Malasia

A Malásia é um país muçulmano situado no Sudeste Asiático. Juntos com os países anteriormente citados, faz parte da nova geração de tigres asiáticos também. Tem uma população de … e como moeda oficial o ring que quando eu estava por lá tinha a cotação de um dólar = 3,25 rings. Assim como a Indonésia, é um país majoritariamente muçulmano e com pena de morte pra quem trafica drogas. Brasileiros não precisam de visto pra poder ficar até 30 dias a turismo e eles tem como capital a chamorsíssima Kuala Lumpur.

Kuala Lumpur

Petronas Towers
Cara, vou te dizer. De todas as cidades que eu já visitei nesse giro pela Ásia inteira, só duas cidades me apaixonaram até agora: Hong Kong e Kuala Lumpur. Não digo no sentido de apaixonar porque é turística não, pois se fosse utilizar esse parâmetro eu preferiria Bangkok ou Macau, mas sim no sentido de qualidade de vida, possibilidade de morar nessas cidades.
Cara, Kuala Lumpur é uma cidade charmosa DEMAIS. Apesar de pertencer a um país em desenvolvimento como a Malásia, a cidade parece ser situada em um país desenvolvido, pois tudo funciona na cidade (metrô, trem, busão, taxi…). O centro financeiro deles me lembrou bastante o de Seul, além do fato deles terem as mais que famosas Petronas Towers, que por um tempo foram as maiores torres do mundo e hoje ocupam a nona posição.

=)
A cidade é super organizada, barata, limpa e segura. Cara, sério, fiquei apenas quatro dias em Kuala Lumpur, mas queria ter ficado muito mais tempo. Os Malaios são gente boa demais e todo mundo na rua fala um inglês razoável (só não os chineses). Cara, eu poderia ficar o dia inteiro falando da cidade, mas não vou tomar o tempo de vocês. Só digo uma coisa, me apaixonei perdidamente por aquele lugar.

Couch em Kuala Lumpur

Fiquei numa casa de franceses em Kuala Lumpur. O cara que me hospedou, apesar de francês, falava um português muito bom (Ele entendia tudo o que eu falava e, brother, pra entender eu falando português o cara tem que ser ninja, eu falo muito rápido) e amava o Brasil. Ele morava com mais dois franceses e estava em Kuala Lumpur dando aulas de francês e viajando pelo Sudeste Asiático. O apartamento dele era próximo ao centro de Kuala Lumpur e tinha uma vista maravilhosa pras Petronas Towers, que, cá entre nós, é a única atração turista da cidade.
Velho, sério, o bicho era gente boa demais. Quando cheguei ao apartamento da figura, além de mim, ele já estava hospedando um casal de franceses. E, não obstante, um dia depois de eu chegar, ele ainda aceitou mais uma búlgara. Uma pena que eu só pude ficar no apartamento dele por pouco tempo, porque o pouco tempo que fiquei por lá, a gente se divertiu bastante.

Perambulando por Kuala Lumpur


Cara, por ter ficado muito pouco tempo, acabei não fazendo muita coisa em Kuala Lumpur. Isso também se deve ao fato da cidade, como já falei, não ter muitas atrações turísticas pra se poder visitar, já que KL é uma cidade para trabalho e negócios.
De legal, teve o primeiro dia, onde um dos membros mais ativos do Couchsurfing.com em KL, convidou todo mundo pra poder dar uma volta pela cidade com ele sendo algo como o guia. Ele se chamava “Mo” e era um queniano da etnia somali que estava estudando administração por lá.
Foi engraçado, porque juntou MUITA gente pra poder dar esse rolê pela cidade com ele. Tinha um casal de holandeses gente boa demais, três argentinos, um suíço maluco, um maranhense, um chileno, alguns malaios, ingleses… Mermão, era muita gente!
Visitamos uma mesquita, o museu malaio islâmico e fizemos um piquenique no parque depois.

Figuras da Malasia

Galera na Malásia. O tiozão de camisa verde é o inglês que tá pedalando pelo mundo.


O que merece destaque sobre a Malásia foram só os figuras que eu acabei conhecendo por lá. Conheci um inglês que tava dando uma volta ao mundo de bicicleta. Sim, de bicicleta. Parece um pouquinho mais difícil do que eu que estou fazendo de avião, não? Ele já tinha feito a Austrália de uma ponta a outra e agora tava no Sudeste Asiático “dando uma volta”, “dando um rolê”, esperando a China abrir a fronteira do Tibete pra ele poder dar um rolê por lá também.
Doido o cara, né? Não, isso não é tudo! Não obstante o cara ficar de cima pra baixo de bicicleta, agora vem a melhor parte. Ele tem apenas 59 anos! O bicho tem 59 anos de idade e já está a mais de dois anos nessa brincadeira. Ele se aposentou, vendeu todas as coisas que ele tinha, casa, carro e o que for, e se mandou! SOZINHO!! Mermão, quanto mais você viaja, quanto mais você conhece maluco, mais você percebe que sua viagem não tem nada demais. Pombas, o cara tinha 59 anos. Tenho certeza que na mesma hora você pensou o mesmo que eu:
– Esse cara não tem medo de morrer não? Sei lá, ter um ataque do coração, exaustão ou o que for? Pombas, o bicho não tem mais 15 anos pra ficar de 8 a 10 horas por dia pedalando.
Sim, fiz essa pergunta pra ele. O que ele respondeu?
– Se eu morrer, morri, cara! Depois que você morre você nunca mais tem preocupação com nada. Hoje é um bom dia pra morrer, não? Você pode morrer de qualquer coisa todos os dias, seja de acidente de carro, seja num assalto no meio da rua ao meio dia. Entre morrer de uma maneira convencional, apodrecendo em um hospital com todos os seus parentes ao seu lado, eu prefiro morrer congelado no Tibet ou esmagado por uma manada de elefantes no meio do Quênia.
Depois de conhecer esse cara, senti minha viagem de volta ao mundo sem nada na carteira sendo algo como uma viagenzinha de São Luís pra Codó de ônibus leito.

Crise asiatica

Não sei quantos de vocês estão lembrados dos sombrios tempos da crise asiática. Uma crise que derrubou as economias dos principais tigres asiáticos e que se alastrou por todo o mundo, arrebentou com Rússia, México e veio chegando, chegando, até chegar ao Brasil em 1999.
A crise deles foi basicamente que nem a nossa. As moedas do Sudeste Asiático foram se desvalorizando absurdamente. Um brother tailandês me falou que a taxa de câmbio do bath tailandês passou de 25 baths por dólar pra 45 baths por dólar.

Sim, porque eu tou falando tudo isso? Porque eu conheci na Malásia um cara que foi absurdamente afetado por isso.
Não lembro o nome do figura, mas ele tinha 44 anos e tava no auge da vida dele durante aqueles anos da crise. Segundo ele, ele era dono de quatro grandes empresas diferentes na Malásia e de um dia pro outro, os preço dos produtos de sua fábrica, quase que dobraram devido ao valor do câmbio, já que ele importava tudo. Ele quebrou e hoje deve mais de quatro milhões pra vários bancos diferentes pelo mundo. Diz ele que ele se sente até uma celebridade porque toda semana bate um suíço engravatado na casa dele pra poder renegociar a dívida.
Esse bicho eu fiquei quase que umas duas horas conversando com ele sobre a crise asiática e ele me explicando tudo que eu sempre quis saber sobre. Uma coisa é você ler em livros e escutar na sala de aula, outra coisa é conversar com alguém que foi diretamente afetado pela crise.
Curti esse cara.

Saudita e seu celular

O outro figura-mor da Malásia foi uma saudita que eu conheci quando dei uma passada na casa do “Mo”, o queniano. Eles dividiam apartamento.
Quando eu cheguei o saudita tava escrevendo algo em um caderninho de anotações. Fui conversar com ele pra poder ficar amigo do cara. Segue o diálogo:
– Fala rapaz, tudo bom? Eu sou Claudio, do Brasil.
– Oi cara, tudo bom? Eu sou … (esqueci o nome dele) da Arábia Saudita.
– Pô, massa, você faz MBA aqui na Malásia também?
– Sim, sim! Mas tou parado uns tempos, tou cansado de estudar
– Ah Beleza, mas o que é que você tá escrevendo nesse caderninho?
– Ah, tou tentando inventar a minha própria língua…
– Que nem o Tolkien ou Zamenhof (criador do Esperanto)?
– Sim…
Alguns segundos de silêncio…
– Você não é um cara muito ocupado não, né?
– Não.
Esse saudita era figura demais, cara! O bicho ficava o dia inteiro lá, no caderninho dele, no seu ócio criativo, tentando inventar a sua própria língua. Além disso, ele ficava o tempo todo filmando a gente com o celular: – É pra guardar os bons momentos – ele dizia.
É cada doido que me aparece.