Um maranhense e a neve…

Só mais uma observação, gostaria de pedir desculpas por estar postando apenas hoje, mas é que a internet daqui de casa deu piripaque e não consegui postar ontem. Próximo post, como prometido, vai ser na sexta, não percam!!!
Amigos, eis que um dia, 7 horas da manhã, ao sair do trabalho me deparo com uma vista inusitada ao longe. Cara, lindo demais, pareciam até as montanhas nevadas de South Park. Fiquei tão emocionado que resolvi fazer um vídeo e postar no blog. Sim, ficou meio gay essa frase, mas é pra que vocês entrem (uuiii) no clima.
Não deu tempo pra poder ver direito os picos (uiii) gelados no vídeo, logo, resolvi postar a foto pra ficar mais claro. Só pra que vocês entendam melhor, aqui não nevou. Nem passou perto disso, já que aqui o clima é seco. O que aconteceu foi que, depois de muito tempo fazendo um frio danado, as montanhas que tem perto daqui ficaram nevadas.

Nova Iorque


Isso que é uma propaganda a se colocar em um táxi, brother!

Existem poucos lugares nos Estados Unidos que eu fazia ou ainda faço questão de visitar. Seja porque eu ache que a maioria dos lugares lá não tem muita graça, seja porque não me atrai. Os únicos lugares que acho legais lá são a Flórida, Nova Iorque, Califórnia e Las Vegas. De todos eles só me falta agora visitar Las Vegas, porque Nova Iorque eu visitei agora no mês de março.
Cara, pior que eu tava de boa andando por Nova Iorque e cruzei com um cara com o rosto meio familiar. Quando fui me tocar quem era o cidadão, que levei um susto: AÉCIO NEVES!!! Caraca, puxei a máquina pra bater uma foto, mas o bicho me viu, achou que eu era um paparazi, e entrou pra um restaurante! Droga! Dava pra ter ficado rico com essa foto =)
Monumento com todos os americanos que já ganharam um Nobel da Paz. Pior que a gente não tem nenhum =(
 Estava no serviço e de repente vi uma promoção da Copa Airlines pra Nova Iorque saindo diretamente daqui de Brasília. Eu andava precisando mesmo comprar uns ternos aqui pro trabalho e outras peças de roupa. Melhor ainda, havia uma escala no Panamá, logo eu poderia conhecer dois países numa tacada só. Comprei e segui viagem para a terra do Tio Sam. Como havia previsto, não vi muita coisa, digamos assim, “nova”. Não que lá não tenha nada, seria bobo da minha parte alegar isso, mas é que desde criança somos sistematicamente bombardeados por imagens dos Estados Unidos o que acaba que, quando cheguei lá, não havia nada que eu já não havia visto pela TV. Mas, bem, se estou escrevendo o blog é porque houve alguns fatos dignos de nota =)
Bem, os edifícios de Nova Iorque são realmente aquilo que imaginava. Cara, os bichos são muito, mas MUITO altos! Não sei como é na cidade de vocês, mas em Brasília não temos tantos edifícios gigantescos, nem em São Luís. Quando cheguei em Nova Iorque fiquei realmente impressionado com o tamanho daqueles colossos. Todo lugar que eu passava eu ficava querendo bater uma foto.
Ãhn?!?!?!?! Sim, isso é um outdoor  em um edifício!!
Batendo foto com o Ipad? Tem coisa mais estranha?



Inicialmente eu planejava ficar em um couch, mas acabou que um grande amigo meu, dos tempos do Maranhão, ofereceu pra me hospedar. Como não estava com muita vontade de ter a dor-de-cabeça de ficar procurando um couch atrás do outro, acabei aceitando o convite e fiquei na casa do Guilherme e do irmão dele o Leonardo. Cara, e foi uma decisão acertada, viu? O Leonardo estava com uns dias de folga e me apresentou a cidade inteira, bizú máximo. 
Eu, Leonardo e Guilherme. Os caras que me hospedaram =)
Tava andando de boa em Wall Street, quando menos espero, tem um bueiro saindo fumaça. É cara, depois do que aconteceu no Rio de Janeiro, é melhor ficar longe desses bueiros que podem sair explodindo…
Esse touro é famoso. Mas pq eu bati foto de lado e não na frente dele?
Taí a resposta. Eu realmente não ia pegar uma fila de meia hora só pra bater foto de uma estátua. Detalhe que de tanto tirarem foto batendo nos ovos do touro ou enrabando ele, a galera colocou uma cerquinha na parte de trás do touro. Agora só pode bater foto na frente dele =)


Teve uma noite que a gente saiu que foi bem da hora. O bicho me levou num bar de motoqueiros e que tinham umas meninas dançando em cima do balcão. Vendo aquela cena, não pensei duas vezes, tirei a minha máquina e “pleu”, bati uma foto. Como achei que a foto não ficou muito boa, fui lá, liguei o flash e “PLÁ” aquele clarão se fez no meio do bar quase que na penumbra. Rapaz, pra que? A barman lá do pardieiro desligou a luz, sacou UM MEGAFONE e começou a me xingar no meio do bar. Pra aplacar a ira da mulher, não nos restou outra a coisa a não ser comprar uns shots e depois umas cervejas antes que ela incitasse o bar para nos matar.
Eu bebo sim, eu tou vivendo, tem gente que não bebe e tá morrendo…
Pior que a foto sem flash ficou boa…

 

Outro fato interessante foi que eu cheguei na semana em que o Ipad 3 iria ser lançado nos Estados Unidos. O problema é que eu voltava para o Brasil na sexta na hora do almoço e na sexta de manhã seria lançado o bendito tablet da Apple. Ainda tentei ver se existiria alguma forma de conseguir comprar um pra mim, não que eu ache o Ipad 3 BEEEMMM bem melhor que o Ipad 2, mas valia pela novidade. Fui lá na quinta a noite pra poder ver como estava a fila e ela já estava começando a virar o quarteirão. Realmente, acabei tendo que desistir da ideia.
Loja da Apple na Quinta Avenida
Se liga no aparato de segurança de Wall Street.
Um frio danado e nosso amigo passeando de short. Esse sim tem sangue de pinguim.
Foi legal pelo menos ver a fila de pessoas ansiosas por aparecer na TV e ganhar seus idiotas 15 minutos de fama, ainda que a noite estivesse caminhando pra fazer um frio de menos de 5 graus. Vale tudo para aparecer.

Esse brother aqui já é “famoso”. Toda vez que está pra se lançar um Ipad ou um Iphone, ele corre pro começo da fila e fica dias esperando o lançamento. Tudo pra ser o primeiro a comprar. Fã da Apple? Não, ele mesmo já disse que faz isso só para aparecer. Vale de tudo pra ser notado na sociedade do espetáculo. Detalhe, isso era uma segunda feira e o lançamento só ia ocorrer na sexta. Ele ficou a semana INTEIRA nessa fila.
Esse aqui tava vendendo o lugar dele na fila
Olha a cara desse outro idiota todo feliz dando entrevista na fila da Apple.
Quem soube se aproveitar mesmo foi essa marca de agasalhos, a Otter.  Eles aproveitaram a exposição midiática  ocasionada pela Apple e começaram a distribuir agasalhos com sua marca para o pessoal da fila. Resultado? Exposição no mundo inteiro a preço de banana.
Gostei bastante dos museus que pude ir, uma pena que não tive muito tempo. O Museu de História Natural com seus bichos empalhados é realmente muito legal.
Carcará no Museu de Arte Natural em Nova Iorque
Também bati algumas fotos no Central Park









Esse figura tava no meio da Times Square esmolando porque tava precisando de dinheiro para… Comprar maconha. Lógico que tive que dar uns trocados pra ele pela audácia de fazer isso do lado de uns policiais.

Isso aqui, por pouco, não foi a foto de um acidente de carro. Eu tava indo bater uma foto de outra sede da Apple quando do nada só escutamos o barulho de um carro freando e buzinando. Cara, mas foi por MUITO pouco que o furgão não pegou esses dois. 

Enfim o post do Havaí…

Cara, pode ter certeza que aquela fase passou. Decreto a partir de hoje o fim do período “blogs sem sal” e da busca desesperada por histórias para postar no fim de semana. No Havaí rolou tanta coisa que dá pra eu escrever é um livro de tanta presepada que eu passei. Sério, não falo isso só pelo local em si, que é bonito pacas, mas também ao que ocorreu no dia a dia.

Antes de começar a escrever, gostaria de explicitar como funcionará a nova metodologia do blog. Ao contrário da “Idade das Trevas” de Santa Bárbara, não irei postar fixamente todas às sextas feiras. Cada post me consome várias horas pra poder ficar pronto e como tempo em viagem sempre é curto, não vou utilizar, majoritariamente, os horários que tenho em casa pra poder escrever. Vou aproveitar o máximo que puder os horários que estiver dentro de aeroportos ou viajando dentro do avião. Chegando em casa, faço as modificações finais e posto no blog. Isso significa que, assim como pode ocorrer dois posts por semana, também poderá ocorrer em duas semanas apenas um post. Mas, assim como no Havaí, toda sexta feira faço um mini-post, com uma foto do lugar que estou, avisando quando será a previsão para o próximo post, assim a galera não fica tão perdida.

Os posts serão divididos da seguinte maneira. Antes de começar a escrever do lugar em si, vou fazer uma rápida introduçãozinha, meio que Wikipédia, sobre o país ou região que estou visitando, com alguns dados sobre história, população, economia etc. Para que as pessoas possam ficar mais situadas sobre o que eu estou escrevendo (é cumpade, Claudiomar também é cultura!). Depois da introdução vou escrever algo relacionado às impressões que obtive do lugar e aí sim, após esses dois posts, vou colocar as histórias que aconteceram durante minha estada, portanto, se você quer ler só as presepadas, pule sempre os dois primeiros tópicos. Claro que isso não ocorrerá rigorosamente (como nada nesse blog), mas esse será o padrão que tentarei seguir.

Tirando isso, eu só gostaria de desejar muitas risadas pra quem estiver lendo e também que vocês possam aprender bastante junto comigo sobre os diversos locais o qual estou passando. Lembrando que o itinerário que posto agora é sobre o Havaí e posteriormente será sobre Coréia do Sul, Hong Kong e Macau.

O Havaí

 O Havaí atualmente é um estado americano. Tem uma população de mais ou menos 1,5 milhões de pessoas espalhadas em oito ilhas diferentes. A economia dos bichos depende quase que com exclusividade do setor de serviços (92%), com serviços governamentais e turismo como carros chefes! É o estado americano mais meridional (pra vocês terem uma idéia o Havaí fica quase que na mesma “altura” que Cuba) e se encontra a 3500 quilômetros do estado americano mais próximo, ou seja, é no meio DO NADA!

O Havaí nem sempre fez parte do território dos EUA. Pra falar a verdade eles têm uma história muito parecida com a dos países insulares do Pacífico Sul, como Fiji ou Tuvalu. Ilha espalhadas pelo Pacífico, formadas por erupções vulcânicas que foram sendo habitadas gradativamente por povos polinésios. Quando eu falo que o Havaí é uma polinésia que come hambúrgueres, é porque é muito próximo disso mesmo. Todas as ruas e praias são nomeadas na língua polinésia deles e também existem antigos nativos (7% da população total) habitando as ilhas, ainda que marginalizados (os serviços “de latinos e mexicanos” no Havaí são desempenhados pelos nativos e asiáticos).

Apesar de serem pequenas ilhas jogadas lá no meio do nada, o Havaí, nos seus primórdios, era formado por vários estados diferentes e monárquicos que lutavam entre si e matavam-se mutuamente. Ficou um tempão assim, sem que ninguém conseguisse unificar todas as ilhas em seu poder. Até que, um dia, aportou no Havaí uma esquadra britânica carregando nada mais, nada menos, que James Cook, um dos maiores e mais famosos navegadores britânicos (só pra vocês terem uma idéia, o cara é conhecido como “Pai da Oceania). Os havaianos num primeiro momento, olhando aquelas embarcações absurdamente gigantes, com ferro e metais pra todo lado (eles já tinham visto algumas peças de ferros, notadamente pregos de restos de embarcações, mas nunca nada como aquilo), achavam que se tratava de algum Deus ou algo do tipo. Depois de um tempo, acabaram entrando em conflito com os ingleses, chegando até a matar o próprio Cook.

Disso tudo, dessa presepada toda, uma pessoa acabou se dando bem. Um nativo, conhecido pelo nome de Kamehameha, durante muito tempo ficou em contato com os britânicos e aprendeu várias táticas e estratégias deles. Depois que os ingleses foram embora e tudo se acalmou, Kamehameha, como não querendo nada, montou o seu pequeno exército e foi conquistando ilha por ilha. Ou seja, ele basicamente apelou forte, utilizando até mesmo muitas armas dos britânicos. Com um poder totalmente desproporcional (você imagina o cara usando pólvora e metais contra os outros armados com uns pedaços de pau, ele foi “cheater” total), ele conseguiu unificar o arquipélago em suas mãos e ficou conhecido como Kamehameha, o Grande! O Napoleão do Havaí!

Depois disso, a influência ocidental no arquipélago foi crescendo gradativamente, sendo até mesmo absorvida pela cultura havaiana (adoção de religiões ocidentais etc.). Em 1898, os EUA anexaram o Havaí ao seu território e em 1950 ele virou um estado americano.

Um último fator que eu posso citar é que, meu deus, lá só tem asiático, doido!! Mais de 40% da população é formada por descendentes de asiáticos e por todo canto tem placas escritas em três línguas: Inglês, Havaiano e Japonês (ao contrário da Califórnia que era espanhol e inglês). Os japoneses não conseguiram tomar o Havaí na Segunda Guerra, mas agora tão tomando democraticamente, já que 20% da população é de descendência japonesa, além de que o que não falta é japonês fazendo turismo por lá! Tem japa por todo lado bicho!!

Perambulando pelo Havaí

Deus fez um paraíso na terra, pena que cobrou tão caro por isso!

Bicho, é inexplicável como são caras as paradas por lá!! Sério, eu no Havaí vivi basicamente na dobradinha comida-busão e assim mesmo quase não consegui viver gastando em média 20 dólares por dia!! Acho que não ficou tão claro pra vocês!! Eu não gastei com MAIS NADA!! Moradia me saiu de graça e ainda assim gastei quase 35 reais POR DIA!! Mermão, é uma parada insana o lugar!

Isso ocorre devido ao fato de que o Havaí não produz quase nada, tudo tem que vir do continente, logo os preços ficam absurdamente caros! Tem também o fato de que o Havaí é o sonho de consumo de 10 em cada 10 americanos que vendem as cuecas e chegam com um dinheiro absurdo pra poder gastar no arquipélago, além dos japas que acham tudo isso aqui muito barato (eu fico imaginando o quão “barato” deve ser Tóquio)! Logo, como aprendemos desde o segundo grau, aonde tem muito dinheiro circulando, muita gente com dinheiro pra comprar, o mercado faz sua parte e eleva os preços ao absurdo!

Depois eu comecei até a pensar se realmente existe vantagem em ir ao Havaí passar umas férias rápidas. Com a grana que se gasta com hotéis e o que for, você pode muito bem viajar para Fiji ou então comprar a Tailândia inteira! Sério, não tem quem me faça mudar de idéia relacionado ao fato de que não vale a pena ir ao Havaí! O lugar é um paraíso? É! É lindo pacas? Sim! Não tou falando que lá é feio, mas é que o preço que você paga, a relação custo benefício, de quem vai pro Havaí torna um negócio nada aprazível. Pelo menos essa é a minha opinião.

Passeios no Havaí

Waikiki

Apesar de o Havaí ser formado por várias ilhas, fiquei apenas em uma, devido a, mais uma vez reiterando, o preço azedo pra poder viajar pras outras ilhas e também ao tempo, já que planejava ficar três dias (apesar de que fiquei mais que isso). A ilha que fiquei, Oahu, é quase do tamanho da ilha de São Luís e possui várias praias. Eu acabei gastando mais tempo na praia principal, a mais famosa, a praia de Waikiki.

Ainda pensei em ir pra outras praias, mas, mermão, elas eram muito longe do local que eu estava ficando além de que eu criei uma raiva danada dessa história de ir a outras praias! Teve um dia que eu fui pra uma praia chamada Kailua. Gastei quase duas horas de busão, SÓ DE IDA! Quando cheguei lá, a droga da praia estava deserta e ainda tava CHOVENDO!! Fiquei tão puto que falei pra mim mesmo que nunca mais ia tentar algo mais “exótico”. Por isso os outros dias acabei ficando só por essa praia mesmo. Mas nem por isso foi ruim. Cara, Waikiki é lindo DEMAIS!!

Obs: Cara, tou tentando escrever o blog aqui no Mc Donald’s do aeroporto do Japão, mas sentou um filipino aqui do meu lado e não pára de falar no meu ouvido. Eu tento virar pro computador e começar a escrever, pra ver se o bicho se toca e nada dele parar de falar. O mais engraçado é o assunto!! O bicho não pára de falar de PÔQUER… hehehehe. E fala que não sei quem ganhou não sei quanto, que ele foi jogar não sei aonde e pá pá pá! Que diabo eu tou afim de ficar sabendo disso, maluco?

Voltando ao assunto. A praia mais parece Copacabana. Prédio e hotéis pra todos os lados, MUITA gente deitada na areia e muita, MAS MUITA gente na água surfando. Eu, também não me fiz de rogado, peguei uma prancha emprestada com o coucher que tá me hospedando e caí na água. É engraçado como é caótico a parada aqui! É tanta gente na água que é impossível você pegar uma onda sozinho. Quando aparece uma onda massa, vai uns 10 a 15 caras ao mesmo tempo junto com você. Mas o mais engraçado não é nem isso, o mais engraçado é que além do fato que tem um bando de gente na mesma onda, tem muita gente mais próximo e mais afastado que você da areia, logo, quando a onda vem, vem junto um bando de prancha pra cima de você. Você só tem duas escolhas, ou dá umas braçadas e entra na onda também, ou mergulha pra debaixo da sua prancha, protege a cabeça e seja o que Deus quiser. Dá pra contar nos dedos às vezes que me protegi embaixo da minha prancha e não escutei aquele “ PRAN!!” de alguém batendo em cima de mim e depois o barulho de alguém capotando! Isso sem falar que várias vezes eu também dei umas pranchadas em neguinho! A parada é caótica mesmo, malandro!!

O melhor de tudo não é nem o fato de ter tanta gente na água, o melhor são os recifes que ficam embaixo de você. Você fica sentado na prancha esperando a onda e quando olha pra baixo vê aquelas paradinhas coloridas brilhando no fundo do mar. É bonito de ver, mas é mais bonito ainda é capotar pra cima deles! Mermão, duas pisadas que eu dei sem querer em cima de uns recifes, cortaram meu pé em vários locais. Eu só fiquei imaginando como deve ser você sendo jogado contra esses recifes por uma onda mais afoita. Não raro saía alguém sangrando do mar e ia pra areia esperar estancar os ferimentos, pois depois que estancava, lá iam os bichos pra dentro d’água de novo. INSANO!! Não me machuquei porque as várias vezes que fui pra água, fui com o Bobby a tiracolo e o bicho me deu todas as dicas pra não se estrepar, porque senão eu tava, como dizia os goianos, “no sal” (no duplo sentido!). Além de Waikiki, os únicos teve também Hanauma Bay e Diamont Head.

 Hanauma Bay e Diamont Head

 Hanauma Bay é, segundo os nativos, um dos melhores lugares pra se fazer snorkeling na ilha. É uma baía que nasceu de uma erupção vulcânica e possui VÁRIOS recifes! O pico é irado DEMAIS! Mas como tudo no Havaí que é popular, também é lotado que só uma feira! Tem de tudo nessa baía! Tem aquelas tias gordas, tem farofeiro, tem americanas gordas de biquínis, tem brasileiras que te ignoram quando você fala em português com elas e por aí vai. Segundo o vídeozinho que obrigam a gente a ver antes de ter acesso à baía (e que custa a bagatela de cinco dólares), já faz tanto tempo que tem gente indo lá, que os peixes já estão acostumados aos seres humanos e por isso chegam bem perto da gente! Doido demais!! O mais engraçado é que devido ao fato de ter gente pra todo lado, a gente acaba fazendo um snorkeling meio “pinball”. Você tá nadando olhando pros recifes e tromba em alguém, muda de lado e tromba em outro, vira a direção e tromba em outro, e assim vai!

Massa foi quando eu dei com a cabeça em algo e pensei: “Diacho de cabeça dura esse cara tem”! Quando fui olhar pra ver no que tinha batido foi aquela surpresa!! Doido, eu trombei NO CASCO DE UMA TARTARUGA!!! Caraca, doido demais!!! Eu sei que todo mundo já ter tido aquele jabutizinho preto e laranja quando era criança (que sempre fugia da sua casa, era impressionante a destreza daquele bicho!), mas ver uma tartaruga, nadando no meio da praia, no meio do oceano, cara, é uma coisa indescritível!! É incrível a leveza e a graça com que ela nada na água! Não tem como explicar, é uma tartaruga nadando, cara! Mas só você vendo pra saber o que eu tou falando!! Fiquei lá, extasiado, nadando do lado dela por um tempão até que uma hora parece que ela encheu o saco de mim e mergulhou pra debaixo dos recifes. Fiquei nadando por mais um tempinho, mas depois saí! Quando comecei a olhar pros peixes e salivar, realmente eu vi que era a hora certa pra ir pra casa pra fazer meu almoço!

Mas não deu pra ir direto pra casa! Eu não sei que diabos tinha de errado com o snorkeling do coucher (o “respirador” pros menos familiarizados), mas eu não conseguia utilizá-lo corretamente e de dez em dez minutos eu ia dar uma respirada e tomava umas goladas federais de água do mar. Eu não sei se alguém aqui já deu umas goladas de água do mar, assim “de com força”, mas aquela parada deu um revestrézinho do cacete no estômago e principalmente, no intestino! Mermão!! Ainda bem que as praias do Havaí tem banheiro perto, viu?? Pombas, pense num cara que passou o resto do dia visitando todos os banheiros de Waikiki e Hanauma Bay? Sério, é que vocês não têm idéia do que eu tou falando! Eu devo ter bebido uns 500 a 700 mililitros de água salgada! Cara, é impressionante como aquilo detona contigo! A água salgada ao invés de hidratar, por ter muitos sais, te desidrata legal e deixa teu corpo doido que nem o aeroporto de Guarulhos! Eu não sei porque, mas ao invés da maneira “natural” de excretar líquidos, o seu corpo excreta a água do mar por meios, digamos, “menos nobres”, se é que vocês me entendem! Aí cumpade, foi o resto do dia Claudiomarzinho no banheiro e bebendo litros d’água (dessa vez água mineral). Amigos, nunca bebam água do mar, por favor!

Diamont Head também foi legal. São tipos umas montanhas no meio da ilha que dão uma visão irada pra praia de Waikiki. É uma caminhadazinha boa, uma hora, uma hora e meia, mas que no final vale a pena!

A casa das bizarrices. Minha hospedagem no Havaí!

Cara, não sei se a galera que anda lendo o blog está familiarizada de como eu estou me hospedando e planejando me hospedar pela maioria dos pontos dessa viagem. Pra quem ainda não sabe o que é coucusurfing.com aqui vai o link de uma reportagem que explica bastante como funciona esse sistema de hospedagem pela internet!
Mas então! Eu já tinha falado no post passado que já tinha conseguido hospedagem em Seul e, claro, no Havaí (até ontem também já tinha conseguido Hong Kong e Macau também). Postei a foto do cidadão que ia me hospedar e várias pessoas comentaram comigo por MSN ou até postaram no blog, algo que foi uma das minhas primeiras preocupações que tive relacionado ao primeiro momento em que vi a cara do figura. Pombas, na foto que ele usou no profile do couchsurfing.com, o bicho tinha uma cara de ser MUITO “biba”!
Mas, meu amigo!! Esquece TUDO o que eu escrevi antes! Essa hospedagem foi uma das coisas mais LOUCAS que já vi na minha vida! Mermão, você não tem idéia do arrependimento que bateu quando eu vi a cara do figura pela primeira vez! O cara parecia “o Predador”, doido!! O cidadão tinha, nada mais, nada menos, que TREZE piercings pelo corpo, além de várias daquelas correntes e espinhos de punk!! O cara era maluco DEMAIS!! Na hora que ele foi me buscar no Starbucks do aeroporto, eu tomei foi um susto!
Beleza, coloquei as malas dentro do carro da amiga dele que foi me buscar (carro que por sinal era todo doido, com a espuma dos bancos aparecendo e um bando de loucura dentro) e fui me embora! Só pensei “se não der certo, pelo menos rende MUITA história pro blog”. Quando eu cheguei na casa foi que eu fique chocado! Bicho, foi aquele choque, DOIDO!! Tinha um cara sentado no sofá jogando Playstation 2 mais doido que o Bobby (o coucher)! O cidadão não tinha um ou dois piercings transversais (“brincos” que parecem umas barras finas que vão de uma ponta a outra da orelha, de cima pra baixo), ele tinha CINCO brincos transversais NA MESMA ORELHA!! Ou seja, o bicho basicamente tinha uma GRELHA de churrasco na orelha dele!
Cumpade, nessa hora eu só olhei pra tudo aquilo: Revistas de Death Metal com fotos de demônios e o cacete jogadas pela sala, e me desesperei! Cara, parece nada, né? Falando assim pela internet acho que não transparece o CHOQUE que foi aquela parada ao chegar! Imagina! Eu, chegando num lugar totalmente desconhecido (cara, o Havaí é no meio do nada), sem conhecer ninguém e indo parar dentro de uma casa dessas? Bicho, eu fiquei com um medo do cacete!!! Sério, medo de dormir e acordar com um capeta deitado ao meu lado!
Como precisava absorver um pouco do choque de ter acabado de entrar na casa do cidadão, inventei que precisava de um banho e pedi pra ir ao banheiro. O cara foi todo solícito e me ofereceu até uma toalha (claro que numa situação como aquela eu não ia aceitar nem água pra beber). Quando entrei no banheiro é que foi o melhor! Cara, o banheiro tinha tanto, mas TANTO pêlo pubiano (o famoso pentelho), que, sem brincadeira, dava pra fazer uma peruca! A banheira que tinha lá dentro não era de cor branca, mas sim de um dégradé entre marrom e bege! Com um olhar mais atento, olhei embaixo da saboneteira e vi só aquela parada verde! LODO, LODO POR TODO CANTO! Caaaaaaraaaaa, nessa hora eu pensei em ir embora, mesmo!
Comecei a pensar no que eu poderia fazer. Depois de algum tempo raciocinando, acabei chegando a conclusão que não me restava muito! Já eram rodados 10 horas da noite e eu não tinha pra onde ir! O que eu ia falar pra ele? “Obrigado, cara, obrigado por oferecer sua casa, mas eu vou pra um albergue!”. Duas coisas que eu não sou: Primeiro é mal agradecido e segundo é besta! Cinco dias de albergue iam me sair 150 dólares! Logo não teve jeito, o negócio foi encarar a parada e ficar por lá mesmo! Tomei meu banho de chinelo e saí do banheiro!
Quando saí do banheiro e fui pra sala, eu já tava tão atordoado que eu nem me espantei quando vi um punk vestido com meia-calças nas pernas e NOS BRAÇOS e várias correntes pelo corpo. Do jeito que a coisa ia, se aparecesse alguém com um chifre de unicórnio na testa eu já tava era achando normal! Comecei a trocar uma idéia com os bichos e eles eram o tempo todo solícitos, o tempo todos querendo me agradar! Fiquei meio que desconfiado dos caras, achando que aquilo tava parecendo “camaradagem do peru” (“come mais peruzinho, come mais, olha aqui tem mais comida”. Quando o peru fica gordo suficiente, perde o pescoço, daí a expressão). Mas a melhor de tudo não foi essa, o melhor de tudo com certeza foi quando chegou o terceiro morador da casa (o punk e a mina eram apenas brothers).
Adivinha o que o cara era? Satanista? Anti-cristo? Praticante de voodoo? Edir Macedo?? Não, todas as respostas estão erradas! O terceiro morador da casa era… era… era PhD EM MATEMÁTICA (doutorado). Mermão!! Eu esperava encontrar de tudo naquela casa, menos um cara com PhD, ainda mais em matemática (poxa, se fosse em antropologia ou ciências sociais até dava pra entender!). O pior de tudo que ele nem era malucão não! Ele era todo certinho, cara! Não tinha tatuagem, não tinha piercing e ainda por cima andava com a camisa pra dentro da calça! Parecia um mauricinho!!
Brother, percebe que nada nessa história faz sentido? O cara coloca uma foto no couchsurfing.com onde ele parece um fresco e na hora ele parece o predador, um outro tem uma grelha na orelha e o outro é um PhD de matemática com cara de menino vestido pela mamãe! Eu juro que eu fiquei esperando um anão vestido de palhaço chegando pra visitar a gente naquela noite! Mas, como é bom sempre reiterar, todos gente boa pacas. O PhD me emprestou até um guia que mostrava todos os picos irados do Havaí! Eles me ofereciam tudo, prancha, óculos de mergulho, snorkeling, nadadeiras e por aí vai… Fui aceitando, mas como sempre, com receio.
A primeira noite dormi que nem vigia, um olho aberto outro fechado!
No dia seguinte, na hora de sair, o coucher falou que era de boa, que eu poderia sair que eles deixariam a porta aberta caso precisassem sair de casa e não tivesse ninguém quando eu chegasse. Confesso que temi por minhas coisas, afinal, essa parecia a jogada perfeita pra “goelar” tudo que eu tinha e levar minhas coisas embora. Fiquei pensando uma maneira de dar menos mole e não deixar minhas coisas, assim, “de bandeja”. Pensei em pegar tudo que eu tinha de valor, meu PSP, meu laptop, meu celular e minha grana e ir pra praia, mas pensei que seria mais imbecil eu levar isso tudo e ficar na areia esperando alguém me roubar. Gravei bem direitinho onde ficava o apartamento, anotei o endereço de onde ficava a parada numa carta que estava em cima da mesa (que por sinal tinha o nome de um dos moradores, logo pelo menos um dos caras pagava aluguel), coloquei meu celular, meu dinheiro e meu passaporte na mochila e fui embora! Se fosse pra sumir algo, seria meu laptop, mas devido ao tamanho do bicho, se quando eu chegasse e não encontrasse, logicamente alguém teria pego. Um passaporte pode cair embaixo da mesa ou atrás do sofá e assim se alguém goelar pode ficar a dúvida se eu perdi ou não. Ainda assim, se eles trancassem tudo e levassem embora, eu podia ir na polícia e tinha meus documentos pra demonstrar que estava legal no país, logo não ia em cana e ainda fazia queixa.
Fui pra Waikiki. Quando voltei, confesso que meu coração pulava pela boca quando eu tava no elevador indo pra casa. Cheguei em casa, a porta tava aberta e, surpresa, tava tudo lá! Do jeitinho que eu tinha deixado! Só tava o Max (o cara dos brincos transversais) sentado no sofá. Olhei, meio que disfarçando, chequei tudo e tava tudo certo, não tinha nada de errado. Fiquei tranqüilo, tomei meu banho e quando voltei pra sala, fiquei assistindo um pouco o que o Max tava vendo na TV. Era um DVD com o desenho preferido dele. Um desenho sobre uma banda de Death Metal satânica, com várias pessoas sendo mutiladas e sangue por todo lado. Eu não sabia se eu ficava mais chocado com o desenho ou com o fato de que o Max riiiaaaa que se mijava (e eu que achava que tinha humor negro porque gosto de South Park)! Mas era impressionante como ele gargalhava vendo aquilo, brother! Parecia um menino! Velho, era o que eu falava, eu já estava imaginando eu chegar em casa e encontrar alguém estuprando uma ovelha degolada.
Se liga numa cena desse desenho animado que ele tava assistindo
Depois das 24 primeiras horas, acabei me acostumando com aquela “casa maluca”. Nos

outros dias foi acontecendo uma bizarrice atrás da outra, mas eu nem me espantava mais. Teve um dia que eu acordei e tinha uma mulher jogada, dormindo no carpete do quarto do Max, fui conversar com o Bobby e pude ver as cruzes de ponta cabeça no quarto dele (satanismo), além de que ele guardava uma balestra dentro do armário, apareceu um gótico com umas tatuagens feitas de queimaduras, um cara desmaiou de bêbado e teve que ir tomar glicose, o PhD tentou cortar os pulsos (foi impedido pelo Max) quando soube que a namorada dele tava grávida e por aí vai… Tudo isso em menos de uma semana! E ah sim, todos eles, eu disse TODOS eles, viam aquele mesmo DVD e gargalhavam o dia inteiro!! Eu já tava tão anestesiado que neeeemm me espantava mais, só dava risada! Pra mim tudo era festa, brother! Pelo menos eu não tava pagando albergue e nem tendo que alugar equipamento pra surfar e mergulhar! Além de que, minhas coisas, apesar de estarem na sala, SEQUER eram tocadas. Os bichos me respeitavam tanto que chegavam ao ponto de pedir autorização toda vez que queriam usar meu laptop (pombas, eu tou ficando na casa deles de graça e os bichos ainda me pedem autorização pra usar minhas coisas?).

No final, não poderia ser diferente. Nada ocorreu de errado e minha hospedagem no Havaí acabou sendo MUITO melhor que minha hospedagem na Coréia do Sul (que escrevo no próximo post!). Essa experiência serviu pra me mostrar o quanto a gente perde oportunidade de conhecer pessoas interessantíssimas baseadas apenas num preconceito imbecil. Em menos de dois dias, o Bobby parecia um amigo de infância, cara! Chegou um momento em que eu já me sentia era bem de ficar ao lado dele e dos caras que moravam na casa dele, além de todos os malucos que chegavam por lá! Tá certo que os bichos pareciam um bando de louco, mas sério, gente boa demais, todos eles! Confesso que são pessoas que me farão sentir saudade.
Essa é a parada do couchsurfing.com, brother! Não só lugar pra ficar de graça ou algo do tipo, mas também a oportunidade de conhecer pessoas maravilhosas e trocar experiências e aprender como a gente consegue ser imbecil em vários momentos de nossas vidas.
Doido demais!
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Hoje e’ dia de post

Galera, eu sei que hoje é dia de post, mas devido a minha vida nômade e também ao fato que não vou ficar 6 ou 7 horas aqui no Havaí escrevendo, o post fica pra depois… Vou tentar postar na segunda ou na terça agora, quando já estiver em Seul.

Ah sim, vale a pena esperar, viu?? Aconteceu tanta coisa maluca aqui no Havaí que dava pra escrever um livro inteiro só sobre essa viagem. Preparem-se que o que não vai faltar no próximo blog é presepada…

Abraços maranhenses

Enfim indo embora

Chés… Desculpa pela demora em postar, galera. A viagem enfim começou, tou no Havaí agora e pode ter certeza que o próximo post vai render muito. Isso se eu estiver vivo até lá, claro… ahhahaha

Enfim a viagem parece que vai começar! Cara, não vejo a hora de entrar naquele avião, ouvir o comandante falando “Bem vindo ao Havaí” e descer já com uma prancha debaixo do braço. Essa vida de muito trabalho e muita porrada já tá enchendo meu saco!
Como de costume, antes de ir embora, saí pra tirar algumas fotos. O Vicent, me fez o favor de servir como um “personal photographer” e saímos batendo algumas fotos de Santa Bárbara.

A despedida também contou com alguns mimos da galera lá de casa. O Karl, o dono da casa, foi fazer um bolo de aniversário pra poder comemorar o aniversário do Jason, meu companheiro de quarto e aproveitou e meteu um Claudio lá no bolo. Falou que era pra minha despedida e também pro meu aniversário! Faço aniversário dia 23 de abril e eles aproveitaram e adiantaram logo. Além disso, as japinhas também fizeram uma jantar especia
l pra mim, preparam um sushi com o maior carinho! Apesar de ter um pouco de dificuldade pra poder diger
ir aquela alga do sushi, não tive como recusar e me esbaldei na refeição.
Além dessa despedida das japinhas e do bolinho do Karl, rolou também um festinha de despedida na casa de uma alemã que conheci esses dias. A menina gente boa demais e também tinha uns amigos super gente boa. Foi legal, mas nem rolou nada demais nem nada de muito importante. Todo mundo bebendo até cair e muita risada. Na festa em si houve pouca presepada, nem rolou algo tão engraçado digno pra ser posto no blog. Se não teve presepada, foi ruim porque escrevo menos, mas por outro lado foi bom porque ninguém destruiu nada da casa dela (algo raro em festas com muita cerveja).









Videozinho que fiz da casa que eu morava em Santa Bárbara.

Despedida



Cara, eu fico impressionado que, quando a gente vai embora, parece que fica um pedaço da gente no lugar. Foi assim quando saí do Maranhão, foi assim quando saí de São Paulo, da Austrália e agora tá parecendo que vai ser assim quando eu sair daqui também. O mais estranho de tudo é que aqui, ao contrário dos outros lugares, não foi um lugar com que me identifiquei bastante. Não saí, não me diverti e nem carimbei a fuselagem (o que realmente é a parte mais triste). Isso em grande parte foi culpa minha mesmo, já que no início me isolei bastante e quando comecei a procurar algo pra fazer, peguei o segundo trabalho e fiquei sem tempo. Quando saí do segundo trabalho, já estava na hora de ir embora.
Mas o problema principal pra mim foi, rapaz, nunca tive tanto azar em fazer amizades como tive nessa cidade! A primeira amizade que fiz e a única que se manteve até o final (tirando o pessoal da minha casa), foi com aquele velho conhecido gerente que falei pra vocês, o Orlando. O cara sempre foi gente boa comigo e sempre demos várias risadas, mas ele era sempre ocupado e nunca rolava da gente sair. Depois dele, no início, comecei a fazer amizades com algumas brasileiras. Elas pareciam ser gente boa, mas sempre que eu tentava marcar algo com elas eu recebia um “eu vou ver o que vou fazer essa noite e depois te ligo”. Depois da terceira vez, sem respostas, percebi que já estava incomodando.
Teve também um cara que depois acabei apelidando de “O virgem de 40 anos”. Um tiozão que foi até bacaninha no começo, me levou pra Los Angeles, me levou pra comprar meu laptop e mais algumas coisas, mas no final eu não agüentava mais ouvi-lo falando. O bicho tinha seus 45 anos e se achava a “última coca-cola do deserto” só porque trabalhava como arquiteto e não como entregador de pizzas, como a maioria dos brasileiros. Além de que parecia um menino de 14 anos tentando chegar numa mulher. Era engraçado ele tentando “passar a goela” na japinha e querendo, como a gente diz no Maranhão, “se amostrar”. Olha o papo do figura pra poder digamos, impressionar a mulher:
– Não, que meu trabalho agora está começando a me dar uns problemas. Como comecei a me destacar muito, você sabe, comecei a despertar muita inveja. Está começando a ter muita politicagem e, você sabe, eu odeio politicagem. Mas isso não é o importante, o importante é que cada dia eu estou ficando melhor no que faço, me destacando e pá pá pá…
E por aí vai. Eu o via conversando com a mina e ficava rindo por dentro. Parecia até que ele tava era numa entrevista de emprego e não tentando xavecar uma mulher. Confesso que eu até tava xavecando essa japinha no começo, mas depois que o virgem de 40 anos montou em cima dela, eu esperei ele perder pra eu poder começar a tentar de novo, até porque eu não agüentava mais ele falando “olha, ao contrário dos brasileiros aqui, eu não trabalho de garçom, o meu trabalho é qualificado e talz, ao contrário desse maranhense “véi besta”, eu sou formado numa FAFIFÓ no Brasil e não trabalho vigiando hotel”. Eu ficava imaginando se na cabecinha dele, com esses papos de “consultoria de RH”, ele imaginava que a menina ia chegar pra ele e falar: – Nossa, eu adoro arquitetos, me deixa ver o seu esquadro (sim, o trocadilho sem graça foi de propósito mesmo, foi pra descontar a raiva)? O pior foi que aos poucos, com ele me falando, eu descobri o que ele fazia no bendito trabalho dele. Ele me falou que pegava as planilhas e redesenhava no AutoCAD (um software bastante utilizado por arquitetos). Não criava nada, apenas remetia o trabalho do chefe para o computador. Resumindo, ele trabalhava como um assistente de escritório de arquitetura, trabalho de início de carreira. Mas o importante era que o trabalho dele era qualificado ¬¬
Mas a melhor de todas, sem sombra de dúvidas, foi o que ocorreu com uma menina que eu conheci pelo Couchsurfing.com, chamada Monique. Rapaz, essa foi com certeza a melhor história. Eu estava aqui, sentado, em mais uma noite solitária no hotel e comecei a dar uma olhada no couchsurfing.com “pra ver de qual é”, procurando alguém pra poder me mostrar um pouco de Santa Bárbara. Entrei no chat do Couchsurfing e comecei a ver quem estava online. Rapaz… Pra que? Tinha uma loirinha FENOMENAL no chat! Cumpade, eu só pensei “essa mulher pode estar no Iraque, que eu vou pra casa dela!”. Fui lá, cliquei no profile dela e qual não foi a minha surpresa? Não, antes que você pense, ela não era de Santa Bárbara! ELA ERA DE ISLA VISTA, O QUE ERA MELHOR! Isla vista é uma cidade próxima a Santa Bárbara, que foi construída apenas pra servir de moradia pros estudantes da universidade daqui. Ou seja, é uma parada MUITO INSANA! TODO mundo que faz faculdade mora nesse bairro, ou seja, o local resume-se a badalação.
Comecei a conversar com ela, com aquele papinho “pois é, tou dando uma volta ao mundo e talz” e a mulher começou a me dar um mole insano. Perguntei se dava pra gente ver de sair já naquele fim de semana, mas ela falou que não, já que ia visitar a família, mas que na outra semana ela não via a hora de sair comigo. Falou também que na outra semana seria melhor já que todas as suas amigas também já estariam em casa e então a gente poderia sair todo mundo junto. Dei uma olhada mais atenta no profile dela e vi “as pobrezinhas” que moravam com ela! Mermão! Pense num bicho que pirou? Olha a foto!
Falei que tava de boa e desconectei. Meu amigo, nessa hora eu só abri os braços, olhei pra cima e falei: “Já chega, né? O que você tá aprontando comigo dessa vez?”. Cara, era algo que nada fazia sentido! A minha me dando um mole danado, falando que ADORAVA beber cerveja e que queria beber comigo até cair pra ver quem agüentava mais e ainda por cima morava com aquela mulherada! Eu não merecia tanto! Fiquei tão empolgado que peguei dois turnos dobrados no meu trabalho de Dishwasher e liberei o fim de semana posterior só pra poder sair com a mulher, né? Fiquei mais feliz que mosquito da dengue em campo de nudismo.
Como já disse várias vezes, pra dar história de blog, tem que dar errado, pois então. Deu errado! Como Deus não dá asa a cobra e quem nasce pra ser rosquinha nunca vai ser croissant, melou a parada. Tentei ligar várias vezes no celular dela, sem sucesso, além de sempre falar com ela no Skype e ela me ignorar. Acho que depois ela se arrependeu.
Esse foi um golpe que me deixou triste! Ô Urucubaca