Depois de Arraial, de volta ao Rio de Janeiro

Inicialmente, não estava nos meus planos gastar um dia para passear no Rio de Janeiro. Desde o começo eu queria mesmo era mergulhar em Arraial do Cabo, pegar meu avião e voltar pra Brasília. Acontece que ocorreu um grande imprevisto. Quando estava em Arraial do Cabo, todos me alertavam que eu deveria me precaver bastante pra poder conseguir chegar a tempo no aeroporto do Rio de Janeiro. Como falei, a Região dos Lagos estava lotada de gente que desceu pra lá pra poder aproveitar o feriado e por isso até peguei um engarrafamento gigantesco na ponte Rio-Niterói. O que foi me falado é que a viagem de volta, devido ao feriado prolongado, deveria ser de mais ou menos umas quatro horas. Aí comecei a fazer as contas. Bem, meu vôo é 20h42min, portanto vou tentar chegar ao aeroporto às 19h. Pra chegar ao aeroporto às 19h, tenho que chegar à rodoviária às 18h30min. Como todo mundo falou que a viagem de ida deve demorar umas quatro horas, vou tentar pegar um busão às 13h30min, uma hora a mais de precaução nunca é demais, né? “O que? Não tem ônibus 13h30min? Só tem 12h50min e 14h10min? Er.. vamos ser prudentes, me dá o busão de 12h:50m!

Comprei a passagem e que horas acabei chegando à rodoviária do Rio? Meu amigo, cheguei à rodoviária eram 3 horas da tarde EM PONTO! Que porra de quatro horas de viagem nada! Você vê como não dispor das informações certas e confiar em besteira que gente sai falando pode lhe dar muito problema! Depois que voltei pra Brasília que fui ver no Google que Arraial do Cabo fica a uns 150 quilômetros do Rio de Janeiro! Cara, se eu fosse demorar CINCO HORAS pra poder chegar de busão, ele ia ter uma velocidade média de 30 km/h! Quase uma bicicleta! Maldita prudência! Podia ter ficado mais em Arraial!
Desci pro aeroporto voado pra ver se ainda conseguia mudar minha passagem e pegar um vôo mais cedo (já que tinha um que saía às quatro e meia). Quem disse? Cheguei lá no aeroporto e o vôo tava lotado. Resultado? Eram rodados 15h30min e meu vôo só saía às 20h42min. E aí, o que fazer? Como tava com uma verdadeira biblioteca na mochila, até pensei em ficar lá lendo e esperando. Mas bicho, meu vôo era OITO E QUARENTA quase CINCO horas depois! Era tempo DEMAIS pra poder ficar esperando sem fazer nada. Decidi que ia achar alguma coisa pra poder fazer por lá mesmo. Comecei a ligar pra alguns amigos em Brasília e alguém me deu a idéia de ir visitar o Museu de Arte Contemporânea, obra do Niemeyer que fica na cidade de Niterói.


Como não tinha muitas escolhas, aluguei um armário lá no aeroporto, joguei minha mochila dentro e peguei um busão pra Niterói. Informei-me com o motorista e a cobradora e eles me falaram que a viagem iria demorar mais ou menos uma hora pra ir, outra pra voltar. Eu tinha cinco horas, duas de transporte, meu vôo era 20h42min, era bom que eu chegasse com uma hora de antecendên… Ah porra! Sem mais cálculos de prudência, se desse pra chegar a tempo, que desse, se não desse, que não desse! Eu iria pra lá, veria o que tinha de ver, quando estivesse satisfeito voltava. Simples assim.
Peguei o busão e comecei a conversar com a cobradora. Primeiro que tinha uma coisa curiosa. A passagem era uns cinco conto em horário de trabalho e uns quatro reais em horário, digamos, de farra. Fiquei pensando pra que diabos aquilo servia. De noite a segurança é precária, tem menos pessoas sendo trafegadas e, pior, estas pessoas tendem a estar bêbadas ou fazendo farra (o que só dá mais trabalho e aumenta a chance de um cobrador ou motorista ter problemas, por exemplo) ou seja, só fatores que tendem a encarecer a passagem. Então, pra que diabos a passagem da noite é mais barata que a da manhã? Faz menos calor e com isso gasta-se menos com ar-condicionado? Difícil saber… Em cidades normais a tendência seria que as pessoas que viajassem pela manhã pagassem menos das que viajasse à noite para incentivar que as pessoas utilizassem transporte público pra poder ir trabalhar. Não o contrário. Mas se bem, que, bem, se bem que é o Rio de Janeiro. A lógica lá deve ser o contrário.
Fiquei conversando com a cobradora e ela foi me explicando que o busão não passava em frente ao museu. Que eu provavelmente iria ter que pegar outro busão dentro de Niterói pra poder ir pra lá. Gasta-se mais tempo quando precisa-se pegar dois busões pra ir, dois pra voltar e por aí vai. Comecei a pensar se realmente valeria a pena eu ir pra esse museu naquele dia. Enquanto pensava no que iria fazer, passamos em frente à Candelária e do lado dela tinha um prédio, Centro Cultural Banco do Brasil, onde estava tendo uma exposição de Escher, o mestre das figuras impossíveis.


Algumas das figuras impossíveis de Escher. Tente seguir o curso da água ou ver quem está subindo e quem está descendo na foto acima.

Durante um tempão eu nutri um desejo de ir a essa exposição quanto teve aqui em Brasília. O problema é que eu fui deixando, deixando, deixando… E quando vi, no final, a exposição acabou e eu não fui. Ah rapaz, quando eu vi as figuras de Escher no topo do prédio, eu não tive dúvidas, parei o busão, desci e fui direto lá.
Cara, quando eu desci do ônibus. Meu amigo! O que era aquilo?!?! Que calor era aquele? Olha, eu sou nascido e criado no Maranhão, mas calor como esse não era algo que eu tava muito acostumado não. Rapaz, era um calor que no Maranhão a gente se refere como “calor de assar diabo”. Quente que só uma assadeira. Tava aquele calor com mormaço, saca? Quando tá prestes a chover? Eu não tinha tido tanto acesso a esse calor antes de descer do busão porque, desde o busão que eu peguei em Arraial do Cabo, passando pelo o aeroporto e o busão pra Niterói, todos tinham ar-condicionado. Rapaz, eu achei que eu ia era assar do lado de fora. Por essas e outras que não me restou outra opção que não a de entrar o mais rápido possível naquele prédio porque lá dava pra ver que tinha ar-condicionado!
Pra quem não sabe quem foi Escher, eu não vou explicar, a Wikipedia faz isso melhor, mas só posso dizer que a exposição era muito, mas MUITO legal. Realmente valeu a pena eu ter ido. Não sei se valeu mais a pena pelas peças em si ou por causa do ar-condicionado mesmo. Depois que eu terminei a volta no museu, ainda era umas cinco da tarde e eu não tava nem um pouco a fim de voltar para o aeroporto. Pensei em descer pra Copacabana pra poder ir tomar um chopp por lá, mas depois acabei descartando a idéia porque ia dar um certo trabalho ir até lá e depois voltar para o aeroporto. Resolvi visitar um dos meus locais preferidos no Rio de Janeiro, o Mosteiro de São Bento, um dos locais mais interessantes do Rio de Janeiro na minha humilde opinião. O mais legal é que no domingo costuma ter um Canto Gregoriano antes da missa, que, cara, é um show a parte! Toda a liturgia, todos os protocolos, o monge lá em cima tocando no órgão, os outros em baixo cantando em latim. Sério, toda vez que eu vou lá e assisto a essa celebração me sinto como se estivesse na Idade Média. É simplesmente SENSACIONAL! Quem não foi ainda lá, vá! Vale muito a pena assistir!
Saí do Mosteiro e resolvi seguir de volta para o aeroporto, pois já era quase seis e meia da tarde e eu realmente tava a fim de ler alguns dos livros que havia comprado. Fui andando por entre as quadras do centro do Rio de Janeiro e peguei um busão de volta, só que esse, infelizmente, sem ar-condicionado! Cara, andar naquele busão sem refrigeração, somado aos quase quinze minutos que caminhei naquela sauna a céu aberto que era o Rio de Janeiro me fizeram simplesmente pirar e desejar ao máximo alguma coisa BEM gelada pra poder beber. Fui voltando pro Aeroporto e pensando o que eu poderia fazer. Beber água de bebedouro? Fora de questão, a água era rala e ainda assim quente. Comprar uma por lá? Ia pagar uns três reais por um copinho de 200 ml. Como o aeroporto era quase que do lado ao centro do Rio, resolvi sair procurando um boteco qualquer ao menos pra poder comprar uma cerveja. Quem disse que achei um aberto? Rapaz, mas carioca até em dia de domingo não gosta de trabalhar.
Como não estava disposto a desistir, continuei andando a esmo disposto a achar um maldito lugar onde fosse possível eu achar um maldito chopp pra poder tomar naquele maldito calor daquele maldito dia! Depois de mais ou menos meia hora andando pra cima e pra baixo, sempre pelas imediações do aeroporto, quando já estava por desistir, me apareceu aquele oásis. Aquele eldorado. Aquela visão do paraíso. Aquela praia de São Luís numa manhã de sol. Cara, surgiu uma loja de conveniência com um freezer cheio, mas CHEIO de cerveja! AH MLK!
Mermão, na hora eu já corri pra lá. Que felicidade! Na hora me lembrei do Mc Donald´s que comi em Fiji, sem sombra de dúvidas o Mc Donald´s mais gostoso da minha vida (link da história aqui)! Cara, que alívio. Nossa, aquela brisa artificial de ar-condicionado é boa demais. Aquele ventinho gelado nos couros! Viva a vida industrializada e os combustíveis fósseis! Sentei lá, pedi uma cerveja, depois outra, depois um pacote de Doritos, depois outro, depois uma coca, depois um guaraná… Chega meu rim doeu de tanta porcaria de bebida e comida que eu enfiava pela goela. Mais uma vez, viva a vida industrializada!
Depois de quase uma hora naquela vida mundana, resolvi seguir de volta ao aeroporto pra poder pegar meu avião de volta. Corri pra sala de embarque (havia um bom ar-condicionado lá) para vir direto a Brasília. De volta a minha vida de servidor público federal.

11 comentários em “Depois de Arraial, de volta ao Rio de Janeiro

  1. Maranhão, quando tu falaste de “nenhum local apropriado” para mergulho, quis dizer com águas cristalinas? Há vários locais pelo Brasil onde você bota o respirador e se afunda na água, que ficam devendo apenas pelo mar transparente mesmo. É isso? Em Guarapari-ES há locais para mergulho interessantes. AKA Naufrágio Faria Lemos.

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  2. O no fim das contas você nem passou em Nikiti heim. Podias trazer umas histórias daí de Brasília, essa terra estranha de bairros que não são bairros, ruas que não são ruas, imigrantes que são nativos, nativos que são imigrantes e por aí vai!

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  3. Opa… Ainda nao li esse post, mas procurei um link pra te mandar um email ao inves e nao consegui. Queria te agradecer pq seu blog me ajudou a sair de uma (que eu ja tinha caido, me ajudou a sair de uma antes que piorasse hehehehe). Vc nao passou pela mesma, mas o golpe que vc quase caiu na India (aquele da crianca que leva para a vila) me fez atinar pra um que eu cai na China, que um casal mto simpatico leva voce para uma casa de cha e faz vc pagar uma conta astronomica… Gracas a teoria de pessoas superlegais que parecem incentes e nao querem dinheiro por nada… Percebi a tempo, mas quando cheguei vi que tinha gente que tinha deixado coisa de R$500 numa casa de cha!!!

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  4. Oh meu filho, olha só que voltou. ^^

    Essa vida de universitário que troca de a todo momento de rotina é foda. É emprego novo, é mudança de setor na empresa, é demissão, é fim de semestre se descabelando na Faculdade, é férias, e começa novo emprego, e volta as aulas…

    Deixei de entrar aqui por meses. Só sinto pelo fato do ritmo das postagens terem diminuído MUITO. Entendo que, com a viagem se encerrando, você queira prolongar o “assunto” no blog, ou mesmo o motivo da existência do mesmo. Mas, sinceramente? No teu lugar eu tocaria um solene FODA-SE.

    Termina as histórias da tua mochilada pelo mundo, ponha em dia as preserpadas nacionais, e decida o sigunte: ou mantém o blog com postagens escassas de viagens ocasionais, ou talvés com uma mudança nos assuntos abordados; ou o encerra de vez.

    Pelo que percebi, boa parte da galera que te acompanha desde o início (da viagem pelo mundo, não da 1ª à Austrália) bem ou mal continua. Eu peguei o bonde andando no Sudeste Asiático, e continuo aqui. Porra cara, já recomendei teu blog para dezenas de amigos que viajaram/viajarão para lugares que você foi. E mesmo para os que não iam sair daqui, só pelo prazer da leitura. Gosto de verdade.
    Te “sigo” no Twitter, e estou na tua Comunidade do Orkut. Quem realmente gostou, manterá contato. De resto, é vida que segue. Se bem que, passando por tantos países e deixando tantos sentimentos em lugares e pessoas que dificilmente irá rever, creio que sabe bem do que falo. 😉

    No mais, 2 coisas:
    – PUTA QUE NOS PARIU Claudiomar, termina a viagem da Índia, por tudo o que é sagrado nesta terrinha lazarenta! Você está procrastinando ela a quase DOIS anos rapaz. Novela veio, novela passou, terminou mais uma, veio Copa, acabou-se a Copa, Ronaldo se aposentou, o Lula saiu do Poder… e nada da finalizar a Índia. Não escreva sobre mais nada, só termine essa parte da viagem, pelo amor de São Sarney.

    – No próximo post do Egito (haverá um próximo post do Egito, não?) tente incliur algum comentário, análise, ou mesmo um post especial sobre a Revolução que eles fizeram lá nestas últimas semanas. Do ponto de vista não somente de um turista brasileiro que passou por lá, mas do “internacionalista” – é este o título de quem se forma em RI? – que pôde conhecer o país poucos anos antes de uma Revolução.

    Sei lá, pode ser que estes 2 levantes fiquem por aqui, troquem uma ditadura por outra e se tornem um mero ponto dissonante na história mundial. Mas creio que eesa se tornarão um marco muito maior.

    Abração Claudio.

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  5. Claudiomar, seu blog está decepcionante. Toda vez que entro, encontro ou um relato de viagem nacional ou pior ainda, não encontro nada de novo. Não tem porque vc demorar só pros relatos da viagem não acabarem e o blog perder sentido. Sem sentido está agora, com relatos de viagem nacionais, desviando o assunto do blog. Todos que aprenderam a admirar seu blog estão decepcionados. Quer uma sugestão? Dá um gás nos posts da volta ao mundo. Acelere, coloque um post a cada dois dias, dane-se que assim vá acabar mais rápido. E abre outro blog, uma espécie de “O Brasil numa mochila” e escreva as coisas e viagens que vc anda fazendo atualmente, em tempo real. Em nome das centenas de pessoas que sempre entram no teu blog, espero que você leve isso em consideração. Abs.

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  6. Que povo exigente, esses seus leitores…agora q descobri seu blog e estou gostando do que li. Só não entendi como você indo para Niterói do aeroporto passou pela CCBB-RJ, que ônibus é esse? algum para turistas que sai do aeroporto? Só pode ser.Beijos, vou lendo aos poucos.

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  7. É, um post por mês tá difícil mesmo. Mas, numa boa, achei os conselhos e pedidos do Bruno Bononi bem interessantes, fico no aguardo!

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  8. Vc teve foi muita sorte, a volta da Região dos Lagos pós feriado costuma ser um inferno, se for feriados grandes o retorno de Arraial pode levar até 7 h.
    Agora, vc falar que carioca não gosta de trabalhar é SACANAGEM! Pleno domingo no centro da cidade vc queria achar algo aberto?? Imagino se vc tivesse em BSB como seria, o que me lembro de lá, além do clima seco, era que ônimos só passava até as 23h nos dias de semana, a carga horária das sextas feitas na esplanada vou preferir não comentar, a única coisa que realmente sempre estava aberto eram os bares, afinal de contas BSB é um grande bar, então meu caro, não venha falar uma coisa dessas 😉
    abs,

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