Pohkara – Varanasi

 
Cara, essa viagem Pohkara/Nepal – Varanasi/Índia foi uma das mais estressantes e malucas da minha vida! Vocês não fazem noção o quanto foi ENGRAÇADO viajar por essas bandas no busão que eu apelidei carinhosamente de “ônibus da morte”.
Pra começar, um dia antes de ir embora, traumatizados com a “montanha-russa nepalesa”, eu e Samanta decidimos fazer o nosso check-out e pedir informações no balcão do hotel de como poderíamos fazer para poder tentar conseguir algo mais civilizado para nos transportar, ainda que isso implicasse em aumento de custos. Segue o diálogo:
– Oie cara, tudo bom? Então, a gente tava querendo ir pra Varanasi na Índia amanhã. Como a gente faz?
– Simples, você pega o ônibus público até a fronteira do Nepal, cruza a fronteira do Nepal a pé, do outro lado, já na Índia você pega um ônibus pra outra cidade (que eu não lembro o nome, para facilitar e ilustrar melhor a situação vou apelidá-la carinhosamente de “Inferno”) e do “Inferno” você pega outro ônibus pra Varanasi. Simples assim!
– Você não tá entendendo! A gente não quer pegar um ônibus público! A gente tá vendo se consegue um ônibus direto, sem paradas! A gente PAGA a mais por isso, não há problemas!
– Não há ônibus direto, senhor!
– Ok e como a gente faz pra pegar outro ônibus que não seja o público?
– Não há outro tipo de ônibus no país, senhor.
– Vocês têm algum tipo de ônibus que vai mais devagar ou com pelo menos suspensão a ar?
– “Suspensão” o que?
– Esquece. Nós só temos uma escolha então? Pegar o mesmo ônibus da morte novamente?
– Temo que sim, senhor!
Vocês devem imaginar como a gente ficou depois dessa, né? Nessas horas eu só comecei a pensar: – “Por que diabos eu não resolvi viajar pela França, meu Deus?” Melhor: – “Por que diabos eu não fiquei logo em São Luís, senhor?”. Mas não teve jeito. Depois de perguntarmos em mais dois locais diferentes o preço do busão (eu não confiava MESMO naqueles caras), descobrimos que o hotel realmente estava nos cobrando o preço correto, mas, apesar disso, fizemos questão de comprar no hotel do lado só pra não dar comissão pra eles.
No final, antes de ir embora, eles ainda se esqueceram de nos cobrar algumas refeições. Saímos de almas lavadas sabendo que demos um calote neles maior do que o preço das diárias. Como já dizia Mao Tse Tung: “Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão”.
Tecla PAUSE
Gente só pra não deixar que as pessoas façam juízos de valores errôneos acerca do meu caráter. Não sou chegado a dar golpe em pessoas ou algo do tipo. Por várias vezes já pedi a garçons em restaurantes para refazerem a conta porque às vezes eles esquecem de cobrar algo. Só tenho essas atitudes canalhas quando alguém tenta ser o espertão pra cima de mim (tal qual o post do motorista indiano em Deli). Por favor, honestidade é algo que prezo E MUITO no meu dia-a-dia.
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No meio do caminho, paramos em um restaurante e pude ver uma cena impagável. Uma PANCADA de pimentas sendo secas ao sol. Chuto que isso deve ser o consumo diário de um indiano porque eu nunca vi comida tão apimentada na minha vida, meu amigo!
 
Tecla PLAY
Fui indo em direção ao meu ônibus me sentindo um prisioneiro a caminho de receber a injeção letal. Perguntei ao motorista quantos quilômetros iríamos percorrer até a fronteira. Resposta? Exatos 274 quilômetros! “Em quanto tempo doutor?” – perguntei novamente – “Cinco horas?” – chutei já com medo da resposta e esperando ele falar que era menos. Alguém tem um palpite de quantas horas foram? DEZ HORAS!!!!!!! Dez horas sendo chacoalhado e se imaginando um pingüim dentro de um liquidificador!!
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Um cara do lado tava levando um cachorrinho pra poder levar pra namorada dele. Olha só que fofinho o bichinho!!
Como não havia o que fazer, entrei no ônibus e fiquei “curtindo a minha viagem”. Confesso que subestimei o poder que o Nepal tem para lhe torturar quando você está viajando por terra, viu? Sabe por quê? O ônibus não era chinfrim não, cara! Era um “Vídeo-Coach”. Tá pensando? Era tipo aqueles ônibus que você paga pra fazer uma viagem São Luís – Teresina (só um comentário. NINGUÉM que esteja fazendo uma viagem voluntariamente, saindo da melhor capital do Brasil e indo pro Piauí, merece menos do que uma viagem sofrida. NINGUÉM!) com um televisãozinha. Só tinha um leve problema, levíssimo eu diria…
Os caras só tinham UMA fita com uns oito ou dez clipes de música indiana. Nada demais. Não há nada mais agradável do que viajar num ônibus que de uma em uma hora repete os mesmos MALDITOS videoclipes indianos! Depois de três horas sendo torturado impiedosamente, o ônibus enfim parou e, graças a Deus, pude descer e pensar no que poderia fazer!
Quando desci, as minhocas do estômago já estavam se digladiando dentro de mim. A fome tava brava! Resolvi que não seria uma má idéia parar para comer uma coisa (Depois percebi que estava enganado afinal no Nepal e na Índia comer algo vendido na rua SEMPRE é uma má idéia). Parei numa banquinha onde a mulher vendia um macarrão frito pra pedir pra ela preparar um para mim. Cara, pra começar olha só como era o estado da banquinha dela de macarrão de beira de estrada.
Sentiu o drama? Pois é, a melhor parte nem era essa. A melhor parte foi quando eu pedi:
– Ôw, minha senhora! Desce uma pratada de macarrão aí pra mim.
– Claro, senhor, quantas pessoas?
– Só eu mesmo.
– Então tá bom, vamos preparar. O senhor vai querer pimenta?
Tchuf! A mulher vai e me enfia A MÃO no recipiente de pimenta e joga na frigideira.
– Cebola?
Táááá!! A mulher enfia A MÃO no recipiente de cebola!
– Esse tanto de macarrão? Tá bom ou quer mais? – ela perguntava enquanto media o tanto de macarrão (o macarrão já estava cozido, pronto pra só jogar na frigideira) que eu iria querer. Claro, não precisa explicar que ela pegou o macarrão com a mão também!
– Er.. tá bom, minha senhora, acho que vou querer só esses ingredientes mesmo, oh!
– Então beleza, deixa eu mexer aqui que é pra FICAR BEM GOSTOSO!!
Não precisa explicar, né? CLARO que a mulher não tinha uma colher pra poder mexer o macarrão! CLARO que ela mexeu o macarrão dentro da frigideira com as mãos! Depois de algum tempo ela pegou o macarrão de dentro da frigideira com OS DEDOS em forma de pinça e tacou no meu prato. Tá aqui, tá pronto!
Se comi? Meu amigo, e tinha outra escolha? O jeito foi tacar pra dentro fechar o olho e se banquetear. O macarrão até que tava gostoso. Salgadinho… Acho que o ingrediente secreto do prato dela era cozinhar tudo com as mãos e sem luvas!
A melhor foi depois quando eu pedi pra usar o banheiro. Apontaram-me o banheiro lá atrás do “restaurante” e eu fui lá pra tirar água do joelho. Ao chegar ao banheiro aquele NNOOJJOOO, bicho! Sério, mijei lá de fora mesmo, não tive nem coragem de chegar e pisar dentro do banheiro. Quando eu olho no banheiro do lado, quem tá saindo lá de dentro balançando as mãos e limpando no vestido (O que? Pia? Isso é coisa de banheiro de fresco! De banheiro de ocidental!)? Não, não era a mulher que tinha feito o macarrão pra mim. Era a mulher que vendia macarrão do lado dela!
Enfim, não quis ficar pensando que o macarrão que eu comi tava salgado pela falta de pias em banheiros! Por um dia eu fiquei querendo acreditar que aquela história de que mulheres não defecam ou urinam realmente é realidade! De que a mulher que preparou O MEU MACARRÃO nunca entrou dentro daquele banheiro! Só a mulher que vende macarrão ao lado dela que usa aquele banheiro…

13 comentários em “Pohkara – Varanasi

  1. Claudiomar, pense pelo lado bom da historia; ja imaginou se esse “gostoso” macarrão, tivesse cheiro e gosto de QUEIJO ??? kakaka ***

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  2. ahahHAhEssa do macarrão foi braba, se um dia eu for pra índia, eu to frito, vou passar fome. ¬¬outra coisa, qual a escala daquela foto das pimentas!?!??!

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  3. Eu morreria de fome mas NUNCA que ia comer esse macarrão hahahahE olha que nem faço o tipo fresca, viu? Mas essa foi demais…

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  4. HAUHAUHAUAHUAHAUHAUAHUAHAUHAUHAUAHUAHAHAUHAUHAUAHUAHAUHAUAHUAHAUHAUHAUAHUAHAHAUHAUHAUAHUAHAUHAUAHUAHAUHAUHAUAHUAHAHAUHAUHAUAHUAHAUHAUAHUAHAUHAUHAUAHUAHAHAUHAUHAUAHUAHAUHAUAHUAHAUHAUHAUAHUAHAHAUHAUHAUAHUAHAUHAUAHUAHAUHAUHAUAHUAHAHAUHAUHAUAHUAHAUHAUAHUAHAUHAUHAUAHUAHAHAUHAUHAUAHUAHAUHAUAHUAHAUHAUHAUAHUAHAHAUHAUHAUAHUAHAUHAUAHUAHAUHAUHAUAHUAHAHAUHAUHAUAHUAHAUHAUAHUAHAUHAUHAUAHUAHAHAUHAUHAUAHUAHAUHAUAHUAHAUHAUHAUAHUAHAHAUHAUHAUAHUAHAUHAUAHUAHAUHAUHAUAHUAHA

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  5. Caramba!O povo come com a mão direita e limpa a bunda com a mão esquerda? se for assim, tá limpa a mão que ela mexeu na comida.huahahaha

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  6. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk meu o uq é isso?kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkknão me aguento de rir!!!kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkcomeu o “macarrão todinho cmeu?kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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  7. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk…ohhhh mohhh paiiii…tadinho de vc babyy…

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