Arraial do Cabo – conheça o “Taiti carioca”

(esse post vai sem fotos minhas. Fui pra lá sem câmera fotográfica :P)

Bem, fim de semana retrasado fui tentar mergulhar nas praias de arraial do Cabo, uma cidadezinha próxima a Cabo Frio, no Rio de Janeiro, famosa por ser um ótimo lugar de mergulho e cheio de tartarugas. Há muito tempo que nutro o desejo de mergulhar novamente com saudades do tempo em que fazia isso na Tailândia ou apenas fazia snorkeling em praias do Sudeste Asiático e Oriente Médio.

Uma coisa que sempre me chateou é que o Brasil, apesar de possuir um litoral imenso, não parecia possuir sequer um só local apropriado ao mergulho e ao snorkeling. Mas quando digo nenhum, é nenhum MESMO, tirando Fernando de Noronha. Depois de um muito tempo procurando aonde ir, me pareceu que Arraial do Cabo era um lugar apropriado para prática. Não pensei duas vezes, na sexta desci pra rodoviária do Rio de Janeiro e fui comprar a minha passagem pra Arraial do Cabo.
Assim é Arraial do Cabo visto de cima

Consegui meio que de milagre um couch lá (só tinha UMA pessoa oferecendo, isso em um dos lugares mais turísticos do Brasil) e por isso estava animado. Bem, “estava” é a palavra correta pra poder definir meu estado de espírito antes de chegar na rodoviária. Meu amigo, lá tava LOTADO de gente, mas tinha gente, GENTE, mas parecia que tavam era distribuindo farinha. Foi feriado no Rio de Janeiro na quinta feira e muita gente aproveitou pra poder emendar, além de que em Cabo Frio tava rolando o Cabo Folia, o que estava levando mais gente pra lá.

Acabou que eu cheguei à rodoviária umas cinco da tarde e só acabei conseguindo busão pras oito da noite, sendo que saía ônibus mais ou menos de meia em meia hora. Na ponte Rio-Niterói um congestionamento gigantesco! Cheguei em Arraial já era quase onze horas da noite e segui pra poder me encontrar com o host. O host em si era uma figura! Ele se chamava Dudu e era crescido em Arraial do Cabo. Filho de um francês com uma pernambucana. Trabalhava seis meses aqui no Brasil, durante o nosso verão e, durante o inverno, baixa temporada em Arraial do Cabo, seguia para trabalhar em algum país do Hemisfério Norte, já que possuía passaporte europeu. Basicamente passava a vida curtindo verões por aí. Além de que parecia o dono da cidade, já que trabalhava no restaurante do pai, um dos mais importantes da cidade, andava pela rua cumprimentando todo mundo e ainda possuía um barco que ele alugava pra galera ficar fazendo passeio. Tinha todas as informações da cidade de onde era melhor pra comer, mergulhar, fazer o que for! Gente boa demais!
Gruta que visitei

Cheguei no centro da cidade e lá já fervilhava. O pessoal tava fazendo um esquenta pra poder descer mais tarde pro Cabo Folia e por isso tava tomando umas por lá antes de descer pra Cabo Frio (de Cabo Frio pra Arraial parece que são 20 minutos de busão). Dudu também estava indo e perguntou se eu não queria acompanhá-lo. Como não tava muito na pira de sair pra encher a cara e acordar só meio dia do dia seguinte, preferi ficar por lá e dormir cedo, pra poder acordar cedo e procurar uns lugares para mergulhar. O Dudu me passou um bizú de procurar o barco dele e falar que era “amigo do Dudu” pra poder conseguir um desconto no passeio do barco. Engraçado mesmo foi só que acordei pela manhã com a trupe do Dudu chegando em casa, fazendo mó arruaça e gritando que era a “pica das galáxias”. Destaque só pra um diálogo que acabei captando entre dois namorados:

– Amor, onde cê tá indo?
– Ow, minha flor, vou ali fazer um xixizinho no banheiro!
– Ah mor, mija lá fora!
– Mas, minha flor, eu já tou aqui do lado do banheiro! Vou mijar lá fora por quê?
– Ah, mas você já mijou lá fora a noite inteira! Vamo logo embora!
Nada como saber argumentar quando se está com pressa.

E AMANHECE EM ARRAIAL DO CABO

No dia seguinte, procurei o rapaz indicado por ele, falei a senha “amigo do Dudu” e consegui o meu desconto pro passeio de barco pela praias de Arraial do Cabo. Aluguei também um óculos de mergulho, um snorkel e, como tava com um pouco de receio, resolvi comprar um protetor solar pra me proteger do sol também. Bem, aí começou um problema. Qual? Bem, eu nunca na minha vida usei protetor solar, sou nascido e criado no Maranhão e lá, por sempre estar na praia, nunca tive problemas com costas queimadas. Como estava preocupado de estar muito tempo fora da praia, resolvi comprar um protetor porque todo mundo fala que é importante. Qual eu comprei? Comprei o mais barato, ou menos caro (porra, protetor solar é caro demais!), lógico, o de fator 15 😛
O passeio de barco foi interessante, o grande problema foi que como acabei ficando muito tempo no sol voltei do passeio só um caco. As costas ardendo que só uma frigideira, apesar de eu ter usado protetor solar (foi engraçado. Como falei, eu não tenho costume de utilizar protetor solar, portanto só utilizei um pouco e ainda assim no rosto e na parte superior das costas. Rapaz, mas meu lombo e meus braços ardiam…). Resolvi dar uma “pratada” e fui tirar um cochilo. Isso foi o suficiente pra poder ferrar toda a minha vida por lá.
Agora deixa eu explicar meu drama. Apesar de ter chegado numa sexta a noite e ter planejado ir embora no domingo, ou seja, o sábado inteiro em Arraial, eu preferi deixar pra poder fazer o meu mergulho com cilindro só no domingo, pra primeiro conhecer o lugar e só depois ir mergulhar. Se eu não tivesse ido dormir e já emendasse um mergulho vespertino eu poderia ter mergulhado já no sábado e não estaria impedido de mergulhar no domingo. Impedido? É exatamente isso que eu disse, impedido! Só sábado a noite que eu fui lembrar de uma velha regra que todo mergulhador deve seguir. Não se pode mergulhar em um dia e viajar de avião horas depois sob pena de um risco MUITO grande para seus pulmões, haja vista que a 10 metros de profundidade a pressão atmosférica dobra e dentro do avião ela é mais ou menos a metade. Ou seja, essa diferença de quase quatro vezes de pressão pode fazer borbulhar o seu sangue e fazer com que essa viagem de avião seja a última da sua vida! O idiota aqui não tinha lembrado. Trocando em miúdos, eu não poderia ir mergulhar!
Rapaz, mas pense num cara que ficou chateado com isso tudo? Caraca, mas eu queria MORRER depois dessa imbecilidade que fiz. Resultado? Não pude mergulhar de cilindro em Arraial do Cabo!! AAAAAAAHHHHHHHH!! O Dudu até tinha me passado um contato lá e dito pra eu falar que era “amigo do Dudu” pra ganhar um desconto também no mergulho, mas depois nem me animei em ir.
Fiquei bem chateado, pensei até em voltar mais cedo pra Brasília, mas como já estava lá, achei que o melhor era de alguma maneira tentar extrair algo de bom da situação e ficar por lá mesmo. Informei-me e descobri que havia uma praia lá que era bem legal pra se fazer snorkeling. Bem pra quem não tem nada, metade já é muito, resolvi acordar cedo no domingo e ver de qual é. Falei com o Dudu e ele até me passou um bizú de um cara que trabalhava lá e que se eu chegasse e falasse que era “amigo do Dudu” ele podia me dar um desconto (ao que me parece “amigo do Dudu” é algo como uma “senha promocional” em Arraial do Cabo. Agora vocês entendem porque eu disse que o bicho parecia o prefeito da cidade! Eu pensei até em não colocar isso no blog, pra alguém aqui não sacanear caso vá pra lá e diga a “senha”, mas depois pensei que entre centenas de vendedores, dois ou três efetivamente são amigos dele ;P, logo não dá pra alguém usar aleatoriamente!).
Essa é a Praia do Forno

MERGULHANDO COM OS PAULISTANOS

A praia se chamava Praia do Forno e, bem, no final vi que era o que eu estava buscando mesmo. Depois de tantos imprevistos, tantas buscas, tantos problemas, estava chegando ao lugar que sempre busquei. Não era um mergulho na Tailândia ou em Fiji, mas de qualquer maneira foi de longe o melhor lugar que já pude estar mergulhando no Brasil. Peixes de várias cores diferentes, alguns poucos corais e um céu azul indescritível! Ah sim, e também, o mais legal de todo o snorkeling, acabei me deparando com três tartarugas marinhas também. Essas tartarugas salvaram minha viagem! Cara, que coisa linda! Elas nadam devagar, quase flutuando nas águas com muita graça e leveza! Uma cena linda demais de ser vista. Lembrou-me até o Havaí, sendo que lá só vi uma tartaruga e em Arraial do Cabo vi três. Link da viagem do Havaí aqui

Engraçado foi uma hora que eu, já quase chegando à areia, meio que esbarrei num grupo de quatro paulistanos que também estavam mergulhando por lá. Aproveitei pra poder perguntar as horas, pois um deles tinha um relógio a prova d´água no braço. Eles estavam com algumas câmeras de bater foto embaixo d´água e me perguntaram se eu já tinha visto uma tartaruga. Eu falei que já havia visto duas e que era só eles continuarem procurando que logo logo achariam alguma. Fui voltando e vi uma tartaruga meio que encostada nas pedras e resolvi falar pra eles irem vê-la. Rapaz, que arrependimento, viu? Na hora um deles voltou, olhou a tartaruga e só gritou pros outros:
– Ôrra, meu!! Achei uma tartaruga!!! Corre aqui, mano! – falando com aquele sotaque característico dos paulistanos.
Rapaz, que aperreio a bichinha passou, viu? Os malucos ficaram desesperados tentando bater uma foto dela! Começaram a seguir a pobrezinha que, por ser pequena e eles estarem de pé de pato, não conseguia se evadir deles. Depois de um tempo eu só escutei um deles gritando: “Cerca, cerca ela! Vamo bater uma foto!”. E lá foi a pobrezinha ficar mais bandeada que peru em véspera de natal! Ela nadando prum lado, eles cercando pelo outro, ela ia pra um lado, eles cercavam ela! Parecia neguinho perseguindo leitão em festa caipira, só que na versão marinha! A tartaruga desesperada, só faltava saltar pra fora da água. Eu fiquei imaginando o que aqueles abestados queriam fazer, se eles tavam era querendo tirar foto abraçando o pescoço da pobre da tartaruga e dando tchauzinho! Depois fiquei pensando porque cada dia mais tem menos tartarugas por lá. Essa daí nunca mais na vida dela volta pra Arraial do Cabo e assim como elas milhares já devem ter passado por uma situação dessas e resolveram mudar, sei lá, pra Antártida ou algo assim!
Depois dessa cena bizarra, saí da água e segui para rodoviária pra poder pegar meu ônibus pro Rio de Janeiro que, apesar de eu não estar esperando, também acabou sendo bem engraçado…
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3 comentários em “Arraial do Cabo – conheça o “Taiti carioca”

  1. hahaha adorei o post! na verdade o blog em geral! Essas fotos foram tiradas por você? adoro fotografia e achei elas o maximo! O que é aquela Tartaruga? Linda demais! Parabens pelo blog!

    Mariana

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