Cruzando a fronteira da Turquia com a Síria

No outro dia consegui pegar o meu busão em direção a Damasco na Síria. Ainda estava meio confuso se eu conseguiria ou não o maldito visto pra poder entrar no país. Uns me falavam que era super de boa pra poder tirar, que era só pagar a taxa que você estava dentro enquanto outros me falavam que era maior embaço e complicado. Isso era um tanto quanto preocupante, haja vista que não ter todas as informações necessárias em um ambiente possivelmente hostil como aquele não é o melhor dos cenários. Se os caras da fronteira percebessem isso, eles poderiam tentar me enrolar (fazendo eu pagar mais pela taxa do visto, que eu sequer sabia de quanto era) ou então me pedir suborno, o que eu só faria em último caso.

Abaixo dá para ver o sentimento que eu tava na fronteira:

Pra piorar, todos no busão pareciam ser turcos e ninguém parecia que sabia falar inglês, muito menos o motorista. Enfim, o jeito foi seguir viagem. Quando fui cruzar a fronteira, fiquei impressionado, pela primeira vez desde quando havia começado a viajar, me deparei com guardas de fronteira que não falavam uma palavra em inglês. Os caras não sabiam falar nem hot-dog. Pode parecer besteira, mas lembre-se que eles trabalham com fronteira, cara! Eles são os responsáveis por deixar ou não uma pessoa passar pra dentro de um país ou outro. Eles pareciam falar só turco e árabe. Não parecia que forasteiros de outras nacionalidades eram muito comuns por aquelas bandas. Quando foi pra poder sair do país, havia uma fila para sírios, outra para turcos e outra para “o resto”. Qual não foi a minha surpresa ao ver que um outro cara ia comigo pra fila do “resto”. Opa, um estrangeiro em lugares isolados como esses sempre são bons, duas cabeças pensam melhor que uma e sempre podemos nos ajudar caso algo aconteça.
Fui trocar uma ideia e ele me saiu melhor que o esperado. O cara, apesar de falar pouco inglês, sabia falar turco e árabe! BINGO!! Tudo certo, amigo!! Agora nada pode dar errado!!! O bicho era búlgaro (sim, já pode ir contando línguas faladas: turco, inglês, árabe e búlgaro. Pelo menos), marinheiro e gente boa pacas. Depois que cruzamos a fronteira da Turquia sentei do lado dele e fomos conversando no caminho. Ele me contou que já havia viajado pro Brasil e visitado dois portos: Santos e um tal de Madieiria. Maidieiria?? Que diabo é isso?? Tá certo que eu não sei todos os portos do Brasil, mas com certeza a gente não teria um porto com esse nome. Devia ser um nome parecido. Fiquei pensando, pensando… Rapaz, depois de um tempo eu não fui me tocar do porto que ele tava falando? Era o porto de PONTA DA MADEIRA!! O que é Ponta da Madeira??? É o porto do ITAQUI!! O que é o Itaqui?? É um dos maiores portos do Brasil e fica situado numa cidade patrimônio da humanidade!! SIM, O CARA JÁ HAVIA PASSADO POR SÃO LUÍS!! Rapaz, que felicidade!!
Fiquei todo feliz e fui bombardeando o cara de perguntas: o que ele havia visto, se tinha gostado, se tinha passado muito tempo e talz. Pô, não é todo dia que se conhece alguém que já foi a São Luís NO MEIO DO ORIENTE MÉDIO, né? Enfim, eu vi que ele meio que não entendeu o que eu tava perguntando (ele não falava inglês tão bem, como já falei) e foi me contando como foi essa “excursão” dele por terras ludovicenses.
Diz ele que ficou quase uma semana esperando pra poder descer do navio. Ele me contou que quando eles chegam, eles ficam numa fila de barcos esperando obter autorização pra poder descer em terra firme. Falou que era um saco. Você dorme e acorda todo o dia olhando a terra firme e não pode descer! Isso depois de provavelmente ter cruzado um oceano inteiro! Depois que ele enfim conseguiu descer, tentou ver como faria pra poder dar uma volta na cidade, mas foi informado que o centro histórico era MUITO longe do porto do Itaqui (e bicho, real? É longe MESMO!!). Juntou quatro amigos pra tentar rachar um táxi, mas o taxista que fez mais barato queria 100 reais POR CABEÇA pra levá-los ao centro e trazê-los de volta ao porto do Itaqui, o que fica mais que demonstrado que seja na Índia ou seja no Maranhão não há raça mais FILHA DA PUTA do que taxista pra querer te roubar. Só pra vocês terem uma ideia, eu paguei uma vez uns 250 reais pra viajar de Brasília a São Luís de ônibus. Como eles não estavam lá tão a fim de conhecer a cidade, resolveram buscar um programa um pouco mais educativo e saudável. Compraram uma garrafa de vodca e foram atrás de um puteiro.
Bem gente. Eu vou falar uma coisa pra vocês. São Luís é uma cidade bonita, mas mulher é uma situação complicada. Se tu olha uma mulher gatinha caminhando na rua tu achas logo que é turista. É… a situação aqui é braba mesmo. Agora imagina como deve ser isso em um puteiro?? Imaginou? Agora pensa como deve ser assim em um puteiro baixo, mas BAIXO nível como são os ao redor do porto (dizem que o mais rico dos que lá frequentam chega de bicicleta)? Pensou, pois é!! Foi isso que ele me falou… E o coitado ainda espocou 100 dólares com o pacote completo: Vodca, entrada, mulher e tudo… Gringo só se complica…
Eu percebi que a experiência que ele teve com São Luís não foi das melhores, por isso mudei logo de assunto: – Olha, chegamos no posto de fronteira da Síria!! Vamos descendo??
Descemos e ele foi na frente, pois, como disse, falava árabe. Rapaz, assim que entrei no posto eu só faltei foi rir. Imagina um bando de gordo, de bigodinho e farda por todos os cantos?? Pois era assim o posto de fronteira. Mas parecia um bando de Saddam Hussein por todos os lados. Engraçado DEMAIS!! Perguntei quanto era pra poder pagar pelo visto e o marinheiro me falou que era uns 30 dólares. Tirei 30 dólares e quando ia pagar ele me falou que só podia ser pago em moeda local. Ow beleza, que boa notícia. E onde eu iria trocar? “Seus problemas acabaram”, tinha uma casa de câmbio DENTRO do posto de fronteira só pra isso. Agora pense comigo. Aquela era a casa de câmbio em centenas de quilômetros. Já deduziu? Claro que a conversão foi a PIOR possível e o visto que era pra sair por uns 30 dólares, acabou saindo por 40 só com o tanto que eles me roubaram no câmbio.
No final graças a Deus deu tudo certo e eu conseguia atravessar, são e salvo, a fronteira da Síria…

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