14 coisas que aprendi viajando no Irã – parte 2

1 – No livro-guia que usei como base havia um roteiro de “como proceder quando for preso”. Não, não cheguei a ser preso.

2 – Como faz para atravessar a rua aqui, cara?

– Ah, é só ir andando, uma hora os carros param. Eles têm bons freios.

– E quando eles não pararem?

– Eles sempre param!

– Tá, mas e se ocorrer um problema e o carro não parar?

– ELES SEMPRE PARAM!

Diálogo que tive com um amigo nas ruas de Teerã.

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14 coisas que aprendi com o Irã

1 – Homem não pode andar de bermuda e mulher não pode andar sem hijab (aquele véu cobrindo o cabelo).

2 – Não há nada mais apavorante do que precisar de um banheiro público. Não é a sujeira, mas porque vez ou outra não tem o bonequinho para dizer qual é o masculino, você tem que ler em alfabeto farsi! A probabilidade de entrar no banheiro feminino é alta e se isso já é um problema grave no Brasil… Teve um cara que me contou que uma vez entrou em um salão de beleza só para mulheres, por engano. Rapaz, diz que a mulherada tava toda sem véu e começou a gritar desesperada. Isso só com o cabelo de fora! Daí você tira o que seria um banheiro errado…

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O país dos Aiatolás e dos Mártires

P.s: Estas duas pinturas gigantes estão hasteadas na principal praça de Esfahan, o principal ponto turístico da cidade e de todo o Irã. O da esquerda é o Ruhollah Khomeini, já morto e o “pai” da Revolução Islâmica Iraniana, e do da direita é seu sucessor, Aiatolá Ali Khamenei, ainda vivo.

Apesar de haver eleições diretas para presidente, decisões podem ser vetadas pelo Aiatolá em exercício. Portanto quem exerce, de fato, o poder no Irã são os Aiatolás, que são idolatrados pelos iranianos mais religiosos. Eles são os “guardiões da revolução” e é possível ver cartazes e fotos dos dois em logradouros públicos, lojas e até casas. Não chega a ser um culto a personalidade como na Coreia do Norte (onde TODO mundo tem as fotos dos “Grandes Líderes”, confira os post aqui e aqui), mas é algo bem forte.

Para mim foi algo mais próximo ao que pude ver em Cuba, onde você não é obrigado a ter as fotos, mas é melhor parecer que gosta deles por via das dúvidas (confira no post de Cuba aqui)

Os iranianos com quem conversei em Teerã, classe média, me disseram que hoje em dia ninguém dá muita atenção a essa questão dos mártires, isso é algo mais do governo mesmo. Me disseram que eles nem reparam mais quando andam nas ruas, só reparam quando um ou outro turista chama a atenção. Continue reading “O país dos Aiatolás e dos Mártires”

Irã pós Revolução Islâmica – o país de Khomeini

Após a revolução, seguiu-se uma troca de escaramuças entre os grupos responsáveis pela deposição do xá, basicamente os comunistas e os religiosos islâmicos (liderados por um tal de um Aiatolá Khomeini). O Aiatolá era uma figura importante para a comunidade xiita do Irã e estava exilado no Iraque, pois para Saddam Hussein era interessante ter um fator de instabilidade contra o regime do Xá Pahlevi (sempre bom lembrar que a maioria dos muçulmanos se dividem entre sunitas e xiitas. Quer saber a diferença entre eles? Clique aqui e aqui).

Depois de um tempo, Khomeini foi expulso do Iraque e se exilou na França. Voltou para o Irã após a revolução. É algo óbvio para qualquer um que comunistas e religiosos são grupos totalmente antagônicos. Porém, os comunistas acreditavam que Khomeini iria se contentar apenas em ser um líder religioso da Revolução, já que ele nunca havia assumido nenhum cargo político e jurava de pé junto que iria ser sempre assim.

Foi o xá ser deposto, que Khomeini passou uma rasteira nos comunistas e assumiu como líder supremo do Irã. Seguiu-se outra troca de escaramuças, com assassinatos de ambos os lados, e no final Khomeini consolidou o seu poder. Sob a sua administração, o Irã se radicalizou, leis islâmicas foram implementadas e o Irã se transformou no país que é hoje.

Khomeini tinha uma retórica forte e uma proposta de expandir a revolução a outros países, o que preocupou os vizinhos, principalmente Síria e Iraque, que tinham uma forte presença de muçulmanos xiitas, como o Irã. Isso não iria acabar bem. Continue reading “Irã pós Revolução Islâmica – o país de Khomeini”

Breve história do Irã

(Na foto acima, uma bancada de coleção “For Dummies” em persa no metrô de Teerã. Achei bastante interessante =P)

Conforme disse, o Irã é um país de história muito rica, que se conta aos milênios. Chegamos a visitar um zigurate (construção piramidal típica da região, se quiser ler mais sobre zigurates, clique aqui) de mais de 5.000 anos de idade. Segundo escavações, a região do Zigurate começou a ser habitada por volta de 8.000 anos atrás (para ler mais sobre esse ele, clique aqui)

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Zigurate em Kashan

Então, assim, o Irã tem história demais e foram até hoje os sítios arqueológicos mais antigos que já visitei. É o lar dos persas, povo antigo que rivalizou com Roma e com diversos outros impérios sem nunca ter sido completamente dizimado.  Continue reading “Breve história do Irã”

Como tirar visto para o Irã e como chegar ao Irã

No momento em que eu estou escrevendo este blog, 2016, o visto para o Irã era bem simples. Bastava apenas o padrão de sempre: comprar uma passagem de entrada e saída, ter reservado um hotel e descrever sua viagem de boa para o cara da imigração, caso ele pergunte, que o visto sai no aeroporto pela bagatela de 120 euros.

Tem também outra opção que é aplicando diretamente na embaixada de Brasília. Acho que para isso você precisa de uma carta convite de alguém que esteja morando no Irã. A pessoa vai dar entrada no Irã e quando o processo já tiver andado, vão te dar um número de processo. Daí você vai na embaixada com esse número do processo e leva duas fotos 3X4, seu passaporte, preenche um formulário (disponível aqui)  e tem que fazer um exame comprovando que não tem malária, dengue, febre amarela nem HIV. Como faz esse exame? Rapaz, eu fui em um pronto socorro, os caras me arrancaram sangue e na hora saiu o resultado. Foi o primeiro visto que tive que dar o sangue para conseguir. Literalmente.20161021_120259

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Irã – Introdução

Dos países que pretendia fazer longas viagens no mundo, só me restavam Irã e Rússia. Hoje me resta apenas a Rússia.
Quando dizia que estava viajando ao Irã, parecia que estava dizendo que iria viajar ao próprio inferno, indo visitar o capeta. Liga-se o Irã a um país instável e inseguro, mesmo que ele seja uma ilha de calmaria cercado de vizinhos em guerras sanguinárias como Iraque, Afeganistão, Síria e Paquistão. Foi um dos países mais seguros e interessantes por onde viajei.
A civilização persa, que deu origem ao Irã (algumas vezes vou me referir aos iranianos como persas), tem mais de 3.000 anos de história e rivaliza com a indiana e a chinesa como uma das mais antigas vigentes até hoje. No colégio, estudamos bastante sobre os persas. Ciro, Xerxes, Dario, todos eles estão nos nossos livros de história, pois os persas foram os principais adversários dos gregos (basta lembrar que no filme 300, Santoro interpreta Xerxes, um imperador persa), depois foram conquistados pelos Macedônios liderados por Alexandre e no final foram um dos principais rivais dos romanos, sem nunca terem sidos conquistados por eles

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Rodrigo Santoro como Xerxes no filme “300”
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Representação esculpida na pedra de um imperador romano se rendendo aos exércitos persas.

E se formos pensar só no território do Irã, aí são mais de 6.000 anos de história, pois basta lembrar que o conceito de civilização humana nasceu ali do lado, entre os rios Tigres e Eufrates, bem pertinho, no Iraque. Continue reading “Irã – Introdução”

Contos e desabafos de um mochileiro em Andorra

Na foto acima: Estava procurando um bar para almoçar em Andorra. Quando entrei  em um e vi o quadro acima, é lógico que percebi que tinha escolhido o lugar certo…

20160609_211040Depois de um tempo na África resolvi matar saudade da comida ocidental e fui a um Burger King. Ao ver o meu casaco do Brasil, a gerente se deu ao trabalho de sair lá de dentro e veio falar comigo que era brasileira. Abri um sorriso e perguntei se ela morava em Andorra. Rapaz, pra quê?
A mulher se desandou a falar que morava há 10 anos em Andorra, que tinha vergonha de ser brasileira, que achava o Brasil um lixo, que aqui era Primeiro Mundo, que não sabia como a gente conseguia suportar viver em um país de Terceiro Mundo e toda aquela ladainha que muito frequentemente escuto de brasileiros que moram fora do Brasil.
Eu fiquei educadamente escutando e de olho no meu Whooper que demorava para sair…
Em situações como essas eu sempre me pergunto: se não gostam, porque se dispõe tanto a ficar comparando os lugares que moram com o Brasil?
Na Argélia, na Tunísia, o pessoal me perguntava como era morar no Brasil e eu nunca dizia “Ah, o Brasil é bom demais, não é como ter essa vida lixo de se morar na África”. Eu, particularmente, não sinto necessidade de me auto-afirmar comparando a minha suposta boa vida com a de alguém supostamente pior. Continue reading “Contos e desabafos de um mochileiro em Andorra”

Regressando para o aeroporto de Barcelona – Testando o Bla Bla Car

Na volta para Barcelona resolvi testar o Bla Bla Car, aplicativo de carona que todo mundo havia me falado. Paguei 12 euros e marcamos de nos encontrar em uma praça de Andorra. Engraçado que, por mais que não tenhamos feito controle imigratório na ida, na volta tivemos que passar por uma aduana.

Assim, ir de carona paga foi mais barato, mas é que estava incluso no desconto o risco de vida. Rapaz, o cara que foi me buscar chega tinha o pé pesado, parecia o Ayrton Senna. Eu ficava de olho no velocímetro do carro dele que nunca ia abaixo de 160 km/h. E, assim, quando eu falo que parecia um carro de Fórmula 1, não é mentira não! Meu pescoço, literalmente, começou a doer por causa das curvas. No início eu achava que iria conseguir ir conversar nada, haja vista que eu não estava querendo muito socializar e meu espanhol não é muito bom, mas, mano, conversar com o motorista foi questão de sobrevivência, haja vista que, conversando, o Ayrton Senna ia um pouco mais devagar, a uns 140 km/h! No carro também tinha um argentino, com cidadania italiana, de carona.

O motorista era espanhol, mas trabalhava em Andorra como corretor de imóveis, ramo que está com problemas desde que a Espanha afundou na crise de 2008. Ele me explicou que o preço dos imóveis na Espanha estava tão alto que já tinha começado a cair já em 2007 e só afundou em 2008, que tinha gente que tinha comprado um apartamento financiado, pagado várias prestações e juros e no final estava vendendo os apartamentos por menos do que havia pago de entrada. Continue reading “Regressando para o aeroporto de Barcelona – Testando o Bla Bla Car”