Trem de Varanasi a Kajuharo

Cara, pra começar, vou escrever sobre como foi o meu trem de Varanasi para Kajuharo.

Só pra deixar vocês a par da situação e do meu humor, apenas alguma horas após a confusão em Varanasi (confira a história clicando aqui) eu já estava dentro de um trem indo em direção a Kajuharo. Meu estado de nervos não era dos melhores.
Eu e Coração Gelado compramos passagens de trem na classe SL que significa “sleeper”. Era a classe mais barata. Tínhamos direito a uma cama acoplada à parede e sem ar-condicionado. Acima da minha cama ainda havia mais duas camas acopladas com a mais alta sendo a da Samanta.
Pegamos o trem à noite e quando começou a amanhecer as pessoas começaram a acordar. O que todo mundo fazia? O povo que estava nas camas de cima, descia e, simplesmente, sentava nas camas de baixo pertencentes a outras pessoas para poderem ficar conversando. Tudo bem, isso é normal e as pessoas das camas de baixo costumam aceitar isso na boa. Comigo seria o mesmo se eu não estivesse já uma pilha de nervos e com uma raiva miserável de qualquer indiano que eu pudesse ver pela frente. Quando o primeirinho sentou na minha cama eu já fui logo mandando ir embora e fiquei dando uns chutinhos em todo e qualquer cidadão que viesse a sentar à minha cama. Cheguei a ser grosso várias vezes com várias pessoas diferentes.
Tecla PAUSE
Mais uma vez não sinto o menor ORGULHO em contar essa história, cara! Eu estava agindo como um grande babaca e hoje eu mais que concordo que minha atitude era típica de uma pessoa mesquinha e egoísta. Mais uma vez, gostaria de reiterar que estou apenas ilustrando como andava o meu estado de nervos depois de tanto tempo viajando pela Índia. Como me tornei uma pessoa totalmente diferente de mim e me envergonho um pouco disso.
Tecla PLAY
 

GUIAS MALACOS E MUITA CONFUSÃO

Pois bem, chegamos à Kajuharo e conseguimos um lugarzinho aprazível para ficar. Largamos as coisas no hotel e alugamos um táxi. O táxi nos levou ao nosso primeiro monumento e lá o show já começou. Quando fui entrando no monumento e comecei a bater algumas fotos, um cidadão chegou pra mim e, sem eu pedir nem nada, começou a explicar tudo. Eu fui indo na dele já sabendo o que ia ocorrer. O cara foi falando, falando, falando… “E essa pilastra aqui é em homenagem à Vishnu, essas estátuas (foto abaixo) tiveram as cabeças cortadas durante uma invasão de muçulmanos ao sul da Índia” e pá pá pá… Ele foi falando, falando, falando… No final, quando eu vi que ele terminou, virei as costas e saí andando. Ele me olhou por um tempo e no final ainda gritou:
– Ow amigo, você não vai me pagar nada?
Só gritei lá debaixo:
– Não, eu não te pedi pra tu me dares informação. Fizeste porque quis. Obrigado por ser tão “gentil”.
Não entendi o que o cara me falou depois, até porque ele me xingou por MUITO tempo em Hindi e eu não entendi nada. Boto fé que o cara me xingou por pelo menos uma vinte gerações depois!
Depois dessa no quarto monumento ainda teve outro gaiato com o mesmo golpe. Chegou pra mim e começou a explicar um bando de coisa, mais uma vez sem eu pedir. Como havia ficado com pena do cara que me deu a explicação de graça antes (sim, cara, apesar de tudo eu ainda tenho um coração no peito), quando o outro começou a explicar eu já o interrompi e falei que não tinha dinheiro. Ele falou que não, que não sei o que, que ele fazia isso porque queria, olha só, melhorar o inglês dele e apresentar a belíssima cidade dele para os estrangeiros. Eu como, mais uma vez, já sabia o que ia acontecer fiz que não entendi nada e mais uma vez deixei o cara ir falando.
Na hora de ir embora o figura veio pra mim pra pedir dinheiro. Dessa vez foi até engraçado porque, ao invés das outras vezes do “me dá um dinheiro por isso”, ele me veio com outro papo, todo gaiato:
– Sabe, cara, eu só queria saber se teria como você me dar uma grana pelo o que eu te apresentei. Eu faço coleção (sim, ele realmente utilizou essa palavra! “Coleção”) de dinheiro e se você me desse um pouco mais, minha coleção ficaria melhor, sabe? Você não teria alguns dólares, euros, ienes ou até mesmo rúpias pra me ajudar a colecionar não?
Pombas, eu já tinha visto cara pedir dinheiro dizendo que precisava pagar faculdade de filho, outro falando que tinha uma família com quinze crianças pra criar, mas um cidadão falar que “colecionava” dinheiro pra mim foi o cúmulo da cara de pau! Depois dessa não tive escolha, né? Tive que contribuir com o cara!
Tirei uma nota de Bath tailandês (que valia menos que um dólar), dei pra ele e saí com a alma leve sabendo que, o ajudando a colecionar, havia realizado a minha boa ação do dia.
Ele deve ter adorado!
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13 comentários em “Trem de Varanasi a Kajuharo

  1. Pra esse último guia ae vc poderia ter dito que tinha avisado desde o início que não tinha direito… mas fale a verdade, esse povo é bem chato e insistente, hein!

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  2. uhueheue ae claudiomar, ningum ainda ,menciona elas..todos se esqueceram…mas não..eu não!a campanha “queremos suecas quentes e techas ardentes !” não morreu!x) pronto ja falo da india x) agora eu qquero putariaaa =~~ pelo amor de deus,pelo menos no prox. post diz algo sobre quando c vai postar desses paises =~~ os fans dessas diginissimas senhoras esperam adoidadosdepois dakela foto da australiana bebada num banquinho da estação de trem ,nem imagino oque vc axou em bratislava ou outro canto do leste europeu x)

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  3. Claudiomar, se vc for escrever sobre as suecAs quentes, terá obrigatoriamente que escrever sobre os suecOs quentes!!! Vc pode até pedir ajuda pra Taíze na hora de escrever sobre os suecos…rs

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  4. eh muito facil vim aqui e falar… dificil mesmo é botar mochila nas costas e fazer o que o Claudiomar fez… Tamo esperando o livro. espero q seja melhor q o do Zeca, q eu n consegui terminar de tao ruim

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  5. Claudiomar, tu é FODA, esquece esses trolls que tem MUITA gente que te adora e torce por ti. Que diabos esse povo só pensa em priquito, hein? HAHHA tem que falar dos suecOs quentes também!

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  6. caraca, até eu já tinha esquecido das suecas quentes, tchecas ardentes e polacas fogosas…aliás, eu daria uns 10 dólares pro cara que falou que colecionava, só pela criatividade…

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  7. Claudiomar,vou começar a colecionar dinheiro também. Conto com sua ajuda. Caixa Postal 1037. Ubá – MG. Aceito quaisquer doaçoes… kkkAbraço e continuo lendo a saga!Marcos Paulo Barletta Schiavon – agora direto de Ubá – MG (a terceira melhor cidade do mundo, perdendo pra Paris – à noite – e Nova York – de dia… no conjunto da obra, é a melhor!)

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  8. Porra véio, tu se preocupa mesmo com os leitores e o blog em si hein?Não é qualquer um que iria:– Falar a verdade sobre como se comportou/estava no trem (partindo do pressuposto que é tudo verdade o que disse. Mas claro que eu, fiel leitor, acredito);– Admitir que estava agindo como idiota;– Explicar o porque, quase detalhadamente, de estar agindo como idiota…Pois é, não é todo bloguero que se preocupa tanto.Parabéns filho.

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  9. Claudiomar,Se a Samanta escrevesse um blog, como será que ela escreveria sobre essa viagem? – Meu “marido” é um brasileiro muito nervoso, quase saiu no “pau” com os indianos, mas se não fosse ele eu estaria em apuros… kkakkkkkkakkkkkkakkkkkboa Claudiomar! conta mais histórias p/ gente rir!

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  10. Claudiomar,Se a Samanta escrevesse um blog, como será que ela escreveria sobre essa viagem? – Meu “marido” é um brasileiro muito nervoso, quase saiu no “pau” com os indianos, mas se não fosse ele eu estaria em apuros… kkakkkkkkakkkkkkakkkkkboa Claudiomar! conta mais histórias p/ gente rir!

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