Coréia do Norte e China. Vai começar a epopéia – Um oficial da Coréia do Norte visita minha casa em Brasília

“Mas porque diabos você vai viajar para Coréia do Norte? O que diabos você vai fazer lá?” essa com certeza era a pergunta que eu mais escutava depois de “você não tem medo de morrer lá?” (como se o Brasil não fosse um dos países mais violentos do mundo). A resposta que eu sempre quis dar, e isso você poder ter certeza, era: – “Por que não? Porque diabos ir para os Estados Unidos então?”.

Arirang Mass Games. Maior apresentação coreografada do mundo que ocorre  no maior estádio do mundo. Um dos principais motivos que me fizeram decidir viajar para a Coréia do Norte.
É cara, eu estava indo para a Coréia do Norte. Um país que sempre me intrigou e que eu sempre tive a vontade conhecer, de vencer a barreira da ditadura louca dos Kims e ver de perto, frente a frente, sem intermediários, aquela vida maluca que iria me esperar por lá. Vi uma passagem no filme Xingu que falava mais ou menos o que eu sentia e sinto quando viajo: “Ir para lugares que ninguém nunca visitou, ouvir histórias de um lugar que ninguém nunca falou, tentar chegar em lugares que ninguém nunca foi. De alguma forma isso parecia uma boa ideia.” (não lembro exatamente, mas era algo assim). Cada vez mais que alguém me perguntava “Coréia do Norte?!?!!?!?!?” eu tinha certeza que havia escolhido o destino certo pra poder passar ferias.
Outro motivo que também me faz viajar é visitar lugares que logo logo me darão grande saudade de voltar para casa, lugares que me demonstrem o quanto a minha vida medíocre é confortável no Brasil e fazer eu dar valor as poucas coisas que tenho. Sim, a China e a Coréia do Norte serviram perfeitamente para poder me fazer sentir isso. Se você perguntar para mim se a viagem para a China, em particular, foi legal, eu responderia que foi, digamos, neutra. Houve várias coisas que eu adorei, mas também houve MUITAS coisas que simplesmente detestei.
Na verdade, na verdade, eu não estava planejando viajar para a China. Meu plano sempre foi viajar para a Coréia do Norte. Posteriormente, quando vi que teria que parar na China de qualquer maneira, resolvi estender um pouco e aproveitar para viajar três semanas por lá.
Eu e meu amigo Kim Jong Il em uma fábrica de maçãs
Mas enfim, acho que as pessoas viajam por dois motivos: Para relaxar ou para conhecer uma realidade diferente da sua. Não sou um velho que viaja para relaxar, gosto de viajar para conhecer lugares diferentes, pessoas diferentes, enfrentar realidades diferentes da minha vida trabalho-casa-esportes-fim de semana com os amigos-trabalho. Quase um Indiana Jones maranhense. Born to be Wild… Gosto de viajar para lugares “mas o que diabos você vai fazer lá?” para aprender, ter experiências realmente malucas, enfrentar um choque de realidade ou, sei lá, ver uma porrada comer solta (quase um programa do Ratinho ao vivo) porque um cara achou que era uma boa ideia botar o filho dele pra cagar do lado da mesa que eu tava inocentemente tomando café da manhã (essa história vai ficar para depois). Estar sentado no avião e começar a questionar a mim mesmo “mas que diabos eu vou achar por lá?”. “Será se lá as pessoas conhecem o Brasil?” “Será se elas jogam futebol?” “Como são as pessoas no meio da rua?” “O que elas comem, como elas vivem?” “Será se elas também falam que Maradona foi melhor que Pele?”.
Europa e EUA são dois lugares bem manjados para se viajar, somos bombardeados desde a mais tenra infância com imagens de lá, logo, qual é a graça de viajar para um lugar se você já sabe o que vai encontrar? . Por isso a Coréia do Norte foi tão perfeita, pq, cara, quanta coisa bizarra foi possível conhecer por lá (isso vai ficar mais claro quando eu começar os posts… =P).
Deu até para esquecer as 35 horas de avião que tive que enfrentar, entre conexões e horas de voo, para poder chegar à China (bem, Cristóvão Colombo levou meses para chegar à América. De repente um dia e meio nem parece tanto tempo assim…).
Hotel Ryugyong. Arranha-céu que se destaca no meio de Pyongyang. Quando iniciaram as suas obras, era para ser a maior construção do mundo. Vinte anos depois, ele ainda não está construído. Estudiosos sugerem que ele chegou a sugar 3% do PIB coreano por ano para sua construção. Por isso suas obras encontram-se paralisadas.
Era o meu primeiro mochilão de um mês desde que eu havia voltado da minha viagem de volta ao mundo. Acho que é um tempo bem legal para se viajar, curtir e “sentir” o lugar.
É, foi legal, mas depois de viajar 3500 km na China e na Coréia do Norte, também foi legal porque eu já estava ficando doido pra voltar pra casa. Melhor que viajar é voltar para a vida medíocre de trabalho-casa-krav maga-fim de semana com os amigos-trabalho e, o melhor, sentir saudade e dar valor a sua vida de antes. Depois de duas semanas, Torre de TV já começa a virar Torre Eiffel…
Monumento em alusão a unificação das Coréias. Por incrível que pareça, a Coréia do Norte também defende a reunificação com a Coréia do Sul, mas isso é assunto para outro post.

QUANTO CUSTOU O VISTO?

 As vezes as pessoas me perguntam quanto custou para eu tirar o meu visto para Coréia do Norte na embaixada aqui em Brasília. Sabe quanto foi? Por volta de uns 1050 reais. Porque isso tudo? Bem, deixa eu explicar.
Tudo começou quando eu resolvi deixar o meu passaporte na Embaixada da Coréia do Norte antes de ir para o trabalho. Fui lá as nove em ponto e fui chegar no trabalho só por volta das nove e meia da manhã. Como cheguei depois das nove, tive que estacionar meu carro em uns dos anexos atrás da Esplanada dos Ministérios. No fim da tarde, quando terminei o trabalho e fui pegar o carro para ir buscar meu passaporte de volta na embaixada, o que encontro? Meu carro arrombado, meu estepe roubado e, SABE DEUS PORQUE, o cara levou o cabo que eu conecto o meu celular no som. Não, ele não levou o som, levou SÓ O CABO! Além de não ter estepe, eu também teria que dirigir sem escutar musica, o que eu odeio! Resultado? 450 reais para poder arrumar a fechadura.
É meu!! É meu!!! Eu tenho um visto para Coréia do Norte!!!!

Você pode até argumentar que a probabilidade de ser roubado em cima ou embaixo da Esplanada é a mesma, mas se NAQUELE DIA eu tivesse estacionado o carro no mesmo lugar de sempre, NAQUELE DIA, ele não seria roubado. Logo, coloquei na conta do visto. Beleza, desencanei e segui o meu dia. Paguei os 100 reais do visto e bola para frente. No outro dia fui treinar meu Krav Maga na hora do almoço e depois do treino, um amigo me passou um bizú de onde eu poderia comprar um cabo igual ao que, SABE DEUS PORQUE, o ladrão tinha me roubado. Beleza, desci a quadra que ele havia me falado e fiquei olhando pros lados procurando a loja. Bem, olhar para os lados quando se dirige para frente não é muito esperto. Sim, enfiei o meu carro na traseira de outro! Para piorar me desce do carro batido um brutamontes com uma camisa escrita “Muai Tai (boxe tailandês), Professor!”. Porque tudo o que você mais quer depois que bate na traseira de um carro, que parece novinho, é que desça uma maquina de matar pronta para lhe encher de porrada porque você é um imbecil e, sim, ainda vai merecer levar uns tabefes na orelha. 

Pronto, pensei, é agora que eu apanho mesmo. O cara, graças a Deus, SUPER calmo. Só trocou uma ideia, pegou meu telefone e no mesmo dia levou o carro dele para consertar. Prejú? 500 contos transferidos no mesmo dia. Ou seja, se NAQUELE DIA eu não tivesse ido tirar o visto, NAQUELE DIA, eu não teria tido o cabo roubado e, NO OUTRO DIA, não teria desviado o meu caminho do Krav Maga para o trabalho para procurar um cabo e batido meu carro. Consegue entender a cadeia causal, a lei de Murphy, de todo esse visto? Pois é. Mas se eu faria de novo? Ah, amigão! Nem que eu tivesse que enfiar o meu carro na traseira de um carro da policia eu teria feito tudo de novo para conseguir esse visto!

UM OFICIAL DA CORÉIA DO NORTE E MUITA CONFUSÃO

Outra historia engraçada acerca desse visto foi que eu liguei na embaixada da Coréia do Norte e falei que eu tinha uma autorização de Pyongyang para poder ter um visto de turista emitido na embaixada de Brasília. Os caras ficaram de checar e, quando eu chego em casa, escuto o meu porteiro falar que um cara falando um português meio estranho chegou lá portaria e tava procurando um tal de um “sr. Claudiomar” sobre um visto para a Coréia. O porteiro falou que eu não estava (pô, tava no trabalho!), mas o cara não parava de insistir que precisa ir no meu apartamento. Mas queria porque queria de qualquer jeito. Depois de muita luta, ele se contentou em me deixar um bilhete, o bilhete abaixo! 
Trocando em miúdos! Não basta a experiência de ir para a Coréia do Norte! Eu ainda tive um OFICIAL COREANO batendo na porta da minha casa para confirmar o meu endereço! Essa eu vou contar ate para os meus netos!
Milhares e milhares de crianças ensaiando NA CHUVA para  mais uma das dezenas de demonstrações que ocorrem  todos os anos na Coréia do Norte para demonstrar o quanto eles são um país feliz. Esses ensaios ocorrem três vezes por semanas e levam entre duas e três horas. Assim como essas crianças estavam na chuva, poderiam estar sob o sol ou sob a neve! Isso tudo para demonstrar a felicidade no reino mágico de Kim Il Sung! A vida é dura, amigo!

P.s: Depois que eu fui descobrir. Como fazia tempo que eu havia feito meu cadastro para o visto, o cara foi no apartamento antigo. Os meus antigos companheiros de apartamento ficaram meio em duvida se davam ou não meu novo endereço quando descobriram que um oficial norte-coreano procurava por mim, mas por via das duvidas, resolveram mandar o cara para minha casa nova. Trocando em miúdos, se você é um serial-killer ou um matador de aluguel querendo me furar de bala, pode bater no meu endereço antigo. Meus amigos serão bem prestativos em lhes enviarem para o endereço certo!!!

Tá achando o que? Kim Il Sung também pode ser chique. Não é só porque ele é o rei da cocada preta na Coréia do Norte que ele também não pode abafar. Para demonstrar que ele também pode fazer bonito, foi lá e copiou um dos principais monumentos americanos. A estátua gigante do Lincoln sentado no Lincoln Memorial National Memorial em Washington. Cara, na hora que a gente entrou nessa biblioteca a galera parou e não conseguia parar de rir! Abaixo, o original em Washington.
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9 comentários em “Coréia do Norte e China. Vai começar a epopéia – Um oficial da Coréia do Norte visita minha casa em Brasília

  1. bah faz tanto tempo que eu não olhava teu blog, confesso que meio que me deu uma aflição quando fui visitar hj com medo que não existisse mais hehe tu é a minha inspiração, tb tenho o sonho de dar a volta ao mundo, a diferença é que eu sou mulher e por isso, pra mim, é um pouco mais perigoso, mas como sou brasileira não desisto né! haha um abração

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  2. aê! o blog voltou! Incrível a história do oficial corano te visitando. Mas me entristece um pouco isso tudo… É uma pena que oficiais suecas não visitam você na hora de tirar o visto pra Suécia…

    thiagones

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  3. Se tu foste para a china no Verão de lá, então se ferrou lindamente amigo! Estava por lá em agosto e ô calor do inferno. Cresci no Pará e mesmo assim não lembro de tanto calor! Algum ponto negativo da chinaland foi por isso? Haha

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