Plano Infalível

Obs: Mais uma vez coloco fotos da República Tcheca sem nexo algum com a história, apenas para não deixar o texto corrido.
Antes de entrar na estação, eu sabia que não ia ser pego, mas, por via das dúvidas, resolvi pelo menos combinar com Gosia um plano pra funcionar na mais remota hipótese de sermos pegos. Ela, claro, continuou tirando onda do medo que eu tava tendo de ser pego, mas aceitou fazer aquilo pra poder me deixar mais tranquilo. Combinamos que seria assim: caso alguém nos pegasse, bastava nós fingirmos que não estaríamos entendendo nada pra deixar o cara achar que éramos estrangeiros e também não éramos capazes de falar inglês. Beleza, o plano tava feito. Entramos na estação e ficamos procurando nosso trem.
Mas peraí, esse plano não estava lá tão bem feito! Teríamos que ter uma língua pra fingirmos que estávamos falando entre a gente, afinal, eu e Gosia conversávamos em inglês e caso fôssemos pegos, não poderíamos conversar em inglês porque existia a remota possibilidade dos fiscais do tíquete entenderem. Enfim, Gosia falava alemão, polonês e inglês. Eu falo português e inglês. Como resolver o impasse? Bem, ela me falou que sabia falar algumas palavras em espanhol que ela tinha aprendido do tempo em que morou na Espanha. Como ela não precisávamos conversar sobre “Dom Quixote de la Mancha” caso fôssemos pegos, poucas palavras em espanhol seriam necessárias para poder disfarçar que sabíamos falar entre a gente. Bastava saber falar “o que esta aconteciendo” e cantar uma música da Shakira que eu boto fé que ela passava de espanhola, até porque cara de espanhola ela tinha (tá bom, eu tou ironizando).

Bem, agora o plano estava infalível, certo? IMPOSSÍVEL de sermos multados!! NUNCA me pegarão sem tíquete!! NUNCA SERÃO!! Nenhum sistema de transporte é páreo para a minha mente maligna!! Sou invencível!! Hua hua hua (risadas maquiavélicas)
“No entiendo, no entiendo”
Pegamos nosso trem e seguimos pra estação CENTRAL de Praga. A MAIOR da cidade para lá, enfim, podermos encontrar a nossa carona pra Alemanha, motivo de toda essa enrolada há vários posts atrás. Descemos do trem, nada de fiscais. De boa, era só sair da estação, encontrar o nosso carro e sair pro abraço. Beleza, andamos, andamos, andamos… Rapaz, a estação era GIGANTESCA!! Acabou que nos perdemos lá dentro e nada de conseguirmos sair. E vai daqui, e sai dali e nada da gente encontrar pra onde sair. Depois de algum tempo, vimos uma placa escrito “saída” apontando pra uma escada rolante. Subimos a escada rolante e o que encontramos lá? Um canguru? NÃO!! É UMA CILADA, BINO!!

Sim, mermão, FISCAIS DE TÍQUETE!! AAAAAAAAAAHHHHHHH!! Salvem-se quem puder!! Mulheres e maranhenses primeiro!!! AAHHHHH!! São muitos!! NUNCA ME PEGARÃO VIVO!!! AAAAAAAAAHHHH!

Calma, calma, ainda temos um plano, não? Caraca, bicho!! Na hora veio na minha cabeça: “Que azar da porra, maluco!! Afe maria!!”. Tentamos “dar um migué”, sair pro outro lado, mas os caras, na hora que nos viram, vieram NA FEBRE pra poder pedir o tíquete da gente. Rapaz, mas não teve jeito!! Os dois acuaram a gente no canto e começaram a falar “tíquete, tíquete”. Na hora lembrei do cara da Lituânia. Eles pareciam só saber falar aquilo. Ah, cara, hora de implementar o plano. A gente fez que não tava entendendo nada na esperança de conseguirmos nos livrar dos malas. Na hora que os figuras perceberam que não estávamos entendendo, começaram a FALAR INGLÊS com a gente. Ups, primeira parte do plano por água abaixo!! Eles falavam inglês! TENSÃO!!

Esse cartaz é interessante. Estava na casa da menina que me hospedou em Praga. É um cartaz de propaganda do tempo da União Soviética. Repare na retratação dos alemães ocidentais como nazistas, nojentos, seres do esgoto etc. Por outro lado, os países comunistas são retratados como felizes, sendo as fronteiras algo imaginário, com os diferentes povos dos países comunistas se ajudando e cooperando. Muito engraçado…

Começaram a pedir, em inglês, os nossos tíquetes. Continuamos a fingir que não estávamos entendendo e eles começaram a nos perguntar em inglês: “Como assim, vocês viajam pela Europa e não falam inglês? De onde vocês são? Que línguas vocês falam?”. Era hora de implementar a segunda parte do plano. Comecei a arranhar um portunhol com a Gosia e ela começou a responder: “No entiendo. Como puede? O que elles quierem?”. Eu também comecei a falar pra ela: “No entiendo, no entiendo, o que esta hacendo?”.

Vencemos? Claro que não, né amigo? Se tivéssemos vencido eu não teria postado aqui essa história! Ficamos um tempo conversando entre a gente em espanhol o que vinha na nossa cabeça e os caras ficaram meio confusos. Mas pensa que houve tempo ruim pra ele? Rapaz, passou uns dois minutos, um vira pra Gosia e fala:
– Espanhola? Eres Espanhola?
E virou pra mim e falou:
– Amigo, donde esta lo ticket? Tiene que pagar o ticket! Se não tiene, tienes um problema!
PEEEEEMMMMM!! Mermão, o fiscal do tíquete falava espanhol!! AAAAAAAAAHHH!! MISERÁVEL!!! O cara era trilíngue!!!!!! AH MISERÁVEL!! E não é que o cara falava espanhol não!! Ele falava espanhol, MUITO melhor que eu. Depois de uns cinco minutos, quando eu comecei a me enrolar em falar espanhol o cara foi lá e me perguntou em inglês: – Vocês vão parar de ficar de brincadeira e me dizer logo de onde vocês são ou vai ser preciso eu chamar a polícia pra poder refrescar a memória de vocês?

Ah, meu amigo!! Mas ele falou a palavrinha mágica!! Falou “polícia”, eu comecei a cooperar. Ah porra, disse em inglês que era brasileiro ( – Ah, você fala inglês? – ele perguntou), que ia pagar aquela porra daquela multa e queria que tudo fosse pro inferno. Que me desse aquela multa logo porque eu já tinha me conformado em pagar. Pombas!! O fato de achar fiscais trilíngues valeu mais que o preço da multa. Comigo até que foi de boa, o pau comeu foi quando eles pediram a identidade da Gosia e viram que ela era da Polônia. Meu amigo, pense numa pôpa!! Os caras ficaram INJURIADOS quando viram que ela era polonesa. Por quê? Cara, a língua tcheca é MUITO parecida com a língua polonesa. A Gosia quando precisava pedir informação nas ruas, conversava em um “polotcheco” com a galera. Resumindo, ela conseguiria facilmente se comunicar com os fiscais se quisesse. Devido a isso, os caras começaram a descascar a mina! Falando que ela agiu de muita má fé, que se quisessem poderiam nos levar presos, que aquilo não se fazia, que a gente parecia dois moleques e pá pá pá…

Depois de algum tempo pedindo desculpas (e claro, depois de pagar a multinha de 40 dólares cada um), eles finalmente nos liberaram e fomos embora. Enfim conseguimos achar a saída da estação e nos encontrar com os asseclas que nos prometeram dar uma carona. Uma das caronas mais caras da minha vida…

Em direção a Munique

No dia seguinte à noite que eu quase ESTUPREI o italiano mala, eu e Gosia nos preparamos pra poder nos encontrar com os nossos amigos alemães que haviam prometido nos dar uma carona até Munique sem nos cobrar nenhum tostão por isso. Saímos de casa logo cedo e fomos para a estação de metrô onde combinamos de poder nos encontrar. Ligamos para eles e descobrimos que os mesmos iriam demorar um pouco pra poder chegar à estação de maneira que não nos restou alternativa a não ser esperá-los na estação por um momento. Como estava um frio de lascar do lado de fora e também do lado de dentro da estação, a Gosia começou a insistir que queria ir para um café pra nós podermos esperá-los lá.

Caminhamos durante meia hora nos arredores e nada de conseguirmos achar um diabo de um café pra podermos nos abrigar. Mudamos de ideia e acabamos indo ver se não havia um café dentro da estação, naqueles lojinhas que sempre ficam dentro de estações de metrô e vendem algumas bugigangas. Acabamos achando, apesar de não ser o que esperávamos.

Compramos cada um um copinho de café (eu ODEIO café, mas naquele frio eu estava topando qualquer coisa pra poder aquecer. Aceitava até a companhia de um italiano lambedor de selos ou um canguru australiano) e ficamos pensando no que poderíamos fazer na estação enquanto aguardávamos a nossa carona. Como estávamos sem fazer nada, resolvemos tentar conseguir algum dinheiro.

Também batemos algumas fotos de pessoas estranhas dentro do metrô, como essa maluca que ficava caminhando dentro da estação com o guarda-chuva aberto.

Após mais ou menos uma hora de infrutíferas tentativas de conseguir algum dinheiro (em uma hora de mendicância, tudo o que conseguimos foram algumas moedas que uma senhora nos deu, apesar do seu olhar meio desconfiado) e como não queríamos tentar ganhar a vida em Praga (apesar de saber que eu ganharia muito dinheiro vendendo meu corpinho em terras tchecas), decidimos ligar novamente para a nossa carona pra saber o que estava acontecendo. Eles pediram desculpas por toda a demora e solicitaram que fôssemos para outra estação de metrô mais perto da casa deles para assim poder ir adiantando logo a viagem.

Entramos na estação e mais uma vez eu fui comprar o meu tíquete para poder pegar o trem. Por que falo com tanta ênfase que PAGUEI pelo meu tíquete? Cara, basicamente porque eu era o cara mais zoado de todo mundo que viajava pelo fato de ser o ÚNICO que pagava pelo tíquete. Sim!! Não havia catraca nas estações de metrô da República Tcheca, para pegar o trem era só entrar na estação e, voalá, você estava dentro. Simples assim? Er, não tanto!! Claro que tudo não é tão fácil, para os espertinhos de plantão, sempre existem os fiscais que ficam checando quem tem tíquete ou não, mas é muito difícil ser pego por um.

Devido a isso, NINGUÉM da galera pagava pra poder pegar o metrô. Eu, como já tinha me dado muito mal nessa história do “não pague o tíquete, Claudiomar, ninguém faz isso” como vocês podem ver no post da Austrália, ia lá e pagava pelo tíquete sozinho, que nem um imbecil. Gosia, obviamente não pagou por nenhum.

Beleza, pegamos nosso trem em direção à estação que os caras combinaram com a gente e ficamos os esperando lá. Depois de um tempo eles nos ligaram novamente e disseram que haviam se confundido e que, se possível, fôssemos para uma TERCEIRA estação onde dessa vez, juraram, poderíamos encontrá-los. “Pô, esses caras só podem estar de sacanagem” – pensei. Tudo bem, estávamos de carona mesmo. Voltamos pra estação e fui lá comprar o TERCEIRO tíquete pra poder ir me encontrar com os papudinhos. Quando já estava na maquininha do tíquete, me preparando pra comprar o TERCEIRO tíquete para ir à estação combinada, aí sim a Gosia começou a tirar uma onda esparrado da minha cara só me chamando de mané!! – “Pô Claudio, pra que diabos você vai comprar um outro tíquete só pra umas três estações? Larga de ser mané!!! Nós já estamos andando há mais de três dias em Praga e NUNCA fomos parados por ninguém pedindo tíquete. Além disso, todos os outros também estão andando sem tíquetes e nunca foram parados. Você acha que vai ser agora que nós vamos ser multados?”.
Ela realmente me convenceu. “ – Ah cara, quer saber? Vamos sem tíquete mesmo!”. Voltamos à estação de metrô, pegamos o trem e seguimos viagem.

Bem, o fim da história fica para o próximo post. Se meus fiéis leitores já estão ligados, eu não colocaria uma história dessas se alguma coisa não tivesse ocorrido. CLARO que ocorreu algo errado. MUITO errado. Errado do tipo quase receber voz de prisão e desfrutar das hospedarias tchecas recebendo comida e refúgio do estado tcheco em alguma cela, mas isso, claro, fica pro próximo post.

Problemas culturais em Praga – Nosso amigo lambedor de selos

Obs: Pra não deixar o post só com texto corrido e assim ficar maçante, ilustrei o post com algumas fotos tiradas de Praga sem relação com o narrado.
Ao chegarmos em casa, nos deparamos com o nosso outro amigo couchsurfer que já se encontrava dormindo.
Bem, amigo couchsurfer é uma maneira de falar, afinal o cara foi, sem sombra de dúvidas, uma das pessoas que mais me marcou em toda minha viagem de volta ao mundo, depois, claro, do turco de bangkok (pra quem ainda não leu a história do Ping-Pong tailandês e o turco favor clicar aqui, aqui e, por último, aqui. Uma das melhores histórias da viagem, sem noção). Me marcou por que era gente boa? Não, mermão! Simplesmente porque o cara foi um dos couchsurfers mais, com o perdão da palavra, ESCROTOS que eu pude conhecer em toda minha vida. Cara, couchsurfers em si são pessoas bem cosmopolitas, gente boa, abertas, extrovertidas. Pessoas que você se sente bem convivendo junto. Até porque pra você aceitar hospedar ou ser hospedado por estranhos você tem que ser uma pessoa, no mínimo, mente aberta.

Couchsurfers em Praga

 

Foi por essas e outras que esse cara realmente me impressionou. Quando nos conhecemos o cara já não quis nem muito papo pro nosso lado. Falou que era da Itália, falou “oi” pra mim e pros outros couchsurfers da casa e foi pro mundinho particular dele sem falar com ninguém. Por mim, de boa, achei que o cara era autista e não ia ser por causa disso que eu iria me desentender com ele.

Fui conhecê-lo de verdade quando eu e Gosia chegamos de noite depois de uma balada. Imaginem a cena de volta de balada: Você chega conversando com a pessoa ao seu lado comentando tudo que aconteceu na noite. Comigo e Gosia não foi diferente, com o agravante que eu não costumo ser um cara lá muito silencioso. Entrei tagarelando na sala. O cara tava dormindo no sofá e na mesma hora já deu um pulo e começou a fazer “Shhiii, Shiiii” pra gente. Beleza, como tava errado resolvi falar mais baixo e comecei a conversar quase que sussurrando com a Gosia. Rapaz, pra que? O cara invocou!! Pra cada palavra que saía sussurrada da minha boca, o cara mandava um “Shhii” na minha cara. Eu já tava puto com ele devido ao fato do “senhor Shii” não ter cedido o sofá para a Gosia dormir e ter deixado a mina dormir em cima do carpete (pô, cara. Ela era uma mina. Custava nada o cara ser cavalheiro e deixar ela dormir no sofá). Mas enfim, já tinha percebido que ele era sacana e caras sacanas a gente responde com sacanagem. Não, gente, não tou falando do tipo de sacanagem que vocês estão pensando! Eu não ARRANQUEI a roupa da mina no meio da sala ou tirei o meu calção e pulei pra cima do pobre rapaz que dormia de bruços, indefeso a qualquer ataque homosexual de minha parte. A sacanagem que eu fiz foi continuar conversando com a Gosia, deve vez em um tom mais alto só pra irritá-lo cada vez mais. Pode parecer pouco, mas o cara ficou TRANSTORNADO fazendo “SHHII” sem parar!! Parecia até um pneu furado!! Fiquei até com medo de tanto ele botar ar pra fora, acabar morrendo sufocado. Enfim, o coitado só foi dormir depois que eu tive a minha vontade sádica aliviada e enfim parei de encher o saco dele. Mas digo que foi divertido, viu??

No outro dia, não dormimos em casa, dormimos na casa do Yan, mas ao chegarmos nos foi dito que as duas francesas que estavam ocupando a cama de casal iriam embora. Na hora eu pensei: – “Pô, legal, vai vagar uma cama de casal. Vai fechar certinho. Dorme eu e a Gosia na cama de casal e o italiano mala continua dormindo no sofá cama”. Na verdade o que eu pensei foi o que toda pessoa normal pensaria, não? Pois é! Você já sabe a resposta!! Na noite que chegamos em casa depois da nossa última balada, quem a gente encontra dormindo na cama de casal, estirado que nem um calango atropelado:

A) A Xuxa
B) A Chun-Li
C) O italiano.

Acho que vocês acertaram a resposta. Ah, cumpade. Nessa hora eu perdi a cabeça. Pensei em montar de pancada no cara pra ver ele se ajeitava, mas tive uma ideia melhor. Separei um calção ridiculamente pequeno, que mais parece uma cueca samba-canção, entrei no quarto vestindo só aquilo (imagina a cena sexy), e cutuquei ele:

– Ow, ow, afasta aí cara
– Slergherhaham (ele rosnou ainda dormindo)
– OW MEU, DÁ ESPAÇO
– Ãhn? O que? (Ele foi acordando)
– AAAAHHHHH!! QUE DIABO É ISSO (ele falou assim que acordou e viu meu corpinho sexy quase que só de cueca. Acho que no mínimo ele pensou… Bem, você sabe…)
– Uai, cê não deitou na cama de casal? Cê tá achando que vai dormir sozinho? Vamo, dá espaço aí que eu vou dormir com você
– Não, não!! Sai daqui!! Eu vou dormir sozinho.
– Ah, mas é folgado mesmo!! Ah, vai não, brother!! Pode dar espaço aí que eu não vou dormir no chão não! Essa cama tem lugar pra dois!!
– Não, não!! Sai daqui!!
– Mermão, eu não tou pedindo, eu tou FALANDO que eu vou dormir aí – e já pulei na cama.

Ele ainda que tentou ficar pegando mais do que a metade da cama pra ele, mas foi suficiente só umas três encoxadas minhas pra ele ir chegando pro lado. Como eu vi que não ia ser tão fácil tirar ele da cama, fingi que comecei a dormir e comecei a fingir que roncava MUITO alto!! Depois de uns dez minutos se chacoalhando de raiva mais que Lada numa pirraça, o italiano enfim deu o braço a torcer e foi dormir na sala. Gosia, claro, fingiu esse tempo todinho que tava tomando banho e quando ele pulou fora da cama, esperei uns dez minutos, coloquei minha roupa de volta e fui avisar a Gosia que tinha conseguido arrancar o mala da cama. Yes! Conseguimos mais um dia dormir em uma cama de casal. Algo que numa viagem como essa não era nada fácil, já que na noite passada eu já havia até dormido em cima da toalha no melhor estilo “couch no Vietnã”.

O Parlamento Tcheco. Reparem nas suas mais do que famosas esculturas

 

No outro dia, conversando com a host eu comecei até foi a criar pena do cara. Meio que comecei a entender como alguém podia ser tão casca-grossa como ele.

O que é brutalidade para você?

 

Gosia, eu e a grande maioria dos couchsurfers buscam em suas viagens fazer novas amizades, conhecer lugares novos, farrear e coisas assim. O que toda pessoa normal busca, correto? Pois é! O nosso amigo não! No começo achei que ele tinha ido a Praga como todo mundo pra poder comparecer ao encontro do Couchsurfing. Ledo engano. Cara, pra que o figura tava viajando? Álcool? Sexo? Arquitetura Gótica? Não, nenhuma das anteriores! O figura estava em Praga pra… COMPRAR SELOS!! Isso, comprar selos!! Há algo mais interessante a fazer em Praga do que comprar selos? Mulheres, bebida, festas? Bah, isso é coisa pra frutinhas!! Macho que é macho compra selo, rapaz!!

Não se esqueça de sempre levar as crianças à Praga

 

Depois que a minha host me contou isso, eu até comecei a entendê-lo! Enquanto nós, seres humanos normais, ao viajar utilizamos nossa língua pra degustar uma cerveja ou pra conversar (Pra não dizer o mínimo. Sim, pense até onde a sua mente poluída pode te levar e você saberá em que sentido eu quis dizer “usar a língua”), o cidadão utiliza a língua para… Lamber selos… Depois dessa qualquer um perdoaria um figura desses, não é não?

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Free Hugs em Praga

Cara, vou te dizer, como é legal fazer “Free Hugs”.
Pra quem não sabe “Free Hugs” significa “Abraços Grátis” em português e é um evento onde várias pessoas se reúnem para abraçar estranhos na rua. Eu já havia comentado algo parecido em um post há mmuiiitoo tempo atrás ainda quando escrevia sobre os Estados Unidos.

Entre os eventos do encontro do Couchsurfing em Praga estava previsto uma tarde de “Free Hugs” e como eu tava lá pra o que desse e viesse não vi outra alternativa que não a de seguir com Gosia para a Praça principal da cidade com meu cartaz em punho e sair pro abraço literalmente.

No caminho ainda deu pra sair batendo umas fotinhas. Essa daí eu tirei em frente ao Parlamento Tcheco. Do lado daqueles guardas que mais parecem soldadinhos de chumbo e não podem se mexer…

É meio que complicado descrever como é a sensação de fazer parte do Free Hugs, mas digo que é algo engraçado e ao mesmo tempo, digamos, meigo. Houve momentos divertidos como quando chegou uma pancada de ingleses, bêbados que só um gambá, que pegaram cartazes das nossas mãos e começaram a abraçar todo mundo junto com a gente.

Eu adotei uma estratégia diferente da galera. Além de gritar “Free Hugs” como todo mundo fazia, comecei a gritar “ABRAÇÇÇOOOS GRRÁÁÁÁÁTIISSS” em português e bem alto para poder encorajar brasileiros a me abraçar. Acabou dando certo e alguns grupos de brasileiros chegaram a parar pra trocar uma ideia e também se infiltraram no grupo.

Eu, Celso, uma brasileira que morava em Praga e outra cara que acompanhava o Celso, ambos, infelizmente, não lembro os nomes…
Uma galera de Brasília, MUIITOO gente boa, que parou pra nos abraçar em Praga

Mais ou menos uma hora e meia depois, uma MULTIDÃO começou a se amontoar ao nosso lado e começaram a olhar pra cima em direção à igreja da praça. Perguntei pros nativos o porquê daquilo e eles me falaram que algo muito da hora ia ocorrer no relógio da igreja e por isso esse povo todo tava reunido. Pô, cara, pro tanto de gente que havia amontoado REALMENTE parecia ser algo extraordinário. O que será que ia ocorrer lá? Ia pular um cara de para-quedas? O Chuck Norris ia aparecer e dar um roundhouse kick? Um duende com um pote de ouro iria sair por detrás de um arco-íris? Não, olhe com os seus próprios olhos e digam pra mim se turista não é o bicho mais idiota que existe no mundo…
Depois de mais ou menos umas quatro horas abraçando geral, subimos pra um piquenique em um morro onde seria possível ver Praga inteira e também onde vários couchsurfers já se encontravam.


Depois de um tempo conversando com a galera, saímos para um jantar e em seguida fomos para casa para mais uma vez tomar banho e descer pra balada.

Gosia e eu tomamos banho (gente, só pra reiterar, um de cada vez) e depois saímos pra balada. Pegamos um bonde e descemos direto no lugar. A balada simplesmente era FECHADA e so entravam couchsurfers. Mermão, doido demais!!! Dançamos até não poder mais e quando foi mais ou menos duas da manhã a balada começou a fechar. Como nos recusamos a sair, cortaram o som. Pensa que a galera desanimou?? NAAADAAAA!! Neguinho tava tão, mas TÃO empolgado que a galera começou a improvisar e cantar um “tumctztum tumctztum tumctztum” e todo mundo continuou dançando!! Mermão, mas ninguém parava!! Ficamos dançando assim, só com a gente cantando, quase uns quinze minutos até o momento em que o dono da balada implorou pros organizadores do couchsurfing e eles se sensibilizaram pedindo pra gente parar. Cara era muita, mas MUITA energia que aquela galera carregava!!! Só imagina, a galera chegou ao ponto de começar a dançar sem som!! Descemos pra uma outra balada e acabamos indo pra casa só umas cinco da manhã.

“Descanso” improvisado pras máquinas enquanto batíamos foto de todo mundo reunido

Na volta, precisamos esperar uns vinte minutos até o metrô abrir. Quem é leitor antigo do blog sabe que esperar o metrô abrir não é uma experiência lá tão nova pra mim, hehehehe. Quando o metrô abriu, logicamente entramos na estação e fomos pegar o nosso trem. Eu como tava indo na frente, já fui pegando a escada rolante e descendo. Rapaz, foi só eu pisar no primeiro degrau e esperar pacientemente a escada me levar pra baixo que eu comecei a escutar um grito “AAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHH”. Primeiramente achei que fosse um vietcongue tendo seus intestinos arrancados ou algo assim, mas posteriormente pude perceber que um dos alemães que estavam com a gente tinha uma maneira um tanto quanto, digamos, peculiar, de descer escadas rolantes.

Eu e Gosia brincando que nem dois retardados no metrô de Praga


O cara simplesmente PULOU no corrimão ENTRE AS ESCADAS ROLANTES e começou a deslizar como quem brincava em um escorregador!! E ainda por cima gritando, isso NO PRINCIPAL METRÔ DE PRAGA!! Na mesma hora a primeira coisa que eu pensei foi: Vou ser deportado! Felizmente nenhum guarda apareceu e pudemos seguir nosso trem com segurança para casa e não para a cadeia.

Galera reunida com o alemão sem noção no meio e de mochila

E o meeting começa…




Não gente, isso não são os couchsurfers!! Essa foto eu tirei só pra mostrar o TANTO de turista que ficam se acotovelando pelas pontes de Praga.

Fomos para o ponto de encontro marcado e no caminho batemos algumas fotos…

Chegando à praça combinada nos assustamos com o tanto de pessoas presentes. Por volta de cinqüenta couchsurfers diferentes se acotovelavam para poder começarmos um “tour” guiado por Praga. Yan, um dos tchecos que estavam organizando o encontro do couchsurfing, nos guiou por vários lugares diferentes de Praga.

Yan


Couchsurfers sendo guiados por Yan

Depois do tour pela cidade e de conhecer muita gente, voltamos para casa pra podermos nos arrumar e sair à noite.

Um brother turco nosso prestou atenção em um detalhe que por mim passara despercebido. Cadeados nas grades da cidade, tal qual em Uzupio na Lituânia, como mostrei em um post passado.

Cara o lugar da balada era fantástico! Era algo como uma casa com uns três andares e SEIS ambientes diferentes! A música muito da hora e a cerveja ridiculamente barata. Como a galera precisava se conhecer, a organização tava distribuindo umas etiquetas para que pudéssemos colar no peito com os nossos nomes e assim todos poderiam se conhecer.

Como meu nome não cabia, acabei escrevendo só Claudio mesmo. Ficamos na balada e do nada uma gorda gigantesca veio e começou a dar em cima de mim. Pegou o meu adesivo, colou no peito dela e ficou o tempo todo falando “Eu sou Claudio, olha, agora eu sou Claudio”. Como eu não tava pra domar nenhum dragão naquele dia, saí fora e continuei conversando com a galera. Ficamos até tarde e na hora de irmos embora vimos que a pessoa que ficou de nos ensinar como voltar pra casa tinha ido embora, resultado, não sabíamos o que fazer. Saímos perguntando se alguém conhecia a couchsurfer que estava nos hospedando e nada de alguém saber. Depois de um tempo, Yan, o mesmo cara que tinha dado o tour pra galera, perguntou se não queríamos dormir na casa dele. Como não tínhamos outra opção acabamos indo dormir lá. Gosia acabou dormindo no sofá e eu no carpete.


Galera se apertando dentro do bondinho na hora de voltar pra casa.

No outro dia voltamos pra casa que realmente estávamos hospedados e fomos tomar nosso banho. Saímos cedo porque o domingo ia ter Free Hugs e o pessoal já estava na praça esperando pra começar o abraço geral.

Do bar, direto para a Alemanha…


O encontro começava já na sexta a noite. Eu e Gosia chegamos em casa, tomamos um banho (infelizmente separados), largamos nossas mochilas e saímos pro bar onde deveríamos encontrar a galera que já estava reunida, claro, enchendo a cara de cerveja. No local conheci uns portugueses e; entre uns “aqui só tem viado” ou “saúde, caralho” gritados em português; ficamos amigos.

O único momento que merece destaque em nossa primeira noite em Praga foi quando conhecemos um negão alemão gigantesco e um romeno gente boa que moravam em Munique. Entre umas tulipas de chopp e outras, segue o diálogo:

– E aí, pra onde vocês vão depois daqui de Praga? – eles nos perguntaram.

– Ah, cara, vamos voltar pra Varsóvia, né? Vamos pro final da cidade pedir carona e já era.

– Vocês não querem ir pra Munique não?

– Ah, bicho, pode ser, mas acho que vai dar muito trabalho conseguir carona daqui pra Munique.

– Não, vocês não entenderam. Tou perguntando se vocês não querem ir pra Munique COM A GENTE?

– Ãhn? Vocês podem dar carona pra mim e pra Gosia?

– Sim!

!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Nessas horas começou a tocar a música do Cazuza na minha cabeça:

“Vida louca, Vida, Vida breve, já que eu não posso te levar, quero que você me leve”

Virei pra Gosia, perguntei o que achava e ela “na hora”!

Ora, mermão, fomos pra tomar uma cerveja e acabamos ganhando uma carona pra Munique! Gosia topou e combinamos de nos encontrar segunda-feira pela manhã em um metrô da cidade para eles nos pegar e nos dar a carona. Acho que se pudéssemos adivinhar o que iria ocorrer nessa estação de metrô, desistiríamos de nos encontrar, mas isso é história para alguns blogs à frente.

Praga

Depois do Angkor Wat, Praga era o segundo lugar que eu mais tinha vontade de visitar no mundo inteiro! Imaginava como seria caminhar por aquelas ruas góticas com suas igrejas tentando tocar o céu!

Antes que comece a descrever a cidade, é necessário dizer que Praga é uma cidade de sorte. Durante a Segunda Guerra Mundial foi uma das poucas capitais européias que não sofreu bombardeios, já que, antes mesmo da Guerra começar, a Alemanha já havia se apoderado da antiga Checoslováquia sem enfrentar resistências. Por causa disso, poucas batalhas ocorreram nos arredores da cidade.

Devido a seu estado de preservação e à sua arquitetura gótica, Praga é hoje uma das cidades mais visitadas da União Européia. As diversas pontes cruzando o rio Moldava são cartões-postais conhecido no mundo inteiro e já serviram de cenários para diversos filmes como Triple X (Vin Diesel), Missão Impossível etc. Os seus bairros góticos e suas igrejas quase que tocando os céus são um cenário impossível de descrever com apenas algumas palavras de um blog. Com certeza um lugar imperdível para se conhecer.

Nunca é demais falar, mas Praga é a capital da República Tcheca também.

A República Tcheca é famosa na União Européia devido ao seu elevado consumo de cerveja índice per capita, o maior da Europa (logicamente excluindo-se os russos). A cerveja lá é incrivelmente barata e de alta qualidade, o que faz de Praga um paraíso para boêmios do mundo inteiro (apenas por um segundo, imagine a combinação: cerveja de qualidade barata, mulheres loiras e lindas por todos os lados e baladas por todos os cantos e vocês terão ideia do paraíso a que estou me referindo).

Como eu já falei aqui umas trinta vezes, eu e Gosia resolvemos ir para Praga já que lá ocorreria o encontro continental do Couchsurfing.org e não queríamos de maneira alguma perder a oportunidade de farrear até a morte nesse “Éden perdido”. Foi engraçado a maneira como conseguimos chegar a Praga, mas não foi nada engraçado o meio que foi necessário para conseguir um couch para ficarmos. Por que seria difícil? Cara, Praga é a terceira cidade que mais recebe pedidos de couch em toda a Europa!! Apenas em Londres e Paris há mais pessoas procurando por casas de couchsurfers pra ficar do que em Praga!! Aliado a isso havia o fato que precisávamos de um couch para duas pessoas (é sempre mais difícil conseguir um lugar para mais de um, haja vista que dificilmente as pessoas possuem mais do que um sofá sobrando em casa)!!! Não satisfeito? Uai, mais uma vez é bom lembrar! Iria ocorrer um encontro do Couchsurfing.org e, além das centenas de pessoas que normalmente já procuram abrigo, mais de 200 pessoas estavam previstas para ficar em Praga que já estava à beira do limite!!! Mermão, pense no inferno!!

Gosia foi sem medo e após contactar mais de cem (eu disse CEM) pessoas diferentes, ela conseguiu que uma mina nos cedesse o CHÃO da sua casa para dormirmos!! Trocando em miúdo, um pedaço de chão para estendermos nossas toalhas!! Quando eu falei que dormir em camas, tal qual ocorreu em Wroclaw, seria um luxo, eu não estava mentindo!! Beleza, tudo pra gente é festa!! Seria melhor do que cair em um albergue! Aceitamos e depois descobrimos que a mina que nos hospedaria até tinha camas sobrando, mas elas já iriam ser ocupadas por QUATRO outros couchsurfers que também estavam a caminho do encontro. Um desses couchsurfers inclusive rendeu uma história engraçada, mas vou contar depois…

Enfim, conseguimos cumprir o primeiro passo de nossa missão em direção a um dos mais movimentados e divertidos fins-de-semana da minha viagem. Espere cenas dos próximos capítulos…

A caminho de Praga

Era chegada a hora de ir para Praga, nossa meta. Na nossa única noite em Wroclaw, encontramos uma galera do Couchsurfing.org em um pub e tomamos uma cerveja. Papo vai, papo vem, descobrimos que uma das meninas que estavam lá iria no outro dia para uma cidade no caminho de Praga e poderia nos dar uma carona. Encurtou-nos o nosso caminho em uns 50 km.

Sim, é pra aquele lado que estamos indo…

Aceitamos prontamente e no outro dia nos encontramos cedo em uma praça da cidade e seguimos viagem. Quando chegamos à cidade tive uma surpresa: o local era um vilarejo minúsculo de apenas 3000 habitantes. Na hora achei isso muito louco. Como assim alguém poderia morar numa cidade com 3000 habitantes? Brother, só a UnB tem 26.000 alunos!!! Eu tenho quase a metade disso só em amigo no orkut!! Sério, isso é quase nada!!! Mas sim, ela era desse vilarejo e nos largou por lá.

Engraçado como é praticamente possível você deduzir se o país em que você se encontra possui um nível alto, médio ou baixo do índice de desenvolvimento humano apenas pela observação de suas cidades. Em países de baixo desenvolvimento humano (Índia ou o Nepal) as grandes cidades parecem com as pequenas cidades do Brasil; Prédios pequenos, ruas estreitas e com pouco asfalto, poucas casas com saneamento básico, eletricidade, internet e etc. Em países de alto desenvolvimento humano, praticamente não parece haver diferença entre cidades grandes e cidades pequenas; andar por uma rua de uma cidade pequena é quase como andar em Wall Street. Parece não haver aquele “ar de cidade pequena” que podemos sentir em cidades como Cajazeiras, Caxias ou outras cidades do interior do Nordeste. Já países de médio desenvolvimento humano, como o Brasil, se você mora em cidades grandes e possui um nível de renda não tão alto é possível possuir água encanada, internet banda larga, telefone etc. em sua casa. Não sendo tão fácil ocorrer o mesmo em cidades com menos de 5000 habitantes. Eu não sei se fica muito claro pra vocês que estão lendo, mas só presenciando para perceber o que estou falando e como isso parece ser muito claro. Eu cheguei a comentar no post acerca de Jaipur: http://claudiomar.blogspot.com/2009/03/jaipur.html

Mas enfim, chegamos à cidade da mina. Um pacato vilarejo que possuía até a sua própria atração turística: uma torre inclinada ao estilo “torre de Pisa”. Batemos uma foto, eu e Gosia e fomos para a “saída da cidade” e começamos a pedir carona. Um frio lazarento comia as nossas costas e não nos restou outra opção a não ser tremer como uma vara de bambu verde e tentar descolar nossa carona para Praga.

Torre de Pisa polonesa

Praga. Alguém, alguém?

Depois de uns dez minutos um caminhão CHEIO de galinhas parou e nos ofereceu uma carona. Um tiozão caipira como o Chico Bento, nos enfiou dentro do caminhãozinho dele e seguimos viagem em direção à República Tcheca. Gritaria generalizada de galinhas (que pareciam saber o triste desfecho reservado a elas assim que fossem desembarcadas), cheiro de merda, pena voando na nossa cara, nada baixava a nossa moral! Quem já morou no Maranhão e teve “Sarneys” como governadores sabe como é viver na adversidade.

Gosia querendo pagar de fotografia artística enquanto caminhávamos para o posto

Chegamos à fronteira, andamos mais uns 10 quilômetros e o cara nos largou na saída da vilazinha dele. Tentamos pedir carona por uns 40 minutos e NADA de passar pelo menos um carro. A cidade parecia perdida no meio do faroeste americano! Percebemos que aquilo não ia dar muito certo e então resolvemos voltar à cidade e pedir alguma informação. Pra melhor a situação ninguém falava inglês, mas Gosia conseguiu entender algo do que eles falavam (a língua polonesa é parecida com a língua tcheca) e eles nos disseram que a cidade era fora de qualquer via importante à República Tcheca. Eles nos aconselharam a andar CINCO quilômetros até um posto de gasolina que ficava em um entroncamento com uma via que seguia diretamente à Praga. Como estávamos sem escolha, resolvemos caminhar! Pode parecer pouco, mas imaginar caminhar essa distância com uma mochila de uns cinco quilos nas costas!

Se liga na mochila da mina…

Enfim, fomos indo e depois de mais ou menos uma hora chegamos ao posto. Depois de uns 30 minutos parou um cidadão lá e Gosia começou a trocar uma ideia com ele em “Poloteco” (mistura de polonês e tcheco). O cara entendeu, falou que estava indo a Praga e que poderíamos ir com ele. Entramos no carro e seguimos viagem.

Felizmente o cara não falava inglês, não puxou conversa e pudemos descansar um pouco a caminho de Praga. O cara era tão gente boa que antes de descermos ele insistiu em nos dar dez dólares para gastarmos como quiséssemos. Não quisemos pegar, mas o cara insistiu tanto que não tivemos outra opção senão a de aceitar. Hahahaha. Diga aí, essa carona rendeu. Se pegássemos um busão de Wroclaw a Praga gastaríamos vinte dólares cada um. Fomos de carona e ainda ganhamos dez dólares!!! Hehehehe… Viva a vida nas estradas…