Final da prosopopéia

Essa foi uma cerveja que me impressionou muito na Lituânia. Mistura de energético e cerveja vendido direto na garrafa. Bom, né?

Ao chegar à festa, assim como falei no post passado, Nedved chegou, me puxou pelo braço e falou que precisava falar comigo. O que se passou na minha cabeça? Uai o que vocês estão pensando também: – Acabou! Morri! Vou comer grama pela raiz! O cara vai me empalar aqui no meio da Lituânia.

Meu coração começou a bater forte e eu estava à espera da minha sentença capital. Ele disse:

– Claudio

Tum, Tum, Tum (dava pra ouvir as batidas do meu coração)

– A Riga

TUM TUM TUM TUM TUM

– Me contou de ontem à noite…

TTTTTTTTTTTTUUUUUUUUUUUUUUUMMMMM…

– Não cara, mas peraí, eu juro que eu não fiz nada! Não foi minha culpa! Sério, eu nunca iria provocar ela!! Mermão, eu juro!! Er… quer saber?? Eu nunca te falei isso, mas eu sou viado!! Isso, VIADO! Nem de mulher eu gosto!! Me caparam quando eu era criança! Eu não queria te falar isso, mas eu sou eunuco!! EUNUCO!! – eu desesperadamente clamava por piedade ao mesmo tempo em que começava a ver o chamado dos meus parentes mortos…

– Não, não, mermão, relaxa! Ela me contou tudo o que ocorreu! Não tem nada de errado. Eu tou ligado que você deve estar assustado com tudo que aconteceu, mas pode ficar de boa. Não há problema algum entre mim e ti. Eu e a Riga mantemos uma relação bem liberal e não haveria problema se algo ocorresse. Estou falando contigo só porque não queria que você ficasse assustado! Pode ficar tranqüilo que está tudo de boa. Toma aqui, bebe essa cerveja!

– Er… Ok! Obrigado!

Ãhn? Como assim? Acabou? Estou vivo? Com os quatro braços? Meu coração ainda está batendo? Obrigado, senhor, por ter piedade de mim!

Pois é, amigo, mas foi isso mesmo. Nada ocorreu. A mina simplesmente queria me pegar e o marido dela não ia encanar com nada. Simples assim…

Após de todo esse aperreio, apenas curtimos a balada. O local era bem agradável e ainda conheci uma galera de Portugal que estava fazendo intercâmbio pelo Eramus.



Assim que cheguei na Lituânia, umas das primeiras fotos que bati foi desse muro pichado escrito “All Cops are Bastards” (todos os policiais são bastardos). Achei engraçado e resolvi bater a foto imaginando que isso devia ser um lema de algum grupo anarquista ou algo do tipo.

Depois descobri que a parada é tipo um lema da galera que gosta de sair à noite e encher a cara. Quando olhei essa tatuagem no braço desse lituano que foi sair com a gente perguntei pra ele o que significava aquelas iniciais. Eles disse: “All Children Are Beautiful” (todas as crianças são lindas). Logicamente eu desconfiei do que era e só posteriormente liguei as iniciais à pichação que havia visto ao chegar em Vilnius



No final, ainda haveria mais uma surpresa


Quando começamos a sair da balada, umas três da manhã, reunimos a galera pra poder ir embora. Pensa que o casal queria ir? Nada…

Depois de um “ataque lituano”, passar o dia inteiro com as costas viradas pra parede temendo pela minha vida e no final sair vivo dessa história toda a gente já começa a achar que nada mais pode ocorrer, correto? Pois é, a noite ainda me aguardava surpresas, meu amigo… Por incrível que pareça!

Mermão, os caras propuseram uma parada massa pra gente. O que vocês acham que foi? Alguém quer chutar? Um cinema? Uma missa? Uma padaria? É bom, né? Tomar um Nescau assim, depois da balada sempre deve fazer bem. Não, claro que não! Eles basicamente propuseram ir para UMA CASA DE SWING! Sim, nos convidaram a ir para uma casa de swing. Mas com uma naturalidade de quem convida pra ir visitar a avó! E eu preocupado com a mulher do cara querendo me beijar…



Achada na balada… Cachaça brasileira...

LOGICAMENTE não aceitei, até porque aí já era MUITA putaria pra mim, meu amigo! Pelamordedeus! Eu tenho valores, e putaria generalizada não é uma parada que me deixe lá tão empolgado! Além disso, teria que acordar cedo no outro dia para poder pegar carona pra Letônia.

Dei uma de “pega-nínguem” e resolvi pegar um táxi para casa. Deixei o casal maluco e a norueguesa lésbica se divertirem por lá e segui o meu caminho pro apartamento pra dormir.

Acordei pela manhã com as malas prontas e, claro, ávido por notícias de como havia sido a noite deles nessa bendita casa de swing. Uma coisa era certa, o potencial para história loucas de um casal maluco e uma lésbica norueguesa em uma casa de swing não deveria ser baixo…

Mas isso são cenas para o próximo capítulo do blog que, como dizia Leo Durans, tá cada dia mais parecendo uma novela, hahahahaha.

Acima alguns comentários de como a história da “conversa com o cara” ia acabar…

4 comentários em “Final da prosopopéia

  1. “Eu e a Riga mantemos uma relação bem liberal e não haveria problema se algo ocorresse. Estou falando contigo só porque não queria que você ficasse assustado! Pode ficar tranqüilo que está tudo de boa. Toma aqui, bebe essa cerveja!”

    TA CONFIRMADO!!!
    CHIFRE NÃO DÓI MAS DA UMA SEDE DANADA!!!

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  2. Pô Claudiomar, faz uma cara que leio o seu blog e acho que essa é a primeira vez que vc não se da mal no final de uma história….

    Se bem que ainda tem a volta do swing e deve ter rolado alguma coisa ou vc deve ter se fud….rs!!

    Parabéns pelo Blog!!! Quero saber qdo vai sair o livro!!!

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