Um maranhense vai à Fiji

Êpa! Dê aí um pitôco no seu rádio! Está começando agora mais um capítulo do blog “Vida e morte nordestina”, com o título “Um maranhense vai à Fiji”Pois é galera, como foi prometido, vamos começar agora a narração de nossa aventura rumo ao arquipélago Fijiano no meio do Oceano Pacífico.Não lembro se eu postei em blogs anteriores, mas antes mesmo de vim pra cá pra Austrália, havia várias coisas que eu sonhava em fazer e uma delas era passar uma semana em Fiji. Depois de vários blogs “Chapéu de otário é marreta”, cada dia que passava parecia que eu não conseguiria sequer me sustentar aqui pela Austrália. Mas graças a deus a curva seno converteu-se numa curva tangente e eu consegui juntar uma graninha e pude pagar a minha viagem pra Fiji.Antes de começar a contar os fatos acontecidos, é de extrema importância que eu explicite algumas curiosidades sobre Fiji pra vocês se situarem melhor. Fiji é um arquipélago situado no meio do Oceano Pacífico e que possui uma sucinta curiosidade, o arquipélago é cortado pela linha internacional de Data, logo, o primeiro nascer do sol do Mundo e o último pôr-do-sol são ambos em Fiji (o que faz o principal jornal fijiano trazer estampado na primeira página, com orgulho, a frase “Este foi o primeiro jornal publicado hoje em todo o mundo”).

A regra geral do pais e’ aonde voce for ou o que quer que voce queria fazer diga sempre: “BUUULLAAAAA!!!!”. Bula significa “Ola” na lingua nativa Fijiana e os caras ficam profudamentes felizes quando voce manda um BUULLAAAA!!! bem animado pra eles. Por todo canto o que voce mais escuta e’ Bula!!! Isso nao deixa de ser bem legal. O arquipélago é uma ex-colônia britânica e o Inglês é uma de suas línguas oficiais junto com a língua nativa Fijiana. Portanto não tive grandes problemas pra me comunicar já que todo mundo em Fiji manda bem no Inglês e inclusive os jornais que são vendidos nas bancas são na língua da rainha. Assim como a Austrália, Fiji também tem todas aquelas frescuras de países participantes de “súditos da rainha da Inglaterra”, imagem da rainha nas notas de dinheiro e na parte de tras das moedas. O país é em si bem pobre, depedendo basicamente da exportação de cana de açúcar e do turismo para poder mover a sua economia. Por dependerem bastante do turismo, os fijianos costumam ser bem simpaticos com a gente, portanto, ao avistar uma pessoa que parece ser um turista o Fijiano sempre cumprimenta com um animado “Bula”. O país é em si formado por mais de 300 ilhas diferentes, sendo que praticamente a metade não são povoadas. Há duas ilhas maiores e principais onde se concentram a população e as suas principais cidades e várias outras ilhas menores, que quando são povoadas, não tem NADA nelas, a não ser um resort e uma pequena vila pra galera que trabalha la poder morar.

Quando você compra o pacote pelos passeios pelas ilhas, você paga numa tacada hospedagem, passeios e refeições (café, almoço e jantar). Sai daqui da Austrália com duzentos dólares no bolso e deu pra viver muito bem por lá, ate sobrou, já que os meus gastos se limitaram em algumas bugigangas pra amigos, táxis e a minha hospedagem no último dia.Depois dessa breve explanação acerca do arquipélago vamos começar a narração. Eu progamei minha viagem pra dar tudo certo desde o começo. Marquei meu vôo pra poder sair numa segunda feira às seis da manhã, assim que terminasse o meu último dia de trabalho no hotel, eu não precisaria nem dormir, já iria direito para o aeroporto. E não deu outra, dois dias antes da minha viagem me foi avisado que iria rolar a despedida de um dos nossos brothers daqui da Austrália, o Fábio estaria voltando para o Brasil e portanto a galera iria tomar uma cerveja na casa do Yves no domingo a noite. Fechou fechado! Terminei o meu trabalho exatamente a meia-noite, passei no staff room, fiz alguns sanduíches e coloquei na bolsa (vocês vão já entender porque). Só que depois do trabalho, me apareceu um problema, um GRANDE problema, minha máquina digital se encontrava apinhada de fotos e eu precisava descarregá-la de alguma maneira, pois, ir pra Fiji sem bater foto não dá, né? Comecei a ficar desesperado, mas quando cheguei na casa d
o Yves apareceu aquele anjo, aquela peça escultural, aquela que Tim Maia já dizia ser “é mais do que sei, é mais que pensei, é mais que esperava”, o que Pixinguinha dizia ser “de deus a soberana flor, de deus a criação, que em todo coração sepultas um amor”, apareceu a Dani que se dispôs a sair mais cedo da festa pra podermos ir na casa dela pra poder descarregar as fotos e de quebra aquele anjo ainda se dispôs a entregar os meus últimos time sheets na Pinnacle, só tenho uma coisa a dizer: DANI, apesar de voce ser carioca, TE AMO!!!

Depois de descarregar as fotos, peguei o táxi correndo e, LÓGICO, como eu iria fazer uma viagem INTERNACIONAL pedi ao taxista que me levasse no aeroporto INTERNACIONAL de Sydney. Chegando lá, fiquei peruando por dentro do aeroporto, mas perdido que calcinha em lua de mel, procurando aonde eu poderia embarcar. O mais engraçado é que o aeroporto parecia filme de Faroeste, não tinha quase ninguém por lá, todos os pontos de informação se encontravam VAZIOS!! Comecei a ficar mais angustiado que barata de cabeça pra baixo, afinal, a hora do meu voô se aproximava. Depois de um bom tempo peruando pelo aeroporto encontro um cidadão que me informava que eu não iria pegar o avião naquele aeroporto, mas sim que iria ter que embarcar no OUTRO aeroporto de Sydney, no aeroporto DOMÉSTICO, pois afinal eu iria pegar um avião em Sydney e outro diferente em Brisbaine. Beleza, e lá vou eu pagar mais DEZ DÓLARES de táxi pra largar de ser bobo. Pego meu avião e o que eu descubro? Como eu estava suspeitando o avião NÃO TINHA SERVIÇO DE BORDO, um sanduíche custava a “bagatela” de apenas CINCO DÓLARES AUSTRALIANOS (diria que meio táxi que eu paguei de bobo). Lá vai claudiomarzinho ter que pegar os sanduíches que havia feito no hotel pra comer dentro do avião. Depois de vários anos abominando os seres farofeiros que empinham as praias de São Luís, agora chegou a hora do pobre do Claudiomar ter que levar a quentinha pra fazer a farofa dentro do avião. Depois de anos pegando BRA pra ir e voltar de São Luís eu nunca achava que algo poderia ficar pior. Tá certo que a BRA te dá um pão com queijo e um bis, mas pelo menos ele te dão algo pra comer, eles não te cobram 10 dólares por refeição. Deus do céu, como as coisas podem piorar tão fácil? Digo e repito, sovinar um pedaco de pao e um refrigerante dentro do aviao é algo que ninguém merece MESMO!!!!! A viagem transcorreu, na medida do possível, normalmente, só destacando o fato de, antes de embarcar, todo mundo tinha que ficar descalço!! Não obstante neguinho colocar as malas no decector de metal, agora também temos que botar os sapatos para vôos internacionais. Eu, mais esperto, não tive esse problema, tava de havaianas.. uhahuhuhaa.

O massa foi na hora de chegar em Fiji! Na hora que eu desci do avião veio só aquele bafão QUENTE!! Nossa, mas eu já quase havia esquecido como é morar nos trópicos. Peguei a van pro meu hotel e no caminho conheci um suíço que estava viajando sozinho e, portanto, logo ficamos amigos e conheci um italiano que viajava com uma japonesa, ambos gente finíssimas. Rapaz, que coisa de louco era aquela? Quando eu entrei no hotel eu só pensei: Eu paguei POR TUDO ISSO? Comecei a ficar mais feliz que pinto no lixo. A recepção era algo de louco: Ar-condicionado, limpíssima, pintura nova quadros de arte e talz. Um cheiro de perfume de rosas tomava conta do ambiente. Cheguei na recepção e pedi as minhas chaves, a recepcionista foi lá e me deu as chaves do meu quarto e falou que alguém ia me levar ate la. Ela também me disse que eu ia dividir quarto com duas outras meninas, uma inglesa e uma americana. Eu até fiquei feliz na hora. Imagina? Se uma das duas fosse gatinha eu já chegava no Go Go Fight no pescoço dela com todo o meu charme de Latin Lover. Pra ser sincero, eu juro que eu imaginei aquela cena a noite, ela falando comigo… – Pôxa, eu tou aqui em Fiji, dormindo sozinha, não volto aqui nunca mais, não queres ser meu cobertor, meu maranhense lindo? Nao queres me fazer uma massagem por dentro? VAMO MEU LATINO FOGOSO!!!! Me chama de largatixa e me joga na parede!!! Me chama de gaveta e me desarruma toda!!!!

Depois que eu vi o naipe das bichinhas, eu juro que me deu vontade de dormir trancado no banheiro. A pobre da americana era mais pesada que sono de surdo e a inglesa mais feia que briga de foice no escuro. – Melhor guardar energias pra poder mergulhar amanhã – eu pensei. Mas beleza, o cara que ia me levar no meu quarto apareceu. Rapaz, nessa hora o sonho acabou. Quando eu prestei melhor atenção, o ar-condicionado era só pra recepção. O cara pegou uma mochila minha, saiu andando, não deu nem bom dia. Na hora que o bicho abre a porta da recepção e a gente caiu pra fora, veio só aquele bafão quente de Fiji de novo. O cidadão me levou até uma escada de madeira que, sem brincadeira, eu não sei como ainda está de pé dado o estado de podridão de alguns dos seus pedestais que a cada pisada mais forte quebrava de tão mofado. Começamos a sair em busca do quarto Paradise (que ironia) e cada vez mais que adentrávamos as paredes ficavam mais descascadas e mofadas. Quando eu entrei no meu quarto eu comecei a me perguntar se não seria uma idéia melhor eu dormir do lado de fora, no meio do mato. O quarto era mal iluminado, o chuveiro pingava ao invés de molhar e a cama tinha sequer um lençol pra cobrí-la. – Não paguei por um resort, pensava tentando me conformar.

Depois de um tempo resolvo dar uma volta pela cidade, mas vou te dizer, seria melhor que não tivesse. Nadi é a segunda cidade mais importante de Fiji. Eu gostaria de conhecer as menos importantes. O centro da cidade não tem simplesmente NADA e’ só uma galera andando de um lado pro outro, todo mundo DESCALÇO e falando Bula!!!! pra você (já que dava pra perceber que eu era forasteiro). Eu sai andando no centro da cidade a procura de algo ou alguém com que eu pudesse bater uma foto.

Não precisou nem descer do táxi pra já começar a ser abordado. O táxi nem parou direito e já veio uma maozona abrindo a porta. Era um Fijiano de uma loja do lado que praticamente me enfiou dentro da loja dele, falando que era muito legal e blá-blá-blá. Nessa hora lembrei de um dos dizeres nordestinos que eu mais admiro. Nossa Senhora tentando defender João Grilo durante o Auto da Compadecida dizia: “A esperteza e’ a arma do pobre”, mas e’ mesmo. O cara perguntou meu nome e de onde eu era, quando eu falei que era do Brasil o bicho começou a me tratar de um jeito tao, mas TAO gente boa que eu me senti na obrigação de comprar algo na loja dele, acabou que comprei um cartão e algumas bugigangas pra levar de lembrança pro Brasil, gostei tanto do bicho que pedi ate pra bater uma foto com o cidadão, caraca, que bicho gente boa.

Depois de praticamente ser arrastado pra dentro da loja e de comprar algumas bugigangas resolvo dar uma chegada no supermercado pra, como diz os paulistanos, “ver de qual e’ “. Comecei a andar por la e qual não é o meu espanto ao andar pela sessão de bolachas e biscoitos e me deparar com waffers… waffers… waffers ESCRITOS EM PORTUGUÊS!!! Caraca!!! Eu juro que eu pirei na hora!!! Que porra e’ essa???? Quando eu fui ler onde era produzido, a minha surpresa: “Fabricado em Guarulhos-SP”. Mas assim, em português mesmo. Caraca como fiquei espantado em encontrar produtos brasileiros perdidos no meio do oceano pacifico, me senti na obrigação de comprar dois ao menos pra poder bater uma foto. Acabou que esses biscoitos fotogênicos salvaram a minha vida em Fiji, como vou contar mais posteriormente. Depois de pegar os waffers brasileiros no balcão e ir cantando o hino nacional em direção ao caixa comecei a dar um role pela centro da cidade quando DO NADA aparece um fijiano e começa a falar comigo. O bicho veio com uma conversa de quem não quer nada, mordiscando pelos cantos que nem gato comendo feijão quente. “E ai cara, como ta e talz?”. Fui tentando desconversar, mas o bicho era insistente, depois eu vi o real motivo que o cidadão tava querendo conversar comigo, ele só me perguntou: “E ai cara, você fuma? Vamo experimentar a maconha fijiana?” Nessa hora a ficha caiu e comecei a perceber o perigo que eu poderia estar passando, sozinho no meio do centro de Fiji, com quase 200 dólares na bolsa e uma câmera digital. Falei que não, mas o cara continuou insistindo, nao dei outra, falei tchau pra ele, peguei o primeiro táxi que eu vi e desci correndo pro meu albergue.. ta louco? Eu fui logo esperar o outro dia que o batente pras ilhas seria cedo..

Galera… vou acabar o primeiro capitulo aqui… tou numa lan house na Africa do Sul pagando quase 5 reais a hora e ainda por cima no meio da “ChinaTown sul-africana” (esses bichos tao em todo canto) e ainda por cima o chines que cuida dos pcs aqui não fala inglês… por isso tou passando só raiva… melhor eu ir logo que meu dinheiro ta acabando… próximos post semana que vem!!! não percam!!!! nele vou contar como foram as belíssimas piscinas de águas azuis cristalinas de Fiji e, claro, muita confusão…

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8 comentários em “Um maranhense vai à Fiji

  1. Claudiomar…vi no post anterior q vc saiu no jornal…bem…sou paraibana, mas nao vi a materia. Sabe, comecei a ler seu blog a partir d alguns emails q eu recebia d uma tal Marisa Figueredo (axo q é isso!). Nao, nao tenho a menor ideia d como os emails dela vieram parar na minha caixa d entrada, mas eu comecei a gostar dos emails e acabei descobrindo o seu blog e vindo direto à fonte 😉Me divirto com suas historias. Vc escreve bem.Bem…eu iria adorar conversar com vc…caso vc queira… mayaralobo@hotmail.comBjos Latin Lover!! haushauahsau

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  2. oi Maranhense…..Que saudadeeeeeeeeeeeeee🙂Já está no Brasil?Deixa eu te falar, eu não tive tempo de ler os seus blogs, mês de fevereiro e março tive concurso todos os finais de semana, está muito corrido..! Estou “quase-totalmente” off da net..Mas passei aqui pra te falar que não me esqueci de vc, aliás, sempre me lembro de vc, das nossas conversas na net até altas horas.. E quando minhas provas terminarem semana que vem eu vou ler todos, aliás, estou louca para que isso aconteça..Beijão pra vc..!ps.: Me mande notícias suas por e-mail, ok?

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  3. Clauclau…legal o hotel que vc ficou!Nao vi o porque de tanta reclamação!usahushaNao tem foto das inglesas? ueheuhehAbsolut ou Natasha? ehehehvenha logo!!beijao =***

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  4. Eu.. denovooooooo!Como assim África do Sul???…Caracaaaaaaa.. “menino rodado”…Esse tempo longe do msn está me deixando muito “por fora”…Depois vc me conta tudo, ok?Beijo

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  5. Ola!
    Moro e trabalho no japao e aki na minha fabrica tem um
    Fijiano que e a alegria da fabrica, dizem q o povo brasileiro
    E feliz e pq nao conheceram os fijianos!
    Vinaka vakalevu!!!

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