Xangai

Quando as pessoas me perguntavam se eu já havia visitado a China, a minha resposta era sempre “- Não, só fui a Hong Kong e Macau”. Apesar de essas duas regiões serem parte da China hoje, pra mim elas não contavam como “China” em si por terem uma história diferente da China continental e, principalmente, por serem BEM ricas.
Xangai hoje posso dizer o mesmo. É um verdadeiro choque quando você sai do caos que é Pequim e outras cidades da China e cai diretamente em Xangai. Cara, Xangai é coisa de outro mundo. Começa pelo aeroporto, que parece novinho em folha e é gigantesco! Saindo de lá, quando você cai na cidade, você vê toda a opulência e riqueza que Xangai transmite, totalmente diferente das outras cidades chinesas que, como já falei, são gigantescas, porém sujas e bagunçadas. Mas como disse várias vezes, Xangai e nada na China são exemplos para ninguém.


Isso você vê de dois em dois minutos no chão de Xangai


Wall Street chinesa
 O que eu havia lido era que Hong Kong e Macau despertam um certo “ciúme” na cúpula do Partido Comunista Chinês. As duas regiões são pujantes e extremamente ricas, porém foram colonizadas por potências estrangeiras. Xangai seria uma resposta do modelo comunista chinês que eles poderiam fazer algo melhor e mais moderno seguindo o modelo comunista. Mais ou menos como a Pyongyang da China. Assim, de forma artificial, você tem uma ilha da maravilha no meio do caos das cidades do interior da China.

Perambulando por Xangai


Como já havia explicado antes, adiantei em alguns dias a minha ida a Xangai porque eu realmente não aguentava mais o interior da China, precisava descansar um pouco (afinal, eu não era aquele mochileiro de quatro anos atrás, agora eu era alguém tirando férias do trabalho e precisando de alguma forma descansar) e queria sentir um pouco dessa dita modernização chinesa. Xangai acabou por cumprir o que eu esperava.




Logo no metrô já começou algo bem engraçado. Assim, antes de falar preciso citar algo que temos que tirar o chapéu para os chineses. O metrô te pega quase que na porta de casa e te deixa já dentro do aeroporto. Isso é muito bom. Além disso, paguei 3 (isso mesmo TRÊS REAIS) de tarifa sair do aeroporto, atravessar toda Xangai e chegar na estação que eu deveria ir. Procurei a estação que eu supostamente deveria descer, comprei o tíquete e entrei no metrô. Eu deveria seguir a linha 2 do metrô do aeroporto até a estação que iria encontrar minha host, sem necessidade de mudança de linha. Lá estou eu sentado esperando o meu metrô ir passando as estações quando, de repente, todo mundo pula para fora do metrô. Como eu estava de cabeça baixa, escutando música, não me toquei que TODO MUNDO havia saído do metrô. Quando pensei em também cair fora (isso, afinal não parecia um bom sinal), vi que outras pessoas entraram. Bem, poderia seguir viagem, afinal, como eu disse, eu não precisava trocar a linha. Quando me toquei, quatro estações depois, o metrô estava VOLTANDO para o aeroporto. Diaboéisso? Eu supostamente não devia me manter na mesma linha? Tentei checar o que estava acontecendo, mas havia algumas instruções em chinês na estação que o trem havia voltado. Não entendi nada, saí do vagão e fui para o outro lado pegar os vagões que iam na direção que eu supostamente deveria ir. Fiquei sentado e dessa vez não pensei duas vezes, quando todo mundo pulou fora, eu pulei junto!



Aí que fui me tocar que, apesar de ser a mesma linha, em determinado momento você tem que fazer algo como uma baldeação de um vagão para o outro ainda que esteja na mesma linha, senão você corre o risco de voltar para o aeroporto. Essa eu não entendi. Acabou que eu apelidei o metrô do aeroporto de metrô ping-pong. Fica a dica aí para quem for para lá.


Host em Xangai


Consegui um couch em Xangai com uma polonesa. Ela se chamava Ewa. Era veterinária e estava entediada na Polônia quando viu um anúncio de emprego para ir trabalhar em Xangai. Aceitou e se mudou com mala e cuia para lá.




Assim, falar que ela era uma mulher é realmente algo difícil. Cara, ela era muito doida! Tinha crescido a vida inteira com amigos homens em fazendas derrubando cavalos no chão com as mãos, como ela mesmo gostava de falar. Além disso, ela também era fissurada em tuning e não raro participava de rachas pelas ruas da Polônia com o seu carro customizado. Bem mais macho que qualquer um aqui que tá lendo esse blog. O irmão dela corre em algo parecido com uma corrida de stock car e ela ficava me mostrando as fotos toda orgulhosa. E cara, como ela falava. Mas falava bem mais do que eu. Isso era bem engraçado.


Alguém pediu ovos de dragão para comer?





No começo eu tratava ela como…. bem… como uma mulher, né cara? Sei lá, tentava ser gentil ou coisas do tipo. Depois de um ou dois dias com ela me tratando como um cavalo, comecei a tratar ela quem nem brother mesmo! Aí que ficamos amigos! Ela dizia que eu era tão menininha, que quando alguém no meeting perguntava se erámos namorados ela só respondia: – “Só se for para ela ser minha esposa!”. Rapaz, mas a mulher era grossa que só parede de igreja!
 

Ela dizia que na casa dela só havia uma regra: “Regar as plantinhas logo pela manhã”. Isso havia no profile dela e não parecia ser lá um problema tão complexo. Já cheguei na casa dela sabendo que teria que fazer isso. Só que eu esperava encontrar “plantinhas” e não quase uma floresta amazônica que ela mantinha em um jardim de inverno no apê dela. Eita, mas era planta! Juro que eu gastava uns vinte minutos para poder regar toda aquela Floresta Amazônica que ela mantinha no quintal dela. A única parte positiva do fato de só ter chovido nos dois primeiros dias que fiquei em Xangai (choveu tanto que nem pude sair de casa), foi que não precisei jogar água nas plantas.

Outra história engraçada dela foi que no sábado a noite ela falou que não iria poder ir no meeting porque ela ia ter um encontro com um cara. De boa, fui sozinho e quando cheguei em casa resolvi perguntar como havia sido o seu passeio romântico. Cara, foi muito engraçado! Ela foi encontrar com um italiano estilo marombeiro. Quando chegou no bar ela já perguntou para ele o que ele iria beber e o cara respondeu “Suco!”. Rapaz, disse que na hora ela já pensou em perguntar se ele era… bem… você sabe. Depois disse que ele começou a falar que havia sido criado pela avó, mas sentia muita saudade da mãe dele. Italiano típico, se falasse que tinha feito estágio em Pelotas eu não estranharia. Depois que a Ewa já tinha tomado quase uma garrafa de rum sozinha (segundo ela para aguentar o cara, que era muito chato e nem cerveja pediu, só tomou suco de laranja!) ele começou o grand finale. Disse que havia viajado muito a vida dele, mas que agora estava pensando em se aquietar e voltar para o pequeno vilarejo italiano dele com uma mulher para ter uma família e ela criar os filhos. Isso, lógico, dando a entender que a Ewa poderia cumprir esse papel. Até porque a meta de vida de uma mulher que se embrenha no meio do continente asiático, sem eira nem beira, sozinha, que derrubava cavalo com a mão e era quase o Vin Diesel de Velozes e Furiosos na versão feminina, era substituir o papel da mama de um italiano de trinta e cinco anos. Disse que na hora ela só pensou em mandar ele virar homem, pediu a conta (que ele pagou, lógico) e voltou para casa! É amigo! A vida é dura!

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