Perambulando pelo Egito – parte 2

Bem, antes de começar esse post eu gostaria de falar com vocês aqui. Não é de hoje que mais uma vez eu atrasei, e MUITO, um post. Realmente isso vem ocorrendo com uma freqüência maior do que eu gostaria e vi que tem uma galera aqui que fica insatisfeita. Bem, eu dou razão a vocês. As postagens aqui estão ficando cada dia mais raras, mas infelizmente isso deve continuar ocorrendo. Gente, a minha vida tá muito atribulada, tou viajando bastante tanto por conta do trabalho, quanto por conta própria mesmo e, infelizmente, acaba sobrando pro blog que fica cada dia com menos postagem. Antes, quando eu não trabalhava, realmente tava dando pra conciliar legal o blog com minhas outras atividades, mas o problema é que por agora tá ficando complicado. Até porque da um trabalho danado escrever um post. Se for pra escrever, quero fazer bem feito, se for pra fazer ruim prefiro nem escrever. Vou tentar ao máximo diminuir os atrasos, mas alguns ainda devem ocorrer. Conto com a compreensão de vocês.

Velha Cairo
É interessante que todos esses protestos no mundo árabe estejam ocorrendo justamente quando estou começando a escrever sobre como foi a segunda parte da minha viagem pelo Oriente Médio. Pra quem mora dentro de um buraco e não sabe do que estou falando, o mundo árabe, os vários países que possuem maioria árabe, estão enfrentando uma onda de protestos depois que o ditador da Tunísia caiu. Tudo começou quando Mohamed Bouazizi, um feirante da Tunísia, ateou fogo ao seu próprio corpo em protesto por ter seus bens confiscados por policiais. Tal ato de protesto e desespero foi o estopim para que milhões de tunisianos, cansados de viverem sobre uma ditadura fratricida durante mais de vinte anos, fossem protestar por melhores condições de vida e contra o ditador. Os protestos foram tomando proporções absurdas. Acabou que no final o ditador da Tunísia não agüentou e deixou o cargo. Os egípcios, seguindo o exemplo dos tunisianos, acharam que seria uma boa idéia fazerem o mesmo e após algumas semanas de pesados protestos na praça Tahrir, mais um ditador, Mubarak, perdeu o poder. Aí cumpade, aí foi tudo como um dominó. A bola da vez agora é a Líbia e o Bahrein, que uma hora ou outra também vão perder os seus ditadores e influenciar outros países árabes que vivem sobre uma realidade semelhante e opressora e assim a “Primavera Árabe” vai caminhando. E tudo isso por causa do desespero de um pobre feirante tunisiano. Quem quiser mais informações de como tudo está acontecendo, favor clicar no item aqui. Acho engraçado que durante a minha visita às pirâmides, tinham acabado de terminar as eleições norte-americanas e Obama tinha sido eleito com toda aquela esperança de mudança que ele carregava. Foi um momento todo interessante, onde todos nós estávamos cheios de esperança de mudança, que Obama seria melhor para o Brasil, para isso e para aquilo, parecia até que a eleição era pra presidente mundial e não dos Estados Unidos. No Egito não foi diferente. Lembro de um vendedor de bugigangas que conversava comigo na pirâmide e falava que o Obama seria muito bom pro Egito. Que com a eleição dele tudo iria mudar. Não sabia ele que estava fazendo uma das mais certeiras previsões que eu já vira na política internacional. Tudo mudou no Egito, mas não foi por causa do Obama, foi por causa deles mesmos (tá, eu sei que ficou meio “Paulo Coelho” essa passagem, mas vocês entenderam)
Crianças em Cairo

Após visitar as pirâmides, aproveitei pra poder dar uma volta pela cidade do Cairo. Como já havia falado antes, Cairo vai muito além das pirâmides. As minaretes, a “Velha Cairo”, todos são lugares fantásticos de serem visitados. A sensação que dá é que você está caminhando por ruas da Idade Média, principalmente quando visita as ruas do mercado da cidade. No meio da cidade ainda conheci um árabe que era formado em geografia e começou a me apresentar a cidade. Como eu tava com medo do bicho ser guia e depois fazer confusão pra eu pagar a ele uma grana, acabei dando um perdido e não sei até hoje se o cara era gente boa ou não! Maldita Índia que me deixou extremamente desconfiado com pessoas na rua.
Portao do mercado de Cairo construido no seculo VIII

O Museu do Cairo é um espetáculo, ou era, já que fica em frente a praça onde ocorreram a maioria dos protestos e foi seriamente danificado. É lá que fica a mais do que famosa máscara mortuária de Tutancâmon. O museu é GIGANTESCO e você passa horas lá dentro lendo e aprendendo sobre a sociedade egípcia de milhares de anos atrás. Uma das várias curiosidades é que os egípcios acreditavam em vida após a morte e por isso se preocupavam tanto com mumificação. Para os faraós eram elaboradas máscaras mortuárias para que assim, quando a alma fosse retornar, reconhecesse mais facilmente o corpo a que pertencia. Para ajudar na longa viagem também eram mumificados alimentos e outros víveres. Isso foi de grande valia, não porque as almas realmente voltaram, mas porque devido a essa preocupação em mumificar alimentos e separar vários objetos pessoais e colocá-los no túmulo, hoje se sabe bastante sobre como eram os hábitos e os alimentos consumidos durante o período dos faraós. Além de que, caso o arqueólogo chegasse com uma fome danada na tumba, tava ali uma costela fresquinha pra ele fazer um churrasco. Não só pessoas eram mumificadas, animais também obtiveram essa “honra”, como pode ser visto no próprio museu.

Depois da visita ao museu, segui para casa do Mr. French e comecei a planejar minha viagem para Israel. Engraçado que chegando lá ele tava hospedando duas chilenas, que não falavam inglês, e ele não falava espanhol. Sobrou pra mim atuar como tradutor.
Vai um pedaco de costela mumificada ai?

Meu busão pra fronteira com Israel era pela madrugada. Mr. French me falou de um taxista que ele conhecia que era gente boa e que poderia me levar. Ligou pro bicho e ele foi me buscar pela madrugada. Cara, acho que de todos os taxistas que eu tive que lidar, esse foi o único que eu realmente gostei. Ele era bem gente boa. Era engenheiro eletricista, tinha três filhos e pela noite trabalhava como taxista pra poder complementar a renda. Deu-me uma dor no coração conversar com aquele cara. Ele era mais uma de uma geração de egípcios que nasceram sob o regime de Mubarak e, apesar de estudarem bastante, não conseguiam uma vida digna. Ele até me perguntou o que eu fazia no Egito, se eu tava lá pra estudar ou trabalhando. Respondi que estava só viajando mesmo e ele ficou um tanto quanto assustado. “Mas você viaja por viajar?” – ele me perguntou. Cara, fiquei sem graça quando ele falou isso. O bicho lá trabalhando de manhã, de tarde e de noite pra dar comida pros filhos dele e eu só viajando. Ele e o outro formado em Geografia devem ter sido um dos muitos egípcios que tavam tacando pedra lá na praça Tahrir protestando contra Mubarak.
Peguei meu busão e segui pra fronteira com Israel.
Fala serio, todo mundo tem uma foto dessa com um Rayban!! Essa eu tirei na fronteira com Israel!
P.s: Tou no em Recife agora, durante o carnaval postando o blog. E’ complicado, isso aqui e’ um vicio!!!

4 comentários em “Perambulando pelo Egito – parte 2

  1. De minha parte, estás perdoado quanto aos atrasos. =P
    Zuera fiote. Eu pessoalmente não ligo dos “atrasos” não. O Blog é teu, quem bate o pinto na mesa para decidir qualquer coisa aqui é tu. E se não gostarmos, você para de escrever e pronto. ^^

    Vai postando no teu ritmo que nós vamos acompanhando daqui. Obrigado pela preocupação e perda de tempo em compartilhar isto conosco. =)

    Cara, eu fico imaginando como deve ser legal pensar que esses 2 caras que você conheceu estavam lá. Não é uma besteira tipo “Ah, conheço fulano do BBB X”, ou ” Eu fui à/ao [evento cultural qualquer]!”.
    Porra cara, os egípcios levaram a cabo uma Revolução popular, sem ter tido um estopim internamente marcante. E por enquanto sem golpe de qualquer grupo. Sério mesmo, muito inspirdor o que eles fizeram.

    Agora na Líbia o bicho tá feio. Cara, caso o Governo do Kadafi caia, não quero nem imaginar o que vão fazer quando botarem a mão no cabra. Impalamento seria pouco. Imagino o ódio que a população deve estar do sujeito. Se bem que eu aposto um 7 Bello que ele fugirá do país para não ser pego.

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  2. E tu ainda não disseste quanto “pouco dinheiro” no bolso foi o suficiente para uma volta ao mundo com a ajuda do couchsurfing né maranhão! Eu e o taxista árabe estamos intrigados, haha. Sobre o Obama, se pensar bem, muito ajudou só o fato de que ele não é um presidente capaz de cara-dura de defender o ditador aliado, a ponto de mobilizar tropas e factóides na imprensa (como tentaram ao vincular os protestos aos extremistas islâmicos, que são minoria e detestados por grande parte dos árabes).

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  3. Claudiomar,
    Você tem contato ainda com o seu couch? Qual é a impressão dele disso tudo, já que mora no Egito?

    Rob,
    Ele já falou em algum post, bem no início, o custo da viagem. O pai dele de uma grana e o resto ele conseguiu trabalhando nos EUA. Dá uma procurada.

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