CAPOEIRA EM CHISINAU, CAPITAL DA MOLDÁVIA

Na Moldávia eu já sabia que existia capoeira. No relato que fiz sobre a Romênia, eu já citava que o instrutor Minhoca (clique aqui para conferir a história) já havia me falado que tinha parceria com uma escola de lá. Então foi fácil, entrei em contato com o Minhoca que me passou o link do professor Serginho, moldavo que ministrava aulas de capoeira em Chisinau.

Quando encontrei com Serginho, comecei a ouvir a história dele. Serginho, durante muito tempo treinou ginástica olímpica e outras artes marciais também. Porém, ele nunca se achou em nenhuma arte marcial em específico sempre mudando e tentando outras. Até que um dia,  assim como Igor da Ucrânia (confira na história aqui), conheceu a capoeira por meio do filme “Only the Strong” (que foi traduzido para Esporte Sangrento em português) e se apaixonou pela arte. Também ficou que nem um doido procurando alguém que também desse aulas de capoeira até que conheceu o Mikail, moldavo que havia morado em Moscou e conhecido a capoeira por lá. Como ele estava em ótima forma física e já tinha formação em ginástica olímpica, acabou que pegou bem rápido as acrobacias e principais golpes de capoeira e depois de seis meses já estava craque. Continuar lendo “CAPOEIRA EM CHISINAU, CAPITAL DA MOLDÁVIA”

CAPOEIRA PELO MUNDO, CAPOEIRA NA UCRÂNIA

Dando continuidade ao trabalho de conversar com instrutores de capoeira pelos países os quais vou passando, entrei em contato com o Igor, um instrutor de capoeira de Kiev. Nos encontramos em um restaurante e fomos batendo nosso papo.

Igor trabalha como pesquisador e tem como área de formação a mesma da minha, ele também é formado em Relações Internacionais. Teve conhecimento da capoeira, veja você, por meio do filme “Only the Strong” que no Brasil foi traduzido para “Esporte Sangrento”, o primeiro filme Hollywoodiano sobre capoeira. Apesar do filme ter sido um fracasso de bilheteria, ele encantou o Igor que ficou doido para praticar aquela arte marcial. Porém, estamos falando de antes do ano 2000 e do advento do Google. Como ele poderia fazer para poder descobrir onde fazer uma arte marcial brasileira no meio da Ucrânia, sem internet para pesquisar¿ Ficou como um louco procurando sem nunca esquecer da capoeira até que por volta dos anos 2000 conheceu um professor que dava aulas e começou a praticar.

Esse professor tem uma história interessante também. Ele era instrutor de Hapkidô pelos idos dos anos 97 e 98 e inicialmente começou a dar aula de Capoeira pros alunos dele mais na brincadeira, nos últimos 15 minutos da aula. Depois de um tempo, ele começou a dar aula de capoeira duas vezes por semana e Hapkidô duas vezes por semana, até que depois de um tempo começou a dar aula só de capoeira. Continuar lendo “CAPOEIRA PELO MUNDO, CAPOEIRA NA UCRÂNIA”

CAPOEIRA EM MINSK, BELARUS

Um dos países os quais eu estava mais curioso e com vontade de conhecer algum instrutor de capoeira era a Bielorússia. Entre outros motivos, o fato do país ser um país fechado onde há menos de uma década atrás nem existia embaixada brasileira.

Marquei de encontrar com a Mila, batizada como instrutora Gata, no local onde ela iria dar a sua aula. De início já me chamou a atenção pelo fato de ser estrangeira (até aí tudo bem, o instrutor do Irã também era, confira sua história clicando aqui), mas principalmente pelo fato dela ser uma instrutorA. Todos os instrutores, mestres, de capoeira os quais eu conheci no Brasil (e até o momento viajando e conversando com capoeiristas pelo mundo) eram todos homens. Mila, seria a primeira mulher. Continuar lendo “CAPOEIRA EM MINSK, BELARUS”

CAPOEIRA NA REPÚBLICA DOMINICANA

Continuando com o projeto que venho desenvolvendo de escrever sobre capoeira nos países o qual venho viajando, cheguei à República Dominicana e comecei a procurar contato de uma escola de capoeira. Entrei em contato com um professor de Capoeira chamado Kazan e qual não foi a minha surpresa ao descobrir que ele era do Alemar, mesma escola de Capoeira do Minhoca, professor que encontrei na Romênia e cujo bate papo eu publiquei aqui.

O encontrei pelo link da escola dele no Facebook, o Alemar Capoeira RD.

Marcamos de nos encontrar em uma praça de Santo Domingo e comecei a ouvir a história do Kazan em um bate papo que foi muito legal. 

Ele é de Goiânia e me contou que se mudou para República Dominicana há quase 14 anos atrás acompanhando uma tia que era diplomata e que para ele era quase como uma mãe. Até ali, ele já tinha 16 anos de capoeira pois havia começado a treinar porque tinha uma pequena alteração física nas pernas que a prática de atividade física ajudava a mitigar. Quando perguntei se ele era mestre de capoeira, ele me explicou que era professor e que não era como grande parte dos capoeiristas que saem do Brasil e viram “mestres de avião”. O cara é um professor no Brasil, mas quando está no avião indo em direção a Europa se torna mestre por si só já que no exterior ninguém tem como checar a história pregressa dele. Isso acaba por se tornar um problema para imagem da Capoeira fora do Brasil, afinal, um Zé Mané qualquer se intitula Mestre e compromete um trabalho que é sério. Minhoca, na Romênia, já tinha me contado isso também. 

Continuar lendo “CAPOEIRA NA REPÚBLICA DOMINICANA”

Capoeira pelo mundo. Capoeira na Romênia

Continuando o trabalho de documentação dos capoeiras espalhados pelo mundo, entrei em contato com um capoeira que dava aulas em Bucareste. Ele se chamava Minhoca e marcamos um horário na academia dele.

Chequei lá e comecei a ouvir a sua história. Como grande parte dos primeiros capoeiristas que, durante a década de 70, chegaram à  Europa, ele também chegou: por meio de companhias de acrobratas que contratavam capoieras para fazer shows devido ao exotismo daquela arte marcial tão singular, que mistura floreios, dança, ritmo e música. Diz ele que um dia estava jogando em Goiás Velho, cidade do interior e que já foi capital de Goiás (quem nunca visitou, vá, lá é bonito demais), quando alguns caras de uma dessas companhias viram ele jogando e fizeram uma proposta a ele de seguir para a Bulgária.

No começo da história do Minhoca já há algumas particularidades. Primeiro que os caras costumavam contratar os capoeiras de cidades grandes, haja vista que é mais fácil ter acesso aos grupos e também às cidades e segundo que eles preferiam os capoeiras de aspecto bem negro, devido ao exotismo. Minhoca é branco, mas ainda assim resolveram o contratar devido ao seu forte carisma, que encantou os caras. Ele me disse que teve sorte, que os caras faziam audiências com capoeiras do Brasil inteiros e pouco passavam, mas ele foi escolhido no dedo, pois o bicho também já tinha sua competência, tinha 17 anos de capoeira. Em pouco tempo Minhoca tava no meio da Bulgária.

Chegou lá sem saber falar uma palavra de inglês, russo, búlgaro, língua do P ou qualquer coisa que não português. Porém, já tinha na cabeça que não queria mais voltar ao Brasil e começou a estudar forte o inglês, que pegou bem rápido. Também ficou craque em show com fogos.

Depois de um tempo, o contrato dele começou a ser finalizado e um investidor romeno ofereceu uma proposta para ele. Juntar o talento do Minhoca com os recursos financeiros do cara para assim abrirem uma academia de Capoeira em Bucareste. Como Minhoca não tinha muito a perder, levou berimbau e cuia para Bucareste. Chegou lá, o cara simplesmente sumiu. Tomou um cano. Por meio de amizades que havia feito, conseguiu alugar um apartamento e começou a dar aula em uma academia de Bucareste.

Como eu parece ser uma constante nas histórias dos Capoeiras que conheci viajando, o começo foi difícil, tratado a pão com ovo, literalmente. Porém, depois de um tempo, ele conseguiu enfim abrir a sua academia. E, sei lá, começar a comer pão com carne. Também teve a sorte de conhecer um produtor de uma cantora super famosa na Romênia, que o convidou para participar de um videoclipe dela. Depois de aparecer no videoclipe ele explodiu. Hoje o trabalho do Minhoca está disseminado por academias em quatro lugares da Europa: Bucareste, Treviso (Itália) e duas cidades da Moldávia. Ele conta com quase 200 alunos. Trabalha forte disseminando a cultura brasileira e a nossa língua, já que seus alunos de mais tempo tem aulas em português, o que acabam por começar a falar português também.

Conversando com o Minhoca eu via a paixão em tudo que ele falava e descrevia sobre o trabalho dele “Claudiomar, você tá aqui dentro do meu sonho”, ele me falava apontando para a Academia dele. Como bom Capoeira, Minhoca trabalha com a disseminação da cultura e da lingua e tem ideia de fazer um centro cultural brasileiro em sua academia. Tem uns projetos sociais também de Capoeira com crianças ciganas visando a auto-afirmação delas, que sofrem bastante preconceito na Romênia.

Histórias da Capoeira. Histórias do Brasil.

P.s: Abaixo, fotos aleatórias da Romênia

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A caminho da academia de capoeira do professor Minhoca

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Se liga no que eu achei na geladeira do albergue

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Isso sim é uma refeição balanceada
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Capoeira pelo mundo. Capoeira no Chipre

Pela internet acabei entrando em contato com um grupo de capoeira do Chipre. Chamava-se Apeiara. Ia fazer algo parecido com o que fiz no Irã (para mais detalhes, clique aquiIa fazer algo parecido com o que fiz no Irã (para mais detalhes, clique aqui), catalogar e escrever sobre mais um grupo de capoeira brasileiro perdido em um país estrangeiro. Como não sabia direito como funcionava o transporte público em Nicósia, acabou que andei quase uma hora a noite para poder chegar ao lugar.

Marcamos de nos encontrar na academia do instrutor e deu até um certo trabalho para chegar lá. Quando enfim cheguei, levei um bolo. Cheguei no meio de uma aula e fui recebido pelos alunos que me disseram que o instrutor não estava lá, que teve um pequeno problema e não pôde participar. Detalhe que eu tinha confirmado algumas horas antes com o instrutor e ele disse que tava tudo bem de eu ir lá. Se houve problema mesmo, não sei, porque até hoje ele não me disse nada, não me falou o que ocorreu.

Bem, uma pena, era uma oportunidade dele divulgar o trabalho dele. De qualquer forma bati uma foto da frente da academia ao menos para servir de registro que no Chipre também tem Capoeira apesar dele ter furado comigo de forma tão deselegante e não profissional.

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Nicósia a noite. Caminho que peguei para poder chegar à Academia
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Frente da Academia
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Capoeira pelo mundo – Capoeira no Irã

Bem, pensei, já viajo para caramba, por que não aproveitar e começar a reunir dados sobre como está a capoeira no mundo? Sempre ouvi gente falando que a capoeira está em 140, 150, 160 países diferentes, mas nunca um trabalho de ir lá e visitar os grupo de capoeira fora do Brasil! Daí pensei, bem, vou começar a fazer isso. Já havia praticado capoeira na Síria e na China (clique aqui e aqui para ler as histórias), presenciado galera jogando na Polônia e em Cuba (clique aqui e aqui). Porém, o Irã foi o primeiro lugar onde realmente parei para entrevistar um instrutor de capoeira!

Comecei a fuçar pela internet e vi que havia um grupo de capoeira chamado “Me Leva” que parecia ter alguma coisa de capoeira por lá. Entrei em contato com os caras e eles me passaram o contato do instrutor de lá, o Pouya, que marcou um horário comigo. Ele me passou o endereço e fui lá encontrá-lo.

Quando desci da estação de metrô, fiquei quase uma hora e meia andando de um lado para o outro tentando achar o lugar. Cara, não tinha jeito! Era quase impossível achar. O povo na rua não falava inglês e, depois de muito tentar, um vai daqui, outro vai dali, acabou que um cara na rua me pegou pelo braço, entrou em um prédio, subiu três lances de escada comigo e eu chegava no lugar. Não havia nada indicando que no lugar praticava-se capoeira. Sequer um anúncio. Sequer um cartaz. Aquilo era estranho. Acabou que deram três toques em uma porta, que mais parecia uma entrada de esconderijo, abriram só um pouco e perguntaram quem era. Quando falei que era o Claudiomar, me deixaram entrar! Lá dentro, por detrás de paredes de espuma, os capoeiras. Roupas brancas, sorriso, jogo, mandiga, aquele ambiente festivo de um lugar capoeira. Um dos rapazes, inclusive, usava uma bandana com a bandeira do Brasil. Porém, só homens.

E fui conversar com o Pouya sobre a história dele na Capoeira.

CARA, QUE HISTÓRIA

O Pouya havia sido campeão mundial de Kickboxing e era fascinado por artes marciais, tendo estudos também em Caratê e Ninjutsu. Diz que certo dia estava procurando uma arte marcial que fosse mais acrobática e se APAIXONOU pela capoeira. Aqueles saltos, aqueles chutes, aqueles floreios, aquelas acrobacias, eram tudo que ele precisava. Procurou, procurou e procurou e viu que não havia nenhum capoeira no Irã. Ele deu o jeito dele. Há dez anos, por meio de vídeos da internet e baixando ebooks, ele mesmo foi o seu professor, um capoeirista autodidata. Continuar lendo “Capoeira pelo mundo – Capoeira no Irã”

Eu sou brasileiro. De Belém? – a pergunta que escutava toda vez no Suriname

Primeira foto, no aeroporto, ao chegar de Belém

Sempre que viajo fora do eixo Europa – Estados Unidos, quando falo que sou do Brasil, a primeira coisa que as pessoas perguntam é: – “De onde? Do Rio de Janeiro?”. Quando muito as pessoas perguntam de São Paulo. Acaba que as únicas cidades que parecem conhecer do Brasil são Rio, São Paulo e, raramente, Brasília.

Redondezas onde fiquei hospedado
O pessoal do Suriname parece viver bem. Foto tirada em casa vizinha ao lugar que fiquei

No Suriname aconteceu algo engraçado! Foi o primeiro país que quando falava que era brasileiro as pessoas perguntavam: – “De Belém?”. Para o Suriname o Brasil começa em Belém! O Pará é o estado que faz fronteira com o Suriname e é onde há voo direto pra lá. Conversando com um motorista de táxi, em inglês sempre bom lembrar, ele me explicou que eu não vi muitos brasileiros porque não fui ao bairro onde eles se concentram:

– Quando você vai lá, parece uma “Little Belém” (uma pequena Belém) – ele me disse.
Esse aqui é um strip club que, segundo um motorista de táxi, era de um brasileiro e se chamava “Bigode”. Passei em frente e fiquei impressionado com a estrutura do lugar. Cara, diz aí! Essa mansão toda para um strip club? Quando passei na frente fui lá e bati uma foto. Rapaz, quando menos me espanto vem um cara correndo e gritando! Era um dos seguranças de lá que só se aquietou quando eu apaguei a foto. Acabou que na volta eu bati essa foto com uma câmera melhor que não dava para ele me ver! Qual é, rapaz, nunca perco uma foto!
Na praça principal de Paramaribo. Aos domingos rola uma capoeira aqui. Até tentei vir para jogar com a galera, mas infelizmente não consegui chegar a tempo =(
Palácio Presidencial

Belém acaba também sendo a porta de entrada dos surinameses para a América do Sul, pois, como eles mesmo me falaram, de Belém você pode pegar um voo para qualquer lugar do Brasil. De Belém para São Paulo ou Rio de Janeiro, podem ir para qualquer lugar da América do Sul. É engraçado pensar que, para nosso amigo médico do post passado, o Suriname era a sua porta de saída da América do Sul e a para os surinameses Belém era a sua porta de entrada. Quem da gente que mora na parte Sul do Brasil iria imaginar que Belém seria um hub tão importante!
Cara, isso é arte! Acredita que no Suriname passa o desenho do Chaves? E em espanhol! Caraca, quando vi que ia passar, fiquei que nem um abestado assistindo e dando risada com os filhos do meu host!
Tirei essa foto no que deveria ser um dos principais fortes de Paramaribo, construído à beira do rio, bem na porta de entrada da cidade. Serviu para proteger Paramaribo de invasores. Hoje parece mais um parque e quando fui hospedava uma galeria de gosto tão duvidoso que se você comprasse algumas peças ganhava até um banner, como na foto aí abaixo!
Essa também eu não esperava. Encontrei um busto do Simon Bolivar no meio do centro de Paramaribo. Apesar de alguns demagogos tentarem se apropriar de sua glória, manchando a sua imagem, Bolivar é um grande herói da América Latina, tendo libertado vários países da Espanha. Só achei estranho encontrar ele em um país de colonização holandesa como o Suriname. Para mim, seria mais ou menos como termos uma estátua de herói holandês no meio de uma praça de Brasília.

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Por que Cuba?

Quando me perguntavam sobre onde eu iria passar férias e eu dizia que iria para Venezuela e depois para Cuba todo mundo perguntava se eu estava me esforçando para nunca mais poder entrar nos Estados Unidos, ainda mais depois que fui para a Coréia do Norte. Porém, cara, Cuba é um aprendizado. Assim como falam muita besteira sobre a Coréia do Norte, pude testemunhar que também se fala muita besteira sobre Cuba, como vou demonstrando durante os posts.

Sim, eles também tem Brasília
Caminho do aeroporto para o albergue, primeira foto que bati em Cuba
O principal motivo da minha escolha foi o de querer viajar para os dois países antes da morte de Fidel ou de Chávez. Sabe como é, quando um deles dois morrerem não é a mesma coisa. Tive “sorte” de conseguir chegar a Venezuela uma semana de Chávez falecer e por três dias perdi o momento histórico que seria ver o enterro dele na Venezuela. Droga! Porém, por outro lado, pude presenciar um pouco da morte de Chávez estando em Cuba, que, tenho certeza, teve uma comoção maior que a da Venezuela, haja vista que a economia cubana hoje depende muito dos incentivos venezuelanos iniciados por Chávez.
Andar pelas ruas de Cuba é como andar em um museu automobilístico da década de 50. Um dos sintomas do Embargo Econômico que eles sofrem desde essa época

Esse carro saiu mais bonito que os outros
Malecón de Havana, um dos principais pontos turísticos da capital de Cuba

Malecón pela noite

Pôr do sol no Malecón

Capoeira em uma praça central de Havana
No meio da sala do nosso albergue havia  duas colunas dóricas!! Lembranças do luxuoso e rico passado cubano
Lojas da Puma e Adidas em Havana. As duas são empresas européias e não americanas, por isso podem ter lojas em Havana
Em Cuba, flanelinha é um emprego estatal

Ex Palácio Presidencial Cubano, ainda hoje com marcas de bala de um levante estudantil contra Fulgêncio
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Mochila extraviada e mercado com muita confusão

Existe sempre aquelas coisas que você nunca imagina que vão acontecer com você: pegar uma doença muito ruim, ficar pobre, torcer pro Botafogo… Umas das que estavam no meu rol de “isso nunca vai acontecer comigo” era ter uma mochila extraviada. Pô, viajo MUITO no Brasil, seja a trabalho, seja a turismo e nunca, eu disse NUNCA, tive uma mochila extraviada. Por isso, nunca fiz o que varias pessoas recomendam que é deixar artigos de higiene básica e uma muda de roupa dentro da mochila de mão para o caso de você ter uma bagagem extraviada. Por isso o moído foi grande quando eu descobri que a minha mochila não iria mesmo aparecer naquela esteira de bagagem. Falem o que quiser do Brasil, mas comigo isso nunca havia acontecido em terras brasileiras. Se tivesse acontecido isso com qualquer um no Brasil já iam começar o velho clichê: “Se aconteceu isso agora, imagina como não vai ser na Copa…”.
Centro de Pequim

Como não havia o que fazer, fui reclamar no guichê da empresa no aeroporto da China e, lógico, não havia ninguém que falasse um inglês decente para poder me explicar o que estava acontecendo. Papo de cá, mimica de lá, acabamos que nos entendemos e eles ficaram de me entregar a minha mochila no próximo dia pela manhã. Como eu havia mudado minha rota (saí direto de Washington), minha mochila tinha sido extraviada. Saí do guichê com aquela cara de “tá, eu tenho certeza que tudo vai dar certo, United Airlines! Você nunca me aprontou uma!” (NOT!!!!!) e fui para o centro de Pequim procurar o meu couch.

COUCH (HOSPEDAGEM) EM PEQUIM

Até que não foi muito difícil encontrar o lugar que eu iria ficar. Me enrolei um pouco com todas aquelas letras chinesas, mas depois de um tempo zanzando que nem uma barata tonta, me passa um gringo do meu lado (uma coisa que vocês tem que aprender quando viajam na Ásia. Deu algum tipo de problema, pede ajuda pro primeiro gringo que vir!). Pedi o celular dele emprestado, o bicho foi de boa, liguei pra minha host e marquei de me encontrar em frente a uma lojinha lá. Ela foi me buscar e tudo de boa.
Eu iria ficar num couch super irado. No lugar moravam um francês, um inglês, uma russa, uma estoniana e uma chinesa, fora os agregados que iam se jogando lá pelos sofás (quando eu cheguei, além de mim, havia um esloveno babaca). E sim, o lugar era mais bagunçado que o Campeonato Maranhense de Futebol. Assim que cheguei, Sacha, a russa, me perguntou se eu queria dormir um pouco e eu, lógico, disse que não, que era melhor ficar acordado.

Tecla PAUSE

Aqui já vai a primeira dica pra quem estiver pensando em fazer viagens pela Ásia. Se você vem direto do Brasil, NÃO DURMA assim que chegar. Se quiser se acostumar com o fuso horário, controle o seu cansaço e só durma meia noite, uma hora da manhã. Você não vai conseguir dar uma dormidinha de uma hora só para relaxar, você vai capotar, acordar três da manhã e ficar zanzando esperando o dia amanhecer. Portanto, quer vencer o Jet Lag? Durma apenas no horário que você normalmente dormiria no Brasil. Eu dormi meia noite, por exemplo, apesar de esse horário no Brasil ser onze da manhã. Não tem vezes que você volta da balada e vai dormir sete da manhã? Pois é, fique com isso na cabeça e você não vai ficar com sono. Se não for assim, é prego de caixão, vai estar um solzão no lugar, você vai estar na cabeça que no Brasil é de madrugada e lá vai uma semana perdida tentando se adaptar com Jet Lag.

Tecla PLAY

Centro de Pequim

PRECISO DE ROUPAS!!!

Na verdade, na verdade, eu precisava mesmo era ir em um mercado, pois todos meus materiais de higiene pessoal (tirando escova de dente e desodorante) estavam na minha mochilona que só Deus sabia onde estava viajando nesse momento. Não tinha nenhuma roupa tirando a do corpo (que já estava com ela por pelo menos umas quarenta horas) e, o pior, não tinha cuecas.

Descemos para uma feira em um shopping que de cara dava para ver que era bem turístico. Por quê? Nada, só porque a atendente já começou me atendendo em espanhol (não era que lá eles falavam inglês! Ela fala espanhol!). Comprei algumas camisas no melhor estilo “fui em Beijing e lembrei de você”, uma bermuda e depois seguimos para o mais complicado: “comprar cuecas”. Porque? Ah, parceiro, se já é constrangedor você chegar em um camelô e falar “desce um par de cuecas ai”, imagina ter que chegar em um camelô e, por mímicas, querer dizer “estou procurando cuecas”. Parceiro, não teve outro jeito, tirei o cinto da calça, virei de lado, puxei de dentro da calça o “lado” da cueca que eu tava usando (tentando não deixar escapar as teias de aranha e morcegos porque já eram rodados quase 47 horas de uso da mesma cueca) e o cidadão entendeu. Mas, veja bem, eu tava fazendo isso de maneira discreta. A Sacha, amigo, não queria nem saber, já chegava botando o bicho na galera e alardeando para quem quisesse ouvir na feira “estou procurando cuecas para o maranhense ao lado aqui!!!”. E tome constrangimento!

Existem diversas formas de se ganhar a vida na China. Acredite, seu trabalho não é tão ruim quanto você pensa.

Tentei dizer para ela que aquela cena toda era meio constrangedora, uma menina intermediando com seu parco chinês uma compra de cuecas pra mim, mas ela só ficou mais discreta mesmo quando uma vendedora disse que tinha cuecas bem baratas para o seu marido!! Sim, porque se você vê dois gringos de idade semelhante caminhando numa feira e a mulher pedindo cuecas para o homem, você na hora vai deduzir o que?  Se bem que, ela devia era ter achado o máximo! Não é todo mundo que pode se dar ao luxo de ser casada com um maranhense com 1,60m de pura emoção. Compramos alguns poucos pares, pois, me havia sido prometido que no outro dia pela manhã, eu receberia minha mochila de volta. Comprei mais cuecas mesmo pq o preço tava barato e eu tava precisando de cuecas de qualquer forma. Outra parada bem engraçada é que, muita gente diz que é lenda, mas cara, aquilo sobre os asiáticos é verdade, viu? Não, eu não fui trocar de cueca com o vendedor no banheiro, mas acontece que eu tive que pegar a cueca XXXXXL para ficar um pouco apertada, mas confortável.

Jantar oferecido em um restaurante norte-coreano em Pequim. Como tudo dos norte-coreanos, o restaurante era bem luxuoso

PORQUE TODO MUNDO TEM O SEU DIA DE GRINGO SOLTA FRANGA

No outro dia, como era de se esperar, minha mochila não chegou. Lá fui eu ter que ir comprar mais roupas (principalmente cuecas) só que dessa vez sozinho, pois a Sacha tinha que trabalhar. Após me encontrar com o pessoal da agência de turismo da Coréia do Norte em um restaurante de Pequim e pagar o meu pacote, segui para o mesmo shopping que havia ido com Sacha no dia anterior para comprar as cuecas. Só que, ferrou, tava fechado! O lugar fechava as sete. E aí, parceiro? Se lá que a galera falava pouco inglês já era difícil, imagina como seria nos outros lugares que NINGUÉM fala inglês. Vamos dar um jeito. Camisas eu ate podia pedir emprestadas para a galera do meu couch, mas cueca já é um pouco demais. Fui andando pela rua a procura de algo ou algum lugar que pudesse parecer vender cuecas e nada. Parei em frente a um sex shop e pensei “será se sex shop vende cueca?”, mas depois desisti da ideia de chegar na Coréia do Norte (cujo voo era no outro dia pela manhã) com cuecão de couro (uuhuuuooo!!) ou cuecas de super-homem, águias, elefantes (imagine como seria a tromba), Homem-Aranha, angry birds ou coisas assim. Depois de um tempo, entrei em um supermercado e qual não é a minha surpresa ao descobrir que nos fundos havia uma lojinha de roupas.

Cheguei lá e só vi calcinha para vender (não, amigão, eu não comprei calcinha. Se eu cogitei comprar? Se eu tivesse, cê acha que eu falaria?). Fiquei procurando cueca e nada de achar. Quando fui procurar um vendedor, problema! Só tinha vendedora mulher! Qual problema? Pombas, eu não poderia usar minha estratégia de virar de lado e puxar minha cueca dizendo que eu precisava de aquilo porque, bem, porque ela era mulher, cara! Vai que ela entende que eu tou assediando ela sexualmente (E ai, gatinha? Quer terminar de tirar isso aqui lá em casa?). Sei lá, ninguém falava inglês. Dai, no desespero, não deu outra, apela pra mimica. Nada dela entender. Mais desespero. Tento desenhar uma cueca no papel, nada dela entender. Mais desespero. Resolvi apelar. Comecei a apontar para a calcinha e depois para mim, batendo no peito tentando explicar “quero um desses, só que para homem!”. Na hora eu vi que a cara que ela fez foi “pronto, mais um gringo querendo comprar calcinha! Mais um que vem para Ásia para soltar a franga!” e me entregou uma calcinha!!!! Falei que não era aquilo!! Ela ficou me olhando com uma cara meio estranha e depois fez que entendeu. “Ufa”, pensei. Parceiro, a mulher não me vem lá de dentro e me traz um sutiã? Aí eu realmente tive certeza que ela achava que eu torcia pro São Paulo. Na hora eu fiquei meio sem saber o que falar (pô cara, a mulher achou que eu fui lá para comprar sutiã!!!), mas depois comecei a apontar para a minha bacia!! Ate que, enfim, uma velha que tava lá atrás do balcão entendeu e me trouxe umas cuecas XXXXXL acabando por vez com minha agonia.

United, você me apronta cada uma.

Pior que no final não adiantou de nada. Assim que eu cheguei em casa, Sacha recebe uma ligação. Pela reação dela parecia ser algo bom. Descemos e NA MINHA ULTIMA NOITE EM PEQUIM ANTES DA CORÉIA, me para uma Kombi e me desce um GORDO suado com a minha mochilinha, inteirinha, viva, sã e salva e, o melhor, com todas as minhas cuecas dentro!

Isso, vai lá, mostra pro tio como é que se faz uma pose para foto.
Olha como era simples achar o restaurante que eles haviam indicado, havia só CAMINHÕES em frente da entrada
Centro de Pequim
Pragmatismo, é isso que eu admiro nos chineses. Para que comprar um carrinho de bebê se você já tem uma mala com rodinhas?
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