No caminho para Coréia do Norte

Na saída do aeroporto, pessoas cavando de uma forma bem primitiva, com poucas máquinas ou equipamentos, realizando uma obra no aeroporto de Pyongyang

No outro dia pela manhã, segui para o aeroporto e fui direto para o guichê do meu voo para Coréia. La encontrei o dono da empresa, David, que me passou algumas orientações e segui para a sala de espera. Na sala de espera para o voo da Coréia do Norte dava para perceber a ansiedade de todos os presentes. Entramos no avião e, cara, o primeiro susto! Bicho, mas sabe aqueles aviões russos, da década de 60, que você vê em filme de comedia americana zuando a União Soviética?

Olha o bichão aí! Do lado de fora e do lado de dentro! Vê que ele parece um busão pelo lado de dentro!

Sim, exatamente daqueles, só que, com você dentro é bem menos engraçado! Cara, juro que fiquei com medo do bicho não subir, digo, do avião não subir (mente poluídas…). Como não havia muito que fazer, pensei, se for para ter problema, que pelo menos seja dormindo, será indolor! Baixei o meu banco e comecei a dormir. Bem, na verdade, tentei abaixar, pois atrás tinha uma gorda e ela se achava no direito de empurrar o meu banco de volta quando eu o abaixava. Ah, mas eu ficava moído! Pegava e abaixava de volta ate que ele desistiu e foi a viagem inteira comigo apertando as pernas dela (uuhhhhh!!).
Apenas um dia normal em Pyongyang visto pela janela do ônibus

Outro dia a gente tava saindo de uma biblioteca e olha quem eu acho toda serelepe passeando por Pyongyang? A gorda que não deixou eu dormir. Também, gorda desse tamanho a gente até entende o desespero dela. Ela é tão gorda que é mais fácil pular por cima dela do que dar a volta.
Descemos e desde o primeiro formulário de imigração já era possível ver claramente a tensão nos olhos das pessoas. Tá, tudo bem, estávamos todos com uma empresa de turismo, mas, mais uma vez, cara, estávamos na Coréia do Norte!! Vai que um cara encana com você! Vai que eles acham alguma coisa em sua mochila que não seja permitido e resolvam te mandar de volta! Sei lá!! Num pais maluco como esses, você pode esperar tudo. Logo no guichê de imigração já éramos saudados pelos quadros dos dois grandes lideres, Kim Jong Il e Kim Il Sung como se nos vigiassem!
Em todos os cantos que íamos na Coréia do Norte, todos as salas, haviam esses dois quadros dos últimos dois ditadores. Reparem que a base do quadro é mais estreita que o topo, o que deixa o quadro levemente inclinado para baixo. Isso acaba dando a impressão que os dois ditadores estão lhe observando e vigiando atentamente tudo o que você faz, no melhor estilo 1984 do George Orwell

Peguei a fila com todo mundo e foi passando um por um. Passou um, passou outro, e outro, e outro. Bem, você já deve ter deduzido o ocorrido. Sim, o oficial coreano resolve invocar comigo! Eu disse “agora pronto!”. E eu não entendia o que ele falava e eu tremia mais que vara de bambu verde e eu não conseguia falar inglês e quanto menos eu falava inglês menos ele me entendia (você tá rindo, mas queria ver você, tigrão, no meu lugar!) ate que o David interviu e me disse que eu deveria pegar a outra fila porque, veja você!, eu era o UNICO de todo o nosso grupo que tinha visto no passaporte, pois havia tirado o visto no Brasil. Todos os outros não haviam tirado visto, tinham apenas um “visto grupal” que o David entregou antes de passarmos a imigração. E dai? Bem, e dai que eu fui o UNICO que ficou com o carimbo da Coréia do Norte no passaporte. Oh yeah! Highway to Hell! Sabe o que isso significa? Todos os outros só dirão que viajaram pela Coréia do Norte, mas o passaporte deles continuar em branco! Foi engraçado ver a galera passando e IMPLORANDO, quase ajoelhando, literalmente, para que o oficial da imigração carimbasse o passaporte deles!!

Todos morriam de inveja!! Eu era o único que tinha visto no passaporte!!Ainda que ele tenha me custado 1100 reais!! Confira a história aqui 

Depois da imigração, foi a vez  de termos as mochilas minimamente vasculhadas, os celulares e passaportes confiscados e seguirmos para o ônibus. Sim, eles ficam com os nossos celulares guardados numa caixa do aeroporto (os passaportes ficam com os guias) e só nos devolvem na saída. E, cara, depois que você compra um smartphone (ou espertophone), você meio que se vicia nele. Foi bem difícil para mim ficar uma semana longe do meu celular. Como você faz para poder colocar o alarme para despertar? E se você quiser ouvir música? E se quiser uma lanterna? Cara, como fiquei feliz quando consegui o meu de volta.


Pior que na hora de eles começarem a vasculhar a minha mochila eu passei um gelo danado.
Eu tinha duas revistas Piauí na minha mochila e uma delas tinha uma charge de um cara vasculhando uma cabeça oca (meio que questionando uma sociedade sem liberdade de expressão como a da Coréia do Norte o que poderia me fazer ser  confundido com um ativista ou jornalista), parecida com a acima e outra como a abaixo sobre a recessão espanhola, fazendo referência ao culto ao consumo, mas trajando as pessoas como na Coréia do Norte. O cara folheou, folheou, viu as charges, mas graças a Deus não me perguntou nada. Caraca, que gelo na espinha…

Meu quarto de hotel e, abaixo, a vista da minha janela

Engraçado que não pode celular e câmera com GPS, mas Ipad eles não encanam. Tudo bem que o Ipad tem 3g, GPS e o que for… Porque eles não retém o Ipad? Vai saber… Só para vocês terem uma ideia de como é a neura deles com celular, outro dia estávamos conversando sobre a falta que o celular estava fazendo para gente. Rapaz, um dos guias tava no ônibus, envolto em seus pensamentos, viajando, olhando pro lado, mas foi só ele escutar a palavra “celular” que o bicho deu uma popa, olhou pra trás e começou a prestar atenção no que conversávamos. Outra coisa que ocorreu foi com um amigo nosso. Ele tinha um daqueles celulares furrecas, chulé, saca? Sabe aquele que você compra pra ir pra show pra se perder não ter problema? Pois é, ele tinha um desses e esqueceu na mochila. Na ida, passou na máquina de raio-x, ele não lembrava que estava lá e o cara da máquina não viu. Trocando em miúdos? Ele ficou uma semana com um celular na mochila na Coréia do Norte. Rapaz, na volta isso deu um moído grande… Quando ele estava passando a máquina de raio-x deu um barulhinho. Aí foi oficial daqui, oficial dali, e cada hora aparecia um oficial com um chapéu maior e mais broche pendurado na roupa, ou seja, mais graduado. A gente já estava imaginando que ele ia era ser fuzilado. Depois de um tempo que ele foi entender que aquela confusão toda era para saber como ele havia conseguido passar com o celular e ficado essa semana com o celular na mochila. Ele explicou que havia esquecido. Os caras perguntaram que horas ele havia entrado, que dia e se a máquina era a 1, a 2, a 3 o a 4. Ele falou qual era e os caras foram lá na planilha de operadores de raio-x para saber QUEM HAVIA DEIXADO ELE ENTRAR com o celular. Eita porra, eu não queria ser esse pobre coitado operador de raio-x. Nessa exata hora deve estar em uma prisão de trabalhos forçados levantando pedras…

Tinha voo direto pro Kuwait!!!

Nossos passaportes ficam com os guias e só nos são devolvidos no ultimo dia! O meu, inclusive, veio com dois carimbos a mais depois do dia que passei pela imigração. O primeiro com a data que eu havia chegado, normal em todos os países, e mais duas datas diferentes. As datas a mais foram de visitas de oficiais coreanos que foram no hotel apenas para conferir se estava “tudo certo!”.

Pior que depois que passamos a fronteira e entramos no país, há um pouco de perda da magia. Você só olha e pensa “mas foi tão fácil assim?” e tudo entra numa estranha normalidade.
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3 comentários em “No caminho para Coréia do Norte

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