Antákia

Antákia

Era chegada a hora mais temida: enfrentar 25 horas de ônibus de Antália até as longínquas terras de Damasco, na Síria. No começo fiquei até um pouco preocupado com o tempo que iria gastar, mas depois pensei, sossegado, eu já tive algumas experiências parecidas no Brasil. Já havia pegado 54 horas de São Paulo a São Luís de ônibus e 36 de Brasília a São Luís também de busão. Ah, quer saber? eu achava que realmente estava preparado.
Lenda… O que faltou eu lembrar era que eu viajaria em dois países completamente exóticos onde NINGUÉM falava inglês pelo caminho. Poucas pessoas conseguiam ao menos falar algumas palavras e às vezes me explicar o que estava havendo. Mas enfim, as informações de que eu necessitava eu já tinha: não era preciso pagar nenhuma taxa pra sair da Turquia e o visto pra Síria, apesar de necessário, poderia ser tirado na fronteira do país. Entrei no busão e segui viagem.
Eu não entendi direito o que eu deveria fazer pra poder ir de Antália para Damasco, mas pelo que pude entender do inglês sofrível do carinha da rodoviária (lá pelo menos é sofrível, será se alguém sabe falar ao menos “hot dog” nas nossas rodoviárias?) eu iria pegar um busão até uma cidade chamada Antákia na fronteira da Turquia com a Síria. Lá minha viagem terminaria e posteriormente deveria comprar uma passagem de Antákia à Síria. Beleza, tudo certo.
A única parte engraçada foi quando o busão fez uma parada e eu desci pra poder tirar uma foto. Achava que a parada seria de mais ou menos meia hora. Não foi, a parada era de 15 minutos, mas acabou sendo de 30 minutos porque o busão ficou esperando eu aparecer e um bando de turco queria me descer o cacete quando eu acabei voltando. Além disso também teve um turco reclamando ao motorista pq eu estava viajando sem os meus tênis (pombas, todo mundo faz isso, não? Quando você entra pra viajar, a primeira coisa que faz é tirar os tênis e ficar só de meias, não? Bem, parece que na Turquia não é assim).

Enfim, 15 horas depois eu chegava à Antákia achando que já estava tudo resolvido. Era só descer do busão e comprar a passagem pra Damasco. Ledo engano. Cheguei na cidade pela noite. Aquilo era um mal presságio. Antes mesmo de descer do busão, vi um turco que sabia falar algum inglês que começou a me ajudar. O cara era realmente MUITO gente boa! Primeiro ele me falou que naquela rodoviária eu não conseguiria ônibus para Síria. Que eu precisaria ir para a outra rodoviária já na fronteira e que de lá eu conseguiria passagem. Ele me levou até a outra rodoviária e, chegando lá, como eu já temia, soube que não poderia pegar um ônibus ainda aquela noite. Tudo o que você mais quer saber depois de 15 horas de viagem é que não há ônibus pro outro país. O próximo ônibus só saíria na manhã seguinte. Perguntei pra ele se ele conhecia algum hotelzinho onde eu pudesse passar a noite, ele me falou que até sabia de uns, mas não ia sair por menos de que 25 dólares a noite, fora o táxi. Como eu realmente não estava afim de gastar toda essa grana, ele me sugeriu que eu dormisse na rodoviária.
Aqui eu gostaria só de abrir um parênteses. Gente, uma das coisas que eu mais dou Graças a Deus hoje é o fato do Couchsurfing ter existido. Por quê? Bem, cara, além do fato de você poder conhecer MUITA gente legal, também tem o fato de que o Couchsurfing praticamente eliminou a necessidade que antes os mochileiros tinham de dormir em ruas ou em paradas de ônibus pra poder salvar um pouco de dinheiro. Hoje só sendo muito idiota ou não buscando as informações certas pra você um dia precisar dormir na rua. Eu, apesar de ter viajado o mundo inteiro com pouco dinheiro no bolso, nunca precisei me sujeitar a dormir que nem um mendigo, pois sempre havia uma casa confortável pra eu poder dormir. Hoje só dorme na rua o cara que quer tirar onda no Brasil falando coisas do tipo “Ah, eu viajei a Europa e dormir em trem. Dormia era na rua mesmo, não queria nem saber… Olha como eu sou foda e pá pá pá”. Pois é, foi a primeira e única vez na minha vida que eu precisei me sujeitar a isso. Procurei um banquinho da rodoviária e não tive outra escolha a não ser tentar dormir. Fiz até um videozinho que demonstra o meu estado de ânimo lá, o vídeo ficou MUITO bom, depois eu posto ele.
Fiquei quase doze horas nessa MALDITA rodoviária!
Cara, foi um inferno dormir. Banco de ferro e ainda tinha uns doidos fazendo bagunça e gritaria pela rodoviária. Só sei que dormi umas quatro horas. Depois de tirar essa verdadeira soneca, chegou um ônibus com uma galera vindo de Aleppo, uma cidade da Síria que posteriormente eu visitaria. Desceu um casal falando em inglês e eu fiquei trocando ideia com eles um tempão… O rapaz era turco, o que era excelente, já que ele falava um inglês perfeito e pôde me ajudar bastante a desenrolar os meus problemas na rodoviária.

Dormi em um banquinho no meio da rua só me lembrou essas duas aí do tempo da Austrália 😉

Acabou que meu ônibus ainda atrasou uma hora e eu fui sair dessa maldita rodoviária só meio dia. Mas enfim, tudo valia a pena pra poder conhecer a Síria.
Mais uma foto da Rodoviária de Antákia…

3 comentários em “Antákia

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