Despedida de Santa Barbara – Califórnia


Cara, eu fico impressionado que, quando a gente vai embora, parece que fica um pedaço da gente no lugar. Foi assim quando saí do Maranhão, foi assim quando saí de São Paulo, da Austrália e agora tá parecendo que vai ser assim quando eu sair daqui também. O mais estranho de tudo é que aqui, ao contrário dos outros lugares, não foi um lugar com que me identifiquei bastante. Não saí, não me diverti e nem carimbei a fuselagem (o que realmente é a parte mais triste). Isso em grande parte foi culpa minha mesmo, já que no início me isolei bastante e quando comecei a procurar algo pra fazer, peguei o segundo trabalho e fiquei sem tempo. Quando saí do segundo trabalho, já estava na hora de ir embora.

Mas o problema principal pra mim foi, rapaz, nunca tive tanto azar em fazer amizades como tive nessa cidade! A primeira amizade que fiz e a única que se manteve até o final (tirando o pessoal da minha casa), foi com aquele velho conhecido gerente que falei pra vocês, o Orlando. O cara sempre foi gente boa comigo e sempre demos várias risadas, mas ele era sempre ocupado e nunca rolava da gente sair. Depois dele, no início, comecei a fazer amizades com algumas brasileiras. Elas pareciam ser gente boa, mas sempre que eu tentava marcar algo com elas eu recebia um “eu vou ver o que vou fazer essa noite e depois te ligo”. Depois da terceira vez, sem respostas, percebi que já estava incomodando.

Teve também um cara que depois acabei apelidando de “O virgem de 40 anos”. Um tiozão que foi até bacaninha no começo, me levou pra Los Angeles, me levou pra comprar meu laptop e mais algumas coisas, mas no final eu não agüentava mais ouvi-lo falando. O bicho tinha seus 45 anos e se achava a “última coca-cola do deserto” só porque trabalhava como arquiteto e não como entregador de pizzas, como a maioria dos brasileiros. Além de que parecia um menino de 14 anos tentando chegar numa mulher. Era engraçado ele tentando “passar a goela” na japinha e querendo, como a gente diz no Maranhão, “se amostrar”. Olha o papo do figura pra poder digamos, impressionar a mulher:

– Não, que meu trabalho agora está começando a me dar uns problemas. Como comecei a me destacar muito, você sabe, comecei a despertar muita inveja. Está começando a ter muita politicagem e, você sabe, eu odeio politicagem. Mas isso não é o importante, o importante é que cada dia eu estou ficando melhor no que faço, me destacando e pá pá pá…E por aí vai. Eu o via conversando com a mina e ficava rindo por dentro. Parecia até que ele tava era numa entrevista de emprego e não tentando xavecar uma mulher. Confesso que eu até tava xavecando essa japinha no começo, mas depois que o virgem de 40 anos montou em cima dela, eu esperei ele perder pra eu poder começar a tentar de novo, até porque eu não agüentava mais ele falando “olha, ao contrário dos brasileiros aqui, eu não trabalho de garçom, o meu trabalho é qualificado e talz, ao contrário desse maranhense “véi besta”, eu sou formado numa FAFIFÓ no Brasil e não trabalho vigiando hotel”. Eu ficava imaginando se na cabecinha dele, com esses papos de “consultoria de RH”, ele imaginava que a menina ia chegar pra ele e falar: – Nossa, eu adoro arquitetos, me deixa ver o seu esquadro (sim, o trocadilho sem graça foi de propósito mesmo, foi pra descontar a raiva)? O pior foi que aos poucos, com ele me falando, eu descobri o que ele fazia no bendito trabalho dele. Ele me falou que pegava as planilhas e redesenhava no AutoCAD (um software bastante utilizado por arquitetos). Não criava nada, apenas remetia o trabalho do chefe para o computador. Resumindo, ele trabalhava como um assistente de escritório de arquitetura, trabalho de início de carreira. Mas o importante era que o trabalho dele era qualificado ¬¬

Mas a melhor de todas, sem sombra de dúvidas, foi o que ocorreu com uma menina que eu conheci pelo Couchsurfing.com, chamada Monique. Rapaz, essa foi com certeza a melhor história. Eu estava aqui, sentado, em mais uma noite solitária no hotel e comecei a dar uma olhada no couchsurfing.com “pra ver de qual é”, procurando alguém pra poder me mostrar um pouco de Santa Bárbara. Entrei no chat do Couchsurfing e comecei a ver quem estava online. Rapaz… Pra que? Tinha uma loirinha FENOMENAL no chat! Cumpade, eu só pensei “essa mulher pode estar no Iraque, que eu vou pra casa dela!”. Fui lá, cliquei no profile dela e qual não foi a minha surpresa? Não, antes que você pense, ela não era de Santa Bárbara! ELA ERA DE ISLA VISTA, O QUE ERA MELHOR! Isla vista é uma cidade próxima a Santa Bárbara, que foi construída apenas pra servir de moradia pros estudantes da universidade daqui. Ou seja, é uma parada MUITO INSANA! TODO mundo que faz faculdade mora nesse bairro, ou seja, o local resume-se a badalação.

Comecei a conversar com ela, com aquele papinho “pois é, tou dando uma volta ao mundo e talz” e a mulher começou a me dar um mole insano. Perguntei se dava pra gente ver de sair já naquele fim de semana, mas ela falou que não, já que ia visitar a família, mas que na outra semana ela não via a hora de sair comigo. Falou também que na outra semana seria melhor já que todas as suas amigas também já estariam em casa e então a gente poderia sair todo mundo junto. Dei uma olhada mais atenta no profile dela e vi “as pobrezinhas” que moravam com ela! Mermão! Pense num bicho que pirou? Olha a foto!

Falei que tava de boa e desconectei. Meu amigo, nessa hora eu só abri os braços, olhei pra cima e falei: “Já chega, né? O que você tá aprontando comigo dessa vez?”. Cara, era algo que nada fazia sentido! A minha me dando um mole danado, falando que ADORAVA beber cerveja e que queria beber comigo até cair pra ver quem agüentava mais e ainda por cima morava com aquela mulherada! Eu não merecia tanto! Fiquei tão empolgado que peguei dois turnos dobrados no meu trabalho de Dishwasher e liberei o fim de semana posterior só pra poder sair com a mulher, né? Fiquei mais feliz que mosquito da dengue em campo de nudismo.

Como já disse várias vezes, pra dar história de blog, tem que dar errado, pois então. Deu errado! Como Deus não dá asa a cobra e quem nasce pra ser rosquinha nunca vai ser croissant, melou a parada. Tentei ligar várias vezes no celular dela, sem sucesso, além de sempre falar com ela no Skype e ela me ignorar. Acho que depois ela se arrependeu.

Esse foi um golpe que me deixou triste! Ô Urucubaca

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