Conforme expliquei no post anterior, um amigo do tempo de Brasília se mudou para o Senegal e me convidou para visitá-lo e óbvio que aceitei o convite. Comecei a estudar as rotas e me empenhei em chegar em Dakar de qualquer maneira. Acabei achando a melhor rota sendo por meio de Madrid na Espanha com uma conexão em Lisboa.
Dakar é uma cidade bem desenvolvida, na verdade uma das cidades africanas mais desenvolvidas, e por isso existem diversas empresas que fazem voos diretos para lá, uma delas é a Tap Portugal com um voo direto de Lisboa. Por essas lógicas que só as empresas aéreas saberiam explicar, o voo custava uns 40% mais caro se eu comprasse Lisboa-Dakar do que Madrid-Lisboa-Dakar. Como você deve ter imaginado, comprei o voo saindo de Madrid e também um voo, em separado, Brasília-Madrid e assim cheguei em Dakar
A questão do visto é bem simples. Brasileiros felizmente não precisam de visto para poder visitar o Senegal. Porém, sabe-se lá por que, apesar de você não precisar de visto você precisa de uma tal de uma “autorização de embarque” que é emitida pela Embaixada do Senegal. Não é nada demais, basta mandar um e-mail à embaixada em Brasília dizendo quando você vai, quando você volta que eles emitem o documento e te mandam por e-mail. Além disso, você também precisa estar com duas doses de vacina contra o COVID para poder entrar. Obviamente não me pediram nada disso na imigração quando eu cheguei ao aeroporto, só perguntaram o endereço onde eu ia ficar e bola para frente. O aeroporto fica do outro lado do mundo (meu amigo foi me buscar no aeroporto e levou uma hora para ir e outra para volta. De bicicleta? Não, de carro mesmo) e os voos de Portugal costumam chegar em um horário bem canalha (chega de madrugada), então tenha em mente isso quando for viajar para lá.
Ah sim, como toda e qualquer viagem, carreguem sempre o seu comprovante de vacinação contra febre amarela. Posteriormente vocês vão entender por que
No outro dia procurei por um passeio guiado e fomos conhecendo melhor a cidade antiga de Granada. Ela é interessante porque tem um centro que remonta aos seus tempos medievais com ruas apertadas e sinuosas. São umas ruas estreitas e com paredes altas onde fica difícil até você ver a luz do sol. O próprio GPS não funciona muito tempo, me lembrou até a cidade de Varanasi na Índia. O guia nos explicou que isso era de propósito, as paredes eram altas para evitar a incidência da luz do sol durante o verão (que facilmente ultrapassa 40 graus no verão) e para evitar o frio durante o inverno (que, como falei, pode ficar levemente abaixo de zero)
Por conta dessas ruas estreitas, do nada você tá andando e PÁH surge uma catedral imensa que você nunca imaginou que pudesse haver ali. O guia explicou que a catedral e a igreja foram construídas em cima das mesquitas depois da reconquista de Granada e, como queriam preservar as construções das cidades, sobrava pouco espaço onde construir. Por isso que surgem coisas imensas do mais profundo nada.
Em Granada você tem que tomar cuidado com os carros. As ruas são bem estreitas e quase não passa carro e pedestre ao mesmo tempo
Existia um costume na Espanha em que os jovens que conseguissem se destacar na Universidade poderiam escrever seus nomes nas Igrejas ou Catedrais das Cidades. Esses eram os lugares mais visitados em toda cidade, então ter o nome lá era uma grande honra. Essas inscrições devem ter centenas de anos.
Espírito 5ª série chega grita na gente quando a gente lê isso, né?
Existem laranjeiras como essas plantadas por todas as cidades da Andaluzia. São herança dos tempos dos árabes
Essas freiras ficam enclausuradas dentro dessa Igreja rezando o dia inteiro. Literalmente. 24h por dia elas ficam se revezando, rezando pedindo perdão pelos pecados da humanidade. Salvo engano elas seguem essa reza de forma initerrupta desde a década de 70. Em algumas igrejas espanholas esse costume ocorre desde o século XIX sem interrupção. Não interromperam nem durante a Guerra Civil Espanhola que quase destruiu o país!
É interessante andar por Granada porque até mesmo em terrenos abandonados e baldios você se dá de frente com muralhas.
Um dos vários portões que davam acesso a cidade murada de Granada
Outra história que eu achei interessante foi que ele explicou que o mercado de Granada, como continha muitas mercadorias valiosas (principalmente seda e prata) tinha uma preocupação muito forte com ladrões. Quem fosse pego roubando tinha uma orelha cortada e pendurada na porta do Mercado. Assim, qualquer um que você visse sem orelhas, já sabia que andou aprontando no passado. Além disso, o mercado possuía nove grandes portões que eram abertos e fechados em ordem e padrões diferentes para dificultar a previsibilidade dos ladrões. Alguns poucos guardas sabiam qual era o padrão do dia para evitar possíveis fugas.
Fernando e Isabel, os dois monarcas de Aragão e Castela, acabaram sendo enterrados em Granada e não na antiga capital da Espanha, Toledo, como se esperava. Isso ocorreu porque eles se orgulhavam tanto de terem sido conquistado Granada que resolveram serem enterrados por lá
Se você quer saber como visitar os campos de concentração de Dachau, tenha em mente que essa será, muito provavelmente, uma das experiências mais marcantes na Alemanha.
Afinal de contas, essa é uma visitação que remonta a um passado bastante denso, palco de uma das histórias mais tristes de toda a humanidade.
Mas, ainda que tenha um passado pesado, é uma visita necessária para entendermos um pouco da dimensão e tomarmos consciência de todas as tragédias.
Para saber como visitar os campos de concentração de Dachau, é só continuar a sua leitura.
A princípio, o campo recebia prisioneiros que eram opositores políticos do regime. Mas, à medida que o tempo passou, passou a receber os demais tipos, como judeus, ciganos, homossexuais, padres etc.
Assim como aconteceu em vários outros campos de concentração, em Dachau também ocorreram diversas experiências médicas com os prisioneiros.
Apenas para se ter uma ideia, entre os anos de 1933 e 1945, Dachau recebeu mais de 200.000 prisioneiros. Ainda que não se saiba a quantidade exata, muitos deles acabaram sendo vítimas da crueldade nazista.
Os prisioneiros tiveram a sua liberdade apenas em 29 de abril de 1945, mas muitos deles carregam o trauma até os dias de hoje.
Visitar o campo de concentração é se imergir na parte mais taciturna e sombria da história da Alemanha, já que o local conserva bastante memória.
É durante a visita que você consegue conhecer toda a história do campo de concentração, tais como:
A forma de tratamento para com os prisioneiros;
Instalações as quais eles viviam;
Depoimentos de sobreviventes;
Textos contextuais;
Objetos da época etc.
Como uma forma de homenagem, resolveram instalar um memorial judeu e templos pertencentes a outras religiões no local.
O campo de concentração fica próximo à cidade de Munique, sendo que a sua construção foi feita pelos próprios nazistas, em uma antiga fábrica de pólvora.
A inauguração foi feita por Heinrich Himmler, um dos homens mais cruéis do regime nazista.
Como visitar o Campo de Concentração de Dachau?
Para visitar o campo de concentração de Dachau, você não necessariamente precisa contratar algum pacote de viagem ou algo do tipo.
Caso queira uma certa ajuda, até vale a pena procurar por essa alternativa, mas tenha em mente que você consegue visitar de maneira independente.
A entrada para o memorial é gratuita, sendo que é possível fazer a visita de acordo com o ritmo que achar melhor.
Agora, caso queira fazer uma visita guiada, isso fará com que você obtenha maiores informações sobre o local e de todas as coisas que aconteceram por lá.
O memorial abre todos os dias, mas é possível visitar apenas das 09h às 17h. O único dia que costuma ficar fechado é no dia 24 de dezembro.
Por mais que a entrada seja gratuita, é possível adquirir um áudio tour completo por um valor de apenas 3.50€.
Esse guia está disponível em oito línguas diferentes, sendo uma ótima forma de conhecer toda a história do local.
Como chegar ao Campo de Concentração de Dachau
Como já mencionado, a cidade mais próxima é Munique, mas que fica a mais ou menos 25 minutos de distância de Dachau.
Por isso, você pode chegar facilmente no local de carro. O memorial tem sim um estacionamento disponível, mas é preciso pagar os devidos custos.
Mas, também é possível chegar ao local de transporte público. Para isso, partindo da Estação Central de Munique, chamada “hauptbahnhof”, pegue o trem S2 em direção a “Dachau/Petershausen”.
Basta você descer na estação “Dachau” e, em seguida, dirigir-se até a estação e pegar o ônibus 726, com destino à “Saubachsiedlung”.
Fazendo isso, é só você descer bem na entrada do memorial que, em Alemão, chama-se “KZ-Gedenkstätte.”
Caso você opte por ir de transporte público, tenha em mente que é necessário ter o bilhete Munich XXL, já que ele abrange todas as áreas desse trajeto.
Por mais que existam outras alternativas, a nossa dica é que você dê preferência por comprar o bilhete.
Afinal de contas, dessa forma, o bilhete terá validade pelo dia todo, fazendo com que você possa ir e voltar sem gastos adicionais.
Como é a visita ao campo de concentração de Dachau?
A visita ao campo de concentração é uma maneira de mergulhar de cabeça em toda a história local, haja vista que há muita informação sobre todo o regime nazista.
Fora isso, é possível visitar as instalações do campo de concentração, dando um ar mais empático a toda a situação.
Uma coisa que precisamos falar sobre a visita é tomar cuidado com os guias que for contratar. Dizemos isso porque os passeios internos guiados podem ser feitos apenas por funcionários de Dachau.
Mas, dentre alguns locais que você poderá visitar, mencionamos os seguintes:
Crematório;
Memoriais religiosos;
Exposição do campo;
Antigos barracões etc.
Durante a sua visita, você poderá descobrir diversas coisas, sendo que é possível adaptar todo o trajeto ao seu ritmo.
Portanto, será possível conhecer alguns fatores históricos e culturais da Alemanha, fazendo com que você se situe a todo o contexto histórico.
Caso você opte por uma visita guiada, ainda é possível ter acesso a algumas curiosidades locais no decorrer de todo o roteiro de viagem.
Ainda há alguns guias que oferecem boas dicas sobre a cidade em si, tais como transportes, lojas e demais passeios que pode fazer pela cidade.
Dicas úteis sobre o Campo de Concentração de Dachau
Antes de ir ao local, fique atento as seguintes dicas:
O memorial abre todos os dias, das 09h às 17h, sendo que a entrada é gratuita;
Não é possível entrar com cães no memorial, ao menos que seja cão-guia;
O mais adequado é não levar mochilas muito grandes, já que não há armários para guardar a sua bagagem;
Alguns conteúdos não são recomendados para menores de 13 anos. Fique atento.
Além disso, devemos mencionar que a grande parte do memorial é acessível para os deficientes. Inclusive, é possível obter cadeiras de rodas emprestadas no memorial.
O único parêntese quanto à acessibilidade é a parte externa, já que ela é de terra. Ou seja, pode dificultar um pouco o acesso.
Por fim, a nossa dica é que você separe pelo menos meio dia para fazer uma visita satisfatória ao campo de concentração de Dachau.
Cara, em Granada se você vai em um bar e pede um chopp eles vem e te servem, sem cobrança adicional, um tira gosto (que em espanhol é chamado de tapa). Isso é MUITO legal. Você não precisa nem pedir a “tapa”, você pede o chopp e de repente chega o tira gosto. E não é batata frita ou amendoim não. É sanduíche, carne… Teve um bar que nos serviram até peixe frito. Na primeira vez eu fiquei sem entender, depois que Elena foi me explicar. O interessante é que você não escolhe, então a tapa é meio “surpresa”, você pede o chopp e não sabe o que vem para comer. Pô, você não paga por ela, né! E o pior é que cada chopp que você pede vem uma tapa nova. Mano, você janta só de tomar chopp!!!
Exemplos de tira-gostos que ganhamos gratuitamente apenas por ter pedido um chopp
Placa de restaurante fazendo alusão ao fato de que você pede uma cerveja e ganha um tira-gosto (tapa)
Visitando Alhambra
Para ter acesso ao complexo de Alhambra o preço é bem salgado, porém justo para o que você vai visitar (não é como aquelas atrações de Londres que custam o olho da cara e são sem graça). Você pode optar por fazer um passeio guiado (que foi o que eu fiz) e eu pude ver que existiam grupos com passeio até em português! Infelizmente como não vi isso, acabei indo no passeio de inglês e espanhol ao mesmo tempo.
O forte de Alhambra se destaca ao fundo pela grandiosidade, é possível vê-lo por praticamente toda Granada, existindo vários “miradores” para isso. Isso ocorre porque Alhambra não era só um palácio, era um complexo onde funcionava meio que uma mini cidade onde morava a nobreza e seus empregados. Lá dentro, por óbvio, também existia o palácio do Rei e foi onde gastamos a maior parte do tempo.
Alhambra vista de um “mirador”
Galera esperando o por-do-sol para ver a Alhambra em um mirador. Olha o tanto de gente
Em Alhambra se destacam os mosaicos e azuleijaria com forte apelo simétrico nas pinturas.
Muralha construída com lápides que perteciam a um cemitério muçulmano antes da reocupação espanhola de Granada
Um grande amigo mudou para o Senegal e me convidou para visitá-lo. Separei férias no trabalho e comecei a estudar a melhor rota (leia-se mais barata) para poder chegar em Dakar, capital do Senegal.
Acabou que eu vi que a melhor forma seria viajando para Madrid e depois pegar um voo para Dakar com conexão em Lisboa. Não, comprando o voo Lisboa-Senegal não saía mais barato que Madrid-Lisboa-Senegal, de forma que comprei uma passagem Brasília-Madrid e outra Madrid-Senegal. Como já estava viajando para a Espanha mesmo, resolvi fazer uma viagem que fazia alguns anos que estava nos meus planos, visitar a Andaluzia na Espanha, mais precisamente a cidade de Granada. Entre Brasília-Madrid e Madrid-Senegal resolvi deixar um espaço de quatro dias e vamos para Granada.
Por que Granada
Não sei se vocês lembram do tempo de colégio, mas um dos momentos mais importantes para a história de Portugal/Espanha é o período conhecido como a Reconquista. Depois do início do Império Islâmico os muçulmanos tomaram todo o norte da África e adentraram na Península Ibérica (local onde ficam Portugal e Espanha) e quase a conquistaram inteira. Ficaram nela por quase 1000 anos até que a União das coroas de Castela, Leão e Aragão fundaram a Espanha moderna e foram expulsando os árabes. Granada foi a última “província” árabe a cair e por isso mantém até hoje forte herança muçulmana. Então viajar por Granada é como viajar pelo Marrocos ou pela Argélia só que dentro da Espanha. Além de tudo, em Granada fica uma das maiores e mais impressionantes construções humanas, o complexo de Alhambra, um forte/cidadela de porte impressionante só comparáveis aos fortes que eu tinha visto na Índia. Por isso empacotei as minhas coisas e segue para Granada.
Quando comprei a minha passagem para Espanha eu estava super tranquilo porque eu imaginava que, bem, a Espanha seria quase que um paraíso tropical no meio da Europa. 11 em cada 10 aposentados europeus endinheirados (leia, norte da Europa como Alemanha, Noruega, Suécia e correlatos) sonha em se aposentar e viver nos ares “tropicais” da Espanha, pelo menos era o que eu havia lido. Só esqueci que o tropical para quem tá acostumado com inverno de -20 é diferente do tropical de quem cresceu no Maranhão. Mano! Ainda bem que marquei de encontrar uma amiga espanhola que me alertou que em Granada estaria frio! Eu imaginando que era frio de 15, no máximo de 10 graus. Não! No dia em que eu iria chegar, no horário em que eu iria desembarcar do aeroporto 1a temperatura seria de MENOS DOIS graus!!! Pense no desespero!
Um pouco do “tropicalismo” que encontrei em um dia de sol de Granada
Com a responsável por eu não morrer de hiportermia na Espanha
Sai catando todas as luvas, cachecóis, gorros e o que mais eu pudesse achar pela frente em casa para poder levar já que, bem, eu não tenho casaco de frio para isso. No final passei algum frio, mas foi só por uma calça por cima da outra e várias camisas que deu para se virar.
Graças a minha amiga Elena também descobri um dos mais interessantes e legais costumes de Granada, as tapas com bebidas que irei explicar no próximo post
Para ir de Dublin para Belfast não é tão difícil. As duas cidades ficam a menos de 200km um das outras. Achei um serviço de bate e volta de Dublin e segui viagem. Mais uma vez, não existe nenhum tipo de controle entre um país e outro, você vai em uma rodovia e de repente está na Irlanda do Norte. Chegando em Belfast contratamos um serviço que já é famoso por lá. São uns taxistas que te levam aos bairros católicos e protestantes da cidade. Para quem não entende direito, resumindo, apesar da ilha da Irlanda (sim, a Irlanda é uma ilha com dois “países” nela, a Irlanda que a gente conhece e a Irlanda do Norte, parte do Reino Unido) ser em sua maioria composta por habitantes descendentes de irlandeses (católicos), a Irlanda do Norte é ocupada em sua maioria por descendentes de ingleses ou simpatizantes da Inglaterra (que são protestante anglicanos). Após um quebra pau danado, a maior parte da ilha (o sul e o centro) ficou independente do Reino Unido (criando o país da Irlanda), mas grande parte da região norte da ilha preferiu ficar com o Reino Unido e aí começaram os problemas. A minoritária parte irlandesa de Belfast (católicos) queria se juntar ao recém-criado país da Irlanda, mas a maioria da população descendente de colonos ingleses queria continuar como estava, até mesmo por temer o que poderia acontecer com eles caso eles se juntassem à Irlanda (assim eles deixaram de ser maioria na Irlanda do Norte para serem minoria na Irlanda) e então o circo estava armado. Houve tratativas de um lado e do outro, mas a coisa logo desbancou para a pancadaria. Os ingleses (protestantes), em maioria na parte norte da ilha, gentilmente sugeriam aos irlandeses (católicos) que fossem embora. Obviamente desciam uma camaçada de pau nos irlandeses que, mais uma vez, eram minorias. A situação foi tão saindo do controle que quem era protestante/inglês achou por bem mudar para um bairro de maioria inglesa e quem era irlandês/católico fazia o mesmo e logo começaram a surgir bairros protestantes e bairros católicos. Os católicos temendo os protestantes começaram a murar os seus bairros criando verdadeiros guetos que existem até hoje. Sim, existe hoje um muro “da paz” de quase seis metros de altura (“big walls make better neighbours”, ou “paredes altas fazem bons vizinhos” dizia meu taxista) circundando os bairros católicos no melhor estilo idade média. E a situação é tensa. Dá sete horas da noite o portão fecha e ninguém entra, ninguém sai. Para ter acesso ao bairro católico você tem que entrar pelo centro da cidade (zona considerada “neutra”) onde há um buraco no muro para isso.
Fotos do muro e das grades
Quando você vai nos bairros católicos e também aos protestantes tem as famosas pinturas nas paredes que exaltam feitos e acontecimentos ingleses (bairro protestante) e irlandeses (bairro católico). Hoje em dia eles são mais de boa, mas até um tempo atrás eles eram bem agressivos, exaltando massacres de ambos os lados. Outra coisa interessante é que não importa o bairro, católico ou protestante, as casas são todas iguais.
Só sei que depois de 1998 houve um acordo de paz e hoje a cidade de Belfast pode ser cruzada de cabo a rabo sem problemas. Pelos relatos que a gente ouvia teoricamente isso não era possível antes do acordo de paz. Um ônibus como o que eu havia viajado de Dublin, todo verde e com bandeiras da Irlanda, nunca poderia trafegar livremente por Belfast. Segundo o meu guia, se isso ocorresse em algum momento ele seria parado e todo mundo seria executado. Eu achei que ele deu uma exagerada, mas quem sou eu para duvidar. Risada mesmo eu só dei quando os taxistas falavam para a gente não pisar na grama das casas porque, devido a guerra, eles misturavam pólvora na comida dos cachorros, então quando alguém pisava BUM, voava pelos ares. Foi bobinho, mas eu ri.
Eu nunca tive muita curiosidade em viajar para a Irlanda. Na verdade, na verdade, eu fui mesmo porque já estava na Inglaterra e queria contar mais um país. Cheguei ainda pela manhã em Dublin, a capital, e dei uma passeada pelo centro da cidade. Mano, tudo de interessante que tem para ver você consegue ver em uma tarde. Depois fiquei pensando o que iria fazer o outro dia inteiro que eu ainda tinha pela cidade.
Dublin parece ser uma cidade muito da hora para quem é solteiro e sai para balada, porque eu passei pelos pubs e tudo parecia muito legal. Porém, não era o meu caso.
O que me impressionou mesmo em Dublin foi o tanto, mas o TANTO de brasileiros que você vê andando pelas ruas de lá. Cara, é impressionante. Sou capaz de apostar que só em Lisboa eu tinha visto tantos brasileiros pelas ruas.
E a imigração? Eu já tinha visto muita gente falando da imigração da Irlanda. Que ela era muito rigorosa e por isso era a segunda que me deixava mais preocupado depois da inglesa. Como foi? Mas uma vez foi super de boa. O engraçado foi que não existe controle de imigração na volta da Irlanda para o Reino Unido e nem da Irlanda para a Irlanda do Norte (que faz parte do Reino Unido).
Por último, encontrei um burrito muito bom andando pelo centro de Dublin com uma internet wi-fi maravilhosa. Acabou que eu ia lá todo dia fora que várias vezes no dia eu ficava na frente da loja para poder pegar sinal de Wi-fi, já que eu não comprei o chip para internet no celular.
No final, fiquei pouco em Dublin, porque, conforme falei, não vi muita graça por lá. Pesquisando um pouco na internet, vi que havia um passeio de ônibus onde você ia à Irlanda do Norte e voltava a Dublin no mesmo dia. Aí não pensei duas vezes, vamos! Sempre quis conhecer Belfast e aquela era a melhor oportunidade possível!
Durante um dos dias em que eu estava em Londres houve uma megagreve do povo dos transportes. O negócio é tão organizado que um dia pararam os trens de Londres, no outro, pararam o metrô e assim foi indo. Rapaz…no dia em que pararam o metrô foi CAOS. Eu já saí da casa do meu amigo sabendo que seria difícil pegar ônibus, então decidi simplesmente sair andando até o Big Ben, um trajeto de quase sete quilômetros e uma hora e meia de caminhada. Tudo bem, eu fui parando pelo caminho, estava sem pressa então foi de boa.
O negócio foi na hora de voltar. Obviamente os ônibus estavam lotados e a galera na rua estava em polvorosa. Esperei em uma parada pelo meu ônibus. De repente para um, lotado. Outro, lotado. Um terceiro, lotado. Chegou o meu ônibus, LOTADO! O motorista se recusou a abrir a porta para embarcar mais passageiros pelo motivo óbvio que não cabia mais gente dentro daquela busão.
Eu ainda tentei pensar em entrar, mas quando o motorista abriu a porta para o pessoal sair e o povo começou a se empurrar e a quase se estapear para entrar pela porta de saída do busão eu pensei que talvez não fosse uma boa ideia tentar entrar nessa, até porque, vai que eu sou multado quem nem as outras quatro vezes em quatro países que eu já me dei mal por conta disso.
Povo quase se estapeava para entrar em um busão desses
Por um dia o povo de Londres entendeu o que é um dia de busão no Brasil. No final acabei tendo que voltar a pé também. Segundo meu relógio, nesse dia eu andei quase 20 km. Por essas e outras, hoje quando terminar de ler esse texto, dê um abraço bem apertado no motorista do seu metrô, porque, rapaz… que povo que faz falta quando faz greve. Nessas perambulanças a pé por Londres cheguei a ser escolhido para participar de um show de rua de malabarismo e, parada deveras engraçada, parei para bater uma foto da casa do Primeiro Ministro inglês (que apesar da gente ver na TV só a porta e parecer ser no meio da rua, tem praticamente um bunker de guerra para proteger ela) e todo mundo que parava lá para bater foto chegava um veio na orelha e falava: “Por que você está batendo foto da origem de toda corrupção na Inglaterra?”. Eu juro que eu parei, olhei para esse veio e quase perguntei “Siô, o senhor já ouviu falar de Brasil?”.
Local onde o veio assoprava em sua orelha…
Outra coisa que eu achei interessante nessas minhas andanças pelas ruas foi como as pessoas moravam nas casas antigas de Londres. Como hoje em dia tem muita gente morando na cidade e pouco espaço disponível, o pessoal começou a “fatiar” as casas antigas. Sim, fatiar quase que literalmente. A casa tem três andares? Então você separa os andares, faz uma escada do lado de fora e vende como três apartamentos diferentes. Bairros e bairros de Londres são assim hoje. Como é lá, isso é chique. Se fosse no Brasil a gente chamava de cortiço.
Por último, uma dica. Não tragam libras quando viajarem à Inglaterra. Pode ser contra intuitivo isso, mas quase lugar nenhum aceita dinheiro impresso. Sim, eles não aceitam. Eu levei 100 libras só para poder mostrar na imigração se me perguntassem e só não voltei com as mesmas 100 libras porque troquei parte delas por euros para gastar na Irlanda. Impressionante como a maioria dos lugares simplesmente se recusa a receber dinheiro hoje em dia, você acaba tendo que pagar tudo no cartão. Mesmo o metrô.
Um dos muito lugares de Londres que já deixam aviso na porta que só aceitam pagamento por cartão
No final. Se eu gostei de Londres? Achei bacana sim. O problema é que se você não é muito fã da Família Real Britânica, dos Beatles ou de Harry Porter você fica meio que deslocado por lá, kkk.
Todo mundo fala que viajar por Londres é caro. Realmente, a libra esterlina não é e nunca foi para brincadeira.
Porem se você parar para pensar viajar por lá nem saia tão caro. Londres tem um dos principais museus do mundo, o Museu Britânico (na verdade, foi o melhor museu que já visitei na vida). Não paga nada para entrar. Fui em dois outros museus tops também, o de Arte Natural e o de Ciência. Não paga nada para entrar. Para quem curte esculturas e artes também tem o museu Victoria e Albert. Não paga nada para entrar. Acaba que para turistar em Londres você só gasta com comida e hospedagem.
O Museu Britânico é uma coisa de outro mundo. Tem peças de tudo o que você imaginar, egípcios, assírios, japoneses, astecas. Olhando tudo aquilo, do mundo inteiro, eu ficava com uma sensação meio dúbia. Por um lado, essas peças foram roubadas de todos os países e povos os quais pertenciam (na verdade o museu em si teoricamente não roubou nenhuma, as peças ou foram compradas pelo museu ou “doadas”), por outro fico pensando se essas peças estariam realmente preservadas se estivessem nos países de origem (basta lembrar o que aconteceu com Palmira na Síria ou com os budas do Afeganistão). Enfim, roubado ou não, é um passeio interessante pela história humana e eu mesmo fui lá dois dias para poder conseguir ver tudo. Além disso, grande parte do acervo disponível você vê que foi escavado por uma equipe do museu ainda lá pelos anos 1900, 1910… Assim, em uma época que ninguém não estava nem aí para isso. Então, assim, confesso que nutri sentimentos ambíguos sobre esse museu.
O Museu de Arte Natural e o Museu de Ciência também são bacanas, mas nada que se compare ao Museu Britânico. Na verdade, museu nenhum no mundo se compara. Ainda cheguei a pagar para ir em outro museu, a Torre de Londres, que é uma das principais atrações de Londres. Paguei o preço salgado de 30 pounds (uns 200 reais) e me arrependi. O problema é que os museus gratuitos são tão bons que quando você paga para ir em um museu você quer uma coisa absurdamente melhor e, como falei, nenhum museu se compara ao Museu Britânico. No final, acabei atualizando o meu roteiro por meio do post desse blog e decidi só fazer passeio gratuito que, rapaz, existem DEMAIS.
Ainda cheguei a ir ao Museu Imperial de Guerra onde fiquei quase o dia inteiro e visitei alguns museus de arte. Não que eu me interesse, mas já que era de graça e eu não tinha nada mais para fazer, por que não. Fui também no Museu de Londres, achei legalzinho, mas nada que me fizesse perder um dia para visitar.
Entre as imagens é possível perceber várias peças em exibição no museu, entre elas um dos primeiros jogos de tabuleiro da história. Na terceira foto, ao fundo, você consegue perceber polícia fortemente armada guardando um ponto turístico famoso de Londres. Reflexo do medo de ataque terrorista de uma famosa polícia que costumava patrulhar as ruas desarmada
Enfim havia chegado a hora de eu viajar à Inglaterra. Digo que havia chegado a hora porque depois de 84 países é realmente interessante pensar que eu nunca havia viajado a um dos países mais turísticos do mundo.
Aproveitei um intervalo que surgiu uma janela do doutorado, tirei férias no trabalho e me desloquei para Londres.
A viagem de ida foi simplesmente terrível. Como não queria pagar para reservar lugar, fui posto na cadeira do meio. Até aí tudo bem. O problema foi que no corredor sentou um cara IMENSO. Ele não cabia no lugar dele e acabou tomando metade do meu. Durante o voo ele até tentou ser gentil, me cedeu o espaço do corredor porque acho que percebeu que não tinha como caber. Aí ficou no meio e tomou metade do meu espaço e metade do espaço da pessoa que estava na janela. Onze longas horas viajando assim.
A chegada em Londres foi relativamente caótica também. Todo mundo fala que a imigração é bem chata, mas comigo foi de boa. Problema mesmo foi só achar a bagagem despachada. Estava lá no painel que minha mochila ia sair na esteira 5. E lá vou eu esperar. Espero. Espero. Espero. Es…pe…ro.. E nada da minha mochila. Quando fui reclamar no setor de bagagem perdida a mulher me perguntou “Mas qual é o seu voo? Ah, esse seu voo é na esteira 9”. Obviamente perguntei para ela porque aparecia que estaria na esteira 5 se estava na esteira 9? “Ah, é assim mesmo, esses painéis não servem de muita coisa”. Só faltou mandar um e DANE-SE.