Um coraçãozinho simpático cruza nosso caminho…

Em um dos primeiro monumentos que chegamos, um simpático menininho veio falar com a gente! Ao ver a Samanta, ele imaginou que ela fosse japonesa e já foi falando japonês com ela, sendo prontamente respondido (Samanta fala japonês). O moleque parecia ter uns oito anos, mas era realmente todo invocado! Depois de algumas ignoradas nele e diversas vezes falando que não tinha dinheiro, o moleque falou que não queria nada não, que ele só queria era conversar em inglês com a gente porque isso era importante pra ele ir bem na escola.
De começo eu não engoli aquela. Pombas, tava na cara que isso era o golpe clichê de não querer nada no começo pra depois tentar te arrancar uma grana. Depois de algum tempo tentando enxotar o moleque, acabamos realmente indo na dele e conversando. Ele contava sobre os monumentos, sobre como era a escola dele, sobre como era a vida na Índia, como se chamavam os seus coleguinhas etc. Cara, o menino era REALMENTE muito simpático e era uma criancinha muito fofa! Ele ficava brincando com a gente pedindo pra gente falar um país pra ele acertar a capital! Confesso que fiquei MUITO feliz quando o moleque falou que a capital do Brasil era Brasília, não Rio de Janeiro (ou pior, Buenos Aires :P).
Sabe aquele jeito que uma criança age quando vê uma novidade? Fica toda alegre e sorridente? Não pára de falar e fazer perguntas e talz? Ele tava assim, me perguntando sobre o Brasil, como era viver em Brasília etc. Basicamente nós éramos a novidade pra ele! Cara, UM AMOR! Gostamos tanto desse menino que resolvemos convidá-lo pra ir nos outros monumentos com a gente. Ele aceitou e foi nos acompanhando pedalando a sua bicicletinha.
No outro monumento ele já foi logo explicando tudo pra gente e enxotando os outros guias, todo serelepe! Quando foi no final deste monumento eu resolvi falar com ele. Expliquei que ele era um menino muito simpático, que nós os adoramos e que eu estava triste de não ter nem um dólar no meu bolso pra poder dar pra ele retribuindo tamanha cordialidade dele para conosco. Cara, eu realmente tava liso, porque senão, hipnotizado, teria dado era uns 50 dólares pra ele!
Ah cara, mas na hora que eu falei que eu não tinha dinheiro pra dar a ele, o menino pegou ar! Rapaz, o moleque ficou muito bravo! Começou a falar rispidamente comigo, irritado, que ele não estava pedindo dinheiro pra mim e que eu parasse de ficar falando de cinco em cinco minutos pra ele que eu não tinha dinheiro! Que se eu não era uma pessoa boa e só fazia as coisas por interesse que eu respeitasse as pessoas dignas (no caso ele), pois elas nem sempre aparecem na sua vida! Que ele fazia aquilo porque ele gostava. Que se ele quisesse ficar esmolando ele vestiria uns trapos e iria pedir dinheiro como os mendigos no mercado! Rapaz, basicamente ele me humilhou…
Nessa hora eu baixei a cabeça, coloquei o rabo entre as pernas e me senti MUITO culpado! Mas me senti mesmo! Pô, cara! Os adultos querendo se passar por alguém legal só pra pegar o seu dinheiro você entende, mas pô, ele era apenas uma criança! Realmente calei a boca e segui o passeio com ele nos seguindo de bicicleta.
Quando estava pra escurecer ele falou que precisava voltar pra casa dele senão a mãe dele ia colocá-lo de castigo. Como já tínhamos feito amizade, ele nos perguntou se não queríamos visitar a sua vila e ter uma experiência de como as pessoas vivem na Índia. Quem sabe até visitar a sua escola. Falamos que não porque estávamos bem cansados e queríamos voltar logo pra casa. Ele perguntou mais uma vez e dizemos que não. “Tem certeza?” “Sim, vamos voltar pro hotel”. Na hora que ele foi embora, a Samanta ainda quis dar uns trocados pra ele dizendo “Pega pra você comprar um pirulito”. Acredita que ele não aceitou? Falou que tava tudo bem, que só o fato de ter passado a tarde inteira com ele seria o seu pagamento. Rapaz, o moleque era gente boa mesmo…
Cara, depois que voltamos pro hotel eu fiquei comentando com a Samanta sobre como a gente deve ter perdido oportunidades de conhecer pessoas maravilhosas na Índia devido a nossa maneira de tratar as pessoas de uma maneira ríspida e o fato de pensar que todo indiano que vem falar com a gente é mau caráter em potencial. Aquele menino me fez aprender muito sobre como perdemos grandes oportunidades baseados em preconceitos, me lembrando um outro post (confira a história aqui). Ela concordou muito comigo. Expliquei pra ela como havia me comportado no trem horas antes de ter chegado em Kajuharo, sobre como tinha sido imbecil com indianos que nada tinham a ver com o fato de outras pessoas, totalmente diferentes, terem me roubado antes de eu viajar pra Kajuharo. Falei pra ela que estava muito arrependido por isso e ela me tranqüilizou e falou que todas pessoas erram, que bastava eu não fazer mais isso que tudo ficaria tranqüilo. Fizemos um pacto de tratar melhor os indianos depois daquela prazerosa tarde com aquela criança que em um dia de passeio e sem instrução nenhuma havia nos ensinado MUITO mais do que professores com doutorado que tivemos em nossas universidades.
Fui tomar banho. Quando estou no banheiro eu só escuto a Samanta gargalhando, mas gargalhando ALTO, menino!
Me enxuguei, botei a minha roupa e fui ao encontro dela entender o porquê dela estar rindo tão alto e tão intensamente e ela me mostrou porque. No guia do Lovely Planet que utilizávamos para obter informações de viagem sobre a Índia, ela me mostrou um texto escrito em NEGRITO pedindo MUITA atenção pra qualquer pessoa que viajasse a Kajuharo. O texto dizia mais ou menos assim:
“Cuidado ao viajar para Kajuharo. Esta cidade possui um dos mais criativos e perigosos golpes da Índia. Não estamos falando dos indianos amigáveis que irão se aproximar de vocês nos monumentos aparentemente apenas pra conversar e depois pedirão dinheiro pelas informações. Estamos falando de algo bem pior. Vários viajantes já nos escreveram relatando que ao visitar alguns dos monumentos de Kajuharo, uma simpática criança começava a puxar papo com eles. A criança aparentemente não queria nada em troca e recusava-se a aceitar qualquer dinheiro ou presente, alegando que estava conversando com turistas por recomendação da escola. Confiando-se no fato de que era apenas uma criança e, portanto, não poderia fazer tanto mal, eles simplesmente iam conversando e dando corda. Após adquirir a confiança dos viajantes, a criança os convidava para visitar a sua vila a alguns quilômetros e conhecer mais a sua maneira de vida.
ATENÇÃO, NÃO ACEITE!
Ao chegar lá ela a levará para visitar algumas casas e no final uma escola. Na escola vários alunos e uma professora estarão lhe esperando. Depois de explicar-lhes algumas coisas, no final a criança que o levou irá cobrá-lo uma quantia absurda pelo passeio, cem dólares ou mais. Caso você se recuse a pagar as pessoas serão cada vez mais agressivas e se recusarão a levar-lhe de volta para o seu hotel. Invariavelmente, quase todas as pessoas que resolveram ir a este local gastaram alguns dólares para se verem livres deste golpe.
Cara, na hora que eu li isso vocês não imaginam a minha indignação. Pombas, era só uma criança, cara! Filhadaputinha desde menino! Me lembrou algo que tinha ocorrido comigo no Nepal (link da história aqui).
Depois eu fiquei até pensando. Será se ele realmente fosse uma boa pessoa ele faria toda aquela ceninha quando eu ofereci grana pra ele? Será? Pensem se fosse vocês. Se fosse comigo e eu me oferecesse pra poder ajudar um gringo em São Luís e o cara no primeiro momento achasse que eu queria roubá-lo ou algo do tipo, eu não faria uma ceninha daquela. Eu simplesmente levaria em consideração que ele já deve ter passado MUITO por isso no Brasil e ele simplesmente está calejado. Eu explicaria pra ele mais uma vez o porquê de estar ajudando e levaria de boa. Acho que na hora que o moleque fez aquela ceninha ele entregou o golpezinho barato (na verdade, caro) dele.
Enfim, antes de dormir fiz uma oraçãozinha aos Santo Protetor dos Mochileiros e pedi encarecidamente que o mesmo faça aquela pobre e inocente criancinha arder para sempre no mármore do inferno.
E, depois dessa, mais do que nunca, voltei a tratar os indianos à velha maneira.
Abraços maranhenses
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17 comentários em “Um coraçãozinho simpático cruza nosso caminho…

  1. Priiiimeiira!!!Não sei se eu conseguiria disser não pra uma criança…ainda mais na Índia e tals…Mas, pô, usar crianças pra dar golpes em estrangeiros já é demais!!Ah…Maranhense, vc fez figuração na novela da Globo???BjMeLg!

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  2. Mééééééu, que história mais macabra!!! Você tirou foto desse moleque? Você poderia mandar a foto pro guia, para os leitores tomarem cuidado com o filhodaputinha!

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  3. Foi sorte voces não terem ido na vila dele, vc. está sempre protegido pelos anjos.Foi muito boa a narração! valeu Claudiomar!abraços

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  4. o post foi bom, mas nem foi O melhor…enfim, é por esse e outros motivos que eu não gosto de crianças, nem brasileiras, nem indianas, nem seja lá o que for…huaiuauiaLembrando aqui da novela da globo, ele devia ser um ‘Galets’ (DAlets, ou seja lá o que for…)

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  5. Nossa senhora! Quando eu for à Índia vou desconfiar até de minha própria sombra! Usar crianças assim é demais né, acho que quando se está com o pé na estrada não se pode baixar a guarda nunca.

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  6. kkkkkkkkkkkkkkk…..gostei do “filhodaputinha”…mas falando sério, quem poderia imaginar era só uma criança muito bem instruida…e vamos combinar é de tirar o chapéu pra ele heim Claudio!PS…vc ainda não me respondeu se ainda está em SLZ.

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  7. lol veiahh muleke,havaiana de pau nele =Pnum rolou nem uma “indiana sacana” nessa viajem n? nem uma danadinha assim? ´xP, leva a mal não claudiomsr eu como aluno de relações internacionais, tenho um grande objetivo de vida,uma bem cosmopolita , “conhecer” uma mulher de cada continenete! e seria bom saber como são as muié desses paises ae .. =P xD.abraços, saiba ke vc é meu idolo,desde as fotos da australia! passando pelo ping pong em Thai e finalizando hj na india! x) espero ainda sobre o resto do mundo ! zo/ps:fim do ano ja vou mochilar na aFrica, e to mangueando uma mochilada na asia como presente de formatura x), como ja peguei uma latina e Europeia, so falta mais 3 ! x) torce pro mim maranhão,seu irmão nordestino da bahia vá!!!

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  8. Claudiomar, a impressão que vc teve/tem da Índia é a mesma que muitos europeus têm do brasil… já ouvi relatos que muitos deles têm a sensação que os brasileiros sempre querem ‘passá-los pra trás’, principalmente os TAXISTAS!ri demais da última frase qndo li a expressão ‘mais do que nunca’!!! ta assistindo muito FAUSTÃO, claudiomar!!!“,

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  9. Muito bom o post… mas ve se adianta um pouco da europa ai… estou embarcando em 3 semanas e queria saber se tenho q ficar atento com fdps em outras partes tambem…Anonymous mas os taxistas estao sempre tentado passar para tras e nao apenas os gringos… pelo menos em sao paulo vc deve ficar muito atento… []´s

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  10. achei legal a estória, mas confesso que me indignei ao seu mesnosprezo quando se referei ter aprenddo MUITO mais com o muleque doque com pro. doutor. nota 0

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