Panamá – O país, não o canal!

Eu realmente não imaginava que algum dia iria visitar o Panamá. Na verdade, até nutria uma certa curiosidade pelo lugar devido ao Canal do Panamá, mas nada que me levasse a viajar pra lá só pra ver isso. No final, fiquei relativamente satisfeito de poder visitar sem pagar nada, só por causa de uma escala monstruosa da Copa Airlines que tive de fazer na volta de Nova York.

Orla da Cidade do Panamá

 

Cara, vou te dizer, viagem perdida não foi. Acabou que essas 20 horas que fiquei em solo panamenho realmente foram bem intensas e bem legais. Pra começo de conversa, o que mais me impressionou quando saí do aeroporto, a caminho da casa da pessoa que iria me hospedar pelo Couchsurfing, foi o tamanho dos prédios na orla da Cidade do Panamá. Cara, eles são MUITO altos! A primeira cidade que lembrou quando cheguei por lá foi Hong Kong devido aos arranha-céus que havia desde o caminho do aeroporto até o bairro do meu brother. Não parece que você está em um país pobre da América Central, mas sim em Doha ou alguns daqueles emirados árabes podres de rico pelo petróleo. Depois fui me lembrar que o Panamá é um paraíso fiscal, por isso tanta grana passeando por lá. No meu ver, o Panamá é um país que se sustenta basicamente em rendas do Canal do Panamá (que dá MUITO dinheiro), da Copa Airlines (uma das maiores empresas aéreas das Américas, por isso o Panamá ser um hub tão importante na América Central), um porto gigantesco e falcatruas de suas benevolentes e flexíveis regras fiscais. Pode parecer que não, mas um dos grandes motivos da Suíça ser podre de rica é que durante muito tempo eles se mantiveram com dinheiro roubado de outros países.

Acaba que o Panamá é uma representação de um país que nós conhecemos bem. Aqueles bolsões de riqueza margeados por áreas gigantescas de pobreza. Toda a renda sendo gerada e revertida na capital e o resto do país tentando de alguma forma sobreviver. Cara, você fica impressionado com o tanto de carrões e camionetes que passam quase que te atropelando pela Cidade do Panamá.

 

Comida regional no Panamá

 

Peguei o táxi e, graças a Deus, o meu taxista sabia onde ficava o endereço que eu ia. Combinamos uma bela tarifa salgada de 20 dólares e ele foi me levando pra lá. Aqui cabe outro parênteses, o Panamá não tem moeda própria. Eles utilizam o dólar americano e o país só cunha moedas de centavos, ou seja, de um dólar pra baixo, a moeda é o Balboa (não, brother, não é o Rocky Balboa, mas sim um importante navegador que explorou o Panamá). Dez centavos de Balboa valem exatamente dez centavos de dólares, o que me levou a deduzir que eles devem cunhar essas moedas por ser mais simples do que trazer centavos de dólar dos Estados Unidos. O país em si também é MUITO americanizado. Várias expressões do inglês são utilizadas no idioma local e a comida também é bem semelhante (o dia inteiro eu SÓ comi cachorro quente, que basicamente era uma salsicha gigantesca com um pão e mostarda em cima, do jeito que americano adora), isso deve ser reflexo de todo o tempo em que os Estados Unidos mandaram de fato no Panamá (inclusive a o Panamá pertencia a Colômbia e ficou independente sob patrocínio dos Estados Unidos que queriam fazer o maldito canal).

Uma moeda de Balboa

 “AIRE A JANTA”

No caminho percebi que o taxista tava muito a fim de conversar. Ele não falava inglês e eu não falava espanhol. Resultado? Portunhol! Pode parecer que não, mas cara, é MUITO difícil se tentar falar espanhol quando você não tem domínio. Você entende tudo que o cara fala, mas ele não entende bulhufas do que você responde. Acabou que o caminho inteiro o cara foi só falando “Ronaldo, Ronaldinho, Rivaldo” e eu só sorrindo. Depois de uns dez minutos, quando aqueles edifícios majestosos começaram a aparecer, ele parou o táxi no posto e falou alguma coisa como “Vou aire janta!”. Cara, sabe quando você fica sem reação olhando com aquele cara de “eu não acredito nisso”? ou “mas que cara folgado!!”. O bicho simplesmente ia me deixar no carro enquanto ia parar no posto e… Jantar! “Claro, taxista, pode ficar a vontade, eu nem tava querendo chegar logo no meu destino mesmo…”. Fiquei lá, olhando ele descer e calibrar o pneu! Uai, primeiro ele calibra o pneu e depois ele come? Não! “Janta” em espanhol do Panamá é PNEU! Ele disse que tava indo colocar “ar no pneu” e eu entendi que ele tava indo “para a janta!”. Falsos cognatos malditos…

MEU COUCH. ONDE FIQUEI HOSPEDADO

 

Vista para o metrô da janela do apartamento

O bicho morava DO LADO do canteiro de construções do metrô. Até aí tudo bem, né? Morava do lado do trabalho, não tinha que se deslocar muito… Só tinha um detalhe, o canteiro era 24 HORAS!! E fazia barulho, mas fazia BARULHO!! Queria entender como os vizinhos conseguiam dormir com toda aquela barulheira. De boa, era um quarto só pra mim e ele realmente era uma pessoa agradável, então, de boa, couch super da hora. Ele até me preparou um jantar quando cheguei =)
Fui hospedado por um francês super gente boa. Ele se chamava Vicent e tinha um sobrenome parecido com “Castle” (castelo em inglês), que ele acabou adotando como apelido. Ele era engenheiro e morava no Panamá porque foi contratado por uma empresa europeia pra trabalhar no primeiro metrô do país, o que o deixava bem orgulhoso por “estar prestando um serviço a sociedade” =) ! Ele recebia um bom salário pra morar lá, além de que o aluguel do apartamento era por conta da empresa. Uma preocupação a menos. Depois acabei deduzindo que o apelido dele não era Castle porque o sobrenome dele era semelhante à palavra, mas sim porque o apartamento que ele morava era GIGANTESCO, quase um castelo!! Era um desses trabalhos legais, que eles contratam engenheiros europeus recém-formados e com disponibilidade de viajar.Ele tinha alguns amigos, todos engenheiros e franceses, claro, e aproveitamos pra sair a noite. Na noite, nada demais a acrescentar, só que foi muito parecida com as noites que saí em vários países pobres. “Primas” para todos os lados tentando vender os seus serviços para gringos velhos gordos e nojentos e uma galera super da hora bebendo cerveja bem barata. Foi legal, no final. A galera foi sentando em uma mesa, eu saí pra ir no banheiro e quando voltei vi que o Vicent falava com alguns outros amigos na mesa. Sentei no meio e comecei a conversar com todo mundo. Depois de uma hora que eu fui descobrir que “os amigos do Vicent”, na verdade era só um cara que ele tava falando e que metade da mesa que eu tava conversando não era amigo de ninguém e eu cheio de intimidade. Viva o mico gratuito!

MÁFIA

Entre os amigos do Vicent, havia um italiano que morava em Barcelona, o único não-francês e não-engenheiro. Ele era formado em Filosofia e, como todo bom morador da Espanha, tava desempregado. Tava dando uma volta pelo Panamá para, veja você, conseguir um emprego. A coisa tá realmente bem ruim na Espanha. Depois de conversar um pouco, descobri que ele era proveniente do sul da Itália.

Comendo comida regional no Panamá com o Castle e o amigo italiano que eu não lembro o nome

Ele me explicou que a máfia hoje, não é mais aquela máfia dos filmes, com pessoas se executando no meio das ruas e balas por todos os lados. Isso só ocorre quando eles estão disputando diferentes territórios. Na verdade, é de interesse deles que pessoas não morram e assaltos não ocorram para que assim a polícia fique longe. A calmaria é a aliada dos seus negócios. Hoje em dia cada máfia é especialista em um nicho, algumas em tráficos de mulheres, outra em tráfico de imigrantes, outras em tráfico de drogas, outra em construção civil (comprando contratos do governo que nem aqui) e por aí vai. Mas uma coisa é certa, todas precisam lavar o seu dinheiro e é aí que mora o problema.Não sabia, mas, segundo ele, a máfia ainda é muito forte na Itália e na Europa como um todo. Aprendi bastante sobre o tema com ele =)

Os tentáculos da máfia são espalhados por vários setores diferentes. Eles pegam o dinheiro que obtém de forma ilegal e o investem em negócios lícitos por toda a Europa como supermercados, hotéis, lojas de conveniência, gerando, veja só, empregos e renda por todo o continente. Dessa forma a própria economia acaba por ficar dependente da máfia. Em regiões como a dele, a maioria dos negócios são pertencentes a máfia e com isso ou você trabalha para os bichos, ou vai embora, ele foi pra Barcelona. Formado em filosofia, conseguiu de alguma forma trabalhar como gerente de uma empresa, chegando a chefiar um grupo de 50 pessoas, mas, como já falei, foi engolfado pela maré da recessão espanhola e agora estava no Panamá =)

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3 comentários em “Panamá – O país, não o canal!

  1. Maranhão, seu safado, quando fui no Panamá li uma dica no grupo do Panamá no Couchsurfing de pegar o táxi no embarque. Não me lembro exatamente quanto paguei mas apenas subi um lance de escada e economizei umas balboas. Abraço

    Dudu

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  2. Maranhão, seu safado, quando fui no Panamá li uma dica no grupo do Panamá no Couchsurfing de pegar o táxi no embarque. Não me lembro exatamente quanto paguei mas apenas subi um lance de escada e economizei umas balboas. Abraço

    Dudu

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