VIAGEM A RUANDA| Kigali, genocídio, mototáxi e um chope histórico

Obviamente, o primeiro lugar que eu queria conhecer em Kigali era o Memorial do Genocídio. Assim que acordei, tentei instalar o aplicativo de transporte que funcionava por lá, o Volkswagen Move. Sim, isso mesmo: a Volkswagen resolveu criar uma espécie de Uber próprio em Ruanda. Tentei de todo jeito cadastrar meu cartão, não consegui, dinheiro não aceitava, tinha que pagar com o PIX local. Depois de perder um tempão brigando com o aplicativo, desisti.

Foi aí que descobri o meio de transporte mais popular de Kigali: o mototáxi. E, rapaz, não me arrependi. Eu estava hospedado numa região residencial meio afastada do centro e, ainda assim, conseguia praticamente atravessar Kigali pagando uns 10 reais. Quando muito. Aí você coloca na balança: ir confortavelmente dentro de um carro pagando 40 reais ou subir na garupa de uma moto, arriscar um pouco mais a integridade física e pagar 10. Acho que a escolha é evidente, né? E tem outro detalhe: como Kigali é tomada por mototáxis, você precisa perder rapidamente aquele instinto brasileiro de ficar desconfiado quando aparecem dois caras numa moto. Senão você passa a viagem inteira em estado de alerta.

Durante toda a minha passagem por Ruanda, acho que entrei em um carro apenas duas vezes: para ir e voltar do aeroporto. E olha que eu ainda queria fazer o trajeto até o aeroporto de mototáxi, com a mochila nas costas. Foi o cara do Airbnb que não deixou por motivos óbvios.

E usar algum tipo de transporte em Kigali é quase uma necessidade, porque caminhar pela cidade exige preparo físico. Ruanda é conhecida como a “terra das mil colinas”, e Kigali faz questão de honrar a fama. Mano, sério: a cidade consegue fazer Belo Horizonte parecer plana. Você dobra uma esquina e encontra uma ladeira. Sobe aquela ladeira, vira outra rua e aparece outra ainda pior. Tem rua ali que não foi feita para você subir. Foi feita para você escalar. Depois de algumas horas andando por Kigali, comecei a entender por que o mototáxi não era apenas barato. Era questão de sobrevivência.

Outra coisa que chama muito a atenção é o tanto de gente nas ruas. Ruanda e Burundi estão entre os países mais densamente povoados da África. Para você ter uma ideia, Ruanda tinha mais de 13 milhões de habitantes no último censo vivendo em apenas 26 mil km², um território menor que o estado de Alagoas. São mais de 500 habitantes por quilômetro quadrado. Então você vai andando pelas estradas e parece que nunca existe aquele momento em que a cidade acaba e começa o vazio: sempre tem uma casa, uma vila, alguém caminhando ou trabalhando em algum lugar.

Apesar de Kigali estar praticamente em cima da linha do Equador, o clima é surpreendentemente agradável. Isso acontece porque a cidade fica a cerca de 1.500 metros de altitude. Durante o dia a temperatura é gostosa e à noite chega a fazer aquele friozinho bom. É curioso pensar que Kigali está praticamente na mesma latitude de Belém do Pará, mas climaticamente parece estar em outro planeta.

Outra coisa que facilita demais a vida do turista é o inglês. Ruanda nunca foi colônia britânica — primeiro foi alemã e depois belga — e durante décadas o francês teve muito mais importância. Isso mudou principalmente a partir de 2008, quando o governo decidiu colocar o inglês no centro do sistema educacional, aproximando o país também de seus vizinhos anglófonos e da Comunidade da África Oriental. Assim, decidiu porque decidiu e pronto. O resultado é muito perceptível hoje: entre os mais velhos o inglês varia bastante, mas entre os jovens de Kigali encontrei muita gente falando muito bem. E, cara, para mim o inglês deles era extremamente fácil de entender.

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E uma última coisa me pegou completamente de surpresa: a Skol. Sim, meu amigo, a nossa velha conhecida Skol. Você está no meio da África, em um país sem saída para o mar, e começa a encontrar propaganda da Skol em bar, restaurante e em tudo quanto é canto. Só que ela não chegou ali importada do Brasil. A marca Skol é internacional e os direitos dela na África pertencem ao grupo belga Unibra, que produz a cerveja localmente em Kigali desde 2010. A operação cresceu tanto que a própria empresa afirma que a Skol passou de 25% do mercado de cerveja ruandês. Diz aí: de todas as coisas que você imaginaria encontrar no meio de Ruanda, uma Skol gelada provavelmente não estaria na lista.

Dále SKOL!

Kigali: quando a história deixa de parecer distante e 1994 ainda parece ontem

Infelizmente, visitar o Memorial do Genocídio de Kigali é uma experiência tão ruim quanto parece. É um soco no estômago. O memorial segue um pouco aquela estética que você encontra nos grandes museus dedicados ao Holocausto: ambientes escuros, fotografias, depoimentos, documentos e uma narrativa que vai conduzindo você passo a passo até entender como uma sociedade inteira conseguiu chegar naquele ponto. Só que ali existe uma diferença brutal: você não está apenas dentro de um museu. Do lado de fora estão enormes valas coletivas onde foram sepultadas mais de 250 mil vítimas do genocídio.

Algumas imagens são particularmente difíceis de esquecer. Você vê fotografias das ruas depois dos massacres, carros abandonados e corpos espalhados por lugares que, poucos meses antes, faziam parte da vida cotidiana das pessoas. Algumas cenas parecem retiradas daqueles filmes ou jogos de videogame de apocalipse zumbi, só que aquilo não era ficção. Aconteceu ali, naquela mesma cidade, em 1994.

Poucos lugares que visitei na vida me deixaram tão mal. Talvez Auschwitz, na Polônia, o Museu do Holocausto em Washington, o memorial do genocídio armênio em Yerevan e os locais relacionados ao Khmer Vermelho em Phnom Penh tenham provocado uma sensação parecida. E existe uma característica do genocídio ruandês que me perturbou especialmente. Stálin e Hitler mataram milhões de pessoas. Mas sob eles existia um ideologia. De gosto duvidoso, mas ainda assim uma ideologia. O que mais me chocou no genocídio ruandês é que ele foi realizado sob o simples objetivo de matar outra etnia. Massacre puro e simples. Em muitos casos não era um agente do estado, um soldado desconhecido matando alguém que nunca tinha visto. Eram vizinhos denunciando vizinhos, conhecidos atacando conhecidos e até pessoas da mesma família se voltando umas contra as outras.

Talvez seja justamente isso que torne tudo tão difícil de processar. A violência atingiu praticamente toda a sociedade. Existem sobreviventes que perderam pais, irmãos, filhos, tios e primos e descobriram, quando tudo terminou, que eram praticamente os únicos membros da família ainda vivos. E não estamos falando de alguma tragédia perdida num passado distante. Estamos falando de 1994. Quando eu estava visitando aqueles memoriais, havia milhares de ruandeses andando pelas mesmas ruas que tinham vivido tudo aquilo pessoalmente.

Também me chamou a atenção a quantidade de estrangeiros visitando o memorial. Infelizmente, por mais que Ruanda faça um enorme esforço para construir uma nova imagem, o genocídio continuará fazendo parte do roteiro de quem visita o país durante muito tempo. E não é apenas no Memorial de Kigali. Existem memoriais espalhados por toda a cidade e por todo o país.

E esses lugares não funcionam simplesmente como museus. Muitos são também cemitérios e espaços de luto. Você encontra flores, fotografias e homenagens sobre os locais onde as vítimas estão enterradas. Existem placas indicando áreas onde não se deve caminhar justamente porque existem restos humanos sepultados ali. Não é um simples museu com algumas peças e exposições sobre o acontecido. Há centenas de milhares de pessoas enterradas ali do seu lado. É nesse momento que você percebe que aquilo não é apenas uma exposição contando uma tragédia histórica. Para os ruandeses, aquilo ainda é memória familiar. As pessoas enterradas ali eram pais, mães, filhos, irmãos e amigos de gente que continua vivendo em Kigali hoje.

Dez mortos e um país ainda mais abandonado, o memorial ao massacre que fez a Bélgica sair de Ruanda

No outro dia fui ao memorial aos soldados belgas mortos durante o genocídio. O Camp Kigali fica no antigo quartel onde dez capacetes-azuis belgas da ONU foram levados e assassinados em 7 de abril de 1994, logo no início dos massacres. Eles faziam parte da missão da ONU em Ruanda e estavam protegendo a primeira-ministra Agathe Uwilingiyimana, uma hutu moderada que também seria assassinada naquele dia. A morte dos soldados não foi um acontecimento qualquer: os extremistas sabiam que a Bélgica era o principal contingente militar da missão e esperavam que, depois de perder homens, o país retirasse suas tropas.

Imagina o que iria acontecer. Você, belga, tem tropas em um país “selvagem”, no meio da África, que nunca ouviu falar e de repente 10 cidadãos do seu país são massacrados e mutilados de forma selvagem.

E foi exatamente o que aconteceu. Poucos dias depois, a Bélgica decidiu sair de Ruanda e pressionou pela redução da missão da ONU justamente quando o genocídio estava ganhando força. No memorial ainda estão os antigos edifícios do quartel e dez pilares de pedra, um para cada soldado morto, marcados simbolicamente de acordo com o tempo que cada um teria resistido ao ataque. É um lugar pequeno, mas ajuda a entender como decisões tomadas nos primeiros dias acabaram deixando os ruandeses ainda mais abandonados no momento em que mais precisavam de ajuda internacional.

O dia em que a ONU foi embora e Michel Teló apareceu

Fui também ao Nyanza Genocide Memorial, outro lugar pesado da história de Kigali. Durante o genocídio, milhares de tutsis buscaram proteção na região da École Technique Officielle, onde havia soldados belgas da missão da ONU. O problema é que, depois do assassinato dos dez capacetes-azuis que eu tinha acabado de contar, a Bélgica decidiu retirar suas tropas. Os refugiados ficaram praticamente abandonados. Pouco depois, milhares deles foram levados para Nyanza, onde acabaram massacrados. Hoje o local funciona como memorial e cemitério, com valas coletivas onde estão enterradas milhares de vítimas. O que mais me marcou foi justamente perceber como essas histórias vão se conectando: você visita o memorial dos dez belgas e depois chega a Nyanza e entende uma das consequências daquela retirada. Para quem estava escondido acreditando que a bandeira da ONU significava proteção, deve ter sido desesperador assistir aos soldados simplesmente indo embora e só levando os não-ruandeses com eles.

Cheguei lá e não entendi direito se o memorial estava aberto ou fechado. Só havia um guarda, acompanhado de mais um daqueles fuzis enormes que parecem fazer parte da decoração oficial de Ruanda. Ele me deixou entrar normalmente, mas depois começou a implicar porque eu estava tirando fotos e gravando alguns vídeos. Segundo ele, aquilo não era permitido. Depois começou a fazer perguntas demais e, confesso, me passou pela cabeça que talvez estivesse esperando uma “gasosa”, como tinha acontecido comigo em Angola. Só que o inglês dele era ruim até para pedir uma eventual gasosa. Posso estar cometendo uma tremenda injustiça com o sujeito, então fica aqui o benefício da dúvida. Só achei estranho porque, nos outros lugares onde fotografar era proibido, havia placas deixando isso muito claro. Resolvi não descobrir até onde aquela conversa iria: me fiz de bobo, saí, montei no primeiro mototáxi que apareceu e fui embora.

De lá segui para conhecer provavelmente o hotel mais famoso de Ruanda: o Hôtel des Mille Collines. Foi ali que, durante o genocídio, mais de mil pessoas buscaram proteção, episódio que inspirou o filme Hollywoodiano Hotel Ruanda. No cinema, o gerente Paul Rusesabagina foi interpretado pelo ator Don Cheadle, indicado ao Oscar pelo papel. O filme conta como Rusesabagina teria usado seus contatos, negociações e influência para proteger os refugiados hospedados no hotel. Vale dizer que sua figura se tornou bastante controversa posteriormente, especialmente em Ruanda, onde a versão heroica apresentada pelo filme é contestada por sobreviventes e pelo governo. Mas isso é outra história.

Me hospedar ali estava completamente fora de cogitação. As diárias custavam muito mais do que meu orçamento estava disposto a aceitar. Mas eu sabia que havia um bar próximo à famosa piscina do hotel, que também aparece na história do genocídio: com o abastecimento de água interrompido, a água da piscina teria sido utilizada pelos refugiados para necessidades básicas. Então fui entrando… entrando… entrando… esperando alguém aparecer para perguntar o que aquele maltrapilho o estava fazendo ali. E… Ninguém perguntou nada.

Cheguei ao bar, sentei perto da piscina e pedi aquilo que cabia no orçamento: um chope. E, para minha surpresa, nem foi caro. Paguei algo em torno de 15 reais. Considerando que eu estava tomando uma cerveja em um hotel cinco estrelas, ao lado de um dos lugares mais conhecidos da história recente de Ruanda, achei um excelente negócio. Hospedagem no Mille Collines eu não podia pagar. Mas um chope histórico ainda cabia no orçamento. Ponto alto foi quando eu estava lá observando a piscina, pensando no poder histórico daquele local e começou a tocar “Ai se eu te pego” em português e depois traduzido pro inglês. Obrigado Michel Teló.

Ruanda: muito além de 1994, O país que se recusou a ficar preso ao genocídio

Apesar de eu não querer transformar esse relato numa sequência de genocídio, matança, genocídio, matança, é praticamente impossível viajar por Ruanda sem que o assunto apareça o tempo inteiro. A tragédia de 1994 ainda está muito presente no país. Ela aparece nos museus, nos memoriais espalhados pelas cidades, nas valas coletivas e, principalmente, na história das famílias. Muita gente que você encontra andando pelas ruas de Kigali viveu aquilo pessoalmente.

Felizmente, depois de alguns dias você começa a perceber que Ruanda é muito mais do que o genocídio. E acho que essa foi uma das coisas que mais gostei de descobrir durante a viagem. Os ruandeses que encontrei foram extremamente simpáticos e solícitos e, em vários momentos, curiosos comigo. Alguns vinham perguntar de onde eu era, o que estava fazendo ali e como diabos um brasileiro tinha resolvido parar justamente em Ruanda. E existe também uma sensação muito forte de que o país quer seguir em frente. Não esquecer o que aconteceu, porque esquecer seria impossível e até perigoso, mas também não aceitar que 1994 seja a única coisa pela qual Ruanda será conhecido para sempre.

E eu realmente não gosto muito de ficar elogiando ditador, mas é difícil ignorar o papel de Paul Kagame na reconstrução do país. O sujeito governa de maneira autoritária, está no comando de Ruanda há décadas e existem sérios questionamentos sobre repressão à oposição, liberdade de imprensa e espaço para críticas ao governo. Isso tudo precisa ser colocado na conta. Ao mesmo tempo, também precisa entrar na conta o fato de que ele recebeu um país que tinha acabado de passar por algo próximo de um apocalipse social e conseguiu transformá-lo em um dos países mais organizados e economicamente dinâmicos daquela região da África.

Pensa na situação: uma parcela enorme da população tinha sido assassinada, milhões tinham fugido ou estavam deslocados, a economia estava destruída, as instituições praticamente tinham desmoronado e uma parte da população tinha acabado de tentar exterminar outra. Qualquer país teria enorme dificuldade para simplesmente voltar a funcionar. Ruanda não apenas voltou a funcionar como reconstruiu estradas, instituições e serviços públicos, atraiu investimentos e manteve durante muitos anos taxas elevadas de crescimento econômico. Hoje você anda por Kigali e encontra uma cidade limpa, segura, cheia de construções novas e com uma preocupação quase obsessiva em mostrar que o Estado funciona.

A comparação inevitável é com o vizinho Burundi. Os dois países são pequenos, montanhosos, extremamente densos, sem saída para o mar e possuem histórias coloniais e divisões entre hutus e tutsis muito parecidas. Só que hoje o Burundi é o país MAIS pobre do planeta. Não da África, não do hemisfério sul ou norte. DO PLANETA. Claro que seria simplista colocar toda essa diferença na conta de um único governante, porque história e economia nunca funcionam assim. Mas basta conhecer os dois países para perceber que, nas últimas três décadas, Ruanda e Burundi seguiram caminhos completamente diferentes. E depois de tudo o que aconteceu em 1994, só o fato de Ruanda estar onde está hoje já é bastante impressionante.

Era hora de pisar em um dos países mais tensos que já viajei. Era hora do Burundi.

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VIAGEM A SAINT MAARTEN | Como gastei só 17 dólares numa das ilhas mais caras do Caribe

A companhia aérea me colocou num voo para Saint Maarten, pagou hotel, transporte, café da manhã e almoço e, de quebra, me deu algumas horas para conhecer justamente um lugar que estava na minha lista havia anos: Maho Beach.

Saint Maarten nem fazia parte daquele trecho da viagem. Meu plano era sair de Barbados e seguir direto para Dominica. Só que, quando tentei imprimir o cartão de embarque, descobri que não existia mais voo naquele dia. A solução foi me despachar para outro país e me colocar no voo para Dominica apenas no dia seguinte.

No começo eu só pensava no transtorno. Depois comecei a fazer as contas e percebi que tinha ganhado praticamente uma escala patrocinada em um dos lugares mais caros do Caribe.

Cheguei de madrugada, dormi algumas horas, deixei as malas no hotel e fui conhecer a ilha. Como eu tinha pouco tempo, resolvi focar no principal motivo que sempre me fez querer conhecer Saint Maarten: a famosa Maho Beach.

E sim, os vídeos não exageram.

A praia fica literalmente ao lado do Aeroporto Internacional Princesa Juliana, e os aviões passam absurdamente baixos antes de tocar a pista. Você está sentado na areia, começa a ouvir aquele barulho vindo atrás e, de repente, um avião enorme cruza praticamente sobre a sua cabeça.

Não é efeito de câmera. Não é lente enganando perspectiva. Ao vivo, parece ainda mais absurdo.

Os bares próximos até colocam painéis com os horários dos pousos para que as pessoas saibam quando correr para a praia. E tem também quem fique agarrado na grade do aeroporto esperando os aviões acelerarem para sentir o empuxo das turbinas.

Eu preferi não participar dessa parte.

Existem placas alertando sobre o perigo e já ocorreram acidentes por ali. Mesmo ficando mais afastado, na areia, uma das decolagens gerou uma rajada tão forte que quase me derrubou. Areia voando, toalhas saindo do lugar e gente correndo praia abaixo.

Já estava bom demais ter sido mandado para outro país por um voo cancelado. Não precisava terminar o dia sendo arremessado por uma turbina.

Além de Maho Beach, aproveitei a caminhada até lá para observar um pouco da ilha. Saint Maarten tem uma peculiaridade interessante: a mesma ilha é dividida entre dois territórios. A parte sul pertence ao Reino dos Países Baixos, enquanto o norte é francês. E, na prática, você cruza de um lado para o outro quase sem perceber.

Como eu só tinha algumas horas, não consegui explorar tudo. Ainda assim, foi suficiente para entender um pouco do ritmo local, do trânsito complicado em ruas estreitas e da forte presença de hotéis, resorts e comércio voltado ao turismo.

No fim, aquele cancelamento virou um dos melhores imprevistos da viagem.

Conheci um lugar que queria visitar havia anos, dormi de graça, comi de graça, tive transporte pago e ainda consegui ver Maho Beach sem precisar organizar uma viagem específica para isso.

E o melhor: durante toda a minha passagem por Saint Maarten, gastei apenas 17 dólares do meu bolso.

Para um dos lugares mais caros do Caribe, talvez tenha sido o all inclusive mais barato da história.

Depois de algumas horas, voltei para o hotel, peguei minha mochila e finalmente segui para Dominica, o destino onde eu deveria ter chegado no dia anterior.

Só que os imprevistos dessa viagem pelo Caribe estavam longe de acabar.

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VIAGEM A BARBADOS | Cavalos no mar, vans malucas e preços absurdos

Barbados começou me surpreendendo antes mesmo de eu sair do aeroporto. Imigração rápida, Uber funcionando normalmente e uma sensação rara em algumas das viagens que eu vinha fazendo: tudo simplesmente funcionava. Só que essa tranquilidade tinha um preço — literalmente.

O país é caro. Muito caro.

Uma corrida de Uber de apenas 16 minutos até o Airbnb custou cerca de 26 dólares. Restaurante, mercado, transporte, aluguel, energia… praticamente tudo me pareceu mais caro do que eu esperava para uma pequena ilha do Caribe. E foi aí que comecei a entender melhor como funciona a vida em Barbados: um país pequeno, organizado e relativamente tranquilo, mas extremamente dependente de importações.

Como eu não estava disposto a gastar uma fortuna toda vez que precisasse me deslocar, fui descobrir o transporte público local. E a técnica era simples: aparecia uma van, eu entrava e acompanhava o trajeto pelo Google Maps para saber onde descer. Funcionou bem — pelo menos até o dia em que peguei uma van para o aeroporto com um motorista que parecia estar disputando uma vaga na Fórmula 1.

Sem cinto, sem ar-condicionado, música alta e ultrapassagens que faziam a corrida parecer muito mais cara do que os 2,5 dólares que eu tinha pago.

Mas Barbados também me surpreendeu por outro motivo.

Antes de chegar, eu imaginava que encontraria Rihanna por todos os lados. Afinal, estamos falando de uma das artistas mais famosas do mundo nascida em um país com uma população pequena. Eu esperava fotos, outdoors, souvenirs, estátuas, qualquer coisa.

Só que praticamente não vi nada.

Se eu não soubesse de antemão que Rihanna nasceu em Barbados, dificilmente descobriria simplesmente caminhando pela ilha.

Também conheci uma curiosidade local que pode causar problema para turista: roupas camufladas são restritas. Bermuda, camiseta, mochila ou chapéu com esse tipo de estampa podem chamar atenção das autoridades porque o padrão é reservado às forças de segurança. Meu velho chapéu camuflado, portanto, ficou prudentemente em Brasília.

E ainda havia uma experiência que eu realmente queria ver: os cavalos entrando no mar em Pebbles Beach.

Todos os dias bem cedo, cavalos treinados nas cocheiras próximas ao hipódromo são levados até a praia para entrar na água. Cheguei ainda de madrugada e encontrei vários deles nadando no Caribe enquanto o sol começava a nascer. Uma cena bastante diferente de tudo que eu tinha visto até então.

Claro que onde existe turista também existe oportunidade comercial. Ao lado dos animais que realmente estavam ali para exercício, havia cavalos preparados para fotos e pequenos passeios pagos.

Depois disso, caminhei por Bridgetown enquanto a cidade ainda despertava, conheci melhor a capital e comecei a perceber que Barbados tinha muito mais personalidade do que eu esperava.

Também conto um pouco da história da ilha: o longo período de domínio britânico, a economia baseada no açúcar e na escravidão, a independência em 1966 e a transformação definitiva em república em 2021.

No fim, Barbados foi exatamente o tipo de lugar que mais gosto de conhecer: não porque entregou o que eu imaginava, mas porque desmontou algumas expectativas.

Um país caro, organizado, com transporte público eficiente, regras curiosas, praias belíssimas, cavalos entrando no mar de manhã cedo e muito menos Rihanna do que eu esperava.

E foi justamente isso que deixou a viagem interessante.

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VIAGEM A BOTSUANA | Interrogatório policial, babuínos assassinos e polícia secreta #gaborone

Depois dos apagões na Zâmbia, mosquiteiros contra malária e safáris cheios de imprevistos, chegar a Gaborone, capital de Botsuana, foi quase uma terapia. Ruas organizadas, trânsito civilizado, aplicativo de transporte funcionando perfeitamente, shopping center cheio de classe média local e uma sensação rara na África Subsaariana: estabilidade urbana total.

Mas a paz durou pouco.

Logo na chegada percebi que tinha deixado no país vizinho uma sacola inteira com cuecas e meias — sim, todas elas. O resultado foi uma corrida emergencial para um shopping em busca de roupas íntimas, o que acabou revelando uma das coisas que mais me surpreenderam em Botsuana: uma classe média negra forte, consumindo normalmente, algo que contrasta bastante com o imaginário que muita gente ainda tem sobre a África.

Neste episódio, além de explorar a moderna Gaborone, eu conto:

como Botsuana se tornou uma das democracias mais estáveis da África;
a curiosa história do Monumento aos Três Chefes;
o dia em que fui parado por policiais à paisana perto do parlamento;
o museu nacional mais decepcionante da minha vida (cuja grande atração era… sushi);
e minha épica subida à Kgale Hill, cercado por lendas sobre babuínos assassinos que, segundo a internet, transformariam a trilha em um filme de terror.

Spoiler: sobrevivi. E os babuínos também.

Entre paranoia digital, exageros da internet e histórias absurdas de viagem, Gaborone acabou se revelando uma das capitais mais interessantes — e inesperadas — que já visitei na África.

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ZIMBÁBUE | Victoria Falls, babuínos na rua, Mugabe e as Cataratas Vitória #zimbabwe #zimbabue

Queria a vista completa das Cataratas Vitória, e pra isso tive que ir até o Zimbábue. No caminho, encontrei muito mais do que uma das maiores quedas d’água do planeta: vistos complicados, uma cidade que existe só por causa da cachoeira, histórias políticas pesadas e um país que passou por um dos maiores colapsos econômicos da história recente.

As Victoria Falls ficam exatamente na fronteira entre Zâmbia e Zimbábue. Apesar da maioria dos voos internacionais chegar pelo lado zimbabuano, eu optei por me hospedar em Livingstone, na Zâmbia, que é maior, mais estruturada e oferece os principais passeios — como a Piscina do Diabo e o safári a pé com rinocerontes.
Victoria Falls, no Zimbábue, é praticamente uma cidade-monotema: tudo gira em torno da cachoeira.

Ainda assim, é no Zimbábue que você tem a vista mais impressionante e cinematográfica das Cataratas Vitória. É dali que vêm as imagens clássicas de documentários, livros e cartazes de viagem: o paredão de 1,7 km de água despencando, a névoa subindo como fumaça e o barulho que faz o peito vibrar.

Neste vídeo, além da visita às cataratas, eu conto:
– Como funciona a travessia de fronteira entre Zâmbia e Zimbábue
– Por que ficar hospedado em Victoria Falls costuma não valer a pena
– A história do Grande Zimbábue, da colonização britânica e da Rodésia
– A ascensão e queda de Robert Mugabe
– A hiperinflação absurda que destruiu o país
– Como é o Zimbábue hoje, com economia dolarizada
– E várias situações que ninguém te conta sobre viajar por lá

Se você quer entender o Zimbábue além da cachoeira, fica até o fim.

Viagem a BIELORRÚSSIA | Capoeira, repressão e guerra: minha viagem a Minsk #minsk

Belarus — ou Bielorrússia, como a gente costuma chamar — sempre foi um daqueles países que despertavam a minha curiosidade. Um lugar misterioso, com nome estranho e fama de isolado. E foi exatamente isso que encontrei: uma cápsula soviética intacta no coração da Europa. Neste vídeo, conto como foi explorar Minsk, a capital da última ditadura da Europa, onde a estética é brutalista, a política é sufocante e as pessoas aprendem a viver em silêncio. Passei por monumentos gigantescos, um museu da Segunda Guerra que me deixou chocado com a destruição que o país sofreu, e o memorial de Khatyn, um lembrete brutal do que a guerra faz com as pessoas. Mas também encontrei histórias curiosas, como a ONG que virou museu de gatos (!), e uma instrutora de capoeira bielorrussa que aprendeu português sozinha, enfrentou repressão e hoje espalha cultura brasileira por lá. É uma viagem densa, cheia de contrastes, com doses de tristeza, história e, claro, umas boas bizarrices pra completar o pacote.

VIAGEM LAS VEGAS| KÁ du Cirque du Soleil e Fremont Street, a Surpresa Antiga Vegas #freemontstreet

Neste vídeo de O Mundo Numa Mochila, compartilho minha experiência em dois momentos muito diferentes de Las Vegas: a apresentação do Cirque du Soleil e a visita à nostálgica Fremont Street. Comecei a noite com grande expectativa para assistir ao famoso espetáculo “KÀ”, do Cirque du Soleil. Eu já havia me impressionado com uma apresentação do Cirque em Brasília e esperava que a versão de Vegas, sua “sede”, fosse ainda mais espetacular. Mas, para minha surpresa, a experiência não foi nada como eu imaginava. Apesar da estrutura de luzes e efeitos multimídia, o show foi decepcionante, com acrobacias simples, humor sem graça e cenas que pareciam saídas de um programa de comédia de segunda categoria. Infelizmente, não correspondeu ao alto valor dos ingressos e à fama do Cirque. Por outro lado, a visita à Fremont Street, a “Old Vegas”, foi um verdadeiro resgate do charme clássico da cidade. Essa região histórica é famosa por seus cassinos tradicionais, como o Golden Nugget, e pela vibrante Fremont Street Experience, com um teto de LED gigantesco que cria uma experiência audiovisual incrível. Além disso, há apresentações de música ao vivo, artistas de rua e uma energia única que mistura moradores locais e turistas. De toda a minha viagem a Vegas, Fremont Street foi a parte mais divertida e autêntica, capturando a essência de como era a cidade nos seus primeiros anos. Aperte o play e acompanhe comigo essas duas facetas de Vegas: a ostentação moderna do Cirque du Soleil e a energia nostálgica e vibrante de Fremont Street. Não esqueça de curtir, comentar e se inscrever no canal para acompanhar mais aventuras pelo mundo!

VIAGEM AO SENEGAL | O que me surpreendeu (e o que deu errado) em Dakar

Quando pensei em Dakar, imaginei uma capital africana subdesenvolvida, sem estrutura, talvez parecida com a caótica Nuakchott, na Mauritânia. Mas o que eu encontrei me desmontou: arranha-céus, trânsito pesado, academias ao ar livre, libaneses endinheirados, uma estátua feita por norte-coreanos e preços de fazer saudade da Europa. Neste vídeo, eu conto tudo sobre minha experiência em Dakar, capital do Senegal, desde as surpresas boas até os perrengues na fronteira e o impacto de visitar a Ilha de Gorée — com o temido portão do não retorno. Fui visitar um amigo que se mudou para o Senegal e acabei mergulhando num país que quebra vários estereótipos sobre a África. Dakar é moderna, movimentada e cheia de contrastes. Tem engarrafamento, tem praia cheia de gente se exercitando, tem elite libanesa e tem também muita desigualdade, corrupção e preços absurdamente altos. É uma cidade onde costureiro de máquina nas costas é símbolo de masculinidade e onde você pode comer carne assada ao estilo brasileiro numa churrascaria de verdade — com bandeira e tudo! Também relato minha experiência em Gorée, um lugar bonito e ao mesmo tempo carregado de dor. A ilha foi um dos principais pontos de embarque de escravizados no Atlântico, e visitar o portão do não retorno é algo que marca. E como bônus, ainda conto a história da minha ida à Gâmbia e da tentativa de propina que enfrentei ao voltar por terra para o Senegal. Se você gosta de histórias reais, curiosas e cheias de contexto histórico e social, esse vídeo é pra você. Deixe o like, inscreva-se no canal e ativa o sininho — aqui no “O Mundo Numa Mochila”, a gente mostra o mundo como ele realmente é, sem maquiagem de agência de turismo.

VIAGEM A LAS VEGAS| MSG Sphere e os cassinos: Explorando o Fascínio da cidade das luzes #vegas

Cassinos, Shows e a Esfera de Las Vegas Neste vídeo de O Mundo Numa Mochila, compartilho minha experiência explorando os cassinos temáticos, os shows incríveis e a impressionante Esfera de Las Vegas, uma das estruturas mais inovadoras do mundo. Começando pelos famosos cassinos, conto como é visitar os luxuosos Caesar’s Palace, com sua incrível réplica da estátua de Davi, e o cassino inspirado em Veneza, com canais e gôndolas. Mesmo sem jogar, vale muito a pena conhecer a temática de cada um. Mas, se você também não vê graça nas máquinas caça-níqueis, talvez meia hora em cada cassino já seja suficiente para curtir a decoração e seguir adiante. Depois, divido minha experiência assistindo a um show na Esfera de Las Vegas. Com sua tecnologia imersiva de última geração, tela curva 16K e som impecável, a esfera proporciona uma das experiências mais inovadoras e inesquecíveis de entretenimento no mundo. Apesar dos altos custos, foi um investimento que valeu a pena! Por fim, destaco a variedade de shows e atividades que Vegas oferece, desde espetáculos do Cirque du Soleil até tirolesas e montanhas-russas no meio da cidade. Se você está pensando em visitar a cidade mais extravagante dos Estados Unidos, este vídeo é perfeito para te inspirar e dar dicas valiosas. Aperte o play e descubra tudo o que Las Vegas tem a oferecer, das luzes aos shows, dos cassinos às curiosidades. Não esqueça de curtir, comentar e se inscrever no canal para acompanhar mais aventuras pelo mundo! Kit-viagem, os 11 itens essenciais que sempre levo comigo em todas as viagens e sugiro: 📱📷🎥 Meu celular/câmera __ https://amzn.to/3z9vHkS 📷🎥✈️Minha câmera/drone 360º __ https://amzn.to/3Vu6qcu 💾 Cartão de memória __ https://amzn.to/4eBInRQ 🔋 Meu Carregador Portátil __ https://amzn.to/3zoinc8 🎒 Minha mochila __ https://amzn.to/3KUluLB 🔌 Adaptador de tomada universal __ https://amzn.to/3VPEBwG 👜 Organizador de cabos __ https://amzn.to/45CujmF 🎧 Fone cancelador de ruído __ https://amzn.to/4es6PVH 🛁 Kit de higiene bucal para viagem __ https://amzn.to/3VRm6YB 🔋 Kit de adaptadores para viagem __https://amzn.to/3KZkV2Y 💰 Doleira para esconder o dinheiro __https://amzn.to/3VD0rSG Outros produtos que sugiro: 🎒 Mochila mais barata https://amzn.to/3VTIhh5 🧳 Mala de viagem https://amzn.to/3XAxWYG 💲💲 Quer me dar uma força pro canal para eu sempre produzir conteúdo?💲💲 PIX: claudiounb@gmail.com Inscreva-se no canal para sempre receber atualizações Acesse http://www.omundonumamochila.com.br para ter acesso a essa e outras histórias Nos siga no http://www.instagram.com/omundonumamochila para mais fotos de viagem

VIAGEM A LAS VEGAS | Luzes, cassinos e histórias de Uber! #vegas #lasvegas #nevada

Neste vídeo de O Mundo Numa Mochila, compartilho como foi minha primeira experiência em Las Vegas, a icônica Cidade do Pecado. Desde as luzes vibrantes da Vegas Strip até curiosidades impressionantes sobre a cidade, cada momento foi marcado por histórias fascinantes e surpresas inesperadas. Descubra comigo os encantos da Vegas Strip, onde se concentram os maiores cassinos e hotéis do mundo, e a Fremont Street, a antiga Vegas, com seu gigantesco teto de LED e shows visuais incríveis. Conheça também os bastidores de Vegas, como a comunidade subterrânea onde vivem pessoas em situação de rua, um contraste com a ostentação que domina a cidade. Exploro também o lado mais descontraído de Vegas, como as conversas inusitadas com motoristas de Uber, que compartilharam histórias incríveis, desde um pai orgulhoso com um filho rumo à NBA até um cubano que atravessou continentes para realizar seu sonho americano. E, claro, não poderia faltar a experiência gastronômica, ou a falta dela: uma cidade cheia de fast food, mas onde encontrar comida saudável ou um simples supermercado é um verdadeiro desafio. Aperte o play para saber tudo sobre a cidade que nunca dorme, com todos os seus contrastes, extravagâncias e peculiaridades. Não esqueça de curtir, comentar e se inscrever no canal para acompanhar mais aventuras pelo mundo!