Passeando por Arequipa – Monastério de Santa Catalina

Arequipa foi supostamente fundada por Pizarro em 1540 e já em 1579 foi fundado um monastério que, por algum tempo, foi o maior do Peru. Como nunca havia feito uma vista a um monastério para valer, resolvi pagar a absurda quantia de dez reais e realizar uma visita guiada por ele. 

Hoje vivem 14 monjas naquele monastério com idades variando entre 26 e 65 anos. Porém, na época áurea esse número poderia ser até dez vezes maior. Hoje as regras a que estão sujeitas as monjas são mais flexíveis, porém vou descrever como era na época em que o Monastério foi criado pois são mais interessantes os relatos antigos que os atuais.

As monjas viviam em regime de completo isolamento frente ao mundo exterior. Qualquer contato era realizado por uma parede onde havia uma venda e elas só conseguiam ouvir quem estava fora. Para pegar comprar coisas como remédios e mantimentos, havia uma gaveta onde era possível fazer essa troca.

Sala onde havia “contato” com o mundo exterior

Se quisessem sair para ver alguém ou receber uma vista, um familiar ou algo assim, teriam que receber autorização do bispo, o que nem sempre era concedido.

Só a elite do Peru fazia parte desse convento, pois ele era extremamente caro. Para ser aceita, a família da monja teria que pagar 2400 moedas de prata, uma fortuna na época, que era dividida em suaves prestações de quatro anos, período que levava para a iniciada ser convertida em monja. Com esse recurso era mantido todo o Monastério, pois um dote era o necessário para bancar até 10 anos de manutenção.

Lá dentro as monjas trabalhavam confeccionando hóstias e roupas para padres e elas podiam ter até oito escravas para ajudar nos afazeres domésticos. Dormiam em uns quartinhos que mais pareciam quitinetes, com fogão, uma salinha e coisas assim. Às escravas era possível sair vez ou outra do monastério, desde que a monja que detinha a escrava autorizasse. Outra coisa que achei interessante é que caso uma monja ficasse doente um médico era chamado. Era amarrado um cinto com sinos em sua cintura e, ao ouvir o barulho dos sinos, as monjas deveriam entrar para seus aposentos, pois só a monja principal e a doente teriam contato com o médico.

Como as monjas viviam em um regime de clausura dedicado a muito estudo, elas eram bem mais instruídas do que a maioria do povo da cidade e bastante procuradas a busca de conselhos que iam desde a esfera íntima à esfera política. Não é de se estranhar que convulsões políticas tenham acontecido com envolvimento, ainda que tênue, das monjas. Até mesmo  refugiadas políticas foram aceitas pelas monjas que as hospedavam e as guardavam até o momento em que a poeira baixasse. O exército costumava respeitar o Monastério e não o invadia, porém após algum tempo esse asilo deixou de ser concedido porque já tava virando bagunça. Ainda assim, o Monastério ficou asilando mulheres que necessitavam de ajuda, como mães solteiras expulsas da família.

Essas são algumas das dezenas de histórias que os guias vão narrando enquanto entramos naquele labirinto de quartos, corredores e salões. A visita guiada ao Monastério vale muito a pena, pois o lugar em si é muito impressionante.

Arequipa vale demais a visita, nem que seja para se chegar pela manhã e ir embora pela tarde, como fiz. O monastério e a catedral de Arequipa foram dois dos lugares mais bonitos por onde já pude viajar, de forma que recomendo demais.

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