Turismo nas Maldivas – Mergulhando por lá

As Maldivas são conhecidas no mundo inteiro pelos seus mergulhos com cilindro. Eu fiz e não me arrependo. Vi tubarões, tartarugas e peixes, peixes por todos os lados. Porém, o momento mais bonito, sem sombra de dúvidas, foi quando um verdadeiro cardume de arraias jamanta começaram a danças por cima das nossas cabeças. Em Los Roques, eu tinha visto uma POST LOS ROQUES, porém por segundos (foi o suficiente para desestabilizar e desorganizar todo nosso grupo de mergulhadores). Porém, nas Maldivas, elas ficaram por nossas cabeças por quase uma hora. A qualidade de visão da água era ruim, porém, ela atraiu as jamantas devido ao tanto de comida suspensa na água. Foi muito legal!

No final, todo mundo me pergunta. Vale a pena viajar às Maldivas? Cara, se você estiver ali pela região e pesquisar um resort com um preço bem justo, acho que vale a pena. Mas você sair do Brasil, pegar dezenas de horas de voo só para ir para lá e ainda gastar toda a grana que você tem guardado da vida por três dias de all inclusive, acho que não vale a pena. Se estiver procurando hoteis all inclusive e destinos de lua-de-mel sugiro muito mais ir a Fernando de Noronha ou ilhas caribenhas (Cuba, com certeza, a mais legal). Você vai gastar metade do que iria gastar nas Maldivas e acredito se divertir bem mais do que em uma bolha de um all inclusive. Se tiver procurando lugares para mergulho, em Maldivas foi bom, mas o Mar Vermelho no Egito e Fernando de Noronha achei bem melhores.20170919_094104

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O problema de espaço na capital das Maldivas é tão sério que ÚNICO cemitério da cidade é no MEIO do CENTRO

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Como chegar as Maldivas e Visto para as Maldivas – E não é que deu problema para entrar?

Acredito que a forma mais simples de chegar às Maldivas do Brasil seja por meio de promoções de companhias aéreas com escala na Etiópia (que conforme já falei, tem um aeroporto que é uma ZONA). Se não tiver paciência de esperar uma promoção, a outra forma mais simples é conseguindo um voo para Tailândia, Índia, Cingapura ou Malásia e de lá saem diversos voos para as Maldivas, nem que você faça uma pequena conexão no Sri Lanka.

O visto para as Maldivas é mamão com açúcar. Brasileiros (e acredito que grande parte das nacionalidades) não precisam de visto, é só chegar no aeroporto com passaporte na mão que é só alegria. Bem, depende. A não ser que você chegue nas Maldivas como eu cheguei. Sozinho, sem reserva para ficar em algum resort e com uma bela cara de fi duma égua. Continuar lendo “Como chegar as Maldivas e Visto para as Maldivas – E não é que deu problema para entrar?”

Turismo em Malé, capital das Maldivas

Diria que 99% dos turistas que viajam às Maldivas só passam em Malé devido ao aeroporto. Na verdade, grande parte deles nem isso, já que geralmente os resorts já mandam um iate buscar os hóspedes na ilha do aeroporto e depois te deixam de volta, ou seja, ninguém nem passa por Malé.

Tudo bem, já viajei por diversos países-arquipélagos que viviam do turismo. Porém, Malé foi a primeira capital, de um país turístico, que não é turística de FORMA ALGUMA. Mano, tudo bem, você não espera que a capital tenha diversas atrações, mas Malé não tem atração ALGUMA a não ser atravessar pela primeira vez uma ponta a outra uma cidade de 100.000 habitantes (dá um caminhadinha de 2km) e capital de um país. Nem em Andorra era tão simples assim.

Desci na cidade, fui lá dar uma banda, atravessei e depois pensei “Bom, agora é só encontrar uma agência de turismo e marcar uns passeios nas ilhas mais próximas”. QUEM DISSE que eu encontrava? Mano, simplesmente parece que não existe agência de turismo ALGUMA na cidade inteira. Essa atravessada de uma ponta a outra da ilha fiz e refiz umas vinte vezes e nada de eu achar uma agência. Imaginava que eu ia sair na rua e ia ter um bando de gente gritando para eu comprar coisas, querendo me colocar dentro das lojas delas (o que sempre acontece em cidades turísticas). Mas quem disse? Naaaadda! As agências de turismo que eu achava eram só para comprar passagens aéreas e pacotes de viagem para fora das Maldivas (ou seja, para os locais viajarem) e nenhuma para marcar um passeio de barco que fosse. Acabou que o São Google me ajudou e eu conseguir achar uma agência onde marquei um mergulho para o outro dia (nessa agência inclusive conheci uma austríaca que falava português. Ela morou 8 anos no Rio de Janeiro quando foi casada com um brasileiro). A agência era Maldives Dive Shop e sugiro a qualquer brasileiro perdido que passe por lá, os caras são muito gente boa e também marcam passeios sem cilindro de oxigênio.

COMO É A VIDA NAS MALDIVAS? COMO VIVEM AS PESSOAS QUE MORAM LÁ?

Primeira coisa a se entender. As Maldivas são um país muçulmano e isso é bem claro na vida da população. Virtualmente quase todas as mulheres que andavam nas ruas usavam o véu cobrindo a cabeça. Se você chega ao aeroporto com bebidas alcoólicas na mochila (compradas em um free shop no caminho, por exemplo), eles retiram a sua cana, guardam em um compartimento do aeroporto (mesmo se você for aos resorts) e te entregam quando você vai embora. Porém, nos resorts você bebe até morrer que não tem problema, principalmente os all inclusive. Em Malé não é possível encontrar bebida alcóolica que não as contrabandeadas, a não ser em um hotel específico que fica na ilha do aeroporto. Conversando com os locais sobre drogas, eles me disseram que você encontra facilmente. Se você for pego traficando, leva prisão perpétua, porém não tem pena de morte. Fiquei curioso. Como em um lugar diminuto como aquele, impossível de se esconder, é possível alguém traficar drogas sem conhecimento da polícia? Segundo os locais, os traficantes têm acordos com o Governo. Se um gringo é pego usando alguma droga, ele só é expulso do país, mas se for um local, a coisa pode ficar bem mais séria. Se você for pego com bebida alcoólica, leva só 24 horas de cana.

Assim, existe esse cerco todo sobre álcool para os locais. Beber é feio, mas fumar é tudo bem. Então, cara, em Malé parece que tem uma névoa do tanto que os caras fumam o DIA INTEIRO. Sério, fumam mais que caipora!

O povo lá parece viver no veneno. Conforme já disse, o país vive sob uma ditadura miserável que tolhe os direitos individuais, pilha o Estado e censura a imprensa.  Para se ter uma ideia, eu estava em um restaurante comendo em uma área de “não-fumantes”. É óbvio que eu estava quase sozinho, pois todo mundo comia na zona de fumantes, já que, como disse, os maldivos fumam mais que uma caipora.

Daí entram quatro caras no restaurante, em uma mesa do lado da minha e começam fumar. Mas, assim, como não querem nada. Chamei o garçom e perguntei se, assim, né, eles poderiam pedir para os caras serem um pouco menos FILHOS DA PUTA e pararem de fumar em uma zona de não-fumantes. O garçom, um indiano, veio todo sem jeito me pedir desculpas dizendo que não poderia fazer nada, já que eles “eram do governo” e podiam fazer o que queriam. Mesmo que o gerente do restaurante fosse pedir que eles parassem de fumar, eles iriam ignorar e ainda poderia sobrar para o indiano, que poderia ser deportado. Só me restou ir para uma mesa afastada.

Porém, ainda assim a vida lá parece ser melhor do que outros países da região, haja vista que por todo canto havia imigrantes do Sri Lanka, Índia, Paquistão, Indonésia… trabalhando em restaurantes e inclusive havia uma fila no aeroporto separada só para quem viajava de visto de trabalho! Primeira vez que vi isso em um aeroporto!

E O TSUNAMI, COMO FOI?

Por último, me restou uma curiosidade. E como ficou as Maldivas durante o tsunami? Se houve países que quase foram destruídos, como ficou uma ilhota com altura máxima de um metro acima do mar? Os locais me explicaram que não houve ondas gigantescas como em outros países, o máximo que ocorreu foi que o nível do mar subiu absurdamente de uma hora para outra, coisa de cinco metros. Inundou a cidade inteira e momentos depois já esvaziou novamente. A sorte foi que isso ocorreu durante a manhã, quando todos já estavam fora de casa, de forma que houve pouquíssimas mortes devido ao tsunami.

PAIXÃO PELO FUTEBOL NAS MALDIVAS

Por último, uma das coisas que mais impressionou nas Maldivas é o tanto que eles são apaixonados por futebol (além do “cardume” de arraias jamantas e tubarões que passou por cima da minha cabeça quando eu mergulhava, mas isso é para outro post). Explico. Maldivas está cercada por países que são simplesmente apaixonados por críquete, como Índia, Paquistão, Bangladesh e Sri Lanka e que não dão a mínima para o futebol. Pense que Índia e Paquistão, juntos, tem mais de 1,5 bilhão de pessoas e eu não lembro de ver um dos dois na Copa do Mundo. Como grande parte dos imigrantes vem desses países, imaginava que eles também seriam apaixonados por críquete. Mas que nada! Andando pela ilha, você só vê pessoas jogando futebol, um ou outro por ali jogando vôlei. São quadras e quadras de futebol por todos os cantos. Fiquei surpreso com o quanto eles gostam da gente e o quanto você vê bandeiras do Brasil pintadas pelas ruas de Malé.

Maldivas são ilhas isoladas não só geograficamente, como também culturalmente.20170920_185708

Como é possível ver na foto acima, eles inclusive têm uma imagem de um jogador de futebol impressa em notas de dinheiro. Nem o Brasil ou a Argentina nunca foram tão longe em sua paixão futebolística.20170919_09373220170919_09462020170921_102036

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Criançada se preparando para aprender a nadar em uma piscina criada no meio do mar. É óbvio que em Malé não há espaço para se fazer piscinas

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Parte rica da cidade

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As pessoas meio que vivem umas por cima das outras

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Maldivas – Como Viajar para lá

As Ilhas Maldivas são conhecidas como um destino para lua-de-mel entre casais. Começaram a ficar agora mais populares no Brasil depois que algumas companhias aéreas começaram a fazer promoções para lá. Como eu iria ficar uma semana pela região antes de chegar a Índia e vi que tinha um voo bacana saindo de Bangladesh, pensei que não seria uma má ideia eu dar um pulo por lá e conhecer melhor o país.

Comecei a pesquisar um pouco sobre o lugar e fui descobrindo algumas coisas bem interessantes. As Maldivas são um país islâmico e vítimas de um governo extremamente opressor. A sua capital, Malé, concentra 100.000 pessoas em um exíguo espaço de 4 km²! Como o espaço mais alto da ilha fica a um metro acima do nível do mar, o país é um forte candidato a, literalmente, sumir do mapa num futuro próximo caso o nível dos oceanos continue aumentando.

Sobre as Maldivas – o que tem por lá?

As Maldivas foram ocupadas por povos semelhantes aos que ocuparam a Índia. Viraram um entreposto comercial e devido a presença constante de mercadores árabes nas ilhas, se tornaram um país muçulmano. Pela Constituição do país, todo habitante das Maldivas, ao nascer, também é da religião muçulmana, portanto o conceito de religião e nação se confundem por lá.

O país nunca foi conquistado ou colônia de ninguém, apesar de receber forte influência dos países que por lá passaram. Eles gostam de falar que isso ocorreu porque o povo maldivo sempre foi muito habilidoso nas negociações com as nações mais poderosas. Porém, de fato, o custo de ocupar um país como as Maldivas, com uma concentração populacional imensa, conforme já disse, não parecia compensar, haja vista que a ilha virtualmente não tem nenhum recurso natural, nem terras agricultáveis e possuem portos ruins para atracar navios grandes. Basicamente, não se tem muito o que se ganhar com elas.

Conforme falei, Malé, a capital, é uma loucura. São só motinhas passando de qualquer jeito pelas vielas, quase te atropelando com, obviamente, ninguém usando capacete. Carro por lá, acho que só tem táxi, que eu não vejo muita utilidade, já que, conforme falei, a ilha em sua maior extensão tem 2km de uma ponta a outra. Possui uma extrema concentração populacional e as pessoas de lá moram meio que umas por cima das outras. Literalmente. Não lembro de ter visto uma casa sequer na ilha, ao passo que vi várias construções que pareciam que um dia foram casas e hoje viraram edifícios. Mas aquelas feitas por pedreiro, uma por cima da outra feita de qualquer jeito. Assim é a cidade inteira. Devido a virtualmente não haver mais espaços nas ilhas, eles começaram a levantar ilhas artificiais para poder desafogar um pouco a ilha principal de Malé. Em uma ilha foi, inclusive, feito um aeroporto, tal qual em Hong Kong.

Em Malé há lixo espalhado pelas ruas, porém quando você pensa o tanto de gente por metro quadrado, nem parece ser um grande problema assim. Esperava encontrar montanhas de entulho, o que acabou não ocorrendo. Também não vi sequer um mendigo na rua esmolando. Perguntei para os locais porque e eles me disseram que o governo tem um efetivo programa social contra pessoas mais pobres. Se encontram alguém esmolando na rua, é cadeia. Nada como políticas públicas efetivas.

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Motos correndo pela cidade

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Ilha artificial criada para desafogar a pressão populacional em Malé

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Pessoas esperando barcos no pequeno porto, principal forma de transporte nas Maldivas
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