MOCHILANDO PELA ARMÊNIA

Há algum tempo uma amiga colombiana que eu havia conhecido quando ela morava em Brasília, a Lilo, se mudou para a Armênia. Aproveitando que eu já estava por ali, a caminho da Rússia, resolvi ir visita-la e depois aproveitar pra viajar pelos outros países do Cáucaso, Geórgia e Azerbaijão.

Por algum motivo que eu não sei explicar, foi só eu pisar na Armênia que alguma coisa naquele país me fez muito gostar dele. Era algo inexplicável, mas foi realmente uma sensação boa. E, olha, tudo realmente se confirmou, porque a viagem à Armênia foi uma das viagens mais divertidas e felizes da minha vida.

Uma curiosidade interessante da Armênia. Como lá eles importam muitos carros usados do Japão, acaba que apesar das vias serem no mesmo sentido que as nossas, lá tem vários carros onde o motorista fica do lado direito! O Japão é mão inglesa e eu não sabia disso! Mano, então é uma loucura! Tem gente que usa carro como nosso, tem gente que usa o carro com o motorista do outro lado! Vi isso ocorrer também na Geórgia e no Cazaquistão.

PRECISA DE VISTO PARA VIAJAR À ARMÊNIA?

Brasileiros não precisam de visto para viajar a Armênia

CHEGANDO À YEREVAN

Assim que cheguei a Yerevan, a primeira coisa que me chamou a atenção é que a cidade é muito parecida com as cidades iranianas os quais eu já tinha visitado, Yerevan é construída muito tendo como base uma pedra avermelhada que, segundo os armênios, é muito comum de ser encontrada pelo país

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Construções de pedras avermelhadas que são a cara da Armênia
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Construções de pedras avermelhadas que são a cara da Armênia
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Na Armênia tem bebedouros por toda a cidade. E a água é bem boa
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Yerevan, capital da Armênia
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Tabela da Copa do Mundo em Armênio. Simples de acompanhar, né?
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A irmã da Lilo era instrutora de Salsa em Yerevan. Foi uma experiência bem legal dançar salsa lá no meio da rua

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CAPOEIRA EM CHISINAU, CAPITAL DA MOLDÁVIA

Na Moldávia eu já sabia que existia capoeira. No relato que fiz sobre a Romênia, eu já citava que o instrutor Minhoca (clique aqui para conferir a história) já havia me falado que tinha parceria com uma escola de lá. Então foi fácil, entrei em contato com o Minhoca que me passou o link do professor Serginho, moldavo que ministrava aulas de capoeira em Chisinau.

Quando encontrei com Serginho, comecei a ouvir a história dele. Serginho, durante muito tempo treinou ginástica olímpica e outras artes marciais também. Porém, ele nunca se achou em nenhuma arte marcial em específico sempre mudando e tentando outras. Até que um dia,  assim como Igor da Ucrânia (confira na história aqui), conheceu a capoeira por meio do filme “Only the Strong” (que foi traduzido para Esporte Sangrento em português) e se apaixonou pela arte. Também ficou que nem um doido procurando alguém que também desse aulas de capoeira até que conheceu o Mikail, moldavo que havia morado em Moscou e conhecido a capoeira por lá. Como ele estava em ótima forma física e já tinha formação em ginástica olímpica, acabou que pegou bem rápido as acrobacias e principais golpes de capoeira e depois de seis meses já estava craque. Continuar lendo “CAPOEIRA EM CHISINAU, CAPITAL DA MOLDÁVIA”

PERAMBULANDO POR CHISINAU, CAPITAL DA MOLDÁVIA.

Cara, a primeira coisa que mais me impressionou quando eu cheguei à Chisinau é que parece que você está o tempo inteiro em uma cidade pequena do interior do Brasil. Uma ou outra avenida ainda é mais bem arrumada, mas a cidade em si parece bem pobre e não tem muita coisa para se fazer por lá.

Ainda dei uma passada no museu nacional da Moldávia e o achei bem bacana. Ele começa com exposição de peças escavadas na região desde 200.000 antes de Cristo e vai fazendo um desencadeamento histórico até os dias atuais. E, ainda por cima, quase tudo no museu tá em inglês, o que não ocorria nos museus da Ucrânia ou de Belarus, por exemplo.

Outra coisa que me chamou a atenção andando pela Moldávia é que a língua dos bichos realmente tem muitas coisas em comum com a nossa língua, como é possível ver inclusive nessa foto abaixo:

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MOLDÁVIA, O QUE SERÁ QUE TEM POR LÁ? BRASILEIRO PRECISA DE VISTO PARA IR PARA LÁ?

A Moldávia é um país europeu o qual poucos já ouviram falar ou sequer sabem que existe. Na verdade, na verdade, a primeira vez que eu ouvi falar da Moldávia foi quando vi uma paródia que alguns moldavos fizeram àquela famosa propaganda do Van Damme com as duas carretas Volvo onde ele vai abrindo as pernas:

Original

Paródia

Pelo vídeo dava para perceber que era um país europeu, provavelmente ex-soviético e rural.

Efetivamente a Moldávia é um país bem pobre, sendo o único país europeu com nível médio de IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), possuindo um nível de desenvolvimento semelhante ao da República Dominicana. Por que isso¿ Bem, devido em grande parte à história do país. Continuar lendo “MOLDÁVIA, O QUE SERÁ QUE TEM POR LÁ? BRASILEIRO PRECISA DE VISTO PARA IR PARA LÁ?”

A CAMINHO DA MOLDÁVIA, ENCONTRO INUSITADO NO AEROPORTO

Estava eu no aeroporto de Kiev esperando minha conexão e me senta um cara do meu lado. Ele me pergunta, em inglês, se pode usar o meu laptop. Pergunto o motivo do pedido inusitado e ele me responde que é para fazer check-in já que não estava conseguindo fazer no celular dele. Conversa vai, conversa vem, descubro que ele é mexicano e começamos a falar em espanhol e logo ficamos amigos.

Ele estava a caminho de Sochi para ver a partida de Portugal e Espanha (o melhor jogo da Copa na minha opinião) e tinha conseguido um ingresso com o tio dele, o ex-goleiro da seleção argentina Goygochea. Continuar lendo “A CAMINHO DA MOLDÁVIA, ENCONTRO INUSITADO NO AEROPORTO”

CAPOEIRA PELO MUNDO, CAPOEIRA NA UCRÂNIA

Dando continuidade ao trabalho de conversar com instrutores de capoeira pelos países os quais vou passando, entrei em contato com o Igor, um instrutor de capoeira de Kiev. Nos encontramos em um restaurante e fomos batendo nosso papo.

Igor trabalha como pesquisador e tem como área de formação a mesma da minha, ele também é formado em Relações Internacionais. Teve conhecimento da capoeira, veja você, por meio do filme “Only the Strong” que no Brasil foi traduzido para “Esporte Sangrento”, o primeiro filme Hollywoodiano sobre capoeira. Apesar do filme ter sido um fracasso de bilheteria, ele encantou o Igor que ficou doido para praticar aquela arte marcial. Porém, estamos falando de antes do ano 2000 e do advento do Google. Como ele poderia fazer para poder descobrir onde fazer uma arte marcial brasileira no meio da Ucrânia, sem internet para pesquisar¿ Ficou como um louco procurando sem nunca esquecer da capoeira até que por volta dos anos 2000 conheceu um professor que dava aulas e começou a praticar.

Esse professor tem uma história interessante também. Ele era instrutor de Hapkidô pelos idos dos anos 97 e 98 e inicialmente começou a dar aula de Capoeira pros alunos dele mais na brincadeira, nos últimos 15 minutos da aula. Depois de um tempo, ele começou a dar aula de capoeira duas vezes por semana e Hapkidô duas vezes por semana, até que depois de um tempo começou a dar aula só de capoeira. Continuar lendo “CAPOEIRA PELO MUNDO, CAPOEIRA NA UCRÂNIA”

GUERRA UCRÂNIA – RUSSIA. QUASE APANHAMOS EM UM RESTAURANTE POR CONTA DISSO. SÉRIO.

A Ucrânia ainda vive uma guerra com a Rússia. Apesar de ter diminuído a intensidade dos combates, ainda morrem soldados dos dois lados ocasionalmente.

Para entender melhor, narro o que ocorreu com a gente. Estávamos conversando com um amigo ucraniano em um restaurante e ele começou a falar que a Rússia era um país que não tinha muito futuro, afinal cada vez mais se envolvia em conflitos, porém com uma economia cada vez mais claudicante. Foi ele falar “Russia has no future” que um cara que estava comendo na mesa atrás, olhou para a gente, parou de comer, tirou a colher da boca se levantou e veio falar na nossa mesa com uma cara de poucos amigos:

– Com licença, amigo, meu inglês não é muito bom, mas eu ouvi você falando que a Rússia é um país que tem futuro. Eu vim aqui para lhe dizer que isso não é verdade e lhe demonstrar que a Rússia, pelo contrário, é um país sem futuro…”. Continuar lendo “GUERRA UCRÂNIA – RUSSIA. QUASE APANHAMOS EM UM RESTAURANTE POR CONTA DISSO. SÉRIO.”

UCRÂNIA – PERAMBULANDO POR KIEV

Um amigo, o Welton, dos tempos de universidade foi aprovado em um concurso de oficial de chancelaria e foi servir em Kiev, capital da Ucrânia. Lá ele conheceu uma menina super bacana. Acabou que começaram a namorar e resolveram se casar. Em questão de meses. Aproveitaram a proximidade da Copa do Mundo para marcar o seu casamento. É óbvio que a brasileirada compareceu em peso ao casamento dele e já tínhamos uma ótima desculpa para poder visitar a Ucrânia. Eu antes já tinha aproveitado para poder viajar por Portugal, Finlândia, Estônia e Belarus.

Alugamos dois apartamentos em frente a principal praça de Kiev e estava iniciada a nossa saga na Ucrânia.

Antes de escrever o post, dou a PRINCIPAL dica que também darei no post sobre a Rússia. APRENDA A LER EM ALFABETO CIRÍLICO. Você pode não manjar NADA da língua, como eu não manjo, mas acredite, aprender cirílico ajuda e MUITO a sua vida. E nem é tão difícil assim. Tem várias letras que são inclusive as mesmas que as nossas e os sons são quase os mesmos. Em algumas horas você aprende sozinho, como eu aprendi.
Continuar lendo “UCRÂNIA – PERAMBULANDO POR KIEV”

CAPOEIRA EM MINSK, BELARUS

Um dos países os quais eu estava mais curioso e com vontade de conhecer algum instrutor de capoeira era a Bielorússia. Entre outros motivos, o fato do país ser um país fechado onde há menos de uma década atrás nem existia embaixada brasileira.

Marquei de encontrar com a Mila, batizada como instrutora Gata, no local onde ela iria dar a sua aula. De início já me chamou a atenção pelo fato de ser estrangeira (até aí tudo bem, o instrutor do Irã também era, confira sua história clicando aqui), mas principalmente pelo fato dela ser uma instrutorA. Todos os instrutores, mestres, de capoeira os quais eu conheci no Brasil (e até o momento viajando e conversando com capoeiristas pelo mundo) eram todos homens. Mila, seria a primeira mulher. Continuar lendo “CAPOEIRA EM MINSK, BELARUS”

BELARUS OU BIELORRÚSSIA, A ÚLTIMA DITADURA DA EUROPA

Não sei porque, mas a Bielorrússia sempre foi um país que mexeu com meu imaginário. Não sei se pelo nome que soa um pouco exótico para os nossos ouvidos em português ou o fato de ter sido um dos países que sempre me pareceu mais isolado quando pensava em Europa.

A questão é que, como eu já iria para a Ucrânia, que é vizinha a Bielorrússia, aproveitei a oportunidade e decidi também ir a Minsk, capital da Bielorrússia. A cidade em si não tem muitos atrativos a não ser um fato de ser uma daquelas cidades raiz. Enquanto todos os países da Ex-União Soviética seguiram em frente, a Bielorrússia parece ter parado no tempo e Minsk parece uma cidade daquelas que a gente vê nos filmes retratando a ex-União Soviética. Além disso, a Bielorrússia carrega o triste título de última ditadura da Europa pois enquanto todos os países europeus ou são democracias consolidadas ou são simulacros de democracia, a Bielorrússia é uma ditadura de fato governada a mãos de ferro pelo ditador Aleksandr Lukashenko.

PERAMBULANDO POR MINSK

Perambulando pela cidade, além dos fotos os quais pude postar aqui, também fui visitar o grande museu da guerra patriótica, ou para nós, o museu da Segunda Guerra Mundial. Enquanto a Segunda Guerra Mundial é algo que apenas aprendemos na escola para os bielorrussos foi algo bem mais sério. É verdade que a Rússia sofreu muito, porém em Belarus a guerra deixou um quadro quase que apocalíptico. A combinação da tática de “terra arrasada” russa (pois, ao verem que os alemães iriam tomar as cidades, os russos tacavam fogo em tudo e envenenavam as nascentes para evitar deixar qualquer coisa que pudesse ser utilizada pelos alemães) e de “saqueia, destrói e mata” dos alemães, deixou um grande rastro de destruição pelo país. Eles perderam entre um terço e um quarto da população na guerra, quase 85% de sua capacidade industrial, sua comunidade judaica foi simplesmente exterminada, tiveram 209 das 290 cidades destruídas e mais de um milhão de edifícios foram abaixo. Só em 1971 a Belarus voltou a ter a população que tinha antes do fim da Segunda Guerra Mundial. Bem, o museu é bem bacana e tem MUITAS peças, desde armamentos até uniformes e pertences pessoais das pessoas

Além do museu pude visitar também um memorial ao massacre de Khatyn. O memorial serve para lembrar uma história ocorrida durante a Segunda Guerra Mundial.

Os alemães já tinham tomado quase toda a Bielorrússia, mas focos de resistência partisan ficaram pelo caminho e realizam ataques de emboscadas e sabotagem contra os alemães. Em um desses ataques, os bielorrussos partisans mataram um oficial que era supostamente um dos favoritos de Hitler. A verdade é que o oficial tinha sido campeão olímpico no arremesso de martelo e a morte dele gerou uma certa comoção na Alemanha. Depois do ocorrido, os alemães acharem que seria dar uma ótima ideia dar uma resposta ao ataque. Como supostamente o atacante era ou recebia suporte da vila de Khatyn, ela foi invadida e todos os seus moradores, mulheres e crianças inclusas, presos dentro de um galpão que eles tacaram fogo com todo mundo dentro. Da vila inteira sobreviveram algumas crianças (que se esconderam no mato ou que as mães conseguiram por em cavalos), uma mulher que não estava na vila no dia e um velho que milagrosamente sobreviveu. Para ele há uma estátua segurando o corpo de uma criança, o cadáver do seu filho que morrera na tragédia. No memorial há o local exato onde ficava cada casa e as sepulturas com os nomes de todos que pereceram.

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Memorial de Khatyn

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É uma história triste, é verdade, mas há quem alegue que este memorial foi feito pelos soviéticos para confundir com o nome Katyn (sem o H). Em Katyn ocorreu outro massacre, dessa vez por meio dos soviéticos, onde eles reuniram os principais oficiais e intelectuais poloneses e os executaram a sangue frio após a Segunda Guerra Mundial em uma tentativa de russificação da Polônia.

Por último, visitei algo interessante também. Foi feito por uma ONG que recolhe gatos das ruas e serve como abrigo temporário até eles conseguirem uma nova casa. Eles fizeram algo como um museu de gatos. Não entendi direito o que eles expõe, mas o que sei é que o número de gatos por lá é variável. Quando fui lá havia 16 gatos em custódia. Como parecia ser¿ Rapaz, sei que custava uns 20 reais para entrar e, sim, tinha um cheiro forte de… gato.. no lugar. Mano, era legal, mas o cheiro foi o suficiente para me tirar de lá…1

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Memorial a um desastre ocorrido durante um show em Minsk

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Museu dos gatos
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Grafite dos Gêmeos na Embaixada do Brasil

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Memorial de Khatyn

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Lenin, em uma das principais praças de Minsk

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Memorial a Viktor Tsoi, um dos principais expoentes do rock na União Soviética

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Museu da Grande Guerra Patriótica

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