Cracóvia



Assim que chegamos a Vasórvia, como já dito no post passado, Karol me levou a um passeio que ela me prometia desde que nos conhecemos na Austrália, uma ida a Cracóvia para visita de Auschwitz, o campo de concentração mais famoso da Alemanha Nazista.

Pegamos o carro numa sexta e ficamos hospedados na casa de um outro amigo polonês que conhecemos enquanto viajamos pela Austrália. Gente boa o cara e tinha morado com a Karol.

Família que nos hospedou em Cracóvia. Karol e seu namorado estão logo a minha direita…



Chegamos, demos uma volta na cidade e saímos pra bater algumas fotos. Cracóvia é uma cidade legal, mas não aconteceu muita coisa digna de eu postar no blog não.. O máximo que posso escrever sobre a cidade é que Cracóvia é uma cidade medieval, muito bonita e blá blá blá. De interessante mesmo foi só a visita a Auschwitz, ex-campo de concentração.


Caminhando para o inferno


Assim que se chega a Auschwitz já dá pra sentir o peso ruim do lugar. Apesar do grande número de pessoas caminhando por lá, o local detém um silêncio ensurdecedor. Impressionante como é pesado o clima. Logo na entrada, há a epígrafe que já ficou famosa, a sínica: “Arbeit macht frei” que significa “O trabalho liberta” em alemão.



Engraçado como eu fico estranho em fotos que não posso sorrir, né? Não fico nada a vontade…


Antes da construção dos campos de concentração os “elementos indesejáveis” tais quais judeus e também homossexuais, ciganos e prisioneiros de guerras (notadamente soviéticos) eram geralmente abatidos a bala e enterrados em valas comuns. Porém tal “técnica” demandava um “desperdício” absurdo de balas e energia, já que ao verem que seu destino estava selado, as pessoas costumavam se debater, correr, gritar dando um trabalho danado para os soldados alemães. Além disso, pesa-se o fato de que a moral dos soldados costumava ficar abalada com tamanho banho de sangue. Devido a isso, adotou-se uma solução “inteligente”, construir-se os campos de concentração.

As pessoas eram transportadas de diversas partes da Europa Central. Só para vocês terem um ideia, 10% de todos os mortos no campo eram húngaros que antes de ser expulsos da Hungria venderam tudo o que tinham e compraram vários “títulos de terras” falsos nas regiões que acreditavam estar sendo transportados. Por que isso? É muito mais fácil você fazer milhões de pessoas entrarem em um trem pacificamente do que enfiá-las a força, correto? Pois era assim que os nazistas faziam, chegavam às cidades anunciando que os bombardeios soviéticos estavam a caminho e que as pessoas seriam transportadas de lá para outros locais. Sem ter outra opção, as mesmas vendiam suas casas e suas propriedades e compravam na mão dos oficiais “títulos de terra” nas novas regiões e assim os alemães lucravam ainda mais.

Quando chegavam ao campo eram selecionados por oficiais alemães. Os mais fortes e aptos eram poupados, destino melhor do que os das mulheres, crianças, velhos e fracos, que seguiam direto para galpões sobre o pressuposto de que iriam tomar uma ducha. Os doentes eram transportados em macas com símbolos da cruz vermelha para aparentar normalidade. Antes de entrar despiam-se e deixavam suas roupas numa sala anterior. Por que os alemães inventavam essa história da ducha? Mais uma vez, para evitar pânico. Os “não-aptos” eram conduzidos diretamente dos trens para os galpões da ducha, sem a possibilidade de obter contato com outros prisioneiros e descobrir o que realmente iria acontecer. Dessa maneira os oficiais alemães conseguiam pacificamente e sem muito esforço conduzir milhares de pessoas à morte. Sem desperdício de balas, sem afetar a moral. Simples assim. O resto vocês já sabem, né? Pelas duchas que teoricamente deveriam jorrar água, era liberado um gás venenoso (o mais “eficiente” de todos os utilizados foi o Zyklon B) e as pessoas eram mortas em questão de minutos.

Sempre bom salientar que as cercas eram eletrificadas

Após a execução, eram retiradas dos corpos quaisquer coisas que pudessem ter algum valor (alianças, dentes de ouro…). Dentre outras atrocidades, a que mais me surpreendeu foi a utilização dos seus cabelos para a confecção de travesseiros, vassouras e outros utensílios domésticos utilizados nas casas alemãs. Ainda é possível ver os restos de cabelos que foram encontrados pelos soviéticos em uma sala pelo complexo.

Sempre bom lembrar que cada par de sapatos desses abaixo já foram calçados por hum ser humano.

Além dos aptos a trabalhar também eram poupados algumas outras pessoas, basicamente anões e gêmeos, estes para motivos bem menos nobres. Os seus pobres destinos seriam serem utilizados em programas de “arianização” tais quais tentativas de injeção de tintas azuis para clareamento dos olhos. O infame doutor Josef Mengele, mais conhecido pela epígrafe “O Anjo da Morte”, ficou conhecido como o maior entusiasta de tais experimentos.

Há pelo campo diversos locais de execução, tal qual esta forca aqui.

Ou este paredão de fuzilamento.

Entre as fissuras do paredão, fotos de vítimas, orações, flores…



Gente, eu poderia ficar o dia inteiro aqui falando sobre Auschwitz, mas boto fé que não seria muito a cara do blog e devido a isso prefiro não me alongar mais nisso. Pra quem quiser mais informações sobre as histórias macabras deste lugar, procure pela internet que lá há material farto :o)

Vou ficando por aqui porque escrever sobre isso não é nada agradável.

Fiquem tranqüilos que eu tenho fé que o próximo post vocês vão gostar. O próximo tópico versará sobre uma das coisas mais LOUCAS que ocorreram comigo nessa bela Polônia… É esperar e ver…

5 comentários em “Cracóvia

  1. oi Claudiomar,
    Realmente não foi um post que combina com o blog, meio pesado, mas valeu pelo relato de sua experiência em conhecer pessoalmente o campo de concentração.
    Me arrepiou ver as fotos dos milhares de sapatos jogados no galpão. Eu me lembro do filme HOLOCAUSTO, já faz anos que passou na tv. Talvez vc. nunca tenha assistido, mas passou essa parte da ducha de gás.
    Muito bom o seu post e as fotos.

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  2. Realmente, esse post estava pesado. Até pra ler e ver as imagens foi difícil. Chocou-me demais a imagem dos cabelos…
    Aguardo o prox post.

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