Enfim o esperado

Mermão, no outro dia, após a “maldição de Thereza”, foi difícil até levantar. Mas, como já falei várias vezes, eu ainda tenho um blog pra rodar. Levantei, fui comprar umas camisas e esperei a noite chegar para o “Grand Finale”. A cereja do bolo ficou pra minha última noite de Tailândia. Era necessário assistir a partida de ping-pong para que a missão Tailândia, fosse totalmente cumprida. Para que, assim como aquela propaganda da Skol, eu tivesse algo pra contar pros meus netos.
Se liga em um dos varios doidos que estavam pelo bar quando fomos procurar gente pra nos acompanhar ao show. Velho, insistimos DEMAIS pra esse cara vir com a gente, mas o bicho tava pegando uma mina la. Diga ai, figura demais o cidadao, nao?? hahah

A noite chegou e a inevitável sede por depravação veio ao mesmo tempo. Conclamei o meu fiel escudeiro canadense e juntos fomos nos encontrar com mais alguns “couchsurfers” que se reuniam em um bar próximo para conseguirmos “engrossar as nossas fileiras”, “aumentar o número do nosso esquadrão”. Chegamos lá e fomos chamando todo mundo, mas, no final, só conseguimos mais dois caras pra ir com a gente: Um outro canadense gente boa DEMAIS (Vicent) e um turco.
O turco era um show a parte. Primeiro que o cara era da Turquia, um país que se não é fechado como a Arábia Saudita, está longe de ser aberto como o Brasil. O cara NUNCA tinha saído de casa na vida, NUNCA tinha viajado sozinho e NUNCA tinha saído do país dele. Na verdade, ele só tinha pousado em Bangkok há exíguas oito horas atrás. Eu só fiquei pensando comigo: – Esse cara foi logo cair na minha mão. Esse tá ferrado.
Só sei que no começo eu até ria do tanto que ele era imbecil e parecia ser inocente, mas depois de um tempo eu comecei a não mais suportar aquele cara. O bicho era imbecil demais, doido! Ele não sabia se comportar como alguém que está indo pra balada, ele parecia uma criança. Sério, toda hora ele ficava falando: “Não, que na Turquia, eu tenho um Honda Civic “tunado” e pá pá pá”. Teve uma hora que eu até perguntei pra ele se ele achava que alguns dentre nós iríamos beijá-lo porque ele tinha uma droga de um Civic. Enfim, depois de quase uns trinta minutos, depois de vários táxis diferentes tentarem nos lubridiar, conseguimos chegar à região putoresca, digo, pitoresca. Era uma rua de família, com várias primas andando de um lado pro outro e vários pais de famílias bigodudos tentando nos enfiar dentro das casas.

Mas o que é que a gente quer – pompoarismo tailandês

Os quatro incautos na Missao Ping-Pong. Da esquerda pra direita: Turco, Maranhense, Canadense Vicent e Canadense David.


Depois de tanto barganhar, falamos com um cara no meio da rua e ele falou que a gente poderia ir numa casa pra ver as meninas jogando ping-pong. Segundo ele, elas faziam tudo e a gente precisava pagar apenas 100 bath (algo como uns sete reais) pra entrar e ainda ganharíamos uma cerveja. Proposta tentadora, resposta afirmativa. Resolvemos entrar e ver “de qual é”.
Cara, entramos na casa. Bicho, vou te dizer, viu? Foi uma experiência totalmente nova. Mermão, era uma parada muito, mas MUITO nojenta. As mulheres eram muito, mas MUITO feias! Sério, mais feias que paraguaio baleado! Gordas, com os dentes podres, pêlos por todos os lados e tudo! Uma cena do demônio! Como a gente não tava lá pra ver as minas em si, mas sim o que elas faziam, tentei ficar de boa e assistir ao “show”, apesar de meu estômago embrulhar a toda hora.
Pra começar, elas nos saldaram com algumas velas. Engraçados que as velas estavam de cabeça pra baixo, mas enfim! Depois de algum tempo, uma das minas pegou um ovo de galinha (sim, um OVO de galinha) “acomodou” gentilmente “lá”, bateu com a barriga umas três vezes no chão e no final… Bem… No final saiu uma “gemada” que ela colocou no copo e perguntou se alguém queria tomar. LÓGICO que ninguém aceitou, né cara? Quando eu falo que a parada era nojenta, era porque era nojenta MESMO!
O mais engraçado era o Vicent. Eu, o outro canadense e o turco sentamos meio que sem jeito (pô, era a primeira vez que eu “visitava” um, digamos, “prostíbulo”). Os olhos do turco arregalados que pareciam duas bombas. Já o Vicent… Bem… O Vicent chegou já cumprimentando todo mundo, falando com as meninas (as que tavam em cima do palco eram horríveis de feias, as que vinham falar com a gente eram até “bonitinhas”), pegando uma cerveja, pedindo uma música pro Dee Jay… Digamos, ele meio que chegou já se sentindo em casa. De começo, já denunciou que ele tava mais do que acostumado a freqüentar lugares como aquele. Ele já foi sentando com uma cerveja na mão, um cigarro na boca e abraçado com três minas. As três alisando a careca dele. MUITO engraçado! Pare por cinco minutos e imagine a cena:
…………………………
Imaginou?
Pois é, agora continue lendo o blog!
A gente de começo já o apelidou de “boss” (chefe em inglês), pois ele parecia demais um chefão da máfia.
E eu? Como fiquei? Bem, eu já explicitei o que penso sobre lugares como este no meu blog, logo não precisa nem falar que quando as meninas vinham me “alisar” eu pedia educadamente pra elas caírem fora. Na verdade eu peguei o anel de compromisso que uso, coloquei na mão esquerda e falei que era casado o que no final acabou por não ajudar em nada.
Depois o show continuou. Meninas fumavam, assopravam velas de bolo, escreviam os nossos nomes no papel etc. Não preciso mais explicar como, né? Só sei que depois de uns vinte minutos, algumas de suas “assistentes” nos trouxeram umas raquetes de ping-pong. O show estava apenas por começar.
“Boss” já foi pegando as raquetes e dando uma pra cada um. – “Uau, legal, vamos jogar ping-pong com elas!” – pensei. Quando o show de fato começou, percebi que as raquetes não eram pra gente jogar, mas sim para SE PROTEGER! Mermão, as minas começaram a arremessar as bolinhas de ping-pong na GENTE!!! Queira tudo na sua vida, menos que uma bolinha daquela toque em você, meu amigo! Eu, todo tentando me proteger e boss e o turco se divertindo! Rapaz, depois de umas vinte ou trinta bolinhas veio a melhor parte!

Momentos de Tensao no Ping Pong tailandês

Cumpade, depois das bolinhas, elas começaram a entreter outros caras que chegaram. Rapaz, mas foi dez minutos depois. Veio uma mulher de paletó preto e calças sociais, de dentro do bar, com sangue no olho! Ela veio pra gente e falou que depois de nos “divertimos com as meninas”, deveríamos pagar a conta!

No final, pra fechar ainda com chave de ouro, nos voltamos ao bar pra rever a galera. Apareceu entao uma gorda IMENSA (essa de rosa) e comecou a dar um mole absurdo pro Turco. O bicho nao se fez de rogado, foi dormir abraçado com a mina e ainda saiu tirando onda. Essa noite foi bizarra.

– Uai, mas peraí, nos já pagamos a conta! Nós já pagamos os 100 baths – argumentamos com ela.
– Ãhn? Como assim? Eu não lembro de você ter me pagado porra nenhuma!
Cara, o circo tava montado. Nessa hora nos tocamos da roubada que nos metemos. Pagamos 400 baths pro cara que nos colocou dentro do local, mas o cara não trabalhava lá. Ou seja, nós pagamos 400 baths de bestas! Mas de boa, era só pagar mais 400 baths que tava tudo sossegado, né? Não, meu amigo, a mulher trouxe uma conta com 4000 baths a ser pago! Ou seja, 70 reais por cabeça!
Meu amigo, percebe que não tinha pra onde a gente correr? Um cara no meio da rua simplesmente nos colocou lá dentro. Nós combinamos o preço com alguém que não trabalhava dentro do local, ou seja, a mulher poderia cobrar o preço que quisesse que a gente não teria muito o que fazer. Ela argumentava que se não gostamos do preço que perguntássemos antes de entrar na casa. Como estávamos a argumentar demais, ela resolveu pegar pesado. Deu um murro na mesa e gritou “SEGURANÇA VEM CÁ”!
Éguas doido, nessa hora minhas calças quase que ficaram mais pesadas. Mermão, achei que ia apanhar mais que vaca quando entra na horta! Eu tenho certeza que os machões aí, que estão lendo o blog, não ficariam com medo! Cara, só sei que alguns segundos depois dela gritar, veio lá de dentro uma gorda IMENSA com uma laterna na mão. Sim, UMA gorda. A segurança da casa dela era uma mulher, meu amigo! Pensa que a gente ficou mais tranqüilo? Naadaaa…
As duas começaram a dar murro na mesa e falar que o bicho ia pegar se a gente não pagasse a conta. Mermão, o ambiente tava totalmente hostil!! Nessa hora o turco se destacou. Meu amigo, cada murro que essa mulher dava na mesa o turco dava um grito: – AAAAAAHHHHHHH!! O bicho ficou APAVORADO, meu amigo!! O bicho só ficava falando:
– Mermão, paga logo ela, paga tudo que ela tá pedindo! Paga ela, por favor! Paga ela, eu tou com medo! Vamo embora daqui! Paga o que quiser! EU TOU COM MEDO!!
E cada grito que o turco dava a mulher se empolgava mais e esmurrava mais a mesa. E era aquela cena cômica. Uma mulher de paletó botando pra gelar quatro macho barbado!
Além disso tinha aquela sinfonia: PUM! Soco na mesa!! AHHHHHH!! Turco gritando. PUM!! AAHHH!! PUM!! AHHHH!! E foi nisso quase meia hora!
Sério doido, eu com uma vontade IMENSA de rir, mas ao mesmo tempo com uma vontade imensa de chorar!! Heheheheeh. Eu nunca tinha visto isso na minha vida! Só sei que nessa hora a estrela do boss se destacou e o bicho resolveu intermediar a situação. Depois de muito conversa daqui, conversa dali, esmurra daqui, grito turco dali, o Vicent conseguiu que pagássemos apenas, apenas… Tchan, tchan, tchan, TCHANS!! Quinhentos baths!

Mermão, juro que na hora que eu vi que eles tinham negociado o preço, eu ria por dentro lembrando da caminhada de elefante. Lembram de quanto paguei pra andar de elefante? Sim! Exatamente o mesmo preço! Hahaahahah.
Só sei que no final eu não fiquei injuriado não, cara! Acho que tudo que aconteceu, todo o dinheiro que nos roubaram, faz parte da história. Os caras ficaram chateados, mas eu fiquei de boa. Pô, meu amigo, paguei algo como trinta reais pra ver vários shows diferentes! Um show das meninas jogando ping-pong, um show das garçonetes e um show do turco desesperado! Sério, doido! Eu ri demais depois, lembrando da situação!
No final, pra fechar com chave de ouro, o turco ainda vem pra gente e fala:
– Cara, eu nem sei porque a gente ficou com medo… Depois eu fique pensando… Era só a gente ter ligado pra polícia…
Meus netos, definitivamente, vão ouvir essa história várias vezes…

Presepadas em Bangkok – Introdução (Ui!)

Das inúmeras presepadas que aconteceram em Bangkok, vou contar apenas duas, as mais marcantes. Uma é a história da “Mochila Voadora” e a outra, claro, Ping Pong. Essa história do Ping-Pong tem tudo o que precisa pra poder virar um enredo de blog. Putaria, histórias engraçadas, presepadas, muita coisa dando errada etc. Prato cheio, meu amigo!
Mas, antes de tudo, para deixá-los mais situados, faz necessário que eu esclareça algo.
A StarAlliance me dá direito a apenas quinze paradas: Los Angeles – Honolulu –Seul – Hong Kong – Bangkok – Delhi – Estocolmo – Vasórvia – Istambul – Lubjana – Viena – Cairo – Zurique – Barcelona – Lisboa – Brasília), logo, eu desço em uma cidade, viajo ao redor e depois volto pra pegar o outro trecho.
Bangkok foi uma das quinze paradas da minha passagem de volta ao mundo. Desci na cidade no dia dois de maio e voltei à cidade para pegar o meu avião rumo à Índia quase dois meses depois. Bangkok foi a primeira cidade que utilizei como “base”, assim como Delhi e como ocorrerá com Vasórvia, Istambul, Cairo etc.
Mas o que é uma cidade “base”? A “base” ocorre quando há a oportunidade de deixar parte da bagagem que não tem tanta utilidade (jaquetas de frios, botas, presentes etc.) em uma cidade que obrigatoriamente deverei regressar pra poder pegar meu próximo vôo. Por exemplo, passei por vários países do Sudeste Asiático (Camboja, Indonésia, Vietnã, Malásia e Tailândia), mas apenas o trecho Hong Kong – Bangkok e o trecho Bangkok – Delhi estavam no itinerário da StarAlliance. Os outros países tive que fazer por terra e por ar bancando separadamente. Logo, Bangkok foi minha base, deu pra sacar?
Pra mais detalhes de como funciona a passagem da Staralliance visitem o site www.staraliance.com ou leiam o este post onde explico como funciona os vôos. É importante explicar, porque a história do Ping-Pong e a história da mochila voadora estão intimamente ligadas com esse vai-e-vem de Bangkok.
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O blogueiro volta à Bangkok

Do Vietnã, peguei um vôo de volta pra Bangkok. Comigo apenas uma convicção: Minha missão seria voltar pra Bangkok pra presenciar umas das mais inacreditáveis experiências já presenciadas e experimentadas (o pleonasmo foi pra dar enfase). Parafraseando Marcelo D2, em busca daquilo que seria a putaria perfeita! Chegar a um nível de putaria jamais alcançado ou sequer sonhado por um maranhense. Um pequeno passo para Claudiomar Filho, mas um grande passo para o blog “omundonumamochila”. Missão Ping Pong estava pra começar.
Assim que o avião aterrissou em Bangkok, lembrei que o aeroporto era deveras longe do local onde eu estava planejando me hospedar, longe da “Kao San Road”, a lendária rua de Bangkok aonde se concentram a maior parte dos albergues da cidade. Pensei que seria uma boa idéia procurar alguém pra poder dividir um táxi. Olhei dentro do avião o cara que tinha mais esteriótipo de mochileiro (cabelos compridos, barbas por fazer, olhar perdido no horizonte) e perguntei pro bicho se ele não tava afim de rachar um táxi pra Kao San. O bicho concordou na hora e fomos ficando amigos.
Na Kao San Road, todo dia e’ dia pra se fazer amigos. Conheci essa galera todinha por la.

Ele se chamava David, era canadense e morava na Inglaterra. O cara era gente boa e ficamos amigos de cara. Como não conseguimos achar dois quartos individuais no mesmo albergue, decidimos dividir quarto eu e ele. No começo fiquei um pouco preocupado, já que ficar na casa ou no sofá de alguém pelo couchsurfing.com é sossegado, afinal o cara tem um perfil onde você pode checar as várias referências que outras pessoas deixaram para ele e a possibilidade do perfil “matador de mochileiros” fica mais baixa. Outra coisa é você dividir quarto com um cara que você conheceu no meio da rua, como foi o caso desse bicho. Mas de boa, acabamos indo dividir. O único detalhe foi que todas as vezes que eu saí do quarto pra dar um rolê, carreguei comigo meu passaporte, meu dinheiro, meus cartões de créditos e meu PSP, logo, se ele fosse roubar algo, que levasse a cueca suja.

Cardapio na Kao San Road nem sempre e’ um dos mais comuns
Mas enfim, no final deu tudo certo.

Mochila Bumerangue

Porque eu expliquei toda essa história de cidade “base”? Então, porque essa história está intimamente ligada a isso. Expliquei para Nicknack meus planos e ele falou que seria tudo bem deixar a minha mochila na casa dele por alguns meses e quando eu voltasse à Bangkok poderia ir à casa dele, pegar minhas coisas e seguir viagem.
Tudo certo, peguei o busão e desci pra ilha de Ko Tao pra poder fazer o meu curso de mergulho. Rapaz, quando eu tou lá na ilha, a surpresa: Nicknack me liga e fala que ele não poderia mais ficar com a minha bagagem, que era pra eu voltar pra Bangkok, buscar a minha mochila e depois continuar viagem. Coisa boba, era só pegar uma viagem de 17 horas de barco, táxi e busão pra Bangkok, pegar uma mochila e depois pegar mais 17 horas de táxi, busão e barco pra poder voltar pra Ko Tao. Só ia perder uma grana e um tempo miserável, nada demais. Mermão, nessa hora eu peguei mais ar que pneu de trator. Pô, o cara tinha me falado que tava tudo bem em deixar a mochila na casa dele e três dias depois quando eu tou do outro lado da Tailândia ele me fala que não pode mais. Dizendo ele que o cara que dividia quarto, encanou por causa da mochila. Só sei que conversa daqui, conversa dali, o cara tava intrasigente, não queria nem saber se ele tinha falado pra mim que tava tudo bem ou não, mandou eu voltar pra buscar.
Desespero a parte, lembrei de uma brasileira que morava em Bangkok, fazia estágio na ONU e tinha trocado umas duas ou três palavras POR E-MAIL comigo. Como eu não tinha opção, resolvi apelar pra cara de pau:
– Alô, Thereza, tudo bom? Então, quem tá falando é o Claudiomar, aquele maranhense que trocou umas palavrinhas contigo no Couchsurfing. Olha, eu sei que você não me conhece, eu sei que eu não te conheço, mas sério, tou precisando DEMAIS de você.
Expliquei toda a história da minha vida pra ela, desde os tempos em que eu ainda era um maranhensezinho fazendo castelinho na praia da Ponta D’Areia até os tempos em que me tornei o terror da mulherada. Cara, essa mina foi um anjo, brother. Ela falou que tava tudo bem. Pegou o telefone do Nicknack, marcou um lugar com ele e foi buscar a minha mochila no outro dia. Cara, paguei pau demais pra essa mina. Eita mina arretada da moléstia, cara!
Quando voltei “tive” que ligar pra ela pra poder pegar a minha mochila de volta e, afinal, pombas, eu queria conhecer essa menina, praticamente uma “Nossa Senhora protetora das mochilas”. Liguei pra ela e marcamos de nos encontrar na Kao San Road, já que ela estava indo pra lá “fazer umas compras”. No caminho pra encontrá-la, acabei topando com o canadense no caminho e falei pra ele me acompanhar, já que ia encontrar uma brasileira e ainda por cima ela era de pele morena (mermão, como eles curtem minas de pele marrom, meu amigo!).
Encontramos com ela e começamos a trocar uma idéia. Ela estava com uma amiga colombiana e uma amiga alemã mais comprida que explicação de gago. Antes de começarmos a fazer as compras, a colombiana falou que tava com fome e pediu pra paramos em uma lanchonete pra poder comer um lanche. Fomos lá e quando cheguei à lanchonete, os preços eram absurdamente caros. Pedi licença e fui comer em um lugar mais barato. Fui ao Burger’s King. Lanchei e voltei pra lanchonete. Quando eu voltei, olha a cena: A colombiana comendo algo, o canadense com uma jarra de um litro de cerveja e uma garrafa CHEIA de Rum lustrava na mesa. Mermão, INSANO! Perguntei pra Thereza o que significava aquela garrafa e ela me falou que era caso alguém sentisse “sede”. Mermão, nessas horas minhas pernas tremeram. Eu tava numa sinuca de bico. O meu lado bom falava no meu ouvido: – “Claudiomar ,você não bebe tanto, você não vai agüentar nem a primeira garrafa de Rum. Pede um copo de leite e uma maçã.
Já o meu lado maranhense me falava: – “Você é um maranhense!! Um maranhense nunca bebe menos que uma mulher ainda mais quando ela lhe chama de frouxo em inglês e em português. Honre os seus antepassados e beba como um homem!”.
No comeco estavamos assim

Não teve jeito. No começo eu ainda vim com a desculpinha de “eu não bebo Rum” e fiquei tomando cerveja com o canadense enquanto as minas detonavam a garrafa de Rum. Quando veio a segunda garrafa e elas falaram que eu mais parecia um frouxo, tive que honrar Beckman (gente, não é David Beckham jogador de futebol, é o maranhense Beckman, cara que liderou uma revolta em 1684 e todo mundo estuda sobre ele) e peguei mais um copo.
Só sei que a noite terminou com um maranhense mais bêbado que um gambá, voltando pra casa escorado em um canadense mais louco que o Batman e dormindo onze e meia da noite.
No final estavamos assim

Saldo da noite? Três garrafas de rum, três litros de cerveja em cinco pessoas e ninguém pegou ninguém. Eu amo a Tailândia.

Ayutthaya

Cara, Ayutthaya, foi um dos lugares que mais me fascinou em toda Tailândia. Ela é a antiga capital que falei no post atrás. Depois de uma invasão dos birmaneses (hoje Mianmar) que zoaram a geral cidade, os tailandeses resolveram construir uma outra capital, como já explicado.
Certo dia, Nicknack, o cara que me hospedou enquanto estive na Tailândia, resolveu convidar todo mundo pra poder visitar essa tal cidade. Ele convidou a mim, José (paraibano que conheci em Bangkok, aquele que aparece comendo gafanhoto comigo), uma alemã e um tailandês companheiro de quarto dele. Eu não sabia que cidade era aquela, tampouco porque era tão importante. Acabei indo só porque a maioria da galera iria. Fui, digamos, na onda. Vou te dizer, não me arrependo nenhum pouco de ter ido, viu? Depois dos templos do Camboja e de Katmandu no Nepal, foi o lugar com ruínas históricas que mais me impressionou.
– Gente, por favor, nao falem alto! Desse jeito voces vao acordar o gatinho! – acredita que a gente teve que escutar isso quando fomos pagar nossa entrada?

Pegamos um trem “local” e pagamos uma mixaria para ir nessa tal cidade. Chegando lá e, como estávamos com Nicknack, tudo acabou saindo muito barato, do restaurante ao táxi.
Alguem sabe me informar aonde fica o Mac Donald’s mais proximo?

Ayutthaya em si não há muito o que falar. As construções por si só são impressionantes. Cara, e’ muito da hora como parece que elas vao tocar o ceu, bicho! Aquelas torres sao da hora demais! A cidade é patrimônio da humanidade e realmente merece o título. Seguem as fotos:

Pra não me alongar muito, gostaria de citar apenas algo que me chamou à atenção. Em quase todas as construções havia estátuas de Buda de cabeças cortadas. Comecei a ler as placas informativas e segundo tais fontes, as cabeças foram cortadas pelos Birmaneses (hoje Mianmar) ao invadir Ayutthaya.
Uma das cabecas cortadas acabou sendo envolta por raizes de uma arvore num fenomeno muito interessante.

Quando os Birmaneses chegavam às cidades tailandesas, os bichos zoavam geral. Queimavam tudo e cortavam as cabeças dos Budas. Eles faziam aquilo que eu já explicava no post da Coréia do Sul e que era o esporte favorito dos japoneses: Queimar os templos dos outros e perturbar a paz alheia.

Budas de cabecas cortadas

Mas uma coisa me chamou ainda mais a atenção nessa história do “queima o templo deles”. Pô, se os Birmaneses eram Budistas também, porque diabos eles queimavam templos e cortavam cabeças de Budas, profanando a sua própria religião?

Beleza, ter a mesma religião não é garantia que vocês não serão inimigos, mas pelo menos o que aprendemos estudando história européia (que na escola eles chamam de “história mundial”), apesar de inimigos, os povos de mesma religião não saíam tacando o terror em igrejas alheias. Ainda que seja de outro povo, profanar as suas construções é a profanar a Deus. Imagina, se amanhã estoura uma guerra entre Maranhão e Piauí, você acha que o exército Piauiense iria derreter as paredes de ouro da Igreja da Sé do centro de Sao Luis? Acho que não… Realmente não tinha muita lógica aquilo.
Depois de quatro anos estudando Relações Internacionais, era chegada a hora de aplicar todo o vasto conhecimento adquirido! Que autor conseguiria me explicar esse fenômeno? O realista Carr? Morgenthau? O neo-realista Waltz? Adam Smith? Amado Cervo?
Devido a esta curiosidade, fui perguntar a Nicknack se ele tinha alguma explicação para aquilo. Porque os birmaneses tacavam o terror em templos, ainda que tivessem a mesma religião. Ele me explicou perfeitamente em poucas palavras:
– Eles faziam isso porque os Birmaneses são uma cambada de filhos de umas putas.
Nada como a resposta certa pra pergunta errada.




Um maranhense, um paraibano, um elefante e uma câmera digital

Galera que foi pra Ayutthaya dormindo na casa de Nicknack
Dando um rolê por Ayutthaya, Nicknack nos propôs algo interessante:
– Ei galera, vocês já andaram de elefante?
Pô, já tinha visto uma galera caminhando com elefantes no meio da rua, mas nunca tinha subido em um. Fala aí, andar de elefante deve ser uma parada da hora, né não?

Não pensamos duas vezes. Falamos com NickNack e foi todo mundo andar de elefante. Eu, o paraibano e a alemã. Cara, chegamos numa casinha de telhado quebrado e de paredes amarelas descascadas. Nicknack já chegou gritando em Tailandês e lá de dentro saiu uma mulher e uma menina com o seu bichinho de estimação na coleira. A menininha era fofa demais, tinha por volta de uns sete anos e trazia na coleira o seu singelo tigrinho. Sim, cara, enquanto no Maranhão a gente cria cachorro, gato, capivara e cotia, na Tailândia eles criam tigres! Mermão, fiquei de cara demais!!! Depois dei uma olhada no jardim de trás e pude ver mais duas criancinhas dormindo no quintal. Dois belos tigrinhos tirando uma soneca. E eu achando que eu tava sendo “hardcore” porque tinha um pastor alemão guardando minha casa.
Sim, o tigrinho ficou tentando comer a minha bermuda jeans. A melhor foto que deu pra tirar com ele foi essa.
Eu acho que eu vi um gatinho

Nicknack ficou lá negociando o preço do “Elephant trekking”. Eu e os outros dois ficamos batendo fotos com o tigrinho. Cara, Nicknack voltou de dentro da casa com más notícias. A mulher não aceitou fazer o trekking por menos de 500 baths, o que dá por volta de uns 30 reais. Não tínhamos outra opção, já que ele falou que não teve jeito de baixar o preço (cara, quando um “local” não consegue baixar o preço é porque não tem jeito mesmo). Resolvemos embarcar.
Subimos eu e o paraibano num elefante e a alemã em outro. Vou te dizer, foi uma experiência única na minha vida, viu? Andar de elefante foi algo totalmente novo e sem parâmetros a tudo que já tenha ocorrido na minha vida medíocre! Rapaz, foi uma experiência impressionante! Cara, imagina, você sentado lá em cima! No lombo de um elefante? Vendo tudo de uma visao panoramica? Imagina, meu amigo???

Imaginou?? Hein? Hein?

Eu vou descrever pra você como é um passeio de elefante! Presta atenção na riqueza dos detalhes.
Um passeio de elefante, é assim: Ele anda, anda, anda, anda. Pára pra comer um pouco, anda, anda, anda. Faz uma curva e anda, caminha, anda, caminha e… E? Tchan, Tchan, Tchan, TCHANS!!! E ANDA!
Doido, eu vou te dizer, eu NUNCA passei tanta raiva na minha vida! Cara, andar de elefante foi uma das coisas mais CHATAS e ENTEDIANTES que eu já pude ter o desprazer de fazer! Algo como uma aula de botânica sobre o ciclo reprodutor das briófitas! Sério, doido!
Cara, não tem nada demais! Você sobe no lombo do bicho, ele anda pra um lado, anda pro outro e pronto, acabou! Mas não é assim, “acabou”. Vinte e cinco minutos andando no lombo daquele bicho me custaram quinhentos baths. Eu disse QUINHENTOS! Cara, trinta reais é dinheiro que só a molesta no Brasil, agora, imagina na Tailândia? Pra vocês terem uma idéia, quinhentos baths pagam 10 refeições num restaurante “padrão”. Depois eu vou falar o que dá pra fazer com quinhentos baths aqui na Tailândia e vocês vão fazer o seu julgamento.
O pior que é isso. Você sobe no lombo do bicho todo empolgado, fica feliz que só mosquito em campo de nudismo, acha que vai ser uma coisa de outro mundo e depois de cinco minutos você enjoa e fica os outros 20 minutos pensando como você desperdiçou dinheiro pra não fazer nada! Até andar de cavalo é mais divertido, já que cavalo pelo menos é rápido e você sente o vento no rosto. Cara, sério, se um dia vocês tiverem a “oportunidade” de andar de elefante, NÃO ANDEM! Paguem pra bater uma foto em cima do pescoço do bicho e peçam pra andar 10 metros. É mais do que o suficiente pra poder se entendiar. As fotos em cima do elefante vocês podem mostram praquele “Zé povinho” que vocês não gostam e fazer inveja neles. Não esqueçam de falar que andaram por quase duas horas e foi sensacional, assim se um dia eles tiverem a “oportunidade” de andar de elefante, eles vão jogar dinheiro fora. Hehehehe.

Eu lembro que um dia eu falei que, quando crianca, costumava tomar refrigerante em saquinho plastico. A galera de Brasilia nao perdeu a chance e zoou da minha cara ate nao poder mais. Me chamaram so’ de Jeca Tatu e o Maranhao de fim de mundo. Olha so o que um dos tailandeses ficou fazendo enquanto a gente andava de elefante…
O elefante só tem um marfim!!

Youtube e Tailandia

Galera, esqueci de falar, o youtbe na tailandia é bloqueado… Isso ocorreu devido a um video que alguem postou zuando com o rei deles… tentei achar no youtube, mas parece que o youtube ja tirou do ar…
Enfim, posto agora o video abaixo sobre aquilo que ja tinha falado num topico atras, antes de todo e qualquer filme no cinema, temos que levantar e ficar em posicao de respeito enquanto o video sobre o rei é mostrado… se liga
Cara, o outro post já tá feito e revisado, mas, pqp, tou numa casa aqui em Goa totalmente isolada de tudo, cara.. pra melhorar o teclado ainda é frances, com as teclas todas trocadas… é uma tortura escrever aqui
arf