Belém – Quem tem um sonho não dança

Depois de todos os caminhos pela América Central, ainda me restavam alguns dias em Belém antes de voltar para Brasília. Como já tinha ido algumas vezes a Belém (pô, é do lado de São Luís), não me restou muitas coisas turísticas a se fazer a não ser aproveitar a cidade. Fiquei hospedado na casa de um cara super gente boa do Couchsurfing.org. Até fomos a uma disputa de marchinhas onde a que eu mais gostei os caras fizeram com base em uma história quando foram pescar na Ilha de Marajó e um deles foi ferroado por uma arraia dando origem aos versos “Não arraia comigo que eu ferro com você”.
Porém, o que eu mais gostei passeando por Belém foi ter tido uma surpresa próximo ao teatro de Belém. Perambulando por lá, resolvi parar em um barzinho para tomar uma! Cadeira no meio da praça, hippies vendendo a arte, bêbados maltrapilhos dormindo nos bancos, mendigos por todos os lados, enfim, aquele paraíso para se tomar um chopp e descansar um pouco do mormaço. Cerveja Cerpa no copo e suor descendo pelas costas, noto, de repente, uma movimentação. Era um bloco de pré-carnaval! Éguas! Havia esquecido! Estávamos próximo do carnaval!
Pedi a conta e desci para lá. Quando estava indo a caminho, escutei uma senhora apontando e falando para o filho dela “Olha, o Gim manobrista tá ali no meio, vamos lá bater uma foto!”. Ela parecia realmente feliz em ir atrás dele.
Da floresta tira-se remédio para tudo, de colesterol a derrame!
Fui lá para o bloco para também conhecer esse Gim Manobrista. Depois que eu fui ver que na verdade não era nada de manobrista. Era uma morena, de cabelos longos e olhos escuros, aquele exemplar de beleza do Pará mesmo! O nome dela era “Gina Lobrista”! As pessoas pareciam felizes perto dela, o que me levou a crer que se tratava de uma cantora famosa!
No outro dia, andando com o Lysmar, couchsurfer que me hospedou em Belém, voltei novamente para a praça do Teatro onde estava havendo algo como uma feirinha. Ambiente muito legal, apresentação de capoeira, disputa de rimas, feira de doação de animais, vários eventos ocorrendo naquilo que nos faz lembrar como as cidades podem ser vivas quando ocupadas pelas pessoas fora de suas casas.
E, claro, onde há concentração de pessoas, há Gina Lobrista! E onde há Gina Lobrista, há um turbilhão de gente ao redor batendo foto com ela. Depois que fui saber da sua história. Há alguns anos, Gina Lobrista sai pela manhã de casa com uma caixa de som tocando suas músicas pelos pontos de maior concentração de Belém vendendo seus CDs por cinco reais cada um. Para ter noção do sucesso, vi um programa do Pará que visitava a casa dela e os caras davam uma volta no carro que ela comprou vendendo seus CDs de cinco reais.
Simplesmente adorei. Gina Lobrista é a representação do correr atrás de um sonho do jeito que der. Bota seu carrinho de som na rua, acredita no que você tem para mostrar e sai pelas ruas sem se perguntar se isso vai dar certo ou não. Se Glauber Rocha era o cara do “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”, pode-se dizer que Gina Lobrista é a mulher do “um carrinho de mão e um sonho na cabeça”. O som dela é legal, algo entre a sofrência do Pablo e o brega característico do Pará. No início era tudo ela sozinha mesmo, depois começou a chamar alguma atenção e hoje ela já tem até clipe:
Cheguei para bater uma foto com ela, mas preferi ficar de longe e bater foto da muvuca de pessoas se amontoando para poder comprar o cd, tê-lo autografado e tirar foto com ela. 
Gina Lobrista é hoje a Índia Apaixonada e patrimônio imaterial de Belém!

Quem tem um sonho não dança, já diria Cazuza.

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