Itália e Vaticano

Cara, do trecho mais badalado por todos que vão fazer uma viagem pra Europa (França, Inglaterra, Itália, Portugal, Espanha, Holanda e Alemanha), a Itália era o único país que eu realmente fazia questão de viajar. A Alemanha eu nem estava planejando ir, acabei indo por acidente quando consegui uma carona pra Munique quando estava em Praga. Espanha e Portugal eu só fui mesmo porque já estava no trajeto que eu havia desenhado. Mas a Itália não! A Itália desde o começo estava nos meus planos de viagem e, além de Polônia, República Tcheca, Grécia (que infelizmente não deu pra eu ir) e Hungria, era um dos únicos países europeus que eu REALMENTE sonhava em ir desde que ainda fazia trajetos numa calculadora de milhas aqui no Brasil.Por quê? Bem, cara, porque o Império Romano e a Grécia Antiga são os pilares de toda a civilização e pensamento do Ocidente. Basta lembrar do Direito Romano (de onde se origina o nosso Direito); a influência de Sócrates, Platão, Aristóteles, Pitágoras, Arquimedes na filosofia ocidental e também na matemática; a democracia, que não existiria sem Clístenes e Sólon; a base da Igreja Apostólica Romana entre outros. Roma e Atenas são cidades que respiram história por todas as suas esquinas e becos. Infelizmente, como já falei, não deu pra ir à Grécia, mas felizmente pude visitar Roma, “a cidade eterna”, Veneza (que faz parte do imaginário de qualquer pessoa) e ainda deu pra dar uma passadinha marota em Florença.
Uma curiosidade que acabou ocorrendo comigo na Itália e que não ocorreu em nenhum outro país europeu enquanto viajava. A Itália foi o único país da Europa que pediram meu passaporte pra poder atravessar uma fronteira que teoricamente não existia (já que atravessava da Eslovênia que também faz parte da União Européia). Deixe eu explicar melhor. Pra quem não sabe, viajar dentro da União Européia é como viajar dentro do próprio Brasil. Mais ou menos, guardada as devidas proporções, como viajar do Maranhão pro Piauí. Não há posto de imigração, controle de fronteira, visto, nada disso! Você apenas vai viajando e, PIMBA, quando vê tá lá a placa dizendo “bem vindo” ao outro país. Todas as fronteiras que eu cruzei; Polônia-República Tcheca, República Tcheca-Alemanha; foram assim. A única que eu tive um certo tipo de problema foi quando eu viajava da Eslovênia pra Itália. Pô, peguei o trem noturno! Oito horas de viagem! O que eu pensei? Claro! Vou dormindo a viagem inteira. Quem disse? Deu umas três horas da manhã acordo com um cara me chacoalhando no trem. Quando eu já ia abrindo a boca pra xingar o figura que eu fui perceber que era um policial italiano. Ele começou a falar em italiano comigo, mas deu pra entender que ele pedia meu passaporte. Deu vontade de mandar ele cuidar da vida dele, já que ele não poderia fazer aquilo, mas acabei dando meu passaporte e perguntando o que estava acontecendo. Ele nem se deu ao trabalho de me responder. Apenas checou meu passaporte e me devolveu. Safado! Só pra ferrar meu sono.
Além de toda a sua história milenar, também queria viajar a Roma porque, sempre bom lembrar, lá há o menor país hoje em extensão: o Vaticano. Roma é quase uma figurinha premiada! Uma visita a Roma vale dois pontos no álbum de figurinhas da viagem! Dá pra visitar dois países (Itália e Vaticano) em um só dia, olha só!
Caso vocês estejam perdidos e não tenham se tocado, a sede da Igreja Católica é um país soberano. Como isso pôde acontecer? Bem, todos sabemos que a Igreja Católica sempre foi (e ainda é) uma das maiores instituições detentoras de terras do planeta. Durante vários anos, as terras próximas de Roma e a própria cidade foram governadas pelo Papa, que se comportava como um verdadeiro soberano destas terras. Isso durou até o século XIX, século da unificação da Itália. Durante o processo de unificação do território que hoje corresponde ao país, as tropas italianas foram conquistando e anexando as terras papais até o momento em que conseguiram entrar triunfantes em Roma e tomar controle da cidade. Como compensação pelas terras perdidas, os italianos ofereceram a área que hoje é o Vaticano para o estabelecimento de um país para a Igreja. O Papa logicamente não aceitou e se trancafiou no seu palácio alegando que estava sendo feito refém pelo poder laico. Essa confusão durou um bom tempo até que, vendo que não conseguiria muita coisa, o Papa resolveu aceitar os termos, assinando o tratado de Latrão com Benito Mussolini, e assim foi criado o menor país do mundo. Apesar de reconhecido por diversas nações como um país soberano, o Vaticano não possui direito de voto nas Nações Unidas. Motivo? A oposição dos países não-católicos que não o reconhecem como um país, mas apenas como a sede administrativa da Igreja Católica.
Trocando em miúdos, o Vaticano possui uma área de 0,44 quilômetros quadrados e uma população de 800 pessoas. Possui a menor taxa de natalidade do mundo (sacou a piada? Há há? Há há?). A Itália, por outro lado, possui uma população de 60 milhões de habitantes e uma das maiores economias do mundo, com destaque para os setores automobilístico (Ferrari, Fiat…), moda (Armani, Benneton…) e turismo (a Itália é hoje o quinto país mais visitado do mundo). Uma coisa engraçada da Itália é o grande contraste que existe lá dentro. Se vocês acham que o Nordeste brasileiro é muito diferente de São Paulo, é porque nunca ouviram falar do Norte e do Sul da Itália. O Norte da Itália é altamente industrializado, sede de suas maiores empresas e muito, mas MUITO rico. Já o sul, bem, o sul da Itália nada mais é do que um grande brasilzão. Pobre pra todo lado, essencialmente agrário e com muito, mas MUITOS problemas de máfia e corrupção (no ranking da ONG Transparência Internacional a Itália aparece como um dos países mais corruptos do mundo, apenas 10 posições acima do Brasil). Bom lembrar que todos os filmes de mafiosos são de famílias italianas, principalmente sicilianas e calabresas.
Cara, eu poderia ficar o tempo inteiro falando da Itália e do Vaticano e de suas diversas atrações, mas vou ficando por aqui. Quando eu começar a falar de cada cidade que visitei por esses locais vou falando com mais detalhes, acho que assim fica melhor.

3 comentários em “Itália e Vaticano

  1. Cara, você chegou a ler o artigo sobre a Sicília que você linkou da Wikipedia?

    O cidadão que o escreveu todo cheio de pompas poéticas e uma frescuraiada do cacete.

    De resto, quase não há como discordar do Dawkins sobre a periculosidade da religião em geral.

    E na boa, não sei porque mas a Itália nunca me chamou a atenção. Prefiro mil vezes passear pela Bavária do que ir a Veneza.

    Abraços

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  2. Cláudio, você achou a Europa sem graça depois de passar pela Ásia? To perguntando porque li isso num outro blog de volta ao mundo, e fiquei pensando que talvez isso pudesse acontecer comigo.
    Fico com uma idéia na cabeça que vou desfrutar melhor da Europa quando tiver mais velha. Mas se fosse pra fazer intercâmbio, morar, aí sim eu curtiria.

    Abraços paulistanos!

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