Museu do Genocídio

Após o acontecimento com o tiozão com sangue nos olhos, não me restou outra opção senão a de ficar vagando por Vilnius enquanto a minha host não saía do trabalho. Liguei pra ela do skype e ficamos de nos encontrar às 18h numa das praças da cidade.

Desci no centro e fiquei caminhando.

Mais uma vez me chamou bastante a atenção a diferença que parecia haver entre Vilnius e as outras cidades da Polônia que eu já estivera. Parecia haver um precipício imenso entre dois países com histórias tão parecidas (Lituânia e Polônia chegaram a se unir e formar um mesmo país por mais de cem anos) e tão próximos.

Caminhando por lá, acabei indo parar em um tipo de museu que existe em todos os países da Europa Oriental: Museu das atrocidades cometidas pela União Soviética. O museu fica localizado numa das várias ex-prisões da KGB e atende pelo simpático nome de “Museu em homenagem as vítimas do genocídio na Lituânia” Era interessante porque era possível ver as celas onde eles encarceravam os desafortunados da resistência lituana e também os vários brinquedinhos de tortura. Dentre os vários instrumentos de tortura, teve um que me chamou muito a atenção pela simplicidade, mas principalmente pela eficácia. Fiz um esqueminha abaixo pra vocês poderem entender:

Pode parecer idiota, né? É só um cara em cima de um banquinho com um bando de água. E aí? Se ele ficar com sede ele pode até tomar um gole, né? Pois é, agora imagina você tendo que ficar numa sala como essa, em pé, durante dias? Quer piorar? Imagine como deveria ficar agradável durante o inverno? Cinco, três graus… A água vire praticamente um veneno. Não-raro prisioneiros tombavam de exaustão.

Cara, sacaram a genialidade da parada? Você não precisa de carrasco, não precisa se preocupar em gastar energia descendo o cacete no figura e o custo é irrisório. Apenas água e muita determinação. Fiquei de cara com a crueldade da parada, meu…

Também é mostrada no museu a resistência lituana contra a dominação soviética, exaltando os “diversos heróis da pátria” que lutavam numa guerra Partisan, guerra de guerrilhas. Logicamente, tal resistência foi irrisória e apenas serviu para nutrir o sentimento de nacionalismo lituano.

Depois de mais ou menos uma hora na prisão, ainda pude ver no final algumas covas coletivas onde os russos enterravam os corpos de prisioneiros desafortunados.

Assim que saí do museu, conheci uma brasileira gente boa demais que morava na Rússia e tava dando um rolê por aquelas bandas. Ficamos amigos e começamos a andar pela cidade.

Andando com a mina, surgiu essa escultura mais do que louca na nossa frente!! Um bando de torneira jorrando água com uma cambada de pneus jogados. O que seria isso? Uma fonte? Um cérebro (pior que parece mesmo, dá só uma olhada melhor…)? Uma intervenção urbana? Nunca saberemos, amigos…

Depois de alguns minutos e algumas fotos, nos deparamos com uma cena, no mínimo, inusitada.

Vários cadeados de todos os tamanhos, formas e cores encontravam-se dependurados em uma ponte próxima a esta placa abaixo:

Não sabia, mas estava adentrando em outro país, a República Independente de Uzupio, um dos lugares mais interessantes em que estive durante toda a viagem.

Mas isso é assunto pros próximos capítulos…

7 comentários em “Museu do Genocídio

  1. Esses cadeados são pra dar sorte para casais… eles escrevem os nomes, fecham o cadeado na ponte e jogam no rio… Cheguei a ver isso em São Paulo.

    (moro em um bairro onde tem uma colônia de lituanos, embora minha família seja portuguesa)

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  2. Carambaa, já li a respeito de uma tortura que era utilizada contra os seguidores da Falun Gong (China) muito parecida com essa, só que a vítima é presa em uma jaula parcialmente submersa.

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