Espírito Empreendedor

Marcamos de nos encontrar no albergue delas. Desci pra lá como combinado e começamos a procurar uma balada pra poder entrar. Descemos pro cais onde havia várias baladas diferentes e entramos na primeira que vimos. Não precisava pagar pra entrar.
Sentamos numa mesa e ficamos vendo de qual era da balada. Ficamos conversando um pouco. A balada chegava a ser engraçada se não fosse trágica. Só tinha homem pra tudo que era lado, todo mundo sentado e ninguém, absolutamente NINGUÉM, dançando. Claro que aquilo não seria um problema pra gente.
Enquanto estávamos sentados conversando sobre o que iríamos fazer veio um cara, que mais parecia um garçom, e perguntou se não queríamos algo. Falamos que não e ele saiu. Depois de uns dez minutos voltou e perguntou se queríamos algo. Falamos que não e ele saiu. Depois de mais uns dez minutos ele voltou e perguntou se queríamos algo e ficou nessa de dez em dez minutos. Me senti como nesse vídeo do Hermes e Renato abaixo:
Pra fugir do garçom mala, nos levantamos e fomos dançar um pouco. Cara, o que foi aquilo? A balada simplesmente PAROU pra poder ver as minas dançando. Elas também não contribuíam, né? Polacas, lindas, num lugar que só tinha homens de bigodes por todos os lados, elas dançavam de uma maneira muito sensual. Mermão, até eu parei um pouco pra ver. O que era aquilo, meu amigo? Por entre bigodes eriçados elas dançavam e rebolavam em frente a uma plateia que ia a loucura. Depois eu meio que fiquei de lado com vergonha dos caras ENCARANDO as minas sem parar. Me lembrou de uma foto célebre do tempo da Polônia.
Elas ainda por cima eram banqueiras. Toda hora iam no Dee Jay e pediam uma música diferente e quando ele não colocava, elas ainda iam reclamar. Enfim, acho que era o preço a pagar pra aquela balada ter um pouquinho de graça.
Depois de um tempo sentamos e começamos a conversar novamente. Adivinha o que aconteceu? Sim, eu tenho certeza que você já adivinhou:
– Deseja alguma coisa senhor?
– Rapaz, não, doido, obrigado! Eu REALMENTE não quero nada agora!
– Mas, você vai ficar aí sem consumir nada?
– Rapaz, pelo menos por agora sim, por quê?
– Porque você não pode fazer isso.
– Como assim?
– Você não pode ficar sem consumir nada.
– Uai, mas a festa não era de graça pra entrar?
– Sim, é de graça pra entrar, mas pra ficar tem que consumir algo.
– Tá, tá bom, eu consumo mais tarde.
– Não, senhor. Você tem que fazer um pedido.
– Uai, cara! Não tou te entendendo. Por que você tem que me FORÇAR a consumir algo?
– Senhor, como é que as pessoas fazem dinheiro no país que você vem? Meu patrão prefere não cobrar entrada, mas em compensação a única maneira de ele fazer dinheiro é assim. Quando as pessoas pedem uma bebida ou algo do tipo.
– Tá, se eu não pedir agora você vai me colocar pra fora, é isso?
– Provavelmente…
Levantei, fui lá onde as meninas estavam dançando e deixei ele falando sozinho.
Pensa que ele se fez de rogado? Naadaaa… Pegou as bolsas que as meninas tinham deixado na mesa e começou a levar na direção da porta. Eu não paguei pra ver se ele ia jogá-las pela porta ou não, mas pelo jeito que o bicho ia REALMENTE parecia que ele iria fazer isso. Pegamos as coisas delas e ele nos apontou a porta da rua. Simples assim. As ÚNICAS mulheres da festa foram expulsas porque não estavam consumindo nada dentro do bar. Tristeza geral entre os marmanjos que estavam lá dentro quando a atração estava indo embora. Pude perceber que espírito empreendedor não era lá o forte do dono da balada.
E lá vamos nós
Expulsos da balada, fomos procurar outro lugar. Paramos em um bar, dessa vez, por via das dúvidas, compramos logo uma cerveja e ficamos lá vendo que o iríamos fazer. Do nada um turco em uma outra mesa começou a gesticular um coração no ar e a gritar algumas coisas em turco apontando pra uma das meninas que estavam na minha mesa. Ele parecia querer dizer que estava apaixonado por uma das polonesas que estavam sentadas conosco. A gente tentou ignorar, mas o cidadão simplesmente não parava. Um peão de obras aqui era um lord comparado com o cara. O figura REALMENTE não parava e começou a ficar chato. Isso NO MEIO DE UM BAR LOTADO. Eu fiquei me perguntando se é assim mesmo que eles chegam em mulher na Turquia ou se de tanto as mulheres viverem cobertas, os caras quando olham uma mulher de saia simplesmente ficam mais loucos que o batman!
Enfim, como não podíamos ficar assistindo aquele show de desespero por uma mulher, resolvemos sair do bar antes que ele pegasse um tacape, desse na cabeça dela e a levasse arrastando pelos cabelos. Fomos para um outro bar e ficamos lá de boa. Do nada chegou um outro cara, mas dessa vez falando em inglês com a gente e sendo gente boa. Era o dono do bar.
O cara era REALMENTE muito sangue bom e virou nosso amigo. Depois de um tempo conversando, ele perguntou se não queríamos entrar na casa dele (o bar ficava nos fundos da casa dele) que ele queria nos mostrar algo. Eu não gostei dessa história de “vamos entrar aqui na minha casa”, fiquei com medo do cara querer fazer alguma maldade ou algo do tipo, mas as minas não tavam nem aí e foram logo entrando. Eu acabei tendo que ir mesmo.
Não era nada demais. Ele apenas foi mostrando a casa dele e no final mostrou uns gatinhos que a gatinha dele tinha acabado de parir. Claro que desmanchou o coração das minas, pois se tem algo que amolece coração de mulher é gatinho filhote sedendo de carinho. Ficamos conversando lá por um tempo e ele perguntou se não estávamos a fim de ir numa balada com ele. Eu mais uma vez fiquei escabreado e com medo de acordar numa banheiro de gelo com um rim a menos (pô, eu sou do Brasil, né, fera?), mas mais uma vez as meninas foram na frente e nem me deram tempo de titubear.
No final o cara levou a gente pra uma balada GIGANTESCA!!! Custava 30 euros pra poder entrar, mas ele nos colocou de graça lá dentro! O bicho era REALMENTE gente boa! A balada era coisa de outro mundo, o único porém é que já estava fechando. Ficamos curtindo um pouco lá até que deu umas quatro horas da manhã. Ficamos ainda dando um rolê, mas eu acabei indo embora e me despedindo das meninas e do cara, que, infelizmente, nem o nome mais eu lembro.
Noite surreal, amigo.
Voltei pra casa e comecei meus preparativos pra poder viajar Síria no outro dia.

Cruzando a fronteira da Turquia com a Síria

No outro dia consegui pegar o meu busão em direção a Damasco na Síria. Ainda estava meio confuso se eu conseguiria ou não o maldito visto pra poder entrar no país. Uns me falavam que era super de boa pra poder tirar, que era só pagar a taxa que você estava dentro enquanto outros me falavam que era maior embaço e complicado. Isso era um tanto quanto preocupante, haja vista que não ter todas as informações necessárias em um ambiente possivelmente hostil como aquele não é o melhor dos cenários. Se os caras da fronteira percebessem isso, eles poderiam tentar me enrolar (fazendo eu pagar mais pela taxa do visto, que eu sequer sabia de quanto era) ou então me pedir suborno, o que eu só faria em último caso.

Abaixo dá para ver o sentimento que eu tava na fronteira:

Pra piorar, todos no busão pareciam ser turcos e ninguém parecia que sabia falar inglês, muito menos o motorista. Enfim, o jeito foi seguir viagem. Quando fui cruzar a fronteira, fiquei impressionado, pela primeira vez desde quando havia começado a viajar, me deparei com guardas de fronteira que não falavam uma palavra em inglês. Os caras não sabiam falar nem hot-dog. Pode parecer besteira, mas lembre-se que eles trabalham com fronteira, cara! Eles são os responsáveis por deixar ou não uma pessoa passar pra dentro de um país ou outro. Eles pareciam falar só turco e árabe. Não parecia que forasteiros de outras nacionalidades eram muito comuns por aquelas bandas. Quando foi pra poder sair do país, havia uma fila para sírios, outra para turcos e outra para “o resto”. Qual não foi a minha surpresa ao ver que um outro cara ia comigo pra fila do “resto”. Opa, um estrangeiro em lugares isolados como esses sempre são bons, duas cabeças pensam melhor que uma e sempre podemos nos ajudar caso algo aconteça.
Fui trocar uma ideia e ele me saiu melhor que o esperado. O cara, apesar de falar pouco inglês, sabia falar turco e árabe! BINGO!! Tudo certo, amigo!! Agora nada pode dar errado!!! O bicho era búlgaro (sim, já pode ir contando línguas faladas: turco, inglês, árabe e búlgaro. Pelo menos), marinheiro e gente boa pacas. Depois que cruzamos a fronteira da Turquia sentei do lado dele e fomos conversando no caminho. Ele me contou que já havia viajado pro Brasil e visitado dois portos: Santos e um tal de Madieiria. Maidieiria?? Que diabo é isso?? Tá certo que eu não sei todos os portos do Brasil, mas com certeza a gente não teria um porto com esse nome. Devia ser um nome parecido. Fiquei pensando, pensando… Rapaz, depois de um tempo eu não fui me tocar do porto que ele tava falando? Era o porto de PONTA DA MADEIRA!! O que é Ponta da Madeira??? É o porto do ITAQUI!! O que é o Itaqui?? É um dos maiores portos do Brasil e fica situado numa cidade patrimônio da humanidade!! SIM, O CARA JÁ HAVIA PASSADO POR SÃO LUÍS!! Rapaz, que felicidade!!
Fiquei todo feliz e fui bombardeando o cara de perguntas: o que ele havia visto, se tinha gostado, se tinha passado muito tempo e talz. Pô, não é todo dia que se conhece alguém que já foi a São Luís NO MEIO DO ORIENTE MÉDIO, né? Enfim, eu vi que ele meio que não entendeu o que eu tava perguntando (ele não falava inglês tão bem, como já falei) e foi me contando como foi essa “excursão” dele por terras ludovicenses.
Diz ele que ficou quase uma semana esperando pra poder descer do navio. Ele me contou que quando eles chegam, eles ficam numa fila de barcos esperando obter autorização pra poder descer em terra firme. Falou que era um saco. Você dorme e acorda todo o dia olhando a terra firme e não pode descer! Isso depois de provavelmente ter cruzado um oceano inteiro! Depois que ele enfim conseguiu descer, tentou ver como faria pra poder dar uma volta na cidade, mas foi informado que o centro histórico era MUITO longe do porto do Itaqui (e bicho, real? É longe MESMO!!). Juntou quatro amigos pra tentar rachar um táxi, mas o taxista que fez mais barato queria 100 reais POR CABEÇA pra levá-los ao centro e trazê-los de volta ao porto do Itaqui, o que fica mais que demonstrado que seja na Índia ou seja no Maranhão não há raça mais FILHA DA PUTA do que taxista pra querer te roubar. Só pra vocês terem uma ideia, eu paguei uma vez uns 250 reais pra viajar de Brasília a São Luís de ônibus. Como eles não estavam lá tão a fim de conhecer a cidade, resolveram buscar um programa um pouco mais educativo e saudável. Compraram uma garrafa de vodca e foram atrás de um puteiro.
Bem gente. Eu vou falar uma coisa pra vocês. São Luís é uma cidade bonita, mas mulher é uma situação complicada. Se tu olha uma mulher gatinha caminhando na rua tu achas logo que é turista. É… a situação aqui é braba mesmo. Agora imagina como deve ser isso em um puteiro?? Imaginou? Agora pensa como deve ser assim em um puteiro baixo, mas BAIXO nível como são os ao redor do porto (dizem que o mais rico dos que lá frequentam chega de bicicleta)? Pensou, pois é!! Foi isso que ele me falou… E o coitado ainda espocou 100 dólares com o pacote completo: Vodca, entrada, mulher e tudo… Gringo só se complica…
Eu percebi que a experiência que ele teve com São Luís não foi das melhores, por isso mudei logo de assunto: – Olha, chegamos no posto de fronteira da Síria!! Vamos descendo??
Descemos e ele foi na frente, pois, como disse, falava árabe. Rapaz, assim que entrei no posto eu só faltei foi rir. Imagina um bando de gordo, de bigodinho e farda por todos os cantos?? Pois era assim o posto de fronteira. Mas parecia um bando de Saddam Hussein por todos os lados. Engraçado DEMAIS!! Perguntei quanto era pra poder pagar pelo visto e o marinheiro me falou que era uns 30 dólares. Tirei 30 dólares e quando ia pagar ele me falou que só podia ser pago em moeda local. Ow beleza, que boa notícia. E onde eu iria trocar? “Seus problemas acabaram”, tinha uma casa de câmbio DENTRO do posto de fronteira só pra isso. Agora pense comigo. Aquela era a casa de câmbio em centenas de quilômetros. Já deduziu? Claro que a conversão foi a PIOR possível e o visto que era pra sair por uns 30 dólares, acabou saindo por 40 só com o tanto que eles me roubaram no câmbio.
No final graças a Deus deu tudo certo e eu conseguia atravessar, são e salvo, a fronteira da Síria…

De volta a Istambul

Apesar de achar que nada de mais aconteceria quando voltasse a Istambul, de achar que apenas iria ficar por duas noites na cidade esperando o dia do meu vôo, posteriormente percebi que eu estava enganado. Primeiro porque eu pude curtir Istambul sem estresse. Ao contrário de Damasco, de Beirute e das outras cidades que passei, nesta volta a Istambul eu não precisava ficar preocupado se o tempo era curto, preocupado que eu precisava voltar logo e, pior, como eu diabos eu iria fazer pra poder me deslocar, já que se deslocar pelo Oriente Médio sempre era dor-de-cabeça. Foram dois dias de absoluta paz e descanso na preparação para a volta à Europa que prometia ser bem hardcore.
Acordei no primeiro dia e, sem ter o que fazer, resolvi procurar um lugar onde pudesse acessar internet de maneira barata. Como não sabia pra onde ir, fiquei passeando pelo Estreito de Bósforo, pensando como diversas civilizações lutaram para ter domínio daquela região que hoje pertence aos turcos e que olhando assim não parecia nada demais.
Estreito de Bósforo

Também pude ver as pessoas que, que nem eu, pareciam não ter o que fazer, apenas ficavam pescando e curtindo aquele belo dia de sol em Istambul.
Só uma curiosidade acerca dessa curiosíssima foto de Salvador Dali. Ela não é montagem, ela é, desculpem o trocadilho, realmente real. Ela foi feita com a ajuda de, se não me engano, mais quatro pessoas. Uma atirou os dois gatos, a outra segurou a cadeira, a outra atirou o outro gato e a outra atirou o balde com água. Difícil acreditar, né?

E tava eu lá, andando de boa, quando vejo um cartaz com uma foto meio familiar. Um cidadão com os olhos perdidos, cara de maluco, mexendo no seu bigode… Rapaz, eu acho que eu conheço esse cara de algum lugar. Jogador do Flamengo? Não… Peraí… Aquele cara era… Era… Dali! Salvador Dali!!
Depois de um tempo que eu fui reparar que estava em frente a um centro de eventos e que lá estava ocorrendo uma exposição de quadros originais de Salvador Dali!! Caraca, doido!! Doido demais!! Corri lá pra dentro e qual não foi a minha surpresa a descobrir que ainda era de graça. Pronto, aí foi todo o meu primeiro dia em Istambul!! Acabei me perdendo pro aquelas dezenas de quadro, aquela loucura em telas do surrealismo!! Lendo etiqueta pro etiqueta, me deliciando com detalhe por detalhe que podia perceber em cada quadro. Foi sensacional!! Dentre os diversos quadros que pude ver estava o seu mais famoso, o do relógio com o tempo se desfazendo. Não sei se era o original, ou apenas uma réplica. Enfim, o fascínio ser o mesmo…
No outro dia, resolvi passar o dia inteiro dentro da Mesquita Azul (falei dela num post atrás, se não se lembra, favor clicar aqui). Por quê? Bem, cara, além de ser uma das maiores jóias arquitetônicas que pude presenciar em toda a minha viagem, a Mesquita Azul era uma das poucas atrações em Istambul que, pasmem, não cobrava entrada. Era de graça. Entre ficar dentro de casa escrevendo sobre os futuros posts do blog e ficar dentro da mesquita fazendo o mesmo, a única diferença seria a passagem de ônibus até lá. Resolvi descer para a mesquita.
Cheguei lá, coloquei minha mochila no carpete macio da mesquita, tirei o meu bloquinho de anotações, coloquei meu agasalho do Brasil em cima da minha mochila e comecei a escrever algumas coisas que eu não poderia esquecer de postar no blog. Depois de um tempo, um cara veio falar comigo, perguntando se eu era brasileiro. Falei que sim e logo ficamos amigos. O nome dele era Fabrício e ele trabalhava como técnico em alguma área relacionada a petróleo. Ficamos trocando uma idéia. O cara era muito engraçado…

Contos em Istambul

Conversa vai daqui, conversa vai dali e fomos nos apresentando um ao outro. Depois de um tempo eu falei pra ele que estava em uma viagem de volta ao mundo e que da Turquia estava voltando pra Europa. Ele me falou que também estava viajando bastante:
– Ah é? Massa e onde você esteve antes? França, Inglaterra, Espanha? – fui perguntando aquele roteirozinho besta que todo mundo faz e acaba não sabendo que há um mundo muito grande lá fora além de Europa Ocidental/Estados Unidos da América.
– Não, não, pra falar a verdade, são uns países um pouco mais exóticos.
– Ah tá. República Tcheca, Eslovênia, Bulgária??
– Não, não, pô! Eu trampo com petróleo. Eu primeiro fui para o Azerbaijão, depois Líbia e depois Cazaquistão.
Eita porra, e eu tirando onda achando que tinha viajado pra lugares malucos. O cara não sabe nem brincar, coloca logo Líbia e Cazaquistão na mesa. Mandou mal. Fui lá e perguntei como havia sido viajar para tais países e ele me falou que havia sido, no mínimo, exótico. A Líbia, segundo ele, não havia sido nada demais, a não ser o fato de que ele havia tido alguns problemas pra poder passar no posto de imigração do aeroporto, já que NINGUÉM falava inglês (qualquer semelhança com a Síria é mera bobagem…). Falou que só conseguiu atravessar a fronteira quando os caras conseguiram ler no passaporte dele que ele era do Brasil e ficaram gritando “Ronaldo” até a hora que o tradutor da empresa chegou no aeroporto e desenrolou tudo. Problema mesmo ele disse que havia tido era no Cazaquistão.
Problema por quê? Ah, cara, besteira. Como dizia o saudoso Tiririca Jr. (sim, eu também sei ser trash. Eu confesso, eu achava ele engraçado… “Ai Jurubira como é grande a emoção, toda vez que eu te vejo faz tum-tum meu coração…”) no programa do Gugu: No aeroporto ele foi bem recebido de todos os lados, foi tijolada de um lado, tijolada do outro. Cara, não foi tijolada em si, mas foi parecido com isso. Diz ele que ao estar caminhando pelo o aeroporto, procurando um telefone pra poder ligar para alguém da empresa ir lhe buscá-lo, um cazaque, começou a gritar e a correr na direção dele. Coisa comum, você vê todo dia, né? Desce do avião, num país TOTALMENTE estranho, NO MEIO DA ÁSIA e vem um maluco correndo pra cima de você. Só faltava estar montado num elefante rosa pra completar a cena surreal…
O que você faz numa situação dessas? Vendo um louco, correndo, NO CAZAQUISTÃO, apontando pra você e gritando? Isso, logicamente o que você pensou: Nada, você fica paralisado olhando o que aquele maluco vai tentar fazer. Diz ele que ficou olhando aquele pandemônio pra ver o que ele diabos queria. Quando o cara chegou, o agarrou pro braço e começou a apontar pro braço dele, mas precisamente para a sua pele. Fabrício é negro como vocês podem perceber nesta foto abaixo.
O cara diz que agarrou com força no braço dele e começou a gritar. Depois de um tempo ele foi perceber que o fato dele ser negro e de haver um negro no aeroporto, segundo ele, parecia irritar aquele cara. Diz ele que apenas se soltou do cara, saiu correndo, entrou no primeiro táxi que viu e seguiu pra uma lan house pra poder ligar no skype e ser “resgatado” por alguém da empresa. Diz ele que a vontade que dava era de rir, mas ele ficou com medo e depois foi se informar com os companheiros da empresa (a maioria italianos), o que diabo acontecia naquele país tão distante onde a única coisa que o mundo sabe é que eles produzem potássio e que o Borat é o segundo repórter mais importante de lá…
Os italianos falaram para ele tomar cuidado, pois aquilo parecia ser algo recorrente com negros que iam trabalhar no Cazaquistão, pois muitas pessoas no país não estavam acostumadas a ver pessoas de pele negra (vale lembrar que durante muito tempo o Cazaquistão foi um país MUITO fechado, pertencente à falecida União Soviética) e isso poderia lhe trazer problemas. Por via das dúvidas, ele evitava sair de casa para não ter problemas. Bicho, só um segundo aqui antes de eu começar a escrever. Cara, imagina a loucura que não é viver num país que nem esse… O bicho falou que ele só saía pra rua acompanhado dos italianos e não-raro algumas pessoas gritavam quando olhavam pra ele. Diz que teve até uma vez que ele estava andando no meio da rua e começou a chover pedra pra cima do grupo dele. Ele diz que já havia visto chuva de todo o jeito, mas de pedra era a primeira vez. Quando ele foi ver, era um cazaque jogando pedras neles e, logicamente, gritando!! Antes eu achava que o filme Borat trazia uma imagem muito negativa acerca do Cazaquistão, hoje eu penso é se eles não pegaram foi muito leve. E você aí preocupado com seqüestro relâmpago…
Diz ele que era pra ele ficar seis meses por lá, mas deu dois meses ele pediu pra sair. Diz que não tinha paz e não dava pra ficar vivendo daquele jeito. Os caras relutaram um pouco, mas acabaram transferindo ele de volta pro Rio de Janeiro. Tá louco, imagina ficar vivendo desse jeito?
Com essas histórias não me espantava que ele havia, digamos, não se adaptado ao Cazaquistão. Gente boa demais o moleque… Ele ainda me contou que preferia morar no Rio de Janeiro, apanhando de PM, do que morar naquele lugar de maluco. Apanhando de PM? – perguntei. Ele me explicou.
Diz ele que um dia de madrugrada, por volta de uma cinco da manhã, estava caminhando com uns primos, voltando de uma balada quando foram abordados por um PM que pediu os documentos deles. Como já tava todo mundo bêbado e saliente, o primo dele só virou pro PM e falou: – Pode ficar frio, tio, aqui ta todo mundo limpo… O PM diz que respondeu à altura, ou melhor, “à baixura” já que baixou uma bolacha no pescoço dele que foi caindo por cima dos primos e todo mundo rebolando no chão, quase um boliche de embriagados, já que bêbado não é muito bom em manter o equilíbrio.
– Tio? Vê lá se eu tenho sobrinho feio desse jeito, rapaz!! Senta todo mundo no canto ali!! – o PM gentilmente respondeu. Ficaram os cinco sentados no parapeito da calçada olhando pra ele. O bicho só falou: – Agora vocês cinco vão ficar aí sentados até a hora de acabar o meu horário. Os cinco, podem sentar aí, tão de castigo que é pra aprender a obedecer autoridade. E ai de quem dormir aí!! Pode ficar todo mundo com os olhinhos abertos!!
E lá foi ele e os primos ficar até sete horas da manhã de castigo pra poder aprender a respeitar autoridade, hehehehe.
No aerporto de Istambul, quatro horas da manhã, esperando o avião e escrevendo o blog…
Depois de um tempo conversando, de ouvir esses e muitos outros causos (o cara era muito engraçado, não dá pra escrever tudo aqui, senão vou ter que fazer um blog só pra ele), nos despedimos e foi chegada a hora de eu voltar para casa pra poder pegar minhas coisas e descer pra Eslovênia. Chegando em casa nem deu pra gente se despedir direito, pois o casal que estava me hospedando pareceu que estavam brigado e por isso nem puxei muito papo com eles. Segui logo pro aeroporto pra poder esperar meu avião que sairia SEIS horas depois…

Atravessando a fronteira da Síria para a Turquia – agora a volta!

Cara, tava tudo dando certo e se encaixando direitinho. Apesar de ter sido difícil entrar na Síria e o mesmo pra poder entrar no Líbano, a saída de ambos países foi bem tranquila. O ônibus que eu peguei no Líbano não atrasou, chegou no horário e com isso consegui ficar quase cinco horas a mais em Alepo. Bati várias fotos, o que me deixou satisfeito. O transporte de Alepo até a fronteira da Turquia também foi bem tranquilo, deu tudo certo. Ninguém tentou me roubar e, apesar de uma história que eu vou narrar abaixo, nada demais aconteceu. Cara, tudo estava acontecendo de uma maneira que me deixava assustado, pois, afinal, no Oriente Médio, tudo ocorrendo de maneira correta, era um mau presságio.
Dica, sério, se vocês vão viajar por aquela região, faça com que algo dê errado, pois senão vai acontecer o mesmo que aconteceu comigo.
Enrolei-me com dois gringos que conheci em Alepo, pegamos o transporte em direção à fronteira e seguimos em direção ao posto de controle da fronteira turca. Eles eram um casal de eslovacos e também estavam indo em direção a Istambul. Fiquei amigo dos figuras. Estava lá, dentro do carro, pensando em devaneios, quando lembrei de algo que me preocupou sobremaneira. Eu não sei se vocês lembram, mas num post lááááá atrás, escrevi sobre um sírio que conheci que era jornalista e fazia vários documentários e reportagens contra a ditadura síria. Aquele que já havia sido preso várias vezes. Enfim, aqui está o post dele pra que vocês possam refrescar a memória.

Casal eslovaco que viajou comigo até Istambul. Fui só eu o mais alguém achou a menina a cara da Trinity do Matrix?
Sim, por que estou falando tanto dele? Bem, acho que vocês não lembram, mas no post eu falei que ele havia salvo alguns dos seus trabalhos no meu pen drive quando eu estava em Damasco pra eu depois poder ver em casa. Gravei no meu pen drive e acabei nem me lembrando de abri-lo e ver o que ele havia colocado lá dentro. Só fui me lembrar quando estava cruzando a fronteira. Qual o problema? Amigo, estamos falando de um cara que já foi preso várias vezes pela ditadura síria, altamente subversivo e com grande probabilidade de estar fazendo um trabalho novo e querendo propagandeá-lo pelo mundo. Como? Ora, como, disponibilizando para vários estrangeiros diferentes. Cara, não sei se vocês se tocaram, mas eu estava com uma probabilidade MUITO GRANDE de ter um material altamente subversivo no meu pen drive. Vocês podem achar que eu estou falando besteira, mas basta apenas lembrar que estamos falando de uma das ditaduras mais sanguinárias do planeta que tem como um dos seus principais modelos, nada mais, nada menos, do que o ditador iraquiano Saddam Hussein.
O desespero bateu forte quando lembrei disso. Cara, e se eles resolvessem mexer nas nossas malas, ver o que estávamos levando assim como fizeram no Camboja com um estrangeiro que estava no meu ônibus (que até o laptop eles ligaram pra ver o que tinha no HD do cara)? Mermão, aquilo tinha um GRANDE potencial de dar merda. Comecei a pensar em mil maneiras de como eu poderia fazer pra poder esconder aquele pen drive. Não, não pensei em colocar naquele lugar íntimo que iria arder bastante, também não precisava esse grau todo de desespero, né? Resolvi apenas jogá-lo embaixo do meu banco e rezar pra que nada de errado acontecesse no final. Chegamos ao posto de controle da Síria. Por mais desesperado que eu estivesse, o único problema que acabamos tendo foi que havia uma fila GIGANTESCA de carros querendo cruzar a fronteira (boto fé que todo mundo quer ir embora da Síria) e o fato de que não poderíamos sair com nenhuma nota de dinheiro sírio do país. Sim, não é permitido sair com dinheiro sírio de lá e nem é possível trocar a sua moeda em qualquer lugar que não seja dentro da Síria. Interessante, né? Acho que é pra evitar que especulem com a moeda da Síria e assim desestabilizem a sua economia. Nem no nosso carro tocaram, só carimbaram meu passaporte e me mandaram voltar pro carro. Nada demais. No final, quando eu vi o que havia no pen drive, não havia nada demais, apenas algumas fotos de um campo de refugiados da Palestina e umas novelas que ele havia feito. Infelizmente antes de eu puder passar pro meu pc os arquivos, o pen drive deu pau e eu acabei perdendo os mesmos.

Odisséia turca

Cambada na Rodoviária
Problema mesmo eu fui ter foi quando cheguei na Turquia. Bicho, aquilo não foi uma viagem. Aquilo foi uma odisséia. Se eu achava que havia tido problemas demais na ida, eu não sabia o que me esperava na volta. Cara, só quando eu cheguei na maldita rodoviária de Antákia, aquela que me trazia péssimas recordações que eu fui ter notícia de que eu estava viajando na véspera de um dos MAIS IMPORTANTES feriados turcos!! Era algo mais ou menos como se eu estivesse viajando no dia 23 de dezembro aqui no Brasil. Mermão, a rodoviária tava um INFERNO de gente caminhando pra tudo que era lado, todo mundo estressado e, claro, ninguém com a mínima paciência para forasteiros.
Cheguei no guichê, com a maior das esperanças do mundo, e fui falar com o atendente:
– Opa, tudo bom? Então, cara, o próximo ônibus pra Istambul, que ainda tenha passagem disponível, sai que horas?
– Daqui a uma semana. Você prefere janela ou corredor?
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Rapaz, no começo eu até achei que ele tava era de molecagem comigo. Mas só depois que eu fui me tocar que ele realmente falava sério. Não havia passagens para Istambul de maneira alguma. Istambul? Não havia passagens era pra LUGAR ALGUM da Turquia saindo daquela rodoviária ABARROTADA de gente. Parecia que a melhor idéia pra mim seria ficar acampando naquele deserto por uma semana antes de pegar o próximo ônibus, já que nem hotel eu poderia pagar, pois o preço deveria estar nas alturas. Comecei a conversar com o casal de eslovacos pra ver o que poderíamos fazer e surgiu a idéia de tentarmos viajar para a cidade mais próxima no caminho de Istambul e ver se lá teríamos mais sorte. Acabamos tendo que ir de novo para Antália e de lá tentar chegar em algum outro lugar.

Tudo o que eu consegui comer em 24 horas de viagem. Correria é assim mesmo, chefe!
Ao chegarmos em Antália, também não havia busão no mesmo dia para Istambul. Cara e foi do mesmo jeito. Viaja pra outra cidade mais próxima, não tem busão pra Istambul, vai pra outra, não tem busão pra Istambul, vai indo, indo, indo… Foi indo assim até que em uma dessas rodoviárias conhecemos um turco que falava inglês e achavámos que seria a nossa redenção. Realmente, ele foi nos ajudando de boa por algumas cidades nas trocas de ônibus. Mas bicho, teve uma hora que ele quase saiu no tapa com o motorista de um dos ônibus por um motivo que não fazíamos a MÍNIMA idéia. Os passageiros do ônibus até chegaram a querer vir falar com a gente, perguntando alguma coisa em turco, mas desistiram quando viram que só falávamos inglês. Devido ao estado aleatório do figura, achamos que seria menos arriscado se déssemos um perdido nele e continuássemos sozinhos…
No final, levamos 30 horas para fazer uma viagem que facilmente daria para fazer em 12. Ninguém falava inglês com a gente, todo mundo queria nos roubar, tudo era sempre mais difícil. Mas enfim, conseguimos chegar, são e salvos a Istambul… Mais dois dias nessa cidade e depois eu seguiria para o meu próximo destino: Eslovênia…

Preso na fronteira da Turquia com a Síria

Amigos,

Como havia prometido há uns posts atrás, posto agora o video que fiz assim que soube que não havia mais ônibus para Damasco e que eu deveria dormir uma noite dentro da rodoviária de Antákia. Infelizmente a imagem não ficou muito boa, já que estava muito escuro do lado de fora, mas acho que vale a pena o vídeo para ouvir minhas palavras e ver o estado de ânimo que eu me encontrava naquele momento. Cara, vou te dizer, foi angustiante saber que eu deveria dormir naquela rodoviária. Mas enfim, acabei saindo vivo e chegando são e salvo na Síria. Hoje eu revejo esse vídeo e dou valor em ter uma cama quente pra poder dormir todas as noites, hehehehe.
Amanhã tem post novo,
Abraços maranhenses

Cruzando a fronteira da Turquia com a Síria

Bem, galera, já me dei por vencido. Já se vão três dias que eu tou tentando sem sucesso upar esse vídeo no youtube e o servidor e a internet daqui de casa não tão nem um pouco a fim de colaborar. Deixa pra lá, vamos continuar o nosso post, quando eu voltar pra Brasília eu coloco esse vídeo. Ah sim, todas as fotos que eu coloquei aqui foram tiradas da internet. Eu não bati nenhuma delas!!
No outro dia consegui pegar o meu busão em direção a Damasco na Síria. Ainda estava meio confuso se eu conseguiria ou não o maldito visto pra poder entrar no país. Uns me falavam que era super de boa pra poder tirar, que era só pagar a taxa que você estava dentro enquanto outros me falavam que era maior embaço e complicado. Isso era um tanto quanto preocupante, haja vista que não ter todas as informações necessárias em um ambiente possivelmente hostil como aquele não é o melhor dos cenários. Se os caras da fronteira percebessem isso, eles poderiam tentar me enrolar (fazendo eu pagar mais pela taxa do visto, que eu sequer sabia de quanto era) ou então me pedir suborno, o que eu só faria em último caso.

Pra piorar, todos no busão pareciam ser turcos e ninguém parecia que sabia falar inglês, muito menos o motorista. Enfim, o jeito foi seguir viagem. Quando fui cruzar a fronteira, fiquei impressionado, pela primeira vez desde quando havia começado a viajar, me deparei com guardas de fronteira que não falavam uma palavra em inglês. Os caras não sabiam falar nem hot-dog. Pode parecer besteira, mas lembre-se que eles trabalham com fronteira, cara! Eles são os responsáveis por deixar ou não uma pessoa passar pra dentro de um país ou outro. Eles pareciam falar só turco e árabe. Não parecia que forasteiros de outras nacionalidades eram muito comuns por aquelas bandas. Quando foi pra poder sair do país, havia uma fila para sírios, outra para turcos e outra para “o resto”. Qual não foi a minha surpresa ao ver que um outro cara ia comigo pra fila do “resto”. Opa, um estrangeiro em lugares isolados como esses sempre são bons, duas cabeças pensam melhor que uma e sempre podemos nos ajudar caso algo aconteça.
Fui trocar uma ideia e ele me saiu melhor que o esperado. O cara, apesar de falar pouco inglês, sabia falar turco e árabe! BINGO!! Tudo certo, amigo!! Agora nada pode dar errado!!! O bicho era búlgaro (sim, já pode ir contando línguas faladas: turco, inglês, árabe e búlgaro. Pelo menos), marinheiro e gente boa pacas. Depois que cruzamos a fronteira da Turquia sentei do lado dele e fomos conversando no caminho. Ele me contou que já havia viajado pro Brasil e visitado dois portos: Santos e um tal de Madieiria. Maidieiria?? Que diabo é isso?? Tá certo que eu não sei todos os portos do Brasil, mas com certeza a gente não teria um porto com esse nome. Devia ser um nome parecido. Fiquei pensando, pensando… Rapaz, depois de um tempo eu não fui me tocar do porto que ele tava falando? Era o porto de PONTA DA MADEIRA!! O que é Ponta da Madeira??? É o porto do ITAQUI!! O que é o Itaqui?? É um dos maiores portos do Brasil e fica situado numa cidade patrimônio da humanidade!! SIM, O CARA JÁ HAVIA PASSADO POR SÃO LUÍS!! Rapaz, que felicidade!!
Fiquei todo feliz e fui bombardeando o cara de perguntas: o que ele havia visto, se tinha gostado, se tinha passado muito tempo e talz. Pô, não é todo dia que se conhece alguém que já foi a São Luís NO MEIO DO ORIENTE MÉDIO, né? Enfim, eu vi que ele meio que não entendeu o que eu tava perguntando (ele não falava inglês tão bem, como já falei) e foi me contando como foi essa “excursão” dele por terras ludovicenses.

Diz ele que ficou quase uma semana esperando pra poder descer do navio. Ele me contou que quando eles chegam, eles ficam numa fila de barcos esperando obter autorização pra poder descer em terra firme. Falou que era um saco. Você dorme e acorda todo o dia olhando a terra firme e não pode descer! Isso depois de provavelmente ter cruzado um oceano inteiro! Depois que ele enfim conseguiu descer, tentou ver como faria pra poder dar uma volta na cidade, mas foi informado que o centro histórico era MUITO longe do porto do Itaqui (e bicho, real? É longe MESMO!!). Juntou quatro amigos pra tentar rachar um táxi, mas o taxista que fez mais barato queria 100 reais POR CABEÇA pra levá-los ao centro e trazê-los de volta ao porto do Itaqui, o que fica mais que demonstrado que seja na Índia ou seja no Maranhão não há raça mais FILHA DA PUTA do que taxista pra querer te roubar. Só pra vocês terem uma ideia, eu paguei uma vez uns 250 reais pra viajar de Brasília a São Luís de ônibus. Como eles não estavam lá tão a fim de conhecer a cidade, resolveram buscar um programa um pouco mais educativo e saudável. Compraram uma garrafa de vodca e foram atrás de um puteiro.
Bem gente. Eu vou falar uma coisa pra vocês. São Luís é uma cidade bonita, mas mulher é uma situação complicada. Se tu olha uma mulher gatinha caminhando na rua tu achas logo que é turista. É… a situação aqui é braba mesmo. Agora imagina como deve ser isso em um puteiro?? Imaginou? Agora pensa como deve ser assim em um puteiro baixo, mas BAIXO nível como são os ao redor do porto (dizem que o mais rico dos que lá frequentam chega de bicicleta)? Pensou, pois é!! Foi isso que ele me falou… E o coitado ainda espocou 100 dólares com o pacote completo: Vodca, entrada, mulher e tudo… Gringo só se complica…
Eu percebi que a experiência que ele teve com São Luís não foi das melhores, por isso mudei logo de assunto: – Olha, chegamos no posto de fronteira da Síria!! Vamos descendo??
Descemos e ele foi na frente, pois, como disse, falava árabe. Rapaz, assim que entrei no posto eu só faltei foi rir. Imagina um bando de gordo, de bigodinho e farda por todos os cantos?? Pois era assim o posto de fronteira. Mas parecia um bando de Saddam Hussein por todos os lados. Engraçado DEMAIS!! Perguntei quanto era pra poder pagar pelo visto e o marinheiro me falou que era uns 30 dólares. Tirei 30 dólares e quando ia pagar ele me falou que só podia ser pago em moeda local. Ow beleza, que boa notícia. E onde eu iria trocar? “Seus problemas acabaram”, tinha uma casa de câmbio DENTRO do posto de fronteira só pra isso. Agora pense comigo. Aquela era a casa de câmbio em centenas de quilômetros. Já deduziu? Claro que a conversão foi a PIOR possível e o visto que era pra sair por uns 30 dólares, acabou saindo por 40 só com o tanto que eles me roubaram no câmbio.
No final graças a Deus deu tudo certo e eu conseguia atravessar, são e salvo, a fronteira da Síria…

Antákia

Antákia

Era chegada a hora mais temida: enfrentar 25 horas de ônibus de Antália até as longínquas terras de Damasco, na Síria. No começo fiquei até um pouco preocupado com o tempo que iria gastar, mas depois pensei, sossegado, eu já tive algumas experiências parecidas no Brasil. Já havia pegado 54 horas de São Paulo a São Luís de ônibus e 36 de Brasília a São Luís também de busão. Ah, quer saber? eu achava que realmente estava preparado.
Lenda… O que faltou eu lembrar era que eu viajaria em dois países completamente exóticos onde NINGUÉM falava inglês pelo caminho. Poucas pessoas conseguiam ao menos falar algumas palavras e às vezes me explicar o que estava havendo. Mas enfim, as informações de que eu necessitava eu já tinha: não era preciso pagar nenhuma taxa pra sair da Turquia e o visto pra Síria, apesar de necessário, poderia ser tirado na fronteira do país. Entrei no busão e segui viagem.
Eu não entendi direito o que eu deveria fazer pra poder ir de Antália para Damasco, mas pelo que pude entender do inglês sofrível do carinha da rodoviária (lá pelo menos é sofrível, será se alguém sabe falar ao menos “hot dog” nas nossas rodoviárias?) eu iria pegar um busão até uma cidade chamada Antákia na fronteira da Turquia com a Síria. Lá minha viagem terminaria e posteriormente deveria comprar uma passagem de Antákia à Síria. Beleza, tudo certo.
A única parte engraçada foi quando o busão fez uma parada e eu desci pra poder tirar uma foto. Achava que a parada seria de mais ou menos meia hora. Não foi, a parada era de 15 minutos, mas acabou sendo de 30 minutos porque o busão ficou esperando eu aparecer e um bando de turco queria me descer o cacete quando eu acabei voltando. Além disso também teve um turco reclamando ao motorista pq eu estava viajando sem os meus tênis (pombas, todo mundo faz isso, não? Quando você entra pra viajar, a primeira coisa que faz é tirar os tênis e ficar só de meias, não? Bem, parece que na Turquia não é assim).

Enfim, 15 horas depois eu chegava à Antákia achando que já estava tudo resolvido. Era só descer do busão e comprar a passagem pra Damasco. Ledo engano. Cheguei na cidade pela noite. Aquilo era um mal presságio. Antes mesmo de descer do busão, vi um turco que sabia falar algum inglês que começou a me ajudar. O cara era realmente MUITO gente boa! Primeiro ele me falou que naquela rodoviária eu não conseguiria ônibus para Síria. Que eu precisaria ir para a outra rodoviária já na fronteira e que de lá eu conseguiria passagem. Ele me levou até a outra rodoviária e, chegando lá, como eu já temia, soube que não poderia pegar um ônibus ainda aquela noite. Tudo o que você mais quer saber depois de 15 horas de viagem é que não há ônibus pro outro país. O próximo ônibus só saíria na manhã seguinte. Perguntei pra ele se ele conhecia algum hotelzinho onde eu pudesse passar a noite, ele me falou que até sabia de uns, mas não ia sair por menos de que 25 dólares a noite, fora o táxi. Como eu realmente não estava afim de gastar toda essa grana, ele me sugeriu que eu dormisse na rodoviária.
Aqui eu gostaria só de abrir um parênteses. Gente, uma das coisas que eu mais dou Graças a Deus hoje é o fato do Couchsurfing ter existido. Por quê? Bem, cara, além do fato de você poder conhecer MUITA gente legal, também tem o fato de que o Couchsurfing praticamente eliminou a necessidade que antes os mochileiros tinham de dormir em ruas ou em paradas de ônibus pra poder salvar um pouco de dinheiro. Hoje só sendo muito idiota ou não buscando as informações certas pra você um dia precisar dormir na rua. Eu, apesar de ter viajado o mundo inteiro com pouco dinheiro no bolso, nunca precisei me sujeitar a dormir que nem um mendigo, pois sempre havia uma casa confortável pra eu poder dormir. Hoje só dorme na rua o cara que quer tirar onda no Brasil falando coisas do tipo “Ah, eu viajei a Europa e dormir em trem. Dormia era na rua mesmo, não queria nem saber… Olha como eu sou foda e pá pá pá”. Pois é, foi a primeira e única vez na minha vida que eu precisei me sujeitar a isso. Procurei um banquinho da rodoviária e não tive outra escolha a não ser tentar dormir. Fiz até um videozinho que demonstra o meu estado de ânimo lá, o vídeo ficou MUITO bom, depois eu posto ele.
Fiquei quase doze horas nessa MALDITA rodoviária!
Cara, foi um inferno dormir. Banco de ferro e ainda tinha uns doidos fazendo bagunça e gritaria pela rodoviária. Só sei que dormi umas quatro horas. Depois de tirar essa verdadeira soneca, chegou um ônibus com uma galera vindo de Aleppo, uma cidade da Síria que posteriormente eu visitaria. Desceu um casal falando em inglês e eu fiquei trocando ideia com eles um tempão… O rapaz era turco, o que era excelente, já que ele falava um inglês perfeito e pôde me ajudar bastante a desenrolar os meus problemas na rodoviária.

Dormi em um banquinho no meio da rua só me lembrou essas duas aí do tempo da Austrália 😉

Acabou que meu ônibus ainda atrasou uma hora e eu fui sair dessa maldita rodoviária só meio dia. Mas enfim, tudo valia a pena pra poder conhecer a Síria.
Mais uma foto da Rodoviária de Antákia…

Espírito Empreendedor Turco – Como fazer a sua balada bombar

Marcamos de nos encontrar no albergue delas. Desci pra lá como combinado e começamos a procurar uma balada pra poder entrar. Descemos pro cais onde havia várias baladas diferentes e entramos na primeira que vimos. Não precisava pagar pra entrar.

Sentamos numa mesa e ficamos vendo de qual era da balada. Ficamos conversando um pouco. A balada chegava a ser engraçada se não fosse trágica. Só tinha homem pra tudo que era lado, todo mundo sentado e ninguém, absolutamente NINGUÉM, dançando. Claro que aquilo não seria um problema pra gente.
Enquanto estávamos sentados conversando sobre o que iríamos fazer veio um cara, que mais parecia um garçom, e perguntou se não queríamos algo. Falamos que não e ele saiu. Depois de uns dez minutos voltou e perguntou se queríamos algo. Falamos que não e ele saiu. Depois de mais uns dez minutos ele voltou e perguntou se queríamos algo e ficou nessa de dez em dez minutos. Me senti como nesse vídeo do Hermes e Renato abaixo:
Pra fugir do garçom mala, nos levantamos e fomos dançar um pouco. Cara, o que foi aquilo? A balada simplesmente PAROU pra poder ver as minas dançando. Elas também não contribuíam, né? Polacas, lindas, num lugar que só tinha homens de bigodes por todos os lados, elas dançavam de uma maneira muito sensual. Mermão, até eu parei um pouco pra ver. O que era aquilo, meu amigo? Por entre bigodes eriçados elas dançavam e rebolavam em frente a uma plateia que ia a loucura. Depois eu meio que fiquei de lado com vergonha dos caras ENCARANDO as minas sem parar. Me lembrou de uma foto célebre do tempo da Polônia.

Elas ainda por cima eram banqueiras. Toda hora iam no Dee Jay e pediam uma música diferente e quando ele não colocava, elas ainda iam reclamar. Enfim, acho que era o preço a pagar pra aquela balada ter um pouquinho de graça.
Depois de um tempo sentamos e começamos a conversar novamente. Adivinha o que aconteceu? Sim, eu tenho certeza que você já adivinhou:
– Deseja alguma coisa senhor?
– Rapaz, não, doido, obrigado! Eu REALMENTE não quero nada agora!
– Mas, você vai ficar aí sem consumir nada?
– Rapaz, pelo menos por agora sim, por quê?
– Porque você não pode fazer isso.
– Como assim?
– Você não pode ficar sem consumir nada.
– Uai, mas a festa não era de graça pra entrar?
– Sim, é de graça pra entrar, mas pra ficar tem que consumir algo.
– Tá, tá bom, eu consumo mais tarde.
– Não, senhor. Você tem que fazer um pedido.
– Uai, cara! Não tou te entendendo. Por que você tem que me FORÇAR a consumir algo?
– Senhor, como é que as pessoas fazem dinheiro no país que você vem? Meu patrão prefere não cobrar entrada, mas em compensação a única maneira de ele fazer dinheiro é assim. Quando as pessoas pedem uma bebida ou algo do tipo.
– Tá, se eu não pedir agora você vai me colocar pra fora, é isso?
– Provavelmente…
Levantei, fui lá onde as meninas estavam dançando e deixei ele falando sozinho.

Pensa que ele se fez de rogado? Naadaaa… Pegou as bolsas que as meninas tinham deixado na mesa e começou a levar na direção da porta. Eu não paguei pra ver se ele ia jogá-las pela porta ou não, mas pelo jeito que o bicho ia REALMENTE parecia que ele iria fazer isso. Pegamos as coisas delas e ele nos apontou a porta da rua. Simples assim. As ÚNICAS mulheres da festa foram expulsas porque não estavam consumindo nada dentro do bar. Tristeza geral entre os marmanjos que estavam lá dentro quando a atração estava indo embora. Pude perceber que espírito empreendedor não era lá o forte do dono da balada.
E lá vamos nós

Expulsos da balada, fomos procurar outro lugar. Paramos em um bar, dessa vez, por via das dúvidas, compramos logo uma cerveja e ficamos lá vendo que o iríamos fazer. Do nada um turco em uma outra mesa começou a gesticular um coração no ar e a gritar algumas coisas em turco apontando pra uma das meninas que estavam na minha mesa. Ele parecia querer dizer que estava apaixonado por uma das polonesas que estavam sentadas conosco. A gente tentou ignorar, mas o cidadão simplesmente não parava. Um peão de obras aqui era um lord comparado com o cara. O figura REALMENTE não parava e começou a ficar chato. Isso NO MEIO DE UM BAR LOTADO. Eu fiquei me perguntando se é assim mesmo que eles chegam em mulher na Turquia ou se de tanto as mulheres viverem cobertas, os caras quando olham uma mulher de saia simplesmente ficam mais loucos que o batman!
Enfim, como não podíamos ficar assistindo aquele show de desespero por uma mulher, resolvemos sair do bar antes que ele pegasse um tacape, desse na cabeça dela e a levasse arrastando pelos cabelos. Fomos para um outro bar e ficamos lá de boa. Do nada chegou um outro cara, mas dessa vez falando em inglês com a gente e sendo gente boa. Era o dono do bar.
O cara era REALMENTE muito sangue bom e virou nosso amigo. Depois de um tempo conversando, ele perguntou se não queríamos entrar na casa dele (o bar ficava nos fundos da casa dele) que ele queria nos mostrar algo. Eu não gostei dessa história de “vamos entrar aqui na minha casa”, fiquei com medo do cara querer fazer alguma maldade ou algo do tipo, mas as minas não tavam nem aí e foram logo entrando. Eu acabei tendo que ir mesmo.
Não era nada demais. Ele apenas foi mostrando a casa dele e no final mostrou uns gatinhos que a gatinha dele tinha acabado de parir. Claro que desmanchou o coração das minas, pois se tem algo que amolece coração de mulher é gatinho filhote sedendo de carinho. Ficamos conversando lá por um tempo e ele perguntou se não estávamos a fim de ir numa balada com ele. Eu mais uma vez fiquei escabreado e com medo de acordar numa banheiro de gelo com um rim a menos (pô, eu sou do Brasil, né, fera?), mas mais uma vez as meninas foram na frente e nem me deram tempo de titubear.

No final o cara levou a gente pra uma balada GIGANTESCA!!! Custava 30 euros pra poder entrar, mas ele nos colocou de graça lá dentro! O bicho era REALMENTE gente boa! A balada era coisa de outro mundo, o único porém é que já estava fechando. Ficamos curtindo um pouco lá até que deu umas quatro horas da manhã. Ficamos ainda dando um rolê, mas eu acabei indo embora e me despedindo das meninas e do cara, que, infelizmente, nem o nome mais eu lembro.
Noite surreal, amigo.
Voltei pra casa e comecei meus preparativos pra poder viajar Síria no outro dia.

Perambulando por Antália

No outro dia resolvi dar a tradicional perambulada pela cidade. Acordei cedo e decidi ir para praia pra, pela primeira vez, tomar um banho no mar Mediterrâneo. Antália é famosa pelas diversas praias ensolaradas que fazem a alegria de europeus e russos. A galera lá do Norte desce em peso pra Antália nessa estação pois em agosto já começa a ficar frio na Europa. Quando saí da Polônia a temperatura estava oscilando entre 12 a 15 graus e chovia o dia inteiro. Saca só a temperatura que estava em Antália no dia em que cheguei lá:

Saí andando e pude ver algumas falésias que me lembraram as que havia visto em Bali.
Fui que nem um menino pulando de uma parada a outra achando que as falésias iam até as águas. Fui pulando, pulando, pulando… Vlapt, Vlapt, “Hahahahe-que-divertido”, “nossa-nunca-me-diverti-tanto”, “meu-Deus-que-felicidade” e… uooowwww… ACABOU O CHÃO!! Mermão!! A parada era um precipício!! Eu fui caindo, caindo e tive que sair me agarrando no que eu vi… Me abracei à primeira coisa que vi e me arranhei todo.

Cara, quase que eu volto pra casa todo molhado, hehehe… Depois dessa experiência de quase morte, resolvi fazer algo mais seguro como nadar com tubarões ou chamar a Feiticeira pra porrada.
Personificação de onde mais ou menos eu fiquei pendurado…
Fui pra praia pra ver “de qual é” e fiquei fascinado. As águas eram de uma pureza impressionante. Nem água de piscina era tão clara como aquela. Comecei a andar pela areia e fui surpreendido por algo interessante. As praias tinham cordas pra delimitar as partes privadas dos hotéis. Nunca tinha visto isso.

Depois de um tempo nadando voltei pra areia pra dar uma secada e notei que duas minas estavam pegando sol ao meu lado. Bem, já tava ali mesmo… sentado… sem fazer nada… não custava nada puxar um assunto com elas, né? Cheguei do lado como quem não quer nada e conversa vai, conversa vai, perguntei a nacionalidade delas: Polonesas! Bingo! Ficamos amigos e marcamos de sair mais tarde pra poder tomar uma cerveja. Beleza, voltei pro apartamento pra trocar de roupa mais feliz que o traficante da Amy Winehouse. Tomei meu banho, troquei de roupa e quando estava saindo de fininho pela porta do apartamento, o Mehmet veio pra falar comigo:
Taxista tirando um cochilo. Ow menino bunitinho, meu Deus!
– Claudio, onde cê tá indo, cara?
– Er… hum… veja bem… eu… eu… eu tou indo dar uma volta na cidade, cara!
– Ah, que legal, vou com você então, posso te apresentar tudo por lá.
– Er.. hum… veja bem… Não precisa não, cara. Não quero incomodar, pode ficar aí…
– Não, não, pode deixar que eu vou…
Cara, tudo o que eu não queria era mais gente pra poder melar meu esquema com as polacas. Ainda mais um TURCO e ainda por cima tiozão. Fiquei até imaginando como deveria ser essa combinação explosiva. Imagina aqueles tiozão chegando nas minas aqui no Brasil? Agora imagina um cara TURCO e ainda por cima tiozão, realmente me deixou preocupado o que poderia ocorrer… Desculpa, cara, não é nenhum preconceito com os turcos, mas é que o último que eu havia conhecido eu não tive uma boa impressão na Tailândia. Perdoem pelo politicamente incorreto, mas esse é um blog de viagens com um toque de humor. Mas segue o diálogo:

– Não, mas eu vou sair com uns amigos brasileiros que conheci por aí. A gente quer só falar português o dia inteiro.
– Não tem problema…
– Mas, mas…
Outra coisa que me impressionou nessas praias de Antália. Vocês já tinham visto uma praia que não possui areia, mas… Pedras?
Mas não teve jeito. Ele acabou indo comigo. No caminho expliquei que ia me encontrar também com duas polonesas que havia conhecido na praia e talvez o brasileiro não fosse aparecer. Ele não percebeu que eu estava de caô e acabou vindo comigo. No final eu percebi que estava sendo um imbecil com o Mehmet e foi muito legal ele ter ido comigo encontrar as meninas. Ele era gente boa demais e, apesar de estarmos no Ramadã, o figura acabou bebendo do mesmo jeito, ehheheehe.

No outro dia fui pra praia novamente e fiquei só de boa. A noite tinha marcado de sair mais uma vez com as minas pra pegar uma balada e, vou te dizer, como foi engraçada essa minha primeira experiência na noite turca… Assunto pro próximo post…