Hora de dizer adeus ao sonho! =( Fiji Islands, simplesmente sensacional!!

Pois é galera, hora de ir embora de nossa terceira ilha visitada em Fiji. Antes de ir embora ainda pedi pra bater uma foto com um dos pescadores de lá, o cara era gente boa pacas!! O mais engraçado foi o bicho falando comigo quando eu ia embora: “Brasil, quando é que você volta?”, eu dei uma risadinha e só perguntei: “Meu filho, tu sabes aonde fica o Maranhão?”

Pegamos o nosso barco novamente e fomos para Kuata, a minha última ilha. Como cheguei no domingo não pude desfrutar de nenhuma atividade da ilha. Kuata foi apenas uma ilha “relaxamento”, afinal eu já estava há 6 dias em Fiji, sendo que 5 dias tinham sido de puro mergulho, sol nas costas e pouco protetor solar. Fiquei feliz porque mais uma vez pude conversar com pessoas não-inglesas (não que eu não goste de ingleses, mas é que a outra ilha SÓ tinha inglês) e, claro, reencontrei a austríaca gente fina que eu fiquei junto na segunda ilha. Mas foi muito engraçado, eu não sei por que cargas d´água a mulher tava muito estranha. Eu quando a vi abri um sorrisão de orelha a orelha, pois apesar de não poder tentar nada com ela (ela tinha namorado) ela era MUIITOO engraçada. Quando fui falar com ela, a mulher me deixou no vácuo (me deixou falando sozinho pros menos íntimos), tentei mais uma vez e a mulher só me deu um “oi” geladíssimo. Sério, quem antes estava super gente boa e engraçada, agora parecia uma pedra de gelo. Lembrei que a mulher era austríaca e que europeus são MUIITO estranhos. Acabou que descobri que a mulher tava meio mal, porque uma onda de diarréia (caganeira pros menos íntimos) começou a assolar todo mundo que estava por lá e a coitadinha tava se vazando toda. A noite fui jantar e depois de comer começou a ocorrer algo muito massa, os fijianos se reuniram pra poder beber a famosa e ritual Kava.

Tecla Pause

Kava é uma raiz que cresce nas ilhas Fiji. Vou descrever como funciona. Os nativos pegam as raízes e as pilam obtendo um farelo. O farelo é posto dentro de uma toalha e mergulhado num pote de água morna. A água entra na toalha, dissolve a Kava e sai da toalha em solução Água+Kava. Como a Kava não consegue atravessar a toalha, ela só sai da toalha dissolvida, o que nos faz obter um líquido de péssimo gosto e de péssima aparência, mas como eu tou em Fiji, tudo é festa!

Tecla Play

Os fijianos se reuniram na sala de jantar pra fazer o que eles costumam fazer todo santo dia, beber a Kava num ritual interessante. Eles colocaram a esteira no chão e ficaram chamando os turistas para poder tomar com eles. Os europeus nem deram bola pros pobres coitados, preferiram ficar em outro ritual com outra erva bem conhecida do mundo ocidental, particulamente nas festinhas australianas. Eu como não sou chegado, apenas terminei o meu jantar e fui sentar junto com os nativos. Os caras curtiram pacas eu ter ido pra ficar com eles, ficaram MUIITO felizes. Claro que o passaporte Brasil ajudou um pouco, mas nada que valorizar um pouco as pessoas que não são branquelas e de olho claro como você não ajude também. E lá fui eu tomar esse troço!! Caraca, o gosto é terrível e o cheiro era pior que o de uma cueca suada, mas a sensação que acontecia com a sua garganta era algo extremamente prazeroso. Na primeira lapada de Kava, ela desce rasgando, mas não rasgando como uma lapada de cana, desce rasgando anestesiando todo o seu esôfago. Os nativos me falaram que isto era normal na primeira lapada, por isso me alertaram de ir de leve, tanto por causa do esôfago quanto por causa do estômago. Mas acabou que eu fui lá, bebendo com os cidadãos. A sensação que começa a ocorrer com você é algo bem legal. Você começa a se sentir relaxado, mas relaxado mesmo, dá vontade de já sair de lá direto pra cama. É muito difícil descrever o que acontece com você depois de beber aquele líquido estranho, mas o que eu digo é que foi uma experiência super interessante. Mas a pergunta crucial que todos me fazem é: Kava é uma droga?. Resposta: NÃO SEI!! Não sei qual o conceito pra você classificar uma certa substância como entorpecente ou não, talvez seja o ataque ao sistema nervoso central. Como eu não sabia perguntar em inglês: “Nativo, a Kava ataca o sistema nervoso central? Se ataca qual sistema nervoso é? O simpático ou o parasimpático?” vai demorar um bom tempo pra eu saber a resposta. Mas isso não é importante, o importante é que o Banco Real dá 10 dia… digo, o importante era estar com o povo de lá, conversando e me divertindo com eles.

Naquela noite eu pude perceber o quanto a vida pode ser simples para algumas pessoas. Conversar com os nativos é algo bem legal. A maioria dos nativos que eu conheci moram mesmo na ilha do resort, na vilazinha deles. Eles nasceram lá, seus pais nasceram lá e seus filhos e netos provavelmente irão nascer naquela ilha. Quando eu perguntava o que ele achava de morar tão isolado de tudo e de todos, ele só me apontava aquele mar cristalino e falava: “O que você acha da minha casa? Você precisa de mais do que isso?”. Eu insistia e perguntava pra um ou outro se eles não já chegaram a pensar em mudar pra uma ilha maior e com mais infraestrutura, aonde eles poderiam ter acesso a mais bens materiais, algo como televisões, internet, computadores e etc… – “Brasil, Nasci aqui e vou morrer aqui, aqui eu tenho o meu sustento, vivo bem, tenho meus amigos, trabalho só até as 4 da tarde e tenho uma praia maravilhosa, minha vida é aqui, amigo” – era o que eles me respondiam. Cara, é algo bem louco isso, desde o dia que o cidadão nasce, até a sua morte, praticamente todos os dias são iguais. Acorda cedo, trabalha no resort, recebe os novos hóspedes cantando e tocando violão e à tardinha jogam vôlei. Beleza, é algo legal pra relaxar e talz, mas viver 2 meses sem internet, sem balada, sem computadores, sem telefone, poderia ser algo que me levaria ao suícidio. Mas eles pareciam bem satisfeitos com a vida que levavam, uma vez ou outra eles fazem uma viagem pra ilha principal e terminam suas vidas sem nunca ter viajado mais do que 300 km do local em que nasceram. Confesso que sinto um pouco de inveja da minha vida não poder ser tão calma quanto a dos nativos, sem preocupação acerca de provas, empregos, dinheiro e etc… “Minha única preocupação nessa ilha é viver e tomar Kava, amigo” outro nativo me explicitou. Apesar de tudo isso, vai demorar um pouco pra eu trocar a minha calça jeans por uma tanga e trocar minha vida de rato de cidade. 🙂

No outro dia de manhã, resolvi dar uma volta e sair conhecendo a galera e vendo de onde todo mundo era. Os ingleses, pra variar, eram praga novamente, posso dizer que mais da metade da ilha eram ingleses. Mas foi engraçado eu conversando com uma menina lá. Eu fui perguntar pra ela de onde era e ela me respondeu só “LA” (él êi a pronúncia em inglês). Hãn? “LA? What is LA?” – eu perguntei – LA? Los Angeles, amigo! Estadunidense é prepotente, né? O cara de Berlim, Londres ou Paris pode falar que é dessas cidades, mas primeiro o cara fala o país pra depois falar a cidade, a americana não, ela queria falar era logo a cidade. Mas eu também tirei uma onda com ela. Ela me perguntou: E você, de onde és? – EME ÊI (MA)!!! – eu respondi. Ela me olhou com uma cara meio estranha e perguntou: “MA? What is MA?” – eu peguei respondi – MA? MA É MARANHÃO, ora bolas!!! Brasil!!

Neste dia não aconteceu nada muito digno de nota além dessa tirada que eu dei na estadunidense. O único que merece ser digno de nota foi o meu último mergulho nas piscinas cristalinas de Fiji. Foi simplesmente IRRADDO!! Eu já estava começando a ficar entediado de tanto olhar corais coloridos, peixinho de todos os tamanhos e etc.. Mas acabou que mais uma vez Fiji me surpreendeu. Eu estava a mergulhar quando o mar começou a ficar um pouquinho mais agitado e começou a quebrar alguns corais e começou a acontecer algo interessante, os pedaços de corais começaram a ficar em suspensão na água. Do nada apareceram MILHARES, eu diria DEZENAS DE MILHARES de peixes prateados de mais ou menos uns 7 cm e começaram a comer vorazmente os pedaços de corais. Sim e onde eu entro nisso? Eu tava simplesmente NO MEIO DOS PEDAÇOS!!! Caraca, era MUIITO peixe!! Eles estavam em cardume e começaram a me cercar, eu fiquei literalmente NO MEIO do cardume. Eu nadava dentro do cardume e eles iam criando espaços pra eu passar e depois iam fechando em mim. Os peixes eram prateados e o sol refletia neles e criava tipo um arco-íris MUIITOO IRRAADDOOO!!! Mas muitos peixes pequenos é sinal de que? Claro, sinal de peixes maiores!! E eu lá, naquela cena preocupante. Os peixes bailando ao meu redor e eu lá no meio, suculento e cheio de carne. Foi legal, mas grande parte do tempo eu fiquei procurando, olhando se não via um amigo nosso cheio de dente (carinhosamente chamado de TUBARÃO) pra vim conversar com nossos amiguinhos. Apesar de tudo, foi o melhor “goodbye” que as ilhas Fiji poderiam ter me dado.

Pegamos o barco e fomos seguindo pra ilha principal novamente, quando cheguei no albergue o carinha me perguntou em que quarto eu gostaria de ficar. Eu nem pensei duas vezes, emendei logo um “the cheapest one” (o mais barato) e o cidadão só pediu pra eu seguí-lo novamente. Juro que certas vezes eu me arrependo por falar coisas sem pensar e no caminho eu fui pensando nisso, como eu poderia pagar caro por escolher ficar no quarto mais barato. Juro que no caminho eu fui me sentindo como um judeu caminhando para uma câmara de gás nazista. Quando o cidadão me apontou o quarto ele nem abrir a porta pra mim ele abriu, juro que fiquei com medo do que aconteceria quando aquela porta fosse aberta, medo de voarem cobras, aranhas ou coisas do tipo. Rapaz, na hora que eu abri o quarto, O QUE FOI AQUILO? Tinha simplesmente CINCO INGLESAS DE CALCINHA!!! Isso, cinco inglesas só de calcinha, umas com uma camisetinha outras só de sutiã mesmo, conversando. Juro que foi um choque quando eu vi aquilo. Não que eu nunca tenha visto mulher daquele jeito, mas daquele número, com aqueles trajes, ao mesmo tempo foi a primeira vez. Confesso que fiquei meio que sem-graça e pedi desculpa por não ter batido na porta antes de entrar, ela falaram que tava tranquilo. Eu achando que elas iam se vestir quando eu entrasse no quarto.. que nada.. elas continuaram só de calcinha conversando entre elas, nem ligando pra mim. Como eu vi que não ia ser possível ficar comportado ou pelo menos sem ficar olhando as “partes” das “coitadinhas” naquele quarto que mais parecia um harém, resolvi descer pra poder comer alguma coisa. E tome choque cultural novamente. Acontece que eu sou brasileiro e o pior, eu sou maranhense. Cheguei no restaurante do albergue, já fui puxando uma cadeira, sentando todo à vontade e comecei aquele comportamento de buteco, né? Comecei a chamar a garçonete assoviando e gesticulando com as mãos, no melhor estilo “Ê campeão, desce um hambúrguer pra rapaziada aí, chegado”. Rapaz, a garçonete veio de lá que mas parecia um bicho, só faltou cuspir em mim. Quando eu vi a reação da garçonete que eu fui perceber que o meu comportamento não era “adequado”. Todo mundo comendo caladinho, ninguém nem chamava a garçonete, ela que vinha pra poder lhe servir. Quando eu ficava balançando os braços e gritando: “Ê garçonete, vem cá!!” ficavam aqueles ingleses tudo me olhando com uma cara feia. Beleza, eu sei que existem certos locais em que você deve adotar posturas adequadas, algo como um jantar com um chefe ou pior, um jantar com o sogrão e a sogrona, mas tipo, aquilo era UM RESTAURANTE DE ALBERGUE. Mas tudo bem, comecei a me comportar como se estivesse em um restaurante cinco estrelas. QUando eu menos me espanto, a mulher vem com aquelas colheres de macarrão (acho que é espátula o nome disso) e joga algo cilíndrico e branco no meu prato. Fique felizão quando eu vi aquilo!!! BEIJÚ!!!! E já fui caindo de boca pra comer! Rapaz, que vergonha eu passei viu? O troço não era beijú não, o troço era uma toalha!!!!! PRA QUE DIABOS UMA MULHER VAI ME PEGAR UMA TOALHA COM UMA ESPÁTULA E COLOCAR NO SEU PRATO? Juro que várias coisas me marcaram em Fiji, piscinas azuis, águas cristalinas, peixes coloridos… Mas a cara de espanto que a garçonete fez (ainda mais que eu tava parecendo um homem das cavernas, já que eu estava há quase duas semanas sem fazer a barba e de cabelo grande) quando eu enfiei a boca na toalha foi algo simplesmente IMPÁGAVEL!! Ela veio na minha direção e me explicou que aquilo NÃO ERA DE COMER!!! Eu juro que na hora, eu morrendo de vergonha, ainda pensei em tentar uma saída honrosa, algo do tipo “não, é que no Maranhão é costume milenar comer toalhas brancas no jantar, você deveria experimentar, sabia?”, mas preferi me comportar que nem o PT e ficar quieto pra ver se abafava a situação constrangedora e logo todo mundo esquecia. Depois de um tempo ela foi me explicar que aquilo era uma “toalha refrescante”, pois como o país é muito quente, a galera pena pra poder aguentar o calor. Então eles pegam algumas toalhas de rosto brancas, molham, colocam na geladeira e depois saem distribuindo pra galera poder se refrescar, quando eu olho pras outras mesas, a inglesada todinha só faltava se enrolar na toalha de rosto. E passava na cara, e passava no braço, e passava na costa e enfiava dentro da camisa. Deus meu.

Depois de comer, resolvi dar uma acessada básica na internet pra poder ver se tava tudo certo em Sydney, mas foi até barata a internet. Nada que 40 REAIS A HORA não desse pra pagar. Caraca, na hora eu fiquei foi com medo!! Só pedi meia hora e ainda assim com aquela pena de gastar, deus me livre. Volto pro quarto e encontro só uma das cinco inglesinhas do quarto. Ela tava de toalha indo tomar banho. Troquei uma idéia com ela e quando ela foi pro banho eu comecei a pensar: “rapaz, eu vou dar um jeito de ficar inchado pra poder chamar a atenção da mulher”, comecei a pensar o que fazer. Tive a idéia perfeita: “Por que não fazer algumas flexões?”. Ranquei a camisa e comecei a pagar flexões no chão. Eu só tava era preocupado com alguma outra inglesa abrir a porta e dar de cara com aquela cena ridícula, um frigobarzinho com os pés apoiados na cama e fazendo flexão de braço. Mas graças a deus ninguém apareceu. Rapaz, eu acho que eu fiz umas 100 ou 150 flexões alternadas com séries de 15 repetições, sem brincadeira. Quando ela veio eu tava mais inchado que sapo cururu têitêi, foi muito engraçado, eu virei pra ela e perguntei: “E aí, cê vai fazer o que agora?”, ela só respondeu: “Dormir” e me deixou sozinho. E lá foi eu dormir que nem um bobo, mas claro, um bobo todo inchado.. uhaeuhaeuheauhae

Quando foi de manhã, resolvi dar um rolê melhor pelo centro da cidade de Nadi (uma das mais importantes cidades de Fiji). Antes, claro, tomei algumas precauções: cinco dólares no carteira e cinquenta dólares escondidos no bolso (vocês vão já entender), camisa amarrada na cintura (pra parecer maloqueiro), sem máquina digital e sem minha bolsa da PUMA. Quando cheguei no
centro e comecei a dar aquele rolê, veio aquele espanto. Cara, não tinha nada no centro da cidade! Sério, parecia que eu caminhava por um dos bairros mais pobres de São Luís. Cara, era muito sinistro! Tudo sujo pra caramba e muita, MUITA pobreza. Fiji é um país em que a pobreza fica escancarada na sua frente, era algo que mesmo eu, que venho de um dos estados mais pobres do Brasil, nunca tinha testemunhado. Comecei a andar no meio da rua e mais uma vez fui abordado por um Fijiano querendo “conversar”. O cara veio com umas conversas tortas e não parava de me seguir, eu já tava ficando de saco cheio do cidadão, até que eu percebi o que ele realmente queria. O cidadão praticamente me enfiou dentro de uma loja e veio “todo gente boa”, abriu um mapa de Fiji e começou a me mostrar: “Olha aqui, eu sou dessa vila, Fiji tem não sei quantas ilhas e não sei o que”. Na verdade eu saquei logo que eles queriam fazer eu comprar a loja inteira, como eu tava com o tempo curto e com medo de alguma represália caso eu não comprasse nada (o que poderia ser possível, já que eu NUNCA vi um guarda no meio da rua em Fiji), abri minha carteira e falei pro cara que eu só tinha cinco dólares australianos e nada mais (pura mentira, já que eu ainda tinha cinquenta dólares escondido no bolso). O cidadão não gostou muito. Me deu um colarzinho véio, que em outra loja estava sendo vendido por 1 dólar, disse que era 5 dólares e me deixou ir. Saí de lá injuriado da vida já que eu odiei o cordão. Mas aconteceu algo MUIITOO massa. Eu entrei em outra loja do centro da cidade e o que eu vejo pra vender? CHOCOLATE BRASILEIRO!!! Caraca, IRRAADDOO DEMAIS!!! Achei mais um produto brasileiro sendo vendido no MEIO DO OCEANO PACÍFICO!!! Meu, e não era só um tipo não, tinha chocolate em barra, tinha caixa de bombom da lacta, tinha barra de chocolate LAKA!!! E claro, tudo devidamente escrito em português. Não bati foto porque eu tava sem minha digital. 😦

Na volta, o que eu acho no caminho? Uma plaquinha perdida no meio da selva fijiana. Era uma plaquinha simpática, escrito BULA!!! Em cima da plaquinha tinha uma letra ocidental. A letra era meio amarelada. Era uma letra “M”. O que era? Alguém tem algum palpite? Rapaz, eu achei um MAC DONALDS!!!! Caraca, depois de 7 dias tomando água QUENTE, da CHUVA, comendo bolacha brasileira e BEM pouco, comendo mamão (eu ODEIO mamão), tomando sopa e comendo carne com batata, frango com batata, brócolis com batata, mamão com batata, batata com purê de batata, batata com batata (eu inclusive já estava achando que eu iria virar o HOMEM-BATATA!!!! DE TANTO COMER BATATA!!! E ah sim, EU ODEIO BATATA!!) eu acho aquele oásis de civilização perdido no meio daquela selva chamada ilhas Fiji – “ESTOU SALVO!!!” – era o que eu gritava pulando que nem uma gazela ao correr em direção ao Mac Donald´s. Quando eu cheguei e a mulher me perguntou o que eu queria comer, eu não quis nem conversa: THE BIGGEST ONE (o maior de todos). A mulher me deu um Big Mac IMENSO, três sachês de ketchup, um saco com uns 20 quilos de batata frita e um copo de refrigerante, TRINCANDO DE GELADO, que ela só faltou trazer em um carrinho de mão. O copinho de refrigerante tinha apenas UM LITRO E 250 MILILITROS!! Rapaz, era algo BEM IGNORANTE MESMO!!! Na hora eu olhei pro céu e falei: Obrigado senhor por eu ainda fazer parte da civilização!!! God bless the Mac Donald´s!! Mermão, eu saí com um bucho do tamanho da barriga do Shrek. Mas essa refeição me custou caro, me custou o dinheiro do meu táxi. Tive que enfrentar uma caminhada de 30 minutos até chegar em casa, mas você acha que valeu? Eu seria capaz de ir e voltar mais uma vez só pra comer lá de novo!!!

Depois foi só chegar no hotel e pegar meu avião de volta pra Austrália. Dizer meu adeus triste para um dos mais belos e inacreditáveis lugares no planeta. Fiji foi simplesmente um sonho.

Bom… hora de parar por aqui… tá bom de escrever sobre Fiji, né? Tou no maranhão e agora é hora de descer pra praia porque ninguém é de ferro.

abraços maranhenses

Homem das cavernas, descalço, visita as piscinas naturais.. CARACA, CONSEGUI POSTAR AS FOTOS!!!























Êpa, êpa, êpa!!!! Agora estamos começando mais um blog “Um maranhense em Fiji” com três semanas de atraso. Fiji foi há duas semanas atrás e ainda tou escrevendo.. uhaeuhauhe. De boa, o único problema é se acostumar novamente com esse teclado brasileiro-português.

Mas então, como prometido, vamos começar com o que interessa, o ponto principal e mais interessante de Fiji: Piscinas de águas “multi-azuladas”.

Terça feira de manhã, o batente começou cedo, como dizia minha mãe, começou no cagar dos pintos (eu não sei que horas os pintos devidamente cag… digo, defecam em Pedreiras, mas acontece que esta é uma expressão bastante utilizada pela senhorita Irene). O busão da “Awesome Adventures” foi pegar a gente exatamente às sete e meia da manhã. Nos pegaram na porta do nosso “hotel” e seguimos diretamente a um portinho, que me lembrou bastante o Cais da Sagração de São Luís, aonde iríamos pegar o nosso “cruzeiro”. Subi no nosso navio e lá conheci a única brasileira em toda minha viage

m pra Fiji, a mulher era de Brasília e falava um dos piores inglês que eu já vi na minha vida, parecia inglês dos caras do Casseta e Planeta, mas pelo menos ela serviu pra no caminho ir tirando algumas fotos de algumas piscinas e águas azuis pra mim, não sabia o pobre maranhense o que ainda estava por vim.


Descemos em Nanuya Levu, nossa primeira ilha no “Resort” Sunset (pôr-do-sol). Na hora que foi anunciado que deveríamos descer do barquinho para o RESORT confesso que fiquei bem empolgado – CARACA!! Eu paguei por um Resort??? – Pensava o pobre iludido Claudiomarzinho. Eu não sabia o que me esperava. Quando chegamos, fomos deixando as mochilas e nos foi servido o almoço. E que almoço!!! O cara chegou pra mim, me deu um pedaço de pão com uma salsicha enfiada no meio e ainda falou um Enjoy your meal (aprecie a sua refeição). Nus.. na hora deu vontade de virar pro cidadão e falar: Vem cá, meu filho, tu tá de sacanagem? ISSO é uma refeição?

Tecla Pause

Como já foi explicitado anteriormente, o pacote que eu paguei por Fiji incluía todas as refeições do dia, por quê? Pelo simples motivo que as ilhas que nós fomos visitar não tinham NADA!! NAAADAAA!! Nada nelas, apenas uma vila aonde os nativos que trabalham no resort vivem, logo não tem aonde comprar NADA na ilha!!! Toda a sua comida vem do resort e na refeição que eles te servem, sendo que só nos serviam um prato e NÃO PODIA REPETIR!! E claro, nem que você quisesse pagar mais, não podia, o que me salvou foram os dois pacotes das abençoadas bolachas brasileiras que eu comprei só pra poder bater uma foto. EU TE AMO BAUDUCO!!! Resultado disso tudo? Claudiomar o dia inteiro nadando e comendo pouco perde 3 kilos em uma semana, os resorts acabaram virando Spas.

Tecla Play

Como eu não queria muita conversa, o que queria logo era me jogar nas piscinas de águas azuis, comi aquilo o mais rápido possível e entrei numa trilha que levava a uma praia do lado oposto da ilha com um nome, digamos, bem sugestivo: Blue Lagoon. A primeira ilha que eu visitei era nada mais, nada menos que a ilha aonde foi filmado aquele filme praticamente inédito no SBT, aonde todo menino de 10 anos ficava louco pra ver se conseguia ver alguma mulher pelada, filme chamado LAGOA AZUL!!!! Caraca, peguei a trilha e quando cheguei no local eu PIREEEI!!! A água era de uma transparência indescritível e de um azul inacreditável, se você acha que na TV é bonito, não sabe como é louco pessoalmente!!!! Fiquei que nem uma criança mergulhando e nadando com os incontáveis peixes-palhaços (Nemo, do filme procurando Nemo), Lulas, peixes-espada e muitos outros peixinhos coloridos que não sei o nome. MUIITOO IRADO!!! Sem esquecer, claro, do colorido lindíssimo dos corais no chão, mas eu tava pirando mesmo era com os peixinhos… 
Depois de quase umas duas horas fazendo snorkelling e SEM PROTETOR SOLAR!! Chegou mais uma pessoa na Lagoa Azul, era uma austríaca que tinha pagado um pacote bem parecido com o meu e também tinha vindo sozinha.Uma das coisas que mais me impressionou naquela austríaca foi, como podia uma mulher européia (são bonitas, mas sempre magrinhas) ter um par de coxas tão ignorantes como aqueles? Um par de ANCAS de fazer inveja a muita brasileira? Cara, aquilo era muito ignorante!! Eu já passei dos tempos de adolescente, quando ficávamos naquela secura olhando, ou brejando como preferirem, as pernas das meninas quando elas passavam, mas por algumas horas me senti aquele adolescente novamente. Não que estivesse secando a mulher, mas olhando aquela ignorância e tentado pensar como aquilo era possível. Mas a mulher não era só um pedaço de carne, ela era MUIITOO gente boa, engraçadíssima e como ela também tinha vindo sozinha, logo viramos amigos. 
Quando foi a noite, todo mundo foi se recolher cedo, pois não tínhamos nada pra fazer. Eu só achei engraçado um israelense me perguntando se eu sabia se havia algum Pub ou algo parecido pra poder se comprar uma cerveja já que ele não queria dormir cedo. Eu lembro que eu só olhei pra ele com uma cara de “Que porra é essa? Tu tá no meio do nada, cara!! Nem luz elétrica nós não temos e tu quer saber de Pub?” Me contentei em falar um “Claro cara, tu segue ali reto, vira na esquina do Mac Donalds, passa o K-Mart, anda mais um pouco, é fácil de achar, aproveita e passa numa loja que tem lá perto e compra um Pen Drive pra mim pra eu colocar no meu laptop”.. uhaeuhaeuh.. O cara parece que não gostou muito da piada, mas deu uma risadinha e foi dormir.
No outro dia acordamos cedo e fomos visitar as Cavernas Sawa-I-lau, que não hão palavras melhor para se descrever como “maravilhas da natureza esculpidas por Deus”. Essas cavernas são umas cavernas subterrâneas esculpidas pela infiltração das chuvas e de um azul inacreditável!! Nossa.. lindo DEMAIS!!! O grande problema é que não eram aceitas máquinas digitais lá dentro e portanto acabei tendo que procurar as poucas fotos disponíveis na internet para poder publicar aqui. Pegamos uns vinte minutos de barco até chegarmos na caverna. O que era mais legal era que dava pra poder escalar alguns metros e saltar LÁÁÁÁÁÁ DE CIMA na água. O mais alto que eu consegui ir foi a uns 10 ou 12 metros, ainda assim duas vezes, haja vista que as plantas do pés começaram a arder bastante por causa do impacto da água. 




Já os guias fijianos pulavam de umas alturas inacreditáveis, diria que uns 20 metros de altura e depois saiam da água como quem mergulha numa banheira. Depois que fomos embora, consegui bater algumas fotos das belíssimas piscinas naturais do lado de fora da caverna que desde já valeu pelo passeio.

Voltamos e mais uma vez almoço um pedaço de pão e algumas bolachas Bauduco. Convidei a Austríaca p

ra podermos ir fazer mais uns mergulhos, mas a mulher falou que ia esperar quarenta minutos porque um nativo prometeu dar um côco pra ela – Desencana, depois você come esse côco – eu falei. Quando não é a minha surpresa, vem a resposta dela: pode ir, eu vou depois, essa é A PRIMEIRA OPORTUNIDADE QUE EU TENHO PRA COMER CÔCO NA VIDA!!! CARACA!!! A austríaca NUNCA TINHA SEQUER VISTO CÔCO NA VIDA!! Dá pra acreditar? Diante de um fato histórico como esse, “a primeira vez que eu ia ver alguém comendo côco pela primeira vez”, resolvi compartilhar do momento e esperar pra ver a menina comendo o tão sonhado côco dela. Depois dela se deliciar com aquela fruta maravilhosa e exótica (!!!) pedi pra um nativo consertar minhas havaianas quebradas e fomos fazer uma outra trilha, ao redor da ilha pra podermos chegar na Blue Lagoon novamente.

Fomos andando ao redor da ilha e começamos a nos deparar com uns terrenos alagadiços, um cheiro meio desagradável começou a se fazer presente e o que eu mais temia se concretizava. Co

meçamos a entrar num manguezal. Comecei a ficar injuriado, porque não tem lugar pior pra você caminhar do que em um mangue, lugarzinho fedido e ruim do caramba!! Mas acontece que SÓ EU pensava assim. Já a austríaca simplesmente PIRRROUUUU!!! A MULHER PIROU O CABEÇÃO quando olhou aqueles manguezais!!! Ixi maria, mas ela pulava e batia foto e pegava nas plantas e corria de novo e pegava lama e pedia pra eu bater foto!!! – Nossa, mas isso é lindo demais, nossa que plantas lindas!! Olha o formato delas, que formato mais singular, olha como elas são tortas, olha como elas são lindas, vai bate mais uma foto pra mim!!! – ela dizia. 
Sério, comecei a olhar pra ela com uma cara de “QUE PORRA É ESSA? TU TÁ PIRADA MULHER? Desgraça, ISSO É MANGUE!!! TU NUNCA VIU MANGUE?” Além de nunca ter visto côco agora a mulher nunca tinha visto mangue na vida!! Na hora que eu comecei a encher o saco dela que ela nunca tinha mangue na vida, ela só virou pra mim e falou: Vem cá, meu filho, tu já viste neve na vida? Tu já fizeste esqui? Tu já fizeste SnowBoard? Respondi que não – Pois eu penso o mesmo sobre você “Como assim você nunca viu neve na vida”? Juro que depois dessa eu baixei a cabeça, coloquei o rabinho entre as pernas e comecei a gritar MANGUE!! MANGUE!! Olha como é lindo!!! Bate uma foto pra mim, Rafaela!! Uuhaeuhae.. quem fala o que quer ouve o que não quer!!!


Mas a melhor parte foi depois, começamos a achar que talvez fosse impossível dar a volta na ilha por aquele lado e então começamos a pensar em voltar. Chegou uma hora que teríamos que atravessar algo como uns 200 metros de distância com a água nos joelhos pra podermos continuar, ela pensou em desistir, pois poderíamos atravessar isso tudo e no final não ter saída. Acabou que eu falei pra ela: Fica aí que eu vou ver se dá pra gente prosseguir, só fica de olho na minha MOCHILA e nas minhas CHINELAS pra água poder não levar. Fui lááááá do outro lado pra poder ver como era e vi que tinha saída, quando eu volto pra pegar as minhas coisas eu só pergunto CADÊ MINHAS CHINELAS???? Acredita que a mulher ficou olhando eu andando e não ficou de olho nas minhas havaianas? Resultado: A maré levou minhas sandálias EMBORA!! Fazer a trilha descalço não tinha problema, mas e o que fazer nos outros SEIS DIAS que eu tinha em FIJI? Sério, não tinha um K-mart ou Casas Bahia nas ilhas que estávamos visitando, eram só os moradores, um resort e mais nada!!!Não deu outra, de cabelo comprido, preto de sol e sem fazer a barba por não ter mais gilete, virei um belíssimo homem das cavernas passando os outros dias SEIS DIAS andando DESCALÇO. Maranhense do pé casco duro é assim mesmo!!! Mas pra completar a história, quando fomos mergulhar na Lagoa Azul novam

ente acontece a melhor do dia. Eu estava andando na areia, em direção aos corais e o que acontece? Sinto só aquela pontada no meu pé descalço, inicialmente eu achava que eu tinha pisado em um espinho ou algo do tipo. Eu me sentei e levantei o meu pé pra ver o que tinha acontecido na sola e o que eu vejo? Um caranguejozinho, de uns 5 cm, pendurado na minha sola do pé!! O cidadão teve as manhas de me ferroar e NÃO SOLTAR!! Juro que fiquei uns 30 segundos só encarando o cidadão pra ver qual é da dele, mas esta primeira estratégia não funcionou, o caranguejo achou agradável brincar de rapel encravando as suas patas na minha carne. Comecei a dar uns petelecos pra ver se o bicho soltava e o caranguejo NÃO LARGAVA DE JEITO NENHUM!! Comecei a ficar puto e só dei um puxão no cidadão. Acabou dando certo, pois o nosso amigo enfim saiu da sola do meu pé, mas claro, não sem antes levar UM NACO DE CARNE DO MEU PÉ COMO SOUVENIR!! Nessa hora eu só olhei pro céu e falei: Senhor, JÁ CHEGA, né? Sério, só podia ser castigo! Fui ferroado por dois seres irracionais, o caranguejo tentando se defender e a Austríaca que não conseguia vigiar um par de havaianas.


Desencana, eu tou em Fiji e tudo é festa. Quando foi no outro dia desci pra Korovou, só que fui pra lá sozinho, já que todos os amigos que eu tinha feito na primeira ilha foram pra uma ilha diferente e eu fui sozinho pra aquela. Pensei: – Que azar da mulesta!!! Mas quando cheguei na outra ilha mudei de idéia, a ilha era IRAAADAAA demais!! Super-mega-hiper bem equipada, tinha mais cara de resort mesmo!! Curti pacas a outra ilha. O grande problema era que tudo era mais caro e o mergulho era BEM pior do que em Nanuya Levu. 
O mais engraçado é que eu já me encontrava bem abatido pelo fato de estar a dois dias comendo pouco nas refeições e sempre completando com biscoito no final e quando tivemos a mini-reunião que sempre ocorre antes de irmos para o nosso quarto, a gerente falou que iríamos ter quatro refeições: Café, Almoço, CHÁ DA TARDE e Jantar. Nus!! Na hora eu pirei!!! Caraca!! Vai ter um chazinho entre as refeições, acabaram-se os períodos de fome!!! Chegamos lá duas da tarde e eu me encontrava faminto, porque o almoço em Nanuya Levu não deu pra encher nem o buraquinho do dente. Como aquelas duas horas demoraram pra poder passar!! Eu olhava pro relógio e o tempo não andava, quando foi quatro horas, começaram a tocar os tambores (é cumpade, parecia “No Limite”, quando os tambores começavam a tocar, hora de traçar o rango!) e eu saí VOOADDO morrendo de fome. Quando eu chego lá, o que tinha? Claro: CHÃ!! Afinal, era um CHÁ DA TARDE!! Mermão, não tinha uma bolacha cream-cracker pra acompanhar a droga do chá, era só o chá mesmo!! E lá fui eu pro quarto pra comer mais biscoito (te amo, bauduco!).

Só um parênteses. Um dos fatos que mais me dava orgulho de ter nascido no Brasil e que se fez bastante presente nesta ilha foi perceber o quanto os caras gostam de brasileiros no exterior. Pô, na hora da apresentação, quando perguntaram de onde eu era e eu falei que era do Brasil a Gerente-geral fez questão de espalhar pra ilha inteira que tinha chegado outro brasileiro na ilha. Pô, todo mundo começou a só me chamar de Brasil a querer trocar idéia comigo a querer conversar comigo. Na Austrália isso vez ou outra acontecia, mas a Austrália é APINHADA de brasileiro. Pela primeira vez eu fui ver como funciona num lugar que brasileiro é raridade. Pois é, meu nome começou a ser Brasil. E isso é o que mais me orgulha em ser brasileiro. Certa vez eu conversava com o Patrick, o sueco que morava comigo, sobre passaportes e o bicho me falava sobre o passaporte sueco. O Patrick nunca precisou sequer tirar um visto de turista na vida, só precisava tirar visto se fosse pra visto de estudo ou de trabalho, ainda sim não precisa apresentar nada e ainda pagava mais barato pelo visto. Já a gente.. deus do céu!! Vai pra Austrália tem que mostrar que faz facul no Brasil, que a mãe tem carro, que o pai ganha tanto, que não vai sumir por lá. Vai pros EUA tem que ser fichado que nem um animal, bater foto da Íris e o diabo a quatro. 
Comecei a ficar com uma invejinha do Patrick, mas logo depois eu vi o quanto o meu passaporte é melhor que o passaporte sueco. O meu passaporte verdinho pode não me dar entrada em todos os países, mas me dá entrada no que é mais importante, que é no coração das pessoas. Fico pensando como as pessoas reagem quando o Patrick fala que é sueco, galera deve falar só um: Sueco? Legal, cara! Já quando eu falo que sou brasileiro, a primeira reação da pessoa é um sorriso, é um gesto amigável, é uma vontade de querer conversar com você, de querer saber de como é o Brasil, se eu jogo futebol, se eu sei dançar… Pô, não sei se isso acontece no mundo inteiro, mas foi algo que pude perceber acontecendo um pouco na Austrália e acontecendo bem em Fiji e posteriormente na África do Sul. E foi o que me fez mudar de idéia. Que se dane os outros passaportes “entre outras mil és tu Brasil, Ó pátria amada!!!”


Mas vamos voltar a ilha. Com certeza, uma das melhores regras da ilha era: “Não é permitido aos hóspedes beber água da caixa d´água”. Beleza, a gente não podia beber água da caixa d´água, mas se não bebesse a água de lá, ia beber água de onde? Da praia? Não existem fontes de águas doces nas pequenas ilhas de Fiji, a única fonte de água doce é a água da chuva e, claro, as águas que são vendidas na cantina ao módico preço de 6 reais. 5 litros de água? Não, 6 reais UM LITRO de água mineral. O pequeno detalhe era que eu já tava quebrado em Fiji, vendendo o almoço pra poder comprar a janta, não ia dar mesmo pra eu comprar 3 litros d´água (o que eu consumo diariamente) todo dia. O que fazer? Ora, quando se é do Maranhão não existe problema, só solução. Cheguei lá, comecei a trocar uma idéia com o gerente e talz, o bicho era mó gente boa. 
Aí depois de quase uma hora conversando, e claro, com a garganta troando de sede, comecei a jogar as idéias no camarada: “Pô, cara, sabe como é, né? Eu só queria saber se não dava pra dar uma flexibilizada nessa regra de comprar água.. Pô parceiro, eu sou que nem vocês, sou o único aqui do resort que sou do hemisfério sul, sou o único daqui que, como vocês, mora em país colonizado, sabe como é, né? Não sou europeu e pá pá pá, meu pai me estuprava quando eu era criança, meu irmão mais velho virou viado, minha irmã de vez em quando roda uma bolsa pra poder ajudar no sustento da família, será se não dava pra eu pegar um gole d´água de vez em quando?” Rapaz, o bicho riu pra porra quando eu falei isso (gente, real, meu pai não me estuprava quando eu era criança!!!! desculpa, pai, mas eu tinha que dar um jeito de pegar água de graça.. uhaeuhauhaeuh,) e falou: “Pô Brasil, tu é um cara gente boa pacas, não vou dizer pra ti que você pode pegar essa água de boa, faz o seguinte, quando for meia noite eles desligam todas as luzes, aí quando desligarem as luzes, tu vem aqui voado no escuro, enche umas garrafas d´água, corre pro teu quarto e não fala pra ninguém que tu tá pegando essa água, senão vai dar sujeira pra mim”. Rapaz, eu fiquei mais feliz que pinto no lixo. Quando era de noite era muito engraçado, pois todo mundo ia dormir 10 da noite já que não havia nada pra fazer a noite, aí eu deitava na cama, dava boa noite pra todo mundo e quando era meia noite eu saía num passo leevee, mais silencioso que ladrão em joalheria, saía do quarto, saía mais rápido que o Felipe Massa, enchia duas garrafas d´água e corria de novo pra cama. Sério, eu me sentia o James Bond roubando água dos russos. Era muito engraçado. O melhor era no outro dia de manhã, as inglesas quando olhavam as garrafas cheia d´água vinham me perguntar: Pô, Brasil, porque você sempre compra duas garrafas d´água ao mesmo tempo? – É pra não ir duas vezes eu – eu respondia.. uhauheauehuehua


galera… já tou no maranhão… mas não percam… em 3 ou 4 dias o último capítulo sobre Fiji..

abraços maranhenses

Um maranhense vai à Fiji

Êpa! Dê aí um pitôco no seu rádio! Está começando agora mais um capítulo do blog “Vida e morte nordestina”, com o título “Um maranhense vai à Fiji”Pois é galera, como foi prometido, vamos começar agora a narração de nossa aventura rumo ao arquipélago Fijiano no meio do Oceano Pacífico.Não lembro se eu postei em blogs anteriores, mas antes mesmo de vim pra cá pra Austrália, havia várias coisas que eu sonhava em fazer e uma delas era passar uma semana em Fiji. Depois de vários blogs “Chapéu de otário é marreta”, cada dia que passava parecia que eu não conseguiria sequer me sustentar aqui pela Austrália. Mas graças a deus a curva seno converteu-se numa curva tangente e eu consegui juntar uma graninha e pude pagar a minha viagem pra Fiji.Antes de começar a contar os fatos acontecidos, é de extrema importância que eu explicite algumas curiosidades sobre Fiji pra vocês se situarem melhor. Fiji é um arquipélago situado no meio do Oceano Pacífico e que possui uma sucinta curiosidade, o arquipélago é cortado pela linha internacional de Data, logo, o primeiro nascer do sol do Mundo e o último pôr-do-sol são ambos em Fiji (o que faz o principal jornal fijiano trazer estampado na primeira página, com orgulho, a frase “Este foi o primeiro jornal publicado hoje em todo o mundo”).

A regra geral do pais e’ aonde voce for ou o que quer que voce queria fazer diga sempre: “BUUULLAAAAA!!!!”. Bula significa “Ola” na lingua nativa Fijiana e os caras ficam profudamentes felizes quando voce manda um BUULLAAAA!!! bem animado pra eles. Por todo canto o que voce mais escuta e’ Bula!!! Isso nao deixa de ser bem legal. O arquipélago é uma ex-colônia britânica e o Inglês é uma de suas línguas oficiais junto com a língua nativa Fijiana. Portanto não tive grandes problemas pra me comunicar já que todo mundo em Fiji manda bem no Inglês e inclusive os jornais que são vendidos nas bancas são na língua da rainha. Assim como a Austrália, Fiji também tem todas aquelas frescuras de países participantes de “súditos da rainha da Inglaterra”, imagem da rainha nas notas de dinheiro e na parte de tras das moedas. O país é em si bem pobre, depedendo basicamente da exportação de cana de açúcar e do turismo para poder mover a sua economia. Por dependerem bastante do turismo, os fijianos costumam ser bem simpaticos com a gente, portanto, ao avistar uma pessoa que parece ser um turista o Fijiano sempre cumprimenta com um animado “Bula”. O país é em si formado por mais de 300 ilhas diferentes, sendo que praticamente a metade não são povoadas. Há duas ilhas maiores e principais onde se concentram a população e as suas principais cidades e várias outras ilhas menores, que quando são povoadas, não tem NADA nelas, a não ser um resort e uma pequena vila pra galera que trabalha la poder morar.

Quando você compra o pacote pelos passeios pelas ilhas, você paga numa tacada hospedagem, passeios e refeições (café, almoço e jantar). Sai daqui da Austrália com duzentos dólares no bolso e deu pra viver muito bem por lá, ate sobrou, já que os meus gastos se limitaram em algumas bugigangas pra amigos, táxis e a minha hospedagem no último dia.Depois dessa breve explanação acerca do arquipélago vamos começar a narração. Eu progamei minha viagem pra dar tudo certo desde o começo. Marquei meu vôo pra poder sair numa segunda feira às seis da manhã, assim que terminasse o meu último dia de trabalho no hotel, eu não precisaria nem dormir, já iria direito para o aeroporto. E não deu outra, dois dias antes da minha viagem me foi avisado que iria rolar a despedida de um dos nossos brothers daqui da Austrália, o Fábio estaria voltando para o Brasil e portanto a galera iria tomar uma cerveja na casa do Yves no domingo a noite. Fechou fechado! Terminei o meu trabalho exatamente a meia-noite, passei no staff room, fiz alguns sanduíches e coloquei na bolsa (vocês vão já entender porque). Só que depois do trabalho, me apareceu um problema, um GRANDE problema, minha máquina digital se encontrava apinhada de fotos e eu precisava descarregá-la de alguma maneira, pois, ir pra Fiji sem bater foto não dá, né? Comecei a ficar desesperado, mas quando cheguei na casa d
o Yves apareceu aquele anjo, aquela peça escultural, aquela que Tim Maia já dizia ser “é mais do que sei, é mais que pensei, é mais que esperava”, o que Pixinguinha dizia ser “de deus a soberana flor, de deus a criação, que em todo coração sepultas um amor”, apareceu a Dani que se dispôs a sair mais cedo da festa pra podermos ir na casa dela pra poder descarregar as fotos e de quebra aquele anjo ainda se dispôs a entregar os meus últimos time sheets na Pinnacle, só tenho uma coisa a dizer: DANI, apesar de voce ser carioca, TE AMO!!!

Depois de descarregar as fotos, peguei o táxi correndo e, LÓGICO, como eu iria fazer uma viagem INTERNACIONAL pedi ao taxista que me levasse no aeroporto INTERNACIONAL de Sydney. Chegando lá, fiquei peruando por dentro do aeroporto, mas perdido que calcinha em lua de mel, procurando aonde eu poderia embarcar. O mais engraçado é que o aeroporto parecia filme de Faroeste, não tinha quase ninguém por lá, todos os pontos de informação se encontravam VAZIOS!! Comecei a ficar mais angustiado que barata de cabeça pra baixo, afinal, a hora do meu voô se aproximava. Depois de um bom tempo peruando pelo aeroporto encontro um cidadão que me informava que eu não iria pegar o avião naquele aeroporto, mas sim que iria ter que embarcar no OUTRO aeroporto de Sydney, no aeroporto DOMÉSTICO, pois afinal eu iria pegar um avião em Sydney e outro diferente em Brisbaine. Beleza, e lá vou eu pagar mais DEZ DÓLARES de táxi pra largar de ser bobo. Pego meu avião e o que eu descubro? Como eu estava suspeitando o avião NÃO TINHA SERVIÇO DE BORDO, um sanduíche custava a “bagatela” de apenas CINCO DÓLARES AUSTRALIANOS (diria que meio táxi que eu paguei de bobo). Lá vai claudiomarzinho ter que pegar os sanduíches que havia feito no hotel pra comer dentro do avião. Depois de vários anos abominando os seres farofeiros que empinham as praias de São Luís, agora chegou a hora do pobre do Claudiomar ter que levar a quentinha pra fazer a farofa dentro do avião. Depois de anos pegando BRA pra ir e voltar de São Luís eu nunca achava que algo poderia ficar pior. Tá certo que a BRA te dá um pão com queijo e um bis, mas pelo menos ele te dão algo pra comer, eles não te cobram 10 dólares por refeição. Deus do céu, como as coisas podem piorar tão fácil? Digo e repito, sovinar um pedaco de pao e um refrigerante dentro do aviao é algo que ninguém merece MESMO!!!!! A viagem transcorreu, na medida do possível, normalmente, só destacando o fato de, antes de embarcar, todo mundo tinha que ficar descalço!! Não obstante neguinho colocar as malas no decector de metal, agora também temos que botar os sapatos para vôos internacionais. Eu, mais esperto, não tive esse problema, tava de havaianas.. uhahuhuhaa.

O massa foi na hora de chegar em Fiji! Na hora que eu desci do avião veio só aquele bafão QUENTE!! Nossa, mas eu já quase havia esquecido como é morar nos trópicos. Peguei a van pro meu hotel e no caminho conheci um suíço que estava viajando sozinho e, portanto, logo ficamos amigos e conheci um italiano que viajava com uma japonesa, ambos gente finíssimas. Rapaz, que coisa de louco era aquela? Quando eu entrei no hotel eu só pensei: Eu paguei POR TUDO ISSO? Comecei a ficar mais feliz que pinto no lixo. A recepção era algo de louco: Ar-condicionado, limpíssima, pintura nova quadros de arte e talz. Um cheiro de perfume de rosas tomava conta do ambiente. Cheguei na recepção e pedi as minhas chaves, a recepcionista foi lá e me deu as chaves do meu quarto e falou que alguém ia me levar ate la. Ela também me disse que eu ia dividir quarto com duas outras meninas, uma inglesa e uma americana. Eu até fiquei feliz na hora. Imagina? Se uma das duas fosse gatinha eu já chegava no Go Go Fight no pescoço dela com todo o meu charme de Latin Lover. Pra ser sincero, eu juro que eu imaginei aquela cena a noite, ela falando comigo… – Pôxa, eu tou aqui em Fiji, dormindo sozinha, não volto aqui nunca mais, não queres ser meu cobertor, meu maranhense lindo? Nao queres me fazer uma massagem por dentro? VAMO MEU LATINO FOGOSO!!!! Me chama de largatixa e me joga na parede!!! Me chama de gaveta e me desarruma toda!!!!

Depois que eu vi o naipe das bichinhas, eu juro que me deu vontade de dormir trancado no banheiro. A pobre da americana era mais pesada que sono de surdo e a inglesa mais feia que briga de foice no escuro. – Melhor guardar energias pra poder mergulhar amanhã – eu pensei. Mas beleza, o cara que ia me levar no meu quarto apareceu. Rapaz, nessa hora o sonho acabou. Quando eu prestei melhor atenção, o ar-condicionado era só pra recepção. O cara pegou uma mochila minha, saiu andando, não deu nem bom dia. Na hora que o bicho abre a porta da recepção e a gente caiu pra fora, veio só aquele bafão quente de Fiji de novo. O cidadão me levou até uma escada de madeira que, sem brincadeira, eu não sei como ainda está de pé dado o estado de podridão de alguns dos seus pedestais que a cada pisada mais forte quebrava de tão mofado. Começamos a sair em busca do quarto Paradise (que ironia) e cada vez mais que adentrávamos as paredes ficavam mais descascadas e mofadas. Quando eu entrei no meu quarto eu comecei a me perguntar se não seria uma idéia melhor eu dormir do lado de fora, no meio do mato. O quarto era mal iluminado, o chuveiro pingava ao invés de molhar e a cama tinha sequer um lençol pra cobrí-la. – Não paguei por um resort, pensava tentando me conformar.

Depois de um tempo resolvo dar uma volta pela cidade, mas vou te dizer, seria melhor que não tivesse. Nadi é a segunda cidade mais importante de Fiji. Eu gostaria de conhecer as menos importantes. O centro da cidade não tem simplesmente NADA e’ só uma galera andando de um lado pro outro, todo mundo DESCALÇO e falando Bula!!!! pra você (já que dava pra perceber que eu era forasteiro). Eu sai andando no centro da cidade a procura de algo ou alguém com que eu pudesse bater uma foto.

Não precisou nem descer do táxi pra já começar a ser abordado. O táxi nem parou direito e já veio uma maozona abrindo a porta. Era um Fijiano de uma loja do lado que praticamente me enfiou dentro da loja dele, falando que era muito legal e blá-blá-blá. Nessa hora lembrei de um dos dizeres nordestinos que eu mais admiro. Nossa Senhora tentando defender João Grilo durante o Auto da Compadecida dizia: “A esperteza e’ a arma do pobre”, mas e’ mesmo. O cara perguntou meu nome e de onde eu era, quando eu falei que era do Brasil o bicho começou a me tratar de um jeito tao, mas TAO gente boa que eu me senti na obrigação de comprar algo na loja dele, acabou que comprei um cartão e algumas bugigangas pra levar de lembrança pro Brasil, gostei tanto do bicho que pedi ate pra bater uma foto com o cidadão, caraca, que bicho gente boa.

Depois de praticamente ser arrastado pra dentro da loja e de comprar algumas bugigangas resolvo dar uma chegada no supermercado pra, como diz os paulistanos, “ver de qual e’ “. Comecei a andar por la e qual não é o meu espanto ao andar pela sessão de bolachas e biscoitos e me deparar com waffers… waffers… waffers ESCRITOS EM PORTUGUÊS!!! Caraca!!! Eu juro que eu pirei na hora!!! Que porra e’ essa???? Quando eu fui ler onde era produzido, a minha surpresa: “Fabricado em Guarulhos-SP”. Mas assim, em português mesmo. Caraca como fiquei espantado em encontrar produtos brasileiros perdidos no meio do oceano pacifico, me senti na obrigação de comprar dois ao menos pra poder bater uma foto. Acabou que esses biscoitos fotogênicos salvaram a minha vida em Fiji, como vou contar mais posteriormente. Depois de pegar os waffers brasileiros no balcão e ir cantando o hino nacional em direção ao caixa comecei a dar um role pela centro da cidade quando DO NADA aparece um fijiano e começa a falar comigo. O bicho veio com uma conversa de quem não quer nada, mordiscando pelos cantos que nem gato comendo feijão quente. “E ai cara, como ta e talz?”. Fui tentando desconversar, mas o bicho era insistente, depois eu vi o real motivo que o cidadão tava querendo conversar comigo, ele só me perguntou: “E ai cara, você fuma? Vamo experimentar a maconha fijiana?” Nessa hora a ficha caiu e comecei a perceber o perigo que eu poderia estar passando, sozinho no meio do centro de Fiji, com quase 200 dólares na bolsa e uma câmera digital. Falei que não, mas o cara continuou insistindo, nao dei outra, falei tchau pra ele, peguei o primeiro táxi que eu vi e desci correndo pro meu albergue.. ta louco? Eu fui logo esperar o outro dia que o batente pras ilhas seria cedo..

Galera… vou acabar o primeiro capitulo aqui… tou numa lan house na Africa do Sul pagando quase 5 reais a hora e ainda por cima no meio da “ChinaTown sul-africana” (esses bichos tao em todo canto) e ainda por cima o chines que cuida dos pcs aqui não fala inglês… por isso tou passando só raiva… melhor eu ir logo que meu dinheiro ta acabando… próximos post semana que vem!!! não percam!!!! nele vou contar como foram as belíssimas piscinas de águas azuis cristalinas de Fiji e, claro, muita confusão…

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