Viajando por Galápagos – Por cima d´água

Uma parte boa de ter pego o cruzeiro Encantada foi que, me conhecendo bem, dificilmente eu teria saído atrás de fazer outros tipos de observações que não mergulhado e ido atrás de peixes. Fazendo os passeios em terra firme, eu pude ter um pouco mais de contato com outros animais que não teria só mergulhando.
Passeando em terra firme, pude ver, rapaz, nunca vi tanto leão marinho na minha vida. Se no cais eles pareciam ser muitos, nas praias eles eram pragas!! Leões marinhos para todos os lados! Além deles também vimos bastante gaivotas, iguanas, iguanas marinhas (Galápagos é o único lugar onde existem iguanas marinhas, elas efetivamente nadam e se alimentam dentro d´água) e uma ave especial, espécie de gaivota que tem os pés em um tom de azul simplesmente muito bonito! Outra característica delas é que os machos fazem uma dancinha para atrair as fêmeas onde eles ficam mostrando os seus pés azuis. Gaivota ostentação.
Você não pode sair por aí simplesmente caminhando por qualquer lado em Galápagos, existem trilhas que você pode seguir e sempre é acompanhado por um guia. Vez ou outra em algumas das trilhas acontece de ter um bicho perdido ou até mesmo um ninho. Em uma situação como essas, não tem conversa, a trilha acaba ali.


Leão marinho trollador. Nadando fingindo que é um tubarão

Nossa mesa de jantar no barco

Alemão gente boa que acabei ficando amigo. Engraçado que um dos caras da tripulação não acreditava que ele fosse alemão e ficava insistindo que ele era colombiano. Realmente, é só olhar para ele para ver que ele é a cara de um colombiano

Lobos marinhos e pássaros do pé-azul de Galápagos

O bom de ter pego a excursão no “barco pesqueiro” foi que nosso grupo era bem pequeno. Éramos doze turistas. Em doze acabamos ficando bem amigos e podíamos observar melhor a natureza sem tanta gente ao redor. Algumas vezes observamos a galera dos barcos maiores descendo e era aquela cena de excursão da CVC, um bando de tia gorda, americanos com suas barrigas imensas e menino correndo e gritando, o que acabava por espantar os animais.
A primeira coisa que mais te impressiona em Galápagos é como os animais parecem não ter medo de você. Existe uma regra em que você não pode se aproximar mais do que um metro de cada animal, regra que é exaustivamente repetida e, se for necessário, gritada pelo guia. Essa regra existe porque os animais estão tão acostumados com a presença humana que se você rolar por cima de um leão marinho, acho que é possível ele não fazer nada. As tartarugas, você nada por cima delas e elas não se assustam, se não fosse tão ruim para ela, daria até para segurar no casco e pegar uma carona. E assim são os peixes, as aves e tudo o mais.

Aquela hora que você manda uma foto para zoar os seus amigos, pois você está de férias e eles não, e é zoado de volta
Tem tantos lobos-marinhos em Galápagos, eles são praga!!, que algumas cidades tem cercas nas praias para impedí-los de entrar nas casas e fazer bagunça.
Tem tanto peixe que dá para você vê-los de cima d´água

O mais engraçado dos leões-marinhos é como eles se comportam quando a gente tá fazendo snorkel. Primeiro que eles são tão grandes que você quando os olha de relance, imagina que seja alguém fazendo snorkel. Segundo que eles são meio territorialistas. Às vezes você está ali, nadando na boa e eles vem nadando em sua direção como quem diz “qual é”. Cara, pode parecer besteira, mas dá um medo danado, porque eles tem dentes afiados e, bem, na água eles são bem mais fortes e rápidos que você. Teve uma vez que um deles chegou tão perto de mim que consegui olhar dentro da pupila dele. Não deixa de ser uma experiência legal, mas mente quem diz que não sente medo, pois eles são bem grandes.

Olha o tanto de leão-marinho em uma praia que passamos…
O snorkelling foi algo realmente incrível, de longe o melhor que eu já tenha feito na vida. Consegui ver tubarões, arraias e até, veja você, pinguins. Sim, porque Galápagos tem a particularidade de ter pinguins tropicais, que em algum momento em suas longas viagens, pensaram, “Porque diabos eu vou ficar viajando até o outro lado do mundo e voltar para o frio se aqui eu posso ficar no sol o ano inteiro, comendo peixes adoidado e, ainda por cima, sem predadores?”. Teve um snorkelling que fizemos que quando pulamos na água eu realmente fiquei com medo de quicar dado o tanto de peixes que tinham abaixo. O mais legal é que teve uma hora que eu tava dando um mergulho, tava a uns oito metros de profundidade nadando entre os peixes e só escutei um barulho “Buuuummmm”, mas parecia uma bomba. Foi peixe para todo lado. Quando fui ver, era ave marinha que tinha mergulhado e subia com um peixe no bico. MMUIITOO IRADO! Além da vez que eu vi um pinguim nadando, tentei sair nadando atrás dele e comecei a escutar uma gritaria. Quando vi era a galera da areia me xingando porque eu tava espantando o pinguim. Cara, como eles nadam rápido…

Esses pássaros de pés-azul são um dos principais símbolos de Galápagos. Se liga de como é bonito os pés deles.
A única parte ruim foi que agora eu fiquei com mais vontade ainda de voltar aqui para mergulhar. Vou acabar ter que dando meu jeito para poder conseguir a grana. Alguém aí querendo alugar um maranhense por um mês?

Entre Iguanas e Equatorianos

O motivo da minha viagem ao Equador era Galápagos, porém escolhi viajar por Guayaquil porque era mais perto que Quito. Como os voos só saíam pela manhã, tinha que passar uma noite por aqui e resolvi que, bem, se já estou em Guayaquil, porque não dar uma volta? Fui dar uma volta pelo centro da cidade, o que achei bem bonitinho. Pelos lugares que passei, a cidade era bem arrumadinha e com policiamento ostensivo.

Na verdade, na verdade, confesso que minha preocupação inicial não era nem de passear, mas de comer uma refeição, já que fazia quase dois dias que eu não comia comida de verdade, leia-se arroz! Saí procurando um restaurante de comida chinesa (fica a dica aí, o lugar mais fácil de se conseguir arroz quando se viaja é sempre um restaurante de comida asiática) e saí passeando pelo “Malecón” que é uma orla que eles fizeram ao redor de um rio. Passear pelo Malecón enquanto eu farejava arroz foi bem agradável, pois o lugar era vivo, com várias crianças gritando, berrando, mães desesperadas correndo atrás de menino, vários outros pais gritando “desce daí menino!” e velhinhos caminhando. Depois de um tempo, achei um restaurante que servia tipo uns pratos feitos e não tive dúvidas, aqui é meu lugar!

Orla em cuja lojinha achei o meu lugar para comer arroz!
Está decretado o melhor trocadilho já realizado com a Argentina!

Cheguei, negociei com o garçom se ele trocava um dos dois pedaços de carne por uma porção de arroz e ele, meio que sem entender, aceitou. Juro que meu prato ficou que nem o da foto abaixo.

Depois de matar a minha saudade do arroz, fui bater uma foto da Catedral de Guayaquil. Quando chego na pracinha em frente, aquela cena bucólica se fazia presente: crianças gritando, berrando, mães desesperadas correndo atrás de menino, vários outros pais gritando “desce daí menino!” e velhinhos caminhando. Porém, essa praça tinha um quê de diferente. Ao invés dos velhinhos estarem alimentando os pássaros com pipoca, eles alimentavam as… Iguanas? Sim, isso mesmo que você leu! Caraca, eu nunca tinha visto isso!! A praça era APINHADA de iguanas de todas as formas e tamanhos e a meninada com os velhinhos as alimentando com restos de fruta. Gente, espera aí, alimentar pássaro até vai, mas iguana é um dos bichos mais asquerosos que existem na terra! Você, por exemplo, você espera que aquela mina dos seus sonhos crie um poodle ou um gatinho e não uma iguana!! Mas tava lá, todo mundo feliz dando comida para aqueles bichos asquerosos tendo ao seu redor várias placas escrito “não alimentem as iguanas”, “não toquem nas iguanas” e uns guardinhas gritando “puxa o rabo dela” para as crianças. Logo de início deu para ver que regras estabelecidas não eram muito o forte da cidade. Bem, nunca pode-se ter tudo. Pelo menos lá há iguanas!

A noite eu tava tão baqueado de não ter tido uma cama para dormir nas últimas 30 horas que tudo o que consegui fazer quando cheguei ao albergue foi desmaiar na cama. No outro dia tinha que chegar com duas horas de antecedência para pegar o voo, já que antes de voar para Galápagos você paga várias taxas diferentes e tem a sua bagagem inspecionada, o que leva algum tempo. Depois disso, só alegria!

Não, não havia iguanas no aeroporto!

            Galápagos


A semente para minha viagem a Galápagos foi plantanda durante a minha viagem a Los Roques.Lá mergulhei com um cara que havia sido mergulhador durante alguns bons anos em Galápagos e fiquei fascinado com as suas histórias de jamantas de sete metros, cardumes de tubarões martelos e tubarões-baleias e outros seres fantásticos. Pensei que o meu próximo ponto de mergulho iam ser nessas ilhas.
Comprei a passagem aérea com algumas milhas que haviam me restado, como já expliquei, e comecei a procurar como fazer a minha viagem a esse Eldorado do mergulho. Primeira coisa que descobri era que essas ilhas boas para mergulho eram bem afastadas das principais ilhas de Galápagos. Logo, se quisesse me deparar com os relatos do mergulhador, deveria ter que pagar um cruzeiro que iria navegar pela noite para chegar lá. Era impossível fazer uma viagem ida e volta das ilhas principais no mesmo dia, o pacote mais curto era de oito dias. Ironia da vida, eu havia comprado uma passagem para passar sete dias em Galápagos. Não sei se no final fiquei triste ou não com isso, haja vista que o cruzeiro mais barato custava a bagatela de 4.000, reais?, não, DÓLARES!!! Tá certo que não é uma grana impossível de juntar, mas com certeza iam me custar algumas outras viagens. Mas, como todos diziam, era uma viagem para uma vez na vida.
O problema era que todos os outros cruzeiros já começavam na casa dos 2500 dólares. Isso sem mergulho de cilindro nem nada, cinco dias e só os passeios e a comida no navio. No final, acabei seguindo o conselho de um amigo de uma amiga que me sugeriu um cruzeiro em um barco com um nome sugestivo “Encantada”. O negócio devia ser encantado mesmo, porque enquanto todo mundo cobrava acima de 2500 dólares para cinco dias, o barco cobrava 1500 dólares para seis dias. Só a metade do preço. Fiquei um pouco preocupado com isso, mas é difícil possuir bom senso e pensar racionalmente quando se há 1000 dólares em jogo. Ainda que servissem pedra nas refeições, valeria a pena era bom que eu emagrecia…

 Encantada

Fomos ser pegos no aeroporto pelo guia do barco. No caminho fui conhecendo o pessoal que ia viajar comigo. Todo mundo gringo e, tirando a tripulação, eu era o único latino do barco. Já no porto, quando íamos pegar o bote para poder ir ao barco, já começamos a ter uma noção do que era Galápagos. Havia leões marinhos por todos os cantos, mas assim, todos os cantos mesmo. Na escada que dava acesso aos botes tinham dois dormindo, o que nos obrigava a desviar.

Leões marinhos na praia, “praga” de Galápagos
Barco abandonado que hoje serve de “casa” para leões marinhos
Filhote de leão marinho brincando com nossas mochilas

A galera toda, lógico, curtindo e batendo fotos dos leões e todo mundo curioso para saber qual seria o nosso barco. A gente foi passando pelos barcos e só observando. No caminho alguém foi lá, apontou e disse: – Nossa, ia ser engraçado se nosso barco fosse esse. Enquanto todos os outros barcos eram gigantescos, pareciam iates mesmo, novinhos em folha, o que ela apontou parecia um barco pesqueiro velho em direção ao ferro velho. Rapaz, mas foi a menina terminar a frase pro bote virar pro lado e a tripulação vir nos dar as boas-vindas no barco que ela tinha dito que ia pro ferro velho. Mas, cara, sério, parecia cena de desenho animado.
Mil dólares mais barato, mil dólares mais barato… – era o mantra que eu repetia em minha cabeça ao subir no barco enquanto eu pensava porque eu sempre na minha vida tenho que ser tão mão-de-vaca!
Jogo dos sete erros. Encontre nosso iate!
Até que nosso barquinho fica bonito no pôr-do-sol, não?
Uma semana brincando de Cristovão Colombo
           
A primeira impressão de todo mundo variou da “pior possível” para “me leve de volta para o aeroporto”. Porém ficou só nisso mesmo. Logo que o guia veio falar com a gente, vimos que de ruim mesmo só a carcaça do barco. Cara, a tripulação era muito gente boa e, rapaz, a comida era incrivelmente bem preparada. Achei que ia comer cacto misturado com sopa de pedra (mil dólares a menos, mil dólares a menos), mas na verdade fomos bem servidos todos os dias, principalmente com peixes e saladas muito bem preparadas. De sobremesa, sempre um balde de frutas. Sempre que voltávamos dos passeios, já tinha um lanchinho nos esperando, variando entre frutas tropicais, empanadas e até mesmo pipoca =)  Nunca comi tão saudável por uma semana em toda minha vida.
Meu quarto que eu dividia com um alemão no barco

O guia falava inglês, era super gente boa e prestativo. Todo jantar ele dava um briefing do que iríamos fazer no dia posterior e sempre falava “todo mundo no bote às oito da manhã, horário de Galápagos”. O que seria “horário de Galápagos”? Bem, levando em consideração que estávamos na América do Sul, eu acreditava que horário de Galápagos era algo como meia hora depois do marcado. Rapaz, mas se ele marcava as oito, dez para as oito lá tava ele com aquele sininho maldito gritando “Todo mundo no barco, todo mundo no barco”! Rapaz, mas era pior que horário alemão!
Vista da minha janela que eu tinha todos os dias de manhã
A única parte que eu achei ruim mesmo foi só o fato de ficar seis dias embarcado, cara, é ruim demais. Ficar uma semana embarcado em um transatlântico, é de boa, você sente como se tivesse em casa, mas o barquinho da gente era muito pequenino e balançava demais! Não tive enjoos, mas a noite, quando o barco efetivamente viajava entre as ilhas e entrava em mar aberto, rapaz, o que era aquilo!!! Sério, a primeira noite você acha que vai morrer e só falta pedir uma corda para amarrar você em sua cama! Sem brincadeira, parecia uma montanha-russa de forma que nem do lado de fora do barco a tripulação gostava que a gente ficasse, pois eles ficavam com medo de, em um momento de desatenção, alguém fosse jogado para fora do barco. TENSO!! Além disso, como disse, o barco era bem pequenino, os quarto eram minúsculos e o banheiro, sem brincadeira, devia ter uns dois metros quadrados. Chega uma hora que você meio que enche o saco de ficar apertado o dia inteiro. Se bem que, quando desembarcávamos, tudo isso era esquecido.

Classe executiva cof cof cof

Encurtando uma história longa, tinha comprado duas passagens por milhas na Avianca que acabaram dando errado. A Avianca me devolveu todas as milhas que eu havia comprado e, sem o voo direto Bogotá-Brasília que a Avianca tirou, estava me angustiando, dia após dia, ter uma cambada de milhas sem saber o que fazer com elas. Resolvi tirar do bolso o velho sonho de ir a Galápagos e vi que havia uma passagem de Executiva que encaixava certinho no meu calendário. Tá certo que eram duas passagens virando uma, mas valia pela experiência de viajar de Executiva que todo mundo falava tão bem. Comprei, porém saindo de SP. O último voo que consegui saindo de Brasília chegava em Guarulhos as 19h, sendo que meu voo era no outro dia as 06:20 da manhã, beleza, vamos lá, tudo para viajar por executiva.
Notícia ruim: Meu voo era no outro dia às 6 da manhã
Notícia boa: A sala VIP era 24 horas e com cerveja a vontade \0/
Nunca esperar um voo fora tão divertido!!! Quando cheguei no aeroporto, descobri que teria acesso a duas salas VIPs, uma por causa do meu cartão de crédito e outra por causa da passagem. Para nenhuma das duas salas se sentirem desprestigiadas, tomei um banho na sala VIP da Gol e resolvi ficar na sala VIP da Avianca, já que a outra tinha tanta gente que parecia uma farofada e eu, bem, eu nasci para ser croissant, não rosquinha Mabel. E ainda por cima viajaria de Classe Executiva. Cof cof cof
Cheguei, liguei meu computador, peguei a minha cerveja (gente, as salas VIPs tem cerveja ilimitadas!!!) e fiquei na internet. Cara, você pode ser o lorde inglês que for, mas depois de quatro latinhas na cabeça e muito sono, tenho certeza que acaba que nem eu, dormindo no sofá. O melhor era que o lugar era mó chique, todo mundo de roupa social e eu, descalço, com meu agasalho do Brasil dormindo no sofá no melhor estilo albergue da Prefeitura.
Quando foi umas quatro da manhã, acordei e fui despachar a minha bagagem. Qual não é a minha surpresa quando descubro que, como já havia passado pela imigração, teria que cancelar a minha imigração para poder sair e despachar a bagagem. De boa, como eu faço isso? – É só ir falar com o Policial Federal que está de plantão. Huá huá huá – dizia a terceirizada com risos maquiavélicos enquanto entrelaçava os dedos da mão. Cara, na boa, eu tenho certeza que ele tava dormindo e isso me deixava com mais medo. O cara ia acordar só por causa de um maranhense corno que queria despachar uma bagagem. Achei que ele já ia sair de lá me xingando, mas ele foi super gente boa!
Despachei a bagagem e quando fui para sala de embarque, olhei aquela raça de pobres, de todos os credos, cores e tamanhos se amontoando na fila da terceira classe, enquanto eu tinha um tapete vermelho para mim, afinal, eu era classe executiva. Cof cof cof.Quando entrei, imaginei o que seria essa dita “Classe executiva, cof cof cof”. Ela era… era… era… nada mais que um banco um pouco mais largo e mais espaço para pernas. Nada demais.Achei que haveria algo de outro mundo, algo como um show privado do Cirque du Soleil ou uma banheira do Gugu com a Luíza Ambiel só para mim, mas que nada. Basicamente você paga, em promoção, o valor de duas passagens para uma e no final não tem nada demais, até a comida não tinha nada de especial.

Eu, na Classe Executiva da Avianca
Não sei vocês, mas eu, como sou pequeno, meio que sambo no banco da classe econômica e viajo de boa, nunca que eu pago novamente para poder viajar de Executiva. Isso é coisa de gente fresca que precisa pegar uma daquelas viagens de ônibus São luís – Brasília ou São Luís – São Paulo para saber o que é reclamar da vida. Para mim só valeu a pena mesmo ver a cara de desgosto do pessoal engravatado quando eu entrei todo mulambo, de chinela, para pegar o meu assento. Devem ter pensando “Maldito governo que dá dinheiro para pobre. Esse aí com certeza juntou o Bolsa Família de cinco anos para poder comprar essa passagem…”