Capoeira pelo mundo. Capoeira no Chipre

Pela internet acabei entrando em contato com um grupo de capoeira do Chipre. Chamava-se Apeiara. Ia fazer algo parecido com o que fiz no Irã (para mais detalhes, clique aquiIa fazer algo parecido com o que fiz no Irã (para mais detalhes, clique aqui), catalogar e escrever sobre mais um grupo de capoeira brasileiro perdido em um país estrangeiro. Como não sabia direito como funcionava o transporte público em Nicósia, acabou que andei quase uma hora a noite para poder chegar ao lugar.

Marcamos de nos encontrar na academia do instrutor e deu até um certo trabalho para chegar lá. Quando enfim cheguei, levei um bolo. Cheguei no meio de uma aula e fui recebido pelos alunos que me disseram que o instrutor não estava lá, que teve um pequeno problema e não pôde participar. Detalhe que eu tinha confirmado algumas horas antes com o instrutor e ele disse que tava tudo bem de eu ir lá. Se houve problema mesmo, não sei, porque até hoje ele não me disse nada, não me falou o que ocorreu.

Bem, uma pena, era uma oportunidade dele divulgar o trabalho dele. De qualquer forma bati uma foto da frente da academia ao menos para servir de registro que no Chipre também tem Capoeira apesar dele ter furado comigo de forma tão deselegante e não profissional.

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Nicósia a noite. Caminho que peguei para poder chegar à Academia
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Frente da Academia
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Capoeira pelo mundo – Capoeira no Irã

Bem, pensei, já viajo para caramba, por que não aproveitar e começar a reunir dados sobre como está a capoeira no mundo? Sempre ouvi gente falando que a capoeira está em 140, 150, 160 países diferentes, mas nunca um trabalho de ir lá e visitar os grupo de capoeira fora do Brasil! Daí pensei, bem, vou começar a fazer isso. Já havia praticado capoeira na Síria e na China (clique aqui e aqui para ler as histórias), presenciado galera jogando na Polônia e em Cuba (clique aqui e aqui). Porém, o Irã foi o primeiro lugar onde realmente parei para entrevistar um instrutor de capoeira!

Comecei a fuçar pela internet e vi que havia um grupo de capoeira chamado “Me Leva” que parecia ter alguma coisa de capoeira por lá. Entrei em contato com os caras e eles me passaram o contato do instrutor de lá, o Pouya, que marcou um horário comigo. Ele me passou o endereço e fui lá encontrá-lo.

Quando desci da estação de metrô, fiquei quase uma hora e meia andando de um lado para o outro tentando achar o lugar. Cara, não tinha jeito! Era quase impossível achar. O povo na rua não falava inglês e, depois de muito tentar, um vai daqui, outro vai dali, acabou que um cara na rua me pegou pelo braço, entrou em um prédio, subiu três lances de escada comigo e eu chegava no lugar. Não havia nada indicando que no lugar praticava-se capoeira. Sequer um anúncio. Sequer um cartaz. Aquilo era estranho. Acabou que deram três toques em uma porta, que mais parecia uma entrada de esconderijo, abriram só um pouco e perguntaram quem era. Quando falei que era o Claudiomar, me deixaram entrar! Lá dentro, por detrás de paredes de espuma, os capoeiras. Roupas brancas, sorriso, jogo, mandiga, aquele ambiente festivo de um lugar capoeira. Um dos rapazes, inclusive, usava uma bandana com a bandeira do Brasil. Porém, só homens.

E fui conversar com o Pouya sobre a história dele na Capoeira.

CARA, QUE HISTÓRIA

O Pouya havia sido campeão mundial de Kickboxing e era fascinado por artes marciais, tendo estudos também em Caratê e Ninjutsu. Diz que certo dia estava procurando uma arte marcial que fosse mais acrobática e se APAIXONOU pela capoeira. Aqueles saltos, aqueles chutes, aqueles floreios, aquelas acrobacias, eram tudo que ele precisava. Procurou, procurou e procurou e viu que não havia nenhum capoeira no Irã. Ele deu o jeito dele. Há dez anos, por meio de vídeos da internet e baixando ebooks, ele mesmo foi o seu professor, um capoeirista autodidata. Continuar lendo “Capoeira pelo mundo – Capoeira no Irã”

Eu sou brasileiro. De Belém? – a pergunta que escutava toda vez no Suriname

Primeira foto, no aeroporto, ao chegar de Belém

Sempre que viajo fora do eixo Europa – Estados Unidos, quando falo que sou do Brasil, a primeira coisa que as pessoas perguntam é: – “De onde? Do Rio de Janeiro?”. Quando muito as pessoas perguntam de São Paulo. Acaba que as únicas cidades que parecem conhecer do Brasil são Rio, São Paulo e, raramente, Brasília.

Redondezas onde fiquei hospedado
O pessoal do Suriname parece viver bem. Foto tirada em casa vizinha ao lugar que fiquei

No Suriname aconteceu algo engraçado! Foi o primeiro país que quando falava que era brasileiro as pessoas perguntavam: – “De Belém?”. Para o Suriname o Brasil começa em Belém! O Pará é o estado que faz fronteira com o Suriname e é onde há voo direto pra lá. Conversando com um motorista de táxi, em inglês sempre bom lembrar, ele me explicou que eu não vi muitos brasileiros porque não fui ao bairro onde eles se concentram:

– Quando você vai lá, parece uma “Little Belém” (uma pequena Belém) – ele me disse.
Esse aqui é um strip club que, segundo um motorista de táxi, era de um brasileiro e se chamava “Bigode”. Passei em frente e fiquei impressionado com a estrutura do lugar. Cara, diz aí! Essa mansão toda para um strip club? Quando passei na frente fui lá e bati uma foto. Rapaz, quando menos me espanto vem um cara correndo e gritando! Era um dos seguranças de lá que só se aquietou quando eu apaguei a foto. Acabou que na volta eu bati essa foto com uma câmera melhor que não dava para ele me ver! Qual é, rapaz, nunca perco uma foto!
Na praça principal de Paramaribo. Aos domingos rola uma capoeira aqui. Até tentei vir para jogar com a galera, mas infelizmente não consegui chegar a tempo =(
Palácio Presidencial

Belém acaba também sendo a porta de entrada dos surinameses para a América do Sul, pois, como eles mesmo me falaram, de Belém você pode pegar um voo para qualquer lugar do Brasil. De Belém para São Paulo ou Rio de Janeiro, podem ir para qualquer lugar da América do Sul. É engraçado pensar que, para nosso amigo médico do post passado, o Suriname era a sua porta de saída da América do Sul e a para os surinameses Belém era a sua porta de entrada. Quem da gente que mora na parte Sul do Brasil iria imaginar que Belém seria um hub tão importante!
Cara, isso é arte! Acredita que no Suriname passa o desenho do Chaves? E em espanhol! Caraca, quando vi que ia passar, fiquei que nem um abestado assistindo e dando risada com os filhos do meu host!
Tirei essa foto no que deveria ser um dos principais fortes de Paramaribo, construído à beira do rio, bem na porta de entrada da cidade. Serviu para proteger Paramaribo de invasores. Hoje parece mais um parque e quando fui hospedava uma galeria de gosto tão duvidoso que se você comprasse algumas peças ganhava até um banner, como na foto aí abaixo!
Essa também eu não esperava. Encontrei um busto do Simon Bolivar no meio do centro de Paramaribo. Apesar de alguns demagogos tentarem se apropriar de sua glória, manchando a sua imagem, Bolivar é um grande herói da América Latina, tendo libertado vários países da Espanha. Só achei estranho encontrar ele em um país de colonização holandesa como o Suriname. Para mim, seria mais ou menos como termos uma estátua de herói holandês no meio de uma praça de Brasília.

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Por que Cuba?

Quando me perguntavam sobre onde eu iria passar férias e eu dizia que iria para Venezuela e depois para Cuba todo mundo perguntava se eu estava me esforçando para nunca mais poder entrar nos Estados Unidos, ainda mais depois que fui para a Coréia do Norte. Porém, cara, Cuba é um aprendizado. Assim como falam muita besteira sobre a Coréia do Norte, pude testemunhar que também se fala muita besteira sobre Cuba, como vou demonstrando durante os posts.

Sim, eles também tem Brasília
Caminho do aeroporto para o albergue, primeira foto que bati em Cuba
O principal motivo da minha escolha foi o de querer viajar para os dois países antes da morte de Fidel ou de Chávez. Sabe como é, quando um deles dois morrerem não é a mesma coisa. Tive “sorte” de conseguir chegar a Venezuela uma semana de Chávez falecer e por três dias perdi o momento histórico que seria ver o enterro dele na Venezuela. Droga! Porém, por outro lado, pude presenciar um pouco da morte de Chávez estando em Cuba, que, tenho certeza, teve uma comoção maior que a da Venezuela, haja vista que a economia cubana hoje depende muito dos incentivos venezuelanos iniciados por Chávez.
Andar pelas ruas de Cuba é como andar em um museu automobilístico da década de 50. Um dos sintomas do Embargo Econômico que eles sofrem desde essa época

Esse carro saiu mais bonito que os outros
Malecón de Havana, um dos principais pontos turísticos da capital de Cuba

Malecón pela noite

Pôr do sol no Malecón

Capoeira em uma praça central de Havana
No meio da sala do nosso albergue havia  duas colunas dóricas!! Lembranças do luxuoso e rico passado cubano
Lojas da Puma e Adidas em Havana. As duas são empresas européias e não americanas, por isso podem ter lojas em Havana
Em Cuba, flanelinha é um emprego estatal

Ex Palácio Presidencial Cubano, ainda hoje com marcas de bala de um levante estudantil contra Fulgêncio
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Mochila extraviada e mercado com muita confusão

Existe sempre aquelas coisas que você nunca imagina que vão acontecer com você: pegar uma doença muito ruim, ficar pobre, torcer pro Botafogo… Umas das que estavam no meu rol de “isso nunca vai acontecer comigo” era ter uma mochila extraviada. Pô, viajo MUITO no Brasil, seja a trabalho, seja a turismo e nunca, eu disse NUNCA, tive uma mochila extraviada. Por isso, nunca fiz o que varias pessoas recomendam que é deixar artigos de higiene básica e uma muda de roupa dentro da mochila de mão para o caso de você ter uma bagagem extraviada. Por isso o moído foi grande quando eu descobri que a minha mochila não iria mesmo aparecer naquela esteira de bagagem. Falem o que quiser do Brasil, mas comigo isso nunca havia acontecido em terras brasileiras. Se tivesse acontecido isso com qualquer um no Brasil já iam começar o velho clichê: “Se aconteceu isso agora, imagina como não vai ser na Copa…”.
Centro de Pequim

Como não havia o que fazer, fui reclamar no guichê da empresa no aeroporto da China e, lógico, não havia ninguém que falasse um inglês decente para poder me explicar o que estava acontecendo. Papo de cá, mimica de lá, acabamos que nos entendemos e eles ficaram de me entregar a minha mochila no próximo dia pela manhã. Como eu havia mudado minha rota (saí direto de Washington), minha mochila tinha sido extraviada. Saí do guichê com aquela cara de “tá, eu tenho certeza que tudo vai dar certo, United Airlines! Você nunca me aprontou uma!” (NOT!!!!!) e fui para o centro de Pequim procurar o meu couch.

COUCH (HOSPEDAGEM) EM PEQUIM

Até que não foi muito difícil encontrar o lugar que eu iria ficar. Me enrolei um pouco com todas aquelas letras chinesas, mas depois de um tempo zanzando que nem uma barata tonta, me passa um gringo do meu lado (uma coisa que vocês tem que aprender quando viajam na Ásia. Deu algum tipo de problema, pede ajuda pro primeiro gringo que vir!). Pedi o celular dele emprestado, o bicho foi de boa, liguei pra minha host e marquei de me encontrar em frente a uma lojinha lá. Ela foi me buscar e tudo de boa.
Eu iria ficar num couch super irado. No lugar moravam um francês, um inglês, uma russa, uma estoniana e uma chinesa, fora os agregados que iam se jogando lá pelos sofás (quando eu cheguei, além de mim, havia um esloveno babaca). E sim, o lugar era mais bagunçado que o Campeonato Maranhense de Futebol. Assim que cheguei, Sacha, a russa, me perguntou se eu queria dormir um pouco e eu, lógico, disse que não, que era melhor ficar acordado.

Tecla PAUSE

Aqui já vai a primeira dica pra quem estiver pensando em fazer viagens pela Ásia. Se você vem direto do Brasil, NÃO DURMA assim que chegar. Se quiser se acostumar com o fuso horário, controle o seu cansaço e só durma meia noite, uma hora da manhã. Você não vai conseguir dar uma dormidinha de uma hora só para relaxar, você vai capotar, acordar três da manhã e ficar zanzando esperando o dia amanhecer. Portanto, quer vencer o Jet Lag? Durma apenas no horário que você normalmente dormiria no Brasil. Eu dormi meia noite, por exemplo, apesar de esse horário no Brasil ser onze da manhã. Não tem vezes que você volta da balada e vai dormir sete da manhã? Pois é, fique com isso na cabeça e você não vai ficar com sono. Se não for assim, é prego de caixão, vai estar um solzão no lugar, você vai estar na cabeça que no Brasil é de madrugada e lá vai uma semana perdida tentando se adaptar com Jet Lag.

Tecla PLAY

Centro de Pequim

PRECISO DE ROUPAS!!!

Na verdade, na verdade, eu precisava mesmo era ir em um mercado, pois todos meus materiais de higiene pessoal (tirando escova de dente e desodorante) estavam na minha mochilona que só Deus sabia onde estava viajando nesse momento. Não tinha nenhuma roupa tirando a do corpo (que já estava com ela por pelo menos umas quarenta horas) e, o pior, não tinha cuecas.

Descemos para uma feira em um shopping que de cara dava para ver que era bem turístico. Por quê? Nada, só porque a atendente já começou me atendendo em espanhol (não era que lá eles falavam inglês! Ela fala espanhol!). Comprei algumas camisas no melhor estilo “fui em Beijing e lembrei de você”, uma bermuda e depois seguimos para o mais complicado: “comprar cuecas”. Porque? Ah, parceiro, se já é constrangedor você chegar em um camelô e falar “desce um par de cuecas ai”, imagina ter que chegar em um camelô e, por mímicas, querer dizer “estou procurando cuecas”. Parceiro, não teve outro jeito, tirei o cinto da calça, virei de lado, puxei de dentro da calça o “lado” da cueca que eu tava usando (tentando não deixar escapar as teias de aranha e morcegos porque já eram rodados quase 47 horas de uso da mesma cueca) e o cidadão entendeu. Mas, veja bem, eu tava fazendo isso de maneira discreta. A Sacha, amigo, não queria nem saber, já chegava botando o bicho na galera e alardeando para quem quisesse ouvir na feira “estou procurando cuecas para o maranhense ao lado aqui!!!”. E tome constrangimento!

Existem diversas formas de se ganhar a vida na China. Acredite, seu trabalho não é tão ruim quanto você pensa.

Tentei dizer para ela que aquela cena toda era meio constrangedora, uma menina intermediando com seu parco chinês uma compra de cuecas pra mim, mas ela só ficou mais discreta mesmo quando uma vendedora disse que tinha cuecas bem baratas para o seu marido!! Sim, porque se você vê dois gringos de idade semelhante caminhando numa feira e a mulher pedindo cuecas para o homem, você na hora vai deduzir o que?  Se bem que, ela devia era ter achado o máximo! Não é todo mundo que pode se dar ao luxo de ser casada com um maranhense com 1,60m de pura emoção. Compramos alguns poucos pares, pois, me havia sido prometido que no outro dia pela manhã, eu receberia minha mochila de volta. Comprei mais cuecas mesmo pq o preço tava barato e eu tava precisando de cuecas de qualquer forma. Outra parada bem engraçada é que, muita gente diz que é lenda, mas cara, aquilo sobre os asiáticos é verdade, viu? Não, eu não fui trocar de cueca com o vendedor no banheiro, mas acontece que eu tive que pegar a cueca XXXXXL para ficar um pouco apertada, mas confortável.

Jantar oferecido em um restaurante norte-coreano em Pequim. Como tudo dos norte-coreanos, o restaurante era bem luxuoso

PORQUE TODO MUNDO TEM O SEU DIA DE GRINGO SOLTA FRANGA

No outro dia, como era de se esperar, minha mochila não chegou. Lá fui eu ter que ir comprar mais roupas (principalmente cuecas) só que dessa vez sozinho, pois a Sacha tinha que trabalhar. Após me encontrar com o pessoal da agência de turismo da Coréia do Norte em um restaurante de Pequim e pagar o meu pacote, segui para o mesmo shopping que havia ido com Sacha no dia anterior para comprar as cuecas. Só que, ferrou, tava fechado! O lugar fechava as sete. E aí, parceiro? Se lá que a galera falava pouco inglês já era difícil, imagina como seria nos outros lugares que NINGUÉM fala inglês. Vamos dar um jeito. Camisas eu ate podia pedir emprestadas para a galera do meu couch, mas cueca já é um pouco demais. Fui andando pela rua a procura de algo ou algum lugar que pudesse parecer vender cuecas e nada. Parei em frente a um sex shop e pensei “será se sex shop vende cueca?”, mas depois desisti da ideia de chegar na Coréia do Norte (cujo voo era no outro dia pela manhã) com cuecão de couro (uuhuuuooo!!) ou cuecas de super-homem, águias, elefantes (imagine como seria a tromba), Homem-Aranha, angry birds ou coisas assim. Depois de um tempo, entrei em um supermercado e qual não é a minha surpresa ao descobrir que nos fundos havia uma lojinha de roupas.

Cheguei lá e só vi calcinha para vender (não, amigão, eu não comprei calcinha. Se eu cogitei comprar? Se eu tivesse, cê acha que eu falaria?). Fiquei procurando cueca e nada de achar. Quando fui procurar um vendedor, problema! Só tinha vendedora mulher! Qual problema? Pombas, eu não poderia usar minha estratégia de virar de lado e puxar minha cueca dizendo que eu precisava de aquilo porque, bem, porque ela era mulher, cara! Vai que ela entende que eu tou assediando ela sexualmente (E ai, gatinha? Quer terminar de tirar isso aqui lá em casa?). Sei lá, ninguém falava inglês. Dai, no desespero, não deu outra, apela pra mimica. Nada dela entender. Mais desespero. Tento desenhar uma cueca no papel, nada dela entender. Mais desespero. Resolvi apelar. Comecei a apontar para a calcinha e depois para mim, batendo no peito tentando explicar “quero um desses, só que para homem!”. Na hora eu vi que a cara que ela fez foi “pronto, mais um gringo querendo comprar calcinha! Mais um que vem para Ásia para soltar a franga!” e me entregou uma calcinha!!!! Falei que não era aquilo!! Ela ficou me olhando com uma cara meio estranha e depois fez que entendeu. “Ufa”, pensei. Parceiro, a mulher não me vem lá de dentro e me traz um sutiã? Aí eu realmente tive certeza que ela achava que eu torcia pro São Paulo. Na hora eu fiquei meio sem saber o que falar (pô cara, a mulher achou que eu fui lá para comprar sutiã!!!), mas depois comecei a apontar para a minha bacia!! Ate que, enfim, uma velha que tava lá atrás do balcão entendeu e me trouxe umas cuecas XXXXXL acabando por vez com minha agonia.

United, você me apronta cada uma.

Pior que no final não adiantou de nada. Assim que eu cheguei em casa, Sacha recebe uma ligação. Pela reação dela parecia ser algo bom. Descemos e NA MINHA ULTIMA NOITE EM PEQUIM ANTES DA CORÉIA, me para uma Kombi e me desce um GORDO suado com a minha mochilinha, inteirinha, viva, sã e salva e, o melhor, com todas as minhas cuecas dentro!

Isso, vai lá, mostra pro tio como é que se faz uma pose para foto.
Olha como era simples achar o restaurante que eles haviam indicado, havia só CAMINHÕES em frente da entrada
Centro de Pequim
Pragmatismo, é isso que eu admiro nos chineses. Para que comprar um carrinho de bebê se você já tem uma mala com rodinhas?
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Em Damasco, Síria – Servicio del Taxi

Depois de tudo que eu narrei, parecia que tudo ficaria mais fácil depois que eu chegasse em Damasco, certo? Bem, é lógico que não, amigo! Tudo só tinha a piorar. O turco que havia me ajudado a atravessar a fronteira acabou ficando numa cidade antes de Damasco e eu fiquei sozinho. Só eu e Deus (ou só eu e Alá, se preferir) pra poder chegar no couch que eu iria ficar. Logo na hora que eu desci do ônibus, eu comecei a pensar: se numa cidade como Brasília já é difícil achar alguém que fale inglês, como será na capital de um país completamente hostil aos EUA? Pois é, amigo, LOGICAMENTE ninguém falava inglês pelas ruas de Damasco.

Trânsito caótico em Damasco

Desci na estação de ônibus e comecei a matutar como DIABOS eu faria pra poder chegar no bairro que o cara havia me falado que era pra eu ir. Eu tinha o nome do bairro anotado em um pedaço de papel, mas já no primeiro taxista eu vi que até isso seria um problema. Ele não conseguia ler o que havia escrito, afinal, é sempre bom lembrar que o alfabeto árabe é diferente do nosso. Só depois de muito tempo e de várias vezes eu ler em voz alta pra ele, ele conseguiu entender pra onde eu queria ir. Pedi pra ele me levar pra um albergue, mas mais uma vez ele não entendeu e eu acabei desistindo de falar com ele.

Depois de alguns minutos em que eu tentava desesperadamente alguém que pudesse me levar ao menos para um albergue qualquer na cidade (em albergues as pessoas SEMPRE falam inglês), tive contato pela primeira vez com um dos meus mais sérios problemas que eu pude enfrentar por TODOS os países árabes que pude visitar. Na Síria então… Imagina… O país faz parte do eixo do mal e, dia após dia, recebemos notícias da Síria relacionados a terrorismo. Tudo só podia piorar. Enquanto estava tentando falar com os taxistas um soldado (sim um SOLDADO, com roupa camuflada e tudo, não um policial) fortemente armado e com um fuzil começou a vir na minha direção e começou a gritar e chamar a minha atenção. Pronto, era só o que me faltava! Além de NINGUÉM conseguir falar comigo, eu não ter a mínima ideia de como chegaria na casa onde eu devia ir, só faltava essa. Só faltava eu ser preso apenas pelo fato de estar andando pela rua sem fazer nada. Essas coisas só acontecem em países assim mesmo.

E QUANDO VOCÊ ACHA QUE NADA PODE PIORAR…

Se bem que, se eu fosse preso, até resolvia meu problema. Preso eu não teria que me preocupar com casa e comida. A Síria gentilmente me hospedaria.

Como estava sem escolha e, como já havia dito em um post passado, o homem com o maior rifle sempre tem a razão, fui à sua direção pra ver de qual era. Quando cheguei pra falar com ele, logicamente, ele não falava inglês. Depois de algumas mímicas minhas e dele e de eu apontar para o papel que havia escrito o nome, ele percebeu que eu precisava de ajuda. Pediu que eu o acompanhasse e me levou pra algo parecido com um posto policial (mas com soldados dentro dele) onde vários outros estavam dentro. Depois de algum tempo falando em árabe com a soldadesca um dos soldados meio que falou pra ele que sabia falar um pouco de inglês e começou a falar comigo. Bem, “falar” é uma maneira boa de dizer, o soldado que veio falar comigo sabia falar “my name is… I’m from Syria… hot dog… Michael Jackson” e coisas assim. Ainda assim era melhor que um outro lá que, quando eu falei que era do Brasil, ele tentou falar em espanhol comigo. Mas o mais engraçado é que o cara só sabia falar “servicio del taxi” e ficava repetindo isso toda hora. Cara, tava engraçado a parada lá. Um virava pra mim e fica falando: “Hot Dog, Manchester United, George Bush, I’m from Syria…” enquanto eu virava para o outro e ele ficava repetindo: “Servicio del Taxi”… “Servicio del Taxi” sem parar. Pensei: “Pô pelo menos o sistema educacional aqui ensina melhor inglês do que espanhol, pelo menos o que sabe falar alguma coisa em inglês sabe falar algo mais do que “Taxi Service”. Isso me lembrou um post dos EUA…

E eu fiquei naquela situação que se eu pudesse filmar, renderia MUITAS risadas no Youtube. Sério, até hoje quando eu lembro do cara repetindo “Servicio del Taxi” que nem uma vitrola quebrada, eu fico rindo sozinho.

Enfim, depois de um tempo um dos caras do posto do Exército teve uma ideia que salvou o dia. Ele perguntou se eu tinha o telefone do meu amigo. Eu falei que tinha em algum lugar na bolsa e fui lá e achei. O senhor “Hot Dog” me levou a uma lojinha onde um cara alugava o celular dele para chamadas. Ele meio que desenhou no papel e eu pude compreender que um minuto custava algo como um dólar. Do jeito que eu tava desesperado eu pagava era DEZ! Ele ligou pro cara que ia me oferecer o couch e enfim pude ouvir a voz do Matt. Salvou minha vida. Expliquei pra ele a dificuldade que estava tendo e ele me pediu que eu passasse o telefone ao soldado que ele iria explicar o que eu estava precisando. Eles conversaram em árabe por um instante e depois de um tempo o árabe passou o telefone pra mim. O Matt falou que o soldado havia pedido para que o Math pedisse desculpa a mim por ele, pois parecia que eu havia ficado assustado quando fui abordado pelo primeiro soldado (ah, sim, claro, até porque no Brasil a coisa mais comum de acontecer é você estar andando na rua e, de repente, aparece um cara com roupa camuflada e começa a gritar em sua direção. Eu sou muito idiota de me assustar mesmo…). Ele explicou que o soldado tinha me chamado apenas porque queria me ajudar, pois é o que eles sempre fazem quando aparece um gringo perdido na rodoviária. O Matt me explicou também que o soldado ia me colocar em um táxi, ia explicar pro taxista onde eu estava indo, que eu deveria pagar tanto (eu realmente não lembro quanto paguei) e caso o taxista tentasse me cobrar o dobro do preço pela corrida (gente, eu falei, taxista é filha da puta em qualquer país) era só eu voltar lá no posto policial que a casa ia cair pro lado do taxista. E real? Eu tenho tanta raiva de taxista que eu seria capaz de pagar um outro táxi, ida e volta da casa do Matt, só pra ver o soldado dando uma bolachas na cara do taxista se ele me roubasse. Nossa, acho que não tem nada mais relaxante do que ver uma cena dessa. Se ele me deixasse dar umas no taxista então…

Tecla PAUSE

E sim, esse foi um dos principais “problemas” que eu pude ter em todas as minhas viagens pelos países árabes. Como os caras são solidários com as pessoas que estão no meio da rua sob dificuldade. Esse foi só o primeiro exemplo e muitos outros virão como vocês poderão ver. Acho que os caras são tão esculachados na mídia internacional que eles se esforçam ao máximo pra que tenhamos uma boa impressão deles quando formos embora.

Tudo isso que eu tou falando, claro, não estão inclusos os taxistas pois, como falei várias vezes, não há raça mais FILHA DA PUTA que taxistas. Isso em QUALQUER lugar do mundo. E olha que eu tenho moral pra falar disso…

Tecla PLAY

DISCUSSÃO DO SOLDADO COM O TAXISTA. SIM, ERA O BEM CONTRA O MAL!

Eu e o soldado fomos na direção de um taxista e o soldado começou a explicar pra onde eu tava indo. Depois de um tempo pude perceber que o soldado começou a falar de uma maneira mais ríspida com ele e que ele tava botando o bicho pra cima do cara. Deu pra perceber que ele falava algo do tipo: “Se tu tentar tapear esse aí, a casa vai cair…”

Foto das ruas de Damasco. Repare na foto do galazão no alto do edifício

O taxista se viu meio aperriado e eu vi que ficou meio preocupado com com o soldado falando com ele, mas resolveu me levar, afinal, o homem do rifle sempre tem razão. No caminho me deixou em casa de boa e eu, meio que com pena dele, ainda dei uma gorjeta por ele não ter me roubado. Tá, eu sei que ele não me roubou por causa do soldado, mas enfim, eu prefiro acreditar que ele era honesto.

COUCH (HOSPEDAGEM) EM DAMASCO

Quem me hospedou em Damasco foi o Matt, um cara muito gente boa. Ele é inglês e estava vivendo na cidade para poder aprender árabe, idioma que falava muito bem. Eu, claro, cheguei acabado na casa dele. Pô, não havia dormido em Antália (saí direto da balada pra rodoviária), não consegui dormir no ônibus apesar do trajeto de 15 horas, dormi por algumas poucas horas num banco de metal na rodoviária e depois peguei mais 10 horas de viagem até Damasco. Ele, claro, foi bem compreensivo quando falei isso:

– Pô, cara, foi uma batalha pra chegar aqui, né? – Matt me perguntou.
– Rapaz, foi…
– Ah, mas tá de boa, eu tenho algo que você vai gostar…
– Uma cama bem confortável?
– Não, claro que não, descansar você descansa quando chegar no Brasil. Vamos, eu tou indo pra uma aula de capoeira agora e você VAI comigo.

Matt com algumas crianças no centro de Damasco

CAPOEIRA EM DAMASCO – TREINANDO NO RAMADÃ

Bem, ele não estava perguntando se eu queria ir com ele não. Ele estava AFIRMANDO que eu iria com ele. Depois de toda essa epopéia tudo o que eu mais queria era ter que ficar pulando de um lado pro outro e levando umas bolachas numa aula de capoeira.

Mas não teve negociação. O cara REALMENTE me pegou e me fez ir com ele pra essa aula de capoeira.

No final até que foi interessante. Pô, cara, imagina a experiência de jogar capoeira num país como a Síria? Muito da hora!!!

Cara, foi muito louco!! Pra começar havia uma bandeirona imensa do Brasil na porta da academia. Lá dentro mais uma bandeira brasileira com uma da Síria do lado. O professor e vários dos alunos deles falavam português fluentemente. O professor me contou que havia morado na Bahia e que lá havia se graduado. Apesar de estarmos em um país completamente distante do Brasil, as cantigas que todo mundo cantava eram todas em português e o nome dos golpes também. Era engraçado ver os árabes tentando cantar em português.

Quando eu cheguei e eles souberam que eu era brasileiro… Ixi, mas foi aquela festa. Pediram pra eu traduzir algumas das cantigas, ensiná-los a cantar e coisas assim. CLARO que depois de algumas conversas eles quiseram que eu jogasse capoeira e alguns até me desafiaram. Cara, só uma observação aqui. Viajar no exterior sendo brasileiro é legal, mas também tem seus ônus. Pombas, cara! Às vezes tem gente que acha que por sermos brasileiros, viemos com o pacote completo. Não raro o cara fala: “Ah é brasileiro? Sabe dançar samba então? E capoeira? E futebol? E Percussão? E salsa…” e por aí vai. Eu infelizmente só tenho programado a função “samba”, “futebol” e “salsa” (isso pq eu aprendi salsa enquanto viajava)… Pois é, ainda me meti a besta e aceitei um desafio. Depois de levar duas rasteiras, as pessoas constataram o óbvio: Eu realmente não manjava NADA de capoeira. Não me restou outro opção a não ser ir pra ala dos iniciantes e passar vergonha durante o resto do treino.

No meio do treino eu ainda saí pra tomar um gole d’água, mas fui recriminado por todos que estavam no salão. Depois o professor foi me explicar, em português, que eles estavam no Ramadã e nenhuma daquelas pessoas ali dentro podia colocar qualquer coisa dentro do corpo entre o nascer e o pôr-do-sol. Água inclusive. Na hora lembrei da Turquia e como as coisas lá são um pouquinho diferentes…

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Brazilian Day

Em um domingo qualquer dos vários que passei em Vasórvia foi marcado um encontro do Couchsurfing numa das suas ruas principais. Chequei no grupo e qual não foi minha surpresa ao perceber que a tal festa de rua, seria uma “festa brasileira”. Claramente me empolguei pacas e caí para o agito.

Galera do Couchsurfing a caminho da festa

A festa realmente era bem produzida e interessante. Uma grande manifestação da cultura brasileira em plena Europa Oriental. Como não sou bobo, coloquei meu agasalho do Brasil e parti para o abraço. Ao chegar fui logo tomado pela surpresa de ver um roda de capoeira rolando no meio da praça principal. Ainda pensei em me meter no meio e chamar um dos polacos pra porrada, mas vi que os caras mandavam muito bem e eu corria o risco de sair de lá seriamente ridicularizado, já que minhas habilidades em capoeira são parcas.

Zum Zum Zum, capoeira mata um

Além de oficinas de capoeira ainda ocorriam oficinas de percussão, onde a polacada mandava ver no bumbo.

Além de todas essas atrações, havia as principais que eram, claro, as polacas vestidas com fantasias semelhantes às que vemos nos desfiles de escola de samba dançando do Rio de Janeiro, com tais fotos já ilustrando outro post que escrevi sobre o meu primeiro dia na Polônia.

Não gente, apesar de eu ter certeza que é fácil vocês confundirem, ela não é baiana não!! Ela é da Polônia!! Só tá fantasiada de baiana!! Se eu não falasse vocês nem iam perceber, né?

CONHECENDO A MINHA FUTURA COMPANHEIRA DE CARONAS – GOSIA

Eu na verdade nem iria escrever sobre essa festa nas ruas de Vasórvia, apenas estou escrevendo devido a um fato deveras engraçado e interessante que ocorreu comigo enquanto estava nesta festa.

Eu e Ewa, uma grande amiga que conheci em Vasórvia

Assim que cheguei, fui me apresentando pra galera do couchsurfing que estava por lá. Galera gente boa demais e fui logo ficando amigo de geral. De repente, uma loirinha angelical sentou do meu lado e veio conversar comigo:

Brasileirada que conheci em Vasórvia. O cara que estava sentado atrás de mim e não saiu direito é de Fernando de Noronha!! ACREDITA?? Alguém aí já conheceu um noronhense na vida, brother? Pois eu fui conhecer um em Vasórvia, tem lógica?

 – Oi, seu nome é Claudio, né? Você é aquele brasileiro que fica agitando na comunidade de Vasórvia no Couchsurfing chamando a galera pra sair, né?

– Uai, sou eu sim! Posso saber seu nome?

– Meu nome é Gosia!

Gosia

– Massa, Gosia, prazer!

– Então, Claudio, o que é que você tá pensando em fazer amanhã? Segunda-feira?

– Gosia, eu tou pensando em ir ao museu do “Levante de Vasórvia”, o museu acerca daquela luta que Vasórvia teve contra os alemães durante a ocupação nazista na Polônia. A galera falou que é um museu muito completo, com várias informações, vídeos, fotos, ilustrações, peças etc. Como escrevo um blog, por cada país que passo eu sempre procuro escrever sobre a história do mesmo, entender um pouco sobre sua cultura e algo assim. Os museus geralmente são grandes aliados em relação a isso… blá blá blá…

– Ah tá…

– Por quê?

– Vamos viajar de carona amanhã?

– Er… Carona?? Como assim?? Pra onde, menina??

– Ah, sei lá! Pra qualquer lugar…

– Ãhn?? Como assim? Como você pretender fazer isso?

– Bem… A gente faz desse jeito… Amanhã de manhã nos encontramos na estação principal de trem daqui de Vasórvia e pegamos um metrô até a última estação. Chegando à tal estação andamos até a rodovia que leva à saída da cidade e começamos a pedir carona. O primeiro carro que parar e perguntar pra onde estamos indo nós diremos “qualquer lugar” e nem perguntaremos onde eles estão indo. Depois de mais ou menos duas horas viajando com eles, descemos na próxima cidade e assim vamos indo até chegarmos em outro país. Dormimos por lá e voltamos no outro dia. Topas? Ou tu vais pro museu mesmo???

– Mu… o que menina??? Que museu o que!! Museu de … é …!! Dane-se o museu!!! Vamo pra pista!!!

“…ele tá de olho é na butique dela… ele tá de olho é na butique dela…”
“… ela tá dançando e o pimpolho tá de olho… cuidado com a cabeça do pimpolho…”

Cara, tem cabimento isso? Imagina a situação!! Tou eu lá, sentando, conversando e, DO NADA, aparece uma polaquinha parecendo um anjinho, loira dos cabelos encaracolados e de olhos azuis, me chamando pra pegar a estrada depois de me conhecer por uns dez minutos!! Desculpa, eu não sei vocês, mas no Maranhão a gente não é treinado pra suportar uma tentação dessas não, amigo!

AAAAAHHHHHH

Isso é Couchsurfing, cara! Deus o livre!!

Eu, Gosia e Magda na Street Party

– E também teve aquele dia que eu peguei um lambari desse tamanho quando pescava no Rio Mearim lá no Maranhão!! – eu querendo impressionar algumas meninas…

VAMOS FUGIR DESTE LUGAR, BABY. VAMOS FUGIR. ESTOU CANSADO DE ESPERAR QUE VOCÊ ME CARREGUE

No outro dia de manhã, nos encontramos na estação de trem como havíamos combinado. Quando chegamos à estação de trem ela se espantou com o tamanho da minha mala pra uma viagem de apenas um dia. De molecagem veio e até me perguntou se eu tinha era um secador de cabelos dentro da mala. Falei que não e expliquei para ela o porquê:

– Aí, você acha que só você que pode ser louca nessa história? Pois eu também tenho a minha parte de loucura nessa parada!! Vocês acham que polaco são malandro, mas maranhenses são muito mais!! Olha só o Sarney, já foi até presidente da república! Na universidade que você tá aprendendo eu já sou reitor! É o seguinte, como não sabíamos onde iremos dormir eu resolvi dar o meu par de prosa nessa loucura… Peguei a barraca que eu trago comigo quando viajo, dois colchonetes que havia lá em casa e trouxe. Agora é só no caminho a gente procurar um camping e dormir na cidade que ficarmos.

– Camping o que, rapaz! Eu tenho uma ideia melhor!! A gente vai viajando, para em uma cidade e quando começar a escurecer a gente compra umas cervejas. Colocamos na mochila e caminhamos até sair da cidade. Assim que sairmos da cidade, caminhamos um pouco pela rodovia e assim que encontrarmos um lugar tranqüilo, pulamos dentro do mato e acampamos lá dentro. Ninguém vai nos achar!

– Mas isso é permitido?

– A gente vai descobrir quando chegar lá…

Rapaz, a mulher era doida de pedra mesmo!

Descemos do trem e ficamos com os dedos em riste pedindo carona. Depois de mais ou menos uns trinta minutos sem conseguir carona, tentamos uma maneira de chamar mais a atenção. Não, a polonesa não fez topless, brother! Nem eu fiquei de cueca! Ela pegou o celular dela, botou pra tocar um samba e eu comecei a mandar a sambar no meio da rua! Ah, meu amigo! Mas foi dez minutos, parou um carro e perguntou que diabos estávamos fazendo. Falamos que estávamos precisando de carona e eles perguntaram pra onde:

– Pra qualquer lugar – dissemos a ele no melhor estilo “Vamos fugir deste lugar baby. Vamos fugir estou cansado de esperar que você me carregue…”

Alguém indo pra São Luís, por favor? Se não for pra lá, serve qualquer outro lugar!

Os caras falaram de boa e nos enfiamos dentro do carro em direção a um lugar onde nenhum maranhense jamais esteve…

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