De Arequipa a Cusco


Depois de passear pela Catedral de Arequipa, pelo Monastério de Santa Catalina e de quase ter a cama mijada no albergue, chegou o momento de seguir para Cuzco.

Rodoviária de Arequipa

Quando ainda estava em La Paz, perguntei a mulher do albergue (Bacoo Hostel, guardem esse nome para nunca ficar naquela espelunca em La Paz, fiquem no Wild Rover), antes de ela me vender a passagem para Copacabana, quanto tempo duraria de ônibus de Arequipa a Cuzco. Ela me disse que duraria quatro horas, o que era mentira, já que a passagem durava 12 horas. Acho que fez isso só pelo prazer de mentir mesmo. Na Bolívia você sempre tem que estar desconfiado. Quando olhei no mapa, nem parecia tão longe, mas, é como falei, no Peru e na Bolívia você sempre tem que lembrar que existem montanhas. O jeito foi encarar outra viagem de ônibus de 12 horas pela noite. A terceira noite que eu iria dormir em um ônibus em menos de uma semana e meia e a segunda seguida, já que eu cheguei de madrugada em Arequipa e ia embora no mesmo dia. Além disso, para piorar tudo, mais uma vez era feriado no Peru, parece que nos Andes eles resolvem comemorar feriado sempre na época que eu preciso viajar de ônibus.
Depois do Monastério, peguei um táxi com o taxista mais mal-humorado que conheci na vida. Pelo menos o ônibus não estava caindo aos pedaços como os da Bolívia. Procurei o meu banco e do meu lado sentou uma Cholita com bebezinho de colo que era uma gracinha. Tudo tranquilo.
Até chegar a noite.

Em uma dessas viagens pelo Peru teve uma vez que até um cachorrinho subiu em uma van que eu viajava. Bonitinho ele, né?

 

Cara, a noite despertei de uma vez com um frio imenso! Mas não era aquele frio de boa não. Era realmente um frio grande, do lado de fora com certeza estava negativo e o busão não tinha aquecedor. Olhei para fora e imaginei que já estava amanhecendo, então era só esperar o sol aparecer e ficar de boa. Porém depois de mais ou menos uma meia hora o sol não parecia que ia aparecer tão cedo. Não, não estava amanhecendo, era noite de lua cheia. Eram duas da manhã. A tia do meu lado estava com o seu bebezinho no colo e cada sacolejada que o busão dava, ela ia jogando o bebezinho mais perto do meu colo. Eu ia lá e devolvia ele à mãe. 
Tecla Pause
Você acha isso desleixo materno? Um amigo, em um desses ônibus na Bolívia, entrou e quando foi colocar a mochila naquelas prateleiras no teto do busão se deparou com um lindo bebezinho deixado pela mãe que estava abaixo. De boa, né? 
Tecla Play
 
Mas, cara, a cholita do meu lado tinha colocado uns dez lençóis enrolados naquele bebê, ele mais parecia um casulo. Um casulo quentinho… Me abracei a esse casulinho boliviano e comecei a me esquentar. Porém chegou um momento em que meus pés começaram a ficar dormentes. Fiquei com medo de meus dedos do pé congelarem. Cara, no desespero eu decidi tentar falar com o motorista para ele parar o ônibus e eu poder pegar algumas meias na minha mochila.
Rapaz, não é que quando eu chego perto da cadeira do motorista do ônibus tinha uns três edredons lá? Provavelmente seriam para ele, mas, nessas horas, tudo o que você pensa é nos dedos do seu pé. Surrupiei dois e levei para o meu banco como se nada tivesse acontecido. Bem vindo a selva, amigão. Com esses edredons consegui me esquentar de boa e seguir viagem. 
O pobre do motorista deve estar se tremendo até hoje.

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