Entre Iguanas e Equatorianos

O motivo da minha viagem ao Equador era Galápagos, porém escolhi viajar por Guayaquil porque era mais perto que Quito. Como os voos só saíam pela manhã, tinha que passar uma noite por aqui e resolvi que, bem, se já estou em Guayaquil, porque não dar uma volta? Fui dar uma volta pelo centro da cidade, o que achei bem bonitinho. Pelos lugares que passei, a cidade era bem arrumadinha e com policiamento ostensivo.

Na verdade, na verdade, confesso que minha preocupação inicial não era nem de passear, mas de comer uma refeição, já que fazia quase dois dias que eu não comia comida de verdade, leia-se arroz! Saí procurando um restaurante de comida chinesa (fica a dica aí, o lugar mais fácil de se conseguir arroz quando se viaja é sempre um restaurante de comida asiática) e saí passeando pelo “Malecón” que é uma orla que eles fizeram ao redor de um rio. Passear pelo Malecón enquanto eu farejava arroz foi bem agradável, pois o lugar era vivo, com várias crianças gritando, berrando, mães desesperadas correndo atrás de menino, vários outros pais gritando “desce daí menino!” e velhinhos caminhando. Depois de um tempo, achei um restaurante que servia tipo uns pratos feitos e não tive dúvidas, aqui é meu lugar!

Orla em cuja lojinha achei o meu lugar para comer arroz!
Está decretado o melhor trocadilho já realizado com a Argentina!

Cheguei, negociei com o garçom se ele trocava um dos dois pedaços de carne por uma porção de arroz e ele, meio que sem entender, aceitou. Juro que meu prato ficou que nem o da foto abaixo.

Depois de matar a minha saudade do arroz, fui bater uma foto da Catedral de Guayaquil. Quando chego na pracinha em frente, aquela cena bucólica se fazia presente: crianças gritando, berrando, mães desesperadas correndo atrás de menino, vários outros pais gritando “desce daí menino!” e velhinhos caminhando. Porém, essa praça tinha um quê de diferente. Ao invés dos velhinhos estarem alimentando os pássaros com pipoca, eles alimentavam as… Iguanas? Sim, isso mesmo que você leu! Caraca, eu nunca tinha visto isso!! A praça era APINHADA de iguanas de todas as formas e tamanhos e a meninada com os velhinhos as alimentando com restos de fruta. Gente, espera aí, alimentar pássaro até vai, mas iguana é um dos bichos mais asquerosos que existem na terra! Você, por exemplo, você espera que aquela mina dos seus sonhos crie um poodle ou um gatinho e não uma iguana!! Mas tava lá, todo mundo feliz dando comida para aqueles bichos asquerosos tendo ao seu redor várias placas escrito “não alimentem as iguanas”, “não toquem nas iguanas” e uns guardinhas gritando “puxa o rabo dela” para as crianças. Logo de início deu para ver que regras estabelecidas não eram muito o forte da cidade. Bem, nunca pode-se ter tudo. Pelo menos lá há iguanas!

A noite eu tava tão baqueado de não ter tido uma cama para dormir nas últimas 30 horas que tudo o que consegui fazer quando cheguei ao albergue foi desmaiar na cama. No outro dia tinha que chegar com duas horas de antecedência para pegar o voo, já que antes de voar para Galápagos você paga várias taxas diferentes e tem a sua bagagem inspecionada, o que leva algum tempo. Depois disso, só alegria!

Não, não havia iguanas no aeroporto!

            Galápagos


A semente para minha viagem a Galápagos foi plantanda durante a minha viagem a Los Roques.Lá mergulhei com um cara que havia sido mergulhador durante alguns bons anos em Galápagos e fiquei fascinado com as suas histórias de jamantas de sete metros, cardumes de tubarões martelos e tubarões-baleias e outros seres fantásticos. Pensei que o meu próximo ponto de mergulho iam ser nessas ilhas.
Comprei a passagem aérea com algumas milhas que haviam me restado, como já expliquei, e comecei a procurar como fazer a minha viagem a esse Eldorado do mergulho. Primeira coisa que descobri era que essas ilhas boas para mergulho eram bem afastadas das principais ilhas de Galápagos. Logo, se quisesse me deparar com os relatos do mergulhador, deveria ter que pagar um cruzeiro que iria navegar pela noite para chegar lá. Era impossível fazer uma viagem ida e volta das ilhas principais no mesmo dia, o pacote mais curto era de oito dias. Ironia da vida, eu havia comprado uma passagem para passar sete dias em Galápagos. Não sei se no final fiquei triste ou não com isso, haja vista que o cruzeiro mais barato custava a bagatela de 4.000, reais?, não, DÓLARES!!! Tá certo que não é uma grana impossível de juntar, mas com certeza iam me custar algumas outras viagens. Mas, como todos diziam, era uma viagem para uma vez na vida.
O problema era que todos os outros cruzeiros já começavam na casa dos 2500 dólares. Isso sem mergulho de cilindro nem nada, cinco dias e só os passeios e a comida no navio. No final, acabei seguindo o conselho de um amigo de uma amiga que me sugeriu um cruzeiro em um barco com um nome sugestivo “Encantada”. O negócio devia ser encantado mesmo, porque enquanto todo mundo cobrava acima de 2500 dólares para cinco dias, o barco cobrava 1500 dólares para seis dias. Só a metade do preço. Fiquei um pouco preocupado com isso, mas é difícil possuir bom senso e pensar racionalmente quando se há 1000 dólares em jogo. Ainda que servissem pedra nas refeições, valeria a pena era bom que eu emagrecia…

 Encantada

Fomos ser pegos no aeroporto pelo guia do barco. No caminho fui conhecendo o pessoal que ia viajar comigo. Todo mundo gringo e, tirando a tripulação, eu era o único latino do barco. Já no porto, quando íamos pegar o bote para poder ir ao barco, já começamos a ter uma noção do que era Galápagos. Havia leões marinhos por todos os cantos, mas assim, todos os cantos mesmo. Na escada que dava acesso aos botes tinham dois dormindo, o que nos obrigava a desviar.

Leões marinhos na praia, “praga” de Galápagos
Barco abandonado que hoje serve de “casa” para leões marinhos
Filhote de leão marinho brincando com nossas mochilas

A galera toda, lógico, curtindo e batendo fotos dos leões e todo mundo curioso para saber qual seria o nosso barco. A gente foi passando pelos barcos e só observando. No caminho alguém foi lá, apontou e disse: – Nossa, ia ser engraçado se nosso barco fosse esse. Enquanto todos os outros barcos eram gigantescos, pareciam iates mesmo, novinhos em folha, o que ela apontou parecia um barco pesqueiro velho em direção ao ferro velho. Rapaz, mas foi a menina terminar a frase pro bote virar pro lado e a tripulação vir nos dar as boas-vindas no barco que ela tinha dito que ia pro ferro velho. Mas, cara, sério, parecia cena de desenho animado.
Mil dólares mais barato, mil dólares mais barato… – era o mantra que eu repetia em minha cabeça ao subir no barco enquanto eu pensava porque eu sempre na minha vida tenho que ser tão mão-de-vaca!
Jogo dos sete erros. Encontre nosso iate!
Até que nosso barquinho fica bonito no pôr-do-sol, não?
Uma semana brincando de Cristovão Colombo
           
A primeira impressão de todo mundo variou da “pior possível” para “me leve de volta para o aeroporto”. Porém ficou só nisso mesmo. Logo que o guia veio falar com a gente, vimos que de ruim mesmo só a carcaça do barco. Cara, a tripulação era muito gente boa e, rapaz, a comida era incrivelmente bem preparada. Achei que ia comer cacto misturado com sopa de pedra (mil dólares a menos, mil dólares a menos), mas na verdade fomos bem servidos todos os dias, principalmente com peixes e saladas muito bem preparadas. De sobremesa, sempre um balde de frutas. Sempre que voltávamos dos passeios, já tinha um lanchinho nos esperando, variando entre frutas tropicais, empanadas e até mesmo pipoca =)  Nunca comi tão saudável por uma semana em toda minha vida.
Meu quarto que eu dividia com um alemão no barco

O guia falava inglês, era super gente boa e prestativo. Todo jantar ele dava um briefing do que iríamos fazer no dia posterior e sempre falava “todo mundo no bote às oito da manhã, horário de Galápagos”. O que seria “horário de Galápagos”? Bem, levando em consideração que estávamos na América do Sul, eu acreditava que horário de Galápagos era algo como meia hora depois do marcado. Rapaz, mas se ele marcava as oito, dez para as oito lá tava ele com aquele sininho maldito gritando “Todo mundo no barco, todo mundo no barco”! Rapaz, mas era pior que horário alemão!
Vista da minha janela que eu tinha todos os dias de manhã
A única parte que eu achei ruim mesmo foi só o fato de ficar seis dias embarcado, cara, é ruim demais. Ficar uma semana embarcado em um transatlântico, é de boa, você sente como se tivesse em casa, mas o barquinho da gente era muito pequenino e balançava demais! Não tive enjoos, mas a noite, quando o barco efetivamente viajava entre as ilhas e entrava em mar aberto, rapaz, o que era aquilo!!! Sério, a primeira noite você acha que vai morrer e só falta pedir uma corda para amarrar você em sua cama! Sem brincadeira, parecia uma montanha-russa de forma que nem do lado de fora do barco a tripulação gostava que a gente ficasse, pois eles ficavam com medo de, em um momento de desatenção, alguém fosse jogado para fora do barco. TENSO!! Além disso, como disse, o barco era bem pequenino, os quarto eram minúsculos e o banheiro, sem brincadeira, devia ter uns dois metros quadrados. Chega uma hora que você meio que enche o saco de ficar apertado o dia inteiro. Se bem que, quando desembarcávamos, tudo isso era esquecido.

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