E A VOLTA PARA CASA? É SÓ CHAMAR UM UBER

Depois de passar o dia inteiro perambulando pro Baku, quando eu vi já eram rodados quase 23h e isso começou a me preocupar já que eu não tinha 4G, precisava usar WI-FI de algum estabelecimento para chamar Uber e, como meu hotel era afastado do centro, se não conseguisse corria o risco de, literalmente, dormir na rua. Acabou que entrei em um café, pedi uma água, peguei a senha do WI-FI e chamei um Uber.

Quando eu vi o carro que ia me buscar. Mano, sem brincadeira, era uma Mercedes-Benz

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Cara, juro, eu nunca tinha andado na vida em uma Mercedes, quem dirá em uma Mercedes-Benz. A viagem de volta pro hotel prometia.

Quando chegou, era um senhor que não falava nada comigo, só gesticulava. Normal, é difícil achar senhor de idade que fala inglês em qualquer lugar do mundo. O tio ia tentando gesticular comigo e o que eu entendia era que ele parecia não saber onde era para ir. Só que era meio estranho, o tio além de gesticular ele, literalmente, grunhia! Fomos acompanhando o GPS e, realmente, quando chegamos no ponto o qual seria o hotel, ele, efetivamente, não existia.

Só que estávamos em uma zona bem afastada do centro de Baku e estava, literalmente, TUDO escuro. O tio parou um carro do lado e quando ele foi descer para falar com os caras ele era… MUDO! Sim, mano! Pior do que eu não saber como iria chegar no hotel era perceber que o tio, coitado, por mais que quisesse ajudar, era MUDO! Por isso que ele grunhia comigo! Só sei que eu desci do carro, coloquei no google tradutor e depois de muita luta os caras entenderam e falaram para segui-los. Enfim conseguimos chegar ao hotel e ainda dei uma boa gorjeta ao tio, tanto por ele ter sido MUITO gentil tentando me ajudar quanto por ter viajado a primeira vez na vida de Mercedez =)

Por último, só uma coisa engraçada que aconteceu. Comprei a passagem Baku – São Petersburgo na Rússia e paguei o adicional de bagagem. Quando fui despachar, a menina do guichê da companhia aérea falou “Ok, você pagou o adicional de bagagem, mas você pagou o adicional de bagagem de mão?”. Eu juro que na hora achei que era brincadeira, mas a mulher falou sério. Eu disse que não e perguntei “Ué, então eu só posso viajar com o celular e a carteira no bolso”. Aí ela falou que sim. Sugeriu que eu despachasse a minha bagagem de mão junto com a bagagem de porão. Quando disse que na minha mochila tinha um laptop ela falou “Ah, mas para laptop a gente abre uma exceção” e deixou eu embarcar com bagagem de mão. Alguém já passou por esse tipo de bizarrice na vida?

MULHERES sem veu
Mulheres azeris andando na rua sem véu

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Baku vista de cima

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VIAJANDO AO AZERBAIJÃO – A ENTRADA EM BAKU, CAPITAL DO PAÍS

Enquanto os geórgios e os armênios são, se podemos dizer assim, povos próprios, os azeris (povo do Azerbaijão) são descentes de povos persas assim como os iranianos. Se os armênios e geórgios são cristãos, os azeris são muçulmanos. Não, o Azerbaijão não tem um bando de homem bombas andando pelas ruas como a sua mente preconceituosa pode querer imaginar. Na verdade o Azerbaijão é um país muçulmano dos mais liberais. Diria que por volta de 1% das mulheres que eu vi na rua usavam qualquer tipo de véu na cabeça. Na verdade, vi menos mulheres usando véu do que vi na Tunísia, conhecido como um país muçulmano bem liberal. A maioria das mulheres andavam de calça jeans ou shorts que nem no Brasil.IMG_6255

Cara, entrar em Baku é uma experiência fantástica. Baku segue o script e o modelo de “capital de país que nada em petróleo governado por um ditador sanguinário e que pega o dinheiro que poderia investir na qualidade da população e investe em prédios faraônicos pra demonstrar o tanto que o seu país é glorioso”. Então, sim, os prédios ultramodernos de Baku fazem dela uma cidade muita louca e interessante.

PERAMBULANDO POR BAKU – PROBLEMAS DE COMUNICAÇÃO COM O MOTORISTA DO UBER RENDERAM HISTÓRIAS INTERESSANTES

Conforme falei, Baku é uma cidade muito bonita, pelo menos o centro. Na verdade, fiquei em um hotel que ficava em uma zona afastada e que não tinha nada do luxo do centro de Baku.

A primeira coisa que você nota viajando por Baku é o tanto de campos de refugiado no meio da cidade, o que eu deduzi que sejam azeris que fugiram de Nagorno-karabakh durante a guerra, mas isso é uma dedução minha, não sei se é verdade.

Achei que não ia achar muitas coisas interessantes em Baku, mas me enganei. O Museu Nacional é simplesmente fenomenal e gigantesco. Tem muita informação para quem quer aprender sobre a história… do Azerbaijão. Acabou que depois de um tempo eu tava só passando as seções, porque, assim, não tenho muito interesse em saber dos reis azeris de 1000 anos atrás, né? Porém fiquei impressionado com o tanto de moedas bizantinas, romanas e persas que encontraram escavando pelo Azerbaijão, demonstrando o tanto que a sua localização estratégica o fazia um importante entreposto comercial.

A parte relacionada ao genocídio azeri realizado pelos armênios chama bastante a atenção. Cara, é realmente chocante conforme as fotos abaixo

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Tirando o museu, o principal ponto turístico de Baku hoje são as Flame Towers (Torres de Chamas). Cara, elas ficam mudando de cor e até fazendo algumas animações. Realmente são bem bonitas, como é possível ver nas fotos abaixo.20180620_21200720180620_21421720180620_215334

Além disso, Baku durante a noite também é bem bonita. Posteriormente irei postar vídeos sobre isso.

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MULHERES sem veu
Mulheres azeris andando na rua sem véu
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ENTRANDO NO AZERBAIJÃO DEPOIS DA ARMÊNIA. O TERRORISMO. COMO SE CONSEGUE O VISTO?

Conforme já expliquei a Armênia e o Azerbaijão vivem em pé de guerra. Qualquer serumanininho que já tenha PISADO em Nagorno-Karabakh não pode entrar no Azerbaijão e qualquer pessoa que tenha passado pela Armênia pode ter problema também tentando entrar no Azerbaijão.

Cara, o visto para o Azerbaijão é bem simples. Você basicamente faz o processo todo pela internet (nesse site) consegue um E-Visa, imprime e tenta a sorte.

Eu tava com um pouco de medo por conta de todo o terrorismo que a galera me fazia na Armênia sobre entrar no Azerbaijão depois de ter viajado por lá. Na verdade, era eu falar o nome Azerbaijão na Armênia que o povo parecia que ia ter um ataque. Eu até voltei a estratégia da Ucrânia e ficava falando Argentina quando queria me referir à Armênia (leia mais sobre essa história clicando aqui).

Desci do avião com o coração a mil. Cheguei ao guichê, a mulher examinou meu passaporte e viu meu visto da Armênia. Perguntou o que eu tinha feito na Armênia. Perguntou as cidades que eu tinha visitado, perguntou se eu tinha visitado Nagorno-Karabakh e com minha negativa, abriu um sorriso, falou “bem vindo ao Azerbaijão” e todo o terrorismo foi por água abaixo.

Eu estava dentro do Azerbaijão.20180620_221005dfgdfgdfgdsfgsdfgsddfgdfgfdsIMG_6309IMG_6273IMG_6271IMG_6260IMG_6258dfgdfgsdfgdfsdsfsdfasdfsdafdsfsdfasdfgdsgdfgdfgsd

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CHEGANDO AO AZERBAIJÃO. E, MANO, AZERBAIJÃO E ARMÊNIA, MUITA TRETA!

Como não podia deixar de ser em um país do Cáucaso, o Azerbaijão também tem seu malvado favorito. Se o da Geórgia e o da Ucrânia é a Rússia, o da Armênia os turcos,  o do Azerbaijão é.. a Armênia. Sim, Armênia e Azerbaijão são muita treta.

Tudo começou quando a União Soviética, sempre ela, delimitando o território de cada república sob seu domínio, deixou a República do Azerbaijão (notem, eles ainda não eram um estado independente) com um território onde havia maioria armênia, o Nagorno-Karabakh. Durante a época da União Soviética como todo mundo era o mesmo país, acabou que isso não foi um problema muito grande.

Porém, quando o Azerbaijão ficou independente, ele meio que começou a aterrorizar uns armênios desse seu território em uma tentativa de “azerbaijanizar” o seu território. Como os armênios não gostam muito dessa ideia de serem mortos como frango, eles pediram ajuda pro irmão mais velho (mais ou menos como o Chipre do Norte fez, conforme explico nesse post aqui). A Armênia, país, chegou de sola no Azerbaijão. Aí o jogo virou, a Armênia começou a expulsar os azeris de volta pro Azerbaijão e, de quebra, achou que seria uma ótima ideia aproveitar para  “armenizar” Nagorno-Karabakh. Começaram a sair matando azeris a rodo. O Azerbaijão ainda contou com um pouco de apoio dos turcos, mas não ajudou muito. Mas, assim, o negócio foi feio mesmo. De terem sido achadas covas coletivas e tudo.

Entre mortos e feridos, os azeris que viviam em solo Armênio mudaram para o Azerbaijão, os armênios que moravam no Azerbaijão mudaram para a Armênia e rusgas, ódios e rancores ficaram pelo caminho.

Me pareceu que a matança que os armênios promoveram foi maior e eles realmente começaram uma política de genocídio destruindo vilas inteiras e matando qualquer coisa que se mexesse por lá, de animal de estimação a senhora azeri idosa. Tudo bem que um armênio que morreu lá do outro lado do mundo no genocídio armênio na Turquia NÃO TEM NADA A VER com o armênio que saiu fazendo limpeza étnica nos azeris, mas isso serve para demonstrar que dificilmente na história de guerra temos um país bonzinho e outro diabólico.

No final Nagorno-Karabakh virou um “país independente” só reconhecido por, veja você, a Armênia (lembra alguma história? Sim, a Ossétia do Sul e a Geórgia, história que expliquei aqui).

Azerbaijão e Armênia continuam em guerra e vez ou outra morre um soldado de um dos lados.

Porque eu tou falando tudo isso? Bem, só para explicar que hoje qualquer pessoa que tenha PISADO em Nagorno-Karabakh tem a entrada proibida pelo resto da vida no Azerbaijão. Além de que, bem, teoricamente quem viajou à Armênia teria BASTANTE problemas em entrar no Azerbaijão, o que explico no post seguinte.20180620_18165820180620_18324120180620_19145620180620_19154320180620_19185120180620_19283120180620_193016

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CURIOSIDADES DA GEÓRGIA. PERAMBULANDO POR TBILISI. PRECISA DE VISTO?

Enquanto o Azerbaijão e a Armênia vivem quebrando o pau um com o outro, o povo da Geórgia fica ali no meio observando. O pouco que conversei com o povo do Cáucaso, os armênios dizem que os georgianos ajudam demais o Azerbaijão e os azeris dizem que os georgianos ajudam demais os armênios. Para piorar a situação, Stálin, apesar de ter sido o mais notável matador da União Soviética era georgiano e, portanto, supostamente (aí sim, os tanto os azeris quantos os armênios reclamam disso) no Cáucaso valorizava muito mais os georgianos em detrimentos dos azeris e armênios, inclusive, supostamente, deu à Geórgia controle sobre terras que seriam do Azerbaijão e da Armênia. Pelo que pude perceber, a Geórgia é meio que a Argentina do Cáucaso.

Porém, se os armênios e os azeris vivem se matando e os georgianos não se metem na briga dos vizinhos, eles tem um malvado favorito BEM mais ASSUSTADOR para se preocuparem: a Mother Russia. Sim, a Geórgia andava meio saidinha e se aproximando bem mais da Europa do que os russos acharam razoável.

Aproveitando que os holofotes do mundo estavam nas olimpíadas de 2008 os georgianos “invadiram” duas regiões que supostamente pertenciam à Geórgia, porém com maioria russa e que viviam uma independência de fato. Os georgianos imaginavam que a aproximação que eles estavam conseguindo da Europa e dos Estados Unidos iria dissuadir os russos de fazerem algo e gritaram truco. Os russos gritaram seis, nove, doze com o ZAP e o 7 de copas na mão e chegaram de sola nas tropas georgianas.

Como a Geórgia inteira tem uma população infinitamente menor que Moscou (sim, o país inteiro tem menos gente que a cidade capital da Rússia), não sobrou nada a não ser implorar por ajuda do Ocidente. Os Estados Unidos e a Europa fizeram que não era com eles e a Geórgia apanhou mais que vaca quando entra em uma horta. As duas regiões “declaram independência” e hoje são dois países, a Abecásia e a Ossétia do Sul. A independência desses dois “países” só é reconhecida pela, veja você, Rússia. Nem o Word aqui do computador reconhece, já que ficava tentando corrigir os nomes usando corretor automático. Escrevi com mais detalhes nesse post aqui, dez anos atrás, ainda durante a guerra https://omundonumamochila.com.br/2008/08/16/conflito-na-georgia/

Tive pouco tempo para dar um rolê em Tbilisi, mas deu para conhecer algumas partes legais da cidade. Enquanto todo mundo odeia o Bush, em Tbilisi ele tem até avenida no nome dele:

FOTO BUSH

Isso ocorre porque, conforme falei, ele deu um apoio danado às pretensões da Geórgia em se aliar à OTAN e à União Europeia. É óbvio que depois do cacete que os georgianos levaram na guerra contra a Rússia, essas conversas meio que deram uma esfriada.

Bati algumas fotos pela cidade também os quais postei aqui embaixo. Depois disso, foi pegar o avião e seguir para o próximo destino no Cáucaso, Baku, capital do Azerbaijão.

PRECISA DE VISTO PARA A GEÓRGIA?

Brasileiros não precisam de visto para viajar à Geórgia

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É nóis na fronteira!!!

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CAPOEIRA EM YEREVAN, CAPITAL DA ARMÊNIA

Seguindo com o projeto de escrever sobre capoeira pelos países os quais fui passando, entrei em contato com um professor de capoeira na Armênia. Ele se chamava Sergey e marcamos no seu local de treino.

Ele me contou que ouviu falar da capoeira lá pelos idos do começos do anos 90. Durante esta época a Armênia ainda enfrentava dificuldades devido ao colapso da União Soviética e também ao fim da guerra com o Azerbaijão. Durante esses tempos, a TV era um dos poucos meios de informação disponíveis, por isso ele, assim como Igor, o professor de capoeira da Ucrânia, também ficou sabendo da capoeira por meio do filme “Only the Strong” (que em português foi traduzido como “Capoeira, jogo sangrento”) que ele assistiu em 1998. Mais uma vez, apesar do filme ter sido um fracasso de bilheteria, vê-se que ele contribuiu bastante para a divulgação da cultura de capoeira para cantos bem longe do Brasil.

Durante esta época, ele já tinha treinado um pouco de judô, servido ao exército armênio e por isso procurava algo mais interessante e que se encaixasse a ele e a capoeira pareceu ser algo muito ao que ele buscava. Porém, ninguém lecionada capoeira na Armênia durante aquela época. Apenas em 2008, dez anos depois, conheceu pela Armênia um cara que morava na Rússia, mas tinha viajado ao Brasil e aprendido capoeira por lá, chegando até mesmo a conseguir uma faixa. Esse cara ensinou capoeira para Sergey. Em menos de seis meses ele voltou para Rússia e Sergey terminou por continuar treinando capoeira sozinho, assistindo sozinho vídeos no youtube, lendo livros, fazendo downloads e coisas assim de forma autodidata.

Mais e mais pessoas começaram a saber de um cara que dava aulas de capoeira na Armênia e começaram a chegar para treinar com ele. Por volta de 2011 e 2012, um outro russo se mudou para lá e começou a dar aulas pra ele de graça. Ele era um instrutor do Axé Capoeira e Sergey começou a treinar como um louco com ele, aprendendo tudo o que podia, no máximo de aulas possíveis, pois nunca sabia até quando ele iria ficar por Yerevan. Com ele Sergey pegou a primeira corda já em 2012, no seu primeiro batizado.

Depois de um tempo, a própria embaixada do Brasil, seguindo o seus programas de divulgação da cultura brasileira, começou a contribuir com ele bancando a vinda de instrutores para Yerevan para realização de seminários e batizados.

Hoje a capoeira não é a sua principal atividade, é um hobby, às vezes dá um lucro pequeno, mas na maioria das vezes dá prejuízo que ele tem que tirar do bolso dele (mais ou menos como o Serginho da Moldávia (se quiser saber mais, clique aqui). Hoje ele tem uma turma entre sete ou oito alunos que tiveram conhecimento dele por meio do Facebook pesquisando sobre a arte marcial ou devido ao personagem Eddy Gordo do jogo de luta Tekken.

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DE YEREVAN A TBILISI, DA ARMÊNIA A GEÓRGIA POR TERRA E A CHEGADA FANTASMAGÓRICA

Já tinha lido na internet que era possível fazer isso, viajar de Yerevan a Tbilisi (capital da Armênia até a capital da Geórgia) porém, ao que parece você vai em umas vans que mais parecem uns pau-de-araras e comecei a planejar minha viagem para lá.

Felizmente a Lilo resolveu desenrolar a nossa vida e conseguir um cara que topou nos levar de Yerevan para Tbilisi por terra a um preço bem camarada. Além disso, ele iria parando pelo caminho para conhecermos alguns dos principais pontos turísticos da Armênia, que são os seus monastérios e igrejas encrustados nas montanhas.

Mano, foi lindo demais. Conforme falei, a Armênia foi o primeiro país cristão da história, então pelo caminho havia alguns monastérios milenares em paisagens inesquecíveis. Foi uma das viagens mais lindas que já fiz de carro e sugiro a qualquer pessoa que tenha oportunidade que faça o mesmo. Postei muitas das fotos estão abaixo.

A viagem foi de boa até a chegada à Geórgia. Mano, não sei o que ocorreu, mas o tempo simplesmente FECHOU e começou a chover torrencialmente quando chegamos lá. Além das chuvas torrenciais, começou a trovejar demais. Mas aqueles trovões que iluminam os céus e chega a ficar claro. A grama alta do lado da rodovia não ajudava em nada em passar aquela impressão de estarmos em um cenário de filme de terror. O motorista era meio maluco e passavam umas carretas viajando a toda velocidade.

Agora é engraçado contar, mas na hora tive realmente medo de morrer.

Chegamos são e salvos no apartamento e quem nos recebeu foi um cara que parecia o Tio Chico da família Adams

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Boa noite, senhores, estou aqui para entregar suas chaves

O cara era grande, careca, gordo, tinha umas olheiras gigantes e uma voz fantasmagórica. Sério, parecia um mordomo de filme de terror. Mas no final saímos vivos.

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Road trip
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Marketing é tudo

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Construções de pedras avermelhadas que são a cara da Armênia

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Eu e a Lilow, nossa Colombiana!

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Fronteira entre a Armênia e o Azerbaijão. Era bem tensa. Do outro lado das montanhas, Azerbaijão

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O PRIMEIRO PAÍS CRISTÃO DO MUNDO, GUERRAS E GENOCÍDIO ARMÊNIO

A religião é algo interessante. A Armênia foi o primeiro país oficialmente cristão da história. Sim, da história. No ano 301 depois de Cristo (dãããã), mais uma vez, antes de Roma (sempre bom de lembrar), o reino Armênio virou Cristão sob a influência de Gregório, que hoje é o principal santo da Igreja. Bem, porque eu tou falando isso tudo agora? Para chegar no ponto principal que foi o genocídio armênio.

Durante toda sua história, os armênios se viram comprimidos entre três gigantescos e super poderosos impérios: o Russo, o Turco e o Persa. De uma forma ou de outra, eles iam ali dando seu jeito e vivendo do jeito que dava. Em determinado momento, a Armênia estava dividida entre o Império Russo e o Império Turco. Porém, os turcos nunca confiaram muito nos armênios porque eles tinham muitas relações com os europeus e, principalmente, porque os Armênios são cristãos e os Turcos, Muçulmanos. Na verdade, essa desconfiança turca meio que resvalava para todos os não-muçulmanos, como os Assírios e os Gregos (sim, havia vários gregos no Império Turco, ainda resquícios da época em que os gregos colonizaram aquela região).

No começo do século XX, o outrora poderoso Império Turco-Otomano era o grande homem doente da Europa (na verdade já tinha perdido todos seus territórios por lá, só mantendo as regiões ao redor de Constantinopla) e estava caminhando para o seu esfacelamento. Os Armênios, aí notando uma oportunidade, começaram a se mobilizar pela sua independência, porém ficaram isolados e não conseguiram tanto apoio. Devido a isso, a relação com os turcos, que já não era boa, se tornou terrível.

Com o fortalecimento do movimento dos Jovens Turcos, houve início a política de “Turquificação” do Império Turco-Otomano.  Ou seja, bem, tornar turco quem não era. Como os armênios eram uma pedra no sapato dos turcos há algum tempo, a coisa começou a ficar feia pro lado deles. Com o estouro da Primeira Guerra Mundial, os armênios foram acusados de estarem conspirando e colaborando com os inimigos dos turcos. Quando todos os soldados que tivessem origem armênia foram desarmados, ficou claro que algo muito ruim estava a caminho.

De repente foi dado o sinal verde e todos os cristãos do império começaram a ser massacrados, assírios e gregos também. Porém, os armênios como tinham uma população bem maior, chamaram bem mais a atenção. Toda e qualquer pessoa que fosse acusada de ajudar um armênio, poderia ter problemas. O trabalho foi efetivamente de genocídios, com tentativa de destruição da cultura armênia. Igrejas de milhares de anos foram destruídas e os armênios morriam de fome pelas ruas, quando não eram mortos. Mulheres viraram escravas sexuais e eram vendidas como se vende gado. As que eram compradas eram tatuadas no rosto para demonstrar a quem pertenciam. Os curdos, que hoje comem o pão que Istambul amassou, supostamente contribuíram bastante para esse genocídio supostamente sob a promessa de conseguirem mais autonomia dos turcos depois disso. Porém, hoje são os curdos que sofrem bastante na mão dos turcos.

O saldo é difícil de se mensurar, mas fala-se em um milhão e meio de mortos. A Turquia até hoje não reconhece este genocídio e alega que os armênios morreram devido a hostilidades próprias da Primeira Guerra Mundial. Ao contrário do Holocausto Judeu impetrado por Hitler, o genocídio contra os armênios nunca teve o seu Nuremberg. Devido isso, até hoje as fronteiras da Armênia com a Turquia são fechadas.

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Museu do Genocídio Armênio

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Árvore plantada pelo Ministro das Relações Exteriores do Brasil em memória ao Genocídio Armênio

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Yerevan

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Construções de pedras avermelhadas que são a cara da Armênia

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Monumentos às vitimas do Genocídio Armênio

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PERAMBULANDO POR YEREVAN

Como estava com a Lilo, uma amiga colombiana que morava por lá, o que não faltou em Yerevan foram passeios a serem feitos. Grande parte das informações os quais estão aqui nesse post foram extraídas devido a visitas a museus quando estive com a Lilo.

Os armênios são MUITO legais e virtualmente todo armênio jovem sabia falar inglês bem. Eles tem uns narizes enormes e se parecem DEMAIS. Mas MUITO mesmo. Não é só que eles são parecidos, é que parece que todos os armênios do país adotam o mesmo corte de cabelo e não usam barba, então acaba que parece tudo igual. A Lilo e a irmã tem ambos namorados armênios e a gente ficava se perguntando como elas faziam para não confundirem os namorados.

Os Armênios costumavam nos dizer que a Armênia é o único país onde você não precisa comprar água para beber. E é verdade. Mano, quase que em TODA esquina os caras tem uns bebedouros públicos jorrando uma água muito fresca e muito gelada. É muito bom.

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Além dos passeios foi bacana também que vimos bastante jogos da Copa enquanto estávamos na Armênia. Eles colocaram um telão imenso NO MEIO de uma das principais praças da cidade. Era engraçado porque os Armênios, apesar de serem super gente boas (e terem um nariz IMENSO), são bem tímidos, então eles assistiam o jogo meio com quem assiste novela. E, cara, a gente assiste jogo daquele jeito, né¿ Ainda mais quando é jogo da Argentina. Assisti Argentina e Islândia por lá, gritando feito um maluco pela Islândia. Quando eu vi, ficava o povo me observando.

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Essa foi a aglomeração que fizeram em Yerevan para galera ver os jogos da Copa

Vimos também o jogo do Brasil e Suíça em um bar alemão. É óbvio que chegamos mais cedo para assistir Alemanha e México. Foi engraçado, quando chegamos ao bar, estava tocando o hino da Alemanha e todos os alemães estavam em pé e com a mão no peito cantando o hino. Cara, eles são muito formais! Na hora do jogo é óbvio que ficamos torcendo pelo México, gritando cada vez que eles chegavam perto do gol. Fizemos a maior bagunça com os armênios, puxávamos Ola e comemoramos o gol e a vitória como quem comemora uma conquista de Copa do Mundo. Os alemães do bar, obviamente, ficaram putos com a derrota, mas levaram a nossa torcida na esportiva. No final foram bater fotos com a gente.

Saímos no bar felizes pela vitória do México, mas tristes pelo empate do Brasil. Enfim, ainda assim saímos na rua gritando e dançando, fazendo mó zuada. Os armênios que tinham na rua vinham bater foto com a gente e entravam na bagunça. Mano, que dia divertido!

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Armênios

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ARMÊNIOS E SUAS PECULIARIDADES

Fomos a diversos museus que, ao contrário da Ucrânia e de Belarus, traziam várias informações em inglês. Só o ouro! Inclusive em um dos museus de Yerevan guarda o sapato mais velho já achado até hoje, ele tem 6.000 anos de idade! Doido demais!

Primeiro que eu fiquei impressionado como os armênios são uma civilização milenar. A gente escuta falar pouco deles no Brasil (ah não ser quando se trata de vendedor de sapatos). Eles tem mais de 3.000 anos de histórias e são muito orgulhosos de falar que sua capital, Yerevan, foi fundada 29 anos antes do que Roma. Como eles conseguem mensurar com tanta precisão a fundação de Roma e Yerevan, eu não sei. Mas sim, eles falam isso de dois em dois minutos. Possuem também língua própria e alfabeto próprio, que só existe lá. Além de religião própria, como vou explicar posteriormente. Continuar lendo “ARMÊNIOS E SUAS PECULIARIDADES”