele estava vendendo sem ver direito o que vinha no pacotinho, que coloquei na bolsa. No avião, quando estava arrumando minha mochila, pude ver que no saquinho havia, além de algumas balinhas, um batom de cacau e uma lanterna, meio que antevendo duas das coisas que eu mais precisei, e havia esquecido de comprar, quando estive nas montanhas secas e com pouca iluminação elétrica.Se eu fosse religioso, diria que foi Deus que quis me passar uma mensagem, mas acredito mesmo que é bem legal quando a gente ajuda alguém sem pretensão nenhuma e acaba no final sendo ajudado. Lembrou-me Francisco de Assis e seu “é dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado”Por uma cidade com menos ódio às crenças alheia e por mais mensagens de amor ao próximo sendo escutadas dentro dos ônibus =)